Por favor, me negue o cumprimento.


SORRIA!

....

...são pedaços de papel, folhas de cadernos, guardanapos sujos e restos de cabeça insone...

Leia da forma que achar melhor, não tenha compromisso com nada. Eu também não tenho.


English




ARME-SE MAIS!



Não possuo nenhuma expectativa maior em relação às pessoas. Convivo com elas na sua justa medida.

O impossível na raça humana são justamente as pessoas.

Definitivamente, o silêncio não é dos inocentes.

Por mais que eu pense bem ou mal das pessoas, elas sempre me surpreendem.

O Blog é uma "Carta de Intenções" raramente cumprida.

Eu vivo dos meus desequilíbrios* Copyright Nicka.

Sempre teremos Paris....

Toda mulher deveria ter quatorze anos.(Nelson Rodrigues)

Fez-se da vida uma aventura errante (Vinicius de Moraes)

A calma é inimiga da perfeição

"Não importa. Tente outra vez. Fracasse outra vez. Fracasse melhor" Samuel Beckett

"Toda mulher devia ser a Sandra Bullock"

"A Tsunami é Aqui!"

"Sou uma espécie de Glória Magadan da vida real"

"O chato em essência não existe...O chato é, antes de tudo, uma visão do outro..."

"A fecundação é muito parecida com o garçom que mistura leite ao café. Apenas isso. O início da gravidez é um café com leite."

"A Internet, repito, imbeciliza as pessoas."

"O que as pessoas chamam cultura não é senão um termo pitoresco para a sua ignorância." Saul Bellow.

"Quanto mais conheço analisandos, mais desprezo a Psicanálise."

"Dormir de dia é um suicídio inconcluso"

"O uísque é como um GATO engarrafado. O melhor amigo do Homem" Vinícius e Geraldo

"A vida é como executar um concerto de violino ao mesmo tempo em que se aprende a tocar o instrumento"Samuel Butler

"A pior forma de solidão é a companhia de um paulista" Nelson Rodrigues

"Ser me ocupa bastante" A. Gide

"Nada como a brancura cadevérica de um Pé"

"Acordar é como um renascer com as cartas marcadas

"A fé sem liturgia não tem o fulgor, não tem nada feérico, é como uma fé apagada, inexplicável, pequena, dúbia".
"Matar-se é fazer poesia!".

"'Quando homens pequenos lançam grandes sombras, é porque a noite está chegando" Nathaniel Lee

"Só o suicida morre dignamente".

Caminho de cabeça baixa pela praia da vida catando uma esperança.

Todos os dias são para mim meu último dia. Um dia, sem me dar conta, meu dia será o último para todos. .

O Orkut é uma espécie de lembrança e alerta virtual para um possível não vivido. .

31.5.04

O MSN está próximo de ser uma ferramenta completa
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Reminiscências retiradas daqui mesmo
Por conta de uma fita que mostrei a M. de um programa que fiz com Zé Ketti, (quando, tardiamente o descobri), Carlos Cachaça, minha amiga Marília Barbosa e outros, acabei encontrando uma série de programas que fiz, criei, dirigi e nem lembrava mais...
Três ou quatro clipes com a Joyce numa época em que andávamos muito juntos, (trocávamos muitas idéias, tínhamos muitos planos). Diziam que tínhamos um caso, mas não era verdade. O programa sobre Olga Benário que ganhou o Fest¿in Rio, onde Luis Carlos Prestes me concedeu duas horas consecutivas de explicações e história, história... O teatro de rua com Amir Haddad e seu grupo , o Tá na Rua... As noites com Miucha, regadas a uísque Cavalo Branco, onde ela me confirmava as esquisitices do João Gilberto...As tardes e noites com o xará Geraldinho Carneiro (parceiro), Antônio Pedro e o maestro John Neschilling (que gostava de 'fazer nhock' com Lucélia Santos...). Latorraca me contando devaneios sexuais no frescão à caminho do teatro Ginástico...
Os programas com Vinícius... A mesa que privei com ele, no finalzinho, no Antonio¿s... Depois com Paulo Mendes Campos. Mais tarde, os amigos e a família do Vinícius... O John Lennon, apresentado pelo Gilberto Gil (que descobri ser um empresário ativo e não o poeta lúdico que imaginava)... As tardes com Josué Montello, então presidente da Academia Brasileira de Letras, para falar sobre os personagens de seus romances e o Maranhão... Pra fazer o especial do Cazuza, no dia da missa de sétimo dia da sua morte, reuni sua família, seus amigos, Marina, Caetano, Bebel Gilberto... Da homenagem que fiz a mim mesmo ao rodar um trecho do livro ¿Diário de uma Guerra Estranha¿ de Jean Paul Sartre, ídolo maior da minha juventude, agora entusiasticamente interpretado por Sérgio Britto... O balé afro, numa senzala verdadeira que Érica Franzisca me levou a conhecer em Iguaçu Velha... Levar o Tom Jobim ao Sem Censura, ao vivo, pra dar uma entrevista genial regada à cerveja Antártica (fazendo duas coisas impensáveis naquela época numa TV Educativa: propaganda e beber em cena)...Fazer documentários sobre o Carnaval com o incentivo e a ajuda do Eloy Santos (onde anda?)... Sobre Lima Barreto com sua Clara dos Anjos e Policarpo Quaresma...
Auto propaganda? Acho que não...
Hoje sou um velho motociclista, de cabeça raspada, tatuado, usando brincos, roupas de couro. (E Sobretudo de Lona). Onde andam todos esses que participaram comigo, sem discriminação, daquela época de efervescência cultural, entusiasmo em produzir mais, mais e mais?


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"A angústia, ante um possível que não queremos realizar, é de fato a angústia ante o Nada, que nos separa desse possível, ante o fato que somos impedidos pelo Nada de realiza-lo. Visa, portanto a suprimir o Nada realizando o possível. A partir do momento em que, em lugar de recusar esse possível, ela faz dele o seu possível, há uma plena adesão da liberdade à possibilidade, projeto e rascunho do ato. Nesse momento, o Nada desaparece, há a plenitude. Assim, a falta faz desaparecer provisoriamente a angústia, substituindo o Nada pela facticidade plena."
J. P. Sartre
Diário de uma Guerra Estranha

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Você, ponto final. No meio, vírgulas, exclamações, interrogações, reticências...
posted by Marina Ferreira at 01:21

Não é bonito pra caramba, isso?
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leviatã
...sinto-me suspenso por fios tênues como o amanhecer... sei que vida rola debaixo dos meus pés (que mal tocam o solo)... caminhante de outros mundos não me adapto ao que me prescrevem... faço o impossível para ser esse não ser, para evaporar e levitar dia a dia, instando shihiro a fazer o mesmo... estamos no mundo de musashi e shihiro no mundo de levita e não de leviatã...
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intranet
A proposta de intranet não está pronta... é porque eu tenho muitas dúvidas sobre a utilidade verdadeira da intranet.... sempre me dá a impressão que é uma coisa que fazemos para as pessoas de fora verem como somos organizados por dentro... e nenhuma das coisas é verdade...
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das minas
Comer queijo da serra é um ato simbólico... algo como a cerimônia do chá*... toda tarde comia-se pão, queijo e café, hábito mineiro que aprendi com o passar dos dias, meses... agora me resta continuar fazendo, continuar entendendo o que as culturas ou regionalismos podem fazer (com a mente insana?)... digo isso por uma lembrança muito forte de um hábito muito arraigado...
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...
De repente o tempo e a canção se instalam dentro de mim e caminho pelas ruas sujas, como quem busca pedaços de nuvens... me permito seguir assim, nesse caminhar embriagado porque bêbado sou não das bebidas das tavernas, mas dos encontros que a vida me propicia... nesse estado de semi lucidez avanço a passos lentos e largos, os passos que meu corpo e minha alma suportam para além das estrelas que sempre cultuei...
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para s.
Vou escrever uma carta para S.... contar a ela que eu sou diferente, que as coisas que falo têm mais de um sentidos e, muitas das vezes, menos de um sentido, que a profundidade de determinadas considerações pode-se perder num estado raso que me consome outras vezes... que estou fazendo, pensando, agindo e, a seguir avaliando a possibilidade de pensar de agir de maneira diversa... e por que isso? Porque me agarro num universo de possibilidades e quero-as todas para mim, ainda que saiba não ter tempo para tantos experimentos... mas preciso ver até onde ou como uma determinada situação ou sentimento se apresentam, como se movimentam e, mais como podemos vivenciá-lo de várias formas sem o perder o tom, sem deixar de sentir o que vai alma abaixo... então, esses movimentos resultam sensações diferentes e, para quem olha à distância, podem parecer desconexos. E o são... mas o que é ser desconexo? Eu mesmo não sei... ou melhor, para mim, tudo a minha vida é desconexo, o universo é desconexo... como diz uma amiga querida, vivo dos meus desequilíbrios...
Existem pessoas, todos sabemos, que acreditam viverem num estado de equilíbrio onde a vida inteira aparece e aparenta um tal estágio de normalidade que não conseguimos ver o resto, o entorno... mas essas rigidez de sentimentos e ações é puramente ilusória, é uma espécie de máscara que usamos eventualmente... pode-se usa=á-la, dizia o filósofo, todo o tempo e a humanidade não nos incomodará... como era de se esperar, me perdi no meio da história e paro por aqui para não criar mais confusão, insistindo em que vivo dos meus desequilíbrios.
P.S. realmente o blog é uma carta de intenções... bom, pelo menos foi o que eu escrevi...

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Poema de sete faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do -bigode,

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Carlos Drummond de Andrade
De Alguma poesia (1930)

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mais dez anos
o mundo deve rezar para eu morrer cedo, porque se envelhecer vou ser ranzinza até não poder mais... não é por mal, juro por deus, mas eu não tenho saco, não tenho paciência com bobagens, com gente chata, fiteira... sabe lá o que é você aturar um chato, aturar um burro, aturar uma pessoa que não tem nada a ver? não, é demais para a minha cabeça, eu não mereço isso e faço questão de dizer para as pessoas: cara, sai, larga o meu pé,,, claro que nunca adianta e quanto mais eu reclamao, mais vou esbarrando em gente que não tem nada a ver.... olha que eu já tenho uma vida metódica e discreta, procuro passar batido pelos lugares, mas sempre sou 'descoberto'... e eu sou ainda 'meio velho' só... quando ficar velho de verdade... não, o mundo não merece eu com mais dez anos, por exemplo
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valium na veia
ontem eu recebi um pedido equivocado... que eu escrevesse alguma coisa para uma pessoa, enfim, um post encomendado.... ora, quem pediu não sabia ainda que eu justamente não faço isso nunca, em hipótese alguma... nunca mando recados específicos ou mensagens cifradas... já teve até muita confusão de gente achar que estou escrevendo à respeito dela ou de um fato, quando, na verdade, não estou... escrevo aqui apenas as poucas coisas que me vão na cabeça... isso sim é a diferença entre determinadas pessoas..
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o que são mesmo drogas lícitas e ilícitas... eu nunca sei... fumar um baseado é ílícito, sei, mas tomar dois comprimidos de valium 10 é o quê? quer dizer, tem essa história dos remédios que um comprimido é bom, dois é demais e as pessoas tomam 2, 3 exatamente para se drogarem.... o motivo? o mundo, a vida estressante, sei lá o eu! imagino que cada um tenha lá os seus motivos... mas é engraçado quando falo no telefone e ela me diz que tomou não sei quantos compridos disso e daquilo... existe uma parcela da sociedade que vive chapada com substâncias que a gente compra ali, na farmácia da esquina... em contrapartida, existem outras que vivem surtadas, quicando e arrotando que não tomam remédios.... pode?
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Teólogos listam os "pecados cibernéticos"

SÃO PAULO - Teólogos reunidos na Conferência Episcopal Italiana, realizada na semana passada na Universidade Lateranense de Roma, discutiram os 'pecados cibernéticos', os quais devem ser adicionados àqueles já difundidos pela Igreja católica.
Durante o evento, cerca de 40 teólogos concluíram que os novos costumes e o uso indiscriminado dos meios eletrônicos e da internet fizeram com que o 'sentimento do pecado' caísse em desuso, e que surgissem 'novas formas de pecar'.
Entre as novas modalidades de pecado estariam o uso indevido do computador, aí incluídos o uso de software sem licença, a criação e difusão de vírus, o envio de e-mails anônimos com mensagens falsas e o download ilegal de músicas e filmes. Os spams e as atividades dos hackers também podem levar o internauta a queimar no inferno, de acordo com os teólogos.
Os pecados considerados mais graves foram a criação e o uso de sites pornográficos e o fornecimento de informações pessoais falsas nas conversas via chat. Também estará em débito com Deus quem ''passar a noite conversando com uma pessoa que não é o marido, a esposa ou os filhos;, ou quem mantiver uma relação sentimental virtual.(IBLnews)

P.S. roubei a notícia da Zel


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hoje é aniversário da kakay ! ! !
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acordei as seis e meia da manhã, junto com o tad... acho muito legal acordar cedo... em secretário, acordava às 5 h. - - - > bom, fui ver os problemas que ficaram pendentes do carro e fiz tudo cedo de modo que às 10 h. já estava no consultório do dentista pra dizer que eles não valem nada por não terem atendido o tad... pronto, acho que já fiz a minha parte de estresse do dia, já incomodei os que merecem ser incomodados (se eu fosse o lula, expulsaria essa dentista do país... :) - - - agora tudo está calmo...
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30.5.04

pássaros e marionetes
existiu um tempo em que eu também batia as asas e voava e achava, pode acreditar, que voaria sempre, para caminhos cada vez mais distantes, mais incríveis... o tempo veio me mostrando que não: que realmente batemos asas e voamos, mas num determinado estágio o voo retorna, começamos a voar em círculos [concêntricos?], ora abrindo um pouco o círculo, ora estreitando-o [indepnedentemente da nossa vontade]... penso que somos como pássaros marionetes de um deus prepotente [existem deuses que não sejam prepotentes?] e vamos seguindo, voando sem parar, sem cansar, muitas vezes perdidos do que é céu do que é terra, do que é mar... o que importa é voarmos até não mais poder para, finalmente, extenuados, cairmos em terra firme onde a mão de uma criança nos aninhará e [quem sabe?], enterrará
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muito engraçado ver o pequeno bater as asas e voar...
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nossa corte te saúda
quantas pessoas a gente pode encontrar impunemente? eu acho que não muitas... o encontro tem seu preço, preço alto, digo amiúde - quantas pessoas aparecem e somem, aparecem e não querem sumir e quantos desdobramentos esses encontros causam? - - - > mas o que é a vida se não um eterno encontrar e desencontrar outros espécies da raça e com eles falar, dizer para eles isso e aquilo, contar um pouquinho desse show que é a nossa vida? é o que tenho feito e não acho que seja perda de tempo, não acho que seja inútil... acho muito mais inútil dançar por exemplo, que ao fim, fica-se apenas molhado de suor :)... sei não, mas acho que a dança afasta e não atrai pessoas [não falo da dança artística, bem entendido], mas dessas de boates ou cabarés... quem teria sido virgínia woolf se ficasse dançando? não sei, são rabugices com certeza, mas o que se há de fazer?, eu por meu lado, encontro pessoas, pessoas que me encontram e passam a fazer parte da corte :)... aliás que corte é essa? isso é uma coisa que me pergunto, mas quase nunca respondo a mim mesmo, que corte é essa, porque é uma corte e quem são os personagens... quando tiver essas respostas terei desmistificado os segredos da vida...
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Luiza
os que entram aqui recentemente não sabem nada de Luíza... não vou contar muito, mas vale dizer que é uma pessoa muito, muito querida minha, médica e artista, lutadora porém sensível... já escrevi umas coisas sobre ela por aqui, não sei se ela escreveu por lá... teve um período que nos correspondíamos amíude... agora não tanto - por minha culpa - que sou preguiçoso e acho sempre que posso ter sido esquecido ou ainda que minha correspondência pode atrapalhar...
pois nesse domingo me alegro em receber correspondência de minha Luíza e fico contente, fico pleno, diria, de saber que essa pessoa que me é cara, lembrou-se de mim, além mar, hoje.
Um beijo, minha Luíza
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amor na internet
desde o ano 2000 venho escrevendo sobre novas tecnologias, sobre as possibilidades que a internet traz aos usuários... durante um tempo, o site tecnologias 2000 esteve sendo utilizado por professores de comunicação que me chamavam para conversas acadêmicas e tal... nesses cinco anos me utilizei da internet de várias formas, para todos os fins possíveis (estudo, ensino, conhecimento de pessoas em geral, transações bancárias, compras, aplicação de novos programas, etc.)... em alguns pontos eu conseguia chegar a uma conclusão, em outros não...
Mas tem uma coisa engraçada que é o mito. Acho que hoje, em meados de 2004, onde toda a sociedade é globalizada e está conectada, onde não vivemos mais sem os computadores, sem os sistemas operacionais, etc. ainda acontece rola prevenção, uma certa incompreensão tola quando o assunto é pessoal, afetivo mesmo.
Ora, a internet foi desenvolvida para fins militares e acadêmicos. Hoje, a internet é uma realidade para todas as pessoas (ninguém consegue imaginar um banco, um metrô, um sistema de iluminação, energia, tráfego, etc.) sem os programas de computador e sem a respectiva transmissão de dados... mas o homem é complicado e traz questões ancestrais... sim, ainda tem o tabu dos relacionamentos... ainda se acha que os relacionamentos iniciados via net são menos válidos, menos sérios do que presencialmente... é muito engraçado porque é assim: eu transfiro somas em dinheiro de um banco para o outro, faço pagamentos, compro automóveis, escrevo jornais, uso a internet no auxílio de cirurgias, por exemplo, mas os relacionamentos... quem garante que a outra pessoa não é mentirosa, quem garante que não está ali enganando, que não é um tarado, um assassino? Ficamos horas e hora em frente a um computador (no trabalho e em casa)... é lá que nossos filhos fazem pesquisas, é lá que encontramos informações não achadas em nenhum outro lugar, é lá que fechamos negócios... mas quando conhecemos uma pessoa, tudo muda de figura... para algumas pessoas, conhecer uma pessoa pela internet cheira a perigo, risco... conversar, conhecer o outro cheira a armação... dia desses me disseram que as pessoas sozinhas vão para a internet e se oferecem... Claro! Vão para a internet porque é o meio que existe, há pouco tempo atrás essas mesmas pessoas estavam saindo para festinhas, estavam pedindo às amigas para serem apresentadas ao amigo do namorado, etc. Quer dizer, as pessoas que não gostam da solidão sempre encontraram um meio de ficar juntas... a internet é um meio, apenas isso, um meio... lá não encontramos mais taradas, mais solitárias, mais oferecidas... isso é verdade pelo motivo mais simples, mais óbvio do mundo: em rede, ao contrário do encontro presencial, vai falando de si, dos seus anseios, das suas expectativas, lá o paquerador paquera e a oferecida se dá e isso falando claramente... por que? Porque existe a possibilidade de conhecimento anterior, da avaliação do outro sem estarmos expostos... presencialmente, as pessoas se escondem mais, mentem muito mais e atacam muito mais rapidamente porque estão expostas: é necessário que o outro saiba o mínimo possível de suas neuroses, de suas fraquezas e tal...
... afinal a internet não existe em si, ela é feita de pessoas, essa mesma pessoa que a gente casa, esse mesmo filho que a gente conversa na hora do jantar... sabe aquela amiga que está triste e deprimida porque se separou do amado?... ela está lá também, como estaria na casa de alguém e seu sentimento de perda, frustração e vontade de encontrar alguém seriam os mesmos....
... apesar de tudo o que se estudou e estuda nas relações do homem com o meio internet ainda persiste o mito e o medo do relacionamento
(retirado do Tecnologias 2000)
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29.5.04

que se sonha um amador (escrito com muito amor)
amador... tem essa brincadeira do tom, né? eu sou um amador, eu sou um amador, eu sou um amador - ninguém ama mais do que eu... amador incorrigível, amador sincero, amador de verdade sim senhor!, amador chova ou faça sol, amador esteja você aqui ou não, amador seja correspondido ou não, amador sóbrio ou embriagado (e do que nos embriagamos?), amador com A maiúsculo, amador que faz da sua vida um templo de amor, amador que enlouquece, amador que dá a vida sorrindo, amador que mexe a terra, amador que ri e chora, amador que verga, mas não quebra, amador que morre amador, amador indestrutível, amador que se sonha um amador...
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diana in paris
tem umas histórias que por mais que a gente explique... não consegue... e é assim mesmo, tem coisas que não se explicam... durante muitos dias, muitos mesmo, eu subi a serra de petrópolis e fui até secretário ouvindo repetidamente diana krall cantando "fly me to the moon"... ia daqui lá com ela cantando essa música... o carro fechado se tornava um ambiente fantástico, espetacular e eu entrava em verdadeiro êxtase.... depois de tudo não consegui mais ouvir essa gravação... era uma dor tão profunda que não tinha fim & eu ouvia & olhava em volta & percebia que nada era nada, ninguém era ninguém e tudo aquilo simplesmente não podia ter mudado.... acho que estou falando isso porque fui a secretário hoje, fui e voltei bem... agora, enquanto digito, Diana canta Fly me to the moon à toda e eu não sinto dor, não acontece nada... fica uma coisinha lá no fundo do coração, uma lembrança boa, uma lembrança de um tempo bom, mas é só... não tem mais desespero. Em suma: já posso ir para o campo e já posso ouvir Diana em paz... e isso é muito bom*. essa coisinha guardada lá dentro é muito boa porque serve inclusive de parâmetro... não me importo de estar só, não me importo de não estar naquele carro agora... tudo mudou, cada um, cada coisa está em seu lugar como a vida dispôs... e eu estou bem... sei que Diana cantando também é ouvida em outro lugar e sei que existe uma convergência de sentimentos... bom, não é pra explicar isso agora... talvez seja mais legal dizer que Diana (no CD in Paris) fez a melhor gravação desta canção em todos os tempos... e eu (nós) soubemos ouvir... Agora? agora nada. agora é a vida me mostrando seus novos possíveis e eu indo em frente... ambos, vamos em frente...
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ainda sobre os nãos
Caminhando pela rua com frio vejo que não existe nenhum sentido no que pretendi fazer a uns tempos atrás... não pelo motivo que foi alegado... porque pra tudo se dá um jeito quando rola vontade mesmo... mas não foi isso, foi a velha história do 'não deu certo antes'... essa é a velha história que as pessoas morrem sem entender, que o tempo não pára e o que não deu certo, dá e o deu, não dá... é uma questão de estar disposto a romper com as regras, com o estabelecido e no estabelecido não está só o que está fora, o que é ditado por um grupo... o estabelecido, na maioria das vezes está dentro da gente (o que é um complicador) - porque eu sei me levantar contra o sistema, mas não consigo mexer quando meu estado está compensado, não é mesmo? Romper com os estados compensados, ousar sempre, mudar, mudar e mudar até encontrar o verdadeiro caminho, o verdadeiro motivo da vida... acho que essa é a questão crucial, motivadora de nossos projetos ou não. Portanto, é legal estar aberto aos interiores para não cair na esparrela de deixar de fazer alguma coisa acreditando num motivo inventado, protetor.
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por falar em secretário... fiquei andando pelo quintal gramado,... olhei bem de perto a fonte que em outros tempos estava sempre com água em movimento [a cair], o canil... na verdade, eu acho que eu queria um pouco de nostalgia, eu queria ver aquelas coisas todas ali, na minha frente... fiquei bastante tempo sozinho querendo sentir saudade, querendo sentir vontade de chorar... a grama estava aparada, a hera começa [agora sim!] a subir... algumas flores... a lareira onde passei incontáveis noites fantásticas***, onde tudo se misturava, desde o canto [e os cantos] ao crepitar da lenha e a tudo o mais... então fiquei ali "colhendo saudades"... mas, engraçado, não veio... não rolou nenhum sentimento assim.
Tudo estava como deveria estar, eu fui cumprir minhas obrigações e pronto. O que passou, passou. Um ano para passar, mas passou. Que bom :)
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de manhã fui à secretário... o lugar é muito bonito, mas é para você ir e ficar um tempo, um dia ou três... agora fazer essas loucuras de ir e voltar na mesma hora é barra... tudo bem, são duzentos e poucos km, mas tem muita serra, muito tráfego de caminhões... aliás, hoje foi minha primeira saída com o carro depois do acidente do dia 1°... não fiquei com paranóia, medo nem me sentindo inseguro... fui e pronto... agora, a verdade é que eu fico cansado desse sobe desce a serra... quando você vai de moto, com grupo, passeando, aí a coisa diferente... resolvi ir sozinho e achei chato. Estou velho, na verdade... E provo:

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sou feminino
o pessoal não percebe o tempo que perdemos sem produzir coisas legais. tava falando com eles hoje... existe uma efervecência cultural, um movimento que não pára e que vamos ficando pra trás por bobeira, por não estar com os sentidos ligados... é terrível não estar sensível às possibilidades estéticas que vão se apresentando, uma atrás da outra...
tava falando com uma amiga sobre a alma feminina. é bela a alma feminina. muito bela. gosto de ser feminino. gosto de todos os que se percebem femininos... porque perceber-se feminino não é uma questão apenas de atitude, de postura... é mais. é estar atento ao que o outro diz, ao movimento do outro, ao movimento do mundo... de tudo à volta.
falamos muito disso. me diz sobre 'entender a alma feminina'...
a alma feminina é a alma do mundo, da natureza, da reprodutora, do belo, de tudo que nasce.
nem todas as mulheres têm alma feminina.

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28.5.04

Poucas vezes ouvi uma frase igual. Me parece perfeita. Genial.


"Acho que a tendência do intelectual é ser de direita. Ele é por definição um elitista"
Paulo Francis.

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"A melhor propaganda anticomunista é deixar os comunistas falarem"
Paulo Francis (1979)


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retirado do sobretudo

A meu ver, nossas histórias não podem nem devem ser apagadas, mas só têm utilidade quando servem para eventuais mudanças e caminhadas para frente.
Talvez eu seja um romântico incorrigível. Por que ¿incorrigível¿? Acho a crença no amor, nas possibilidades e nas pessoas, melhor do que a ¿vida eterna¿. São as incontáveis possibilidades que a vida oferece, todo o tempo, em qualquer espaço. Parece-me bom, razoável.
Ao mesmo tempo (e aí não vai nada contraditório), percebo a falência múltipla de qualquer possibilidade do Humanismo. Acho mesmo que por causa dele, do Humanismo, tivemos graves, sérios retrocessos históricos. Deixo para os especialistas pensarem nisso. Minha idéia rasa sobre o tema ¿dá para o gasto¿ apenas para uso próprio.
VASTAS EMOÇÕES, PENSAMENTOS IMPERFEITOS, de Rubem Fonseca, é um título tão bom, tão amplo que... Talvez tenha vendido mais pelo título...Não importa. É uma frase perfeita, linda.
No fundo é isso mesmo. O mundo inteiro é composto disso, está contido ali: pensamentos imperfeitos, mas vastas emoções.
Nas vastas emoções estão contidas todas as necessidades, todo o desejo, toda a força do amor humano.
O homem como brincava Tom, é um amador incorrigível (graças!).
Ama o tempo todo, sem parar. De forma imperfeita, bem verdade, porque a perfeição ele delega a Deus, mas ama. ¿Amador¿; aquele que ama muito, sempre.
Minhas relações, imperfeitas (imperfeito que sou) são regadas a vastas emoções. Foram, são e serão.
Por isso talvez algumas coisas se misturem, se confundam.
Eu deixo rolar, não ¿pra deixar rolar¿. Deixo para que role até um ponto, como rio e cascata que desabam no remanso do lago.
Leio em textos da net com certa freqüência (e naturalidade) as emoções fugazes, ¿de hoje¿, o sexo seguro, bom e barato.
Por isso tenho sérias preocupações com os caminhos da net. Quando se tem o choque cultural ao finalizar ¿Crime e Castigo¿, a cabeça dá uma sacudida porque a gente percebe que qualquer mal, qualquer atitude, qualquer abandono, qualquer crime pode ser intelectualmente explicado e justificado. E quando se explica convincentemente um crime, companheiro, explica-se mais facilmente o conceito de desprezo às vastas emoções. A palavra ¿vasta¿ tem em sua negação ¿curta¿, ¿pequena¿, ¿estreita¿, ¿rasa¿. Aí sim eu pulo, quico, corro. De estreitezas e visões rasas nossa Terra já está cheia, não precisa da minha colaboração. Tô fora. De verdade.
As relações foram todas escritas, há mais de duzentos anos. Resta Lulu para cantarmos que ¿assim caminha a humanidade¿. E Nelson Rodrigues para finalizar sempre com ¿e é só¿...
E agora, astronauta? Pergunto-me sempre e a quem mais prezo. O que resta pra nós? Tudo, eu sei. Mas como? Simone de Beauvouir? Choderlos de Laclos? Dante? Milton?
Porque, na verdade, se fazemos alguma coisa, somos prisioneiros dessa coisa, nossa liberdade evapora em nome dessa coisa, seja ela qual for, de qualquer espécie.
Enfim, insisto nas vastas emoções, ainda que com pensamentos imperfeitos.
Acho que é mais ou menos isso.
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Sou filho e sou pai.
Pais, em geral, são chatos e rasos. Devo ser também.
Bourdieu, como mestre e pai, me decepciona muito.
Cada vez mais, espero ansiosamente os replicantes, os andróides.
Nesse mundo, Bourdieu e Marx seriam infinitamente melhorados.
Freud não. Seria como foi, como é.
Aliás, até hoje não conheci meninas que não tivessem sérios problemas existenciais com seus pais...


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Auto-retrato
Do livro "Poesia Completa e Prosa".

"Nome: Vinicius.
Por quê? O Quo Vadis, saído em 13 Ano em que também nasci.
Sobrenome: de Moraes
De Pernambuco, Alagoas
E Bahia (que guardo em mim).
Sou carioca da Gávea
Bairro amado, de onde nunca
Deveria ter saído.
Fui, sou e serei casado
E apesar do que se diz
Não me acho tão mau marido.
Filhos: três e um a caminho
Altura: um metro e setenta
Meão, pois. O colarinho
Trinta e nove e o pé quarenta.
Peso: uns bons setenta e três
(precisam ser reduzidos...)
Dizem-me poeta; diplomata
Eu o sou, e por concurso
Jornalista por prazer
Nisso tenho um grande orgulho
Breve serei cineasta (Ativo). Sou materialista.
Deito mais tarde que devo
E acordo antes do que gosto.
Fui auxiliar de cartório Censor cinematográfico Funcionário (incompetente) Do Instituto dos Bancários. Atualmente sou segundo Secretário de Embaixada. Formei-me em Direito, mas Sem nunca ter feito prática. Infância: pobre mas linda Tão linda que mesmo longe Continua em mim ainda.
Prefiro vitrola a rádio
Automóvel a trem, trem
A navio, navio a avião
(De que já tive um desastre).
Se voltasse a vida atrás Gostaria de ser médico Pois sou um médico nato. Minhas frutas prediletas Por ordem de preferência:
Caju, manga e abacaxi.
Foi com meu pai, Clodoaldo
de Moraes, poeta inédito Que aprendi a fazer versos (Um dia furtei-lhe um Para dar à namorada).
Tinha dezenove anos
Quando estreei com meu livro
¿O Caminho para a Distância¿
Meu preferido é o último:
¿Poemas, Sonetos e Baladas¿.
Toco violão, de ouvido
E faço sambas de bossa
Garoto, lutei ¿jiu-jitsu¿
Razoavelmente. No tiro
Sobretudo em carabinas
Sou quase perfeito.
As coisas
Que mais detesto: viagens
Gente fiteira, facistas, Racistas, homem avarento
Ou grosseiro com mulher.
As coisas que mais gosto:
Mulher, mulher e mulher (com prioridade da minha)
Meus filhos e meus amigos.
Ajudo bastante em casa
Pois sou um bom cozinheiro
Moro em Paris, mas não há nada
Como o Rio de Janeiro
Para me fazer feliz (E infeliz). Desde os 7 anos
Venho fazendo versinhos
Gosto muito de beber
E bebo bem (hoje menos Do que há dez anos atrás).
Minha bebida é o uísque
Com pouca água e muito gelo.
Gosto também de dançar
E creio ser essa coisa
A que chamam de boêmio.
Em Oxford, na Inglaterra
Estudei literatura
Inglesa, que foi
Para mim fundamental.
Gostaria de morrer
De repente, não mais que
De repente, e se possível
De morte bem natural.
E depois disso, ao amigo
João Condé nada mais digo".
Vinicius de Moraes


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"O dia, hoje, foi uma taça plena,
O dia, hoje, foi a imensa onda,
Hoje, foi toda a terra
Hoje o mar tempestuoso
Nos levantou num beijo
Tão alto que estremecemos
À luz de um relâmpago
E, atados, descemos
Para submergir sem nos desabraçar.
Hoje nossos corpos se fizeram extensos,
Cresceram até o limite do mundo
E rolaram fundindo-se
Numa só gota
De cera ou meteoro.
Entre nós dois se abriu uma nova porta
E alguém, sem rosto ainda,
ali nos esperava."

Pablo Neruda
(traduzido literalmente de Los Versos Del Capitán)


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27.5.04

Sobre o tempo
"...E podemos tambem analisar o exemplo da flecha. Zenão diz que uma flecha, em seu vôo, está imóvel em cada instante. Logo, o movimento é impossível, já que uma soma de imobilidades não pode constituir o movimento."
J. L. Borges
Quem administra uma arqueria deve levar esse pensamento em consideração.

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do passado

"a cidade pequena pode ser mais do que um pouso temporário. pode ser ainda uma espécie de ícone, ou de decisão. porque nem sempre a decisão aquela que parece mais brilhante ou ainda mais nobre. Não: a decisão prima, antes pela possibilidade da escolha e aí entra muito do inconsciente, do que imaginas que poderá acabar acontecendo... nossas raízes, etc.
porque o universo curvo, a Terra e os outros planetas redondos, como redondo é o seio e a barriga gestante. Como, da mesma forma é o ovo e o óvulo que dão origem ou são a vida 'em processo'...
Portanto, estar em processo é isso. É tomar atitude e essa muitas vezes esconde de nós mesmos determinadas verdades malhadas no ferro, gravadas no ouro, que são essas nossas verdades nem sempre aparentes [nem para nós mesmos].
portanto, o retorno à pequena cidade não é uma surpresa, nem os motivos para tal ação, nem as possibilidades que daí advenham, nesse movimento circular - como circular é tudo, é a vida.
pensando bem, acho que é sempre mais ou menos isso, o círculo se completa. poucos rompem o círculo."

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sempre os cadernos

Dormi muito tarde, de madruga... quase que esperei logo o dia nascer... talvez fosse melhor... fiquei lendo umas coisas atrasadas (revistas) e colocando em ordem determinados estoques de coisas... não dá para passar por cima da coisa da visão sobre tudo... ontem conversei um pouco mais sobre isso (sim, de madrugada) e concluímos que as pessoas não querem encarar essas coisas, que é uma discussão dura demais... na verdade, uma pessoa pode desmoronar completamente se analisar pra valer a sua vida, o que resta do seu tempo vivendo... quanto tempo me resta? Eu não sei, ninguém sabe e fica melhor deixar como está, não fazer marola pra não entrar água pelo nariz... mas não foi por isso que escrevi... escrevi porque pensei em abrir um novo espaço e colocar lá todos os textos que estão manuscritos nos cadernos... pensei sobre isso e meu deu uma preguiça enorme, uma preguiça que não sou capaz de vencer... e depois, continuei pensando, se são manuscritos é para serem manuscritos, não tem que mexer... e publicar então é um sacrilégio... primeiro porque não vai ser lido, segundo porque, se for lido não vai ser entendido, apreendido... enfim, qual a vantagem? Não acredito que um CD dure mais do que um caderno, não acredito mesmo, mas acho que os cadernos poderão ser destruídos com mais facilidade (queimados, por exemplo)... e tem mais, nos manuscritos as coisas são ditas sem meias palavras, citando nomes, horários, contando tudo de uma maneira muito mais crua, imprópria, creio para esse ambiente... esse ambiente está fadado a falar porque não me agrada mais escrever as coisas sem citar as fontes, os nomes, os detalhes... isso aqui tudo é muito careta.
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26.5.04

metropolitano II

As pessoas ficam pensando na vida no metrô... você entra num trem e olha para a cara das pessoas: elas estão lá, absortas, longe como se estivessem em outro mundo... e estão: estão num mundo de sonhos, num mundo de preocupações, num mundo de projetos... dentro dos trens do metrô as pessoas perdem a personalidade e tornam-se o que desejariam ser, tornam-se juízas de questões pendentes, tornam-se arquitetas de planos para resolver os vários pontos que estão ruindo ou que estão para desabar... metrô é um lugar de mortos vivos, de seres que não estão em seus corpos, que não sentem dor nem necessidades, angústias ou prazeres... são zumbis que não ouvem os alertas sobre as estações vindouras, que não sabem porque estão ali... há verdade, não estão ali, nunca estiveram... o trem é um local de reflexão, de viagem, de fantasia... pode-se imaginar o que faria com um prêmio da loteria ou como seria bom se fulano morresse... fica-se ali imaginando um mundo novo, um mundo baseado na vontade e não na realidade... o metrô pode ser a droga dos desvalidos
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fuga, fuga, fuga ou...
corre, coelho, corre


O maior problema é a compreensão, sempre foi, eu acho. Se ouço uma opinião estapafúrdia sobre um fato, uma pessoa ou sobre mim mesmo fico abestalhado não pela ação ou pela opinião em si, mas, principalmente pela incompreensão. Tem essa tendência das pessoas de fugirem daquilo que não estão entendendo, de não ficarem por perto com medo de serem instadas a qualquer coisa. Então, se não entende, ao invés de perguntar e tentar entender, não, sai fora de maneira às vezes leviana para se safar. Isso acontece o tempo todo, em todos os níveis (profissional, entre amigos, entre debatedores, etc). Aí começa a cadeia de círculos em movimento para baixo, que vai levando a pessoa para um mundo de possibilidades menores apenas para serem menos arriscadas...
Escrevo essas coisas porque verifico de perto, às vezes comigo mesmo, o medo. Mas não é um medo saudável, um medo natural que o ser humano tem quando corre perigo, não é um medo do outro... é um medo de si mesmo. Ver a si mesmo como um ser normal, que tem uma vida normal é a melhor forma de rotular o outro, de afastar a possibilidade de conhecer outras visões... acho que é isso, o não querer rever, conhecer outras visões, reconhecer outras possibilidades... mas não é só por isso, não é tão simples... é porque vendo essas possibilidades, vendo mundo de forma diversa fica a sensação de não ter concluído todas as etapas possíveis na vida, não ter vivenciado todas as possibilidades (e isso gera uma enorme frustração). Assim, o melhor é não ver, melhor, considerar o diferente como fora dos padrões... essa é a chave para não colocar o dedo na sua própria ferida.

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25.5.04

bom, eu não posso querer ser compreendido sempre, não é?
...sempre existirão as madrugadas...

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venham também!

O que me aconteceu hoje de tarde foi interessante porque, à partir de algumas idéias e pensamentos, comecei a avançar,a a ficar ansioso, quase histérico.... chegou um ponto em que eu não conseguia mais segurar as emoções, de pensar nas possibilidades que se avizinhavam na minha caça ( e o que se avizinha na minha cabeça, simplesmente é, porque eu sou completamente a minha cabeça... fui ficando eufórico e não conseguia parar de me corresponder e descobri que o correio eletrônico é uma coisa lerda, babaca, que gera muito mais ansiedade do que prazer... mais tarde recebei uma nova carga de adrenalina quando o pdv veio me enfeitiçar com seu circo místico e louco, ele fala por que sabe que eu entro, viajo junto e fico fascinado... talvez eu me fascine muito facilmente, é verdade, mas eu sou assim e pronto, não quero mudar não... quero continuar podendo me entusiasmar com as coisas e viajar e entrar numa e depois ficar dopado de idéias, chapado de intenções... quais são as minhas intenções por aqui, eu fico me perguntando... eu não sei... já expliquei várias vezes, já disse que passei dos limites de ter limites que agora eu entro em tudo, encaro tudo e não quero nem saber... nesse sentido, como francis eu quero rosetar... rosetar não é ficar rodando numa boate como esses babaquinhas de plantão fazem e sim poder ver o cara pintando uma grande tela e o outro mexendo com barro... falar em mexer com barro me volta toda a história do meu ciclo do barro... sim, porque essa é a verdadeira causa de eu estar como estou e não ter volta, não ter saída... a grande, grande biagem foi o ciclo do barro, que acabou nem tanto de barro tendo, mas muito de viagem de loucura... fico olhando a lombada de A Teus Pés da Ana C. e esse título me fascina... essa história de você estar aos pés de... caramba, isso é fundamental... nem que eu esteja aos pés do artesão que faz o barro... tudo bem que fica meio confuso, mas aqui tem isso: cada um que me conhece vai pegando um pouquinho das coisas que conhece em mim e vai juntando... ah, ele está falando disso, ah, ele está falando daquilo e tem os que bóiam completamente, que não sabem de nada porque não participaram de nada... e fico pensando que é pretensão eu sei, mas quem não viajou nunca comigo, quem não participou de nada, nem uma vez... cara, esssa gente perdeu, perdeu os grandes pinotes que eu dei dentro de mim mesmo e na vida, os pulos daqui pra lá... verdade que muitos foram (e continuam sendo dentro da minha cabeça), mas fazer o quê? Tudo isso porque eu estava falando do ciclo do barro, do artesanato, das feiras livres, das mandalas que, vendidas nas feiras foram parar numa determinada casa na serra e (descobriu-se depois), essa casa tinha um dos quintais triangulares e lá moravam as fadas, os elfos, os pirilampos e todos os seres da floresta e as tochas eram acesas para eles (ou para nós)? Mas não é nada disso... o negócio é o circo que o outro quer fazer e o tablóide que eu quero fazer, quero explorar mais isso aqui, deixar isso menos babaca... não importa se uma pessoa só vai entrar, mas tem que conhecer o que rola aqui dentro... que tem essa literatura toda dita clássica, mas tem fadas, barro, circo, pirilampos, lágrimas (muitas, muitas, muitas!!!! Lágrimas)... tudo aqui dentro... tudo rodando... e isso vai dando uma excitação que depois fica incontrolável e você tem que ir tomando isso e aquilo pra baixar e vai ficando chapado, mas mesmo chapado a cabeça não pára.... já repararam que cabeça não pára nunca, em momento nenhum, esteja você alegre ou triste, careta ou chapado... a cabeça fica lá... trabalhando... eis o grande espaço que eu vou voltar a me permitir e a quem mais puder... e cada um vai tirando a sua casquinha... e quem não tem nada para tirar zzzzzzzzz
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carta aberta pós a. c.

Transferir minha produção para o sul parece uma excentricidade e é. Mas é, antes de tudo, uma mania, uma solução, uma alternativa que, se bem aproveitada, pode render frutos... é meio complicado, eu sei, mas existe um estudo sendo feito aqui, uma busca desenfreada para conhecer, para dividir conhecimentos... essa luta não é só minha, essa compreensão de que a sociedade em rede é uma realidade, mas que a cultura em rede não é uma realidade... essa descoberta, essa percepção não é só minha. Claro que posso continuar sozinho - e, de certa forma, o faço - mas não é disso que trato aqui... trato claramente de parceria, de estudo e conclusões e divulgação dessas conclusões em parceria... tenho feito a minha parte e Ane tem feito a parte dela... é um trabalho duro, extenuante, são centenas de livros lidos e estudados, são milhares de páginas digitadas.... mas é muito mais do que isso... é a observação atenta das falhas que a academia apresenta... tudo bem, podemos falar que ana c. disse isso em alguma década, mas e daí? Não se diz mais, então? Ana c. tinha um compromisso maior, um compromisso consigo mesma, com a elaboração intelectual de sua morte... quando falo nessa parceria não é, como parece à princípio uma loucura. Quem viveu sabe que existe o precedente, que existiu a troca de visões através nos sítios virtuais... foi um momento importante, um momento deu fihotes, que deu origem ao manifesto ou ao blog Se Um Viajante... foi um momento que fez uma mulher tomar uma atitude... isso que eu falo sempre: atitude, tomar atitudes... nesse mundo, acho que só a tomada de atitudes, sejam quais forem, resultam em alguma coisa... podem resultar para muitas pessoas ou para uma só, não importa: essa uma, sabemos, é multiplicadora... uma visão atenta sobre o que está acontecendo, sobre o que estamos percebendo é como a fundação de uma revista revolucionária... e aí, nesse ponto sim, a questão virtual pode ser retomada. Pode ser retomada não com a visão romântica da internet de antes, mas como a utilização da ferramenta para aproximar mentes, para unir cabeças que estão seguindo uma idéia, que estão avaliando e continuando uma busca literária que, sim, tem décadas... mas não precisamos ser inovadores o tempo todo... quando estamos debruçados sobre os livros estudando as correntes literárias e sua influência social também não estamos sendo inovadores e nem por isso deixamos de fazer, de perseverar... e os e.mails que eu mandei de forma esbaforida, maníaca têm sim uma razão, uma lógica profunda e arraigada... é possível fazer um trabalho em parceria, não sei se em dois sítios diferentes, num só ou... enfim, a forma está aí para ser encontrada, mas não é justo desperdiçarmos aquilo que temos feito de melhor, com mais afinco... mas eu não quero escrever dessa maneira chata e didática... eu quero dizer tudo da maneira que sempre disse e da maneira que faço as correspondências, entre uma tarefa e outra... porque esse, que escreve esse post não sou eu e, portanto, não vale nada... o que vale é o outro... e o outro (eu) precisa de suporte, de cumplicidade para levar adiante um projeto que não é só nosso, já foi de outras pessoas, mas não pode ser deixado de lado...
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interiores com a herdeira

...estou fazendo um testamento cultural e deixando tudo para ela, tudo o que já foi feito bem como os trabalhos em andamento (o que é um sacanagem, né?)... estamos em negociações, ela dizendo que não está compreendendo muito bem o que eu quero (sei que ela compreende)... bom, se ela não compreende eu não posso fazer nada, só posso deixar essa batata quente em suas mãos e sumir, virar um abacateiro, por exemplo...
... e qual é a minha produção cultural? Basicamente nenhuma porque eu sempre fui vagabundo e nunca fiz nada... li alguns livros e me agarrei com um dúzia deles que fico citando e repetindo incontáveis vezes (deve ser pra fazer tipo)... shiriro apóia ... ela é muito nova pra segurar essa onda e reconhece isso, não tem ciúmes... e eu? O que faço?
... bom, eu vou embora com meus doze livros, continuar a pensar neles e a falar deles vezes sem conta... no fim vai dar tudo no mesmo... vou escrever mais alguns cadernos pra dar mais trabalho ao pessoal depois que morrer... posso deixar uma possível pista do meu possível assassino... coisas assim, nada a mais... tinha pensado em publicar um livrinho com o material daqui e dali, mas desisti completamente por duas razões básicas: primeiro eu ia Ter que pagar a publicação porque ninguém é louco de publicar o que não vende, segundo porque dá muito trabalho e eu não saberia por onde começar e muito menos onde acabar... precisaria me colocar em alguma posição (talvez a de narrador) ou outra qualquer e eu não quero... na verdade, não quero nada com essas coisas... o que eu quero é seguir em frente agora de uma forma descoordenada que me leve a lugar nenhum como aquele metro que falei aqui noutro dia... todos os dias, antes de dormi penso que estou entrando num metrô vazio e indo para lugar nenhum... é uma boa sensação... não sei como terminar um trabalho que estava fazendo para um grupo de estudantes... mandei que eles mesmos terminassem... ela vai ter que cuidar disso também, desses chatos que acham que existe alguma coisa para aprender...
e no mais, se não puder ser abacateiro serei o sábio da viagem do metrô. . . o resto é conversa fiada...

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24.5.04

resumo da carta a Ane Walker

Não. Eu, cada vez mais me perco nos assuntos das correspondências. O que eu quero dizer é outra coisa. Primeiro, claro, discordar de que você envelheça por fora e seja criança por dentro. Isso é complexo de Peter Pan. É preciso que você envelheça por dentro. É preciso também compreender o sentido do envelhecimento, não é necessário ser velho para estar amadurecido, não é necessário ser rude e duro... Claro que isso é uma coisa que você vai ter que ver sozinha mesmo, é uma coisa com você.
Mas eu não sou um excêntrico. Esse é um engano que eu não posso permitir que você embarque. Eu sou tudo, menos excêntrico. Dia desses estava falando sobre isso sobre a loucura e como as pessoas reagem diante dela: quando a pessoa é muito pobre ou ruim, é louca, quando é rica ou famosa, é excêntrica. Nem uma coisa nem outra. A única atitude excêntrica que eu tenho é a minha solidão, a minha tendência a ficar só. Considerando que você me disse que também gosta (ou está gostando de estar só), então você também é excêntrica. Seria essa a lógica? Veja a cidade que você saiu, a volta que você deu pelo Brasil e onde está, o que está fazendo ( a Oficina e tal)... Agora deixando quem é excêntrico de lado. O que você quer com a oficina? Não sabe que nas oficinas não ensinamos nem aprendemos nada? Que é tudo uma enganação? Eu gostaria de dar conselhos (risos... de ser conselheiro)... Os grupos não trazem a luz. Muito poucas vezes a discussão traz a luz... O que pode acrescentar alguma coisa na gente é uma super exposição de literatura, ler, ler, ler... Ler até não aguentar mais.... Sabe por que? Porque está tudo dito, tudo escrito, tudo publicado. Não adianta essa balela pseudo-acadêmica de discutir. Eu agora estou falando de mim. Eu não aguento mais as pessoas discutirem comigo esse ou aquele livro, esse ou aquele autor, essa ou aquela forma, ou aquela escola ou ainda... Não adianta. Está tudo escrito. Está tudo feito. A única coisa que eu acredito é que a gente (eu e você) pode acrescentar, a gente pode escrever mais, a gente pode contribuir mais distribuindo nossos sentimentos, nossos parcos saberes, nossos estudos...Eu escrevo, escrevo e escrevo... Dia desses me chamaram para um seminário... Sabe o que eu fiz? Mandei umas coisas que eu tinha escrito e não sabia onde enfiar. Não sei se eles leram e discutiram ou rasgaram (e isso pouco me importa). Estou atravado com meu Musashi, minha cultura japonesa (que também já está me enchendo o saco)... Mas tudo bem, eu tenho que entender porque o Kill Bill me impressionou muito... Então tem isso também, fica essa miscelânia de arte... E é isso que a gente tem que pegar, Rô, a miscelânia de arte.... quero dizer, não dá pra gente se satisfazer só naliteratura , no cinema ou na pintura... a gente tem que se abrir, se jogar na cultura e conhecer tudo porque uma coisa puxa a outra. Isso é uma viagem, é um mergulho que só dá pra fazer sozinho, no máximo um casal... Porque você vê o quadro do DaVinci, estuda Madalena, o Santo Graal, o Oriente, vê Tarantino, lê ( e vê) king fu e depois volta pro Sartre (sim, continuo preso nele)... Essa viagem não acontece em grupo porque tem sempre aqueles intelectualóides chatos, burros, xangai, de meia tigela, chinfrins... Não dá pra andar com essa gente, olha o que esse velho curioso te diz.... Aliás, é isso... O barato é essa curiosidade que a gente tem e vai indo daqui pra ali, entende? Como você pode introduzir Borges numa oficina assim, de repente? Não dá... tem quie chegar em casa ou numa biblioteca pública e ler Os Imortais até enlouquecer... até começar a entrar na dele e achar que existe (quem diz que não?) a terra dos imortais do Borges e no dia seguinte cair de boca nocvamente nos apócrifos da bíblia e no terceiro dia ver que matrix não é nada, quero dizer, Matrix é tudo, mas tudo já foi escrito no Neuromancer, entende? E cadê a oficina com fôlego pra isso? Não. Não dá. Vai por mim. Porque se não, não dá tempo... a gente morre antes, entende? Claro que a gente vai morrer antes de ver isso tudo que tem pra ser visto, mas paciência, vamos tentar ver o mais possível... Se eu sou, seja, então, excêntrica.
Me perdi completamente.... se você não entender nada não tem problema porque eu também não entendi.
beijo

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23.5.04

negação

É chegada a hora de caminhar, rapaz... é chegada a hora de falar menos e fazer mais... não trabalhar ou produzir mais porque isso é besteira... fazer mais nessa vida, receber e dar mais... o que a gente tem de verdade, além de dar e receber? O que pode me dar mais prazer do poder trocar correspondência com quem está do outro lado, mas me vê de verdade... quem vale mais do que quem me vê pra valer? ... é só isso o que eu quero da vida... saber que tem algumas pessoas 3, 6... sei lá... algumas pessoas que digam ¿esse é o...¿ não me importa o quanto fui magoado ou o quanto magoei... gostaria de não ter magoado ninguém, mas se não o tivesse feito não teria sido autêntico em algum momento e, portanto, não seria eu e minha (poucas) qualidades não existiriam... não pela mágoa, mas pela atitude, pela negação daquilo que era pretendido... a negação, é preciso compreender, muitas vezes é tão importante quanto a aceitação, a negação não é, necessariamente um mal, uma sacanagem... não, a negação do que o outro faz ou a minha própria negação é apenas mais um passo nessa estrada da vida, vida que eu não pedi para viver, que me foi imposta, mas também da qual não abro mão, não vou sair assim só porque não agrado aqui ou ali... vou pensar melhor sobre isso e escrever depois...
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A vida é um mistério de qualquer maneira, independe da nossa vontade... um mistério meio chato na minha opinião, um mistério meio cansativo para o qual eu não tenho a menos paciência... porque a vida só vale com liberdade e raramente as pessoas sacam o que é a liberdade e a liberdade tem um preço tão alto que somos prisioneiros dela... vou caminhando por essa maldita rua molhada e encontrando as pessoas... pessoas que não podem viver, pessoas que não sabem o que é a vida ou não sabem que estão vivas... e eu nem sempre tenho vontade de contar para elas da vida... o mistério é um mistério, o que eu posso fazer? ... a solução é caminhar e pensar que caminhamos sozinhos, sozinhos no meio dessa multidão de milhões de pessoas indo para lugar nenhum, querendo se apaixonar e tendo medo...porque tem essa história toda de transgredir... a gente tem que transgredir para conseguir ir além do mistério, para que o mistério sejamos nós... a plenitude é a morte do mistério... ser pleno é conviver com o mistério de igual para igual, é rasgar o mistério e entrar numa outra percepção de vida... mais pura, mais rascante, que lacera a alma... eu acho que todos devíamos lacerar a alma... só aí seríamos gente de verdade... eo que é ser gente de verdade? Nada.
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metropolitano

Fui à missa de sétimo dia da mãe do pdv... ansioso, saí cedo demais de casa e acabei chegando lá talvez antes até que o padre...nunca tinha andado de metrô num domingo às oito e meia da manhã... é completamente vazio... parece que você está fazendo uma viagem solitária, uma viagem de ida sem volta, parece que o metro veio e vai para lugar nenhum... três ou quatro passageiros no vagão inteiro que fica parecendo enorme... parece que o trem corre mais também... fiquei pensando nas viagens mágicas que sempre imaginamos, nas viagens dos filmes que achamos irrealizáveis e, claro, na grande viagem... o metrô deve ser o transporte da vida para a morte, pensei... fiquei imaginando se lá em cima estava acontecendo alguma coisa, se névoas estavam baixando sobre a cidade, se acidentes tinham acabado de ocorrer (quem sabe grandes maremotos!)... no metrô você não sabe de nada, você se isola do mundo como num avião... antes eu achava que o lugar mais isolado que a gente possuía era o avião... o metrô tem sempre muita gente, muito entra e sai, muito corre corre... tudo porque eu nunca tinha entrado num metrô domingo de manhã cedo... as pessoas que viajam no mesmo vagão que eu mais pareciam mortas do que vivas, espectros assustados por fazerem aquela viagem despropositada... uns olhavam para os outros e baixavam a cabeça... acho que todos sentíamos vergonha um dos outros por não podermos nos juntar e explicar o porquê de estarmos ali... em que livro os mortos se reúnem num coreto na pracinha da cidade?
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Breve conversa em rede sobre psicanálise:

estou tb lendo sbre budismo..
Geraldo diz:
por que?
Psi diz:
porque combina com as minhas crenças..
Geraldo diz:
não sabia...
Psi diz:
algumas, sim..tem muito a ver com psicanálise..
Psi diz:
estou descobrindo isso e estou gostando..
Geraldo diz:
o budismo prega o depeendimento das coisas materiais, psicanálise não, ao contrário
Psi diz:
Prega isso porque aponta que a insatisfação não se acaba com a conquista.. ela é própria do homem.. a psicanálise tb acredita que o homem tb tenha um sofrimento existencial...
Psi diz:
resultante das contradições e dos conflitos de ter que ceder muitas coisas e desejos para viver socialmente..
Geraldo diz:
pois é... a psicanálise é pior com o analisando porque sabe que ele está certo em sua angústia existencial, sabe dos conflitos que ele vive para viver socialmente e, no entanto, fomenta isso... 'trabalhando' ou não faz com que os homens se modifiquem, se amoldem a um tipo de vida , de sociedade que os psicanalista 'sabem' que não é natural...
Psi diz:
A psicanálise tem as suas falhas..
Geraldo diz:
Mas o que eu disse não é uma falha... é um erro absurdo, confesso e assumido, planejaddo e estudado e para quê? para obrifar as pessoas as seguirem o que não é natural... não gosto de psicanálise...
Psi diz:
eu gosto.. não gosto é de saber que de qualquer forma, a vida é cheia de sofrimento..
Geraldo diz:
o que vem a dar no mesmo
Psi diz:
não... o sujeito apontou.. mas, não deu a fórmula..
Geraldo diz:
a fórmula dão os psicanalistas... só que dão uma fórmula na qual eles mesmos não acreditam.

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22.5.04

Não sei o que fazer nesses dias tão frios... fico pensando naquela menina com quem me comunico só pelo MSN... é muito curioso como ela consegue levar a vida... fico pensando, tentando compreender, mas não vai... dia desses falei para ela que o suicídio tem o ônus de você se matar, mas o bônus de estar morto... ela meio que se mata sem morrer... não vive direito, não vive a vida plenamente.... está prisioneira de um senhor... como que encarcerada na torre de um castelo... é bonita e triste... mas não tem coragem... a porta da torres, a porta que leva à escadaria está sempre aberta, mas ela não tem coragem de sair... não sabe mais como seria viver aqui fora... não sabe mais se agüentaria as agruras e as coisas boas da floresta... então fica lá... trancada na torre... ela é bonita, mas seu olhar triste demonstra o que sofre... mas o que se pode fazer pelo sofredor quando ele mesmo perde essa consciência... falar, talvez... eu falo, mas do que a minha fala adianta? E por que eu falo? Não sei... tento, pelo menos... fico pensando na frança ocupada e nos vistos de saída que se conseguiam, em cada prisioneiro que você pode libertar... gostaria de poder libertar muita gente, mas não sou capaz... liberdade: que coisa cara e difícil e como mete medo nas pessoas...
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O que as pessoas esperam de mim? Caramba, eu não tenho isso tudo pra dar... e tem uma outra coisa... eu não quero ser bonzinho e fazer o que todo mundo quer só pra agradar não... agradar aos outros é o que menos me preocupa nessa fase da minha vida... nesse momento eu quero me agradar porque sou eu que tenho cinqüenta anos, sou eu que carrego o barco, sou eu que anseio, desejo e não tenho... então pra quê ficar com essa postura de bonzinho, de abnegadozinho e essas coisas todas.... tudo bem, a vida é essa e eu vou levar, vou fazer a minha parte, mas só a minha parte....
.... tem esse monte de gente por aí fingindo que faz isso e aquilo pelos outros, num dar sem fim... não é verdade. Estão mentindo para si mesmos e para os outros. Não quero cair nessa mentira, não quero participar nem de uma forma de nem de outra... já levei as porradas que tinha que levar e sei que ainda vou levar outras... tudo bem, eu levo porrada, mas deixa eu dar também, não me façam fingir nada... eu tinha outros planos de vida, não vai dar... e não me venham com essa história de segredos, de passado e essa coisa toda... conto tudo para P. e também pra shihiro, conto pra mim mesmo e pra quem mais quiser saber... chega um ponto na vida, cara, que você perde a vergonha, perde essa vergonha toda que é ensinado a sentir e carrega a vida inteira... eu não quero mais ter vergonha de nada... quero poder andar por aí com as pessoas sabendo de tudo, sabendo de mim e me curtindo ou não... se vão ser 1, 2 ou três, isso não me interessa mais? Quanto tempo de vida ainda tenho?

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... assisti mais duas vezes Casa Blanca... eu quero as coisas que estão ali, sua filosofia, sua história, emoção que eu não conhecia bem...- - - - >não estou assistindo, estou estudando...< - - - sempre teremos Paris... a vida pode ser levada com muito mais emoção e amor baseada apenas na frase "Sempre teremos Paris..."
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21.5.04

Hoje assisti duas vezes o Casa Blanca e algumas cenas repeti8,15 vezes... fiquei com isso na cabeça, essa coisa todas de você ter uma história, saber contar uma história e ver o amor... caramba, eu acredito pra caramba no amor, acho que as relações humanas todas são baseadas no amor ou no não amor, mas, de uma forma ou de outra é tudo o que temos... não temos mais nada,,, e não falo de ser amado não, falo de amar mesmo de dar-se por inteiro... isso nem era para ser publicado aqui, é um pedacinho de algumas considerações que deixei no meu caderno, nas minhas anotações... não são para as pessoas avaliarem, pouco me importa a opinião dos outros, só mesmo a minha...
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Fiquei vendo o site que ajudei a fazer e achei uma merda, uma grande merda no fundo... fiz o que mandaram, mas não sou conivente com nada do que está lá...
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As noites têm sido maiores, tenho visto a madrugada.
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Preciso ler neuromancer de novo porque tem um monte de coisas que não entendi e outras que não lembro...
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Mataram a mãe do pdv... o que eu faço?
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Preciso ler mais e aprender mais... tenho perdido tempo, tenho deixado de conhecer coisas interessantes... não quero pessoas me afastando dos livros...
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O final de semana é muito curto pra toda a letargia que tenho em mim e não quero perder...
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Na verdade, tudo isso é muita falta de assunto, né?

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20.5.04

freqüentemente eu procuro o posta restante... sempre tenho a esperança de que ele volte...está lá, vazio, com a palavra "silêncio"... resignado, aguardo a sua volta
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esse mundo de zumbis virtuais.

... não encontrei nada de diferente naqueles ambientes virtuais a não ser pessoas sós e deprimidas, pessoas que fingem que está tudo bem , que não admitem sua solidão e disfarçam dizendo que estão só 'passando o tempo'... mentira*... estão depositando ali suas últimas esperanças de encontrar alguma coisa, alguém que dê um novo (ou algum) sentidos às suas vidas... [shiriro estava do meu lado e viu... comprovou...] são ambientes que lembram os subterrâneos de nova york onde, por baixo da opulência, vive uma gente miserável, a escória, povo sem eira nem beira, gente que não tem mais nenhum motivo para acreditar que nada, nada mais pode dar certo... gente que constata que as coisas são perenes, não mudam... não adianta ter esperanças, expectativas, nada... porque as coisas simplesmente não vão mudar... vi isso de perto: as pessoas vagueiam como zumbis virtuais, esperando um acalanto, um olhar que demonstre a possibilidade da virada... e nada... nada acontece... dia após dia... essas pessoas começam a se dar conta quem nem nos ambientes virtuais vão se redimir, nem virtualmente terão a possibilidade de serem o que gostariam... (e mudam) - - - - > se enchem de afazeres, ocupam o tempo praticamente todo para não pensar, para não ver o que vão encontrar à noite, no dia seguinte... creio que o ambiente virtual não tem dia seguinte, tem um outro conceito de medição de tempo, um conceito, por sua vez, virtual.... e a idade, deus, a dor da idade... procurei mostrar tudo isso a shihiro que ficou interessada e, ao mesmo tempo, abismada... não é mundo dela... [já foi o meu e também não é mais...]
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Essa chuva a esse frio me remetem para as terras distantes do sul, terras para onde tomei um trem e fiz uma grande viagem. É um tempo bom, não vou dizer foi. Recuso-me a falar no passado... porque o passado não existe (já que tudo é passado). Se cada momento torna-se imediatamente passado, não posso tratar de parte da minha vida como passado e outra parte não. Tudo é passado, não é isso? Se tudo é passado basta eu escrever tudo.... em tudo eu digo que aconteceu isso ou aquilo e isso me leva outra conclusão: se tudo é passado e eu vivo no tudo, nada impede que o passado possa vir a ser futuro... quero dizer, a noção de tempo se altera de forma a não existir presente, passado e futuro, ou seja,a não existir tempo. Posso trocar as palavras... ao que eu chamo de vida, chamarei passado.... ao que eu chamo futuro, chamarei existência e ao presente chamarei nada... porque não existe.... mas voltando ao frio e ao trem, ontem estava com o pdv assistindo às cenas finais de Casablanca... não existe nada mais legal, mais completo, definitivo do que Casablanca... e aí volto à história.... como pode Casablanca ser passado, ser antigo? Não é, é moderno, é mais moderno que matrix... os conceitos de antigo, passado e moderno se confundem entrelaçam...
shihiro ainda não assistiu casablanca... veremos amanhã
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19.5.04

De vez em quando bate um sensação ruim, de coisas mal feitas, coisas que eu não deveria Ter feito... essa coisa da minha mãe, por exemplo... por quantos anos mais vou crucificá-la.... ela errou é verdade, mas e daí? Eu já não sei disso? ... é que eu não posso admitir que as coisas ruins perdurem passem para os meus filhos.... deixa que eu arrume as coisas ruins para eles...
... não adianta falar, essa melancolia vem e gruda como o papel recortado colou eu shihiro e a gente riu porque o vento colava o papel nela...
hoje não estou legal, essa história de manhã detonou de novo o demônio adormecido... tudo bem, pode ser que passe logo... não gosto de me sentir culpado, de ser o malzinho da história (e invariavelmente sou)... conversa com P até de madrugada sobre a vida dura, a onda existencial da angústia profunda, da rejeição, desse mundo que acaba fazendo a gente fazer coisas que não quer, esse mundo que empurra a gente ladeira abaixo (e como é penoso subir novamente depois)... mas deu pra ouvir... deu pra entender (não aceitar, necessariamente)... quer dizer, nos outros eu posso aceitar tudo, sabendo que pra mim não é legal... pra mim, legal é shihiro...

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18.5.04

Shihiro, meu amor

Não tenho porque duvidar de shihiro... tudo o que ela me dá e me conta acrescenta um mundo de coisas novas nas experiências passadas... de certa forma, torna o passado pequeno perto da grandeza de seu coração, de seu carinho, de sua emoção... shihiro é, antes de tudo emoção... não existe nela um momento sequer de maldade ou avareza de sentimentos... é um dar constante, um esplendor de vida, uma explosão de emoções e sentimentos novos que me invadem em sua companhia... disse a ela (e penso mesmo) em como é engraçado um homem encontrar tanto amor, tanto conhecimento e tanta grandeza numa pessoa tão mais nova.. shihiro sorri com seu jeito de menina, com suas pernas de menina, com sua energia de menina... me fala de coisas que eu não consegui ver durante cinqüenta anos, de coisas que não consegui sentir porque não me permitia dar e receber assim... quando entramos no metrô logo pela manhã, shihiro dá um sorriso tão alegre, tão pleno de satisfação e realização que não existe possibilidade da viagem não ser boa, do dia não ser bom, do mundo não ser encantado... saber que à noite shihiro estará novamente perto, que sorrirá das coisas banais, saber que ela vai desdenhar dos chatos, dos ignorantes... saber que ela vai me mostrar como acertei agindo como agi, como vai estimular a continuação do meu trabalho, como vai se deliciar com as histórias de uma vida tão diferente, de uma cultura tão diferente... me fala que seus pais não entenderiam, que eles viveram diferente... perguntei dia desses a shihiro como a família dela via tudo isso... ela sorriu e brincou: não acham você velho, confessou depois de fazer olhares e caretas de mistério... mas eles, insisti, tem quase a mesma idade... ela me olhou séria, com seus olhos grandes... é verdade, dizem que às vezes essa diferença é boa e dizem ainda que eu vou aprender muito com você... cai na gargalhada, eu conto que você me diz que aprende comigo e eles sorriem...
Eu fico a noite inteira acordado...
Shihiro, meu bem, meu zen, meu mal

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Musashi é um épico. sua leitura muda a cebaça da gente. Completamente.
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pés de tênis

Ficamos até uma e tal da manhã conversando sobre as novas tecnologias e os clássicos que ela tem que ler pra entrar nesse barato de cabeça... ela me diz que é um técnica, me diz isso desde 2001, mas de vez em quando derrapa e fica preocupada com o usuário e tal... uma vez, fez chacota com crime e castigo.... não gostei... mas o tempo passou e muita coisa, muita coisa não, tudo mudou.... mudou em mim... até hoje eu chamo ela de minha menina, ficou... ela dizia que eu fazia o lado nobre do trabalho e a gente ria por causa dessas bobagens... agora são outros tempos, somos pessoas diferentes, eu acho... pelo menos, eu sou.
Esse frio no rio está impressionante... lembra a serra... aliás, ela ligou pela primeira vez para me falar que não perdesse um filme por causa da profusão de pés.... que filme? Kill bill, claro... é verdade... tarantino tem obsessão por pés e nos kill bill tem de todos os tamanhos, pra todos os gostos.... particularmente adorei um de tênis... da menina com a bola de ferro... contei isso pra ela que riu pra caramba... mas você não viu o pé, viu o tênis, disse... eu sei, respondi convicto, mas pelo tênis já dava para antever... bom, essas coisas que não dá pra explicar pra qualquer um... ela entendeu e pronto... rimos um bocado... a hora da espanha e está chegando, eu perguntei e ela confirmou... uma vez sonhamos em fazer o caminho às avessas, até os pirineus... mas quantas coisas não planejamos, não pensamos que depois não vão adiante, indo outras que nunca pensamos... por exemplo... minha viagem de agora... quando eu pensei?
P.S. claro que estoufalando de pessoas diferentes que me lembram momentos diferentes, tudo fazendo parte desse universozinho chamado vida minha....

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17.5.04

Essa história do papelão do Lula dizendo que ia expulsar o jornalista americano já está cansando. Todo mundo já sabe que o Lula é um ditador truculento. Quando ele colocou a estrela do PT no gramado do Palácio do Planalto, demonstrou a posição petista de "isso aqui é nosso".
Ridículo. O PT é ridículo, mas agora não adianta a gente ficar chorando. Não quero mais falar disso.

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16.5.04


KILL BILL SUPER MANIA
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KILL BILL MANIA
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O encontro com as pessoas num outro mundo tem sido comum para mim... como se esse mundo estivesse desligado e eu só os encontrasse em outra dimensão...ora, se a outra dimensão é a que vale, deixa de ser outra e passa esta sim a ser outra dimensão... portanto, concluo, outra dimensão para mim está sendo esse mundinho de cá... eu não tenho nada mais a ver com as coisas de cá, esse não é mais o meu mundo... nada a ver com afastamento ou qualquer coisa parecida... mudança de mundos é tão comum como mudanças de camisa, basta que você esteja em paz, entendendo o que está acontecendo... não fosse assim, em última análise as pessoas não poderiam mais morrer e se morressem não estariam na vida espiritual prontas para regressar ao mundo... mas eu sou reencarnacionista? Não era, mas mudei de idéia... sei inclusive quem são algumas pessoas, quem foram e para onde irão... e a que tudo isso me leva, perguntarão os incautos, aqueles que estão sempre esperando minhas reviravoltas para me apontar?... ora eu mudo porque mudo, porque não sou um só, porque não quero me prender as coisas, às crenças desse mundo... quero estar livre para tudo, para viver de todas as formas, em qualquer dimensão, em qualquer situação que vá se apresentando... posso estar num barco, numa casa ou num trailer porque tudo é a mesma coisa, é o mesmo eu (que não é só um que está vivendo, mas essa miríade de possibilidades chamada sobretudo... esse sobretudo é uma capa que guarda muitos segredos, muitas pessoas embaixo de si... e todas voltadas para o bem (ainda que tenha de ir à guerra regularmente)... então é isso, eu estou lá com um grupo e as pessoas estão aqui e ninguém pode provar o que é lá ou o que é aqui...
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14.5.04

caminhante

O caminho a seguir é uno e só. Não tenho a possibilidade de fugir à regra. O mundo é um espaço onde os homens não se aproximam, ao contrário, se afastam mais e mais.... e nesse espaço eu tenho que seguir solitário porque as coisas assim são e eu me canso de tentar outras coisas, me canso de falar e tentar mostrar... por isso sempre achei a motocicleta o veículo ideal, porque ele me dá a exata dimensão do mundo solitário, do mundo que já foi destruído, que já não existe mais... esse é o caminho e não posso fazer nada a não ser acender o incenso do nepal (de camelô, como dizia raul seixas)... peregrinar... ser peregrino num mundo inóspito e rude onde as pessoas só querem o prazer imediato a ação imediata, onde cada um é descartável para o outro... eu não sou descartável e por isso insisto na caminhada, na grande caminhada... que me guiem os anjos e espíritos sejam eles de qualquer latitude do cosmos... não tenho cabelos por onde me segurem, minha barba foi tosada e minhas roupas de couro podem muito bem ser roupas de um monge... mundo, aqui vou eu.
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13.5.04

Hoje acordei assustado, achando que não era a hora de acordar que ainda era muito cedo... que nada, não era... são essas coisas todas que a gente toma que fazem a gente perder o controle do sono embora sono não seja para ser controlado... nada disso, gente, não são drogas (ou são)... mas quem agüenta essa vida assim, inteira, de repente sem Ter pedido nada a ninguém não é verdade? Não sei nem o que estou fazendo aqui, poderia pensar, mas não é o que penso. Sei de tudo direitinho... tudo não, algumas coisas, as que dão pra ir levando... procurando um trem que eu perdi em algum lugar e me deixou uma estação inóspita... agora caminho por desertos arenosos e não vejo muito por onde sair... tudo bem, tem o espelho mágico, mas ele me joga na metrópole, me joga na lapa de noite, à pé... e eu vou caminho por todas aquelas vielas praticamente sem iluminação... perguntam o que eu quero e não respondo, só olho... agora eu não respondo mais nada... apenas olho, olho e olho... quem são essas pessoas que querem explicações, explicações da vida, explicações de mim? ... eu só me explico a mim mesmo (e até aí sei o peso disso) , mas não tem jeito, tenho que me olhar para fazer a barba, não é mesmo...? parece que borges não se olhava, mas ele era gênio, eu sou garrafa... muito diferente... musashi não acaba e ainda tem mais um volume... tudo bem, com tanto trem, tanto metrô vai ser rápido como na bahia que as brumas de avalon foram devoradas e eu nem senti enquanto o ônibus voava à noite por aquelas estradas baianas... aquela não era a minha terra, minha terra é aqui (minha terra é onde ¿ alguém não disse isso?) venho andando então pelas ruas escuras da lapa e vejo de perto como os arcos são grandes, mas não são imponentes, são pobres... o rio é pobre, o brasil é pobre... não existem grandes coisas por aqui... quem pensa isso está só se enganando e eu prefiro me enganar com outras coisas, coisas que dão prazer... prefiro me enganar quando vou dormir e dou boa noite para ela e lembro da berlota que atrapalhava... não, meu amigo, hoje eu realmente não estou para conversa, quero mais é que me deixe em paz... fazer esse trabalhinho merda aqui, mas é o que me restou nesse latifúndio e ir pra casa... os gatos me esperam, me gostam e eles sabem o porquê de muita coisa... sabem mais do que muita gente... eles são o que a flor foi... por isso fico tranqüilo na hora de dormir... o sono vem e eu sei que tem aquela perna e aquele pé passados por cima de mim... tudo bem, tenho que tomar algumas (várias) doses pra isso acontecer, mas não me importo, já dei o que podia e agora é deixar pra ver o que a vida quer de mim... o que quiser estou aqui, guerreiro (enquanto EU bem entender)
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katana em repouso

Tomamos o chá e conversamos sobre o tempo... ele tinha razão, não choveu... a tempestade se afastou levada pelo vento da sabedoria... olhamos a katana colocada no suporte... me pergunta pela minha e respondo que está em casa, perto da fonte... ele resolve mudar de assunto do chá para a tempestade, da tempestade para a vida, para a busca ao oráculo do I-ching... você, ele me diz busca tudo no seu tarô e eu não desaprovo, meu filho... mas lá você vê outras coisas que não são do mundo a que você tem que se dedicar agora... eu sei, respondo, mas outras pessoas precisam de auxílio rápido e só através dele posso ajudar... ele sorri com sua cabeça raspada... é verdade, meu filho, mas não se descuide de você, da vida que vem por aí, do recolhimento a esse mosteiro, ainda que você, seu corpo, esteja lá fora... você é um dos nossos e tenho que te mostrar o caminho.... eu ainda não sei o caminho? Pergunto....
... não sobretudosan, você não sabe o caminho nem saberá lidar com as coisas que virão logo a seguir, que estão já na sua frente sob a forma de mulheres, sobre a deusa de que você tanto tem falado.... você tem falado tanto na deusa e tem estado com ela a sua frente em espírito, mas não está completamente pronto, não posso deixar que você caminha ainda sozinho... tomamos mais chá e eu passo para outro dimensão onde a visão é holográfica e tenho em meu olho, antes de ver a imagem real, mostradores de relógio, temperatura, meus batimentos cardíacos e os de quem está à minha frente... esse é o mundo de cá, ocidental e brutal... mas lá também é brutal... porque brutal é o homem e não o lado do planeta que ele ocupa, brutal é a vida tal como a tornamos por nosso espírito egoísta, por nosso ego (não o psicanalítico)... não se assuste muito rápido, meu filho, ele me diz e levanta-se agilmente apesar da sua idade... pulo para o vagão do metrô que corre por túneis escuros como buracos, sinto-me um tatu triste e sem referência... quais as referências devemos procurar dentro do metrô? Eu não sei... salto numa estação e caminho olhando todas as pessoas e não vendo nenhuma... esse é o mundo que eu construí para mim, do qual sou prisioneiro sem grades, prisão que não quero sair pois morreria como que por falta de oxigênio... meu coração continua bombeando, eu sei.

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crianças e urubus

O pior é que, de agora em diante, todo mundo vai ficar olhando o que lula bebe em cada lugar, em cada encontro, em cada almoço, em cada recepção... ele mesmo criou a expectativa para ser patrulhado à cada passo... se não beber nada, vão dizer que está no AA... se beber, coitado, vai ter que ser com a moderação de um bispo.... ou seja, a truculência se volta contra ele mesmo... por tabela, ele também aumenta o ibope do brizola, do cláudio humberto e do diogo mainardi... enfim, uma lambança internacional sem precedentes na história do brasil... por mim... bebeendo ou não, eu só queria que houvessem mais empregos, que o brasil fosse menos discriminatório, que houvesse mais igualdade, menos violência... nada disso deixa o presidente tão consumifo sobre uma notinha num jornal do exterior... as crianças, competindo com urubus, catando lixo para comer não incomoda tanto o presidente...
Votou? Agora fica quieto.

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Brasil, mostra a tua (verdadeira) cara!

Que vergonheira novamente do Lula e do brasil no exterior, heim? Essa atitude de expulsar o jornalista americano porque ele disse coisas que o Lula não gostou fere a liberdade de imprensa, fere a democracia, mostra bem a cara desse governo autoritário.
Aí está: disse que eu bebo muito? Então expulsem! Paderón!
O que era uma notícia pequena, opinião de um jornalista americano, assinada, tornou-se assunto mundial, manchete mundial de repúdio à vingança do Brasil. Tudo bem, talvez o Lula tivesse tomado umas e outras quando disse que ia expulsar... as associações de jornalistas de todo o mundo consideraram anti-democrática, truculenta e autoritária a decisão do presidente do brasil.
Gushihken, não tem muito tempo - se rebelou contra os jornalistas, dizendo que só publicavam notícias ruins sobre o brasil, sem pensar ele mesmo que o jornalista só pode falar daquilo que sente e vê. Agora, na sanha de autoritarismo digno de republiqueta Lula quer expulsar um jornalista...
Esquecem todos que o Brasil, em todos os seus jornais, sempre publicou o que quis e bem entendeu sobre os estados unidos, sempre gozou o Clinton e meteu o pau no Bush... Aí pode. Falar do Lula não pode. E por que não pode? Simples: porque ele não quer. Ele é o presidente, é o dono do brinquedo e encerra a brincadeira quando bem entende.
Não pode mostrar as mazelas do país, não pode mostrar a inoperância do governo e não pode dizer que o presidente bebe muito.
Aqui e lá fora deve-se publicar o que o governo brasileiro quer e não o que mostra.
Hoje somos matéria no mundo inteiro, matéria de repúdio à truculência e ao autoritarismo.
Bem feito! Quem mandou votar?

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11.5.04


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ratos, ratas, baratas e percevejos, muitos percevejos... o que é tudo isso vibrando baixo no tapete???
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viagem por aqui

raspo a cabeça, faço a barba, tomo banho e me sento... abro o tarô que estava quieto tem uns dias... os arcanos são sérios, não estão brincalhões... parece que não gostam do que vêem, que preferiam estar fechados em sua caixa... bom, quase me explico, mas eu preciso ver algumas coisas, entender algumas coisas... tem a alusão a cabala, lógico, mas não é assim que as coisas funcionam para mim... eu preciso de mais informação e sei o que as cartas podem fornecer... e não adianta ir no tarô online não minha preta... é táctil... tem que ter a tua mão no papelão, tem que sentir a vibração... e aí aparece direitinho as pessoas que vibram baixo, que vibram num estágio inferior... tudo bem, meditação e incenso... isso basta por hora, certo gafanhoto?
o computador é o oráculo do meu filho... ele recebe toda a magia, toda a informação e contra informação daquele monitor sinistro... eu sei o que ele é capaz de perceber mesmo estando ali, quietinho no quarto... eu não tenho essa capacidade... só pode ser relacionado à idade provecta, não riam, é verdade... no meu tempo não tinha computador e a gente acendia grandes fogueiras num ritual pagão e os druidas vinham todos dançar em torno das chamas... pra mim ficou assim, fazer o quê? O que resta é pegar mais leve, claro, a chama ser pequena, de pavio e a fumaça de incenso do mundo verde ( e eu tenho que fingir que acredito que é do nepal)... volto ao livro da cabala e volto a fecha-lo... não adianta, meninas, vocês hoje, pelo menos os arcanos maiores têm que trabalhar... acidente? Atrasado ou tem outro? ... deixo de lado esse aspecto por enquanto, enquanto viajo nas aventuras de musashi ( e que aventuras!)
pra que a gente escreve essa droga toda?

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lastimável

Em defesa do Lulinha Paz e Amor, nosso presidente da república temos que dizer a verdade. Não é porque ele gosta de uns tragos a mais que o país vai de mal a pior. Absolutamente. O país vai mal porque seu governo é pífio, sua equipe condenável... muito mais escandaloso do que os pileques do presidente é o caso do assessor do José dirceu... muito mais perigoso que o uísque e a cachaça, é o compromisso assumido no fórum de são paulo...

(ainda do cláudio humberto)... "O correspondente do New York Times no Brasil, Larry Rohter, nem mencionou histórias como a da noite em que Lula saiu em estado lastimável de um jantar com parlamentares na casa do presidente da Câmara. O fato foi minuciosamente apurado pela revista Veja, que o publicou".

Não vejo gravidade no estado lastimável que sai o presidente (salve, salve) dos jantares...
Lastimável é, no dia seguinte, o brasil não caminhar....

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transcrito do claudio humberto

Jornalismo que não se abstém
Citada pelo New York Times, esta coluna reafirma em tom editorial, pela primeira vez em 2.200 edições, o seu compromisso com a apuração rigorosa dos fatos, o interesse público e o leitor ¿ a razão de tudo isso. A claque governista, no Planalto e na mídia, tenta desqualificar o mais importante jornal do mundo, o líder político que indicou o primeiro ministro das Comunicações de Lula, o consagrado jornalista Diogo Mainardi, de Veja, e até este colunista, para responder matéria sobre as relações do presidente com bebidas. Nada de novo: assim como bebedores compulsivos culpam a bebida, os políticos sempre culpam os jornalistas pelos seus erros. Esta coluna não tem preferência pelas más notícias (elas é que acontecem em profusão), por isso espera registrar positivamente as ações do governo Lula, assim que ocorram. E não abrimos mão da missão definida por velho jargão: o jornalismo existe para confortar os aflitos e afligir os poderosos ¿ acrescido do ingrediente do humor, para atenuar a crônica diária das vilanias, das contradições e da embriaguez do poder.

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lula e a pingoleta

O brasil é um país muito engraçado mesmo... agora está todo mundo revoltado porque saiu uma 'reportagenzinha' contando que o lula é pinguço... ora, mas ele sempre foi e o brasil p elegeu presidente assim... por que o desespero agora? Muito pior do que ele ser biriteiro é o estado do país que está num porre sem precedentes... uma esculhambação nas áreas de segurança (quá quá quá), saúde, educação... um país que não tem empregos...
O brasil não tem rumo, mas não é porque o presidente gosta de tomar suas talagadas a mais... está sem rumo por incompetência governamental mesmo... os escândalos brabos do governo são a fome, o analfabetismo, o desemprego, o poder das quadrilhas de narcotráfico... não fosse isso, lulinha paz e amor podia se afogar num tonel de cachaça que ninguém ia se importar...
Estão, mais uma vez, desviando o foco das questões sérias do país...

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a incapacidade das seguradoras

A escolha das prestadoras de serviços são um verdadeiro martírio... na hora de oferecer os serviços, todas se comprometem com tudo, dizem que são as melhores, que você não terá dor de cabeça, etc. Não é bem assim.
Sofri um acidente e meu carro foi para a oficina da Distac para os consertos necessários. A seguradora do UNIBANCO, anotem esse nome: Seguradora da Unibanco, levou nove, veja, 9 dias para autorizar o ínício do serviço da parte de lanternagem... depois haverá nova perícia para mecânica... ou seja, na hora de fazer um seguro, cuidado:
Não USE A SEGURADORA DO UNIBANCO

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10.5.04

ratas predadoras ?

Engraçado essa história de assédio.... o que as pessoas buscam hoje em dia (ou sempre buscaram) o tempo todo? Não tem mais tempo para ninguém falar com ninguém, as pessoas não deixam você falar, não querem ouvir... é uma espécie de desespero pra arranjar alguém, uma espécie de namorado ou sei lá eu o quê... Uma pessoa que entre na internet hoje tem que estar pronta para sair de casa e ir buscar alguém para o início de um relacionamento... é sempre assim... Você simplesmente NÃO PODE ter o seu blog, navegar nos sites, pesquisar e até se expor um pouco mais.... As pessoas, principalmente as mulheres, ficam completamente desesperadas com qualquer coisa que você fale ou faça que não esteja diretamente ligada a ir para a cama no final da noite (ou no início)... É uma carência doentia, uma solidão profunda que mexe com as pessoas, deixando-as todas prisioneiras de um furor uterino não verdadeiro, um furor uterino virtual que as remete ao presencial...
O que a nossa sociedade está criando ao gerar pessoas tão mal amadas e tão solitárias?... o que a sociedade está fazendo despejando milhões de seres em seus apartamentinhos, pessoas sozinhas que à noite vão para a internet e começam uma busca, uma caçada frenética por alguém... o que importa é que seja alguém, não importa credo, cor ou idade.... o que estamos criando nas cidades? Onde vai acabar esse numeroso exército de mulheres predadoras?

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8.5.04

sonhos

Acordo sem querer acordar... sonhei muito, o tempo todo... estava nas favelas,andando com o pessoal, vendo a coragem desses anti-heróis... não sei porque acho que era Marcinho VP, podia ser outro, mas acho que era ele reanimando seu pessoal, ferido, tratando de armas... tinha um pano na cabeça... tinham grandes festas que não eram os bailes funks, mas festas mesmo... cazuza estava lá cantando beth balanço e a galera ia à loucura - - - beth balanço, meu amor... me avise quando for a hora....... todo mundo cantava junto enquanto marcinho (?) corria e acelerava o pessoal, tinha que passar a munição, as armas... parece que ia ter uma invasão (não sei se da polícia ou de outro grupo)... em algum momento apareceram os evangélicos, alvoroçados eles também porque eles fazem parte da comunidade, porque estão ao lado das pessoas, estão ali, não são distantes, são da comunidade, já foram como eles e podem voltar a ser, quem sabe numa hora de desespero precisem pegar as armas e ajudar, precisem exorcizar demônios, precisem qualquer coisa... muito corre- corre, mas todo mundo solidário, uma solidariedade que eu não vejo aqui em baixo e que os não bandidos não têm e não conseguem aglutinar em torno de si...
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Dor nas costas, dor nas costelas, dor de cabeça... parece que passou um trator... é necessário cuidado para não cair novamente numa dessas... porque esse estado pode induzir a uma queda e aí a coisa toda complica... tomo o comprimido sabendo que o efeito só vem daqui a duas semanas... precisava de uma coisa mais imediata e não tenho... beth balanço não sai da minha cabeça... que agonia...

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7.5.04


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a idade de dentro e a idade de fora

O caminho que parece se apresentar difícil, não o é na verdade... e nunca se pesca com muitas varas, me disse Okobuto ontem quando o procurei pelos outros motivos. Recebeu-me com carinho e trouxe chá e biscoitos... não se avalia sua adiantada idade visto sua rapidez, seus movimentos ágeis e alegres... muitos (eu, inclusive), gostaríamos de ser como ele... riu muito das minhas mazelas, minhas dores e meus acidentes... disse que eu estou vivo e que essas coisas só acontecem aos vivos... me perguntou quem é essa mulher que faz contato e se aproxima, desconfiada, que seja, mas se aproxima mais e mais... mas foi isso o que vim saber, essa é a resposta que eu quero, disse eu... ele riu e perguntou pelo menino, como estava... bem, respondi, está se saindo melhor agora do que na época negra, na época da doença que se abatera sobre o lar onde nem a imagem e a tentativa de sensação búdica adiantavam... ele ficou contente, sorriu e tomou o chá... tenho vindo aqui porque esse pode ser um caminho, acredito que posso encontrar em mim aquilo que os outros buscam no desespero, na angústia da solidão.... como ver um homem em idade avançada feliz, sem medo de estar perdendo nada porque não é o de fora que se perde, é o dentro... quando não se tem mais nada dentro, filho, me disse ele, não adiantam as flautas e as alegrias criadas sem verdade, o sofrimento virá e o peso da idade vergará homens e mulheres... é dentro, gafanhoto, brincou ele, numa alusão a kung-fu... satisfeito voltei para ver a água que se movimenta e energiza minha casa....
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4.5.04


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kill bill me influenciou mesmo, não tenho vergonha de falar.... não sei se tem alguma coisa a ver com a minha espada, acho que não... vi o clássico "os sete samurais" de Kurosawa e estou lendo o fantástico Musashi de Eiji Yoshkawa
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2.5.04

olha aqui... escrever um monte de coisas como eu fiz agora ee, sem querer, deletar tudo, é o fim... falava de uns originais que recebi pelo correio com uma carta interessante... mas não vou escrever tudo de novo não....
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os carros e as pessoas
(e a carta de R)

apesar de uma ridícula dor nas costelas, hoje passei um dia bom. um dia justo. meus amigos me telefonaram e mandaram e.mails para saber se eu estava bem... gente legal, que eu tenho (poucos, é verdade, mas é assim mesmo que eu quero poucos e verdadeiros) - - - - > nessas horas eu fico olhando as atitudes e vendo as pessoas... aí eu olho pro meu blog ali ao lado e confirmo a plaquinha "... Não possuo nenhuma expectativa maior em relação às pessoas. Convivo com elas na sua justa medida"...
e o mais engraçado é que eu continuo me surpreendendo com as pessoas, o que muito me alegra, me mostra que estou vivo, que meus sentimentos e sensações estão normais, acertando e me enganando...
mas não é só disso a vida, tem coisas muito, muito piores... porque carro a gente compra outro, né?
R. me conta coisas suas iguais às minhas.... eu sei, menina, como são essas coisas (Caramba! Como sei!)... o mundo é coberto de gente daninha, nefasta, urubuzilda que dá até arrepios :) - - - > fazer o quê? mas aí, os legais sobressaem... até aqules legais que erram ou erraram sobressaem... a gente olha pra trás... e tá lá o trem, olha pra trás e vê a bruma e o Sul... e acaba rindo....
começa a ver que a net não é só lixeira não... eu vejo assim: é lixeira sim, mas não é só lixeira não... tava falando sobre isso com um amigo (esse completamente desiludido com a sociedade em rede)... mas as sociedade em rede é outra coisa... a gente erra na sociedade em rede por achar que ela é só um pulo para a vida presencial e não é assim, ela é essencialmente, em rede... claro que o presencial vem, acontece e pode ser legal (tem aquele mapa do rio né) e eu tenho um outro com linhas traçadas em vermelho marcando uma seta do sul para o rio.... tem tudo isso, de trem ou não... mas é uma coisa firme e sólida a sociedade em rede (tanto que estamos nos falando e sendo solidários)... essa é a sociedade em rede, com possibilidades presenciais... me perdi, tava falando disso por causa de uma outra coisa, porque o mundo é cheio de armadilhas, não é mesmo... mas não se assuste, é isso o que eu quero dizer, não se assuste porque é assim mesmo... aconteceu comigo também... ninguém entende e vou te dizer mais, nem tente explicar porque piora... avalie bem com quem fala e o quê

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o acidente III
da mesma forma que os astros conspiram, em determinada épocas a favor da gente, em outras eles se revoltam e conspiram contra... é natural dos astros esse conspirar constante porque eles regem determinadas ações e reações da terra... quanto a mim, estão conspirando contra há algum tempo e tenho me resignado o máximo possível, tido paciência de Jó [como é de se esperar]... evidente que nos tempos de hoje, Jó faria uso de alguns tranquilizantes e quetais para suportar as agruras impostas pelos deuses... de minha parte, vou levando, agora com essa história toda... queria que me aparecesse um samurai para conversar...
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o acidente II

... é muito perigoso... a gente não tem controle de nada... o carro, depois que perde o controle não tem mais jeito, começa e derrapar de um lado para o outro e você não pode fazer nada... são segundos que parecem muito tempo... eu fiquei olhando e pensando... não, estou aqui, acordado, ainda não bati.... até que a porrada vem. Forte, segura... o carro sai se arrastando pelas murada e pára.... você fica quieto, esperando... esperando pra entender o que aconteceu e como você está... as pernas tremem, o corpo todo dói... sai do carro com dificuldade... bom, penso, eu estou inteiro, parece que não quebrou nada nem há sangue... olho pro carro e dá vontade de nem sei o quê... e agora? E agora? Dor no corpo, só isso, muita dor e desânimo...
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1.5.04

o acidente

A curva fechada... a perda de controle... o carro rodando e eu sem poder fazer nada... as pistas passsando, céu, chão... até bater violentamente contra a murada... sirene, gente correndo, eu tonto, sem entender... é o caos. O caos!
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