Por favor, me negue o cumprimento.


SORRIA!

....

...são pedaços de papel, folhas de cadernos, guardanapos sujos e restos de cabeça insone...

Leia da forma que achar melhor, não tenha compromisso com nada. Eu também não tenho.


English




ARME-SE MAIS!



Não possuo nenhuma expectativa maior em relação às pessoas. Convivo com elas na sua justa medida.

O impossível na raça humana são justamente as pessoas.

Definitivamente, o silêncio não é dos inocentes.

Por mais que eu pense bem ou mal das pessoas, elas sempre me surpreendem.

O Blog é uma "Carta de Intenções" raramente cumprida.

Eu vivo dos meus desequilíbrios* Copyright Nicka.

Sempre teremos Paris....

Toda mulher deveria ter quatorze anos.(Nelson Rodrigues)

Fez-se da vida uma aventura errante (Vinicius de Moraes)

A calma é inimiga da perfeição

"Não importa. Tente outra vez. Fracasse outra vez. Fracasse melhor" Samuel Beckett

"Toda mulher devia ser a Sandra Bullock"

"A Tsunami é Aqui!"

"Sou uma espécie de Glória Magadan da vida real"

"O chato em essência não existe...O chato é, antes de tudo, uma visão do outro..."

"A fecundação é muito parecida com o garçom que mistura leite ao café. Apenas isso. O início da gravidez é um café com leite."

"A Internet, repito, imbeciliza as pessoas."

"O que as pessoas chamam cultura não é senão um termo pitoresco para a sua ignorância." Saul Bellow.

"Quanto mais conheço analisandos, mais desprezo a Psicanálise."

"Dormir de dia é um suicídio inconcluso"

"O uísque é como um GATO engarrafado. O melhor amigo do Homem" Vinícius e Geraldo

"A vida é como executar um concerto de violino ao mesmo tempo em que se aprende a tocar o instrumento"Samuel Butler

"A pior forma de solidão é a companhia de um paulista" Nelson Rodrigues

"Ser me ocupa bastante" A. Gide

"Nada como a brancura cadevérica de um Pé"

"Acordar é como um renascer com as cartas marcadas

"A fé sem liturgia não tem o fulgor, não tem nada feérico, é como uma fé apagada, inexplicável, pequena, dúbia".
"Matar-se é fazer poesia!".

"'Quando homens pequenos lançam grandes sombras, é porque a noite está chegando" Nathaniel Lee

"Só o suicida morre dignamente".

Caminho de cabeça baixa pela praia da vida catando uma esperança.

Todos os dias são para mim meu último dia. Um dia, sem me dar conta, meu dia será o último para todos. .

O Orkut é uma espécie de lembrança e alerta virtual para um possível não vivido. .

30.11.03

Na juventide li Os demônios ou Os Possessos e achei o máximo (quase como Crime e Castigo). Hoje resolvi começar a reler.´Tal leitura é um empreendimento de peso :), mas sempre acho que Dostoiévski vale a pena.
    |

Final de semana com muita chuva e nem assim a temperatura abaixa. Estou escrevendo (Sob encomenda) um trabalho sobre mídias - talvez eu até venha a fazer um novo site sobre o assunto - e não é que me cai nas mãos a VEJA n° 1831 com entrevista de páginas amarelas com Nigel Chapman, diretor do servicço mundial da BBC.
Homem de visão e extremo bom senso, faz uma avaliação da televisão pública na Inglaterra e no mundo. Fala da importância da internet como meio de informação e entretenimento, jamais, como "braço", divulgador da TV.
Usarei a entrevista dele em meus trabalhos.
    |
27.11.03

ser, ser, ser, ser, ser, ser, ser, ser, ser, ser, ser, ser
eu?
é?
    |

E pra quê?

Pilha fraca. Não sei se é recarregável. Não sei ainda o quanto os espíritos podem ser reanimados. Três, quatro, dez, vinte vezes? E como avaliar o número de vezes que uma alma está sendo reativada se esta necessidade mesma varia de mente para mente?
Quão absurda pode ser toda essa história em troca de nada, de uma interrogação metafísica e hermética! Mensurar a estupidez da corrida é como engarrafar fumaça, enxugar gelo!
O que há, afinal? E por quê?

    |
26.11.03


se

confrontar a questão existencial leva sempre ao desconforto não da ação, mas da percepção de que existe um infinito cruzamento de possíveis que visto como um todo poderíamos chamar de destino. se olharmos para um emaranhado de linhas, digamos trezentos fios, podemos deduzir que não há uma parede de fios e sim um emaranhado (que seriam os possíveis). ainda assim, poderíamos colocar o dedo num espaço vazio, distante de algum dos fios (como a teia da aranha) passando rente a um possível sem ser atingido por ele.
se, entretanto, observamos um emaranhado de 5 bilhões de fios temos a visão (quase) certa de que estão colados um ao outro, que não temos por onde passar (ainda que sejam apenas fios, individuais e não uma parede de concreto). Nosso cabelo, por exemplo, pode parecer à distância uma massa compacta, mas de perto, passando os dedos vemos que são fios distintos, apenas fios.
se eu disser que o fio de cabelo é um possível, uma possibilidade e olhar de longe uma vasta cabeleira eu posso por analogia, dizer que a cabeleira é o destino?
se eu admito, estou apenas dizendo que o destino está traçado não por algo sobrenatural, de deus, mas apenas concordando que a união de todos os possíveis cria o que achamos ser o destino.
se nego, faço a negação dos possíveis em ação, ou seja, admito que estão todos ali, admito que eles influenciam, são possíveis, mas não são uma cabeleira, seu conjunto não diz nada de previsível. seria isso?
tem que pensar um pouco, mas uma coisa me parece certa: o destino do ateu só pode ser a união, as encruzilhadas, trilhas e atalhos dos possíveis.

    |
23.11.03

Não sei até que ponto Freud acertou com a teoria dos sonhos, com as descobertas que fez à partir da descrição deles por seus pacientes. O que percebo é que os pesadelos existem das formas mais variadas (até com coisas boas passadas), com ressentimentos, com perdas, com mudanças, com expectativas, com projetos. O pesadelo é uma manifestação terrível porque atormenta o único momento que você tem para uma suposta paz, descanso, repouso: o sono. Quando o ato de ir dormir vira sinônimo de receio, pavor mesmo (por tudo o que poderá vir num momento em que você está amarrado, inconsciente, prisioneiro do próprio sono), bom, aí você não quer se afastar do mal desperto porque o mal sonhado pode ser pior. Pode ser o prenúncio do caos.
    |
21.11.03

Mês de novembro é igual a Ter 48 anos. Um saco. Novembro é um nada, um mês que não diz a que veio, que não influencia nada porque todas as almas & mentes & corações estão pensando apenas em dezembro e alguns no novo ano chegando. Novembro fica ali, intercalado, atrapalhando como se fizesse parte de uma necessidade cósmica de preencher um espécie de lacuna temporal. Meio que para ganhar dias & minutos & segundos, para completar o ciclo... batendo bola para esperar os 45 do segundo tempo... novembro é um não mês, um não tempo, um vácuo onde as pessoas cumprem suas funções com enfado, os esfíncteres trabalham porque não sabem que é novembro... quem sabe o que é novembro?
    |

não tem muito o que falar por aqui não. O que acontece é um movimento interno, como já falei antes, desses movimentos que colocam a gente de ponta cabeça principalmente na visão de quem não está acompanhando ou quem simplesmente não compreende (outra coisa é essa história de compreender: quando as coisas são complicadas ou ainda quando a gente faz de maneira transversa, complexa, ninguém é advinho, ninguém tem que compreender ¿ muitas vezes torna-se entediante e mesmo irritante tentar entender algo que está além por estar hermético)
Tava escrevendo num outro lugar, uma espécie de Memórias (babaca, né?) essa coisa da mudança, e, principalmente, quando as mudanças começam a acelerar, a acontecer em velocidade cada vez maior. Muda tanto que cada dia é uma coisa, cada meio dia é outra coisa, num processo acelerado quase louco para quem está de fora, completamente louco para quem está dentro.
O que parece, como me disse P. um olhar eterno para o próprio umbigo é, na, verdade, uma investida nao eu mais profundo o que deixa a desejar para os outros.
Acho que é isso.

    |
19.11.03

O Nada

Escrever, escrever, tentar dar vazão ao que vai dentro, sem nunca acabar como horizonte sem fim, porto em movimento, em rota de fuga.
Não consigo mais caminhar sozinho e não há ninguém por perto, ninguém à vista que possa esticar a mão ao náufrago de si mesmo que sou e toda a carga interna insuportável. Sim, parece um pedido de socorro, mas não é. Trata-se apenas de uma sangria para levar a bile negra, para afastar um pouco o raio da noite escura quando não se tem parâmetro, não há estrela, não há nada, apenas um sol apagado, escuro, preto mesmo, tão preto quanto a noite negra, sol esse que transparece apenas pelo calor e jamais por qualquer tipo de luz. Não sei porque falamos da falta da luz com tanto empenho, já que poderíamos reclamar também do seu excesso.
Mas no fundo, não é nada disso mesmo que eu quero falar, todo mundo sabe. Sei do que não quero falar, o que não quer dizer que saiba do que falar. Mentira. Saber possivelmente eu saiba, mas não vai, não aqui, não agora, não nesse ,momento onde as coisas estão confusas e perigosas mesmo.
Mas essa matéria não é para esse espaço, é para os cadernos que, aliás, são muito mais "acháveis" do que um arquivo como esse com senha, por exemplo.

    |
18.11.03

tava ainda a pouco lendo sobre o marginalzinho que matou a menina e essa história toda de redução da maioridade...
parece que em alguns países (nobres), jovens com muito menos idade são condenados, vão para a prisão e tal.
como o brasil não é nobre, eu acho que não tinha que discutir muito, tinha que pegar esse marginal de 16 anos e matar. pronto. ponto final. menos um!!! porque um cara que arquiteta um plano, chama mais dois, estupram a garota feito loucos e matam com quinze facadas... péra aí, né? discutir ainda? Não! pega o cara, tortura bastante e mata.
olha, e esse pai que vai fazer caminhada e discutir a questão das leis e das febens? tudo bem, o homem, coitado, não deve estar articulando lé com cré, deve estar sendo induzido pelos politicamente corretos, mas mesmo assim... caminhada??? porque ele não vai na cadeia, vai em dia de visita (!) e PUM! mata o "de menor", o filho da puta, assassino? muito mais útil para ele (pai) e para a sociedade.
com isso, é menos um para estrupar a filhinha da pessoa que está aí, do outro lado da tela, "repugnada" com a "MINHA" violência.

    |
17.11.03

problemas... tem um monte de coisas escritas aqui e ali que tento juntar e, ou não consigo ou não tenho coragem de publicar aqui... quer dizer, não é falta de coragem sinônimo de covardia. não. É cuidado com nitro, cuidado que a gente deveria aprender quando serve ao exército... verdade que não servi à pátria, mas aprendi uma coisa aqui, outra ali...
momento fervilhante, atitudes para serem tomadas e, ao mesmo tempo, muito cuidado, muita atenção porque a vida é sempre um campo minado, não importa quem é o inimigo, se é aquém ou além da mina. eu acho que talvez eu seja um trissexual almínico... não, isso é pouco: um hermafrodita mental - não no sentido da veadagem, mas nessa coisa ampla, mental, labiríntica... porque acabo sendo como um Hans Vredeman de Vries (Antuérpia, 1583) sendo eu mesmo uma obra com ilustrações labitínticas...- ou um mago ou um louco ou seja ainda eu mesmo [que seria a opção mais complexa]- - - - - > talvez seja algo pior, eu seja uma reencarnação cheia de falhas (uma tentativa de reencarnação quando deus e os anjos estavam bêbados) de uma personalidade escandalosa & histérica (Hitler, Copérnico, Judas, Eliot, Woolf ou Madalena ou todos)....
parece a possibilidade melhorzinha, embora eu também não tenha certeza... porque alguma coisa tem nessa existência atribulada e cheia de experiência confusas que ora se repetem, ora se alternam e invertem, se opõe, como em outra pessoa (não, a possibilidade esquizofrenia está fora)... e não sendo outra pessoa, é um cérebro hiperativo no mal sentido.
são muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo
em outro momento, é redundância das redundâncias, tempo fora de compasso, chuva que cai pra cima, dispersão de uma linearidade utópica...
... por tudo isso, calo-me no momento, caminho por uma estrada/realidade tortuosa até chegar ao fim (ou ao início)


    |
13.11.03

A figura sinistra, de negro, mais uma vez desapareceu... o vingador destemido, a fera sobre duas rodas.. babau!
Mas a madrugada não foi esquecida...surge um automóvel (quá quá quá) velho, branco, brega toda a vida e mais cem anos (daqueles que você jura que tem placa de nilópolis, encantado & entorno - calma, pessoal: não é preconceito... eu sei que vou acabar no encantado e feliz da vida ainda por cima - Dr. R. vai dar um jeito), um carro que tosse e refuga quando anda (quem não lembra do mickey levando seus sobrinhos a passear de carro?)... não, talvez fosse mais apropriado para a mulher do mickey, claro, a margarida...
Senhores: tenho o carro ideal para ir à praia ou à piscina aos domingos
Ao piscinão de ramos.

    |
10.11.03

Enaltecer, opróbrio, fugaz, opacíssimo, soslaio, sacrificial... palavras interessantes. Assim, soltas não dizem nada, mas são bonitas, tem sonoridade e grafia bacanas... as palavras são o sal da terra, da vida mesmo... curtir palavras, sons que dizem o que pensamos, o que não pensamos, o que sentimos mesmo sem saber. Quando falamos aleatoriamente dizemos essas coisas, palavras, escrevemos e vamos criando um mundo à parte de nós mesmos, um mundo de escritos, tem papéis manuscritos, de pixels, de fitas gravadas com sons e esse material vai ficando, passando de um para o outro, apreciado por uns, desdenhado por outros, venerado e rezado ou cuspido e xingado... todas são palavras, todas são tentativas de exprimir o que vai nos corações e mentes das pessoas, dos escribas. Agora mais: agora o povo também se faz presente em palavras escritas e publicadas, em sons gravados em aparelhos pessoais... isso quer dizer que a quantidade de escritos aumenta de forma imensurável, são pilhas, edifício de duzentos andares de papéis com pensamentos, orações, risos e dores, poeminhas e épicos, rabiscos e obras de arte...
Dizem uns que tudo isso é informação. E informação seria para ser absorvida... mas como absorver a informação do mundo e ainda absorver a cultura acadêmica? Em que tempo? Precisaríamos de mais tempo de vida, de menos doenças, menos afazeres, menos trabalho. Se não existe essa contrapartida, apenas aumenta a nossa carga, a nossa necessidade de correr para absorver tudo e separar, ver o que nos serve, perceber o que nos toca o coração. Uma notícia de jornal pode ser importante, mas um poema escrito numa folha amarela, solta, também pode ser valiosa, pode ser uma obra de arte. A carta do desaparecido político pode não Ter nenhum valor para a grande maioria, mas pode ser essencial para sua mãe ou sua mulher ou seu filho... quer dizer, para alguém, cada coisa pode ser importante, essencial, mesmo não sendo para a maioria... aliás de que vale a maioria, por que a maioria vale mais, tem mais peso do que o uno? a mulher velha pode dar valor ao seu caderno de receitas ou seu livrinho de orações, a criança pode valorizar seus rabiscos e um idiota pode escrever blogs... uma pessoa legal também pode escrever blogs.... e tome coisa pra ler

    |
8.11.03

Retiro esse trecho do caderno antes de queimá-lo para deixar mais fragmentos na internet, mais um pouco dessa espécie de lixo que vai se juntando na grande enciclopédia em rede, enciclopédia que é a sua antítese porque de enciclopédia não tem nada e não tem nada exatamente pela possibilidade de todos serem editores, todos escreverem, pessoas sérias ou não, pessoas que dizem a verdade ou não, verdades que não são verdades, que não têm embasamento científico... a internet vira um mar de lama infinito, onde existem aqui e acolá pequenas ilhas de cientificismo (mesmo assim barato) porque o material realmente digno é retirado e impresso.
Josué montello que tem talento dormiu muito poucas horas em toda a sua vida. Trabalhava de dia e escrevia nas madrugadas, produzindo mais de cento e quarenta livros, entre eles alguns dos grandes romances brasileiros. Mas as madrugadas não servem apenas à produção; não, as madrugadas são muito mais feitas de sonos profundos para alguns, de bacanais para outros e de tortura para não sei quantos... a madrugada é o período em que você dorme e acorda, sonha e tem pesadelos e se alivia ao estar desperto, mas cansa de estar acordado no silêncio da noite e dorme novamente com a esperança vã de relaxar e acorda novamente assaltado por tudo o que ia por sua mente enquanto estava de pé. A madrugada torna-se um tempo misterioso, metafísico, onde se dorme e acorda, sonha e vive a realidade, não sabendo a qual dos dois recorrer. As pessoas se embriagam para dormir e acordam no meio da noite, saem à rua em busca de cigarros e não encontram bares abertos, encontram pessoas desvalidas, perdidas. Volta, então, o insone para seu quarto e dormita novamente e mais uma vez, em sonho, volta ao mundo que o persegue e acaba por não saber mais qual o caminho, o que é melhor ou pior. Não há. Não existe melhor ou pior nessas situações; dormir e estar acordado são as duas faces de uma mesma moeda podre, sem valor.
A noite é ainda o encontro verdadeiro consigo mesmo, nos quartos e salas sem portas, onde não há como fugir, onde todo o entorno são espelhos e o que se vê é a si próprio e a sua realidade ainda que muitas vezes distorcida... será? Quando verdadeiramente estará a realidade distorcida? Na madrugada quando todos os gatos são pardos ou à luz do sol quando tudo é ilusão e o céu parece azul e as pessoas e coisas têm uma coloração e uma luz que não possuem a noite? Onde se encontra a verdadeira distorção e a verdadeira realidade? Porque achamos que a noite é mais propícia para o entorpecimento, pensamento ridículo e preconceituoso como se no interior, nosso intestino ou nossos neurônios pudessem saber o que anda pelo lado de fora, em que posição (de rotação) a terra encontra-se em relação ao sol? A madrugada pode ser mais acertada para o ladrão que terá menos testemunhas de seu ato, para a fuga porque as sombras favorecem o fugitivo, para o sono porque assim é convencionado aos que não vivem nos pólos (norte, principalmente).
No mais, qualquer um pode experimentar, a noite é um dia sem luz, um tempo fora do tempo, apenas isso, apenas uma ilusão de que se está passando de um tempo (dia) para o outro... mas é ilusão, é a continuidade da vida, a continuidade do pensamento, da alegria e da dor, do ócio ou do trabalho...
Uma vez eu disse que o tempo poderia se abrir como hipertextos, sobrepondo situações, aumentando umas e diminuindo outras, fixando ainda terceiras hipóteses. Seria um tempo virtual a e não analógico. Não sei se pode ou não ser assim. É uma hipótese, uma possibilidade pensada e não vivida. A vivida é um tempo analógico, com início meio e fim, independente de prazeres e desprazeres, pessoas envolvidas ou não, posições do planeta terra e suas conseqüentes noites e dias.
"O tempo é hoje" me parece mais uma frase de efeito (vulgar) do que um pensamento concreto sobre esse mistério anterior ao Big Bang.

    |
7.11.03

A prostituta se aproxima e se oferece não como prostituta, mas como mãe. Porque talvez toda prostituta tenha algo de materno, de doce, de sóbrio por baixo do aparente negócio do sexo, dos pagamentos e contratos. Ela olha e tem os olhos cansados das noites mal dormidas, noites como a dos executivos ou das donas de casa do interior que igualmente não dormem porque sabem que jaz o abismo entre o que são e o que poderiam Ter sido. Ser e o que poderia ser é um dos enigmas que corroem a consciência da classe média, classe intelectualmente média que não se olha no espelho da alma, não passa do espelhinho do banheiro.
Talvez a prostituta consiga se olhar nua, de corpo inteiro no espelho oval que usa como instrumento de trabalho para a excitação do cliente, se olhar como se aquele espelho oval fosse seu verdadeiro eu, sua consciência plena do que está fazendo e o porquê está fazendo. Nem melhor nem pior que a esposa amantíssima que suporta o corpo suado e meio flácido e meio obeso do marido, que renega a repugnância não sentida porque é a mãe, espécie de virgem maria menos afortunada, é o cálice meio sagrado, só meio.
De sagrado, o cálice da prostitua não tem nada, mas de cálice, de vaso, de receptáculo, de possibilidade de expiação de toda a ansiedade, de todo o desespero do homem, isso ela tem e tem mais do que a amantíssima do lar porque ela é assumidamente a fonte límpida e desejada do guerreiro, é a esperança última do doente, do desvalido, é o porto final do marujo sem nau, é a cama de campanha do soldado desgarrado do batalhão, é o cobertor velho e sujo do mendigo louco... é a mulher que nasceu como todas as outras, filha do mesmo deus, zelada com o mesmo fervor pelos arcanjos pedófilos, banhada nos mesmos sais e óleos, amada como todas as meninas na tenra idade... é a que vende seu corpo ao invés do creme avon por saber que ele (seu corpo) é mais agradável do que a lavanda, que o sabão que os produtos que prometem, mas não aplacam a pele da humanidade.

    |
6.11.03

A cidade anda nublada como Zion, como um filme B, como o final de casablanca... prenúncio de quê? Da desordem mundial, continental ou nacional... porque o destino, parece, foi escolhido em outra época e nos cabe aceitá-lo ou não, tarefa das mais difíceis. Fico pensando se pudéssemos nós mesmos preparar o destino, se a tarefa seria mais ou menos difícil... a não responsabilidade sobre o que vem é ignóbil porque quando chega o momento, há sempre alguém a dizes que se fez por onde, que tais e tais atitudes terminaram na situação que se encontra... será? Então tratamos, na verdade, com um meio destino, que quando é bom foi porque a sorte nos sorriu e quando é ruim foi porque não fomos prudentes, não pensamos no futuro... quando as coisas e pessoas dão certo pode ser porque elas agiram de tal e tal maneira, mas se, ainda agindo daquela maneira, tudo desanda, o destino é invocado, são invocadas as forças sobrenaturais, as conspirações astrais e tudo o mais que se vai fantasiando por aí.
Ou seja, tudo pode ser, como pode não ser, todo o projeto, toda a existência é uma hipótese minha e, há muito arquitetada por um... quê? Por algo ou alguém que... não. É tudo muito mal explicado.

    |

a questão da ira, do post que deletei agora atinge um número muito maior de pessoas e situações e a idéia de querer bem também é mais complexa.... porque se a gente olhar de uma maneira ampla, todo mundo quer bem, todo mundo entende aquela atitude como sendo um bem, aliás um bem plenamente justificável... isso não altera o que o outro sente em relação à atitude do primeiro gerando aí a raiz do conflito humano que não passa enquanto não acontecerem acordos... minto, mesmo que os acordos aconteçam, em algum momento eles deixam de ser cumpridos [e quem rompe sempre está certo de estar com a razão]...
o que resta é não participar de nada, uma não ação budista mesmo por mais estranho que possa nos [ocidentais] parecer... aliás, falo 'budista' por falar porque não precisa ser budista, lembrando que muitos budistas não agem assim... é apenas a filosofia da não ação...
atenção: falo em teoria. não sou assim.
mas posso vir a ser. tudo pode, né?
    |
5.11.03

Essa noite que passou foi a mais complicada porque chovia e parava e o céu não sabia dizer qual era exatamente... e quando nem o céu sabe...
Acho que foi o nelson pereira que disse alguma coisa (ou foi o glauber?) sobre isso, mas naquela época podia dizer tudo porque era bacana, era desbunde, que é bem diferente do que a gente chama de desbunde hoje em dia. Quem falava muito era o peréio e deu no que deu... eu não tenho tanta gana, tanto saco de ficar falando, repetindo, repetindo... tenho pena das coisas não se concluírem de nada nunca chegar a nada por causa do eterno entendimento (falta de, né?)... e é assim em todo lugar, em todo canto, em toda parte
. . . . . . . . .
fica essa coisa meio de gueto, de afastamento, de aprisionamento para não Ter que ver, não levar na veia, não sentir até o fim. Tudo bem, eu falo, falo, mas entendo que as pessoas se agarram a esse processo que procura se agarrar a padrões (análogos) ao de alguma normalidade... têm mesmo que pagar qualquer preço por isso, pra empurrar a vida pra frente.
... e todos nós, de alguma forma, vamos fazendo isso, até a hora em que um elo, apenas um, se rompe e você, grande irmão, cobra esse rompimento, cobra caro, alto, não aceita, marginaliza; grande irmão é mais do que se supunha, porque não é um, é uma rede (não somente a de computadores), mas uma rede organizada, dita sociedade que impõe todas as regras e todos os preços.... e ainda pagando, se você cai em desgraça, será perseguido e marginalizado até sucumbir a você mesmo, ao seu próprio peso.
. . . . . . . .
pode-se ainda mandar algumas cartas para pessoas aqui e ali e essas pessoas poderão ler ou não, dar atenção ou não, tão assoberbadas estão com as tarefas de manter as máquinas, os fornos rugindo para que nada pare.... para que o sistema do imaginário grande irmão que está em cada uma das pessoas, não sinta e então... então não olharão nada, não darão atenção, chamarão apenas de mais uma pessoa fora da engrenagem.
Acho que é mais ou menos isso...

    |
4.11.03

é emocinionante o relato de scliar... do seu personagem buscando na lata de lixo do dops o fragmento do texto de kafka, texto pequeno falando dos leopardos e dos vasos sacrificiais
e pensar que não temos mais um mundo com kafkas e freuds coexistindo...
    |

os dias estão todos cinzentos.... todo dia é a mesma coisa... alguma coisa como uma espécie de teste neuronal, desses testes feitos pra gente não passar... e a maioria das pessoas acaba não passando mesmo.
não faço nada, fico quieto, com o motor ligado, esperando o sinal para a largada. ninguém me diz de onde virá ou qual será o sinal, mas sei que ele virá.
ficar quieto, portanto, com o giro alto, pronto pra pular...
aquela história do ôninbus que "voava" de uma parte do viaduto em obras até a outra, com a sandra, é uma alegoria para dizer verdades que nem sempre estamos preparados para ouvir no conforto do sofá de casa.
    |

as catapultas estão sendo armadas, eu vejo
    |

Agora eu não sei mais se vai acontecer tudo ou não vai acontecer nada, sei que como está não vai ficar, sei que a máquina foi posta para girar, para descer ladeira abaixo e quando essas coisas acontecem (sísifo que o diga) não tem mais poarada não. Ontem, mesmo com chuva resolvi sair de noite, ver o que estava acontecendo... o que vi foram ruas meio vazias, pessoas meio desoladas e mulheres muito maquiadas... as mulheres muito maquiadas parecem que estão indo a um lugar sinistro, estão indo cometer um crime... pode ser que eu esteja enganado, mas as criminosas carregam na maquiagem. Deve ser uma espécie de tara, uma espécie de preparação sinistra como uma festa de bruxas (que existem, existem, eu conheço uma)... aliás, a bruxa que eu conheço, que mexe com os minerais, cristais, com os elementais da terra fica quieta, camaleônica, sem deixar a gente perceber onde está, o que está fazendo; mas ela está fazendo. Trabalha com a mente, cristais e incensos, está disfarçada no lugar mais improvável de se buscar uma bruxa... mas basta olhar seus olhos (claros), basta ser fitado por eles e você estará irremediavelmente perdido... aliás esse negócio da gente ficar irremediavelmente perdido por olhares místicos é muito mais comum do que se imagina (por isso a santa inquisição trabalhou ferozmente). A igreja católica finge, mente ao negar toda a força que as mulheres exercem ao fazer mexer os elementais, ao tornar vapor os sete mares, ao colocar o pentagrama de cabeça para baixo... tudo isso acontece todo dia, em vários lugares e a igreja cuida para que o papa não morra porque ele foi ditador; aliás todo papa é ditador, mais ditador que rei, mais ditador que general, mais ditador que nossos pais... enquanto esse papa estiver lá, nada demais acontecerá, as forças continuarão articulando sem a guerra final. O novo pedro, entretanto, vai guerrear e o onze de setembro vai ser pinto, a favela da maré vai ser nada, a linha vermelha (de sangue) será o corredor nosso para o purgatório, onde muitos não passarão. Nessa hora não tentarei me salvar, vou me colocar no meio da batalha, empinar a roda da frente e partir pra cima (não sei para que lado), marreta e correntes em punho para lutar até o final apoteótico, no temporal do quinto ato do rigolleto.
    |
3.11.03

o cerco se fecha, eu digo a ela, e não tenho muita vontade de lutar. só a boa luta vale a pena, sabemos todos nós. raspar a cabeça talvez fosse mais útil ou então partir para a europa, mas não essa de hoje, mas a do final da década de trinta ou início dos anos quarenta[indiana jones, sabe]. - - - aquele período era interessante, hoje não tanto, hoje vejo televisão preto e branco no quarto e como pipoca em cima do colchão de molas, hoje bato à máquina no computador e recebo mensagens daqui e dali... não. prefiro mudar tudo. prefiro perder as milhas acumuladas no smilles, prefiro perder o carguinho xangai que me oferecem, prefiro andar pelas ruas molhadas e conhecer um pouco desse mundo que tenho driblado (não sei porquê)... muito bem, senhores, aqui estou, querendo a velha europa que não terei, querendo a parceira de aventuras que também não terei e querendo o conhecimento dos mortos enquanto estou vivo que, lógico, também não terei. Então, o que me resta seria danças tango, mas não gosto; nadar, mas não tenho fôlego (foram muitos e muitos anos de camel); ficar numa rodinha de amigos rindo de graçotas imbecis em que não vejo nenhum prazer. aturar chatos então, nem se fala. Ler um pouco, escrever umas besteiradas, ver filmes B e C da televisão, ingerir toneladas de tranqüilizantes e antidepressivos e anti isso e anti aquilo (como se adiantasse de verdade alguma coisa) e pronto. posso ainda disparar uns telefonemas e falar com pessoas, falar umas coisas para consumo imediato, que não ficam mais de cinco minutos nas cabeças. ver a aventura (última ?) de neo (que já sei que não vai me agradar), falar com a Bete e ela me contar que está produzindo pouco... dizer pra faxineira não vir essa semana porque quero ficar na mixórdia, esperar o PT passar e talvez, para fechar com chave de ouro, me enfiar embaixo da mesa como fiz há exatamente vinte e oito anos.
    |
2.11.03

Sempre existe a possibilidade de um pequeno retrocesso, de uma guinada para trás não por covardia ou alguma coisa parecida, mas porque estamos frágeis e necessitados de recompor a vida. Quando criamos uma vida cheia de armadilhas e expectativas, riscos e jogos fica mais difícil sair, porque quando nos damos conta, estamos enrodilhados, como presos numa teia de aranha... quando, entretanto, o propósito final é o quase nada, é o esquecimento, uma espécie de aposentadoria das peripécias mundanas, vale à pena ter um pouco de paciência, desfazer-se paulatinamente de tudo e sumir. Para sempre.
. . . . . . . . . . .
porque são muitas situações incômodas e estressantes em troca de nada, em troca de pequenos prazeres, efêmeros todos, que de dissolvem como bolhas de sabão e não acrescentam nada... fiquei imaginando que, o que acrescentaria alguma coisa, seriam pessoas, pessoas que pudessem participar de um projeto mais ou menos caudaloso, com variantes em vários aspectos para dar à vida um sentido menos branco, menos vazio... mas as pessoas não compreendem muito bem isso, estão presas a outras questões, a situações outras que não permitem um salto de qualidade, preferindo seu cotidiano disfarçado de alegria fugaz. Confesso que já tive muitas expectativas em encontrar e alterar esse pensamento pequeno... hoje estou mais cético, mais cansado. Afinal, posso estar errado eu, quem sabe? Por via das dúvidas, o que me parece melhor é encontrar essa fórmula, esse graal, essa pedra filosofal eu, sozinho, arriscando sozinho que advenha da empreitada... pode ser.

    |
1.11.03

os livros podem trazer o mau agouro como a chuva, como as paredes escorregadias... podemos passar por tudo isso de maneira mais lógica, mas é exatamente essa lógica que traz em si o perigo da insanidade para os outros, na visão do outro... as pessoas são muito duras, sacaninhas de ocasião porque pressentem o momento, a fragilidade, esperam a hora para bater... é preciso estar atento e forte, não ligar para nada nem ninguém para conseguir sobreviver...e, principalmente, saber separar, separar bem, meninos...
    |

Antes do temporal de agora à noite fui a secretário (sozinho, claro) de moto... é um passeio muito bonito, mas não fui passear, fui cumprir obrigações... me sentindo novamente um pontinho negro correndo pela serra. Não parei nem pra tomar coca, vapt-vupt, asfalto, asfalto e mais asfalto... árvores, vales, serra, ar ameno...
    |