Por favor, me negue o cumprimento.


SORRIA!

....

...são pedaços de papel, folhas de cadernos, guardanapos sujos e restos de cabeça insone...

Leia da forma que achar melhor, não tenha compromisso com nada. Eu também não tenho.


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ARME-SE MAIS!



Não possuo nenhuma expectativa maior em relação às pessoas. Convivo com elas na sua justa medida.

O impossível na raça humana são justamente as pessoas.

Definitivamente, o silêncio não é dos inocentes.

Por mais que eu pense bem ou mal das pessoas, elas sempre me surpreendem.

O Blog é uma "Carta de Intenções" raramente cumprida.

Eu vivo dos meus desequilíbrios* Copyright Nicka.

Sempre teremos Paris....

Toda mulher deveria ter quatorze anos.(Nelson Rodrigues)

Fez-se da vida uma aventura errante (Vinicius de Moraes)

A calma é inimiga da perfeição

"Não importa. Tente outra vez. Fracasse outra vez. Fracasse melhor" Samuel Beckett

"Toda mulher devia ser a Sandra Bullock"

"A Tsunami é Aqui!"

"Sou uma espécie de Glória Magadan da vida real"

"O chato em essência não existe...O chato é, antes de tudo, uma visão do outro..."

"A fecundação é muito parecida com o garçom que mistura leite ao café. Apenas isso. O início da gravidez é um café com leite."

"A Internet, repito, imbeciliza as pessoas."

"O que as pessoas chamam cultura não é senão um termo pitoresco para a sua ignorância." Saul Bellow.

"Quanto mais conheço analisandos, mais desprezo a Psicanálise."

"Dormir de dia é um suicídio inconcluso"

"O uísque é como um GATO engarrafado. O melhor amigo do Homem" Vinícius e Geraldo

"A vida é como executar um concerto de violino ao mesmo tempo em que se aprende a tocar o instrumento"Samuel Butler

"A pior forma de solidão é a companhia de um paulista" Nelson Rodrigues

"Ser me ocupa bastante" A. Gide

"Nada como a brancura cadevérica de um Pé"

"Acordar é como um renascer com as cartas marcadas

"A fé sem liturgia não tem o fulgor, não tem nada feérico, é como uma fé apagada, inexplicável, pequena, dúbia".
"Matar-se é fazer poesia!".

"'Quando homens pequenos lançam grandes sombras, é porque a noite está chegando" Nathaniel Lee

"Só o suicida morre dignamente".

Caminho de cabeça baixa pela praia da vida catando uma esperança.

Todos os dias são para mim meu último dia. Um dia, sem me dar conta, meu dia será o último para todos. .

O Orkut é uma espécie de lembrança e alerta virtual para um possível não vivido. .

29.9.03

santa paciência...
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Carta à Deborah (com H sim senhor!)

Quando passo o dia & não percebo, menina, é porque foi bom pra caramba... bom porque é bom, porque você me diz coisas, coisas que outros não me dizem & sua pele é tão fina & gostosa & tua mão segura o meu dedo & você ri tão bonito & gostoso que eu não digo mais nada, fico mexendo com você e dando palpite sem parar... mas não liga não: é porque eu tenho mania de falar & falar & falar muito mesmo...
E se eu digo que não gosto da média, é porque média não é bom, sou assim mesmo, estranho, média lembra grupo e algazarra demais & eu sou velho, daqueles velhos ranzinzas, que reclamam, mas que riem também & sentem coisas que nem todo mundo pode sentir ainda, menina.
E você passa essa coisa, com esse olhar cativante, esse corpinho e esse cabelo de brisa.
Fico pensando se meu coração agüenta até eu, um dia, poder dizer que te carreguei no colo, menina.

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Buscar novos caminhos para uma vida mais digna, melhor, mais producente... todas essas coisas que todo mundo pensa & imagina em tese. .. mas o que fazemos de verdade? Não sei... estou sempre tentando, é claro, mas não tenho nunca certeza de estar tentando o bastante, sempre me vejo dando um golpe no meu eu, enganando aos outros e a mim mesmo, como se existisse uma terceira pessoa em jogo, um árbitro que não se deixa enganar, por esse eu que teoriza, mas não vai até o fundo... porque sem ir até o fundo, não estamos indo à lugar algum... de que adianta eu estar mais ou menos bem, mais ou menos fez ou estar sendo mais ou menos legal? Palavras como bárbaro, máximo, hiper, ultra e outras estão na minha cabeça todo o tempo e me pergunto se estou podem usar de verdade esses adjetivos na vida... acho que não, acho que tem um engano, uma mistificação de nós para nós mesmos, algo um tanto sórdido, disfarçado, invisível mesmo, que propicia uma aparência e ações externas que não condizem com o que vai lá dentro...
Será que é isso?

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...fico pensando que existem viagens que você faz por dentro de você mesmo pela sua alma, seu cérebro, suas entranhas, seus outros eus, pelas inúmeras possibilidades de atitudes (as que toma ou não), pela percepção do envelhecimento, pelo conhecimento e, principalmente, do que faço com eles.....
... afinal, quem sou? - - ok, já entendi que não pode ser cem por cento normal, que isso não existe, que é uma paranóia dos conscientes, mas eu não vou abandona-la por causa de uma opinião não... vou apenas transformar tudo isso numa viagem, louca, num mergulho bem lá dentro, onde eu poça sentar no fundo da piscina e olhar para cima, ver apenas pés e mãos que passam nadando na superfície, ver como, lá embaixo, a água é mais turva e arde os olhos, vou ver que o mito da caverna pode não ser tão mito assim...
proponho então, a mim mesmo, outra coisa: ter um surto de loucura consciente, ou seja, uma loucura que só eu saiba, que só a mim seja permitida nominá-la assim porque aos outros parecerá tudo muito normal... quer dizer, eu tenho o direito de ver o mundo retorcido, com as cores mais fortes, com as dores e os prazeres mais fortes do que a ignara, posso entir o amor como arrebatador, o trabalho e o ócio como grandes momentos, momentos de entrega absoluta, posso imaginar que faço algum tipo de arte tanto nesse espaço quanto em meus cadernos ou no banheiro, posso acreditar que ainda vão rolar muitas coisas boas e que, mesmo estando aqui por acaso, a vida pode sim ser a ribalta para o personagem de cartola ou idiossincrático que me transformo dia a dia.
é isso?

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28.9.03

artesanato & camelotagem

fico me perguntando o que aconteceu com o vigor de cesar maia nesta gestão como prefeito. As ruas estão sujas, o trânsito caótico e, principalmente, a camelotagem voltou a índices "brizolísticos".
dia desses fui à tijuca & mal podia andar pelas ruas, tal era a quantidade de camelôs - - na praça saens peña, esses arremedos de feirinhas, ditas de artesanato, impedem que o pedestre caminhe [copacabana então, nem se fala!] - - por falar nisso, o que é artesanato na cabeça do prefeito? - - semana passada deixei de comprar uma peça na feira de Artesanato de Ipanema - - resolvi então, buscar peça igual ou semelhante das feiras da av. atlântica, na do lido e na da tijuca. . . fracasso total: essas feiras não são tem artesanato; é camelotagem pura - - vendem cangas, camisetas, aquele cristo redentor safado que devia ser proibido, chapeados, cocada, enfim tudo o que não presta e nada de artesanato [além de atraírem larões, traficantes e usuários de drogas, etc.]. como a prefeitura avaliza uma feira como aquela em frente a Help chamando de Arte ou Artesanato??? aquilo é camelódromo! a única feira do Rio de Janeiro que ainda tem alguma coisa de artesanato é a da praça general osório.
por falar nisso, alguém já pensou no porquê os ambulantes dessas feiras são quase todos argentinos? Fico pensando: bom, a arArgentina enfrenta graves problemas econômicos & o desemprego por lá deve ser grande. a solução, óbvio, é o trabalho informal e ilegal, a camelotagem. mas o curioso é que não exercem esse desserviço lá e sim aqui no brasil. Quer dizer, a impressão que dá é que são todos fugitivos, que nem no mercado informal podem ficar na argentina. aqui, também com problemas de emprego, deixam essa coisa informal para os argentinos. por que nossos camelôs e nossas feiras de arte não são feitas por brasileiros? Um turista no rio de janeiro que transite nessas feiras (além do risco de ser assaltado) só escuta castelhano. Menos emprego ainda para nós e, quá, quá, quá, por isso dizem lá fora que a capital do brasil é buenos aires. o que, cá entre nós, só denigre o Brasil.
e os meus impostos, prefeito?

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27.9.03

sobre o amor de paty

- - - - > o encontro com Paty* é muito mais importante do que os outros, não por ser o último, aquele 'do momento' e que, portanto, poderia estar trazendo maior entusiasmo por sua novidade.
Não. Esse é o que já chamei aqui de 'amor maduro' por uma série de sentimentos nele inclusos. não é pela paixão "idiotizante" nem pela fala acadêmica, intelectual. também é.
o relacionamento - - vejo tardiamente (mas ainda a tempo) - - não pode nem deve ter pontos muito específicos de apoio (só o ato sexual, só a boa conversa, só o alto astral, etc.). acredito mesmo que a verdadeira parceria afetiva, amorosa , tenha um caráter de 'festival cinematográfico' e que apenas a categoria "prêmio pelo conjunto da obra" tenha importância.- - - - - > esse amor maduro, parceiro, solidário, de doação mútua, saudável & estimulante em tudo torna-se real, não por seus atrativos "bacanas" [o bacana também é bárbaro!] individualizados, mas, antes, pela percepção dos dois na procura do 'outro' que, de certa forma, é a procura do um, da unicidade, do pensamento (ainda que controverso e conflitante) que busca alguma coisa a mais do que o comezinho namoro, ou a companhia seja para que o que for... não, é um processo maior, "autoglobalizante", molecular e macro afetivo, uma simbiose de prazeres, de "gozos no final", de buscas parceiras, de curiosidades sobre a vida e, principalmente, de gostar, amar acima de tudo.
careta? azar!

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26.9.03

quero gozar no final....
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- - - - - a discussão com os meninos hoje foi por causa do post que falava do fator ateu. era uma coisa de nada, um comentário, mas acabou virando uma grande discussão. paramos todos o que estávamos fazendo para falar da finitude da vida e ela é vida apenas para nós que a estamos vivendo. 3D disse que não, que a vida existiam que ela continuaria após sua morte... será? isso é uma experiência nossa, minha e dele porque já vimos pessoas morrerem e ficamos, nós, por aqui... portanto, em tese a vida prossegue.... mas de que maneira? não sabemos porque tudo o que estamos vivenciando vem à partir da cognição nossa para co que chamamos de vida. se paramos, pára tudo o mais e não sei exatamente como continuará ou se continuará... porque a vida é muito associada ao mundo tal qual o vemos, como vivemos.... fico imaginando se um homem que viveu há cinco mil anos atrás e morreu, se esse homem aparecesse aqui, agora... será que ele entenderia que voltou à vida? ou acharia que estava em outro lugar, numa outra situação, numa vida após a morte ou num estado sabe-se lá qual... quer dizer, esse conceito todo é muito cerebral, é muito táctil, muito referente apenas ao que vivenciamos que não precisa ter esse caráter mais boiola de vida... barata vive? vive e nós matamos e o mundo das baratas não se altera por causa disso, ela não sabe que deixou de ser e nós esquecemos que matamos... portanto, se mato um ser humano é a mesma coisa, estou ceifando uma vida ou mil o que, em tese, não desestrutura em nada o mundo, apenas o meu conceito de vida (e o da sociedade que me circunda).
vou continuar escrevendo em outro lugar < - - - - -

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nada é nada

Existem as coisas coisas e as coisas soltas. Dia desses falava com um conhecido sobre o limite da tentativa de negociação e dí pulamos para o limite na tentativa de aproximação. Porque as coisas não mesmo assim, essa coisa de você tentar explicar o que está fazendo e o que está esperando... claro que pode acontecer ou não... pode dar cero ou não... tudo pode (e eu não sei se essa liberdade da possibilidade eterna é boa ou não (acho que não)... mas falamos mais, ali na beira da praia, com cheiro e nuvens de maresia... expliquei que eu não tinha nenhuma paciência com os meus pares, só tenho tranqüilidade e muita paciência com as pessoas que não tiveram oportunidade de desenvolver sua cognição ao ponto de me perceber... dizia eu que, com essas pessoas, poso ficar anos ali, sentado na pedra, explicando, falando, dizendo novamente... eu só entendo mesmo as pessoas intelectualmente humildes, que precisam da paciência daqueles que, de certa maneira, são superiores (e essa escala é infinita, certo?).
Fumamos alguns cigarros. Ele, um baseado enorme (o cheiro me enjoou muito, mas agüentei firme, não se pode mesmo querer tudo das pessoas... e aí pensei nessa história: não se pode querer tudo das pessoas como as pessoas talvez não possam querer tudo da gente, mas tem um parâmetro, tem um limite do que as pessoas têm que ser e tem que te dar sim e vice & versa; claro, ou seria uma loucura, o mundo não existiria tal como é (não posso dizer se seria melhor ou pior porque não sou bruxinha doida), mas não me interessa. O que me importa é que eu quero coisas sim, quero limites (receber e dar) e que o resto vá pros quintos dos infernos... ele e eu acabamos rindo dessa história toda, lembrando dos mais velhos (do que nós quando falavam dessas coisas)... tudo bem, reconheço que não soube me explicar muito bem, mas é que não estou com saco de ser didático. Outra hora eu tento falar melhor.

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23.9.03

deus? II

Acho que andei fazendo confusão na cabeça dos poucos que andam por aqui (ou três?)... sempre disse que sou completamente ateu, daqueles de carteirinha com firma reconhecida (por deus?) e, durante uns tempos falei em religião e magia... claro que não dá pra explicar tudo assim, num post só, porque existem hipertextos de verdade, quero dizer hipersituações e contingências que tomariam laudas e laudas e ninguém tem saco pra isso - - - > não importa.
o que me resta a dizer é que não acredito mesmo em deus. sou ateu. por outro lado, entendo perfeitamente os agnósticos e os crentes (muitas vezes sinto vontade, sinto falta da crença, mas não adianta me iludir: não creio e pronto).
*L se assustou quando leu um post em que eu falava de religião e outros tantos que me perguntavam o porquê de mudança tão abrupta e repentina. naquele momento eu não tinha como explicar; hoje mesmo talvez ainda não o tenha, mas posso dizer que desejei acreditar, senti muita vontade de crer e, acreditem, me esforcei o quanto pude.
agora não dá mais. não posso ser eu mesmo e, ao mesmo tempo, temente a deus. o temente é um outro sobretudo, ou melhor: uma tentativa de sobretudo. tentativa fracassada (no bom sentido) e a volta ao eu verdadeiro, , ao eu eu, esse descrente, materialista absoluto. ponto final
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deus?

- - - - > vendo as filas enormes, pessoas humildes com roupinhas que fingem normais, sandálias...argh! pés quase no chão, embaixo daquelas passarelas da av. chile (o cheiro de urina de mendigo é pior do que dos outros seres), sabendo que vão ficar atarracadas dentro daqueles ônibus podres (um ônibus desses não é um ônibus: é uma quantidade absurda de sons ensurdecedores embrulhada numa fumaça preta, fétida, espessa), indo em direções estranhas & longínquas & feias & pobres... & todos ali apertados e todos fedendo (sim, porque efetivamente o povo fede, não há como negar, não é opinião, é fato), fedendo muito, quase que guerreando odores uns contra os outros... saem ao cair da tarde e devem chegar aos subúrbios distantes após baldeações, filas, desencontros... devem encontrar crianças barrigudas, pé no chão, ranho... devem encontrar maridos ou mulheres bêbados da mais vagaba cachaça....
.... outros, entrando nos trens pelas janelas, agachando-se nos capós dos vagões, em meio a porcos, galinhas, baleiros, vendedores de balas podres... encostando o suor de uns nos outros, bunda, peitos, todas carnes melentas, gordas de doença, odores que dante desconhecia ao escrever seu inferno... diariamente... sempre, como sísifo.
portanto, falar em deus é como falar em qualquer outra coisa. deus pode ser tudo ou nada, o que no fim dá no mesmo... deus pode ser um princípio uma unicidade um não ser transformado em ser, deus pode existir ou não... pode ser o antes ou o depois, digo, o depois porque o antes não seria possível já que precisaríamos de um pré deus para concebê-lo... mas não vem ao caso.
o que importa é que essa abstração ou essa realidade absoluta (que seria, então, igual a nada) não é do bem...
... eu não acredito em deus, mas respeito quem acredita
e quem acredita tem que admitir que deus pode ser tudo, menos bom.
... preferia que deus não existisse, mas se existe, é a encarnação, a possibilidade, a concretude da maldade mais genuína, mais absoluta, somente concebível realmente por um DEUS.

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*** a questão das bombas, dos atentados à sede da ONU no iraque não vai se resolver pela via da paz. naquela região não há paz, não pode haver. É um estado dentro do estado, dentro de outro, interminável, com reflexos de si mesmo como num jogo de espelhos. É compreensível que os países que votaram contra a invasão americana agora não queiram mandar seus exércitos para lá, mas também é justo que os soldados americanos parem de morrer. - - - e quem estiver lá vai morrer, seja força armada, força de paz, gandhi, madre tereza de calcutá, quem se aventura por aquelas paragens leva chumbo - - - chumbo gerado pelo fanatismo. É um fato. - - - - > tolice acreditar num possível estado democrático no iraque. jamais. onde existe ignorância, fanatismo religioso e uma certa predisposição possivelmente genética para o belicismo só existem duas alternativas: ou os estados unidos tomam toda a região do oriente e fazem daquilo lá uma espécie de mega-colônia americana (com extrema tolerância zero) ou então sai todo mundo de lá e deixa o povo se resolver sozinho, mais ou menos como na áfrica... deixa as tribos por lá, uns matando os outros até cansar... tudo bem, tem que a questão do petróleo... uma espécie de conselho mundial determinaria que grande parte do petróleo do oriente seria patrimônio mundial.
e pra quem falar em humanismo, etc., sugiro ir até lá, fazer um pouco de turismo pelas belas ruas de bagdá.

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tenho conversado por aí sobre a internet emburrecedora. os menos burros sabem do que estou falando, os outros vão para a net. pouco me importa, e bem da verdade. porque a questão é de boa vontade, cabeça aberta para entender, refletir. Não adianta o camarada dar um pulo e dizer que estou tentando negar um meio fantástico. não estou. o meio é fantástico, como a bomba atômica é fantástica, como o green pace é fantástico, como é o programa da globo aos domingos e por aí vai. fantástico mesmo são J. L. Borges, ítalo calvino e outros, por exemplo.
então, repito, a internet é sim fantástica, hoje é imprescindível, viveríamos muito pior sem ela. tudo é verdade. agora que ela é fator de emburrecimento do homem, ah, isso é.
O suplemento megazine do globo de hoje trata de um assunto que venho discutindo com o pessoal e escrevendo um pouco aqui e acolá: o uso da internet como forma de acessar o saber, desprezando este, entorpecendo corações e mentes e criando uma geração de bestas irrecuperáveis. o suplemento se atém mais aos resumos de livros (em vinte e cinco linhas!) na internet, forma do jovem conhecer o tema e utilizá-lo como saber, por preguiça, indolência e outros adjetivos que caracterizam essa tentativa de pasteurização, de resumo, de negação do conhecimento. vou coocar aqui o link para o jornal não. leiam, tenham o sublime prazer táctil das folhas do jornal. e quando acabarem, quando forem aos livros, lavem antes as mãos porque a tinta do jornal suja os livros (José Guilherme Merchior sempre tomava esse saudável cuidado)

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21.9.03

a verdadeira história

- - - - - > Como tudo o mais hoje em dia, também encontram-se na internet. uma série de fatores vai explícito implícito nesse encontro, já conversaram sobre ele, sobre a possibilidade, sobre os milhares de pessoas que estavam on line naquele momento e tudo o mais... pode ser deus ou um deus ex-machine, a internet. tanto faz.
Isso num momento particular para cada um deles, ainda que de forma muito diferenciada... hoje eu diria que, naquela época, ambos trilhavam caminhos equivocados (embora por motivações completamente diversas).
fizeram um processo mais ou menos inverso, ou totalmente inverso, que seja. tanto faz. poderia ser engraçado apenas se não fosse muito bom. mas não foi simples e não tem nada a ver com a internet propriamente, tirando daí o principal, o encontro, claro. foi um processo de busca e conhecimento, tratamento e reconhecimento, quase que uma terapia mútua ou auto terapia ou meta terapia ou nenhuma das opções acima. e também não foi precipitado nem inconseqüente, enfim, nada dessas coisas que a gente lê nessas revistas xangai femininas (os gays também adoram a futilidade dessas publicações).
depois eu conto mais < - - - - -


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ontem eu tava falando sobre doenças, principalmente a loucura.... e falava muito a palavra doença descontentando P. mas é que eu falo assim, maneira de falar, nada de preconceito, ao contrário... falávamos de enfermidades psiquiátricas brabas e eu dizia do quanto a loucura pode ser interessante, do quando esse que chamamos de louco tem para dar na medida em que ultrapassa um determinado ponto. "um louco" é sempre mais, nunca menos.
ao louco é permitido acreditar e até mesmo ver o que não nos é permitido, chorar mais, sofrer mais, rir mais, sentir mais alegria, experimentar mais, muito mais, falar de coisas que não podemos falar, agir da maneira que bem entende, etc.
claro que estou falando do lado bom para quem está fora, está olhando; tem os momentos difíceis, o sofrimento e a incompreensão, o preconceito da sociedade são brutais, mas isso é outra história.
depois eu falo mais sobre isso.
mas que a loucura me fascina, fascina.

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20.9.03

não há muito mais o que fazer pela proposta (absurda) dos movimentos de intercâmbio do saber pela internet. aumenta de maneira galopante a confusão entre o que o avanço, o que os processadores podem fazer, a agilidade na busca e na informação na internet com o saber. mistura-se tudo num caldeirão não pensado, amorfo, cinzento e triste. é burrice, pura ignorância pretender que o mundo seja pensado pela internet e, pior, que se escrevam livros e mais livros sobre isso, que se busquem argumentos boçais, se escrevam teses e livros e tratados e tudo o mais, entendendo que a interatividade resolve o problema da cultura globalizada. não existe cultura globalizada. existe informação globalizada. a cultura é adquirida e a internet pode ajudar, mas nunca realizar, não há "concretude", é um paradoxo que está se aceitando.... como uma mentira que você de tanto contar, acaba parecendo verdade. não há 'saber' na internet e, ainda que houvesse, não serve à cultura humana, serve como news ou como informação para consumo imediato e rápido. pensar um mundo cultural na internet é como pensar que a informação plena pode estar num telejornal.
mas depois eu escrevo direito sobre isso.
P.S. ainda por cima o word é um 'emburrecedor'

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a pessoa que escreve um blog é um memorialista on line e eterno?
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o amor maduro, ponto
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18.9.03

Eu sei que o marcelo gleiser virou um físico famoso, não só por suas qualidades e desempenho profissional, mas por sua simpatia, seu aplomb e seus livros acessíveis a nós, pobres mortais.
Mas, ainda assim, sou obrigado a discordar do seu artigo para a a Folha de São Paulo, tratando da criação da física e na arte. Melhor que cada um leia o artigo, vou apenas considerar suas conclusões que me parecem estapafúrdias; diz ele que a descoberta científica é igual à criação artística, porque o homem vai descobrindo as coisas à medida que tem mais ferramentas para tal e que existe um quê artístico nesse trabalho. Absolutamente não! Aliás, ele se desdiz, quando diz que um quadro não estava pintado antes do artista fazê-lo e não existiria se não fosse criado. Verdade. Quer o nosso marcelo aplicar a mesma teoria à ciência, à descoberta científica, ao cientista que artisticamente descobre novas teorias, novos horizontes, mas, salvo brutal engano, o que ele faz é ver o que já está lá, é encontrar o meio, a ferramenta que propicia a descoberta, mas o fato científico existe, como existem as partículas e o universo, independente da criação ou mesmo da humanidade.
O que ele não percebeu é uma outra coisa; a criação como ato de descoberta pode sim acontecer na medida que o artista motiva o mundo. Não existiria "essa" humanidade tal como é se não houvessem artistas; estes, indiretamente, interferem, estimulam o lado "artis-científico"do outro, motivando o cientista "criador", "buscador" aí sim do belo, mas não pela estética e sim pela descoberta em si. Diria mesmo que o homem vive só com arte e prescinde a ciência.

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lembro de pequeno, estar próximo da beirada de uma pia de cozinha enorme, dentro de uma cozinha enorme na casa em que morava... eu sentia angústia... como eu sentia angústia e não sabia dizer e nem tinha alguém que percebesse que eu, aquela criança, não estava bem, não era feliz, que as coisas iam mal!... é verdade que não posso culpar totalmente minha mãe nevo nem meu padrasto já que naquele tempo (quarenta anos atrás) não existia uma visão psicológica clara, muito menos disseminada entre pais.
.. e minha mãe chegou, trazendo um embrulho rosa, amarrado com barbante (antigamente existiam embrulhos e não sacolas plásticas como hoje. Antigamente, quando se comprava alguma coisa a forma de embalar era embrulhar num determinado tipo de papel rosa ou azul, só essas duas cores e amarrar com barbante).
... bom, minha mãe chegou com o tal embrulho que era alguma coisa, algum tipo de presente para mim... não me lembro se fiquei contente, se gostei nem o que era. Foi.

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Repensar a interatividade

na discussão de hoje de tarde com S. sobre o que faremos, quais as experiências propostas com jovens, eu disse (repetindo outro) que a televisão pode trazer de volta a oralidade perdida, pensamento esse que fez ela rebater: mas é justamente o contrário - disse - a televisão dinamita a fala, a oralidade, a conversa no meio social... fiquei pensando nos produtos da tv que estamos mais acostumados, nesses produtos mal acabados, vagabundos que a televisão apresenta, como os vídeo clipes (como se a música apenas não bastasse) ou os ratinhos, leões, silvios santos, fautos e etc. fiquei um tempo parado, tentando ver o que ela estava pensando, do que ela falava e compreendi... daí lembre de alguns programas da ZDF por exemplo, onde um ator está o tempo todo em cena lendo um livro. lendo em voz alta mesmo, está lendo para o telespectador. o máximo de firúla da direção é cortar do rosto ao ator, param suas mãos ou para as páginas do livro. o que existe aí?... oralidade pura e simples. o meio tv está apenas servindo para multiplicar os ouvintes desse contador de histórias e, depois, esse mesmo telespectador (milhões?) pensa e repensa sobre o que viu/ouviu... e espera o próximo programa onde a história vai continuar a ser contada (numa oralidade plena - com vídeo) ou outra história virá, ou uma questão metafísica ou sociológica ou psicológica ou ainda filosófica. porque esse contador de histórias e leitor de teses não está representando, está apenas lendo para nós. e por que não lemos nós mesmos? porque não agüentamos passar a vida inteira lendo, porque precisamos ampliar os sentidos (5, 6?)...podemos sim ler e escrever infinitamente mas podemos nos dar ao louco prazer de ver na tela uma pessoa dissertando ou lendo para nós.... o que determina esse "nós"? ...possivelmente o agrupamento de pessoas, dito grupo social que é falante e ouvinte e que pode ser passivo sim. & quero dizer que sempre escrevi sobre o espectador ativo, aquele que por telefone ou internet interfere no produto apresentado, mas esse é um discurso gasto, vulgarizado e vulgarizante porque tendemos a ler e a ouvir a história ou tese ou o que for... portanto, esse tipo de televisão (que não se faz) pode sim ser um retorno à oralidade... e penso um pouco mais: porque desejamos a oralidade? por causa do discurso, porque precisamos discursar, ouvir e ser ouvidos, filosofar, portanto.
eu quero ter a possibilidade de ficar durante trinta minutos em frente à tela da televisão ouvindo o que um homem tem a relatar e não preciso, necessariamente, interagir, não preciso ser o tal do "telespectador ativo" não! posso muito bem ouvir, ver o semblante e pensar sobre o que está sendo dito até porque, para criar essa consciência crítica, necessito estar subsidiado, aprender... da mesma forma que leio ou assisto a um seminário... agora, se que ser participante, aí a discussão é outra, completamente distinta... se, ao fim do seminário desejo fazer indagações, faço. se, ao fim do programa, quero perguntar, tenho o telefone, o e-mail, a internet com suas ferramentas de interatividade... mas precisamos rever esse conceito de interatividade porque do contrário não se consegue uma linha de raciocínio, perde-se o saber pleno, a apreensão do exposto... a cruzada em prol da interatividade (que foi importante sim) é perigosa na medida em que todo mundo quer falar, quer interagir, quer questionar à priori, apenas para ser ativo, como se a passividade de quem ouve e aprende fosse menos importante (não é)... e além disso você pode ter um estimulador na tese ou nas idéias que estão sendo expostas sem esse processo histérico de intervir, interagir, muitas vezes impedindo que um raciocínio se complete, que uma pausa seja dada, sem que aquele que expõe tenha possibilidade, tempo de pensar, ele também, sobre o que está dizendo.
a interatividade, essa febre brega, pretensamente pós moderna deve ter limites, deve ser repensada.

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17.9.03

- - - - - > tava dando uma olhada na semiologia de eco, nos símbolos e, à partir de um seminário (mini), pensei em desenvolver um trabalho maior, meio louco, reconheço, mas tenho ao redor pessoas loucas o bastante para se embrenharem nessa aventura. vou trabalhar com crianças finalmente... mas trabalhar da maneira que eu quero, de forma adulta como toda criança deve ser tratada.. aliás tem essa coisa de tratamento diferenciado para loucos e crianças, foucault ( "o homem é uma invenção que a arqueologia do nosso pensamento mostra claramente a data recente , e talvez o fim próximo" 1926-1984*) já fala nisso, mas deixa pra depois ou eu me enrolo mais ainda... o que eu queria falar era dos símbolos... essa coisa dos símbolos me persegue de uma maneira meio que pra me assombrar, mas tudo bem... nesse muda, muda, muda, faz e desfaz, faz e desfaz eu consegui perder meu volume da Crítica da razão dialética do Sartre... e hoje, dando com os costados na livraria barata, a céu aberto, quem eu encontro com aquele olho torto, como que me chamando??? pois é. portanto, se consegui reencontrar esse volume, o que mais posso deixar de encontrar?
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14.9.03

na VEJA que saiu hoje, diogo mainardi me mostrou que sou petista...que todo brasileiro é filiado ao partido dos trabalhadores... então tá.
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sou um viajante e não vim a esse mundo a passeio... absolutamente! vim para fazer alguma coisa, para mexer, provocar, reavaliar tudo, tanto quanto possível e sempre... tá bom que o Abu diz que ele é um provocardor... eu digo que também sou e até gostaria de dizer que tudo mundo é, mas não é verdade, nem todo mundo é.... paciência, eu sou. - - - - - > e mais: sou, antes de tudo, um auto-provocador, um provocador de mim mesmo, sempre... não há um único dia em que eu não me provoque, não repense as coisas e mais, que saia alardeando para os eleitos o que pensei e- principalmente - o que mudei... verdade que faço com os eleitos sem eles me pedirem o que dá direito de ficarem incomodados, mas aí não tem alternativa, só se deixarem de ser eleitos . . . não era exatamente sobre isso que eu ia escrever, hoje parece que eu fumei maconha - quem me conhece sabe que eu não fumo (mais)
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fico em dúvida se estou agindo certo... acho que perdi um pouco desses conceitos de certo e errado... quer dizer, na verdade não tem essa, a gente não tem que ficar muito preocupado com isso, tem que viver cada hora porque depois é apenas depois... mas não quero deixar de anotar as coisas que vão acontecendo, as coisas que me deixam triste e alegre. são coisas tão pequenas, tão facéis... alegria é ventilador de teto colorido, é filho rindo no cinema, é sinatra cantando com jobim... alegria é saber que ali tem outra pessoa e que o mundo é cheio desses acasos, dessas possibilidades, desse caldeirão louco, borbulhante, essa sopa de idéias e ideais, coisas que a gente pensa e quer e o outro não e vice & versa.
como não gostar de todas essas coisas? como não ver a atenção, o socorro na hora certa, o olhar profundo, a menina linda? não, isso tudo tem que ser levado em consideração antes de tudo ou apesar de tudo.... não podemos deixar as coisas passarem apenas porque uma ou outra coisa não surtiu o efeito ou a expectativa ficou aquém num determinado dia... acho que já posso me dar ao luxo de falar dessas coisas... são observações que só a velhice me permite fazer, porque eu sei do afeto [a região do] e sei do tempo...
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13.9.03

Reproduzo o mail que meu caro amigo K. me envia:
"Caríssimo sobretudo
a coisa continua difícil, tempos bicudos esses, meu caro. não me deram mais trabalho depois da última palestra na faculdade (e olha que eu mesmo me censurei), mas voltaram aqueles camaradas que ficam à sorrelfa fotografando, gravando, procurando coisas nas entrelinhas, coisas que não dizemos, mas que insistem em ouvir, em perceber sempre as segundas intenções, a mensagem cifrada que estaria passando para os meus... é psicose demais, não tenho mais paciência nem idade pra essas coisas, você bem sabe... então não me chamaram mais... continuo escrevendo o livro (e agradeço o teu estímulo na revisão dos capítulos 13 e 17...
gostei das notícias que você me deu, já era tempo mesmo das coisas melhorarem pra você, meu amigo. Fica bem
K."

É um amigo mesmo.

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12.9.03

falei da minha expectativa, da necessidade de apoio para fazer as minhas coisas andarem, as idéias, os projetos, as "quinze coisas ao mesmo tempo" e toda essa coisa que eu vivo falando e repetindo e repetindo... não sei, mas não tive resposta; melhor: não tive A RESPOSTA. talvez ela simplesmente não exista, seja uma elucubração minha, nada mais. pode ser também isso ou aquilo. Posso não ser eu, pode não ser o outro. mas o erro, o descompasso desequilibra, me desequilibra... e quando eu perco esse equilíbrio conquistado com tanto sacrifício, vejo ruir alguma coisa bem lá dentro de mim... já não consigo ler nem escrever... a cabeça já pensa em outras coisas, nas coisas de sempre, do passado recente... e daí à ação é um mini passo...culpa? não, absolutamente; de ninguém. o que há é essa fragilidade baça, essa névoa fora e dentro... esse caminhar sobre uma espécie de lâmina tão fina... como o viciado... e acontece de rever o resto, rever o irreversível mundo insuportável, perceber que, de uma forma ou de outra, tudo ainda está por aqui, como névoa, que pode se dissipar ou se acumular, pode se abrir e deixar o sol ou se fechar e chover e cair granizo...
o que há é a possibilidade da não [? ] percepção... isso é o assustador, pensar que sempre existirá a fraqueza, a procura pelo par, pela parceria, pelo sentimento, pela troca intelectual, pelo apoio psicológico (carinho?)... não sei falar de tudo isso em determinados momentos... nem mesmo escrever eu consigo... a cabeça gira, não por doença (se tudo se cura), mas pela vida tal como se apresenta, pela futilidade da não compreensão... como se.

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11.9.03

Não acredito num mundo anárquico. Me chamam de reacionário. Nesse sentido sou mesmo. Creio numa (leve) ordem regendo as coisas.
Confundir isso com ser possessivo ou tirano é tentar não ler o escrito. Bobagem.
Em alguns momentos me percebo um ser pulsante: ora me expando, ora me retraio. Depende, como de resto, da reação do objeto.
Assim, perco eu, perde o outro. Em cadeia, perde a humanidade. Se pensar em niilismo crio uma contradição absoluta no pensamento.
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eu acho o 'desenho', o 'contorno' da mulher negra mais estético do que o da mulher branca. repare em pernas, seios e nádegas de mulheres da raça negra. invariavelmente têm formato privilegiado [tanto em volume quanto no traço]

o envelhecimento das pessoas da raça negra [fora a hipertensão] também se dá de maneira mais harmônica e lenta. Uma mulher negra, esteticamente correta com quarenta e cinco anos de idade, será sempre mais atraente do que uma mulher da raça branca nas mesmas condições.
portanto, do ponto de vista estético, prefiro a mulher negra à mulher branca.

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"O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar."
C. Drummond de Andrade
(Amar se aprende amando)

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marina, volta logo!!!!!
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vontade de arrumar a casa... é isso, arrumar tudo, de uma vez... eu disse que estava cansado, avisei.... agora é tempo de falar menos a arrumar... ventiladores, ar condicionado, toalhas, cafeteira e outras tantas coisas..
só falta o dinheiro.
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olho em volta
o que fazem esses livros empilhadinhos ali, esperando para serem lidos, na verdade me censurando, como um professor xangai que cobra, cobra?... não, não vou entrar nessa... a obra dela é importante, eu sei, mas ela é chata... vamos dividir então. um pouco dela & uns traguinhos de outros, menos cansativos... tudo bem, ela não é exatamente cansativa, mas não precisa fingir que não cansa, certo? cansa um pouco... ah, e não precisam me mandar e.mails desaforados por causas do post* não parece claro que pelo menos aqui, eu ainda escrevo o que quero?
à propósito disso...
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não encontro nenhum conhecido que me lembre do que aconteceu, nenhuma pessoa que sirva como referência para tudo e acabo, às vezes, duvidando de mim, me perguntando com mais insistência, quase um interrogatório (auto)...
... de que ponto do meu cérebro (ou espírito) vem essa lembrança confusa, mais que uma sensação, uma lembrança mesmo... mas não, pode não ter acontecido, posso ter sonhado, ou pensado a coisa e rabiscado algo sobre ela (quem sabe depois transformar numa crônica ou num conto)? não tenho certeza, mas F.W. me alerta que minha memória anda claudicando, que é muito provável que seja verdade... ela me diz das coisas que andaram rolando pela vida, de que talvez eu mesmo esteja criando a confusão para ficar mais aliviado, que certamente ocorreu sim e agora eu ponho em dúvida para não pensar que poderia... não, ela não pode saber porque não estava lá, não vivenciou a situação como eu, não traz no espírito as cicatrizes que trago, mas se foi tão importante, por que duvido da veracidade? onde foi que?

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Olha só que legal:

"Mesmo assim, existe uma sensação de oportunidade perdida. Talvez não haja nada, nunca, que possa se equipara à lembrança de ter sido jovem junto com alguém. Quem sabe seja simples assim....
Permanece intacta aquela perfeição singular, perfeita em parte porque parecia, na época, tão claramete prometer mais. Agora sabe: aquele foi o momento, bem ali. Não houve outro."
Michael Cunningham
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10.9.03

negra

o sinal fecha, paro o carro. uma mulher negra, mais ou menos gorda atravessa a rua na minha frente. lenço no cabelo, blusa e saia (longa) mais ou menos combinando ou dentro do possível tendo algo a ver uns com outros, bolsa de plástico [se ela empurrasse um carrinho velho de supermercado eu acharia que era cena de filme]. Pobre. Muito pobre, mas não mendiga... a mulher atravessou a rua, severa, com dignidade, com o olhar firme por trás de grossas lentes dos óculos... fiquei impressionado com a plasticidade da cena.
Uma mulher plena onde tudo se compunha perfeitamente.
Uma cena estética, irreprochável.... altman, allen ou bergman não faria melhor*

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- - - - > o dia de sol é bonito como imagem, visto com um distanciamento de um outro dia, um dia eqüidistante de nós, objeto do nosso olhar e volúpia, da nossa admiração... como se pudéssemos estar em um ambiente refrigerado e asséptico enquanto esse sol, essa praia, essa mar maravilhosos, cartão postal mesmo, está ali, ao nosso alcance, mas nós estamos aqui, próximos - porque, afinal, somos - mas com a barreira indescritível que nos mantém sem o calor excessivo, sem a poluição, sem o pivete, sem a dificuldade em estacionar... não, nosso mundo é esse, mas cada um tem a metaproteção, como uma película, aura, se preferirem, que protege nosso corpo e mente e pensamento e idéia e alma e filosofia, que mantém nossa individualidade térmica e estéril, dirão os pessimistas, mas não...
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9.9.03

dia legal na terapia.... sabe aqueles dias que dão certo? que você se faz entender? que o outro acrescenta de verdade? pois é. foi um dia assim...
- - - - - - >> aliás eu preciso escrever um pouco sobre a terapia, qualquer dia desses escrevo. porque é importante você ter um outro olhar [inteligente] sobre as coisas que te acontecem, a maneira como, o que você mesmo está fazendo para acontecerem... - - - - > difícil é você encontrar o terapeuta certo, uma pessoa legal, sensível e responsável... e esse negócio de ficar dependente de terapeuta é mentira, burrice, estupidez.. ninguém fica, se fica é porque está doente e é melhor ser dependente do terapeuta do que de cocaína... passada essa fase [porque passa sim!], é importante a gente ver o que está fazendo, como está fazendo... até porque, é posível e importante ver como o terapeuta pode não estar percebendo [e explicar a ele] ... porque percebendo que nem ele entende, acabamos sendo mais sensíveis aos outros [não treinados] que também não compreendem num primeiro momento...
depois eu falo mais, com mais calma...
- - - - -
continuo de olho em virgínia wolf < - - -
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7.9.03

De quantos pedaços mesmo se faz uma mudança.... sempre penso nisso e nunca sei... normalmente ela é feita num dia, dia cansativo e chato onde os cuidados e as orientações bem como uma irritação constante estão presentes...
Mas de onde vem a mudança Não de que casa, rua, bairro ou cidade... mas de onde vem de verdade?
quero saber mesmo de onde parte...por que num determinado momento a gente percebe que não está onde deveria ou queria e então trata de ir...porque sempre vamos, afinal de contas. Sempre vamos.
existem as mudanças simples, comuns, que fazemos porque temos que fazer, num movimento mecânico e coisificado que nem chega bem a ser mudança. trocamos de casa e à isso apelidamos 'mudança' .
Mudar é outra coisa. É o corpo da gente...desde a pele até o coração, passando pelas sinapses, migrar de si para si mesmo, ainda que esse 'mesmo' seja outro, seja novo. Mudamos sem sair do lugar, tudo acontece lá dentro e o coração aperta no percurso e relaxa na chegada. Porque a chegada não é a chegada, é apenas o início, apenas a possibilidade de viver e.
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um post de sete de setembro de 2002 :)

7.7.02

tudo nessa vida me impressiona. não é isso ou aquilo ou aquilo outro. Tudo.
Por isso, sempre surpreendido, me dou bem e mal alternadamente, sem saber o que sou na verdade.
E sempre foi e será assim.
- - - - - - - > Não imagino que mude agora, embora também não o negue.
porque a vida, por si só é impressionante e somente um imbecil convicto e com olhos [internos e externos] vendados não percebe o que tudo representa. como, cada coisa, cada alfinete ou avião, homem ou mulher, carro ou patinete representam mundos indistintos que nos afetam dessa ou daquela maneira....
- - - - - - - > E o que fazemos? Creio que nada. Porque fazer seroa transgredir. Diariamente. O tempo todo. Em todas as situações possíveis e, se não houvessem, criando situações onde a trsngressão surtisse ali o efeito de transmutar aquela situação para uma não-situação, quase metafísica....
sorrio porque bem sei o que digo < - - - - - - - - - - - - -
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encontrei postado lá atrás.... vale a pena ler novamente:



Poema de sete faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.


As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.


O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.


O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do -bigode,


Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.


Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.


Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.


Carlos Drummond de Andrade
De Alguma poesia (1930)


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antigas cartas de K;

"- - - - - -> as alterações que ocorrem com freqüência sistemática na vida de K, não impedem nem diminuem a intensidadde do seu sonho com a continuidade, estabilidade, e placidez do rio que corre, eterno, sem sair do lugar.
- - - - - -> desde sua adolescência, K. sentou-se à margem do rio de... e olhou a água, plácida, correr.
entretanto, o rio, com sua trajetória serpenteante pelo vale nunca se alterou.
hoje, fazem cinqüenta anos dessa busca insustentável de K. por essas terras.
- - - - - -> e continua sua vida no entorno das margens desse mesmo [estático] rio. - Desse mesmo rio - dessa mesma terra - desse mesmo mundo.
K, conclui então que não é desse mundo. ou esse mundo não é de K.
sendo este sim, K. o mundo verdadeiro. Ele é o mundo, mas o mundo não é K."
- - - - - - - - - - -
"porque a coisa não pode ser pensada e repensada, não podemos rever muito as coisas, nem pensar demais sobre elas. Se agimos assim, nada sai e nos frustramos." - esse pensamento ocupou a mente de K. por todo o trajeto, de uma esquina até a outra.
chovia. essa chuva fina e chata que não terá fim nunca, temos absoluta certeza. e choramos.
porque, na verdade, choramos sempre e muito. choramos por nós, por vocês, por nossos avós e nossos netos. ou talvez por ninguém. talvez porque chorar seja não uma ação nem um sentimento, mas uma compulsão meta-humana, dessas coisas de deus, que não podemos entender [até porque como todo o sagrado, é injusto].
K. talvez não quisesse realmente nada daquilo. talvez sua meta fosse outra. fosse exatamente a não-ação. espera. não falo aqui da não-ação budista ou essas coisas de livrinho de meia tijela.
a não ação maior. Não Ação com letra maiúscula, aquela exercida como uma atitude explêndida, forte e repensada.
Esse tipo de movimento Maior tem muito mais a ver com a personalidade de K. [personalidade forte - embora a figura não demonstre}. E por que falo de tudo isso?
Porque K. existe e está sempre ao meu lado. Coabita meu mundo de forma tão séria e paupável que já tratei dele como se trata a um irmão...ou a um anjo da guarda."

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fico vendo na vida dos outros o quanto é difícil você sair de um determinado processo em que 'se permitiu' entrar... é uma loucura, você diz que não vai fazer mais e acaba fazendo... como um alcoólatra ou coisa assim...
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claro que é muito mais complicado quando você mesmo é que não sai, quando a invasão não vem de fora, vem de dentro de você mesmo, quando na sua cabeça as coisas insistem em voltar & você acaba sofrendo...
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porque o ato do amor é uma coisa muito maior do que a relação das pessoas. o grande problema é a falta de amor no sentido da amizade, no sentido da percepção do que está acontecendo, quando se mistura uma coisa com a outra & ludibria, engana, escamoteia...
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ainda vou escrever com mais vagar & clareza de todo esse processo devastador que é a falta de amor entre as pessoas de uma maneira geral.
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hoje posso dizer que o pior já passou mesmo, que estou quase totalmente bem... ainda que rolem algumas coisas eventuais na minha cabeça, não é o mais importante.
o que está faltando agora é um projeto bacana, um que possa estimular de verdade, sabe como? fico pensando nisso. essa porrada que eu levei me deixou caído muito tempo, muito quieto. acabei perdendo o referencial dos projetos.
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mas não tem nada não. posso retomar tudo, começar de novo. - - - -> afinal, a gente tá sempre 'começando de novo', né? então é isso, é ver o que tem rolado por aí de importante [acho que fiquei muito tempo por fora} e ver o que vou querer fazer.
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se eu pudesse, eu ajudaria as pessoas a não se enredarem em situações&pessoas que possam levar a um complicador maior, falaria mais sobre isso, em como a gente pode se danar todo e sozinho] caso dê alguns passos errados...
mas enfim... será que as pessoas iam querer falar disso? sei lá...
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há um ano atrás escrevi coisas mais ou menos assim:

"tem esse enorme caminho de histórias mal contadas. reconheço que as histórias mal contadas são sempre as da vida e não as da literatura, o que objetiva o paradoxo, o que estimula a esquizofrenia - isso é uma capítulo à parte, a esquizofrenia - de que falo depois.
porque se a literatura é a história do homem bem contada em contraponto à sua própria história que é sempre [ou quase sempre, vá lá], mal contada, alguma coisa está.... talvez não propriamente errada, mas, no mínimo, invertida.
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algo como se a vida fosse a literatura com personagens que estivessem por fora dos livros.
personagens que estivessem 'pensando' que 'estavam' escrevendo o que há.
porque o que 'está aparentemente escrito' não está. É.
O que, aparentemente é, não existe salvo numa cabeça que faz pequenas anotações de projetos que se concretizam ou não, mas sempre salvaguardados pelo possível do 'encaixe literário'.
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fico vendo o quanto posso estar feliz por compartilhar tudo, não ser individualista nunca...
vez ou outra, dou uma lida nos dicionários para me convencer bem.

do houaiss:


individualismo

n substantivo masculino
1 Rubrica: economia, filosofia, política.
doutrina moral, econômica ou política que valoriza a autonomia individual, em detrimento da hegemonia da coletividade despersonalizada, na busca da liberdade e satisfação das inclinações naturais
2 tendência, atitude de quem revela pouca ou nenhuma solidariedade e busca viver exclusivamente para si; egoísmo

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as coisas, aprendo, precisam se concretizar, precisam estar sedimentadas na cabeça da gente, de forma completa, plena, absoluta.... enquanto não temos a consciência clara do que estamos vivendo, com quem lidamos no passado e com quem lidamos agora... enquanto não percebemos com clareza o todo que se faz e desfaz à nossa volta... principalmente o desfazer... perceber que nem sempre as coisas são como imaginamos, mas que essa constatação não é necessáriamente ruim, ao contrário, que pode ser muito legal você ver o quanto antes para onde estava indo e, quaisquer que sejam os motivos, parou, pára.
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6.9.03

fico pensando em quanto tento me enganar, em quanto tempo, através de outros caminhos, procuro afastar de mim mesmo aquilo que realmente sou, que carrego em mim e é inseparável... não adianta porque eu não terei mais pra onde fugir, nem casinha na serra, nem s10, nem motocicleta, nem conhecimentos, nem luxos, nem possíveis amores, nem isso, nem aquilo... chegamos a um ponto, cumpridos todas as exigências médicas [e filosóficas] e dados todos os tempos químicos que ficamos parados ali, sós... eu sou isso, me levarei para sempre enquanto viver e cabe a mim reconhecer-me e aceitar-me tal como sou [ou não]... o resto é rota de fuga, fuga essa que não se concretizo porque, tal como peter pan, a sombra está costurada aos meus pés e não largará jamais porque eu sou eu e não existe ainda a pílula. . . posso sim tentar disfarçar [muito mais externamente], posso buscar nas coisas e possibilidades que se me apresentam o brilho, o lúmem que seja [...que não existe de verdade], que é reflexo (tosco) do que poderia ser a existência não fosse o vazio, o estado de 'eu', não fosse o sentimento que emana , ainda que por circunvoluções do cérebro, da barriga, que persegue, que faz, ora sim ora não, você se lembrar de que não é nada disso, nada disso, nem um pouco nada disso... que você está mentindo pra todo mundo, pra um monte de eus, um monte e eus internos, numa multiplicação fanática de eus em paz forjados... como não adianta fingir para você mesmo o ditadinho 'o tempo apaga tudo',... não, o tempo não apaga nada, ao contrário, ele realça na medida em que mostra, dia após dia, noite após noite, que por mais temporalmente distante, mais sedimentado em você todo o complexo de venturas, de sensações e conclusões... vá lá que seja um sentimento diferente (após um tempo), um sentimento mais brando como a febre contínua de trinta e oito, bem abaixo dos quarenta e um daquela época... - - - > mas é só, não vai além disso. doença? frescura? peninha de si? tanto faz como o meio vai rotular-nos porque nunca seremos os mesmos, nunca será igual, nunca será você mesmo, sempre será esse verme que está lá dentro corroendo, matando da pior forma, da mais insidiosa que é o silêncio, a surdez, o auto-disfarce... não, definitivamente não tenho para onde fugir e sou obrigado sim a rever tudo, dessa vez talvez sozinho, encontrar a brecha, ainda que eqüidistante, o ponto de equilíbrio para.
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deletei todos os posts
deletei tudo
deleto-me
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5.9.03

muita saudade do wally...
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- - - > Não gosto de me repetir muito.... as vezes eu digo uma coisa uma, duas, três vezes... e paro. não tenho saco de falar e explicar tudo o que digo, me revolta um pouco isso. mais: eu acho que quando a gente conversa com alguém, quando se predispõe a, tem que estar ouvindo, atento ao outro. - - - - > senão, melhor não conversar, abstrair-se de. assumidamente.
eu de vez em quando me abstraio. outras vezes não. tudo tem um pouco de mim e um pouco do mundo que me circunda. tudo somos nós e nós somos esse tudo amorfo, meio chiclete com banana, meio gosma cósmica de pixels e gozo.
Mas voltando: talvez a minha maneira sem medir palavras e sem explicar o que estou dizendo, mais, de pensar falando, direto, faça com que me expresse mal; não abdico, entretanto, desse direito (que me imponho e ao outro) de ser compreendido à priori, aceito, ternamente (de ternura), placidamente entendido... se não for assim, fico só criando teses e contra teses, argumentos e contra argumentos e não tenho muita paciência para os seminários... sou meio bicho (para não dizer inteiro, que é o que todos nós somos)... fico pensando sempre nisso... por que a gente tem que ter cuidado com a nossa vida, com o que a gente pensa, com o que a gente quer (ou não)? por que não permitir-se tudo, sempre mais, de qualquer maneira, livre, solto, moral, limpo? hoje eu entendo melhor os preconceitos e os traumas quando se trata de individualidade...

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4.9.03

sinto, dia a dia, o descontrole da metrópole... são pessoas andando sem rumo, mulheres maltratadas falando sozinhas e homens de barbas hirsutas, às vezes sujas, de idade indefinida, classe social inexistente caminhando com seus pensamentos, ora responde a eles, ora gesticulando não aos pensamentos, mas como em resposta às vozes que escutam, vozes que vêm da alma ou do cérebro, das profundezas... vozes que mandam roubar, matar, criar revoluções...
... são essas vozes internas que o sistema classifica de esquizofrenia, essas vozes que todos nós ouvimos e não damos atenção e, quando é forte demais, quando não conseguimos deixar de ouvi-las, vamos ao bar e bebemos rum...
... existe uma revolução meio silenciosa e, ao mesmo tempo, corretamente barulhenta, revolução que se insinua dentro da nossa casa, que escorrega entre as lombadas dos livros velhos na estante, nas panelas sujas da cozinha e nas cuecas maltratadas na gaveta rota. revolução que se reflete no olhar opaco (de cola) do pivete, no PM mal remunerado, na eterna corrupção republicana...
... essa revolução está dentro de todas as cabeças (que fingem não ouvir), que não tem partido nem ideologia, que se vê em Amores Brutos, naquele mendigo de pistola.
... crianças que travessam as ruas na faixa, com mochilas cor de rosa, crianças que não chegaram aos doze, treze anos, mas que matam o colega de sala com tiros certeiros de pistolas automáticas, que fumam crack junto da avó que faz pudim.
... é dessa revolução silenciosa, aceita, consentida por todos, pelo presidente do banco mundial e pela dona de casa do subúrbio que nascerei eu (e nascerá) você e nossas botinas pisarão a flor negra, o leite derramado, a placa de rede oxidada. pisaremos todos a possibilidade de mundo sonhado por homero, sócrates ou.

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acho mesmo que não me fiz entender no discurso de ontem a noite sobre o malefício cultural da internet, tornando a erudição quase uma abstração, um impossível de.
partindo do princípio pós moderno de que o verdadeiro saber está em saber acessar o Saber, vejo diariamente em debates, entrevistas, conversas e etc. que o 'novo homem', com formação recente, não consegue estudar e ler o bastante para chegar à erudição. claro que o meio ambiente cosmopolita globalizado interfere colocando-nos desafios como trabalhar muito, cuidar da casa, das crianças, enfrentar o transtornos do trânsito, absorver o cinema, a televisão e os shows em geral, fazer psicanálise entre outras tantas obrigações... nesse mundo em que a informação é fugaz, não é pertinentemente tratada, onde o show não é esmiuçado, apenas visto, ficamos sem tempo. não temos mais tempo para a ópera, para o debate sobre a ópera e o estudo da ópera. Da literatura, então, nem se fala. como posso ler os clássicos, os livros que saem e ¿obrigatoriamente¿ devo ler e mais aqueles que me dão prazer? como posso freqüentar as aulas de filosofia a aplicar-me a elas se minha aparência conta e deve mudar duas a três vezes ao dia, se tenho que falar do cinema iraniano, do acústico da mtv e da votação na câmara?¿.
de qualquer forma, existe o saber, ele está lá e precisamos dele (cada vez menos). então utilizo a ferramenta da internet para acessar este saber, usá-lo de forma fugaz e frágil apenas para dar conta do que me é solicitado, não vendo eu mesmo, nenhum prazer e nenhum desafio em continuar esta ou aquela pesquisa mais profundamente. Até mesmo o material de que disponho para trabalhar, o computador, não me devolve nada táctil, nada que me faça rever, repensar, nada que deva ser corrigido (o editor de texto corrige até as boçalidades que escrevo ou é boçal ele mesmo ao não reconhecer palavras corretas que não pertencem ao seu estrito vocabulário).
se o Google me fornece verbetes ou páginas sobre tudo, para que devo ter eu mesmo minha biblioteca ou videoteca? E se não as tenho, onde encontro o saber? 'tudo bem', apressam-se os teóricos do mundo moderno, 'mas o saber está lá, basta que você o acesse.' ou seja o saber torna-se distante de mim, virtual no sentido de não estar em mim. À partir daí, meu caro, Matrix é fichinha. nada é nada.

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3.9.03

"...portanto, é ou amar o amor, ou não amar nada - é ou amar o amor, ou morrer. E é por isso que o amor, e não o suicídio, é o único problema filosófico verdadeiramente sério..."
Sponville
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o tempo, definitivamente, não se acerta, não se encontra. ameaça chover e faz um tímido sol e ameaçã fazer sol e cai uma tímida chuva... são paulo deve ser assim, mas lá o pessoal tá acostumado e sempre pode correr pro guarujá.
eu tenho que me contentar com ipanema todo dia....
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ela me fez redescobrir [nos meus baús] o 'prenda minha - ao vivo' do caetano... pronto, tirei cópias, tá no carro, no trabalho em casa... fica roodando dentro da minha cabeça...
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quando estou bem - sim, eu estou bem - não leio menos de três livros ao mesmo tempo... deveria, então conhecer muito e não conheço nada....
por que? bom, junto com comte-sponville estou lendo pela sexta vez como se um viajante numa noite de inverno...
pirei, não precisa dizer...
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2.9.03

olhar

... o olho mágico é uma invenção bem antiga que me lembre. Tudo bem, quando eu era criança, não existia. eu lembro que os apartamentos tinham uma portinhola que você abria para ver quem era... logo, logo os 'menos favorecidos' começaram a enfiar o cano do revólver pela janelinha e a pessoa era obrigada a abrir a porta.
... bom, veio o olho mágico e foi aquela festa, todo mundo queria colocar, os vizinhos iam ver, iam conferir... as pessoas com mais dinheiro nas famílias eram as primeiras a ter (da mesma forma que aconteceu com a tv à cores - que eu ia do centro a copacabana pra assistir ao 'fantástico, o show da vida' - era assim que se falava! - na casa da kakay, minha tia-mãe).
... acho que hoje tem olho mágico até em barraco de favela. mas a gente não dá atenção, não é mesmo?
pois dia desses eu olhei pelo meu e, após receber a pessoa que tocava a campainha fiquei com aquilo na cabeça: a pessoa aparecia inteira, da cabeça aos pés, eu via os mínimos detalhes dela, toda a sua plenitude [bela]. passei então a prestar mais atenção no olho mágico, em como é interessante ver como eu tenho a visão desde o teto até o chão do corredor, bem como das paredes laterais.
tudo bem que a pessoa do lado de fora também sabe que você está lá, vendo, porque a incidência de luz do interior é fechadaobliterada pelo seu próprio olho, mas não importa porque afinal, meu caro, como não abrir a porta quando a pessoa já está lá?
de qualquer forma, acho que vale a pena a gente olhar o nosso olho mágico de cada dia e refletir sobre ele e sobre nós mesmos em relação aos outros, em como, às vezes, vemos o outro como que através de um olho mágico...

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1.9.03

as ansiedades

... tenho procurado olhar a ansiedade com mais cuidado, com menos 'ansiedade'... sério: é preciso ver todas as causas, não pensar apenas "como (a possibilidade de) doença" e pronto, mas avaliar toda a vida, todo o entorno, todas as possibilidades que vem e vão, tudo o que conquistamos e perdemos.
... porque tratar a coisa como um momento difícil ou uma doença ou uma coisa que, em si, encaixota tudo é simplista demais. o que eu quero é entender todos os mecanismos, desde a mudança de casa até a conjunção astral, desde a mesmice do trabalho até o relacionamento amoroso, desde a química até a mais reles erva, enfim, tudo o que proporciona, o que acrescenta, o que destrói, o que atrapalha e paralisa a vida das pessoas, o porquê dessa dor fortuita, sinuosa, insinuante e dissimulada (que tem um pouco de fantástica - ou de realismo fantástico) que engana tanto ao garçom quanto ao médico, tanto ao velho quanto ao adolescente...
... entender...

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e só preparo o café de véspera sim!!! não consigo nem conceber colocar água é pó na cafeteira pela manhã... quando acordo é só apertar o botão.
ok!!! não piso também nas juntas das calçadas ou de lajotas grandes...dou um pulinho, faço qualquer coisa,. dia desses quase caí no chão por causa disso
(e não tem remédio, meu caro)
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dou uma volta no início da noite pela praia do leblon... acabo parando ali naquele banco perto da letras... sempre sento ali pra tomar o sundae do mc donalds
as pessoas passam meio alheias (no domingo todo mundo fica meio apalermado, meio sem saber o que fazer, no meio do caminho entre o fim de semana que terminou e o início que vem chegando), uns trazendo seus cachorros, outros trazendo os maridos.... marido então é uma loucura! fica completamente apatetado aos domingos... acho que o grande barato de não ser marido é o domingo... você é só você, não é o marido de domingo... fiquei olhando pras pessoas e pensando nessas coisas... os ladrões ficam a meia bomba também... difícil assalto ali nessas horas... as mulheres ficam desmilingüidas, verdadeiras sombras do que foram (ou pensaram ser) na noite anterior...
... dos pontos de ônibus é melhor não falar. fico de costas para a avenida, vendo as pessoas folhearem revistas e comprarem charutos.
existe um tédio no ar, o tédio do rio de janeiro... aí penso em são paulo, em como deve ser nessa mesma hora por lá, sem ipanema e sem leblon...

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