Por favor, me negue o cumprimento.


SORRIA!

....

...são pedaços de papel, folhas de cadernos, guardanapos sujos e restos de cabeça insone...

Leia da forma que achar melhor, não tenha compromisso com nada. Eu também não tenho.


English




ARME-SE MAIS!



Não possuo nenhuma expectativa maior em relação às pessoas. Convivo com elas na sua justa medida.

O impossível na raça humana são justamente as pessoas.

Definitivamente, o silêncio não é dos inocentes.

Por mais que eu pense bem ou mal das pessoas, elas sempre me surpreendem.

O Blog é uma "Carta de Intenções" raramente cumprida.

Eu vivo dos meus desequilíbrios* Copyright Nicka.

Sempre teremos Paris....

Toda mulher deveria ter quatorze anos.(Nelson Rodrigues)

Fez-se da vida uma aventura errante (Vinicius de Moraes)

A calma é inimiga da perfeição

"Não importa. Tente outra vez. Fracasse outra vez. Fracasse melhor" Samuel Beckett

"Toda mulher devia ser a Sandra Bullock"

"A Tsunami é Aqui!"

"Sou uma espécie de Glória Magadan da vida real"

"O chato em essência não existe...O chato é, antes de tudo, uma visão do outro..."

"A fecundação é muito parecida com o garçom que mistura leite ao café. Apenas isso. O início da gravidez é um café com leite."

"A Internet, repito, imbeciliza as pessoas."

"O que as pessoas chamam cultura não é senão um termo pitoresco para a sua ignorância." Saul Bellow.

"Quanto mais conheço analisandos, mais desprezo a Psicanálise."

"Dormir de dia é um suicídio inconcluso"

"O uísque é como um GATO engarrafado. O melhor amigo do Homem" Vinícius e Geraldo

"A vida é como executar um concerto de violino ao mesmo tempo em que se aprende a tocar o instrumento"Samuel Butler

"A pior forma de solidão é a companhia de um paulista" Nelson Rodrigues

"Ser me ocupa bastante" A. Gide

"Nada como a brancura cadevérica de um Pé"

"Acordar é como um renascer com as cartas marcadas

"A fé sem liturgia não tem o fulgor, não tem nada feérico, é como uma fé apagada, inexplicável, pequena, dúbia".
"Matar-se é fazer poesia!".

"'Quando homens pequenos lançam grandes sombras, é porque a noite está chegando" Nathaniel Lee

"Só o suicida morre dignamente".

Caminho de cabeça baixa pela praia da vida catando uma esperança.

Todos os dias são para mim meu último dia. Um dia, sem me dar conta, meu dia será o último para todos. .

O Orkut é uma espécie de lembrança e alerta virtual para um possível não vivido. .

30.4.04

o que eu achava das missivas no Se um Viajante:
"
observo textos interessantes em determinados domínios... são, em verdade, missivas infinitas para uma pessoa, para um ser na terra. verdade que essas mensagens ficam lá, expostas para o deleite e a crítica públicas... e isso é bom e ruim. muitos blogs são assim... como pendurar cartas perfumadas em cada poste de cada esquina, certo de que o amado vai passar por ali... se é bonito? não tenho uma crítica feita com mais elaboração... num primeiro momento poderia dizer que sim, é bonito... num segundo, diria que serve para a brincadeira de meninos, num terceiro, diria que serve ainda para as fogueiras dos mendigos... realmente não sei. acho curioso apenas.
penso que a missiva eterna para o outro poderia utilizar outros meios, mais ... sei lá... são cartas...mas não estou para criticar...
aliás nem sei porque falo disso. não tem nada a ver com nada. foi um pensamento baseado numa observação... e resolvi contar... só. "

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E mais:
"o apito longo me avisa que é hora de embarcar novamente. já fui ao vagão de carga e certifiquei-me de que a motocicleta está bem (sim, me preocupo com ela!).
volto, então e comodo-me da poltrona (nem das mais confortpaveis nem das piores - já tive experiências melhores e piores). parte o trem. segue o trilho. tenho (acho que sempre tive) uma certa inveja de trens. eles seguem o trilho, têm um caminho predeterminado, seguro, tranqüilo... dirão sempre que ele não é livre tem que ir por ali... verdade. pura verdade. mas quem é livre? quem não tem o trilho à sua frente e salta daqui pra lá? também é verdade.
não tenho inveja dos trens propriamente por terem de seguir o caminho. mas poderem seguir um caminho em paz, sem perigos, sem riscos... covarde? provavelmente.
talvez esteja sendo covarde e não querendo arriscar. não é isso. é claro que desejo arriscar. sempre.
mas, por incrível que pareça, um trilho, uma linha, uma demarcação, muitas vezes ajuda sem aprisionar.... talvez o farol para o navegante seja um exemplo melhor... não sei."

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Mais do Viajante:
"sempre penso no quanto não sei de mim. constantemente.
não. não é o que parece. não faço qualquer coisa, de qualquer maneira.
sei que às vezes pode parecer. nada disso. penso e repenso cada atitude, cada palavra. mas sentimentos... esses não consigo segurar. e o que traz essa emoção, esse sentimento? como podemos sentir de forma grande e prazerosa ainda que não estejamos no ambiente, no local, próximos à pessoa? mais uma vez não sei. por isso digo tão insistentemente que não sei de mim...
acho que gostaria de saber... um pouco mais, talvez, não tudo. porque não se pode mesmo saber de todas as coisas e ter uma avaliação, uma explicação de todos os porquês. me basto como semideus. deus mesmo, é demais pra mim...
leio sobre a amizade e como determinadas relações [ou pensamentos que se fingem ou brincam de relações] viram grandes amizades. acredito. de verdade.
perguntam-me se não é mais certo ser logo amigo... olho pela janela e o dia começa a amanhecer... às árvores que imaginei ver correndo pela janela do trem agora estão lá, avermelhadas... ser amigo? sou amigo de poucos, como disse. mas desses poucos já sou amigo! já somos amigos!
amizade... quem se apaixona sem amizade?"

(sem esquecer que tudo isso é graças ao imenso carinho da Ro)

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Aindo do "se um Viajante...:"
'o bilheteiro do trem vem até minha poltrona. não senta ao meu lado, embora exista espaço. sem que eu espere me pergunta se eu acho mesmo que devo seguir viagem... tenho o impulso de dizer que não, mandar o trem parar e saltar. poderia fazer...
não acho o melhor. estou em paz. estou? talvez não completamente (quem está?) mas por que parar a viagem? não. não quero parar.
já entendi que estou só. caminho do nada para lugar nenhum. acabo compreendendo as coisas... mas não estou com o coração fechado, não estou com a alma assustada... estou vendo esse dia amanhecer, vendo o sol raiar, o céu azul... ainda que só.
tenho meus espaços, meus trens, meus barcos e os sinalizadores... não se iludam achando que não compreendo... claro que entendo! por que não haveria? compreendo que existe um movimento para que eu salte, siga outro rumo. posso fazê-lo.
mas... será isso?"

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"sei que aqui ainda não disse tudo o que penso, tudo o que é necessário... tem sido, na verdade, uma grande carta... e não pode ser só isso. tenho muitas coisas a serem ditas. coisas nem sempre politicamente corretas. coisas que as pessoas, politicamente, não gostam de ouvir e não admitem [embora pensem].
sei de todas essas coisas. tudo vai ser dito no devido tempo, enquanto tiver oportunidade de estar aqui, fazendo essa viagem pra lugar nenhum, como tenho sido freqüentemente alertado... quanto a isso... quem está indo pra onde? essa é a coisa que mais me pergunto, que mais gostaria de saber...
acho mesmo que a maioria das vidas devem seguir como estão... só não compreendo bem porque algumas não se permitem alterar ainda que seja uma boa [difícil] possibilidade. não que eu saiba de tudo... claro que não... pelo contrário. sei muito pouco, já repeti inúmeras vezes. acho que, às vezes, ou na maiorias das vezes, sou curioso demais em relação à vida e às pessoas de uma maneira geral. e especialmente com algumas. ou alguma."
Tirado do blog: Se um Viajante numa Noite de Inverno que a Ro, carinhosamente, me enviou

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Ro, eu não tenho e nunca tive dúvida, é uma daquelas pessoas eleitas. Pessoas que merecem a atenção e o respeito pelo que são, pelo que dão e trocam.... dia desses eu falei de alguns escritos, de viagens de trem... hoje recebo um e.mail carinhoso (por si) e ainda o presente: ela guardou os textos e divide eles comigo... fiquei pensando e acho que, na medida do possível vou publicar algusn deles por aqui... e em cada publicação eu quero que a Ro saiba que é para ela também.
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29.4.04

a mentira no blog tem contornos de verdade.... a mentira fica muito mais saborosa, muito mais verdadeira.... a verdade, por sua vez, assume ares de mentirosa e acaba ficando tudo de cabeça para o ar... e assim, vamos nós dois, nos equilibrando em nossos desequilíbrios....
- - - - - -

EU ODEIO ONGS.... é um bando de gente esquizóide, irresponsável e desocupada (mas é moda, fazer o quê?)
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as pessoas são legais exatamente pelo que são e não pelo que idealizamos... porque pra idealizar, é melhor comprar um boneco inflável, né? se eu fosse um boneco inflável faria miséria, principalmente dizer não ao meu dono ou dona.... a arte da guerra é milenar e arte de dizer não também... eu fico com medo de quem não percebe o que o mundo é realmente, de quem atribui responsabilidades e outras coisas que vêm de antes - meu deus, quantas tristezas nesse mundo! - ... falo da história em quadrinhos que li... porque de história em quadrinhos eu entendo, gosto de toda a fantasia e toda a trama que as histórias me trazem... a vida nua e crua é doente e, principalmente, muuuito chata... - - - - - e a melancolia, ele me disse, é muito mais comum do que as pessoas imaginam... se pintar de palhaço não resolve de verdade... acho que resolve a gente assumir uma posição, ter atitude. Fazer. O resto é balela dos descontroladinhos de plantão... (para S. T. A.) beijo
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todas as cenas da nossa vida deviam ser como aquela: em silhueta e com fundo azul... o mundo a e avida seriam mais estéticos... aliás, as pessoas que não valorizam a crítica estética do mundo, não vivem de verdade... silhueta, pois
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fico lembrando da Uma Thurman e pensando na personalidade das pessoas... fiquei conversando sobre isso hoje e não me contive: me desculpem, mas pé é fundamental
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eu tive um blog em que eu narrava uma viagem de trem quase eterna... tinham meus pensamentos, o dos outros, as cidades onde o trem ia parando, os personagens, tudo... depois aconteceram algumas coisas e foi um desentendimento geral... deletei o blog (hoje me arrependo), mas lembro dele e mais alguém nesse mundo lembra... isso basta, né?
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28.4.04

O encontro com o mestre sempre é um momento esperado com ansiedade... ele estava tranqüilo como sempre e sorriu ao me ver... me disse as coisas que tenho em mente e sugeriu soluções (como sempre)... trouxe a espada (que estava com ele há dez meses... diz que está novamente pronta para me acompanhar, para estar comigo... guardo-a, então... nessa terra risonha (e muitas vezes mortal), me sinto mais seguro ao ler e procurar entender os mistérios da deusa... não temo pelo amanhã, mas pelo ontem e como o ontem passou, o que resta é a estrada e duas bifurcações... visita ao mosteiro... observação atenta e estudo do arcano sacerdotisa... contatos perdidos sendo restabelecidos por intermédio da travessa de ipanema... a net, ah, a net... nosso futuro (e presente) sendo transferido para outro universo independente da nossa vontade... e tudo foi avisado, paulatinamente... e ainda filmam os diários da motocicleta. (com esta) < - - - Vou embora.
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27.4.04

em kill bill, tarantino se supera....
é o máximo!
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26.4.04

o trem (graças!) está pronto para partir novamente...
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o ensinamento continuado da deusa

O ser que habita a porteira da minha casa diz que é preciso ver o ponto de fuga, a linha imaginária que poderá fazer a luz entrar sem nenhum obstáculo... mas que obstáculos? ... não me importam os obstáculos porque não tenho nada a temer, a ordem está comigo e qualquer descuido de minha parte não resulta em nada de mal.... o avatar, insiste o ser que habita minha porteira... telefono correndo para a bruxa que me diz as coisas mais verdadeiras desse mundo e ela me tranqüiliza, me relembra os bons momentos e fala da luz do céu... luz do céu? É isso mesmo, quem sabe, sabe... o céu tem uma luz toda própria que traz tudo de bom para quem é do bem, para quem não quer o mal, para quem está envolvido na transmissão do saber milenar... a noite vem para quem está fora, ela me acalma, a noite vem para quem carrega a noite em si...
E fico pensando na flor* que me fala dessas coisas... ela tem razão... a noite não me traz a escuridão nem a angústia... o que me faz mal são as possibilidades criadas (que são rapidamente revertidas) e não a natureza... volto com ela ao triângulo sob a tocha e tudo se recupera, renasce... renascer é o processo natural da vida, o processo celular que habita todos nós, nós que não temos culpa das desditas do mundo... jogo de letras, está no papel, cinco letras... e a paz vem...


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Avatar, sou um cúmplice... cúmplice de todas as pessoas e situações que se me apresentam sob a cornucópia do bem... o processo do bem começa a se estender não à partir de mim, mas sendo eu um elo da corrente enorme que aumenta de forma sobre-humana, como somente um profeta francês dos anos setenta poderia construir e/ou participar... essa maratona está inscrita nos céus, nos mares, nas flores (e por falar em flor)... são caminhos que já trilhei e muitos, muitos outros ainda que tenho que seguir... e seguirei... porque na porta de um homem batem pessoas de todas as matizes e cabe a ele a sabedoria de ver a que estradas será levado e se, ainda, ele não souber, terá a inspiração de tantas gerações de sua linhagem para mostrar que o mundo... puxa, o mundo é grande como um castelo e me confino momentaneamente nesse castelo para sair depois, fênix recriada, em direção ao sol, como a carta Sol me mostrou ontem com tanta firmeza... agora pode ser o momento da roupa preta que afasta o mal, mas vem a aurora dos véus brancos e transparentes, da medusa e da medéia e da compreensão imediata que só quem compreende tarantino pode perceber... não falo para muitos, está claro, mas falo para um grupo de irmãos, uma irmandade que existe para tranqüilizar os espíritos que ainda não se perderam, que ainda podem ser tranqüilizados... quanto aos outros, é esperar para ver, orar à deusa para iluminar o mundo de trevas que habita a noosfera...
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Eu vivo dos meus desequilíbrios* Copyright Nicka

... ontem foi um dia proveitoso sob vários aspectos (depois eu falo do avatar), mas principalmente pela conversa longa com M. à noite... é preciso explicar que M. foi quem, no final de 2000, início de 2001 me iniciou no mundo dos blogs, de onde nasceu esse Sobretudo de Lona. Em janeiro de 2001 trocamos frases e textos de Victor Hugo inclusive (que na verdade, foi uma descoberta do Tornaghi), mas que, enfim, fez com que fosse uma época de muita sensibilidade. Essa longa história está registrada nas famosas páginas amarelas, que me comprometo a, na medida do possível, transcrever para cá.... mas não é isso ainda... lá pelas tantas, quando tentava explicar uma coisa, ela me disse EU VIVO DOS MEUS DESEQUILÍBRIOS, frase que eu achei fantástica e que prometi a ela, falaria hoje nesse espaço... porque todas as pessoas legais que eu conheço vivem se seus desequilíbrios (claro que existem os que acreditam não terem desequilíbrios, mas não falam desses)... as pessoas legais vivem de seus desequilíbrios e é dessa sopa que é feito o show da vida onde entre tantos desencontros e desequilíbrios, recriamos um mundo de equilíbrio e amor, de entendimento fraterno sobretudo... sem que eu faça nenhum movimento, as pessoas afastadas se aproximam querendo saber coisas e entender motivos para essa ou aquela situação ou atitude... quem sou eu para conseguir explicar tudo a todos se passo mais tempo a me explicar a mim mesmo, não é verdade? :) ... e quantos desequilíbrios, meu deus!... quantas aventuras e desventuras, quantos caminhos perseguidos, experimentados, vivenciados com paciência, carinho e parceria... fiquei relembrando quantas pessoas gentis e gente fina, pessoas de verdade que estavam ali, com a gente, numa torcida enorme e até mesmo em rede... foi o momento de inspiração para as cartas definitivas, para a expressão máxima do que eu sentia e conseguia colocar pra fora, principalmente escrevendo.... aí, está, menina, eu também vivo dos meus desequilíbrios.
Beijo G


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23.4.04

caverna com água pingando não é a mesma coisa do que rua chovendo... hidrante quebrado e mendigo bêbado... henfil... aparição não esperada não é motivo para abandonar o barco. quem espero ver? quem? eu sei (ou sabia a alguns segundos atrás... a noite cai com seu silêncio habitual meio detonado pelo feriado do dragão... não digo nada, sigo meu caminho, o carro não é bom, o cigarro não é bom, mas eu insisto [não desisto] porque tem gente em algum lugar [alguma coisa?] - eu não sei mais de nada, juro - (juro?)... melhor o teatro de arena onde eles ficam no centro e todo mundo ao redor. redor.. círculo...medo do príncipe que se disfarça de mendigo, das vozes do condomínio, do pensamento desconexo... quem diz o quê? essa é a questão que me angustia e me faz não comer direito [quem come?].... não posso, veja, não posso desconstruir agora...
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... entro na sala escura do ante sono... gostaria de dormir, mas reconheço [e aceito] que o sono não virá - como nunca veio, deficiências, todos possuem... mas nada disso me preocupa mais agora, liberto que estou... e me pergunto como pode-se falar da prisão perpétua chamando-a de liberdade, mas é liberdade.
... a liberdade possível é o pensamento contínuo ainda que não seja com o sonhado porque sonho é sonho e liberdade pode ser a possibilidade de tornar o real em sonho e, portanto, em liberdade.
Me pergunto se estarei sempre assim, até o momento último e tudo indica que sim (quem sabe, na verdade?)... tenho os pés descalços e a túnica rasgada, mas a alma inteira e só [como devem ser as almas]... quando tudo voltar ao equilíbrio, a motocicleta troará pelas ruelas sórdidas novamente - - - - - > porque estamos sempre, de uma forma ou de outra, presos a algum lugar, mas das latas de lixo em chamas estarão sempre vindo as mensagens que nunca deixaram de chegar...
... eu, peregrino de mim, acordado, farei os motores rosnarem, querubim indefeso que sou dormindo sob o dossel dos tempos idos...
e o tempo... bom, é melhor parar.


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22.4.04



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[colocar a capa preta?]

O caminho deve ser trilhado sempre... mas não é essa a questão exatamente... a questão é que fica difícil dizer o que não pode ser revelado... misterioso? Não... apenas as constatações de momentos sérios que, parecem risíveis... recebo a correspondência e não tenho como responder porque a resposta é maior do que o meio...
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21.4.04


Não consigo caminhar nesse néctar transparente que ora me prende, ora me impulsiona sem rumo nessas estradas de avalon... tenho sentido o peso do caminho e falta que me faz a consagração... sei que o cálice passou por mim, esteve no lugar e na hora certa, mostrando-me o céu com estrelas cadentes e catando para a mãe...
... agora faz parte do processo esse néctar viscoso que me surpreende por não assustar nem incomodar, ao contrário... parece às vezes que a estrada não terá fim, mas eu sei que é parte do processo em que me inseri dentro do triângulo verde... fui, como dizer, reiniciado sob os auspícios do 3, ímpar, e seguirei meu caminho, meu desígnio como foi determinado no momento em que o ser, com casaco asteca me falou noites inteiras sob o céu estrelado, com a luz (cambiante, ela dizia) da tocha mostrando (e fazendo) tudo o que era para ser feito... fui, como disse, reiniciado, aceitei e agora cruzo as estradas, célere, em busca do nada, busca do que pode ter sido ontem, amanhã ou eternamente...

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A pergunta que não quer calar: quais são os VERDADEIROS interesses do Movimento Viva Rio?
Quem ganha? Quem dirige? A quem está associado?

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Pronto!
Aí está o resultado desse estranho Viva Rio


"da Folha Online

Em pleno "Dia do Carinho", um tiroteio na favela da Rocinha deixou um criminoso morto e três policiais militares feridos.

Segundo informações da PM, os feridos foram encaminhados ao hospital Miguel Couto. Com o criminoso morto, foi apreendido um fuzil.
O "Dia do Carinho", organizado por uma ONG, levou cerca de 250 pessoas à favela. O objetivo era "levar um pouco de carinho" à Rocinha, que passa por momentos de tensão desde o último dia 9, quando traficantes ligados a Eduíno Eustáquio de Araújo, o Dudu, tentaram invadir a favela.
Os moradores, no entanto, não entenderam assim e receberam os voluntários com cobranças. Os habitantes da Rocinha disseram querer o "dia do emprego", "dia do saneamento básico", entre outros. "

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O QUE É O VIVA RIO?
Enquanto em outras favelas, a polícia acha milhares de cartuchos de munição, granadas e, pasmem!, minas terrestres (!), o movimento dito Viva Rio vem dar mais essa demonstração de patetice nacional.
Sobem a rocinha para dar apertos de mão, para distribuir rosas e brinquedinhos para as crianças.
Tão grave como a inoperância da polícia, como o governo do rio, tão grave quanto é a parlatonice desse movimento.
O que o Viva Rio quer dizer à população? Que na Rocinha existem milhares de trabalhadores e gente honesta? Mas isso todo mundo sabe. O problema é que a favela é mais um covil de facínoras.
Quando entrar na favela hoje, a quem serão entregues as rosas? Quem será abraçado? A população? Estarão possivelmente abraçando muitos dos que profanaram o São João Baptista.
Amanhã o Viva Rio não vai estar lá. Daqui a um mês a polícia não vai estar lá. E continuaremos a ser assaltados, assassinados e estuprados pelos facínoras que ocupam as rocinhas da vida.
Já paramos para pensar sensatamente no que é, o que faz, de fato, o Movimento Viva Rio?

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20.4.04

... se não for agora, quando poderei novamente entrar nesse assunto? Esse é o dia e o momento adequados, mas não pode em nenhuma hipótese ser confundido com o sucesso do momento... falei ontem da espada e hoje penso seriamente em apresentá-la (em alguns dias ou semanas) para mais pessoas... não creio que as cartas possam se enganar com essa freqüência... não, as cartas não erram assim... muitas vezes elas brincam, enganando os incautos... aconteceu anteontem quando eu jogava e pensava na pessoa em questão... o baralho inteiro se riu da pessoa e passou a mensagem de forma incongruente... não me importei e ele se retratou... todos se retratam, os sinais voltam atrás e nos fazem novas proposições, novas alternativas [que chamamos circunvoluções] ... e acreditamos ou não... na maioria das vezes devemos acreditar... eu, incrédulo, acredito piamente porque a crença assume novas formas, novas possibilidades mesmo, além do que simplesmente falamos ou estudamos... chega a hora em que temos diante nós a possibilidade fatal, aquela que nos coloca diante de uma encruzilhada...
... melhor não falar muito disso (por enquanto)... tenho bons motivos para mergulhar (amniótico) e mergulhado permaneço enquanto as fases não se tornarem novamente propícias porque num universo curvo imagino um mundo curvo e uma realidade curva, se me entendem...

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tiro quase todos os cadernos do armário escondido... é a hora de passar tudo a limpo, hora de trabalhar melhor o que não foi bem feito e acabar o que foi deixado de lado... isso ao mesmo tempo com os telefonemas, os e.mails...
não, dessa maneira não vai dar certo, estou entrando por corredores que não terminam em câmaras claras...
mais não posso escrever nesse minuto (angústia)
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*** ... o caminho é entrecruzado por sinais que aparecem aqui e ali e que não tenho como explicar por enquanto... deveria já Ter chegado a hora de contar parte da história, de falar dos místicos do passado com que convivi... mas existiu um hiato de retração, de afastamento onde compreendi definitivamente o papel do feminino... espaço de tempo testemunhado por pdv e mulher (para não acharem que é por causa do sucesso do momento)... não, eu vivi... esse tempo atrasou a hora de contar as histórias possíveis... o mesmo aconteceu com o afastamento desse espaço e a com as brigas com outras pessoas de outros espaços... agora é a hora da aproximação que não sei se ainda é possível... o tempo corre, se encurta muito rapidamente e me vejo com um trabalho enorme por fazer... ***
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19.4.04

===> Caminho por ruas aparentemente desertas, mas sei que lá existem olhos, vários, que me espreitam... na poltrona de couro ele mexe com o lápis... a quem pertencem os olhos? ... resposta fácil seria falar dos olhares do meu superego, das minhas dúvidas, inseguranças, medos e arrependimentos... mas não... são olhos verdadeiros os que me observam nessa rua... olhos físicos...
Na verdade, eu não tenho certeza... ele, calvo, lápis na mão, continua me olhando, mas não estou lá somente... os caminhos que trilho são muitos, são vários porque sou influenciado pela linhagem a que sempre pertenci, disso não posso esquecer nem um segundo, dessa missão que me impus na terra...
Viver sempre será o caminhar, ainda que ambíguo, mas seguro, linear por todas as aventuras que conseguir conhecer e vivenciar... é isso o que ele, tranqüilo em sua poltrona, não parece perceber: que vivencio todo o conhecimento a que tenho acesso, que as histórias não são simples histórias, são verdades incomensuráveis, imensas e quase sempre eternas...
Conto aqui e ali ( e a ele também) uma ou outra passagem desse caminhar, desse novelo que vai sendo desfeito e tornando-se uma linha reta e aparentemente infinita... existe, por exemplo, o mistério da espada que ainda não foi totalmente desvendado... alguns sabem que a possuo, outros não, mas ainda aqueles que sabem que ela está comigo não têm a justa visão do que representa... levo, por essas ruas, a espada numa maleta... será que é por isso que sou observado? ... pode ser... ele, em sua confortável poltrona de couro sabe da espada, mas não sabe o seu verdadeiro significado... dá a ela uma outra explicação, dessas estudadas nas obras vienenses... < ===

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15.4.04

explicando ontem um pouco da educação do olhar que devemos nos impor.... uma das formas é o olhar crítico onde, em princípio, nada está bom ou, se está bom, pode ficar melhor... é um método simplista, não acadêmico e condenado por alguns... tudo bem, existem formas melhores como a 'academia' da educação do olhar, da estética e etc... mas para o uso cotidiano, o olhar crítico, sempre, cada vez mais, funciona... se quisermos, depois podemos fazer uma avaliação mais acurada... eu acho.
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Tudo bem, a carta já está bem divulgada, mas não custa nada colocá-la por aqui também:

"Escreve um cidadão

Prezada Governadora,

Eu não acredito que a senhora ou o seu marido sejam
capazes de enfrentar o problema da segurança pública no Rio de Janeiro.
Não digo resolver, afinal são muitos anos de descaso de governos anteriores
como o do padrinho
politico do seu marido, o Sr. Leonel Brizola, digo
enfrentar, mostrar trabalho.
Até o momento o seu marido só se apresenta para patetices como a do caso
Staheli e agora na semana santa o que vemos? Uma guerra entre os narcotraficantes
que simplesmente ignoraram a policia e a senhora e o
seu marido estavam de folga em Angra dos Reis e mandaram dizer pela assessoria
de imprensa que não iriam falar por estar de férias. O Rio explodindo, a
imprensa só falou da Rocinha mas na Tijuca se ouviram tiros durante toda
a noite também, e a senhora e o seu marido de férias.
É inadmissível este desrespeito que a senhora e o seu
marido tem pelo Rio de Janeiro. É insuportável, é irritante, é absurdo,
é angustiante enfrentar esse seu despraro e do seu marido, é angustiante
tê-los como governadores do RJ.
Todas as noites espero angustiado a minha mulher voltar do trabalho, corro
angustiado para casa para acalmá-la, e só vejo meu sofrimento piorar como
o do caso da vizinha que foi sequestrada (e dane-se as firulas dos seus
advogados imorais, é sequestro!!!) e morta em São Gonçalo.
Estou cansado da sua cara de deboche e da cara de falsidade do seu marido.
Estou cansado de vocês. E nunca pensei que fosse capaz de fazer algo em
relação a isso mas eu vou fazer o todos devem fazer: Lutar politicamente
para expulsá-los da vida política para sempre. Quero o
casal Garotinho longe do meu Rio de Janeiro, quero vocês longe daqui e vou
fazer isso pelo meu voto e pelo voto de milhares de pessoas que como eu
estão indignadas com essa situação vergonhosa.
EU VOU LUTAR POLITICAMENTE PELO ENTERRO POLITICO DO CASAL GAROTINHO! SUMAM
DA NOSSA VIDA. Não quero saber o que vocês vão fazer, não quero saber do
seu cabelo, da sua igreja, só que que vocês não ocupem nunca mais nenhum
cargo publico. BASTA!!! E espero encontrar apoio em qualquer lugar, não
me interessa saber de quem é o apoio, aceito apoio do DIABO para tirá-los
da vida pública da minha Cidade Maravilhosa. Só temo que ele já seja aliado
do casal Garotinho. Os eventos da sexta-feira santa me deixaram atônito
com o despreparo e com o perigo real de guerrilha urbana entre os grupos
narcoterroristas. Peço
desculpas aos amigos para quem estou enviando uma copia (oculta) deste desabafo.
Conto com o apoio de vocês.

ADEUS!
Atenciosamente,
Silvio Reis"

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13.4.04

o livro do Cony - O beijo da Morte - traz novamente à baila a dúvida sobre as mortes de Jango, JK e Lacerda.... quandos eles morreram essa questão foi levantada, mas acabou sendo esquecida. o livro é lançado por ocasião dos 40 anos da revolução e ocupa as listas dos mais vendidos há semanas... é um livro bom, a meu ver, é importante que as novas gerações saibam o que aconteceu, as circunstâncias e tal
eu só fico me perguntando se as pessoas poderão compreender bem as dúvidas levantadas no livro se não conhecerem as atitudes políticas dos três, o momento em que atuaram na vida pública.... quero dizer, como falar de lacerda sem conhecer sua atuação junto a, por exemplo, getúlio vargas?
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a impossibilidade de compreensão pode determinar o afastamento de pessoas que, em circunstâncias normais, estariam trocando saberes, trocando experiências de vida... nas brigas, sempre se perde, nunca se ganha nada - a impressão de que o afastamento, o não falar, não encarar as coisas resolve os problemas é absolutamente falsa... é necessário que exista o debate que se vá às últimas consequências para que apareça a luz e a compreensão...
... eu mesmo vez ou outra não faço assim, me afasto sem ter claras as posições, sem entender bem o porquê do afastamento, mas chega sempre a hora de repensar, de reavaliar...
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A violência que assola o Rio de Janeiro não é mais fruto da metrópole que cresceu desordenadamente. Trata-se do descaso dos governos sucessivos, possivelmente iniciados na era brizola e não resolvidos desde então. A cidade do Rio vive num estado de guerra e o episódio da Rocinha na semana santa foi apenas mais uma explosão. Aliás, é bom que se diga que não é só a cidade, é o estado. Ontem houveram tiroteios com mortes em itaipava, na estrada união indústria. Petrópolis está sitiada, teresópolis, cabo frio... meses atrás almir chediak foi assassinado em secretário, pequena cidade serrana e por aí vai... os jornais noticiam os excessos da polícia, a corrupção que não pára, as corregedorias que fazem corpo mole.
O estado do rio exporta violência para outros estados... o governo do rio é omisso, frouxo, não assume o compromisso de acabar com a violência.
A guerra que ora acontece na rocinha está sendo noticiada no mundo inteiro trazendo enorme prejuízo ao turismo, por exemplo... mas não é isso o mais importante: o escândalo nesse momento é a governadora não pedir ajuda federal e , considerando-se que ela vai deixar o rio como está, seria necessário que o presidente da republica interviesse constitucionalmente ou não para acabar com a calamidade na segurança... é claro que exército, marinha e aeronáutica estão muito mais preparados para dar um basta no terror que é de todo o estado tendo a rocinha como manchete.

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12.4.04

a guerra na rocinha é muito pior, muito mais séria do que a imprensa está noticiando... (só dez mortos nesses dias todos de intenso tiroteio???) o rio está em guerra (com a polícia perdendo!!)
várias pessoas pedem ajuda das forças armadas, o povo está acuado, apavorado!
É MENTIRA QUE A SITUAÇÃO ESTEJA SOB CONTROLE!

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...ok, finalmente a reunião do pessoal de literatura aconteceu hoje... de uma maneira geral eles estão descontentes... dizem que há pouca literatura nacional em pauta... não deixa de ser verdade... mas, o que fazer? Fizeram todo do trabalho de machado de assis, de lima barreto e clarice lispector... claro que tem os autores novos, mas se me prender a eles... quer dizer a discussão rolou mais porque tem os novos americanos e ingleses que eu acho melhores, mas é apenas a minha opinião... e também, eu disse, não pode ficar nessa coisa ufanista só por ficar... numa hora dessas a gente tem que ser frio e ver quem é realmente melhor... a produção americana, inglesa e francesa é melhor, não podemos negar... tudo bem, tem aquele livrinho da menina francesinha falando besteira que ocupou as listas, mas é um caso isolado e não posso ficar indicando só o veríssimo a vida inteira...
... por outro lado, chegou uma série inteira do conselheiro xx do humberto de campos no sebo do edifício central; dei um toque na turma... aproveitaram para reclamar que não se edita mais humbertio de campos (verdade)... disse que talvez os editores tenham concluído que hoje ele não venderia o bastante e aí vem aquela choradeira de que não importa a vendagem e tal... esse é o lado infantil da turma, não querem garimpar os sebos, pagar e tal... querem humberto de campos com destaque na letras... não terão.

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preciso rever o último episódio de matrix
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definitivamente....
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quando amanheceu pude finalmente levantar para esticar as pernas... não gosto de caminhar enquanto está escuro. . . vou até a casa de F. e peço a motocicleta emprestada... o ronco do motor está diferente das outras vezes, mas não dou muita atenção... sigo em frente, em baixa velocidade, olhando os edifícios ao meu redor e as ruas vazias... como as ruas são vazias quando o dia está clareando! ... as pessoas estão dormindo, estão acordando, estão se barbeando... atravesso a cidade da zona norte até a zona sul.... aqui já começo a perceber o movimento de pessoas saindo para o trabalho.. começa o trânsito, daqui a pouco o rush...
sento em frente à praia e penso nos últimos acontecimentos... penso que meu caminho é uma estrada reta a ser seguida, completamente desimpedida e que posso (e devo) segui-la até o final, sem nenhum contratempo, sem nenhum desvio...
... acho que é isso: colocar a popa no rumo certo e navegar reto, sem desvios, até o final

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8.4.04

gosto muito de riachos, desses bem suaves, ransparentes... regatos mesmo em lugares quietos onde a gente olha em volta e e vê a vegetação acolhedora... também tenho esse lado
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hoje li um capítulo sobre o tempo, de Comte-Sponville, muito interessante.
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Estou escrevendo mas não vejo o tipo batendo no papel. Nem em coisa alguma. O que há é uma espécie de correspondência mágica entre os caracteres que escolho/digito e a aparição dos mesmos num monitor absolutamente frio, distante. Não posso riscar uma letra, não posso bater xx em cima... o que escrevo não me pertence, está encarcerado no computador. Não posso puxar o papel e dobrar, tenho que passar para outro equipamento, fazer uma série de manobras onde, finalmente, meu texto será impresso... logo eu que sempre adorei mata borrão.... mas não adianta: a verdade é que estamos definitivamente aprisionados, dependentes dos computadores. Sem eles, não somos ninguém. Insisto em provar para mim mesmo que isso não é bom, mas basta o meu pifar que entro em desespero... mas, afinal, existem coisas que a gente não gosta, mas precisa não existem?
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- - - - - - > nos últimos tempos tenho muito pensado em mudar radicalmente e acho que já experimentei algumas mudanças... tudo bem, acabaram e, portanto não deram certo sob o olhar de hoje, mas eram verdadeiras enquanto aconteciam... isso quer dizer então que quando você pretende mudar, não vai realmente mudar e sim fazer uma experiência de mudança? Pode ser. Comigo isso é um pouquinho mais complicado porque estou mudando dentro de mim o tempo todo, percorrendo vários caminhos, várias opções, pensando de uma maneira e, em seguida, de maneira absolutamente inversa e depois voltando à primeira com bagagem da Segunda e retornando à Segunda com bagagem da primeira... pode parecer um pouco confuso, mas não é: eu me entendo comigo mesmo... existe um coerência [não lógica e não exata] na minha vida, ela pode ser vista talvez não linearmente, mas por períodos, por janelas que se abrem aqui e ali com as vivências do momento... eu tenho uma determinada complacência em relação ao mundo (embora possa não parecer) que antes eu não tinha, eu não tinha calma, nem equilíbrio para [pelo menos] tentar negociar cada passo, cada ação da vida... eu ia entrando e arrebentando e esgarçando [e apanhando também, lógico], mas ia fazendo, forçando as coisas a acontecerem de uma maneira diversa de hoje... tudo bem, ainda posso Ter um pouco de tudo aquilo em mim, mas me contenho, sou mais paciente, como se tivesse mais ou menos mais certeza de que as coisas vão se acertar....
Porque as coisas se acertam de qualquer maneira, existe uma acomodação independente da nossa vontade e da nossa maneira de ser... é uma espécie de acomodação do mundo, meio alquímica... eu amanhã posso estar morando em um puta apartamento ou na casa das máquinas de uma traineira velha que, de uma forma ou de outra, estarei me acomodando... o homem é esse ser mutante que faz o mundo girar [sim, o homem é que faz o mundo girar porque sem homem não existe a percepção das coisas], faz caminhar a humanidade... esse mesmo homem que modula em argila, que é responsável pela virtualidade, pela realidade virtual na qual hoje estamos definitivamente atrelados... esse mesmo homem é aquele que estende a mão para o mais necessitado, é o mesmo que dispara a arma de fogo tirando uma vida, é o mesmo que penitencia, prisioneiro e algoz....
... mas eu estava falando que as coisas se acomodam e minhas mudanças não têm mérito, são fruto da acomodação interna do meu espírito e da ânima que me eleva como no anúncio do master card...
... tem essa história do blog da menina que saiu por aí de moto e escreveu lá sobre suas andanças em Chernobil... tudo bem, pode ser legal, mas andanças são sempre legais, narrar os caminhos que a gente vai trilhando sempre é legal e tem caminhos por infovias ou por estradas do interior de minas... tudo vale... bom, escrevi esse negócio do blog da menina motociclista porque eu ia dizer uma outra coisa, mas resolvi calar pra não criar polêmica...

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sonhei com um cortiço, uma espécie de prostíbulo pobre e antiquado, com pardes forradas de papel com motivos florais... tudo era carregado e feio, nada sensual ou agradável... haviam lâmpadas penduradas em fios, lâmpadas fracas... ratos passavam eventualmente... um ambiente que existe de verdade, basta você procurar as zonas pobres das cidades de estados e países não desenvolvidos -
a puta é aquela figura meio grotesca, meio feliniana, gorda, com muito batom vermelho e olhos cansados... aliás, olhos cansados a gente encontra nas putas, nos policiais de seriado americano, em médicos - - - - - > o que eu mais vejo são olhos cansados (inclusive os meus diariamente no espelho) - mas, voltando: a puta tem olhos cansados apesar da maquiagem pesada e se veste mal, com um vestido de chita florida que tenta esconder a gordura [não esconde] - não, não me lembro o que estava fazendo ali, nem porquê nem o que estava acontecendo... apenas imagens esparsas...
- - - - - > portanto, se muita gente alguém sonhar com esses ambientes não se desespere, outras pessoas também sonham...
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penduraram os americamos numas traquitandas, arrastaram seus corpos pela cidade... a questão no oriente não está resolvida [ e nem vai estar]... agora os americanos foram lá e mataram 40 de uma só vez, à base de bomba.
sair do iraque agora é impossível e ficar e sinônimo de ter soldados mortos.... os americanos não sabem o que fa\zem e arrastam os aliados... claro que sabem o que fazer, existem solições mais violentas que acalmariam os ânimos, mas o mundo inteiro ia reclamar... já existe essa moda de anti-americanismo, né? o mondo inteiro se beneficia de tudo que os estados unidos produzem, mas ser anti americano é regra, você é um anormal se não falar mal dos estados unidos...
então ficamos assim: mortes e mais mortes no iraque durante anos, talvez muitas décadas...
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o fato de encontrarem o avião de Saint-Exupery reforça a tese de suicídio... o avião caiu no mar embicado, verticalmente... Exupery dias antes falara em suicídio... ele estava voando em região infestada de alemães e não se preocupou... deve ter sido atraído pelo mar, embaixo... possívelmente era mais um bipolar... parece que essa história de artistas e doenças bipolares é maior do que se pensava... li em algum lugar que a relação do bipolar com a arte é estreita e não parece fofoca... o negócio é que até poucos anos atrás a doença não era claramente diagnosticada... isso quer dizer que os "brandos" eram excêntricos e os barra pesadas eram loucos de pedra... mas a história vem mostrando que não é bem isso... os caras que tinham uma relação muito próxima com a estética, com a arte de uma maneira geral, alteravam sistematicamente seus humores, ora em profunda depressão, ora em períodos maníacos... e o que tem a ver se eram assim ou assado?
sei lá... talvez as pessoas bipolares sejam mais sensíveis para as artes e, se você sofre dessa coisa, quem sabe uma atividade artística não possa surpreender? não importa se v. vai se matar depois ou não, mas pelo menos deixe alguma obra, use a doença rapidamente,enquanto está vivo***
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7.4.04

no fundo, no fundo, admitamos que escrever é um ato doentio,
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Porra, eu vou dizer uma coisa, viu? Eu não aguento mais esse papo [pra lá de] babaca desses intelectualóides de merda falando na regionalização, nas perdas provocadas pela globalização, esse horror da pasteurização e etc. etc. Blá blá blá...
Ô gente chata. Não sabem nada, vivem num mundo idiota de pensamentos pueris.
O mundo é globalizado e pronto! não tem quie concordar ou não! É g-l-o-b-a-l-i-z-a-d-o !
Ponto final.
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No caminho para o centro vejo uma ambulância e um homem maltrapilho caído no chão... o homem usa máscara cirúrgica (terá feito algum transplante recente?), como uma versão macabra do Michael Jackson, este sim, macabro em essência.
Desastres pela cidade a gente vai vendo muitos, correrias... pancadarias como as da cidade entre a Guarda Municipal e os camelôs... Fico olhando atônito para essa puta confusão da metrópole, vendo o que os homens estão fazendo da mesma maneira que tenho provas absolutamente concretas de que estamos definitivamente presos aos computadores e à informática em geral.
A Espanha é o país sonhado e soube que vai. Ir para a Espanha é como ir à Disney antigamente, quando se tinha dez anos de idade... e da Catalunha.... prefiro nem comentar
Se fizer o caminho ao contrário [de Compostela] chegará aos Pirineus? Fico pensando nessas coisas e lembrando de livros passados em Madrid e em autores que se mataram em solo espanhol... mas não é nada disso.
- - - - - - >Tem um homem, de máscara cirúrgica, caído no chão e uma ambulância dos bombeiros perto. Isso importa.

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6.4.04

os sonhos alertam para as coisas que estão para acontecer.
tenho cá minhas provas
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o que fazemos diariamente, procurando acertar as coisas... a vida não tem sentido para quem não veio ao mundo à passeio.
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pensando em como as pessoas conseguem realizar seus sonhos...
ela consegiu.... que bom.
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1.4.04

O cubo de acrílico incandescente estava parado no meio da avenida deserta com suas seis pistas molhadas pelo chuvisco recente.
Havia, parece-me um halo azul que descia sobre o cubo. Andei alguns metros para entender melhor. No silêncio da madrugada, minha muleta metálica fazia um ruído longo, quase um eco.
Procurei alguém revirando a cabeça e depois o corpo. Não havia ninguém, salvo o gato preto que estava parado, sentado, quieto, de costas para mim, bem próximo ao cubo e olhando para ele. Se o gato era preto? Não tenho certeza, era noite apesar da iluminação da cidade, da avenida, do cubo azulado e transparente. Ouvi um ruído de motocicleta a baixa velocidade, mas distante.
Eu sabia que aquele momento ocorreria já há três anos. Fui avisado por correspondência. Recebi em meu apartamento um envelope pardo com selo da cidade de Kimbalah, no Extremo Oriente. Junto à carta escrita por Abdul havia um mapa das cidades onde os fatos ocorreriam e uma carta astral que servia para todos os lugares e todas as datas.
Abdul esteve sumido por quarenta anos, dado por morto pela família. Parece que andou pela União Soviética e todo o Leste Europeu. Nunca acreditei que estivesse morto. Eu sabia que ele estava envolvido com a operação do cubo, que era necessário esperar, que determinados dados históricos precisavam acontecer para que o processo se completasse. Não que eu tivesse ou tenha a pretensão de achar que compreendia tudo. Pelo contrário: me era absolutamente incompreensível e não deixa de ser ainda agora que vivencio o acontecimento. Estou conformado com fatos que não se explicam, com vidas que são ceifadas e com pernas amputadas.
Aprendi cedo que a vida não acrescenta, que ela vai, paulatinamente, vagarosamente, amputando coisas, membros, sentimentos, sentidos... Eu mesmo fui ceifado e sou, ao mesmo tempo, o ceifador.
A qualquer momento o contato poderia ser estabelecido e o gato preto poderia ser o elo. Ou uma das engrenagens que, postas em movimento, iriam alterar para sempre o conceito de ser.
Claudicando caminhei mais um pouco.
Sei que é chegada a hora.

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a paixão que senti por ela quase me enlouqueceu...
fiquei dez dias comendo cenoura com alface, tomando leite desnatado, bebendo água. . . :{
fiquei triste, chorei, fiz dieta [rezei até]
não tinha prazer e nem queria ter
tinha de ir a seu encontro e para isso não me importa de pedalar por uma hora, não me importava em levantar pesos...
faria tudo por ela...
mas capitulei - - - - - - > ao fim de dez dias comi muito macarrão, comi muito chocolate, tomei muita coca cola....
***perco, mas com soberba
a ambiência das academias de ginástica não é para mim
sou um escritor, ainda que medíocre, mas jamais um atleta
abandono o ambiente fútil das academias de ginástica e, ao lado do sorvetão de chocolate, me aproximo da academia de literatura, de filosofia, de poesias ou, se não prestar para nenhuma, da academia da vida...
adeus ginática, quero ser um gordo feliz
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