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Não possuo nenhuma expectativa maior em relação às pessoas. Convivo com elas na sua justa medida. O impossível na raça humana são justamente as pessoas. Definitivamente, o silêncio não é dos inocentes. Por mais que eu pense bem ou mal das pessoas, elas sempre me surpreendem.O Blog é uma "Carta de Intenções" raramente cumprida. Eu vivo dos meus desequilíbrios* Copyright Nicka. Sempre teremos Paris.... Toda mulher deveria ter quatorze anos.(Nelson Rodrigues) Fez-se da vida uma aventura errante (Vinicius de Moraes) A calma é inimiga da perfeição "Não importa. Tente outra vez. Fracasse outra vez. Fracasse melhor" Samuel Beckett "Toda mulher devia ser a Sandra Bullock" "A Tsunami é Aqui!" "Sou uma espécie de Glória Magadan da vida real" "O chato em essência não existe...O chato é, antes de tudo, uma visão do outro..." "A fecundação é muito parecida com o garçom que mistura leite ao café. Apenas isso. O início da gravidez é um café com leite." "A Internet, repito, imbeciliza as pessoas." "O que as pessoas chamam cultura não é senão um termo pitoresco para a sua ignorância." Saul Bellow. "Quanto mais conheço analisandos, mais desprezo a Psicanálise." "Dormir de dia é um suicídio inconcluso" "O uísque é como um GATO engarrafado. O melhor amigo do Homem" Vinícius e Geraldo "A vida é como executar um concerto de violino ao mesmo tempo em que se aprende a tocar o instrumento"Samuel Butler "A pior forma de solidão é a companhia de um paulista" Nelson Rodrigues "Ser me ocupa bastante" A. Gide "Nada como a brancura cadevérica de um Pé" "Acordar é como um renascer com as cartas marcadas "A fé sem liturgia não tem o fulgor, não tem nada feérico, é como uma fé apagada, inexplicável, pequena, dúbia". "Matar-se é fazer poesia!". "'Quando homens pequenos lançam grandes sombras, é porque a noite está chegando" Nathaniel Lee "Só o suicida morre dignamente". Caminho de cabeça baixa pela praia da vida catando uma esperança. Todos os dias são para mim meu último dia. Um dia, sem me dar conta, meu dia será o último para todos. . O Orkut é uma espécie de lembrança e alerta virtual para um possível não vivido. . |
31.12.03
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O que procuramos nessas noites que antecedem um novo ano? Quando olhamos para o céu, caramba, quando olhamos para o mar e pensamos que um novo ano está chegando, faltam horas (poucas), na verdade. Por que estamos nos desgastando em coisas que nem verdades são e, de tão passageiras e fugazes não importam no conjunto da vida. Será que à cada atitude mesquinha ou em cada pensamento raivoso ou sombrio não estamos jogando pela janela não um momento, mas o momento, a possibilidade de ver de perto, de ver que somos um condomínio de alminhas, pequenas e verdadeiras. Ou falando de outra maneira: em segundos o relógio dos mundos vira um e segundo e é meia noite, muda não apenas uma folhinha do calendário, mas o calendário inteiro. Tudo já foi. Tudo está e tudo pode ser. Temos de certo o passado (porque o presente é passado, claro) e todo mundo está pulando e desejando tanta coisa que nem em muitos anos seriam possíveis de realizar. Mas a felicidade, a felicidade da vida, essa eu acho que é muito possível porque ela não depende de circunstâncias no todo, depende principalmente de cada um, de cada vidinha, de cada pessoinha que compõe o condomínio da via látea ou, no mínimo da Terra. E o que eu quero dizer com isso? Não sei. Tudo me parece piegas e já dito e repetido. Quando os fogos estiverem estourando, iluminando as praias e as cidades... Sei lá, que não sejam só os fogos e as comemorações, que as pessoas se abracem por dentro, se abracem para dentro porque só assim poderão, fazer isso de verdade, com o próximo. Eu acho. 28.12.03
de novo os anos 60... Estive conversando longamente com S. sobre a possibilidade de tratarmos a semiologia como matéria fixa no site novo. E acabamos concluindo que é melhor não. É melhor deixar o usuário fazer a participação e estudas o que bem entender (parece que a literatura comparada é a preferida). Entendemos que estamos lidando com jovens intelectuais, com gente que está na faculdade e um grupo enorme de autodidatas. Pois muito bem, penso eu, que eles façam o que quiserem desde que tenham consciência de que estão tratando de arte, de cultura, de que são produtos e produtores de pensamentos, pensamentos estes que influenciam outros usuários. A leitura dos textos russos (como foi proposto) é uma opção válida, como também o experimento do quadrinho, do quadrinho japonês e a crítica cinematográfica. Existem já em andamento oficinas de vídeo (que estamos tratando em sites separados). Essas oficinas me deram a idéia de que vídeo ou teatro... bom, melhor fazermos oficinas de texto também (idéia rapidamente aceita e já sendo estruturada). Todo o processo da capacitação do jovem ou do velho, mas na condição de um novo olhar sobre o mundo pode e será bem aceita. Pensamos também num manifesto em prol da arte e das novas maneiras de compreender o lúdico e aplica-lo. Muito bem, faremos com a certeza de estarmos trilhando o bom caminho. Não quero deixar ninguém de fora, nem ninguém decepcionado, pelo contrário, para isso estão programados os encontros e debates. E as idéias não param de chegar, cada uma diferente da outra, algumas complementando outras e assim por diante. Um grande laboratório, me disse um deles, deixando-me orgulhoso de participar. Sim, porque sou apenas um participante. Não quero mais essa lenga lenga de liderança. Pode ser necessário, eventualmente, um certo direcionamento, mas será explicitamente pedido. São essas coisas que ocupam minha cabeça e meu tempo. | vou buscar T. para almoçarmos ( com A., claro) Depois cinema. Depois .... surpresa para todos. Estou tão ocupado e com tantas providências para tomar que os dias têm sido curtos. Mas no final tudo dá certo. Fico rindo e pensando que o ap está ficando pequeno. (ou o tempo curto, ou os dois?) Sei lá eu! Ainda tem Itaipuaçu com PD e a 'misteriosa' loja da irmã da C. Caramba! | Hoje tive o desprazer de ler um 'bloguinho' (não adianta que não dou o nome, não farei propagamnda de coisa ruim). Um show de baixaria (e crassos erros) que eu poderia responder facilmente, mas não o farei. Silencio definitivamente. Simples, fácil: Não volto mais lá. Morto e enterrado. Cal e Rodox por cima. | retrospectiva esse ano de 2003 foi muito bom. durante sete meses vivenciei um amor profundo. o tempo não importa, creio. Importam as lembranças carinhosas que trago em mim, o que aprendi e vivi. E trago uma felicidade enorme no meu coração de saber que existem grandes mulheres, grandes pessoas, que existe inteligência, cultura e sexo muito bom numa só pessoa .... Pra mim valeu o ano, valeu mais do que isso, me mostrou que, lá fora, existem as pessoas maravilhosas; é uma qüestão de 'esbarrar', 'encontrar'...E mais: sabendo o que é bom de verdade, sabendo que existe, não me contento com.... deixa pra lá. O resto ? o resto é continuar vivendo no mundo dos possíveis, agora numa vida nova não pelo réveillom, mas por meu filho. E o futuro... quem sabe? Tenho lido ótimos blogs, de pessoas inteligentes, que me acrescentam. O resto eu nem olho. No mais.... nada Procuro ser feliz. | a internet pode ser um meio emburrecedor se o usuário se servir dela como o náufrago de um barco salva vidas. por outro lado, a rede pode sim funcionar como uma bóia iluminada de rumo numa noite escura de tempestade. tudo pode. é uma questão, creio, de "temperança" | ...O homem desceu as escadas deixando seu quarto trancado. Não fez a barba e saiu. Era necessário ir a algum lugar. Não tinha, tampouco, planos nem a ambição de ver algo ou alguém em especial . Sua roupa, maltrapilha, não cheirava bem. Caminhou por uma dúzia de quadras. As pessoas passaram por ele sem dar atenção, sem olhar. Num banco público ele sentou e pegou um jornal de três dias atrás que estava ali, como que o esperando. Leu um pouco, com a dificuldade que sua vista casada impunha. Pensou que nada mudava, que eram indiferentes as datas dos jornais, as notícias e comentários eram sempre os mesmos. Ele sabia que hoje era dia 31 de dezembro, dia de festejos sem fim. Pensou no que fazer. Talvez caminhar pela orla ou então... parou de pensar e deu atenção à criança que se aproximava. Ela parecia não ter nada nem ninguém e falaram. Pouco, como era hábito dos dois, mas falaram. A criança também olhou um pouco do jornal também disse que era o final do ano. O que fazer? Não sabiam. Talvez não fazer nada. Caminharam um pouco e entraram em becos onde as pessoas estavam quietas, acabrunhadas, sentadas no chão ou andando meio em círculos. Eles falaram com as pessoas e, em pouco tempo, todos conversavam sobre o dia, a noite que se aproximava, o ano que ia mudar. Riram um bocado alguns. Um menino falou de deus e todos ouviram. Uma outra menina falou dos pais desaparecidos e todos também ouviram. Puxando um carrinho, chegou um outro homem, mais velho, com barbas e cabelos longos. No carrinho havia de tudo: papelão, panelas velhas e furadas, uns dois ou três bonecos catados no lixo. Juntou-se ao grupo e resolveu dar um pouco de seus pertences à cada um que estava ali alegando que no novo ano juntaria outras coisas, que todos os anos se juntam coisas. Era um grupo num beco. Um beco de esfaimados, de sobreviventes de gente de verdade que olhava o anoitecer e sabia que vinha um novo ano. Nenhum deles tinha calendário, muito menos relógio (salvo um, quebrado, que o velho trouxera). Um grupo, como tantos grupos. Gente, como tantas gentes... (nem sei porque estou contando isso) 27.12.03
os imitadores que me perdoem, mas impagável mesmo é ler o 'dicionário da corte' de paulo francis. ninguém como ele tinha a percepção para burros e chatos. e ninguém espirrava Rodox com tanta maestria. o restolho é imitação barata. bacanas os e.mails saudáveis que recebi sobre o post abaixo. é isso aí, gente, essas visões que vocês me enviaram são bacanas. concordo com algumas, discordo de outras, gostaria ainda de acrescentar alguma coisa à terceiras... mas todo esse material maneiro vai fazer parte do site que estou finalizando sobre as infovias e essa coisa toda que respondi a cada um de vocês. vamos continuar trabalhando assim, dessa forma jovem e legal para tentar melhorar cada vez mais a internet, hoje tão poluída pelo acesso fácil dado pelos blogs a pessoas despreparadas.... continua escrevendo, moçada! Valeu! 26.12.03
Réveillon - 365 dias de show da vida Fico pensando às vezes nos calendários como verdadeiros totens representantes de uma entidade maior, de um deus todo poderoso que regula o nosso tempo. Ficamos, então, presos aos relógios e aos calendários mensais acreditando que aqueles números são verdades absolutas, que os meses e anos são verdades, são marcos que ultrapassamos à cada virada, algo além da nossa compreensão e aos quais somos submissos. Uma hora é composta de sessenta minutos assim como um ano é composto de trezentos e sessenta e cinco dias. Podemos ter trinta, cinqüenta ou setenta anos. Enfim, tudo é regido pelo tóten-calendário a que nos rendemos, a quem prestamos homenagens, festejamos e, principalmente, tememos. Esse pensamento me vem por conta da proximidade do réveillon que se aproxima e com ele toda a expectativa que criamos de um ano melhor, uma vida melhor, mais saúde, paz dinheiro, fraternidade, igualdade e tudo o mais que se possa desejar de uma vida perfeita. Como se a virada do calendário proporcionasse, naquele milionésimo de segundo toda a possibilidade de mudanças tão radicais, como se o novo ano fosse capaz de dar credibilidade, certeza de fazermos o que não fizemos nos cinqüenta ou setenta que já passaram. Como disse, a possibilidade da vida perfeita ou ideal. Como índios, soltamos fogos, bebemos, usamos roupagens especiais, grupos religiosos encarnam seus ancestrais e tudo o que é possível num rito de passagem, numa mega oferenda. Fico então eu me perscrutando por não sentir absolutamente nada disso. A passagem do dia 31 de dezembro para o dia primeiro de janeiro, para mim, é igual a qualquer passagem de dia. Onde estou errado? Que pensamento pessimista me assola? Eu entendo que as crianças festejem por sua própria condição de crianças onde tudo é motivo para festa e quanto mais melhor. Mas eu? E esse bando de gente desgarrada de suas vidinhas numa noite à la Cinderela? E continuo buscando dentro de mim uma explicação razoável. Não encontro por um motivo simples: a meu ver, o grande milagre, o verdadeiro show da vida ocorre no momento do nosso nascimento, na hora em que saímos do útero e temos contato com essa mega experiência, inexplicável, fantástica que é a vida. Ali é o verdadeiro rito de passagem, a verdadeira entrada no mundo, na vida onde existem trilhões de possibilidades para todos, sem exceção, onde todos, de uma forma ou de outra, terão a chance de ver o espetáculo do viver. E depois, cada hora, cada dia, cada ano, cada segundo deveria ser interiormente festejado, deveria ser apreciado como um eterno reveillon constante, contagiante (mesmo nos momentos menos afortunados) pelo simples fato de que estamos aqui, respiramos, nossos corações batem, o sol nasce e morre, a noite e as marés vêm e vão. Esse é o milagre, esse é o verdadeiro espetáculo. Não é o alto falante da avenida atlântica no dia 31 de dezembro. A festa é nossa, é o viver, é estarmos aqui, com possibilidades sempre, infinitamente à nossa frente. O show da vida é, portanto, diário, meus caros amigos. 24.12.03
Tadeu e Natal Faltando cinco minutos para meia noite do dia 25 de dezembro, vejo o Natal, a possibilidade de festa de confraternização como uma utopia, uma droga alucinógena que todos consumimos de forma desesperada e universal. Uma histeria coletiva que termina em sorrisos regados a vinho e troca de presentes comprados a duras penas. Essa é a minha visão, mas agora tenho outros olhos que me ajudam a ver tudo isso. Meu filho, no alto dos seus doze anos vê a festa como algo de mágico, algo de catalizador da família que ele tenta, em vão unir. Vejo, com os olhos dele (meus) que para as crianças o Natal tem um significado muito forte sim, que não adianta meu olhar de enfado sobre tudo isso porque eu não entendo nada da magia da festa. Quem entendem são os meninos e as meninas desse mundo. Nem todos (a maioria) são afortunados nem bem aquinhoados pela sociedade e pelas famílias para vivenciar a festa, mas existe em cada um deles, uma conceito maior. Uma visão de grandeza pura, de alegria pura, de bondade e magia que nenhum de nós pode compreender. Eu vejo porque meu filho me empresta os seus olhos. E quero (e tenho) o seu coração para sentir toda a magia do natal. dos papéis esparsos Eu estava pensando nessa história toda de natal, nessas comemorações em que nada existe para ser comemorado, na falsidade de relações, de abraços, de apertos de mãos e tudo o mais que fazemos nesse período. Depois o ano novo com os mesmos votos de felicidade e prosperidade de pessoas que não querem que você seja feliz nem prospere (até porque, não é o voto do outro que contribui para isso). Esse pensamento incômodo me levou para outros como, por exemplo, as relações de família. Tem essa história toda que a família ajuda que a família quer bem e tudo o mais que já sabemos, como sabemos também que é mentira, que família atrapalha, que a família dá desgostos, aborrecimentos, cobranças infundadas e tantas coisas que cada um sabe, cada pessoa tem lá no fundo, guardada em si, ainda que não fale e diga o contrário. A relação humana começa verdadeiramente quando deixamos a família imposta e buscamos a família escolhida. Aí sim, estamos exercendo o nosso potencial de relação de vontade de. Claro, acontece ao longo da vida de uma determinada formação de família se exaurir, terminar, momento em que ficamos sós, refletimos e colocamo-nos nas mãos do destino que, invariavelmente, nos traz novas opções novas pessoas e nos estimulam a tentar novamente. Creio mesmo que a vida é uma eterna tentativa (que pode resultar numa, duas ou trinta uniões, não importa). O que buscamos, os sinceros, os que desejam viver plenamente é a cumplicidade, a amizade verdadeira no outros, nos outros, no mundo de pessoas em nosso entorno. Enfim, acredito que assim passamos a vida e assim nos realizamos. E aí me vem outro pensamento: as pessoas que vão nos deixando ou que nós vamos deixando para trás. Na medida em que um dia escolhemos aqueles para compartilharem nossa vida, se é sincero, por mais desavenças que nos afastem, algo de bom tem (teria?) que ficar. Como podemos odiar a quem escolhemos para gostar? É um paradoxo, uma não compreensão do que somos, do que fizemos e fazemos, uma perplexidade tola diante de nós mesmos, do que somos. Uma negação do self. Viver um dia de cada vez, compreender e se reinventar deveria ser a regra máxima, pétrea das nossas vidas. Não fazer, negar o outro, negar o mundo, negar o passado e o presente é um eterno apedrejar de espelhos cujos cacos nos custaram e custam caro. 22.12.03
A hora do Rodox Preso, Saddam Hussein disse que o povo iraquiano é uma gentalha. E é. Mas é interessante pensarmos um pouco nessa relação onde o objeto de amor (ele amava seu povo e por ele era amado) que não se achava (ou melhor achava, sabia que era, mas não dizia) gentalha.Segundo suas palavras, Sadan "amava" seu povo. Hoje o povo diz que ele deve ser crucificado e ele chama o povo de gentalha (e é.). É gentalha porque vive num mundo irreal, um mundo sem amor, um mundo onde as relações são, na verdade de ódio, de complexo, de reação a alguma coisa. O que o povo sentia por seu Saddan era, antes de tudo, medo da vida sem um líder ou talvez o inverso: o pavor do líder. Assim como povos, existem pessoas que, não suportando sua própria neurose, seus dramas, sua incapacidade cognitiva do mundo tal como ele é, sustenta-se numa possibilidade de relação (frágil) que só permite o amor (falso) ou o ódio (verdadeiro). Mas, repensemos: por que o líder chamou seu povo como um todo de gentalha? Não existem lá doutores, advogados, médicos, engenheiros? Existem. Mas essa coisa da classe, da forma de agir é atávica. Cursar uma faculdade (ou mil) não muda essa maneira "menor" de ver. Então, se não te possuo, te odeio. Um iraquiano, por exemplo, na visão de Saddan não sabe o que é sair à francesa. (porque implica em moderação e educação). Não possuindo a capacidade de exercer nenhuma das duas, é apenas um jeito iraquiano de ser. E a opinião do líder sobre os iraquianos... bom, já sabemos qual é. Mas, ainda no terreno das conjecturas, se tal pessoa existisse, eu diria que tudo se explica: No fundo é o ódio incontido, deixando transparecer quem realmente é pelo sentimento (duro) de uma vida inteira de perdas. E as perdas, na idade (avançada) da loba somada à incapacidade de se expressar pela escrita (medíocre) deixa aparecer o status dos nossos iraquianos na visão de seu ex líder. Hipoteticamente, seria a hora de sacarmos nosso tubo de Rodox, diria Paulo Francis. P.S. Nada contra os iraquianos, apenas repeti a opinião de seu ex líder, Saddan. 21.12.03
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19.12.03
O leãozinho desdentado Definitivamente caetano veloso está passando (ou entrando) num processo de demência (senil?)... como pode o mesmo homem de alegria alegria, de trem das cores, de terra e tanta coisa acabar se gabando de crítico literário, autor de livros e cineasta??? Ele bota a boca no trombone não por talento para o cinema, mas porque gritando fica mais fácil. Pra mim de extremamente deprimente ele contar a historinha de que o Glauber disse que Paulo Francis ia morrer em NY sem ver o que de criativo se faz no Brasil. Caetano tem recalque do Paulo Francis ter dito numa referência a uma peça encenada na Bahia : "não acredito que numa província como salvador possa se fazer teatro que um mínimo de relevância". Paulo tinha razão, dizia verdades &e morreu sem ir à Bahia & Caetano diz que é sorte da Bahia. Bobagem. Ele é baiano e sabe: a Bahia é um lixo (tanto que ele está aqui e em NY onde Paulo Francis estava e não em salvador. O que ele queria? Que o Francis morresse na Bahia e não conhecesse NY? Tudo isso por causa das críticas do bendito Cinema Falado que Caetano quer que a gente engula. Não adianta: é ruim. Ruim como Araçá Azul, álbum que, segundo ele, ninguém ousa criticar. Ninguém quem, cara pálida? Araçá azul é péssimo, todo mundo sempre disse que é ruim e só foi aceito como complemento à obra posterior de Caetano. Enfim, uma salada geral. Nosso poeta e compositor está perdendo as estribeiras e se achando ícone de todas as manifestações culturais. Não é. Nunca foi. Seu livro é chato, ninguém leu, seu filme é insuportável e Paulo Francis teve a sorte (e bom senso) de não conhecer a Bahia e acabar em NY. 17.12.03
nós e o planetinha Tenho dormido muito pouco e com um sono leve, cheio de sonhos lembrados, cheio de angústias dos despertos. Parece que todos os estudos do sono mostram que não chega a ser propriamente aquele período o de descanso total, visto as atividades cerebrais produzidas no período. Não sei se é verdade e me interesso pouco em saber, visto que diariamente surgem novas pesquisas médicas e científicas, todas contraditórias. Cada um corre para um lado com suas pesquisas garantindo que estão avançando, encontrando fórmulas quase milagrosas. Tanto se me dá. Estou bastante satisfeito com o mundo e a era que vivo, acho que temos cirurgias e remédios bastantes para levar uma vidinha razoável e acho que 50, 60 anos já é lucro. E nem vou entrar nas elucubrações de que viver 60 ou 90 anos dá no mesmo depois que a gente morre. Deixo isso para os interessados. Quero mais é saber o que acontece por esse mundão grande, achar graça de do Sadan parecer o Plínio Marcos... quero andar por bares e livrarias vendo as modas, vendo que o Brasil é burro, tem uma gente inculta, que não temos acesso a livros & filmes & peças & shows de uma maneira geral... que estamos sempre na rabeira e que mesmo quem tem dinheiro para comprar fica sem opção numa livraria por exemplo. A internet, quero dizer, nossos modos na informática são bem avançados, parece que não devemos muita coisa ao primeiro mundo. É um alívio com certeza, embora me incomode um pouco ter câmeras digitais de última geração, mas não ter um livro recém lançado em Paris ou ter que ir para o norte assistir Cats, por exemplo. Porque o mais estranho nessa história toda é que as pessoas se acostumam e não reclamam, não sentem falta, nem sabem o que está acontecendo, o que poderiam estar conhecendo... porque é conhecendo que todos podemos ter uma visão crítica do mundo, não é não? Acho que isso é importante: não é conhecer para deitar erudição que isso é bobagem, criancice, mas é conhecer para ter elementos de comparação, para ter um olhar mais crítico do mundo (e não me interessa se vou viver 50 ou 90 anos). Fico me perguntando também o que estou fazendo aqui se tenho uma casa no campo onde posso me dedicar aos estudos, às artes, ao conhecimento de mim mesmo de maneira mais profunda... que medo é esse que faz a gente se agrupar, ficar em pseudo-rodinhas como se um fosse a frágil bengala do outro? Do que eu tenho medo? Do que as pessoas têm medo? Deixar de ganhar dois mil reais, deixar de ter o prontocor ali na esquina, deixar de receber um (im)provável telefonema à meia noite? E tudo isso em nome de quê? O que eu quero saber mesmo é porque a gente corre tanto e de maneira tão insegura pela vida, buscando, olhando, comprando, garantindo... de que me adianta a letras se não tem os livros que eu quero, do que me adianta o prontocor se o coração é uma bomba pronta a explodir, do que me adianta o colégio bacaninha se nossa capacidade de aprender está em nós? O que faz um homem ser o animal mais incapaz de tomar uma atitude desse planetinha? 16.12.03
Um alerta carinhoso. Tenho me interessado um bocado por todos os caminhos e processos que percorremos na internet. Durante um tempo, acreditei poder acrescentar alguma coisa ao que estava sendo feito (quem sabe o que consegui?, mas acabei sugado peka garganta profunda da rede de computadores e seus usuários (nós), pela quantidade de pessoas que estavam ali, pela forma como buscavam e acrescentavam, somavam e subtraíam. Fui surpreendido pelo paradoxo de um mundo à parte, ainda que nos moldes do nosso. Terminei por perceber que nada havia mudado, apenas nós tínhamos nos enfiado nas máquinas, elas são um roupagem binária para nada mais nada menos do que nós mesmos. Aqui estão todas as dúvidas, incertezas, inseguranças... todas as nossas vontades, crenças, convicções... E acho que nesse emaranhado, os blogs formam um tecido mais humano onde nós, pessoinhas, podemos sentar e contar nossas vidas, recria-las até, chorar nossas mágoas e rir muito de nossas alegrias. Alem de óbvio serviço jornalístico que os blogs prestam, vejo neles como que pequenos apartamentos, pessoas à luz do abajur escrevendo sobre suas vidas e seus mundos. E isso, pra mim, é muito bacana. Mas, como o ser humano não é perfeito, muitos levam para esses sítios todas as tramas, toda a urdidura do dia a dia não apenas de forma que flua, mas suas frustrações, preconceitos, traumas... Houve uma fase que eu por aqui era mais combativo e coloquei uma garota pestinha arrogante do interior de São Paulo em seu devido lugar: o interior de São Paulo, apenar da net enquanto eu continuava vendo o Redentor... Depois uma outra, com fumaças de intelectual, mas rainha do terreno das intrigas que encobria-se por sua séria doença. Dei porrada nela à vontade, com todas as suas doenças e ela, o que me alegra não morreu, continua por aí em seu delírio de íntima dos eruditos, dos literatos. Que fazer? Não sou psiquiatra. Contei essa historinha porque antevejo outra pessoa, usando de uma terceira, inocente, linda, aproveitar-se desse espaço para destilar seus problemas pessoais, traumas, idiossincrasias, neuroses. Não faça. Não repita a triste história que outras já trilharam. não sou muito de dar notícias, mas tenho informações bastante seguras que será em outubro de 2004 o lançamento de um novo partido de esquerda.... nele vão estar todos [os muitos] descontentes e decepcionados com o atual PT usar o blog pra ficar mandando recadinho para as pessoas como a patrícia tenta fazer comigo é uma tolice. é por por isso que a lúcia guimarães diz que blog é "trenzinho elétrico do ego". Pode não ser. Mas no caso de pessoas que não conseguem falar e têm que usar isso aqui como a patrícia (não vou dar o endereço do blog dela não), é sim. já imaginou se eu resolvesse mandar meus recadinhos também, se eu entrasse nessa (menor) ? Mas eu tô fora, claro É uma bobagem.... Porque frustração de não falar se cura de outras maneiras, eu acho... mas essa atitudezinha não deixa de ser um saco. Essa bobagem da discussão sobre o Diogo Mainardi... putz, que chatice! Especial não são as crianças, são os pais. Tinham que ter terapia, todos! Uma vez eu arranjei um barraco com uma turma insuportável dos blogs, não quero isso de novo.Tudo bem, a culpa é minha, basta não visitar mais aquele espaço. E não me façam falar! E triste..... fico olhando os peixes dourados voando ao lado dos canários e me pergunto se enlouqueci de vez ou se é efeito de alguma droga que esteja sendo injeta em mim enquanto eu durmo... ou nenhuma das alternativas acima. lendo o livro que conta a ida de Dostoiévski a Petersburgo [muito legal]... continuo escrevendo o Outras Plavas [falta de criatividade, né?] (esse no computador com fonte verde). se uma hora eu der uma pirada legal eu publico tudo aqui... ia ser engraçado porque tá tudo lá, com as situações, os fatos e os nomes verdadeiros... talvez eu não publique porque ainda não está tudo devidamente anotado, devidamente explicado, daquele jeito que a gente gosta, com início, meio e fim... mas, quem sabe uma hora? o outro me manda ir na pet shop ver se é possível encontrar num lugar improvável a mais provável das possibilidades - por que não? não sei. não estou me guardando para quando o carnaval chegar, lá iso é verdade... Dia quente como há muito não rolava. As pessoas têm uma semblante de quase súplica aos céus. Parece que ninguém agüenta, esqueceram como o é rio de janeiro. Esqueceram muitas coisas, esqueceram que essa era a terra de tom e do amor demais, agora de ninguém, dos bondes, dos blindados, da gente feia e perigosa, terra da polícia acuada, assassinada, da polícia que não pode mais policiar, que corre dos carrões do tráfico. Aqui é a terra do concurso pra gari, terra da rosinha, do arrastão, da praia poluída, do medo. Terra onde durmo com o 38 em baixo do travesseiro e, na mesinha de cabeceira tenho sempre duas caixas: uma de tranqüilizante e outra de balar carga dupla, carga total pra descarregar se tiver chance. 13.12.03
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o quê, realmente? Caminhar essa vida me parece mais pesado do que deveria ser. Não trato aqui de depressões nem tristezas ocasionais. Penso na vida de forma simples, pragmática mesmo. O maior dos nossos problemas é não estarmos fazendo aquilo que realmente desejamos e, de preferência, com quem queremos. Talvez seja pedir muito, mas será? Será que a vida tem que ser o que é com sua rotina babaca, suas frustrações maiores do que realizações, o convívio com pessoas que não são o que esperamos e por aí afora? Será que esses momentos de alegrias e realizações bastam para recompensar a vida como um todo, como uma espécie de obra? Eu acho que não. Acho que tem alguma coisa de errado, de inexplicado que poucas pessoas param para pensar se agarram nisso até dissecarem a totalidade de explicações de possibilidades contra e a favor de uma coisa mais plena. Tava falando dia desses de como muitas das vezes temos atitudes erradas, como somos bovinos o tempo todo, como aceitamos em nome de nada uma quantidade enorme de atividades e convívios que não os que desejamos. E tudo isso em nome de quê? Da normalidade? E quem disse que temos que viver dentro desses parâmetros criados por terceiros de um certo equilíbrio, de uma certa compensação? Não. Positivamente, eu não estou convencido. - conto com Artur e Berlie - 12.12.03
... Tem que ficar atento meu irmão porque tem razão quem escreve assim com rima... Brincadeira... é que eu tô revendo um song book que o Almir fez do Vinícius e aí me deu uma saudade... saudade gostosa, dessas que vem daquele carinhosinho, coladinho no coração (zinho?) do Vinícius... O Vinícius é para mim o pai que eu queria ter tido, o avô, o tio, o parceiro, o amigo... ele é um dos meus formadores junto com Sartre, Camus, Roy Sheider, Sinatra, Caetano, Pessoa, Bergman, Carpeaux, Tom, Marlon Brando, John Lennon, Goya, Sean Connery, Dostoiévski, Miles Davis, Paulo Francis, Gene Kelly e sei eu lá quantos eu estou esquecendo (e são meus ídolos). Olha, o que eu mais tenho é ídolo. Como eu gosto de gente! Gente, gente. Gente pra ser ídolo. É muito legal você dizer: caraca, como aquele cara é bacana! Como eu queria ser igual a ele! E Vinícius sempre esteve ( e estará ) muito pertinho de mim... 11.12.03
Lúcia (Manhattan) Guimarães, disparou por aí que "O blog é o novo trenzinho elétrico do ego" Eu não sei.... é e não é. Preciso pensar melhor.... | 10.12.03
as cores continuam nos meus projetos, parece que falta é tempo mesmo. estive olhando determinadas tonalidades de verde que me interessam porque me falam de uma pessoa querida com data para morrer. essa pessoa 'é o próprio verde'. aprendi muito sobre a cor com ele. agora não tem mais jeito. Bom, também não posso reclamar muito: privei da sua companhia. Tava falando com ela à respeito dele e de sua morte anunciada, de como estão tratando tudo isso. Engraçado como a gente muda, repensa tudo quando a morte está anunciada (como se não estivesse desde que nascemos). Disse a ela que sempre o dia de hoje é uma possível véspera da morte e não nos tocamos. quero me tocar. quero falar mais com ele - não sei muito bem ainda como.... e quero salvar um jovem inocente adulto... pra mim, tudo isso é um bocado Reunião com o grupo de criação: resolvemos trabalhar mais com a literatura, deixando o vídeo como complemento. Os meninos da literatura são verdadeiros abnegados, gente com vinte e poucos anos trabalhando com comparadas, etc. teve uma turma que tendeu para a filosofia, mas a maioria ficou na narrativa pura arte. Projeto ambicioso desses que dão prazer. Conrad, Joyce, Tolstói, Updike, Casares, Calvino e por aí vai. Claro tem sempre os de alma tuberculosa que insistem em priorizar a métrica, a poesia. Depois de um preâmbulo contido (parecia um chá de moças do início do século XX) todo mundo foi ficando mais à vontade e, no final, voaram livros, manuscritos e tinham três socando as mesas. Foi interessante. Agora é trabalhar. Vamos veio como me saio com eles (no fundo ainda estão um pouco assustados). Conto com Artur e Berlie. - - - - > Eu fico pensando às vezes que é meio cansativo esse papel bobinho que querem me impingir de irascível e mal humorado. Acho que não o sou. O que eu tenho é uma profunda impaciência com gente chata e burra. E quem são os chatos? Muitos. E os burros? Burros, imagino, sejam aqueles que não entendem o que eu digo (ainda que eu esteja dizendo uma burrice). Você fala determinada coisa uma, duas, três vezes. Depois desiste porque, se não entendeu, o interlocutor é burro. Burro e chato por persistir. Não importa o quanto eu me desdiga ou quantas asneiras eu diga: basta o sacripanta entender e me mostrar (com argumentos!) que estou errado. Mas as pessoas têm a síndrome de enceradeira: ficam rodando sem sair do lugar, respondendo qualquer coisa só para dizerem que responderam, que são rápidos no ataque. Uma pessoa que, eventualmente, me responda rapidamente uma sandice, uma burrice daquelas que dói não passa de um idiota e não de alguém que tem suas convicções. E o que se espera de um ser sem convicções? Eu espero que esteja sempre bem, beeeiiim distante de mim. Por isso gosto do Artur e da Berlie 8.12.03
sobre a tolerância zero Eu andei tentando ser complacente (mas não sou hímen) com as pessoas e as coisas. Acho que li dalai lama demais. E o que acontece quando você age assim é um descompasso de sentimentos, em desentendimento maior do que o previsível e um mal estar mais acentuado do que se a ação fosse mais direta. Esse é o preço de você querer agir de maneira mais suave, mais compreensiva, de uma maneira que envolve sentimentos e maneiras de pensar que não são as suas. Não dá pra gente tentar ser o que não é. À meu favor tenho a idade avançada. Talvez por medo da solidão (tolice, meu deus, tolice) eu tenho feito concessões demais em tudo, para tudo, deixando passar um ser que não é, uma filosofia que não é. Medo, com certeza. De quê, tenho que ver com mais vagar, posteriormente. O importante agora, creio, é a tolerância zero nas relações. Não é difícil e faz menos mal às pessoas. Eu sou assim, minha expectativa é essa e essa, acredito nisso e naquilo, desprezo aquilo e aquilo outro. Não sou bom. Não acredito na bondade. Não chego a ser niilista. Ponto. É isso. Você gosta de mim? Eu sou uma pessoa legal de conviver ? Ótimo. Não sou? Você pensa completamente diferente e quer fazer parte dessa classe meio bovina que caminha junto com a humanidade? Tudo bem também. Eu aceito e respeito. É só uma questão de sinceridade. Simples. 7.12.03
definitivamente chata Não tem esse papinho que a gente faz as coisas serem assim ou assado. Não é nada disso. O negócio é que eu acho essa vida muito chata. Acho e digo. Tem quem ache e beba até cair, tem quem ache e faça longas caminhadas... e por aí vai. Mas vamos e venhamos: a vida é chata, cansativa, com poucos atrativos. Bom falar disso. Essa talvez seja a questão: a vida tem realmente atrativos. A gente encontra aqui e ali coisas legais, assuntos interessantes, filmes legais, pessoas bacanas... são os atrativos. São os momentos em que nos sentimos felizes e nos alegramos de verdade por estarmos vivos! Mas são os atrativos da vida. Pontuais, efêmeros. A vida não é só de atrativos. A vida é rotineira e chata, temos mais aborrecimentos do que momentos de alegria, conhecemos um número maior de crápulas do que de pessoas legais, etc. Mas como estamos vivos mesmo e suicídio é tabu, é coisa pra maluco, a gente vai levando, vai empurrando pra frente, sempre na expectativa de uma coisinha legal aqui e ali (e elas acontecem!). depois volta tudo à mesmice, os aborrecimentos, as pessoas chatas e a gente segue caminhando. Acho que é por isso que todo mundo sabe que uma hora vai morrer e nem por isso se desespera, ao contrário, nem pensa nisso. | ainda sobre mulheres Eu nem ia tocar no assunto porque não adianta nada, mas acho que sempre é bom dar um toque. Pelo menos, eu mesmo releio e me convenço. É a velha história da relação que não se concretiza. As pessoas não podem querer forçar determinadas compreensões mútuas simplesmente porque as pessoas não são mútuas. O que é bom pra mim, não é bom pra você, a minha verdade não é a sua verdade. São fatos. Quando as pessoas se juntam (e eu volto a repetir que acredito no casamento) existe um consenso, uma união de idéias e predisposição (principalmente) para a aceitação do outro. Talvez por isso os casamentos aconteçam na juventude ou início da maturidade. Depois de uma determinada altura da vida, as mulheres (e alguns homens) empacam em conceitos preconcebidos e não abrem mão daquilo. Ficam ali repetindo besteiras, negando-se a olhar, a ver o fato, a ver do que se está falando, negando-se a ver o outro. A mulher de meia idade, a meu ver, emburrece sem querer, sem maldade. Ela não consegue perceber que não aprendeu, que viveu errado, que sempre é possível mudar e ter uma qualidade de vida melhor compreendendo e aceitando (ou não) as coisas. A mulher acha que não pode voltar atrás que não pode se prostrar diante da realidade do seu homem ou de qualquer homem. Ela precisa discutir, precisa mostrar que está certa, mesmo que para isso minta, despiste, negue, se contradiga, etc. Existem, é claro, exceções (eu mesmo tenho sido bem aquinhoado pelas exceções). É uma pena porque as pessoas todas, de uma forma geral, saem perdendo. As relações são mais frágeis, as mulheres mais infelizes dentro das suas verdades. Acho que não estou falando de caráter ou de má vontade não. Acho que estou falando de uma coisa pior: a mulher é liberada há muito pouco tempo, ainda não maturou o suficiente para entender que tem que aprender tem que rever, que não está perdendo nada em rever, em repensar. Fico imaginando que a mulher tem uma espécie de compromisso com a classe de não ceder, de ser independente e firme, custe o que custar. E o qual o preço? O isolamento. A prisão, o aprisionar-se aos grupinhos de solteironas mal resolvidas que ficam pela noite tentando se distrair, rindo dos homens e reafirmando suas certezas. Depois, cada uma vai para sua casa sozinha e chora. Ou pior: não chora. Dorme o sono dos justos achando que é assim mesmo. No dia seguinte preocupam-se com a TPM, mais na frente com a osteoporose até o fim. (Tudo isso acontece com homens também, só que em número muito menor. O homem é mais cordato, mais atento ao seu entorno, mais propício a mudar, mais dado ao amor) 6.12.03
o lixão de copacabana Parece que a guarda municipal já viu dias melhores. No centro da cidade, apesar de todas as ações, não consegue desarmar a máfia dos camelôs. Por que não pegam pesado? Medo de quem? Agora me explica: nos finais de semana, a máfia não trabalha muito na cidade porque a escumalha vem para a zona SUR... Por que o alcaide Cesar maia não reprime a camelotagem (bandidagem) que infesta a av. n. s. de Copacabana aos sábados? Do jeito em que está, não teremos mais turistas nem de minas gerais [quiçá os bandoleros argentinos!] por aqui - - - - >existem umas coisas (muitas, né?) que eu tenho uma profunda e renitente dificuldade de expressar. uma delas é com relação à informação e cultura porque nós todos, creio, somos produto do meio que escolhemos (ou a que fomos submetidos). e isso é um atrapalhador renitente na relação das pessoas comigo, não porque eu saiba mais, mas porque o meu saber (grande ou pequeno) é desordenado e autodidata. teve uma fase em que eu defendia esse autodidatismo com unhas e dentes, achando a cátedra quase que um mal (como hoje acho o celular e o computador quase que um mal). porque eu não tenho uma formação completa em nenhuma matéria (não sou um físico nem um engenheiro nuclear), não podendo assim debater com meus pares sobre a física ou a engenharia nuclear), eu não tenho especificidade; aliás, eu não tenho especificidade em nada na vida). - - - >me sobrou (talvez por genética, talvez pelo convívio com artistas na infância e juventude) uma certa atração pelas artes, muito especificamente pela literatura influenciado pela minha tia. Mas não uma literatura comparada com mestrado ou doutorado. Não. o simples prazer táctil de manusear livros, de entrar em livrarias e ler histórias de amor, histórias policias, histórias da vida...(mais tarde eu me afastei da linha de leitura da minha tia também quando procurei um pouco de filosofia). daí eu segui em frente, colecionando livros (como se coleciona selos), procurando ler de tudo um pouco (processo que me gerou muita angústia porque nunca pude trabalhar com literatura e, portanto, tinha pouco tempo para esta, passando a maior parte do tempo gravando novelas e tal). mas lá, nas novelas, por exemplo, eu procurava entender as coisas sob a ótica da arte literária (como produzir a novela Helena sem ler o romance de Machado, ou Senhora ou A Moreninha ou O Feijão e o Sonho?) enquanto os outros eram produtores ponto eu era um pouquinho mais porque conhecia a obra original, ia lá, ficava lendo de madrugada e essa coisa toda. - - - - - > não, não sou um erudito; longe disso. não li todos os clássicos (quá, quá, nem um por cento!), não cheguei a participar ativamente de nenhum grupo literário e não produzi nada. eu sempre digo que fiquei no meio do caminho: nem lá nem cá. tampouco posso dizer que não sofri (sofro) influências. sim! muitas! conheci o mundo e alma humana através da arte, através do teatro, do cinema e, principalmente, da literatura. Todo o arcabouço de vida no sentido mais amplo foi retirado daí para a minha construção (?). e hoje eu vejo, com pesar, que isso também não é completamente razoável porque insiro-me em lugar nenhum, passeio pelas pessoas e percebo que elas não são assim (talvez sejam normais), elas não compreendem o que estou falando, porque estou dizendo isso e aquilo e muito menos se emocionam e vibram com a arte. e daí, meu caro, nasce o abismo. nasce o abismo entre eu e as pessoas que não estão vendo do que estou tratando porque não conhecem os referencias e não conhecendo, simplesmente não podem compreender e não compreendendo me irritam e eu a elas por parecer pedante num círculo vicioso impossível de ser quebrado. Imagino que a responsabilidade por esse descompasso seja exclusivamente minha, mas o que fazer? - - - - > (*Escrevo isso por uma noite de descompasso com P.*** e outras noites de incompreensão com tantas pessoas que me foram caras e não consegui estabelecer contato) 5.12.03
a comunicação leva em seu bojo um quê de arte. na maioria das vezes muito discreta, muito assustadora ou muito impactante... depois complicaram tudo e dizem que a vida imita a arte e outros que a arte imita a vida... ninguém imita ninguém, tudo caminha junto, paralelo, entrecruzando-se aqui e ali... e nos blogs? como vai a nossa possibilidade de arte? vou revisitar o branco. existem várias tonalidades com suas peculiaridades e embrenho-me em todas... a vermelha mexe comigo e me deixa confuso; a azul me dá agorafobia; gosto da amarela e da verde... os tons de verde, gosto dos tons de verde... dia desses estive pensando num arco íris totalmente verde, deve ser o máximo... porque verde é o mar, verdes sãos os olhos, verdes são as plantas... o cinza é o mistério, a dúvida, o enforcado fingindo-se de temperança. o cinza é covardia. cinza dói. roxo, laranja, amarelo, marron... imagens que temos e não possuímos, são como a verdade que cada um vê de uma maneira, não existem cores iguais para pessoas diferentes, nada é igual. Nem o preto nem o branco são iguais para duas pessoas e isso é como impressão digital às avessas, mental porque é no cérebro ou no espírito que as cores se diferenciam e não há como comprovar nem como arbitrar... quero, então, pintar a casa de branco, o boné branco, o lençol branco o leite branco. esse mergulho no branco pode ser devastador porque o branco é devastador. as pessoas convivem com os brancos e não se tocam que estão caminhando no fio da navalha, que podem cair, que o branco é o limite da sanidade. 4.12.03
não podemos viver na mentira não podemos enganar o outro muito tempo...e, afinal, nem a nós mesmos... é duro, édifícil falar de coisas íntimas, dos segredos que temos, das coisas mais profundas da nossa impenetravel mente. nunca se sabe quanto tempo ainda teremos para falar, contar, desabafar. Por via das dúvidas, devo confessar: sou absolutamente, totalmente, irremediavelmente viciado nos seriados Lei & Ordem e no Crossing Jordan do USA essa sopa de letrinhas aqui (que nem letrinhas são) tem tomado uma parte do meu tempo... a minha vingança é que toma o tempo de outras pessoas também enquanto estão lendo. essa mania cresce acada vez mais e já é difícil você encontrar quem tenha acesso à internet e não tenha sua página. se isso é bom ou ruim? acho que é bom, com muitas variantes ruins. Sério. Estou escrevendo sobre isso no último caderno Silhueta de capa dura da casa Cruz | não adianta nem tentar me esquecer ou acho mesmo que sou inesquecível. tanto para o bem como para o mal. tem gente que não me esquece porque me odeia, quer que eu morra e tal. outros, porque gostam de mim (número reduzidíssimo)! se eu tivesse alguma característica muito especial, seria compreensível, mas não tem. porque... assim... o que acontece é que eu me destaco das outras pessoas. eu incomodo (inclusive a mim mesmo). tô escrevendo essa bobagem toda por causa de uma conversa que tive com um camarada. ele estava tentando entender uma coisa simples sobre a passagem do tempo. e eu expliquei uma vez, expliquei outra vez, na terceira eu mandei, educadamente ele se foder. ele não sabia o que me responder. eu disse: me chama de mulatinho pernóstico, seu babaca. me chama de pernóstico porque pernóstico ofende! lembra Nelson Rodrigues! mas não adiantou, ele não teve a agilidade mental pra falar. deixei o cara sozinho e fui andar pela rua e tomar sorvete. porque agora é isso, eu me drogo de sorvete! Tomo over dose de EskiBon Crocante... babo na camisa... o bigode fica todo grudento... descobri que chocolate no bigode com valium é melhor do que esctasy. Sério. Reli as páginas amarelas da VEJA ontem e fiquei mais puto ainda. Não vou reler mais. Não adianta. Qualquer dia desses eu vou me trancar em casa e ler a obra interinha (i-n-t-e-i-r-i-n-h-a) do Borges, depois a do Ítalo Calvino*** e o volume completo de cartas da Florbela Espanca. Quando acabar, o governo já terá mudado, o mundo será outro, eu terei morrido e essa tela será de plasma. Bye 1.12.03
minha cabeça fica rodando a mil, mas não no bom sentido. parece uma enceradeira que não sai muito do lugar. mas eu compreendo que deva ser assim mesmo porque afinal, estou buscando algo mais, algo que não tem muito por aí, que não é a proposta de todos nem da maioria dos viventes... a meta dos viventes é viver. a minha não. porque viver não poderia ser meta já que estou vivo, não fiz a menor força, não tive nenhuma participação nem influência na vinda para a vida. portanto, assim, dessa maneira meio ordinária, a vida não me interessa. É mais ou menos como se eu fosse um peixe. um elefante ou uma ameba: início, meio e fim. muito bem. Isso, como eu dizia, não me interessa em nada. claro que nasci, tenho a vida com altos e baixos, adoeço, me recupero e um dia, como deus quer, morrerei. eu e todos. o que me causa curiosidade é o porquê das coisas, como elas se dão no plano filosófico ou lá o queiram. mas entender como estamos funcionando, o que estamos fazendo e o que deixaremos e, se deixarmos, porque deixamos e para quem. na sociologia, na história, em todas as matérias vemos que as coisas vêm acontecendo, atitudes são tomadas, outras postergadas, vai-se à guerra e procura-se a paz e tudo isso é muito, não é coisa de ameba. existem motivos relevantes, motivos que ultrapassam nosso estudo simplório desses fatos. e as pessoas (poucas, é verdade) que participaram desses momentos, ditos históricos, não devem ter vivido toscamente, tipo canudo. devem ter pensado e agido com ideais próprios baseados em pensamentos e conclusões a que chegaram sós ou em restritos grupos. por que estou falando isso aqui? esqueci. |