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Não possuo nenhuma expectativa maior em relação às pessoas. Convivo com elas na sua justa medida. O impossível na raça humana são justamente as pessoas. Definitivamente, o silêncio não é dos inocentes. Por mais que eu pense bem ou mal das pessoas, elas sempre me surpreendem.O Blog é uma "Carta de Intenções" raramente cumprida. Eu vivo dos meus desequilíbrios* Copyright Nicka. Sempre teremos Paris.... Toda mulher deveria ter quatorze anos.(Nelson Rodrigues) Fez-se da vida uma aventura errante (Vinicius de Moraes) A calma é inimiga da perfeição "Não importa. Tente outra vez. Fracasse outra vez. Fracasse melhor" Samuel Beckett "Toda mulher devia ser a Sandra Bullock" "A Tsunami é Aqui!" "Sou uma espécie de Glória Magadan da vida real" "O chato em essência não existe...O chato é, antes de tudo, uma visão do outro..." "A fecundação é muito parecida com o garçom que mistura leite ao café. Apenas isso. O início da gravidez é um café com leite." "A Internet, repito, imbeciliza as pessoas." "O que as pessoas chamam cultura não é senão um termo pitoresco para a sua ignorância." Saul Bellow. "Quanto mais conheço analisandos, mais desprezo a Psicanálise." "Dormir de dia é um suicídio inconcluso" "O uísque é como um GATO engarrafado. O melhor amigo do Homem" Vinícius e Geraldo "A vida é como executar um concerto de violino ao mesmo tempo em que se aprende a tocar o instrumento"Samuel Butler "A pior forma de solidão é a companhia de um paulista" Nelson Rodrigues "Ser me ocupa bastante" A. Gide "Nada como a brancura cadevérica de um Pé" "Acordar é como um renascer com as cartas marcadas "A fé sem liturgia não tem o fulgor, não tem nada feérico, é como uma fé apagada, inexplicável, pequena, dúbia". "Matar-se é fazer poesia!". "'Quando homens pequenos lançam grandes sombras, é porque a noite está chegando" Nathaniel Lee "Só o suicida morre dignamente". Caminho de cabeça baixa pela praia da vida catando uma esperança. Todos os dias são para mim meu último dia. Um dia, sem me dar conta, meu dia será o último para todos. . O Orkut é uma espécie de lembrança e alerta virtual para um possível não vivido. . |
31.7.03
Incrível, mas está tudo aqui. . . . . TABACARIA Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo. Janelas do meu quarto, Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é (E se soubessem quem é, o que saberiam?), Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente, Para uma rua inacessível a todos os pensamentos, Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa, Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres, Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens, Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada. Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade. Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer, E não tivesse mais irmandade com as coisas Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada De dentro da minha cabeça, E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida. Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu. Estou hoje dividido entre a lealdade que devo À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora, E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro. Falhei em tudo. Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada. A aprendizagem que me deram, Desci dela pela janela das traseiras da casa. Fui até ao campo com grandes propósitos. Mas lá encontrei só ervas e árvores, E quando havia gente era igual à outra. Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar? Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou? Ser o que penso? Mas penso tanta coisa! E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos! Gênio? Neste momento Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu, E a história não marcará, quem sabe?, nem um, Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras. Não, não creio em mim. Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas! Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo? Não, nem em mim... Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando? Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas - Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -, E quem sabe se realizáveis, Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente? O mundo é para quem nasce para o conquistar E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão. Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez. Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo, Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu. Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda, Ainda que não more nela; Serei sempre o que não nasceu para isso; Serei sempre só o que tinha qualidades; Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta, E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira, E ouviu a voz de Deus num poço tapado. Crer em mim? Não, nem em nada. Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo, E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha. Escravos cardíacos das estrelas, Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama; Mas acordamos e ele é opaco, Levantamo-nos e ele é alheio, Saímos de casa e ele é a terra inteira, Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido. (Come chocolates, pequena; Come chocolates! Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates. Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria. Come, pequena suja, come! Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes! Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho, Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.) Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei A caligrafia rápida destes versos, Pórtico partido para o Impossível. Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas, Nobre ao menos no gesto largo com que atiro A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas, E fico em casa sem camisa. (Tu que consolas, que não existes e por isso consolas, Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva, Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta, Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida, Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua, Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais, Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê - Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire! Meu coração é um balde despejado. Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco A mim mesmo e não encontro nada. Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta. Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam, Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam, Vejo os cães que também existem, E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo, E tudo isto é estrangeiro, como tudo.) Vivi, estudei, amei e até cri, E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu. Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira, E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses (Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso); Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente Fiz de mim o que não soube E o que podia fazer de mim não o fiz. O dominó que vesti era errado. Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me. Quando quis tirar a máscara, Estava pegada à cara. Quando a tirei e me vi ao espelho, Já tinha envelhecido. Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado. Deitei fora a máscara e dormi no vestiário Como um cão tolerado pela gerência Por ser inofensivo E vou escrever esta história para provar que sou sublime. Essência musical dos meus versos inúteis, Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse, E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte, Calcando aos pés a consciência de estar existindo, Como um tapete em que um bêbado tropeça Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada. Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta. Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada E com o desconforto da alma mal-entendendo. Ele morrerá e eu morrerei. Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos. A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também. Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta, E a língua em que foram escritos os versos. Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu. Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas, Sempre uma coisa defronte da outra, Sempre uma coisa tão inútil como a outra, Sempre o impossível tão estúpido como o real, Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície, Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra. Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?) E a realidade plausível cai de repente em cima de mim. Semiergo-me enérgico, convencido, humano, E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário. Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos. Sigo o fumo como uma rota própria, E gozo, num momento sensitivo e competente, A libertação de todas as especulações E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto. Depois deito-me para trás na cadeira E continuo fumando. Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando. (Se eu casasse com a filha da minha lavadeira Talvez fosse feliz.) Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela. O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?). Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica. (O Dono da Tabacaria chegou à porta.) Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me. Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu. Álvaro de Campos, 15-1-1928 Agora me expliquem uma coisa: de onde tirou-se a idéia besta de que colocar fotos de cancerosos terminais em maços de cigarro resolve alguma coisa? Cigarro é proibido? É droga ilícita? Redundante não! Eu, cidadão livre, cumpridor de meus deveres sociais tenho o direito de comprar um produto, ainda que consciente que seja maléfico à saúde, sem ser obrigado a levar fotos de gente morrendo sem ar! Porque, se o governo arrecada em impostos 80% do valor do maço de cigarros ( e não me retorna essa grana em bom atendimento médico), se não proíbe sua comercialização, não tem o direito de impingir a mim, o cliente, a levar uma foto desgraçada! Como comprar um bife com gordura no açougue e ser obrigado a levar a foto de um camarada enfartando! Como eu comprar um automóvel e levar uma foto de um sujeito estraçalhado no meio das ferragens! Como comprar uma passagem de avião e levar a foto de um puta acidente aéreo! Nessa hora, a ¿oposição¿, pífia, cala-se; pra ser politicamente correta, pra ganhar uns votinhos em Ipanema! ... O negócio é o seguinte: Não vou mais ficar aqui me esgoelando por causa da falta de segurança que assola o país. É bandidagem sim, e da boa. Se quiserem atribuir tudo ao neoliberalismo, azar. Por baixo do Sobretudo, escopeta! - - - - - - >Recebo e.mail contestando a questão da internet substituir pessoas. Ora bolas! É preciso compreender além do que está escrito. Ler não é apenas juntar as letras. A gente lê e pensa sobre o que leu. E compreende ou não. Agora eu não vou ficar aqui escrevendo taibitati só porque quem lê só junta letrinhas. Não é a maioria. Não estou nem aí pras correspondências burras, reclamonas e inconsistentes. - - - - - > Ganhariam mais tempo assistindo ao chaves ou esquecendo definitivamente este sítio < - - - - - HOMO SAPIENS EX MACHINA Essa procura desenfreada pelo outro pode ser duas coisas: carência, doença ou a comprovação antropológica de que o ser humano não pode viver só... mas se nasce e morre só... deveria existir uma explicação mais confortável ---à quando as pessoas se is vivem para sempre sozinhas, fora da urbis são tratadas por excêntricas e anormais. O que seria normal, então? Porque pode não ser nada disso também. O conceito de que o homem precisa estar ao lado de uma mulher e constituir uma família pode ser apenas uma falha do sistema operacional da humanidade que, no início precisava dessa composição para crescer, tornar-se a própria humanidade e hoje, ao contrário, deve romper esse paradigma estando só, não se reproduzindo, num processo de esvaziamento da quantidade. . . quem deseja um mundo com 6, 7 8 bilhões de pessoas? Para quê? Não tem água nem comida para tanto... isso não tem nada a ver com distribuição de renda. ...é carência mesmo.... e por que insistimos na proximidade do outro? Solidão? A internet deve preencher essa lacuna, aliás, com muitas vantagens sobre a convivência com outro ser humano 28.7.03
- -- - - - - > descobrir pessoas... parece que temos essa meta na vida quando, na verdade, não é isso. Não deveria ser. As pessoas existem simplesmente.... estão aí... e nós todos rodamos uns em torno dos outros numa espécie de dança de Sísifo (às vezes macabra, outras não)... mas é só isso...o resto é uma espécie de terror que nos auto-impomos com o intuito de seguir preceitos ancestrais que não compreendemos e muito menos necessitamos.... homens e mulheres, seres complicados por natureza...< - - - - - - - - 27.7.03
Muitas vezes eu tenho vontade de inflingir muita dor aos que me fazer sofrer muito. Acho que é uma reação natural, ainda que não 'politicamente correta'. Acho ainda que a maioria das pessoas têm esse sentimento e não falam por medo, por covardia, por receio do julgamento alheio. ESTADO DE GUERRA (NÃO MAIS GUERRILHA) É DECLARADO NO PAÍS há muito tempo já somos assaltados e mortos em qualquer lugar, a qualquer hora por bandidos, assassinos e tal (todo mundo já sabe).... os "bondes", descem a fazem a limpa em todo mundo.... quando alguém ainda tem a coragem de pedir que as forças armadas do exército venham para as ruas (poucas pessoas ainda têm coragem em falar nesse 'absurdo'), a resposta é sempre de que o exército não é polícia, só é preparado para a guerra.... Bom, agora temos instalada no país a desordem generalizada (não se sabe mais quem é traficante ou quem é sem teto, sem roupa, sem terra, sem vergonha....) O comandante deles, general Stédile convoca seu exército para a GUERRA. Ou seja, agora sim, eles resolveram dar o nome de GUERRA (tudo bem, antes era guerrilha)... E agora? O que falta para o Exército entrar? 23.7.03
eu preciso me apoiar na tese já antes proposta do tempo não analógico ( e muito menos linear ) para começar a contar a aventura da paixão. É preciso entender antes que ontem não foi necessariamente ontem, foi um ponto, uma janela que se abriu e fechou. Outra, portanto, pode se abrir. Essa variação está também contida no 'mundo dos posíveis' e nada tem a ver com 'frequência'. A paixão pode (e deve) ser o amor definitivo e eterno. Resta a quem acompanha, perceber a simplicidade do ato antes da precipitação do julgamento (sempre baseado no conceito arcaico de tempo). Quando isso estiver amadurecido, começo a contar a fascinante história de P. Pra mim, nova, mas derradeira história. Alguns amigos e outros tantos estudantes têm feito contato comigo, para reativar meu site Tecnologias 2000. Tive alguns problemas técnicos e mentais (esqueci a senha!), além da proverbial falta de tempo. Mas tudo bem. Estou providenciando e, em muito breve, o Tecnologias estará novamente sendo atualizado. Para os que não conhecem, talvez valha dar uma visitada. 20.7.03
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Afora a psicologia (e a psiquiatria mesmo) parece que existe uma certa capacidade de volume, se posso chamar assim, em nosso cérebro e espírito a suportar problemas. Não ousaria entrar aqui na conceituação de problema, do que é um enorme problema para uns e pouco importante para outros. Imagino que, cada um, saiba exatamente o que é, para ele, um problema e saiba a dimensão exata do que ele representa. Imagino mesmo que muitas pessoas vejam as situações de maneira mais ou menos distorcida, atribuindo mais importância (quase sempre negativa) a determinados fatos que se nos apresentam do que outras pessoas. Mas aí é uma questão de ponto de vista. Se, para uma pessoa, aquilo é pesado demais, é. Ponto. Mais ou menos como um camarada que chega no pronto socorro literalmente berrando de dor por causa de uma topada no dedo mindinho e o médico lembra que, no andar de cima, tem gente com dores lancinantes causadas por um câncer determinado, por exemplo. Claro que, olhando de fora, a topada do dedinho não é nada. Mas o paciente com câncer talvez já tenha gritado na juventude pela dor da topada e assim por diante. Não estamos, portanto, diante de comparações. Eu conheço gente que fala da dor da depressão ou da ansiedade que não podem ser absolutamente mensuradas e que devem parecer absurdas para um outro que está com uma fratura exposta. Portanto, não é nada disso. O que eu estou falando é da gota d¿água, do quanto nossa mente e espírito suportam o cúmulo de dores. Os exemplos são os mais comezinhos: um dia você bate com o carro e ele vai para a oficina, no dia seguinte sua mulher quebra o braço, um mês depois você perde o emprego, cinco meses depois seu casamento acaba, três dias depois você ganha uma bolada na loteria, mas uma semana depois seu filho cai doente e por aí vai. O que é um casamento desfeito e um carro batido? Nada. Acontecimentos claramente previsíveis da vida. O que representa ganhar algum dinheiro a mais e o filho adoecer? Nada: outros acontecimentos perfeitamente possíveis da vida. E do que, afinal, está-se falando? Do acúmulo. Do quanto conseguimos resistir. Quantos acontecimentos podem ocorrer de uma forma mais ou menos seguida até a hora em que a gente simplesmente não suporta mais. Talvez aí esteja a grande questão, o grande desafio do suicídio, filosoficamente falando. O suicídio bem pensado, a determinação de parar, de dar um fim, distanciado do desespero e da situação de estresse, creio, está relacionada a uma espécie de capacidade de algo como um tanque, um bojão. O gás só entra no bojão enquanto ele suporta, enquanto ele tem capacidade física disponível para suportar mais gás. Um tanque de gasolina só recebe o líquido (não importa se é gasolina aditivada, vagabunda, álcool ou água) até im ponto. Depois tudo cai, se esvai. E não existe como mensurar o que é essa capacidade no homem. Eis a questão. 16.7.03
Continuo discutindo a questão da internet... hoje uma grande amiga me disse que na última reunião eu fechei a cara com a postura arrogante de quem não fala mais nada pra quem não está entendendo, com o ar pretensioso de quem "não fala com os burros" ... E é a pura expressão da verdade. Eu dia a dia perco a paciência nessas discussões com pessoas sobre o meio internet. Porque eu não tenho mais saco pra explicar (aliás, nem sou só eu, é qualquer teórico de terceira com livrinho publicado) que a linguagem apropriada para a internet (principalmente na parte de interatividade - que é a grande discussão) ainda está sendo perseguida, estudada, testada. Mas não adianta. Continua todo mundo querendo fazer televisão via internet. As pessoas se maravilham com a imagem e o áudio no computador....dão pulinhos, se encantam.... (tem gente que ainda se encanta com e.mail!) Eu pouco me importo com a qualidade da imagem nas transmissões via web porque é claro, é mais do que óbvio que elas, dia a dia, vão melhorar, isso é uma questão de tempo (pouco), é simples "caminhar tecnológico"... O que eu quero saber é quais as motivações das pessoas para estarem em frente ao computador, o que essas pessoas têm e podem acrescentar ao que está sendo exibido, como o usuário pode ser um "participador". Pouco importa quem faz, o profissional que detém a tecnologia ou o conteúdo, vale olhar para o usuário e pensar em como e quando ele vai deixar de ser parado de "usuário"... a web é a possibilidade de igualdade, a possibilidade de cada pessoa colocar-se igualmente ao outro e a todos, independente dos seus atributos físicos ou sua formação acadêmica... porque existe um "dar" próprio do ser humano que foi a razão da evolução da espécie e essa mesma possibilidade num determinado período foi suprimida, colocando um pequeno grupo de um lado, como os que dão e a esmagadora maioria como a "que recebe". Estamos assim desde Guttemberg... a internet é a primeira revolução de comunicação depois da imprensa, mas é uma revolução e tanto. Tão grande que ninguém percebe e fica falando besteira, disseminando ignorância... chega, não vou mais falar 15.7.03
Pollyana tem sido o meu norte (ou sul?). Porque eu tento refazer a vida à cada instante, escrevo no trabalho, escrevo nos cadernos e escrevo em 5 blogs. Conclusão: nem sempre o que eu digo aqui, bate com o que disse ali. Aí eu falo uma coisa que está desdizendo outra lá atrás e ela, atenta, me lembra: ôpa! Você mesmo sabe que não é assim, você mesmo escreveu. Eu digo que não, nunca escrevi. Ela mostra que eu escrevi em outro sítio, em outra época, falando de outro momento. Verdade que tudo sou eu. Mas eu sou muitos. E muitos que continuam se recriando. Tudo bem, menina. Obrigado por me lembrar. Você tinha toda a razão. Toda? Tinha, tecnicamente, razão. Mas também crio novos mecanismos, novas maneiras de ver as coisas e mensurar o tempo e o espaço. Assim, reedito aqui, especialmente para Pollyana meu post de 8/7/03: ¿...O tempo não pode mais ser medido em anos. Talvez fosse mais interessante entendermos aquilo que chamávamos tempo de uma outra maneira, não linear (se me entendem), onde a contagem fosse estatística, dependendo de cada personalidade, algo como hiperlinks de um todo sem nome, amorfo, mas que existe, um anti ser, uma não possibilidade. Nesse estranho espaço corre não o tempo linear, andando sempre para a frente, como os pífios reloginhos (mesmo digitais). Não. O tempo tem que ser tridimensional, visto e percebido dependendo do receptor, do ângulo, da capacidade emocional de cada um. Como uma virada não explicável nos parâmetros que possuímos agora, mas que eu visse fulano como amanhã, beltrano como ontem, sicrano como nesse instante. E o que foi nesse instante poderá sim ser amanhã, como poderá não ser. O que foi nesse instante não necessariamente, como o velho tempo, será ontem, mas um instante único, um sentimento único que existiu ali e deixou marcas, marcas maiores e mais poderosas do que o tempo (antigo) deixava que podem ser boas ou más dependendo de como são vistas não apenas pelos outros mas por mim mesmo naquele momento em que eu (também não analógico) recebo o impulso e o cravo em mim. Será que dá pra entender? ...¿ Ou seja, menina, não sou eu que me nego e refaço, mas o tempo e o espaço é que são mensurados de maneira errada. Percebe? 14.7.03
Tava contando pro PDV que olho na minha estante e vejo mais de dez cadernos (grossos) escritos de cabo a rabo. Escrevo compulsivamente, contando tudo, pensando, repensando, sendo repetitivo... E, muitas vezes, a coisa manuscrita me sai melhor, meio que arrancada de mim, meio que sangrada, exposta... Fico lembrando dos filmes onde a loucura se caracteriza por esse escrevinhar compulsivo.... mas também grandes coisas foram escritas assim... Então escrevo, escrevo, escrevo.... Porque você fala com analista, com amigo, colega... mas vai chegando uma hora que o volume pra sair é grande demais.... e acaba sendo um pouco repetitivo ou confuso...ou faltam elementos para deixar mais claros os raciocínios... no blog mesmo acontece isso.... recebo e.mails reclamando ou questionando coisas que pra mim são mais do que claras.... e gosto de receber essa correspondência porque tenho a oportunidade de tentar explicar ou, que me expliquem o que eu não me explico... aliás, a internet tem isso de bom.... Entre outras coisas, já conheci gente da pior qualidade, como presencialmente idem, mas a grande maioria foi muito legal... a internet possibilita a abertura com .... bah! Todo mundo deve saber... 12.7.03
Muito engraçado como nunca temos a dimensão exata das possibilidades do futuro. Principalmente aquelas que trazer sofrimento, dor, angústia. Por mais que uma situação pareça estressante ou deprimente, sempre existem outras, piores, mais doloridas. Claro que existem as coisas boas também e são muitas. Mas o negócio é meio desequilibrado. Parece que a parte considerada ruim é infinitamente maior, ainda que , como um todo, a vida seja boa, muito boa. E quando as coisas estão numa fase de tormento, numa fase difícil e estamos lutando pra resolver essas coisas, chegam outras e mais outras... Sempre envolvendo principalmente, dinheiro, saúde e pessoas. E decepções. O impossível na raça humana são as pessoas. Mas tem que levar adiante não tem? 8.7.03
O desvio mental, tal como o entendemos hoje, deveria ser revisto com urgência sob pena de todos estarmos fora do padrão esperado, de ninguém atingir um tipo de meta (ética, estética, comportamental, etc.) pretendida por teóricos de cinqüenta anos atrás. O tempo não pode mais ser medido em anos. Talvez fosse mais interessante entendermos aquilo que chamávamos tempo de uma outra maneira, não linear (se me entendem), onde a contagem fosse estatística, dependendo de cada personalidade, algo como hiperlinks de um todo sem nome, amorfo, mas que existe, um anti ser, uma não possibilidade. Nesse estranho espaço corre não o tempo linear, andando sempre para a frente, como os pífios reloginhos (mesmo digitais). Não. O tempo tem que ser tridimensional, visto e percebido dependendo do receptor, do ângulo, da capacidade emocional de cada um. Como uma virada não explicável nos parâmetros que possuímos agora, mas que eu visse fulano como amanhã, beltrano como ontem, sicrano como nesse instante. E o que foi nesse instante poderá sim ser amanhã, como poderá não ser. O que foi nesse instante não necessariamente, como o velho tempo, será ontem, mas um instante único, um sentimento único que existiu ali e deixou marcas, marcas maiores e mais poderosas do que o tempo (antigo) deixava que podem ser boas ou más dependendo de como são vistas não apenas pelos outros mas por mim mesmo naquele momento em que eu (também não analógico) recebo o impulso e o cravo em mim. Será que dá pra entender? Existe um desconhecimento absurdo da linguagem de web. Quando mais eu penso no assunto, quando mais pesquiso, mais vou encontrando desencontros. Principalmente (e isso sim é deplorável) entre as pessoas que trabalham com a web. Não se consegue entender a possibilidade democrática, a cultura e a multiplicação de saberes, bem como sua reavaliação através da internet. Quanto mais você escreve ou fala sobre o conteúdo disponibilizado e o quanto esse conteúdo deve estar favorecendo à participação do usuário, menos as pessoas entendem. As listas de discussão são pífias. A possibilidade de interatividade é a mesma de 20 anos atrás quando as pessoas telefonavam para os programas ao vivo das televisões. O mundo inteiro mudou, toda a tecnologia, a ciência a própria filosofia da comunicação, mas os criadores de sites os promotores de espaço na web continuam não viabilizando o debate, não sabendo apreender do que recebem o que existe ali de precioso, achando sempre que a discordância é ruim, tratando quem discorda como o errado em contraponto a quem escreveu primeiro. Todo mundo pensa nos seus sites priorizando o design, o texto elaborado, a navegabilidade mais oferecida, mas nunca a possibilidade da criação coletiva. O homem n~çao evolui internamente. Não percebe que em determinados meios, como a web, a obra deixa de ser tão autoral, que um certo coletivismo bacana se instala e todos participam à sua maneira, agregando sempre, mostrando não o escrito daquele homem, mas a escrita de uma humanidade que aprofunda o pensamento de forma global. Um milhão de homens fisicamente vistos à distância não parecem o que são e sim uma mancha. As possibilidades desse mesmo milhão de homens, na web é infinitamente maior, mais inteligente, mais rica, mas cada um desses um milhão de homens não permite essa nuvem de inteligência. Quer assinar, quer ser autor, como se a própria raça humana não fosse um exemplo da não autoria. Basta comparar a raça humana com a web que dá pra entender. Só o próprio homem, principalmente homem de comunicação na web, é pequeno o bastante para não perceber a possibilidade da grandeza coletiva O caminho que tenho percorrido tem sido pessoal demais para publicar. Não que tenha qualquer dúvida ou preconceito, mas não vejo no que possa interessar aos que acessam buscando uma leitura mais leve ou agradável. A vivência das coisas, viver a vida, creio, é um exercício bom, á claro, mas na maioria das vezes tortuoso, duro, cheio de dúvidas e, muitas vezes, sofrido. Quando você resolve dar uma entrada lá no fundo mesmo, sem deixar escapar nada, encontra uma caverna escura com elfos e morcegos vorazes. Você encontra poças límpidas e esgotos fétidos coalhados de ratazanas. Encontra lindas ninfas e bruxas monstruosas, em carne viva expelindo pus aos esguichos. Está tudo lá dentro, tudo numa parte mínima do corpo, parte essa, como o aleph, que tem contato com outros mundos, outras vidas, outras possibilidades de conhecimentos. E aí inicia a verdadeira viagem. Tolice achar que as viagens de motocicleta com o sobretudo batendo ao vento, podiam ser chamadas de viagens... Ora, eu estava aqui mesmo, nessas ruelas e estradas sujas, poeirentas, mas conhecidas, de um mundo compreensível, ainda que estranho. A verdadeira viagem, aquela que você imagina ser possível apenas com alucinógenos não. Ela não depende de nenhuma droga exógena. Ela está em você, nas transmissões, nas sinapses, em cantos não falados nem vistos. E você pode entrar ou não. Acho mesmo que escolhemos. Mas de uma coisa já tenho certeza: não existe apenas a pílula azul e a vermelha. Definitivamente, não. Existem várias pílulas, de vários matizes que levam a mundos tão distantes e tão próximos que a possibilidade de um mundo virtual seria rigorosamente nada diante da possibilidade dos mundos não virtuais (ou todos são virtuais? ¿ o que dá rigorosamente no mesmo). Entrar nesses mundos é missão impossível em apenas trilogias. São mundos que você tem que vivenciar (talvez mais de uma vida cada um). E sempre tem mais um, outro, e mais aquele ali... Como se as tocas que o coelho percorre fossem refletidas por Borges à eternidade e ao infinito. Como se o universo fosse realmente infinito, como se Escher fosse apenas um principiante, ¿fazedor¿ de esboços pífios e O Paraíso Perdido e a Divina Comédia fossem ensaios para um prefácio vulgar... 2.7.03
Eu passei muito tempo se escrever por milhões de motivos, pela minha despersonalização e nova criação. Porque eu me replico sempre, sempre....parece que estou mesmo em busca de mim mesmo e quanto mais eu penso, falo e escrevo, menos me deixo mostrar....porque essa coisa toda de mostrar é complicada... e a net sempre sempre facilita... muitas vezes complica tudo....você vai lá no google, digita um nome e aparece tudo o que tem tem sobre o cara (eu). Acontece que são tantas coisas, tantos momentos que a gente vai contando dessa maneira meio despreocupada que acaba dando uma impressão errada (às vezes diversas radicalmente do que pensamos). Não que eu seja auto explicativo. Não conheço alguém que seja de verdade. Mas tem uma pessoa, uma pessoa em especial que faz recortes de vários momentos e de várias opiniões que eu publiquei... mas uma coisa que eu escrevi há dois anos atrás pode não significar nada para o EU de hoje... pode ser que sim, pode ser que não... O que eu tenho feito? Escrito nos cadernos, manuscrito tudo. Tem muita coisa legal, mas tem uns lances muito barra... eu acabei entrando numa coisa que me deixou mal... nada grave, nenhum vício, nenhuma coisa ilegal, mas acabei me machucando, me fazendo mal... Agora é essa fase complicada, mas que, como tudo na vida, caminha pra frente... Tem umas cartas que eu ando enviando e pensei em publicar... e mudei de idéia... Tudo bem, não dá pra explicar assim, tenho que ir contando aos poucos... |