Por favor, me negue o cumprimento.


SORRIA!

....

...são pedaços de papel, folhas de cadernos, guardanapos sujos e restos de cabeça insone...

Leia da forma que achar melhor, não tenha compromisso com nada. Eu também não tenho.


English




ARME-SE MAIS!



Não possuo nenhuma expectativa maior em relação às pessoas. Convivo com elas na sua justa medida.

O impossível na raça humana são justamente as pessoas.

Definitivamente, o silêncio não é dos inocentes.

Por mais que eu pense bem ou mal das pessoas, elas sempre me surpreendem.

O Blog é uma "Carta de Intenções" raramente cumprida.

Eu vivo dos meus desequilíbrios* Copyright Nicka.

Sempre teremos Paris....

Toda mulher deveria ter quatorze anos.(Nelson Rodrigues)

Fez-se da vida uma aventura errante (Vinicius de Moraes)

A calma é inimiga da perfeição

"Não importa. Tente outra vez. Fracasse outra vez. Fracasse melhor" Samuel Beckett

"Toda mulher devia ser a Sandra Bullock"

"A Tsunami é Aqui!"

"Sou uma espécie de Glória Magadan da vida real"

"O chato em essência não existe...O chato é, antes de tudo, uma visão do outro..."

"A fecundação é muito parecida com o garçom que mistura leite ao café. Apenas isso. O início da gravidez é um café com leite."

"A Internet, repito, imbeciliza as pessoas."

"O que as pessoas chamam cultura não é senão um termo pitoresco para a sua ignorância." Saul Bellow.

"Quanto mais conheço analisandos, mais desprezo a Psicanálise."

"Dormir de dia é um suicídio inconcluso"

"O uísque é como um GATO engarrafado. O melhor amigo do Homem" Vinícius e Geraldo

"A vida é como executar um concerto de violino ao mesmo tempo em que se aprende a tocar o instrumento"Samuel Butler

"A pior forma de solidão é a companhia de um paulista" Nelson Rodrigues

"Ser me ocupa bastante" A. Gide

"Nada como a brancura cadevérica de um Pé"

"Acordar é como um renascer com as cartas marcadas

"A fé sem liturgia não tem o fulgor, não tem nada feérico, é como uma fé apagada, inexplicável, pequena, dúbia".
"Matar-se é fazer poesia!".

"'Quando homens pequenos lançam grandes sombras, é porque a noite está chegando" Nathaniel Lee

"Só o suicida morre dignamente".

Caminho de cabeça baixa pela praia da vida catando uma esperança.

Todos os dias são para mim meu último dia. Um dia, sem me dar conta, meu dia será o último para todos. .

O Orkut é uma espécie de lembrança e alerta virtual para um possível não vivido. .

30.8.04

SEMPRE RELEMBRANDO: TURISTA, NÃO VENHA AO RIO DE JANEIRO! O QUE VOCÊ VÊ NOS SEUS ESTADOS, NAS AGÊNCIAS DE TURISMO É PROPAGANDA ENGANOSA. O RIO É UMA CIDADE VIOLENTA, PERIGOSA. VOCÊ CERTAMENTE SERÁ ASSALTADO OU ASSASSINADO.
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Gente é bom
Acho que todos têm o direito de desabafar com as pessoas que nos escutam, pessoas que sabemos que são bacanas. Como é bom ter gente bacana no mundo, gente que é como a gente, gente que é leve, que sabe das coisas, que não é desarvorado e vive num mundo que não é o nosso. Bom quando eu falo com a bete, por exemplo, e sabemos, nós dois exatamente do que o outro está falando, de que livro, de que obra de arte, de que sentimento. Não é ser igual não porque isso é babaquice. Não precisamos que o outro seja igual, pelo contrário. Nós temos a maioria das opiniões contrárias e ficamos ali na varanda da casa dela tomando café e fumando por horas, cada um defendendo o seu ponto de vista. Ela quer um mundo e eu quero outro. Nenhum de nós tem o que quer, mas buscamos coisas diferentes. Quem está certo? Provavelmente os dois (ou nenhum dos dois), mas estamos tentando, estamos falando na mesma sintonia. Nós nos vemos. Eu a vejo e ela me vê. De verdade. Sempre nos vimos bem lá dentro, quase logo depois que nos conhecemos. A busca da filosofia e da estética (embora essa por caminhos diferentes eu e ela). O que somos nós agora? Nada. Duas pessoas bem mais velhas, duas pessoas aí na vida, procurando o bom, tentando acertar, tentando ver a vida boa. Tem um poeminha do Vinicius que ele diz que detesta gente fiteira. Eu detesto gente pesada. To falando isso porque eu vou andando na rua, olhando para a cara das pessoas e são pessoas de semblante fechado, sobrancelhas tensas, bocas de escárnio.
Putz, esse mundinho tem muita gente chata, eu penso sempre, mas tem muita gente legal também, gente que faz a gente ter vontade de conversar, de ir ao cinema, de ler, rir, falar, falar e falar. Caetano diz numa música que gente é bom e é verdade, gente é muito bom e eu gosto muito das pessoas legais. Muito.




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Mate-se
Dizer que o fato de ser ateu é um complicador emocional pode ser verdade - me explica ele no meio da sessão.
Não quero saber disso, rebato, não estou querendo facilitar a vida emocional, já aprendi que a vida tem que ser vivida, que temos que encarar todas as possibilidades que se apresentam ou então desistir de vez e desistir de vez é só através do suicídio. Percebo que ela não gosta de falar sobre o suicídio, lembra a minha avó com as palavras tabu dela. Não acho que seja assim, o suicídio é alguma coisa tão real, tão palpável quanto qualquer outra, tão possível quanto decidir trocar de automóvel. Não acho, por exemplo, que uma pessoa falando muito em suicídio esteja pensando em se matar. Claro, tem o neurótico histérico que fica te falando o tempo todo na ameaça velada típica da histeria. Esses não contam. A neurose histérica é chata por natureza, é você ter que ficar batendo palma pra maluco dançar. Não, falo da negociação que fazemos com a vida todos os dias seja ela boa ou má (tanto a vida como a negociação). Não vamos nos matar por causa disso, mas pensamos muitas vezes que não conseguir de maneira uma coisa que nos é muito cara pode ser um motivo para o suicídio. E é. Daí a você se matar, vai uma grande distância. Getúlio por exemplo não era um deprimidinho barato e se matou. Outros o fazem com a mesma altivez que Getúlio e outros ainda ficam falando, falando, eternamente colocando todo mundo em torno cheio de preocupações e o cara não se mata. Tem os que fazem uma coisa mais abjeta ainda que é "tentar" o suicídio sabendo que não vão morrer, sabendo que vão dar um susto em todo o mundo, mas eles mesmos, ó. Já sei de todas as teorias psicalíticas que dizem que o cara chama a atenção, pede socorro através da tentativa fajuta de se matar até o dia que se mata. Sei que acontece, mas também não estou falando disso. Bom.... então estou falando de quê exatamente? Estou falando das pessoas e não do suicídio. Estou falando das pessoas que são chatas e burras (usei apenas o exemplo da idéia suicídio que elas eventualmente usam). Eu acho que conversar sobre o ato de tirar a própria vida fascinante, acho que dá panos pra mangas, que a gente pode teorizar à vontade (existem um sem número de livros tratando do tema). Acho ainda que é muito legal quando a sua vida chega a um ponto sem volta (como um câncer terminal e daqueles, bem dolorosos). Sim, existem momentos em que o suicídio se impõe quase como uma regra, como a única e verdadeira forma de dignidade, pressupondo que a dignidade não está apenas na vida, mas na morte também. As pessoas deviam todas terem o direito de morrerem com dignidade e, fico pensando agora, tratando-se da morte mesmo, a única forma absolutamente digna é o suicídio porque não é um golpe da vida, não nos pega de surpresa, não nos engana ao atravessarmos uma rua ou quando nosso coração covardemente infarta. Pensando assim, de uma certa maneira, à partir de uma certa idade o ser humano devia começar a filosofar, a pensar seriamente sobre o suicídio, sobre a hora que ELE determina para acabar com a vida, para "entrar na história", na história daqueles que conviveram com ele. Mas o homem não é preparado para isso, não se pensa nessa coisa como se pensa em trocar de automóvel e sim como um sintoma qualquer de uma doença. O ser humano não presa a sua dignidade quanto a forma e a hora de morrer. Não, se deixar ele quer ficar com noventa, cem, cento e dez anos, mas não pensa e não fala em morrer. O homem tem medo de morrer, tem pavor como se isso pudesse mudar alguma coisa, como se não falando na morte (palavra maldita), ele pudesse dela escapar. Não escapa. Somos irremediavelmente mortais. E por que não morrer com honra. Porque o preconceito faz a sociedade inverter as coisas, considera a morte por suicídio exatamente o contrário, considera uma desonra. Muitas famílias escondem que seu parente se matou achando aquilo tão vergonhoso quanto nem sei o quê. Eu reuniões as pessoas estão conversando num tom de voz, aí dizem que não sei quem morreu e abaixam a voz para completar: suicidou-se. Suicídio é vergonha para quem vai e para quem fica, mais ou menos como se quem fica fosse um pouco responsável pela atitude de quem morreu. Não é. É uma atitude solitária e pensada (na grande maioria das vezes).
Tudo isso por que? Nem sei mais. De qualquer maneira, meu amigo, pense bem nisso. Pense na sua dignidade não apenas vivo como morto. Se você não vê mesmo saída, se analisou friamente e não há saída digna, se você vai agonizar feito um louco, se você está prestes a ser surpreendido pela morte, não exite. Faça você mesmo. Dê você mesmo o passo inicial para a morte, seja autor da sua vida, seja a estrela e não um coadjuvante.
E para isso, tenha primeiro a certeza de que não está doente, não está deprimido nem histérico. Depois leia à respeito. Saiba sobre o suicídio assistido, por exemplo. Olhe para trás, pense na vida de uma maneira geral e observe cada caso. Separe todas as vidas que por esse ou aquele motivo te chamaram a atenção. Veja como foi e como poderia ter sido. Se for o caso, então, mate-se.


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28.8.04

Tabacaria
volto pra casa correndo quando a chuva começa a apertar... a chuva é triste...... temos momentos muito felizes com a chuva, mas não é por causa dela... engana-se, portanto, quem faz analogias erradas com a chuva... a chuva molha, incomoda, gripa... a chuva é um não da natureza, é uma intimação a que a gente não se exponha, a que a gente se preserve....
o temporal é mais honesto... no descampado por exemplo, no campo, quando chove a gente tem uma dimensão diferente, parece que o céu está desabando, parece que chove mais no campo do que na cidade tão protegida por prédios, marquises e essas coisas todas... chuva faz o asfalto refletir, faz o neon escorrer... eu tinha um neon com o formato de um sax... gostava de ficar no escuro vendo aquele sax aceso me lembrando que tudo é jazz... mas será? hoje tenho mais dúvidas do que ontem, hoje vou mais devagar, não tenho muito para arriscar... continua tudo sendo jazz, é claro, mas eu não sou o mesmo daquele tempo... nem melhor nem pior, mas não sou o mesmo sou diferente, sou quase outro... não sei se é mais fácil ser outro ou quase outro e muito menos sei se, sendo quase outro, ultrapassarei essa etapa e serei definitivamente outro... não sei nada. (páro para não plagiar a Tabacaria)
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Bandido bom é bandido morto
Meu filho, cumpridor de seus deveres, estudante, pessoa honesta que, com treze anos tem o mundo pela frente, saiu pela manhã para ir à praia pegar umas ondas com sua prancha de body border... ia descendo a rua santa clara com um amigo quando foi achacado por um homem negro, de bicicleta que, mostrando uma arma na cintura, fez meu filho entregar-lhe a prancha. O meu filho era louco pela prancha, espera a semana inteira para no fim de semana ir à praia. Ele é um body border.
Entregou então à prancha ao rapaz, desses menos favorecidos, desses que andam armados na rua, achacando tudo o que vêm pela frente, roubando e, possivelmente roubando. Diz-se que o fazem por causa da má distribuição de renda, porque são filhos de famílias destroçadas, porque é o único meio de obterem bens. Então é assim: colocam um revólver na cintura e roubam o prazer do meu filho. Se houvesse reação, ele daria um tiro, quem sabe, e roubaria a vida do meu filho. Justo, não? Enquanto isso, continua, célere, a campanha pelo desarmamento, para que as pessoas entreguem suas armas à polícia. Eu, um trabalhador, um homem honesto e cumpridor dos meus deveres não devo ter uma arma que foi comprada legalmente, que está em meu nome e que serve para a defesa do que é meu. Não. Eu não devo ter a arma, devo entregar ao estado. Já o rapazola desfavorecido que assaltou meu filho, que assaltou uma criança, esse não devolve sua arma. E temos que entender; ele é um desfavorecido e o revólver é....digamos assim, sua ferramenta de trabalho. Então tá, entendi. Mas acontece que eu não me julgo favorecido. Eu me julgo apenas trabalhador. O certo era eu estar acompanhando o meu filho (já que não se pode andar só na cidade) e devia estar eu também com a minha arma. A dele, instrumento de trabalho. A minha, de defesa. Quem sabe eu não teria a chance de atirar no facínora e matá-lo? Pronto, seria, menos um roubando crianças indefesas. Ou quem sabe meu tiro não faria dele um paralítico, incapaz de roubar? Então, em suma, EU TENHO QUE ANDAR ARMADO SIM, NÃO DEVOLVO MEU REVÓLVER NEM À PAU PARA A POLÍCIA NEM PARA O ESTADO NEM PRA NINGUÉM. E por que? Porque o estado não faz a sua parte, não devolve em segurança aquilo que eu pago através dos impostos para tal. O estado, deixando as ruas coalhadas de bandidos, coloca a vida do meu filho em risco. Portanto, se eu puder acabar com um bandido antes dele acabarcom meu filho eu faço sim. Sem dó nem piedade. Com alegria mesmo. Porque bandido bom é bandido morto.
É interessante ler esse artigo de Olavo de Carvalho sobre o desarmamento nas cidades e no campo
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tem muita correspondência chegando e vou me arriscar a ser injusto com as outras e vou publicar o e.mail da cinthia que me deu muita alegria:

"From: cinthia
To: giglesias@uol.com.br
Sent: Friday, August 27, 2004 6:28 PM
Subject: b l o g!!!
Pois é, toda mulher devia ter quatorze anos, pena eu tenho 16... gostei do seu blog, tenho um tbm, mas não vou te passar o endereço que... sei lá o porque. Mas estava eu sem mais nada o que fazer no finalzinho do expediente ai do nada SOBRETUDO DE LONA , dá pra parar pensar um pouco em Vinicius de Morais (Ah... Vinicius) e lembrar que ainda existe blogs de qualidades mesmo em tempos que este "instrumento" caiu em mãos erradas e vem a cada dia assinando sua própria sentença de morte... tudo podia ser um belo livro que nunca perde seu charme , sua suavidade... mas aí vem a falta de tempo, a modernidade e nos obrigou a escrever nossos relatos em uma página a mais na internet, um blog... isso parece legal, soa Cotidiano (Velho chico)... e todo dia ela faz tudo sempre igual...
valeu.... adorei mesmo seu BLOG!!!"
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27.8.04

o eterno início
- Você está em que bairro?
- Copacabana e você?
- Também...rs.
- A internet é engraçada... a gente dá a volta ao mundo pra gente falar com nosso vizinho.
- Quantos anos?
- 49
- Você é casado?
- Não. Se fosse estava batendo papo com a minha mulher. Se não tivesse papo com ela, estaria tratando do divórcio...
- Nada disso. Tem muita gente casada aqui nessas salas de bate papo.
- Eu sei. E acho muito engraçado você deixar de estar com uma pessoa pra ficar teclando.
- É que teclando você pode encontrar alguém realmente diferente...
- Verdade. Será que a gente é diferente?
- Não sei.... Acho que não, acho que a gente é parecido, portanto diferentes das pessoas que conhecemos, o que é bom...
- Vem muito por aqui?
- Não... Só quando me sinto muito sozinha
E por aí vai para mais uma tentativa... Bem vindos ao mundo on line.

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Estou recebendo e separando os maiils que tratam da associação de blogs e vendo as sugestões todas com calma. Não sei ainda como será feito o projeto, acho que temos que conversar sobre isso para sair uma proposta única e aceita por todos. Não pensamos em criar normas nem nada dessas coisas que possam mexer na liberdade de cada blogueiro. Pelo contrário, a associação é justamente paragarantir a manutenção das liberdades. Uns me falam em uniformidade o que me parece besteira também. Cada um faz como quer. De qualquer maneira eu acho bacana ter essa idéia de união, de associação, de grupo bem organizado dentro da net. Continuo aguardando sugestões para marcarmos o encontro (talvez on line mesmo)
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Coragem
Pedro Paulo Pinho, delegado, diretor do Sindicato dos Delegados de Polícia do Rio de Janeiro esteve ontem no programa Olhar 2004 e contou como as coisas se passam. Porque, principalmente da década de 70 para cá, a morte de policiais fora de serviço aumentou violentamente. Pedro Paulo explicou tintim por tintim como a polícia é corrupta, como "barbariza" quando chega nas comunidades. Contou que policiais chegam numa boca por exempo, prendem os traficantes. Os traficantes oferecem suborno e eles aceitam. Aí vai a família do traficante, advogados, todo mundo trazer o dinheiro da propina da polícia. Sabe o que os policiais fazem? Pegam a maior parte do dinheiro, embolsam e deixam um pouquinho como prova. Aí prendem o traficante, a família, os advogados , todo mundo por tráfico e tentativa de suborno.
Não é um comportamento da corporação inteira, claro, mas é de muitos. Esse é um dos golpes. Existem vários outros. Conclusão é que o policial deixa de ser respeitado, passa a ser bandido também e a bandidagem quando pega um policial não quer nem saber, passa fogo. Não temos uma polícia digna, limpa e aí acontece o que acontece.
Mas isso tudo é pra falar também da coragem do Pedro Paulo Pinho vir na televisão, colocar a cara lá pra quem quiser ver e contar os podres da polícia sem medo de retaliação dos seus maus colegas.
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getúlio
da mesma forma como apareceu, como uma febre, o "assunto" Getúlio Vargas sumiu. Dia 25 não se falava em outra coisa a não ser no aniversário da sua morte. Hoje, nem mais uma linha.
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Pega ladrão
A empresa de Paula Lavgne foi assaltada. Terrível. Parece que já pegaram os ladrões. Um vivo e um morto. Recuperaram um laptop e um celular. E os vinte mil reais roubados? Ninguém fala no assunto?

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Parece que as olimpíadas estão acabando mesmo. Logo, logo voltaremos a ter rádios, jornais e televisões normais
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Blogs
estão saindo mais e mais livros sobre blogs ou com o material de blogs.... recebo alguma correspondência falando que o blog é um produto originalmente feito para a internet e só nela tem razão de ser.... porque o livro é um outro meio que não tem como acompanhar o blog... se fizeram um livro tratando do fenêno blog vá lá.... mas livros tirados de blogs, por exemplo, seriam inconclusos, pois a inconclusão é o barato do blog, a possibilidade de ser acrescentado sempre mais alguma coisa... o livro não tem essa velocidade para atualização... tudo bem, isso é uma verdade, mas também é importante lembrar que se você tem uma quantidade de texto legal, interessante, é legal ter esse material impresso pra levar pra onde quiser, ler onde der na telha...
parece que é uma discussão ainda muito no começo..... acho que tem que pensar mais
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Estuda-se uma associação para Blogs, blogueiros....
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sonho, prefácio da alma
sonho, angústia noturna
medos incontáveis, todos expostos
exposição de si para si mesmo
do eu para mim
às vezes do que pensei ontem
outros do que pensarei ao despertar
sonho, liberdade além de mim
sonho que não é mais sonho
é a liberdade dos viventes incosncientes
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mendigos II
parece que continua a matança de mendigos em São Paulo e já começa a se alastrar a prática para outros Estados. A inépcia da polícia em resolver esse tipo de coisa dá bem a dimensão de como estamos desprotegidos. Está óbvio que não pode ser tão fidícil assim investigar e prender assassinos de moradores de rua. Basta ficar de olho neles. A polícia não tem efetivo suficiente ou não tem vontade política? Parece que a vale a segunda opção. Se as mortes fossem de pessoas de classe média ou alta... imagine que estivessem matando banqueiros (tudo bem, sabemos que eles são imortais), mas por hipótese que fosse de banqueiros ou políticos (que são mais ou menos a mesma coisa), o que aconteceria. Toda a polícia estaria trabalhando, suando a camisa, fazendo jus a seu trabalho e o (s) assassino (s) já estava fora de ação. Mendigo não dá ibope, engraçado. Quando aqueles garotos incendiaram o índio na rodo viária o assunto deu um ibope danado e rapidinho pegaram os criminosos (por onde andam eles agora?). Com os mendigos não acontece nada. É a história da candelária que se repete, agora em doses homeopáticas.
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medalha à vista
Alguém viu a matéria de um atleta que perdeu sua medalha de prata num táxi em atenas? O taxista achou a medalha e entregou no comitê olímpico. pode coisa mais bizarra? o camarada é atleta, treina por quatro anos seguidos lá no seu país, vai para a grécia e, à duas penas, conquista a medalha de prata (que é muito bom, não é?) Aí, o camarada vai pro hotel ou não sei pra onde e simplesmente deixa cair, perde a medalha dentro do carro, do táxi. É quase como esquecer a taça da copa do mundo num táxi.... o camarada ficou tão constrangido que foi ou vai buscar sua medalha no comitê olímpico, mas não deu entrevista, parece que não se sabe nem de que país é. realmente é uma vergonha.
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informação
no programa Direito em Debate ontem, o assunto era os Ministério Público e os seus procuradores... o público em geral não tem muito conhecimento para que serve a instituição.
É interessante assistir certos programas de televisão que podem parecer meio chatos, mas que não são. ao contrário, deixam a gente por dentro de coisas que antes eram restritas aos profissionais ou a quem lidava desta ou daquela forma com eles.
É como ver o canal Discovery. Parece que você está lendo uma enciclopédia. Tudo bem que tem lá os programas chatinhos, nada a ver, mas esses a gente pula. Tem um momente de programas interessantes que vão desde a vida sexual das aranhas até os mistérios da bíblia. Vale à pena conferir.
Se por um lado, somos soterrados de informação, por outro, no mundo de hoje temos condições de ser bem informados de entender o mundo que nos cerca. Acho mesmo. E não é só a televisão. A internet ajufa muito nisso.
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26.8.04

sandra e eu
o dia corre modorrento, um calor únido, pessoas soarentas. um ou outro usando chapéu - o que me parece uma loucura. tento encontrar uma sombra, um lugar para tomar minha cerveja em paz. parece que nenhum lugar é suficientemente bom. ficar no carro com o ar condicionado ligado é uma atitude patética demais. e quando me viro para procurar outro lugar lembro das noites que passei com a sandra no pantanal. estávamos fazendo uma matéria para uns programas da embratur, trabalhávamos o dia inteiro, desde o nascer do sol, às vezes até a madrugada. sandra é uma excelente repórter, tem um texto muito bom, mas naqueles dias parecia que nada saía bom para ela. reclama, queria regravar as cabeças de passagem, dizia que não estava bom o bastante e eu tinha qua convencê-la de que estava legal sim. a gente fazia uma dobradinha pra não se estressar: ela cuidava sozinha do texto e eu das imagens e de toda a parafernália técnica. ela nem se preocupava com o que eu estava filmando nem eu com o que ela estava escrevendo. eu aceitava sem pestanejar o seu texto e ela, sem pestanejar as minhas imagens. fizemos uns três programas em mato grosso. acho que um em mato grosso do sul e dois em mato grosso. apesar de termos levado para a locação calças grossas, botas e tudo o mais, na verdade eu andava de short e sem camisa o dia inteiro (só me vestia mais ao entardecer, na hora dos mosquitos.
sandra aceitou fazer a matéria ao lado da jibóia meio cabreira, mas na hora da pequena praia coalhada de jacarés ela teve uma crise de nervos. chorou, disse que eu não estava sendo humano, que tinha dois filhos pra criar e tal. acabou que eu saltei na frente, fiquei a uma distância razoável dos jacarés e mostrei um ponto que me pareceu (minimamente razoável) para ela ficar. foram alguns segundos de indecisão. entrei um pouco no rio e a ajudei a descer da canoa e vir comigo. ela veio. tínhamos apanhado muita chuva e ela tinha chorado, estava sem maquiagem, mas eu não disse nada pra não criar mais problemas.... ela gravou a cena com naturalidade, sorriu e brincou com um jacaré.... de noite, no hotel de palafitas ficamos assistindo ao material. ela achou ótima a sua participação e nem se deu conta da falta de maquiagem. estava mesmo muito bem. depois fomos pro restaurante e tomamos muito uísque - o resto da equipe preferiu beber cerveja num outro bar.... eu ia de um ponto ao outro... estávamos todos muito cansados e era importante estar com todos, conversar, ouvir as reclamações de exaustão e rir das situações engraçadas que tínhamos passado naquele dia. acabamos eu e sandra meio de pileque [não fomos muito fundo porque no dia seguinte levantaríamos todos às quatro da manhã.]
depois de filmar o amanhecer e a caravana seguindo pantanal a dentro, chegamos no local das ariranhas. aí sim, a sandra teve uma crise, mas não era para menos. desistir de fazer as cenas.. gravei só as intervenções dela e saí pra gravar as arinhas sozinho. eu e o cinegrafista. depois voltamos pra cuiabá... sandra pegou um avião para o rio com parte da equipe e eu e o cinegrafista pegamos um outro vôo, num avião caindo aos pedaços para goiás... e assim era...
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25.8.04

vale dizer que ela não blefou. o telefonema às 4:15 da madrugada não era uma piada. Disse:
- não agüento mais
Eu estava sonolento, quase dormindo
- Não agüenta o quê?
- Tudo.
- Do que você está falando.
Recostei na cama:
- Do que você está falando?
- Dessa vida. Dessa morte em vida, desse sofrimento, dessa dor.
- Mas vai melhorar
Ela não titubeou
- Não. Você sabe que não vai. Só resta uma alternativa. Não quero mais sofrer
- Calma. O médico já te disse que está melhorando.
- Ele mente. Está mentindo. Não estou melhorando nada. E estou sozinha.
Me levantei:
- Não, você não está sozinha, eu estou com você
- Você pode querer estar comigo, mas não pode. Você não pode mais nada, fez tudo o que dava. Agora estou sozinha.
-Posso ir até aí, pra gente conversar?
-Não... não adiantaria
(continua)
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mais caricatura e mulher leve
o homem que percorre essa rua aqui aqui de madrugada estava deitado na caççado pertodas dez da noite. eu tava voltando da casa da beth, exausto de tanto olhar lay outs mil para o projeto novo.... sabe o que é você ficar três, quatro horas em frente a uma tela de computador analizando projetos gráficos, comparando um com o outro, alterando cor, formato...e aí quando você encontra um que é definitivamente legal esbarra na dificuldade da navegabilidade? aí começa tudo de novo. só dámesmo pra encarar ese tipo de trabalho junto de uma mulher inteligente e bonita como a beth - é verdade, isso conta - a leveza da beth faz toda a diferença.
aliás o nelson rodrigues diz que toda mulher devia ter 14 anos ( e é verdade), mas isso é meio reacionário demais, agora poderia se dizer que toda mulher devia ter leveza (vai procurar pra ver se você acha!)...
mas a história é a do homem que vagueia aqui pelo bairro peixoto... às dez da noite ele estava acordando, ali no cantinho de rua que ele dorme (aqui no rio não estão matando mendigos ainda, isso é mais de paulista mesmo). me chamou e pediu um cigarro. dei meu maço que estava pela metade... uma vez, quando eu participava do movimento hippie, estava numa praça em vitória do espírito santo com uns conhecidos e não tinha cigarro. pedi a um passante um cigarro. ele me olhou e não disse nada nem deu o cigarro. voltou dois minutos depois e me deu um pacote com dez maços de Minister. Bacana, né? Foi uma festa, todos nós fumamos à balda e não incomodamos outros passantes por um bom tempo.
Volto ao meu morador de rua aqui do bairro. Dei meus cigarros para ele que ficou contente. Mas não se contentou. Pediu um dinheiro para tomar café. Fomos até o bar e ele tomou a cachacinha que era o que ele realmente queria. Acho que mendigos devem tomar mesmo cachaça ao invés de café. Cachaça esquenta, baixa a ansiedade e alimenta. O café não faz nada disso.
Ele me perguntou se podia tomar mais uma e eu mandei ele deixar de ser abusado. ele riu e pediu pra ficar mais um tempo comigo porque "ia me desenhar"... pegou um papel desses que embrulham pacotes de cigarros, um lápis velho e fez uma caricatura minha.
Olha, ficou bem legal, viu? O cara é bom. Qualquer dia publico aqui.
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olga
parece implicância, mas não é. o cinema brasileiro, de uma maneira geral é ruim, é chinfrim... claro que tem lá suas excessões, tem um filme ou outro que á bem feito, que é bacana, mas cinema, definitivamente, não é a nossa praia... temos bons autores, bons dramaturgos, grandes atores, mas o cinema.... não vai.
de cara o filme não começa pelo começo, começa com selos e mais selos, do audioviasual, do minc, da petrobrás, só falta dizer que foi graças ao padre cícero que o filme foi realizado. depois tem essa coisa de não fazermos filmes que sejam apenas filmes, entretenimento. não. é a eterna mania de usar o cinema para contar a história do brasil. todo filme brasileiro, é pra contar a história.
Fui então ver Olga. O livro eu já tinho lido há muito tempo, mas resolvi reler na semana passada, para me preparar para o filme. Ora, o livro Olga trata evidentemente da história de Olga Benário, mas traça um perfil do Brasile do mundo naquele período. situa olga e os os outros personagens e fatos dentro de um contexto maior, claro... mais ou menos como em ' A lista de Schindler".
O filme não faz isso. Verdade que tenta fazer, tenta mostrar a situação do brasil e do mundo, mas não consegue, o diretor começa a fracassar quando tenta situar a alemanhã, a união soviética e o brasil. Quem não leu o livro não entende patavinas do filme. Não entende onde olga está nem porque está, nem a sua verdadeira importãncia no cenário soviético. os outros personagens da ação são importantíssimos para compreendermos como todos os fatos se desenrolaram, mas o filme simplesmente os ignora. não existe um personagem marcante sequer. até mesmo o prestes é neutralizado. praticamente não se tem dimensão nenhuma da importância de prestes para o brasil e para o comunismo. Nada. O filme quer mostrar a mulher olga, quer falar de seu desejo revolucionário, quer mostrar sua beleza e (será?) seus ideiais? Mas simplesmente não é possível entendermos olga benário sem compreendermos bem o contexto político mundial. Em que pese uma direção de arte que se esforça temos uma ceninha de navio aqui, um escritóriozonho ali, uma prisão acolá e uma tentativa de campo de concentração sem credibilidade. o filme é feito de closes. closes, closes e mais closes na maioria das vezes em momentos em que a técnica não se justifica. Caco Ciocler se parece muito com as fotos qque temos de Prestes na época e Camila Morgado tem altos e baixos te de interpretação. Como sempre colocam a Fernanda Montenegro (ótima), como se ela pudesse salvar todos os filmes, todo o cinema nacional. Não pode, é claro...achei que a crítica estava querendo pegar no pé do monjardim, mas não. o filme é ruim mesmo, ruim porque incompreensível, ruim porque não reproduz a época nem em cenários nem em ações... você passa duas horas e meia vendo closes de olga, olga, olga e sai do cinema se perguntando quem foi Olga.
acho que tem que parar com essa macaquice de ficar elogiando tudo o que é filme nacional pra dar força e tal. esse não é bom mesmo. é pior: é muito ruim.
p.s. de qualquer forma, se você insiste em vê-lo, não deixe de , antes ler o livro.
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história
Tenho a impressão que essa geração não sabe nada sobre a era Vargas, ninguém conhece razoavelmente que seja todo o trabalho de Getúlio. Essa data redolda, 50 anos do seus suicídio parace que despertou a todos, sua imagem está em todas as bancas de jornal, em todas as televisões etc. Acho que será necessário a reedição de livros que tratem da vida, da obra e da morte de Getúlio, para preenceher o anseio de conhecimento que estamos presenciando. Vemos que a popúlação quer realmente saber, se interessa pela história do brasil... não conhece porque não foi ensinada, educada, porque não se dá educação formal sobre a hostória em nossas escolas nem em nossas faculdades... pra gente saber um pouquinho mais sobre determinado assunto, ainda que ele seja relevante, tem que ser autodidata mesmo...
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Getúlio na TV
O progarma Observatório da Imprensa de ontem gravou um depoimento com o jornalista e escritor Fernando de Morais em que ele revela que escreveu os momentos em que o governo de Getúlio entrega Olga Benário aos comunistas "com o coração na mão". Fernando de Morais explica é getulista e que aquele foi um momento podre da era Vargas, mas que houveram momentos fantásticos. A ele, Fernando, coube justamente escrever sobre Olga e, naquele contexto, claro, Getúlio aparece como um monstro que entrega a mulher grávida de sete meses à Gestapo. No livro, ele não fala de todo o desenvolvimento e toda o avanço que Getúlio trouxe ao Brasil..
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Já o programa Olhar 2004 foi todo dedicado à era Vargas e eu fiquei impressionado com os depoimentos dados. Eu não sabia da importância que Getúlio teve no Brasil e o quanto ele foi o grande estadista do país. Não sabia e acho que pouca gente sabe. Nesse ponto vale à pena assistir alguns programas na TVE. Não os programas que são manipulados, que são 'bolados' pelos gestores de qualquer época, mas os programas que têm um intelectual, um jornalista independente à frente (Como Alberto Dines e Mario Morel), que por sinal é o caso dois dois que cito aqui hoje e que, em outro post disse serem os dois melhores da TVE.

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24.8.04


mais mendigos e polícia federal
essa chuva é muito chata, me faz mal. sempre detestei a chuva, mesmo quando era jovem e podia me aproveitar dela para algumas coisas, menosres eu sei, mas algumas coisas. não, chuva é um pé no saco. o frio é legal, faz a gente se sentir bem, se agasalhar e sair por aí todo faceiro, mas chuva é barra. a gente tem que andar sempre correndo, num passo apressado de fugitivo disfarçado, sempre de cabeça abaixada [principalmente os que usam óculos], a gente sempre está pensando na gripe que pode pegar e assim por diante. fico pensando o inferno que deve ser para quem mora na terra da garoa... eu moro na cidade do sol e não adianta, chove pra valer.
hoje mesmo vi um velho em baixo de uma marquise, decócoras no chão. tinha a barba de uma semana mais ou menos e suas roupas eram muito surradas.... imaginei que fosse um pré-mendigo, principalmente quando me pediu dinheiro para um cafeinho. acabamos entrando juntos no bar e tomei um uísque ouro... sentindo-se mais liberado o homem perguntou se podia tomar uma branquinha... me deu vontade de rir... de rir muito. rir de desepero, reconheço. devia ser a vgésima branquinha que ele tomava hoje e ainda não estava naquele estágio andrajoso e repugnante dos mendigos, imagina quando ficar.
por falar em mendigo, o ministro da justiça está oferecendo ajuda da polícia federal ao governo de são paulo pra ver se pegam os matadores de mendigos. por que o governo não aceita logo? o ministro devia colocar a polícia federal lá e acabou o assunto. se o governo não dá conta, a polícia federal devia entrar e pronto.
aliás devia ser assim em todos os estados: aconteceu um crime uma, duas vezes e a polícia local não deu conta, entra a polícia federal e resolve o assunto... não tem nada que o ministro ficar oferecendo e os governadores ficarem fazendo cú doce não
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mais um
"Sou profundamente deprimido, a doença do século, sei, mas nem por isso deixa de ser chato. "
Paulo Francis
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"posso informar a vocês todos caros ouvintes e leitores que o crime da rua da lapa não foi mais um crime desses comuns, um latrocínio ou coisa assim. não. foi a continuação de uma série de assassinatos (esse é o sétimo) que vêm ocorrendo na região. temos à solta um assassino em série, desses que aparecem de vez em quando e quem importamos dos Estados Unidos. Nosso homem (ou mulher?) usa sempre os mesmos métodos, não deixa impressoões além dedeixar recados para a polícia escritos com o próprio sangue da vítima. diz agora, na parede onde o cadáver da prostituta estava encostado, que não vai parar e que desistam de investigar. Quanta ousadia, senhores! Como pode um ser humano sair fazendo esse tipo debarbárie e afrontrando a polícia e à todos os cidadão. Nós que pagamos impostos, que somos cumpridores dos nossos deveres e tementes a deus temos o direito de exigir das autoridades constituídasuma atitude firme e rápida para extirpar tal monstro do nosso convívio. É verdade que até hoje ele só atacou prostitutas, mas o que se pode esperar de cabeça tão insana? e se ele começar a atacar outro tipo de gente? que tipo de segurança tem a populção desta cidade sem lei?"
dos recortes do jornal P.D.
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bares & freiras
caminhei quatro quadras chapinhando nas poças de águada chuva para chegar até o barzinho que fica no subsolo da praça mauá... é isso mesmo, bar aberto dia e noite e lá dentro é tão escuro e esfumaçado que ninguém pode imaginar como está aqui fora, se é dia ou noite se faz sol ou chove... fui direto à mulher que estava próxima a mesa de bilhar... ele meolhou com os olhos cansados e tomou um gole de alguma coisa destilada. entretinha-se em olhar dois marmanjos carecas e tatuados jogarem. nenhum deles se importava com ela, sem se importavam com o adversário, nem se importavam com eles prórpios... com certeza estavam ali, pensei, pelo mesmo motivo que eu: por não terem para onde ir. e o que nos acontece quando não temos para onde ir... é um limiar tênue quando você vai para um bar decadente ou quando vai ser morador de rua (alvo dos novos assassinos da moda)... pego uma cerveja e acendo um cigarro...isso, igualzinho ao que a gente vê nos filmes... fico pensando apenas se a bebida pode potencializar o efeito dos remédios, mas descanso pensando que me preocupo demais... ora, hoje já fazem ecstasy em laboratórios de fundo de quintal no brasil, o pessoal toma e não acontece nada... quer dizer, aconte: morre um de vez em quando, mas no mosteiro das carmelitas também morre uma de vez em quando... falar em mosteiro, me disseram dia desses que nos mosteiros de freiras há muito mais homossexualismo no que nos mosteiros masculinos... não sei o que isso quer dizer... talvez no mundoo homossexualismo feminino seja maior do que o masculino. pode ser. eu disse uma vez que achava o homossexualismo feminino estético, mas falava em garotas douradas do sol de ipanema e não em freiras brancas, velhas e balofas. isso deve ser absolutamente nojento.
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aliás, dia desses estava conversando com uma amiga que não deviam existir freiras... porque freira não é nada mesmo em termos eclesiásticos... ora, a igreja católica continua odiando mulheres como sempre odiou (e tem seus bons motivos a meu ver)...o que faz uma freira? nada.
freiras são todas aquelas mulheres feias que não dão pra nada na vida... ou então aquelas outras que as famílias querem castigar... o que mais? a gente não se confessa com freira, ela não reza missa e não encomenda defuntos... freira não faz nada. não têm um trabalho produtivo que gere renda vivendo assim com o meu, o seu, o nosso dinheiro [não importa se ele vai via igreja], mas o dinheiro é o meu. Tudo bem que é engraçado ver aqueles chapelões de freiras (de que país mesmo?), mas um barquinho de papel é tão interessante quando um chapéu de freire. Aliás, um barquinho de papel é mais interessante do que uma freira.
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releitura de (partes) do Campos de Crvalho... não acho tão bom como da primeira vez, mas é ousado e diferente. Um tipo de literatura ferina, um modo novo de escrever, de mexer com o leitor... ainda vamos ouvir falar muito dele que por enquanto está na mão dos mais eruditos... tem que ver se chega na ratataia
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recebo um e.mail desaforado dessa gente jeca que entra aqui apesar dos meus pedidos de que não me leiam... ele poderia dizer todas as baboseiras e sandices no espaço para comentários, mas acha-se 'bom demais' para isso, acha que tenho que ficar lendo cartinhas mal escritas e idiotas. ... ainda assim falo dele [sem dar nome - meu filho, quer promoção? anda pelado pelas ruas ou se joga da ponte rio-niterói!]
o mequetrefe leu um post aí por baixo em que eu falo dos judeus, quer dizer, eu comento uma notícia que saiu num jornal sobre o atentado contra judeus que aconteceu em paris... eu escrevi o que achava de tudo aquilo e lembrei de um livro e tal... enfim, eu escrevo aqui o que eu acho, o que eu tenho vontade e as pessoas podem participar desses pensamentos, contestá-los [de forma inteligente, por favor!], fazer o que bem entenderem. mas o problema éa ignorãncia, a incapacidade de entender o que lê... como dizia o saudo Zeca Diabo* brasileiro lê no máximo assim, de carreirinha, mas não entende... ou fica soletrando e quando chega no final esquece o que leu no início ou não apreende o que está formulado naquele escrito. infelizmente essa é a média nacional [dps que sabem ler] e esse meu vizitante entendeu tudo errado. entendeu que eu estava sendo preconceituoso, que eu estava propagando o neonazismo, a violência contra nordestinos, etc.... quer dizer, o camarada é uma besta... eu nem ia escrever nada sobre isso. resolvi falar apenas pra mostrar uma coisa importante... ler as coisas na internet é uma coisa tão séria quanto ler num jornal, a gente tem que estar atento, tem que prestar atenção, não pode achar que, por que está on line dá pra ir lendo assim 'de carreirinha', rapidinho e sem prestar atenção... claro que não é o caso do leitor que me mando a correspondência. Esse é burro mesmo.
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Está muito bem feito, muito legal o trabalho que o jornalista Ricardo Noblat está fazendo no seu BLOG sobre o suicídio de Getúlio Vargas.
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Da série de e.mails recebidos e não postados
Nunca
"mas as coisas não sempre assim como o remanso que descrevi pela madrugada...o sono é um grave perturbador ao invés de descansar... o sono pesa e o despertar é pior ainda, o despertar é terrível, como a saída de um lugar aconhegante, posso lhes assegurar.... imagino que seja a mesma sensação que temos ao nascer, quando saímos do útero. existem despetares tranqüilos, claro, mas nem sempre... uma grande dose de ansiedade e desespero pode estar do lado de cá do sono, esperando apenas a gente levantar... quando ainda estamos na cama, quando ainda não sabemos bem se estamos dormindo ou acordados, quando não sabemos ainda que horas são da manhã, quando nada é claro e objetivo, há um grande sobressalto, somos impulsionados da cama como que por uma mola gigantesca e não há mais paz.... pensamos em todas as possibilidades, vemos que estamos cercados e amarrados, que não tem mais nenhuma alternativa.... o que fazer , então? eu não sei. Corro para a garrafa de conhaque e tomo um trago, sei que alivia. Mais um trago. quatro tragos até que sinto meu corpo entorpecido o bastante para conseguir caminhar, para conseguir pensar com mais clareza, para mudar de roupa, para ligar o computador... e prestar atenção ao que estou lembrando... a mulher, não assassina, mas a mulher que causou todo esse transtorno, a mulher que provocou esse desabamento em mim, que me jogou no chão e deixou lá jogado, que me fez essa criatura que hoje consegue se manter de pé e no dia seguinte está completamente jogado no chão sem forças nem para engatinhar... sim, é assim que nos tornamos depois do golpe fatal, do golpe que age em nosso coração, em nosso cérebro.... não somos mais os mesmos depois do trauma. Não queira, meu amigo, sofrer um trauma, não queira despertar suando de madrugada, não queira estar bem um dia e mal no outro porque as pessoas se enchem de você, as pessoas não querem nem saber porque não sabem o que está se passando lá dentro, as pessoas só conhecem o que vêem. Tudo isso vai ser jogado fora num determinado momento, tudo vai parar e todo o sofrimento acabou sendo desperdiçlado por nada. O que rola quando você está lidando com pessoas que não conhece bem, pessoas que conversou e não viu, que conversou pela internet, pessoas que são mais doentes que você... Não, a internet nesse aspecto pode ser muito, muito perigosa....é necessário que você esteja muito bem preparando emocionalmente para se aventurar nesse mundo sem rostos, esse mundo sem passados conhecidos, embora sejam todos passados duros e margurados...
quando você começa a escrever nesse teclado e vê a chuva caindo forte lá fora, só existe a vontade de ir, de voltar, voltar para algum lugar que nem a gente sabe extamente qual é, mas voltar. porque, da mesma maneira que o futuro é uma abstração, o passado é uma impossibilidade, ele está lá, forme, impávido e não tem nada que possa mudar, não tem nada que você possa fazer para alterá-lo. o passado long´[inquo ou recente é o que nos faz ser o que estamos sendo hoje. cuidado, muito cuidado pessoas que estão se aventurando nesse mundo. não se iludam com o canto da sereia, não acreditem que tudo pode ser tão bom como aparenta. não é. existe muito mais doença, muito mais escuridão, muito mais angústia do que parece. não há mais nada a fazer depois que você está envolvido. Sua vida pode se perder por aqui. Palavra de honra... entre eu e você"
e.mail recebido mês passado sobre uma discussão de conhecimentos virtuais - o autor pede para não ser identificado e insistiu para ser publicado agora que existe aqui o espaço para comentários... ele não tem como voltar ao post e comentar porque não seria lido.
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- como você está?
- bem
- tem certeza?
- não, não tenho
- por que?
- não sei... acho que porque não sei o que é realmente estar bem...
- não sabe?
- sei para mim, mas pode não ser a mesma coisa para você
- é verdade...põe o disco do miles davis
- ia mesmo colocar
- pra onde você vai quando sair daqui?
- não sei, sei apenas que vou, saber onde vou seria saber o futuro e sou um homem sem futuro
- por que?
- porque todos nós somos presentes e passados que pensam ilusoriamente no futuro
- é, talvez você tenha razão...
- é, talvez...
- vamos dormir?
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luz
a noite cai mansa e sinto a calma do escuro. não tenho medo do escuro, ao contrário. a televisão me faz companhia por longas horas onde vejo debates de temas interessantes, onde procuro aprender um pouco do que me circunda.
mas resolvo deixar o aparelho sem som e vir escrever porque escrevendo posso eu falar e não ouvir. ainda que não diga nada de importante, estou eu dizendo, estou pensando e colocando o que me vai nesse momento insone. a fidelidade do meu gato é espantosa: se estou deitado, aconhegado, ele se aconhega também a mim e ronrona com seu nariz encostado ao meu. se venho para o computador ele vem atrás e deita-se na mesa ao lado como se estivesse pensando também [e não sei se não está]
vim para cá agora sem um propósito claro, vim porque lembrei de pessoas, lembrei de situações e momentos agradáveis. por mais que a vida [e as pessoas] tentem tirar de mim esses momentos eles não me abandonam. tenho muitas recordações, sou um depósito de recordações e não vivo delas como poderia se pensar... não. mas elas são importantes porque posso ver a vida tal como ela é, posso sentir em cada vão momento que outro momento existiu e foi bom, que a felicidade é momentânea sim e não vale à pena sofrer por isso, ao contrário. vale à pena mais lembrar do que foi bom. penso ainda que sou um privilegiado por poder sentar em frente ao computador às duas horas da manhã só para contar que tive uma vida plena, uma vida em que gozei cada momento, fui suave, doce, duro, enérgico, certo, errado, bom,mau.... experimentei tudo o que pode ser dado ao homem experimentar... talvez tenha lido pouco, tenha viajado quase nada, tenha me engajado em movimentos políticos com muita parcimônia, acho mesmo que muitos devem ter tido experiências muito maiores, mas não me incomodo com isso, pensando aqui nas coisas que me aconteceram... não posso esquecer as histórias que ouvi de ouro preto [que nunca mais me saíram da memória], posso pensar no gato que deixei e fui aquinhoado com outro que, como num passe de mágica do Um fez-se Dois, dividindo assim o que pareceria indivisível a um tempo atrás... e por que falar tudo isso, escrever coisas tão comuns, tão óbvias? não sei. sinto a secreção no meu peito e a dificuldade de respirar provocada pelo excesso de tabaco e já aviso a mim mesmo porque só eu sei que não vou parar. estou satisfeito com o que tenho e tive. poderia pensar mais no futuro, me prevenir mais... valeria à pena? o que é o futuro? uma possibilidade.... quantos futuros eu não tive nesses cinqüenta anos sem me preocupar com ele [futuro].... por que me preocupar agora? não. agora o meu presente é sem expectativa ansiosa de futuro e sim de deleite pelo passado... por saber e lembrar que vi meus dois filhos nascerem e os peguei logo no colo, que ajudei a aspirá-los e estive com eles e suas mães em momentos que não são narráveis... que me vi frente à frente com enormes cobras, jacarés, tubarões, ariranhas... que estive em vôos famtásticos de primeira classe e tive também aterrisagens forçadas em pequenos aviões onde a morte seria o mais provável... que conheci mulheres bacanas, que me deram muito, que me ensinaram muito [acho que também ensinei a elas].... olho para trás e vejo óperas, filmes, revistas, quadros, livros, balés, sinfonias, museus... pude contemplar o belo - verdade que vi acidentes terríveis - mas eles fazem parte da vida, são o outro lado da moeda de toda a beleza que me foi revelada... estou então, em paz... as expectativas agora diminuem não por tristeza ou depressão, mas pelo singelo passar do tempo, por minha barba branca, meus cabelos brancos, minha careca pontilhada de fios grisalhos.... o futuro é agora, meu futuro está aqui, nesse momento em que escrevo sem nexo porque é isso mesmo o que quero: escrever por escrever, para dar vazão ao que sinto, como me sinto.... os outros... não sei... vejo angústia e dor veladas, vejo sofrimento e mesmo terror. preferiria que não fosse assim, que todos pudessem ter a paz verdadeira, esta de que estou falando aqui agora. não digo a paz aparente, a que faz cantar e gargalhar [porque nem sempre isso se traduz em paz e felicidade], mas os momentos que tenho vivido, a vida que tenho contemplado com orgulho, que olho e digo: é minha.
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23.8.04

entrevista
p. me ligou hoje à noite, mais ou menos na hora do jantar e ficamos falando sobre o projeto do caminho novo, do site diferente. me perguntou como vai isso aqui e eu respondi que vai indo, mas é difícil escrever para todos porque as opiniões são divergentes e os pedidos diferentes. tem gente que me manda correspondência pedindo que eu escreva apenas os artigos, aqueles que ninguém sabe se é verdade ou não. tem gente que quer opinião política e outros que eu diga o que penso e meta o pau no que achar necessário... mas tem um lado do blog, eu repito para ele, que não pode ser esquecido, que é o de diário mesmo, o de contar as coisas que vão nos acontecendo, porque acontecem coisas e essas coisas acabam sendo interessantes não por serem nossas, minhas, mas porque a vida e as histórias se fazem exatamente desses pequenos fatos, factóides do dia a dia, da hora a hora.... então não poso me furtar a contar como funciona o trânsito no bairro em que eu moro ou como são as relações dos condôminos do prédio que habito... seria besteira? talvez se observado de uma só tacada, de forma independente, mas não é assim... se eu escrevo aqui sobre uma coisa é porque outra aconteceu e essa outra me atingiu, me incomodou... hoje por exemplo, me aconteceu uma coisa que me incomodou, mas só tem graça contar se der detalhes, nomes, endereços. o que fazer então? tornar isso aqui um espaço informativo das coisas cotidianas e que acabam fazendo a nossa grande história? não sei. hoje me convidaram novamente para ser da associação de bairro por causa da minha experiência na AMAL em laranjeiras... não sei se quero cuidar do bairro escrever para ele, se não tenho mais paciência nem para o próprio prédio... não sei.... não sei...
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de getúlio a josé
josé, não o operário, mas o outro saiu hoje me falando sem parar do getúlio... porque o getúlio isso, o getúlio aquilo e falava, falava, falava... josé tem o maior orgulho de ter conhecido o getúlio aos vinte anos. diz que ele era o máximo mesmo quando era ditador e, quem diria, o chico buarque fez uma música enaltecendo o getúlio... mas o chico não era contra os ditadores? bom, vai ver que contra o getúlio específicamente e o fidel, ele não é.... ou então.... sei lá, não estou aqui pra ficar me dando ao trabalho de analisar as cores políticas do chico buarque até parece que ele não as tem muito claras para ninguém.... mas não era disso que eu ia falar, tratava aqui do josé, setenta anos, que conheceu o getúlio e diz que ele era adorado mesmo quando era ditador.
eu acho interessante essa auto propaganda de pai dos pobres e tal, essa coisa pega mesmo em qualquer republiqueta.... minha amiga diz que não se pode chamar o brasil de republiqueta só porque ele é territorialmente grande... eu fico rindo dela. tá perdida, coitada, desempregada nesses tempos bicudos para os artistas onde a liberação de verbas depende da aprovação do governo... se for de interesse do governo, bem. se não for, nada de grana.... quando ela comentou isso comigo eu lembrei que ela durante anos e anos me disse que a solução para o brasil era o PT, que era um partido moderno e voltado para o social... ela, como todos os petistas de boa cepa que eu conheço se calou. . .
voltando ao josé de setenta anos que está emocionado porque amanhã fazem 50 anos que getúlio se suicidou para 'sair da vida e entrar na história'... muita gente está lembrando do getúlio, não se fala em outra coisa.É uma data redonda, 50 anos e cai novamente numa terça feira. engraçado, né? o mundo fica dando essas voltas estapafúrdias e os governos também. entra um, sai outro e todos estapafúrdios, todos da fuzarca...
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racismo
leio nos jornais de hoje que um centro social judaico foi atacado essa madrugada em Paris. E no Brasil, em São Paulo, mais mendigos aparecem assassinados. O que está acontecendo é um movimento racista, neonazismo mesmo, intolerãncia e ódio. Não vemos nenhum país tomar as atitudes severas que deviam com os intolerantes, o que vale dizer que o anti-semitismo não vai parar. Não vai terminar a caça aos judeus no mundo todo, numa contradição ao que dizia Philip Roth num romance conclamendo os judeus a abandonarem israel e fazerem a diáspora para a europa. não vai dar certo... o que parece mais sensato é a ida dos judeus para o estado de israel... não sei bem. porque o estado judeu também vive em guerra com a palestina, cada vez querendo tirar-lhes mais as terras... os judeus estão sempre metidos em grandes confusões e sempre jogam o holocausto na nossa cara pra gente calar a boca. Basta ler a matéria no jornal "dirigentes de comunidades judaicas afirmam que os atos de violência estão relacionados ao aumento da população mulçumana nos países da Europa". Quer dizer, iso é o que tem a dizer dirigentes judeus. Ora, e o que fazem eles com as populações mulçumanas. E porque o aumento de mulçumanos apenas gera ódio e racismo e não o aumento de judeus também?
Por esse atrevimento os judeus são antipatizados historicamente. Não devemos calar. Não sei também se os movimentos neonazistas são motivados pela mesma ânsia que levou hitler ao poder: pela ânsia de ter uma vida melhor... todo mundo sabe a desgraça que era a alemanha antes de hitler. ele foi eleito não foi? tudo bem, não justifica a violência e nem de longe se pensar numa volta de um movimento que lembre o nazismo. Mas acontece que, certo ou errado, queiramos ou não, esses movimentos voltam... como assassinos são executados por outros presos ou por uma certa polícia antigamente chamada 'mineira'... é certo que os mendigos em excesso incomodam e fazem acontecer a barbárie que está acontecendo, da mesma maneira que não fixar o homem na sua terra, faz com que cheguem centenas de nortistas despreparados ao 'sul maravilha' diariamente... o que vai acontecer com esses homens que descem nas rodoviárias do rio e de são paulo diariamente? vão se tornar bandidos ou mendigos.... e não se faz nada, não existem políticas voltadas para esse assunto.
isso dá margem para os neonazistas, para os vândalos, para a desestruturação de qualquer modelo social aceitável.
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22.8.04

entretenimento
nessa confusão em que tenho me encontrado procurando novos caminhos para mim e para as coisas que faço, acaba acontencendo o impénsável... encontrei ontem o manuscrito queP. havia deixado sob meus cuidados há mais de vinte anos... nada de novelinhas de suspense nem de contos sobre linhagens sagradas. não. apenas um manuscrito em que fala de poesia e prosa e pergunta finalmente se a prosa estará enterrada com a televisão (a internet não ameaça a prosa e quando ela escreveu isso a internet engatinhava). procuro os livros que podem me dar essa resposta e não vejo nada de especial: não morre nem a prosa nem a poesia. mas agora, nos jornais dessa semana que falam de seminários sobre novas tecnologias vejo outras possibilidades como programas de computador que, dadas determinadas linhas mestras, possam escrever muito sobre determinado assunto. fico me perguntando se, em situações específicas, o computador não pode escrever um livro inteiro, por exemplo... parece claro que pode, pode não estar escrevendo ainda, mas poderá vir a escrever... não estaremos todos caminhando então para um mundo absurdo onde a acriatividade e a arte humanas serão brevemente subjugadas? sim, acredito nisso. e que linha tênue vai separar o que é arte do que é? essa é a pergunta crucial, a pergunta que não tem uma resposta, tem várias respostas, vários pensamentos transversos que se eclipsiam como numa combinação de espelhos virados uns para os outros... não sei mais quem sou eu, se essa imagem daqui, aquela dali ou a de acolá... é arte o que estou escrevendo aqui quando faço essas experiências de mini contos ou mini crônicas? sim. o que pode ser também é arte barata, arte sem valor, pulp fiction... mas é comunicação. e isso sim deve estar confundindo nossas mentes? que valor tem a arte num momento de extrema comunicação? o que eu quero e necessito mais, de arte ou de comunicação. creio que dos dois, mas sei também que não temos tempo para assimilar os dois, não temos tempo para ver o belo, sentir o belo e, ao mesmo tempo assimilar tudo o que acontece na casa ao lado, no bairro, no continente e no mundo... porque não é só o que acontece, é o que acontece e qual a relação que esse aconteceimento terá diretamente comigo, porque sim, eu serei atingido de uma forma ou de outra pelas coisas que acontecem no iraque ou em bombaim ou em nilópolis... se eu serei atingido resta saber como serei atingido... se bush não for reeleito o que vai me contecer, que reflexo sua perda terá sobre o meu trabalho, sobre as notícias que passarei a receber, sobre tudo... então eu posso dizer que arte é saber se bush foi reeleito ou não? não sei responder. aparentemente não, aparentemente é só informação, é só causa e efeito, mas como se influenciarão as artes com esse efeito? o que a notícia tem a ver com tudo isso? pode ser que eu tenha a ver com tudo isso. Na medida em que sou bombardeado com notícias à cada segundo, minha percepção para a sensibilidade da arte pode mudar, pode se abrutalhar, digamos assim... o que me interessa mais? conhecer a mona lisa ou conhecer o chip de última geração que vai influenciar na minha vida e na minha família? mas chip não é arte. Não? Não posso falar "na arte de fazer um chip"? Posso. Talvez não possa falar em erudição. Mas o que será realmente a erudição se o mundo de informações não me permitir mais estudar, se não me permitir mais ter o tempo necessário à erudição? e se chegar um tempo em que não haja tempo para a erudição, o que será dela? se ninguém puder ser erudito, deixa de existoir a erudição, transformada em outra coisa, numa capacidade impensável de conhecimento de fatos, dados e conhecimentos outros e, mais, esses ao alcance de todos e não apenas a uma elite privilegiada... não creio que estejamos falando de um futuro muito distante... eu tenho tempo de ler toda a obra de Carpeaux? Não. E quem tem? Tem gente que já TEVE. Quero saber quem tem. Porque ler toda a obra de Dostoiévski, por exemplo, é diferente, é aventura, é romance, é história, entretenimento. Um entretenimento de primeira qualidfade, mas ainda assim entretenimento. E o que o mundo mais precisa? o homem trabalha para comer e para ter entretenimento, apenas isso. Entretenimento é comida para o espírito. Não consigo viver sem ter algum tipo de entretenimento, sem me divertir, sem assistir a uma obra que mexa comigo [ e voltamos ao conceito de arte] ... Ulisses de Joyce, é arte? Com certeza sim, mas é entretenimento? Creio que não. Então tem essa coisa da obra ser mais ou menos palatável... eu prefiro ler Guerra e Paz a ler Ulisses, mas se não leio Ulisses não sou erudito. Eu prefiro ler Veríssimo a ler Machado de Assis e assim os clássicos (que são arte) começam a se mexer nesse imenso tabuleiro de xadrez. O que é e o que não é? E se eu tenho um tempo determinado para isso, o que devo escolher? O que me faça em 50 anos um erudito ou o que me faça em cinco dias em conhecedor de informação e de uma arte não clássica, mas que me entretém?
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coração
tenho tido ultimamente muitas dores no coração. não era pra menos, né? tenho cinqÜenta anos, levo uma vida absolutamente sedentária e o fumo que nem um louco.... dia desses pensei em ir a um médico, mas mudei de idéia. ora, o camarada vai fazer duzentos exames e concluir que eu tenho isso e aquilo... vai dizer pra eu fazer exercícios, parar de fumar e tomar os remédios tais e tais - coisas que eu não vou, absolutamente fazer - Ele pode ainda descobrir que a coisa é um pouco mais séria e optar por fazer um cateterismos e depois uma pequena cirurgia cardíaca para resolver melhor a questão. Outra coisa que eu também não vou fazer. Então me diga: para que eu vou lá incomodar o infeliz do médico. Não vou... continuo aqui com a minha dorzinha que pode durar mais vinte anos ou mais vinte dias.... se eu tiver um enfarte numa lugar movimentado, babau, vão me levar à força para um hospital, mas aí a ação não será minha.... no mais eu não me importo. não tenho medo de morrer.... aliás, prefiro mesmo morrer a ser desses cardíacos ridículos que ficam andando pra lá e pra cá de shortinho e meias brancas, fazendo exercícios e sem poder fazer nada de bom... pra quê? pra ganhar mais uns dias de vida? não. deixa quieto e veremos no que vai dar.
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ontem eu assisti {sim, mais uma vez!} o filme Assassina, que é a versão americana [e pior] do que Nikita, pronta para matar. Nikita era muito bacana e a idéia boa. Mesmo quando o filmne não é genial, vale a pena a gente assistir às coisas que são boas idéias.... é tão difícil a gente topar com idéias legais... antes, eu acho, só ia pra frente, só era produzido o que eram boas idéias... hoje não. qualquer merda vira livro, filme, peça de teatro... qualquer merda. basta o autor ser persistente ou ter sorte... enfim, nem por isso deixei de assistir A Assassina.
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Olga
olha, a gente não pode se fiar só na crítica, a gente tem que ver toda manifestação artística para ter uma opinião concreta, pra ver o que a gente mesmo acha disso e daquilo.... mas esse filme Olga do Monjardim tem horrorizado todos os críticos. Dá pra entender do que a crítica fala, do melodrama vulgar, do excesso de closes sem razão, etc.... como disse, não posso ainda ter uma opinião porque não vi, mas parece que Olga é mesmo uma bomba.
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mendigos
é claro que eu não sou e ninguém pode ser favorável a essa matança de mendigos em são paulo. tem toda aquela jistória de que são seres humanos, que são pessoas que caíram em desgraça ou já nasceram sem a correta atenção do estado. portanto, é óbvio que é terrível essa matança... mas temos que olhar o outro lado também. os mendigos sujam as cidades sim, fazem das suas sim [ cagam no meio da rua e jogam merda em quem está passando ] vivem embriados, mexendo com as pessoas sempre de forma ofensiva e muitos são agresivos sim.
então o negócio é o seguinte: tem que tirar os mendigos das ruas e prender seus assassinos. não me venham prender dois ou três neonazistas e deixar tudo como está com a cidade infestada de mendigos, com a cidade fedendo a todo o tipo de excremento... não há dúvida de que os matadores são mais ou menos profissionais e devem estar achando que estão 'limpando' a cidade... mais dia menos dia vão ser presos, o que é justo - torcemos todos para a prisão, para acabar com a matança... mas eu gostaria tambpem de ter o direito de caminhar por ruas limpas, sem mendigos, que os políticamente corretos chamam de "moradores das ruas", sem cheiro de urina e cocô. será que não dá pra gente viver num país mais ou menos civilizado?
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21.8.04



recebo um e.mailmalcriado (só não vou reproduzir pra não dar cartaz ao autor) cobrando de mim uma certa [ou total, sei lá] coerência com a "linha editorial" do meu blog...pode? será já um agente do governo, desses que vão cuidar do que a gente faz, do que pensa e do que escreve? acho que ainda não. então que história é essa de linha editorial? enlouqueceu? eu aqui escrevo o que eu quero e bem entendo de boa ou má vontade, com qualidade ou sem qualidade nenhuma. esse espaço é meu, foi construído por mim, pra escrever os postar as coisas que eu bem entender, sejam lá sandices ou não...
eu vou escrever sim sobre as sacanagens que fizeram comigo no trabalho, vou escrever sim sobre as novas propostas de ocupação, sobre as coisas boas e legais com pessoas inteligentes e bacanas que estão comigo nas novas aventuras, vou falar da minha relação com minhas doenças, com minha depressão e com o meu câncer....vou escrever ainda essas pequenas historietas, esses contos de meia lauda tenham ele alguma lógica ou não para o leitor - não posso infundir inteligência nas pessoas burras! - vou, enfim, continuar fazendo tudo o que sempre quis, o que sempre fiz sem essas patrulhetas babacas, imbecis que ficam por aí, pela rede procurando uma coisa aqui outra ali pra meterem o bedelho [sujo de meleca verde].... a coisa é tão simples e eu já repeti tantas vezes... quem gosta, volta sempre. quem não gosta, some, não volta mais, me desconhece? falou? portanto, chatos e carolas e chatas do meu país: VÃO TODOS TOMAR NO CÚ
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dope-se
eu não sei se isso é ilícito, se eu vou ser processado pelo que escrevo, mas a verdade é que ninguém, ninguém suporta mais a vida da maneira que ela se nos apresenta de cara limpa. Todo mundo faz alguma coisa: cheira cocaína, se entope de lexotan, toma 30 cervejas, fica indo de igreja em igreja, de culto em culto... o que é isso afinal, a não a ser a incapacidade a que chegamos de suportar o cotidiano? não temos mais estrutura emocional para conviver com ladrões, assasinos, sacripantas, lobistas, patrões canalhas, sogras insuportáveis.... existe um exército de personagens que nos perseguem da hora em que acordamos até a hora em que desmaiamos [dopados seja lá pelo que for]... e por que temos que ser perseguidos? porque temos que ir à exaustão nas idiotas academias de ginática, porque temos que fumar verdadeiros charutos de maconha, por que temos que ficar de cabeça para baixo fazendo yoga e outras coisas mais para suportar? não seria mais lógico, coerente e direto, mandar essa gente toda que estraga, que destrói a nossa vida para a puta que o pariu? é uma gente que quer, mas não trepa, que é homossexual e não se assume, que é vagabunda e tem ares de trabalhadora. é a escória do mundo. antes a gente podia falar da escória do mundo, hoje tem que admitir que o mundo é uma escória e não temos mais para onde fugir... então as pessoas se efurnam em boates e dançam desesperadamente até desmaiarem ou tomam ecstasy pra suportar um bocadinho mais... não me venham então com essa arenga que não se deve fazer isso ou aquilo. as pessoas devem escolher o que for melhor e fazer sim: beber até cair, tomar antidepressivos, ansiolíticos, cheirar cocaína, fumar desbragadamente... enfim, as pessoas precisam de escape porque se não for assim acabam estourando e estourar de pura tensão, de puro descontentamento é um fim idiota demais para quem já teve que enfrentar a vida.... eu já falei aqui que a gente tem que andar barbeado, tem que usar uma roupa assim ou assado, tem que ouvir as sandices de uns chefes idiotizados, tem que ler dois jornais por dia, ver duas horas de televisão, tem que saber de novelas, de olimpíadas, tem que se posicionar contra ou à favor do governo, tem agora, ainda por cima, que votar.
enfim, é obrigação demais, é peso demais para simples mortais. antigamente, antes da globalização, da rapidez da informação e da disparada rumo aos salários altos, as pessoas tinham uma vida melhor, quer dizer, tinham alguma coisa que se parecesse vida. sei porque estou escrevendo e para quem estou escrevendo:não se assuste. você não é o primeiro que não está suportando. entupa-se de suporíferos porque eu faço o mesmo e o meu psiquiatra faz o mesmo também. ninguém aguenta mais e não se dá conta ou se dá conta e finge que tá tudo bem. mentira! tá todo mundo contido, dopado dessa ou daquela maneira... não somos mais homens normais e ponto final.
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a sala
ela tinha me levado na sala escura numa galeria em copacabana há muito tempo. fui e não entendi bem [nem fiz muita questão] porque me pareceu uma espécie de igreja batista m´vel, alguns adeptos que alugavam o lugar para fazer suas reuniões, seus cultos. o tempo passou e esqueci o lugar.
hoje, andando pelas ruas em busca de medicação - sempre muita medicação - eu voltei a entrar na galeria e tive curiosidade de ir à tal sala nos fundos. a porta estava fechada, mas não trancada. entrei com cuidado e devagar naquele ambiente absolutamente escuro - breu mesmo - esperando que minha vista acostumasse um pouco. reparei de cara que não tinham mais os ventiladores de tetoe as cadeiras, que outrola eram muitas para o auditório dos cultos - hoje eram poucas, a maioria quebradas... o natural seria eu me sentir mal num lugar como aquele, ali, sozinho, mas não foi o que aconteceu.... comecei a andar pela sala tentando captar um pouco da energia - devo confessar aqui, a energia dela, como se fosse possível - e procurei o cheiro de incenso ou uma imagem ou uma bíblia... não havia mais nada. a vista demorou mas começou a se acostumar com a escuridão e fui andando agora não tanto pelo meio e mais pelos cantos. num dos cantos haviam velas, muitas velas negras, algumas mais grossas, outras mais finas, algumas já totalmente queimadas, outras ainda em cotoco e naquele espaço o chão acolhia toda a cera negra... me agachei para olhar com mais atenção, imaginando se aquilo teria algo a ver com algum ritual, como parecia, se era alguma macumba.... fiquei sem resposta porque não haviam outros elementos desses cultos, nada... achei que tinha maiscoisas para ver e fui até a outra parede e essa me causaou mais estranheza ainda ao perceber um espelho côncavo, encostado e não pendurado. acendi meu espelho e me vi refletido, daquela maneira disforme que esses espelhos nos deixam... diante do espelho comecei a fazer caras e bocas [acho que brincando comigo mesmo, fazendo alguma coisa para não me assustar] quando comecei a ouvir vozes. rapidamente me abaixei para não ser visto por quem vinha chegando. esperei. ninguém entrou na sala e agora as vozes estavam altas o bastante. diziam várias coisas, algumas desconexas: vá lá, olhe mais para o esoelho... acenda auquele cotoco de vela e traga para perto do espelho, entre aqui e venha conhecer esse mundo de magia que posso de proporcionar, não tenha medo porque você vai voltar, não estamos aqui sempre.... as frases eram sussurrdas e, ao mesmo tempo, perfeitamente audíveis, altas o bastante. levantei-me rápido para ver quem falava, mas, definitivamente não havia ninguém na sala. fui até à porta ver se estavam ali, prestes a entrar, mas o volume das vozes não aumentou. abri a porta e não havia ninguém do lado de fora. voltei então, tateando pelo meio da sala nas cadeiras, convencido que as vozes estavam todas dentro da minha cabeça, que falavam de mim para mim... tentei me concentrar. o que poderia estar acontecendo? um surto de esquizofrenia? pouco provável. essa doença eu não tenho. "Não, você não é esquizofrênico" me disse uma das vozes lendo o meu pensamento. .. caminhei mais um pouco, precisava de respostas. sói então, ao me aproximar novamente do espelho dei pelo que acontecera e meu coração disparou, quase saltando pela boca. ao pé do espelho havia uma das velas pretas...acesa! sim, acesa. aliviado do susto olhei parao espelho e este não era mais côncavo, mas convexo, deixando-me tão estranho quanto antes só que 'ao contrário'... lembrei-me dela falando daquele lugar, da festa das tochas (que eu nunca vi)... comecei a tentar me lembrar do máximo de coisas que ela me contavaquando freqüentava as reuniões... o ministro com suas palavras suaves porém enérgicas, o incenso, as flores, a leitura dos salmos, as tochas... mas aquilo não seria então um encontro de batistas como eu pensara à princípio... não, definiticamente, eu não conseguia me lembrar direito de tudo o que ela falava e não conseguia entender o que estava acontecendo ali, agora.... tive vontade de me aproximar do espelho e o fiz colocando a palma da mão esquerda bem no meio dele.... estava quente, um calor gostoso tomou conta da minha mão e se irradiou por todo o meu corpo.... dei meia volta. no caminho, quando me dirigia novamente para a porta tropecei num montículo de uns quinze livros...tive a curiosidade de ver de que assunto tratavam, mas não tive coragem... até porque essa experiência estava apenas começando... as vozes falavam agora em outro idioma, num idioma que eu não reconhecia, que me assustava e... (continua)
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é tremenda a confusão com o escândalo Ibsen Pinheiro, quando foi acusado injustamente há onze anos atrás. Agora com a possibilidade da volta da censura à imprensa, imposta pelo governo Lula, os órgãos de imprensa começam a se degladiar, mostrando que erraram aqui e ali, que a imprensa precisa checar mais suas fontes antes de publicar uma matéria e bláblá blá... esse trabalho de ficar de olho na imprensa já é feito há muitos anos pelo jornalista Alberto Dines no seu Observatório da Imprensa. Com tudo isso, sai ganhando Ibsen que passa de vilão a vítima e que, se fosse eu, processava todo mundo
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em breve, começo a contar da minha história com o câncer.
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VEJA
a edição de Veja que está nas bancas hoje dá uma 'enquadrada legal' na revista Isto É. Mostra o quanto a segunda tenta ser perversa e só consegue não ter nenhuma ética. Assim, a VEJA se mantém como a melhor revista brasileira.... eu conheço gente que só lê a Isto É... é gente que gosta de sensacionalismos, gente meio arruaceira. Eu conheço uns caras que são fãs da Isto É.
Evidente que além de tudo as pessoas em questão são ignorantes de pai e mãe e têm fumaças de comunistas
Pfui!
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20.8.04

mordaça
hoje não tive nenhuma notícia sobre a lei de imprensa (censura) que o lula (paz e amor) está querendo implantar... não sei se a coisa está parada, em banho maria ou se esse silêncio já é resultado da própria censura. brincadeirinha. não acredito que isso vá passar. os jornalistas são mais organizados que os artistas. esses, dão gritinhos pitis, mas são mais comprometidos com a eleição do lula e portanto, ficam de mãos mais atadas... tenho a impressão que para o governo também é mais fácil dominar a arte e a cultura, de maneira mais velada, talvez... basta ele ir diminuindo (mais ainda) os patrocínios, os incentivos para projetos culturais que não atendam ao chamado núcleo duro do TP
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o senador
procurei não aparentar nenhuma emoção quando o homem se aproximou com a velha desculpa de pedir fósforos. não sei desde que século essa é uma artimanha barata para uma aproximação perigosa. mas ele não fez nada mais do que acender o cigarro e seguir em frente com passos que, embora não trôpegos, não me pareciam firmes o bastante para uma pessoa absolutamente sóbria. alguns segundos depois que ele seguiu o seu caminho foi que lembrei quem era, de onde o conhecia, era um senador da república... o que fazem senadores da república andando em ruas desertas, aparentemente dopados e pedindo fogo a qualquer vagabundo como eu? não sei. comecei a segui-lo, mantendo uma distãncia razoável, com medo de ser descoberto. não era tarde ainda e ele entrou numa loja de doces e balas, o que muito me espantou porque não via esse tipo de comércio desde a minha infância. saiu de lá com um saquinho de papel pardo, enfiando-lhe a mão de vez em quando e trazendo-a à boca... o que estaria comendo? amendoins com chocolate? continuou sua caminhada nem trôpega nem firme e eu continuei na campana. havia alguma coisa ali que me fugia, estava acontecendo alguma coisa que deveria ser óbvia, mas que eu não reconhecia... tentei imaginar tudo, até que ele estivesse fazendo algum comercial, alguma coisa para a campanha, mas nada me apareceu em mente... definitivamente eu não sabia o que estava acontecendo. sabia que não estava sonhando, como cheguei a aventar. na esquina seguinte, uma nova surpresa: ele parou, olhou eu volta [me escondi numa esquina de beco] e para minha surpresa, tirou a peruca que estava usando, deixando à mostra sua grande calva. mais: sua cabela completamente careca, como um ovo. não tinha mais o que pensar. não podia estar acontecendo nada daquilo nesse bairro sórdido, acontecendo entre ele, figura proeminente e eu, desempregado que caminha para fazer alguma coisa... não era uma pegadinha, não era um delírio, o que seria? segui em frente mais alguns metros [muitos metros - um km talvez] e ele se encaminhou para a escadaria da estação do metrô. agora, com aquela cabeça completamente despida de um só fio de cabelo eu não tinha certeza se o personagem era mesmo o senador da república que imaginara antes. talvez não fosse, talvez fosse apenas alguém parecido.... ele carregava uma pasta e, no meio do caminho, parou, abriu a pasta tirando dela um radinho de pilha. não desses rádios super modernos, mas um antiquado, talvez da década de 60 ou setenta, com uma capa de couro. antes dele começar a descer as escadas da estação do metrô, dessas mesmas escadas emergiu uma mulher loura, extremamente loura, de boca muito vermelha de baton. usava um vestido branco, fino, traje nada apropriado para uma usuária de metrô. o senador (?) parou e falaram durante alguns instantes... eu estava escondido nas sombras de um entardecer rápido e, com toda a certeza não me viram. conversaram mais um pouco e parece que ele a convenceu a voltar para o metrô. começaram então a descida e pus-me a persegui-los rapidamente... (continua)
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19.8.04

geléia geral
à proposito: estou dando uma olhada num livro que rola pelas minhas estantes, mas não fui fundo....trata-se de "Vida, o filme" de Neal Gabler... é muito interessante ver como a vida hoje é um espetáculo constante, o show é real, não é feito apenas em teatros e cinemas, mas nossa própria vida, nossa própria maneira de ser, nosso comportamento, tudo se confunde com a indústria do entretenimento... se a gente reparar quando sai na rua, percebe que as pessoas, as roupas, os comportamentos, tudo é um grande show.... o que antes era reservado para salas de espetáculos agora acontece o tempo todo na vida, na rua , no trabalho, dentro de casa... não tem mais essa de a vida imita a arte que era uma brincadeira com a arte imita a vida... não. agora arte e vida se misturam . . . rola uma metamorfose e a gente não sai nunca da ribalta...eu diria até mais, diria que durmindo estamos sonhando e, portanto, mesmo dormindo o show não pára o espetáculo não pára...
estou só no comecinho do livro, mas já deu pra sacar o que ele quer dizer já no prefácio e é isso mesmo... eu, por exemplo agora, estou escrevendo uma coisa que será lida por 50, 100 pessoas, sei lá... essas mesmas pessoas podem fazer o mesmo que eu, não existe mais barreira para nada, tudo se confunde... quem é o escritor e quem é o leitor? quem garante que o leitor não tem uma história muito mais interessante que o escritor.?.. ninguém. Todo mundo tá fazendo tudo o tempo todo, todo mundo tem lá o seu espetáculo, todo mundo é entretenimento para o outro, todo mundo conversa e espia as pessoas conhecendo-as ou não... na internet v. entra numa sala de bate papo e sai falando com centenas de pessoas, troca fotografias, discute política, arte, na televisão você vê um enlatado, mas vê também o BBB, vê o que as pessoas estão fazendo dentro de uma casa e quem são essas pessoas que nos despertam ointeresse afinal? ninguém, são anônimos como nós que deixam de ser assim como nós deixamos de ser para outros e assim sucessivamente... o que vai acontecer com tudo isso? eu não sei. tem esses teóricos todos falando da vida on line, das infovias, da tv interativa, etc. não sei se vai ser bem como eles estão dizendo não... acho que o povo está andando na frente dos filósofos... a inversão é generalizada e parece que vai ser saudável tudo isso no final das contas
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Abrindo espaço
Estou abrindo um espaço aqui, indicando alguns sites e blogs de jornalistas porque fiquei entusiasmado com a entrevista do Ricardo Noblat dada ao Jõ, ontem, dia 18. Foi engraçado porque ele falou coisas parecidas com o que eu tinha falado aqui, de como não se pode mais guardar a notícia ou a poesia ou acrônica, como o espaço é de todos. Resolvi também fazer uma experiência deixando o comments aberto. Na verdade, até hoje não sei com certeza se é melhor deixar aberto ou fechado. Por isso tem períodos que não deixo o espaço e tem períodos em que deixo. Hoje coloquei aí em baixo o "Pode falar" pras pessoas se manifestarem, usarem o espaço para interagir comigo ou com outras, não sei bem no que vai dar. Não importa, estou mesmo experimentando tudo, querendo ver o que pode rolar nessa geléia geral da internet. Os e.mails que tenho recebido, bom, esses estão guardados, mas tenho me correspondido com as pessoas. Parece que por e.mail a coisa fica mais séria, dá mais trabalho, sei lá. É como eu disse... tudo é uma experiência que, espero, dê certo
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cometi uma injustiça uns posts abaixo ao não citar o programa Olhar 2004 dirigido e editado pelo jornalista Mario Morel. Tirando aquelas jarinhas cafonas, bregas e insuportáveis do cenário, o programa é bom, uma opção ao Jô Soares, muitas vezes mais interessante, com convidados bons para comentar os assuntos do dia... parece que esse programa foi uma criação de fernando barbosa lima, craque nesse tipo de bolação...lucia leme apresenta o que é excelente porque ela, afinal, "deixa" os convidados falarem, ao contrário de outros apresentadores que querem aparecer tanto que acabamos não sabendo o que o convidado quer dizer... tudo bem, tem dias que o Jõ está melhor, tem dias que o Olhar 2004 está melhor... basta você ter uma insônia cavalar e ficar zapeando de lá pra cá. É bom a gente ter uma análise no fim do dia dos assuntos que foram notícia naquele mesmo dia... Lembro que em 1992 se não me engano o jornalista Paulo Branco que era presidente da TVE fez um programa parecido, chamado Jornal de Amanhã... não tinha o mesmo formato, mas era interessante também, a gente ficava sabendo o que ia ser manchete nos jornais do dia seguinte e tinha um debate interessante. Bons tempos.
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Yes, nós temos papada
tava fazendo a barba agora e dei com mais um sinal da velhice que, célere, se aproxima... além da barba ser branca, começa a surgir uma carne meio flácida no pescoço, pouco atrás do queixo... é a famosa papada que ninguém admite que tem e quando é inquestionável, fazem plástica... pois bem, eu, na minha desabalada descida aos porões da velhice, agora tenho também a famosa papada [tão apavorante para uns e umas]... fiz alguns experimentos para ver se era mesmo, pra não dar uma notícia falsa... virei a cabeça para um lado e para o outro e, para cada lado virado, lá vai aquela papa em baixo do queixo. dei uma sacudida com a cabeça e ela se tremeu toda. como não sou gordo, a resposta é óbvia e simples: sinais da velhice, da degeneração humana. tudo bem que não é uma papada enorme, mas tenho a impressão que essas coisas quando começam, se desenvolvem bem rapidamente.
aproveitei pra dar uma cheirada em mim mesmo em busca da famosa morrinha dos velhos. não senti, mas isso não é a prova fatal, meu nariz pode ter se acostumado.
sim, estou ficando um velhote consumado. graças a deus.
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Tem umas épocas em que você tem que ficar saturado de informações sobre determinados eventos: Natal, Carnaval.... Porra, carnaval é um porre, você tem que ver aqueles bailes com aquelas entrevistas prá lá de ridículas, tem que assistir aos desfiles das escolas de samba, tem que saber que bloco ganhou não sei o quê e que mulher vai ser madrinha da bateria tal pra depois posar para a PlayBoy. É insuportável, parece tortura chinesa, porque pra omnde você olhar vai ver alguma coisa relacionada com o carnaval. Rádio e televisão então, nem pensar. E acontece parecido no natal, só que aí é a na área das propagandas, dos comerciais, você fica com vontade de dar um tiro da televisão ao ver pela milésima ver um papapi noel idiota oferecendo alguma coisa quase de graça e que você pode pagar em um milhão de vezes. Se você não compra presente no natal, putz, vai arter no mármore do inferno.... Mas não é só isso, tem a Copa do mundo e aí todo mundo tem que gostar de futebol, tem que entender de futebol.... dizem que o brasil é um país de técnicos, todo brasileiro é um técnico de futebol. Mentira! Eu não sou. Eu odeio futebol, quero que os jogadores, técnicos, clubes e delegações todas se danem, mas não adianta, pra onde você olhar vai ver alguma coisa da Copa do mundo...agora são as olimpíadas. Porra, é de enlouquecer.
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não agüento mais essa história de Olimpíadas. Que coisa chata! Quando acaba?
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quando saltei do metrô percebi que a estação estava estranhamente vazia. pra não dizer que não havia ninguém, tinham dois camaradas sentador num banco. a seus pés, sacos e mochilas - o que me lembrou a época dos mochileiros dos anos setenta - e nada mais. não tinha ninguém esperando a composição, não tinham guardas nem mais nada... as luzes não estavam todas acesas dando um clima meio de filme policial de segunda.... saltei e, de tão intrigado, resolvi me sentar num outro banco da estação para ver o que estava acontecendo. Poderiam ter fechado a entrada por algum motivo. Ameaça de bomba? Sei lá....tudo pode. Fiquei bem uns quinze minutos, quinze minutos do meu dia custam alguns milhares de reais, olhando, procurando entender o que estava acontecendo. os mochileiros não me deram nenhuma atenção, estavam com aquela cara de dopado bunda mole que fica quem acabou de fumar um charuto de maconha... lembrei de um filme que vi há muito tempo que tinha uma cena análoga, mas não lembro o que acontecia em seguida no filme. fiquei por ali, à princípio sentado e depois dando umas voltas pela estação.... de súbito encontrei encostada a uma parede uma mulher que deveria ter cinqüenta anos mais ou menos. estava com cara de ressaca - meu deus, todo mundo naquela estação era doidão? - cara de ressaca, cabelos desgrenhados e unhas pintadas de marron escuro ou preto, não dava quase para diferenciar... pensei rapidamente em quanto eu odeio esses esmaltes, em quanto as mulheres ficam patéticas, com mãos de Tom quando a janela cai em suas mãos por obra do Jerry, mas não vem ao caso.... a mulher fumava tranqüilamente, outra aberração pois nunca vi ninguém fumar nas estações - essas coisas que pegam no brasil, não é por educação do povo não é porque simplesmente pegam - brasileiro usa cinto de segurança, não fuma no metrô, mas cospe na rua - coisas do brasil... ela estava me olhando com seus olhos cansados, parecia uma vaca de olhar triste [porque todas as vacas têm olhar triste] e acompanhando meus movimentos sem muito interesse....fiquei me perguntando se ela não teria uma garrafinha com algum destilado dentro da bolsa, mas aí já seria cinema demais... perguntei a ela o que estava acontecendo, porque não tinha ninguém ali numa hora de movimento... ela demorou um pouco a responder, ainda me olhando com seu olhar bovino, mas acabou por dizer que estação estava fechada. Como fechada? perguntei - Eu acabei de saltar do trem nessa estação. Se estivesse fechada ele não viria até aqui ou não pararia... senti na mesma hora que ela estava me achando um idiota e fez um movimento de cabeça para que eu olhasse a entrada... olhei e realmente a estação estava fechada... e o pensamento seguinte foi que eu não poderia sair dali... e o seguinte foi: o que aquelas pessoas estavam fazendo ali dentro? caminhei em direção aos mochileiros que não deram por mim... Como vocês entraram aqui? - perguntei.
-Aqui onde? - me devolveu a pergunta um deles. ...vi que não teria sucesso na conversa com aqueles dois e retorneiao local em que estava a mulher... para minha surpresa ela não estava mais ali. olhei em redor e não a vi em parte alguma... resolvi, então, procurá-la.....(continua)
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"quando eu era criança pequena lá em barbacena" comecei a trabalhar com dezesseis anos de idade e as regras do jogo eram as seguintes: homem se aposenta com trinta e cinco anos de trabalho. Se bem ainda sei somar, 16 + 35 = 51. Portanto eu me aposentaria integralmente aos 51 anos de idade. Mas as coisas nesse país sempre funcionam às avessas e, uma vez mais, no meio do caminho, mudaram as regras do jogo. Homem só se aposenta aos 54 anos de idade decretou nosso FHC. Não contente, achando pouco chega o companheiro Lula, nosso ilustríssimo Presidente da República e diz: "Não. Homem só se aposenta aos 60 anos de idade".
Quer dizer, é uma cachorrada que se faz com o povo, com os trabalhadores. Mudam-se todas as regras de todos os jogos assim, no meio do caminho, levianamente. Querem que as pessoas se aposente com 70, 90,110 anos? Tudo bem, mas que a regra comece a valer para quem está começando a trabalhar agora e não para quem está às vésperas da aposentadoria. Isso é desrespeito, isso é roubo, na verdade. Roubo do tempo de trabalho, empulhação para quem sempre cumpruiu a sua parte no jogo. É desonesto, desumano. Tudo porque o governo não consegue caminhar com as próprias pernas, não tem dinheiro, não sabe fazer dinheiro. Não sabendo como produzir, como andar sozinho, o que faz? Ataca o povo, rouba do povo seus direitos mais do que adquiridos. E o povo, o que faz? Nada. Temos uma população no brasil de carneirinhos, de gente que não se organiza, gente que não sabe ir para as ruas fazer valer os seus direitos. Já não sabia antes e agora, com a ameaça de um governo truculento, faz menos ainda, tem mais medo ainda.
E o que se pode esperar de uma população que não acredita nos seus governantes, que não acredita naqueles que eles mesmo escolheram para ser seu representante, seu presidente. Como pode um país conviver nessa situação kafkaniana onde ninguém sabe o que pode acontecer amanhã, não, o que pode estar sendo urdido agora? Quem esperava que o presidente do banco central fosse ter status de ministro só pra se impedir as investigações que sobre ele começaram a recair? Quem sabe o quê no Brasil?
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a gente tem que entender direito o que está acontecendo. muito se tem falado sobre a censura na imprensa e nos meios culturais que o governo pretende impor, na taxação dos inativos, no baixo salário mínimo, na falta de empregos, de saúde pública, educação e segurança. Parece que fica um eterno "bater no governo" apenas por bater, porque não se gosta de A, B ou C - no caso não se gosta da administração Lula - mas não é isso. Trata-se apenas de olhar em volta, ver a miséria aumentando, as pessoas pedindo emprego, os jornalistas tendo que botar a boca no trombone para que a censurã não se instale à sorrelfa como ia acontecer.
Por isso eu escrevi dia desses que o governo vai ter que se decidir: ou muda o sistema de governo e aí ninguém reclama mais de nada ou mantém um governo democrático e dá ouvidos à sociedade, olha para o povo e percebe o que está acontecendo de verdade. Não há mais o que apertar, o que esgarçar, não se tem mais alternativas para a sobrevivência.... Basta você passar nas avenidas, por exemplo, e ver os milhares de camelôs tentando ganhar alguma coisa para comer. O que é isso? É gente desempregada. Quanta gente não está nas prisões (outra loucura que é o sistema carcerário no país!) porque roubou e roubou por necessidade mesmo? Quantas pessoas morrem nas filas do INSS... enfim o que se vê é o país caminhando a passos largos para o caos...
Porque não adianta um colarinho branco de brasília anunciar um índice um pouco menor de inflação, não adianta dizer que vai começaro projeto tal que vai gerar não sei quantos empregos. Não estamos tratando desse lero lero das páginas de política. Estamos tratando da fome, estamos tratando da miséria. Não adianta mostrar um município do interior do nordeste onde as pessoas não têm o que comer e dizer que vai se fazer isso ou aquilo por aquele lugar porque o problema não está lá e lá é mais fácil resolver. A maioria do povo está nas cidades grandes e é nas cidades grandes que o problema tem que ser atacado - e não é.
Temos um governo que vem falando, fazendo discursos e dando todas as fórmulas "fáceis" para o país sair da extrema miséria que vive. Esse é o governo que sempre esteve na oposição, que sempre disse que era possível. E agora? Temos já quase dois anos de governo e nada melhorou, muito pelo contrário.
Vai ser um país só de motoristas de táxi e camelôs? Eternamente, senhor Presidente?
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TRANSCRITO DO JORNAL O GLOBO

Supremo decide a favor da taxação de inativos
Maria Lima - O Globo
Eduardo Diniz - Globo Online

"RIO - O Supremo Tribunal Federal (STF) julgou constitucional a taxação dos servidores inativos, um dos principais pilares da reforma da Previdência. Dos oito ministros que faltavam votar nesta quarta-feira, seis consideraram a cobrança constitucional, e dois não. Com isso, o governo virou o placar e venceu por 7 a 4, já que o julgamento foi retomado com o resultado parcial de 2 a 1 contra a proposta.
Os ministros que votaram a favor da taxação ressalvaram que o STF vai adotar o princípio da isonomia na reforma da Previdência, igualando os percentuais pagos pelos servidores de União, estados e municípios.
A reforma da Previdência prevê que, nos estados e municípios, os servidores devem pagar 11% de contribuição acima do que exceder 50% do teto do funcionalismo, que passou a ser de R$ 2.508. No caso dos servidores da União, a reforma prevê que eles paguem 11% sobre 60% do que exceder o teto, enquanto os servidores dos estados e municípios pagam a contribuição sobre 50%.
Os ministros alegaram que essa parte da reforma fere o princípio da isonomia. Por isso, decidiram que os 11% serão cobrados dos inativos de União, estados e municípios na parte que exceder o teto de R$ 2508. A decisão é retroativa e vai obrigar a União a devolver o que já foi cobrado.
- Não há no artigo 201 da Constituição, que trata das aposentadorias, qualquer garantia de que não pode ser cobrada contribuição dos inativos. Reconheço a perfeita coerência da emenda com a Constituição - disse Eros Grau.
- Na minha cabeça, todo mundo tem que pagar igual. É inconstitucional essa discriminação, que fere o princípio da isonomia. Essa inconstitucionalidade na desigualdade entre União e estados e municípios, no entanto, não pode invalidar a constitucionalidade da cobrança - explicou Peluso, ao sair do plenário.
Os ministros Cezar Peluso, Eros Grau, Gilmar Mendes, Carlos Velloso, Sepúlveda Pertence e Nelson Jobim consideraram constitucional a cobrança, enquanto Marco Aurélio de Mello e Celso de Mello votaram contra.
No início de sua fala, Marco Aurélio leu um voto do presidente do STF, Nelson Jobim, na Constituinte de 1998 em que Jobim apelava para que os parlamentares rejeitasem uma emenda que tirava a garantia do direito adquirido dos servidores alegando que uma lei nova não poderia retroagir para prejudicar o servidor, numa provocação a Jobim, que deve votar a favor da taxação.
- É um absurdo cobrar contrituição de quem já é aposentado. Caráter contributivo dos aposentados visando aposentadoria no além? Aposentadoria no além prescinde de contribuição - ironizou o ministro.
O ministro Joaquim Barbosa, que já havia votado em maio a favor da taxação, confirmou seu voto mas também seguiu o entendimento de Peluso sobre os percentuais pagos por servidores da União, estados e municípios. Ellen Gracie e Carlos Ayres Britto também votaram na primeira sessão de julgamento, em maio, só que pela inconstitucionalidade da cobrança.
No primeiro voto desta quarta,Peluso - que foi indicado pelo presidente Lula para o Supremo - tratou a questão da contribuição dos inativos como um tributo, e afirmou que, como tal, a taxação não se configuraria uma quebra de direito adquirido. Entre outros argumentos, o ministro citou o princípio da solidariedade e enfatizou preceitos constitucionais que prevêem que o sistema previdenciário deve ser financiado por toda a sociedade."


Isso é uma vergonheira. Mais uma surpresa desse governo que só ataca trabalhadores, direitos adquiridos e liberdades. Até onde, até quando a população vai ficar quieta, assistindo esse governo invadir nossas vidas, meter a mão no nosso dinheiro, tirar nossas liberdades, até quando o povo vai suportar como rebanho de carneiro dopado à carnificina que se faz pra arranjar dinheiro para os cofres públicos? Como se pode mudar o jogo assim, depois do jogo jogado? Cadê a geração de empregos? Cadê a saúde pública, a educação e a segurança? Onde se encontram as notícias boas para a população, onde se encontra a justiça social?

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zapeando entre os canais de tv aberta a gente fica enlouquecido com a falta de programação disponível. os canais fazem lá suas faixas, produzem suas porcarias, compram seus enlatados e acabou. se a gente quer ver alguma coisa melhor tem mesmo que ter ski ou tv à cabo. no brasil tem só a globo que tem qualidade, Só... mesmo assim é uma qualidade qüestionável, padronizada, feita em série feito pão. A cara dos programas não muda, a cara dos intervalos não muda, as vinhetas são todas iguais com aquele símbolo transparente. Verdade que as novelas são muito bem produzidas muito bem feitas. As novelas da Globo estão entre as melhores do mundo, mas é só. E quem não quer ver novela?
O SBT é aquela chatice de sempre, aquele monte de besteiras, aqueles horários loucos que mudam todo mes, que você nunca sabe se vai ver o programa que quer no dia que pensa que ele vai. É um saco. Tem que reconhecer que, mesmo com todo o baixo nível que lhe é peculiar o ratinho às vezes tenta trazer um ou outro assunto do momento, mas se perde, é claro, na baixaria do apresentador. Os programas de auditório em todos os canais são péssimos, ninguém aprendeu nada com o Chacrinha.
A TVE seria a opção, mas é chata, muito chata. Não dá pra assistir. (Excessão para o Observatório da Imprensa que é um programa de produção pobre, mas tem Alberto Dines que é um profissional sério e brilhante) Ainda mais sem renovação da programação. . . os programas são rigorosamente os mesmos de há quatro anos atrás, não se pensa em nada novo além do sinal que é fraco, a imagem ruim e o áudio baixo.
quem não tem televisão por assinatura no brasil deveria não ver televisão pois não existe nada mais deseducativo, nada pior.
Não temos boas televisões comerciais, não temos uma televisão pública nem estatal. Não temos nada.
O governo que está nessa fase de mostrar seu lado truculento podia editar algumas medidas exigindo mais qualidade dos dirigentes de emissoras de televisão e as tvs por assinatura tinham que ser muito, muito mais baratas para que a população não ficasse à mercê da bosta que rola na telinha dia e noite, noite e dia.
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18.8.04

andando contra o vento, meu corpo chega a ficar inclinado, fazendo força pra encarar a força do vento contrário...´parece que a mulher também caminha assim sob a tempestade... a paisagem pode ser uma pintura chinesa de fundo, não sei bem, mas é alguma coisa oriental, disso não tenho dúvida.... vou caminhando com a mochila nas costas e pensando no Prestes, o que fez aquele canalha apertar a mão do Getúlio logo depois dele deportar a mulher dele (Prestes) pra morte na mão dos nazistas... Esse é o espírito, a política comunista...
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Tirado de O GLOBO:
RIO - A cidade de Genebra, na Suíça, vai abrigar entre os dias 1 e 15 de setembro um congresso internacional sobre a vida e a obra de Dostoievski. O evento, que está em sua décima segunda edição e vai contar com a participação de especialistas na obra do russo vindos de diversas partes do mundo, acontece de três em três anos em alguma das cidades nas quais viveu o autor de "Os irmãos Karamazov".
Curiosamente, Dostoievski, que morou em Genebra com sua jovem esposa Anna entre agosto de 1867 e maio de 1868, não levou boas recordações da cidade. Nas poucas páginas que dedica a Genebra em sua obra, ela é descrita como "sombria cidade protestante" e "abominável".
O casal chegou à cidade em circunstâncias especiais: Anna estava grávida e sua filha, Sonia, nasceu em março de 1868, morrendo algumas semanas depois. Dostoievski e a mulher culparam o clima de Genebra, sujeito a brutais oscilações durante o dia, pela morte da pequena Sonia. Além disso, o escritor também se irritava com o provincianismo dos habitantes da cidade que viu nascer os primeiros capítulos de "O idiota".




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o caminhoera de cascalho, todo o contorno do grande lado... verdade que para chegar lá, tínhamos que descer por um barranco de argila, mas valeu à pena... o lugar era interessante, tinha corredeiras e pequenas cascatas - minto: tinha também uma cachoeira forte - muitas flores e um ambiente de paz. o céu estava estrelado como só conheci lá e a temperatura devia estar uns 7 graus... estávamos de moleton [dois cada um !] e eu comecei a sentir falta de voltar para a lareira da minha casa... continuamos um pouco mais por ali, vimos uma mulher se energizando, sozinha, na ponta dos pés, em cima de uma pedra... tinham alguns matutos também, mas ninguém na água. pegamos algumas pedras redondas, de rio e ela recolheu algumas ervas que estava precisando [ela conhece muitas ervas e suas aplicações]
voltamos para o carro. liguei o aquecedor e tratei de me esquentar mais nela... foi o que fizemos ali. mas não esquecia a lareira que me aguardava e o chá quente que ela prepararia para nós. ... continuei olhando as estrelas, as constelações e ela me mostrou algumas, me explicando como funcionavam suas posições em relação a mim porque ela é astróloga pra valer, sei de quem foi aluna... nem sei porque estou contando isso, acho que é uma lembrança boa do lado, da cachoeira e das estrelas e , sobretudo, dela, da sua presença forte, da sua influência sobre mim e os maternais.
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vi um documentário excelente sobre John lennon dia desses.... há muitos anos fiz um também para a TVE.... puxa vida, na época eu achava que estava fazendo uma coisa legal, só hoje vejo como era pífio... ainda bem que ninguém viu... e se viu, esqueçam, por favor
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depois que ficou sem sua parceira gata, meu gato está mais próximo de mim, onde eu vou ele vai atrás e dá umas miadas, além de acariciar meu rosto com a patinha.... quem não tem gato, não sabe como é um bicho carinhoso... é mais carinhoso do que cachorro e não é bobão como ele... meu gato deveria se chamar arthur II por causa do artur que eu deixei com e erica por causa da berlota, são histórias de amor entrecruzadas entre gatos e pessoas onde tudo deu certo até um determinado ponto... teve um tempo em que eu tive um certo pudor em contar essas coisas aqui, agora passou, posso falar dessas coisas sem o menor problema, sem a menor vergonha... vergonha é quem transa por transar como canta a gloriosa marina lima... porque mulher é assim, quando não transa por amor, transa por transar, não consegue ficar quieta e pensar em outra coisa... deve ser alguma coisa ligada ao mito de fornicadora... mas calma, porque não são todas.

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estive conversando com o editor que temtambém uma pequena gráfica... ele acha o projeto legal de editar algumas coisas escritas aqui, mas não pode deixar de cobrar pelo menos o material que vai gastar [papel, tinta, essas coisas] no que eu concordo plenamente.... mas aí tem que ler tudo de novo e eu não tem muita paciência... por outro lado, nesses dias que correm pode acontecer de eu gastar o dinheiro com a edição e um maluco censor qualquer resolver entubar os livrinhos... não sei não, ficamos de conversar novamente sexta feira...
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hoje me perguntaram se li Olga do Ferrnando Morais. Li, claro que li, quem não leu? Já sei, muita gente não leu. Mas eu li porque ainda tenho auqele terrível defeito de quererler tudo o que me cai nas mãos. Olga não é 'tudo o que cai nas mãos', mas um livro fantástico, reportagem de primeira... O filme estréia essa semana e eu resolvi dar uma relida rápida por causa da minha maldita amnésia. Estou relendo e vendo que ela era muito mais do que se fala. O comunismo deu às mulheres essa coisa antipática, essa maneira masculinizada no mal sentido de ser, essa independência fajuta, xangai que as mulheres de 2004 querem fazer no Brasil... pois bem minhas caras, Olga Benário era muito mais liberta em 1928 do que nossas mulheres brasileiras do século XXI... porque ela era bonita, independente e culta. Enquanto as mulheres dessa nossa ilhota prestes a ser censurada não entenderem que têm que ler, têm que ser cultas, babau... quer coisa mais chata você ir pra cama com uma mulher e depois não ter o que fazer, não ter sobre o que conversar? pois é assim que acontece na maioria das vezes... no máximo são aqueles livrinhos de auto ajuda ou então polyanna... eu não tenho mesmo paciência, podem falar mal de mim o quanto quiserem... Nesse momento de estréia do filme (que a crítica já meteu o pau), seria legal as mulheres lerem o livro Olga de Fernando de Morais para ver o que é mulher de verdade (que esse negócio de Amélia também não tá com nada). Mas voltando aos momentos posteriores ap 'fazer amor'... o que você faz com sua parceira? pergunta se foi bom para ela, diz que a ama, fuma um cigarro? e depois? o que mais...a solução é sempre ou transar de novo ou encher a cara de soporíferos e dormir pra não se sentir frustrado pela besta que esteve embaixo [ou em cima] de você.
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17.8.04

recebi muita correspondência por causa da matéria da VEJA que transcrevi aqui. Talvez eu devesse transcrever também a correspondência recebida, mas acho que não é necessário. Basta dizer que o povo está cada vez mais indignado e chocado com o que está acontecendo.... pessoas reconhecendo que erraram, que se arrependeram de votar como votaram, pessoas dizendo que a sociedade tem que estar organizada porque pode vir coisa pior por aí, outros dizendo que devemos estar atentos porque agora não temos um AI 5 completo, onde todos ficam sabendo de uma vez, que as coisas vem aos poucos e sem muito alarde... talvez a internet se torne um importanteinstrumento de contra golpe, um valioso instrumento contra a ditadura que de forma suave se avizinha...
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caminhei entre as nuvens negras que passavam baixas, na altura das nossas cabeças... mais pareciam a fumaça da mata queimando, mas não era, eram nuvens mesmo.... nuvens de um momento ruim, de uma época ruim, de uma época de depressão nacional. isso aqui podia ser uma ilha (quem diz que um continente não é uma ilha?), uma ilha já somos porque estamos cercados, porque devemos, porque não temos nada a nosso favor, porque o povo é miserável. que lugar é esse de gente tão miserável, com tanta doença, tanta coisa ruim, tanta miséria? o que estamos fazendo para mudar tudo isso, me pergunta a loura, recostada em sua motocicleta. não respondo. não temos respostas. vivemos num lugar sem respostas. estive num país de primeiro mundo em que as pessoas me perguntavam porque aqui era tudo assim, tão ruim, tão desgraçado e eu não tinha respostas... ficava triste e deprimido, andando pelas ruas tranqüilas me perguntando porque não tinha como responder, o que outro em meu lugar responderia... mas não, não existem respostas que não sejam a incompetência e a inércia dos governos seguidos que tivemos.... e até quando? porque é muito fácil dizer que é a responsabilidade é da sociedade que tem que se organizar e agir... mas como? já não bastam os movimentos que temos que fazer para nos defender da truculência do governo? porque eu tenho que dividir o pouco que tenho? porque os impostos que eu pago não são revertidos em assistência para todos?escrevo tudo isso correndo, na calada da noite antes que me censurem
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estive num encontro de pessoas interessadas em novas tecnologias e informação... a conversa girou, na verdade estávamos falando do projeto de um portal que estamos desenvolvendo... como o portal terá uma ferramenta mais ou menos igual a do blog eu tava contando as correspondências que recebi quando transcrevi a matéria da Veja sobre a Censura na Imprensa que o governo lula pretende fazer.... e aí voltou-se a falar em informação, na diversificação dos meios de informação e lembramos de como os blogs são usados para transmitir informações durante as guerras... e daí ficamos pensando que os jornalistas todos teriam ainda mais blogs no Brasil (todos já tem, praticamente), mas teriam blogs particulares onde poderiam difuldir informação escapando da censura do governo lula... o que há, na verdade, já é um movimento de pessoas interessadas em encontrar meios de burlar o totalitarismo e a censura... e nesses tempos de internet é muito mais difícil se fazer censura... porque imaginemos que determinada matéria de determinado jornalista não agrade ao governo. Ora, ele pode ter um blog com um nick e difundir a notícia... agora as pessoas podem difundir informações na internet de casa, não precisam necessáriamente dos rádios, jornais e televisões - ainda que alguns meios de comunicação não reconheçam a importância do 'meio' internet... Mas não importa: o que interessa é saber que já existe a preocupação com a censura e que já se está pensando nas alternativas possíveis... Nesse tempo de infovia, de comunicaçãogerada de qualquer lugar sob qualquer identificação, será muito difícil a censura tipo stanilista que está na cabeça do governo.... Aliás, a gritaria foi tão grande que eles já estão voltando atrás, dizendo que não é bem assim e tal... É uma pena. Eu preferia que ele fosse truculento até o fim, que ele não voltasse atrás nunca, quem sabe não faríamos uma revolução....
Mas é querer demais... ele já voltou atrás desde o dia que colocou os pés em Brasília não fazendo nada do que pregou em toda a sua vida...

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16.8.04

tinha pinta de prostituta, mas não era. era bonita e sua roupa espalhafatosa podesria muito bem serfigurino de um filme B estrelado por madonna.não cansei de olhar para suas atitudes diante do grupoque a rodeava. não hesitou nenhuma vez, deixando desconcertados tanto os mais velhos quanto os outros, os que ainda não chegaram no ponto... qual é po ponto? você sabe, não me faça falar porque falo demais. já joguei várias folhas de papel amassadas na lixeira, fumei quase um maço de cigarro e tomei uma garrafa térmica de café... claro que meu estômago arde, queima, mas não é nada parecido com o que senti três meses atrás... conversei com ele antes de ontem. uma vergonha, não é mesmo? se já têm essa falta de caráter nessa idade, o que serão depois? tudo bem, eu sei que tem um cabeça, mas não importa. ela também sabe e não admite essa atitude. foi ela mesma quem me contou antes de chegar ao balcão onde, aposto, pediu vodka. ela sempre pede vodka... foi minha bebida favorita durante muitos anos. antes de desistir de tudo, antes da idade me esmagar. mas não era isso, dizia que ela poderia ser a madonna ou a rita lee, tanto faz.
o que eu faço nesse show? acho que quase nada. olho, dou um palpite aqui e outro ali. deixo que eles façam tudo o mais independentemente sozinhos que seja viável (risos) não podem ainda estar completamente soltos, não saberiam onde colocariam os pintos (risos) da minha parte, presto mais atenção nos manuscritos mais antigos, no que os pais deles escreveram e me deram para analisar o comportamento desse, dos seus filhos... não vejo muita relação de causa e efeito, mas não me importo de estudar e observar... em uma ou duas vezes vi alguma coisa que pode ter associação com o passado da família.... mas não me desvie a atenção: veja como ela se sai bem com os marmanjos. veja como ela é linda, apesar de vulgar.
ela é linda, inteligente e esperta. portanto, esse tipinho vulgar tem que ser deixado no caminho, com certeza será, o tempo vai despi-la da vulgaridade da adolescência... não, não se iluda, eu sei bem o que estou falando, tem endereço certo.
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DA REVISTA VEJA DESTA SEMANA:

"O governo resolveu disparar um tiro de bazuca no próprio pé ao revelar um incontrolável tique autoritário. Primeiro, divulgou um projeto de controle ditatorial da produção de cinema e televisão, que incluía até intromissão na linha editorial da programação. Em seguida, despachou ao Congresso uma proposta que, em resumo, consiste no mais severo ataque à liberdade de imprensa no país desde o regime militar (1964-1985).
O Palácio do Planalto não esperava que as duas propostas gerassem uma reação tão profundamente indignada da sociedade ¿ no Brasil e no exterior. O projeto que cria a agência nacional de cinema e audiovisual, batizada de Ancinav, já sofreu modificações, com a exclusão das interferências na linha editorial, e o ministro da Cultura, Gilberto Gil, anunciou que "tudo o que possa ser interpretado como autoritário será reescrito ou eliminado". Porém, a proposta de criação do Conselho Federal de Jornalismo, cuja missão é "orientar, disciplinar e fiscalizar" o exercício da profissão de jornalista, está integralmente mantida, apesar da flagrante tentativa de cercear a liberdade de imprensa, pensamento e expressão. "Não poderíamos ter escolhido um momento pior para lançar esse projeto", diz um ministro com gabinete no Palácio do Planalto, ao referir-se à onda de denúncias contra o presidente do Banco Central e o do Banco do Brasil. "Passou a clara impressão de uma tentativa de ameaçar a imprensa, que não é a intenção do governo. Por que razão fomos meter a mão nessa cumbuca?", lamenta-se o ministro. Talvez porque no DNA de alguns petistas do primeiro time esteja ainda inscrita a palavra de ordem dos bolcheviques russos: "Todo o poder aos soviets". Para quem não sabe, soviet, em russo, significa conselho.
Pela proposta remetida ao Congresso, o Conselho Federal de Jornalismo seria composto de dez membros, com a missão de zelar pelo comportamento ético dos jornalistas e " aí é que mora o perigo " pelas "atividades jornalísticas", o que não passa de um velado cerceamento da liberdade de imprensa. Em sua defesa, o governo alega que não é autor do projeto nem pretende baixar controle algum sobre a imprensa. "O governo não terá nenhuma ingerência nesse assunto: trata-se de uma iniciativa dos próprios jornalistas, que indicarão livremente os integrantes do conselho", escreveu o assessor de imprensa do Palácio do Planalto, o jornalista Ricardo Kotscho, em artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo. Da Espanha, Frei Betto, assessor especial do presidente Lula, disse que os grandes meios de comunicação "fazem um terrorismo psicológico porque não querem perder o monopólio da palavra" e, por isso, são contra o conselho. "Há tempos que os jornalistas, e eu me incluo como profissional do jornalismo, querem um conselho próprio para a regulamentação da ética profissional." Desconhecem-se as razões pelas quais Frei Betto possa saber o que querem os jornalistas brasileiros. Mas talvez tenha razão, pois, mutante como é, ora se comporta como jornalista, ora como assessor de Lula, ora como padre, dependendo do que mais lhe convém em cada momento.Nem parece o mesmo governo cujo chefe disse em dezembro passado, em seu balanço de fim de ano, que "notícia é tudo aquilo que nós não queremos que seja publicado, o resto é publicidade". Pois o mesmo governo, o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mandou ao Congresso na semana passada o projeto de lei que cria o Conselho Federal de Jornalismo, que, em sua essência, transforma jornalistas em propagandistas de governos. No processo de explicação das iniciativas, os comissários petistas acabaram revelando uma preocupante ligação com um passado totalitário que se achava sepultado pela prática democrática. O mais enfático viajante desse túnel do tempo ideológico foi Luiz Gushiken, secretário de Comunicação e Gestão Estratégica, que tem sala no Palácio do Planalto, para quem "nada é absoluto, nem a liberdade de imprensa".
A liberdade de imprensa é não apenas um bem absoluto da sociedade como está estabelecida na Constituição brasileira. Nenhuma atividade está livre de maus profissionais e de cometer abusos. A imprensa muito menos. Por sua natureza e pela particularidade de seu exercício, a imprensa está entre as que mais cometem erros e fazem julgamentos precipitados. Ela precisa mesmo estar sob constante vigilância. Ocorre que está, sempre. Cada vez que chega às bancas, os jornais e as revistas estão se submetendo a julgamento popular instantâneo. Para as reparações mais específicas, a Constituição prevê que os abusos da imprensa devem ser corrigidos por meio da Justiça, sem que exista necessidade de algum órgão superior para estabelecer limites à liberdade de expressão. É assim que as coisas funcionam nos países democráticos. Mas não nos arraiais do PT, como se observa neste trecho do artigo de Ricardo Kotscho: "O objetivo central da criação do CFJ " a exemplo do que há muito ocorre com advogados, médicos, economistas e outras categorias " é exatamente defender a dignidade e a ética exigidas no exercício da profissão, para garantir à sociedade a plenitude da liberdade de imprensa, e não a liberdade para alguns profissionais e algumas empresas divulgarem o que bem entendem a serviço dos seus interesses".
Nada mais revelador. Em todas as profissões citadas pelo secretário de imprensa do PT, inclusive a de jornalistas, o que garante a qualidade do serviço prestado à comunidade é justamente o arbítrio individual dos profissionais e dos dirigentes das empresas onde eles trabalham. Os conselhos profissionais têm efeito secundário e muitas vezes nulo no comportamento ético e na prática cotidiana dos advogados, médicos, economistas e outras categorias profissionais. "Não existe ética coletiva. A ética é uma instância individual", ensinava o sociólogo alemão Max Weber (1864-1920). Não é preciso filosofar em alemão para saber isso. O próprio Lula construiu sua carreira fazendo opções éticas individuais que mudaram sua vida e, com sua eleição a presidente, a do Brasil. Quando o Partido Comunista quis recrutar Lula para seus quadros nos anos 70, o jovem e idealista líder metalúrgico mandou os enviados de Moscou às favas. Lula achou as propostas e os métodos dos comunistas "imprestáveis para quem queria fazer política de modo transparente e às claras", como ele lembraria mais tarde. Os assessores de Lula teriam poupado o governo de constrangimentos e desgastes desnecessários com o projeto estapafúrdio caso tivessem informado corretamente o presidente. Aparentemente não o fizeram.
Nos últimos dias, várias autoridades do governo, incluindo o próprio presidente da República, vieram a público reclamar do "denuncismo" da imprensa, que estaria agindo de forma irresponsável ao enxovalhar a honra alheia sem apresentar provas. A imprensa - no Brasil e no mundo - comete erros e exageros, é claro. (...)
O curioso é que, nos últimos anos, talvez não haja denúncia publicada neste país sem a participação oculta de petistas, que são mestres graduados em fuçar dados sigilosos para fustigar adversários. Os parlamentares do PT também se especializaram em fazer eco a denúncias sem provas e fomentar o denuncismo que agora parece tanto incomodá-los. A própria carreira política do presidente Lula, e de boa parte dos petistas mais estrelados, beneficiou-se largamente da prática denuncista do PT, ajudando a construir a imagem de lisura ética e de combatividade oposicionista do partido. Uma das táticas mais usadas pelo PT era colocar militantes em postos estratégicos do Estado, onde teriam acesso a informações relevantes, e fazer com que vazassem à imprensa. Agora, o governo do PT faz o contrário. Na semana passada, divulgou o rascunho de um decreto pelo qual os servidores são proibidos de falar à imprensa, prerrogativa que ficaria exclusiva a ministros, assessores especiais e chefes de autarquia. É tão autoritário que até o presidente do PT, José Genoíno, se mostrou contra a proposta.
"O servidor público, diante de questões que sinta que são irregulares e ferem a Constituição, não pode ser proibido de falar", diz Genoíno ao defender que os servidores se rebelem contra a medida, caso entre em vigor. "Temos de democratizar ao máximo a sociedade e a relação do Estado com a sociedade", acrescenta Genoíno. O governo parece querer controlar a imprensa pelas portas de entrada e saída, regulando o acesso dos jornalistas às fontes e examinando o que se publica. É uma atitude perfeitamente totalitária e revela a inclinação do governo em querer controlar tudo. Se o Palácio do Planalto quer ampliar o acesso ao sigilo fiscal por parte de órgãos públicos de investigação, como o governo também propôs na semana passada, cabe discutir, pois, nesse caso, o governo está lidando com um dado que está sob sua responsabilidade ¿ os dados fiscais de cada declarante. A imprensa, porém, não faz parte do aparato estatal nas democracias. A imprensa não está sob a esfera de controle ou responsabilidade do Estado. A imprensa não é nem complementar ao Estado. Ela é livre, independente e, em seus melhores momentos, antagônica ao Estado.
Não há democracia que controle a imprensa. Nas ditaduras, no entanto, o lema do "todo o poder aos soviets" está em alta. No Gabão, o ditador Omar Bongo, com o qual o presidente Lula desfilou em carro aberto pelas ruas de Libreville semanas atrás, criou um conselho, integrado por membros indicados pelo governo, cuja missão é punir jornalistas e órgãos de comunicação que publicam artigos caluniosos ou incorretos, segundo critérios dos governistas. Em 2002, dois jornais semanais foram acusados de "minar a confiança no Estado e a dignidade de autoridades governamentais". No Quênia, existe censura prévia: todas as matérias devem ser enviadas à análise das autoridades antes de ser publicadas. A infração à norma rende multa de 13.000 dólares e prisão de até três anos. Em ditaduras mais estáveis, como Cuba e China, a imprensa é um mero e desprezível apêndice do poder. Em Cuba, um departamento vinculado ao comitê central do Partido Comunista escolhe, revisa e corrige as reportagens veiculadas pelos órgãos de comunicação oficiais.
Nas democracias mais sólidas do mundo, a imprensa livre faz parte da ordem natural das coisas. Não por acaso, esses países têm, simultaneamente, a melhor e a pior imprensa. Na Inglaterra, onde não há lei específica para a imprensa, ficando os veículos de comunicação e seus profissionais sujeitos à lei ordinária, existem publicações de primeiríssima qualidade e, também, os célebres tablóides sensacionalistas, que não relutam em invadir a vida privada de quem quer que seja em busca de uma notícia. Em 1993, uma comissão parlamentar inglesa, numa tentativa de controlar o sensacionalismo, propôs a criação de um conselho com poder de punir os tablóides. Não deu certo. Tanto os trabalhistas quanto os conservadores se negaram a aprovar leis que limitassem a liberdade de imprensa. Nos Estados Unidos, graças à Primeira Emenda da Constituição, não há um único mecanismo legal de cerceamento da imprensa. De acordo com Josh Friedman, diretor da Faculdade de Jornalismo da Universidade Colúmbia, em Nova York, a criação de um conselho regulatório da imprensa que visa fiscalizar e penalizar veículos e jornalistas é uma ameaça à democracia. "Isso é um absurdo. Trata-se de uma forma de o governo proteger a si mesmo e evitar que a população do país tenha acesso a informações para tirar as próprias conclusões. Fiscalização e censura são comuns em ditaduras, não em governos democráticos", disse a VEJA.
Além da escalada de medidas autoritárias da semana passada, o governo petista já deu sinais dessa inclinação quando abordou outros assuntos. O mais surpreendente foi constatar a vontade do governo de aprovar a chamada Lei da Mordaça, que pretende punir os integrantes do Ministério Público que repassarem à imprensa informações sobre investigações ainda em curso. É surpreendente porque, quando estava na oposição, o PT não apenas estimulou essa prática como fez ataques cerrados à idéia da Lei da Mordaça, proposta pelo governo tucano. Agora, ficou a favor. O dado mais perigoso é que o governo dá a impressão de que tem vontade de controlar tudo. Como o próprio nome diz, totalitarismo é a doutrina que não se satisfaz em controlar os processos sob a competência do Estado. O totalitarismo almeja controlar todos os processos, mesmo aqueles nos quais a interferência estatal deveria ser meramente marginal - como a vida em família, a pesquisa científica, a produção artística.
A Alemanha nazista produziu os mais completos manuais de submissão da imprensa, do cinema, do teatro, das artes plásticas, da literatura, da educação. Na ex-União Soviética, durante o reinado de Josef Stalin, os livros escolares de história foram reescritos, jornais velhos foram reeditados e inimigos políticos eram eliminados das fotografias. No Camboja de Pol Pot, ter uma emissora de rádio, ainda que rudimentar, era considerado crime capital. Na Itália fascista, o ministro da Educação, Giovanni Gentile, um dos nomes mais influentes do governo de Mussolini, dizia o seguinte: "Tudo para o Estado, nada contra o Estado, ninguém fora do Estado". No Brasil de Lula, obviamente, não existe nada parecido com isso. O governo do PT está apenas confuso. É liberal na economia e autoritário na política. "O governo do PT tem o emblema de Janus, o deus bifronte da mitologia", diz o antropólogo Roberto DaMatta, da PUC do Rio de Janeiro. "Há um lado liberal e outro reacionário, hierárquico e autoritário, que quer cada macaco em seu galho vigiado constantemente por um gorila. Quer reviver a tática gorilista da ditadura." Parece tolo. É um perigo.





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14.8.04

" a essa hora da noitinha já não lembro qual foi o de hoje, mas os pesadelos são recorrentes, diários, tornando a noite num eterno sofrimento, tornando o dormir não um descanso, mas a certeza da angústia, dos monstros, dos desastres da saudade dos bons tempos que se foram. Tudo num redemoinho incansável que sacrifica minha mente, que açoita meu consciente e inconsciente. não creio que haja maior dor do que o açoite sistemático no cérebro. desperto sempre assustado, já com o tranquilizante e o copo d'água na mesinha de cabeceira - sim, abro o olho e me dopo de tranquilizantes para aguentar a continuação do sono - esse é o pesadelo que tenho vivido diariamente, já há meses, desde que comecei a usar a calça de couro preto, essa calça que não suja, que não amarrota e me dá esse ar sombrio e distante, me faz ainda mais claramente distante do resto dos homens... não, não me digam para parar, nem para não usar minha bota begem velha como só ela - que às vezes tenho a impressão que vai se desfazer nos meus pés - não abandono nada porque isso sou eu ou, pelo menos, o que restou daquele homem interessante e arguto que queria mudar o mundo ou o mundo à sua volta, que fosse... não consegui nada, acho que ninguém conseguiu, que todos se afogaram em drogas ou doenças terminais.... a verdade é que o meu grupo se desfez que eu tive e perdi, que os espelhos onde me olhava se partiram todos , um a um e agora olho e não tenho onde me refletir, não tenho como ver as olheiras que apenas pressinto o desânimo que prostra de forma aleijante. sim, a dependência dos remédios para conseguir ir encarando os dias, a dependência do afeto [que não vem], a dependência de tudo - me falta ainda uma cadeira de rodas... mas não riam nem menosprezem porque não foi sempre assim, existiram momentos de esplendor, de alegria suprema, de riso verdadeiro e constante... o que fez a vida? não tenho a resposta certa, apenas suposições... fico pensando que hoje mesmo sou uma suposição de alguma coisa que não sei bem o que é e os outros não conseguem entender, não conseguem ver e ironizam, gargalham... não me importo. sinceramente. gostaria apenas de me livrar dos pesadelos, de conseguir noites tranqüilas, noites gratificantes ainda que sozinho na companhia de meu gato. não há porque sofrer nem chorar, não creio que adiantasse alguma coisa nem alguém que merecesse o pranto de um homem que viveu... não. - apenas a noite bem dormida, a noite de descanso, de liberdade das agruras incosncientes. apenas conseguir livrar-me dos demônios noturnos [como existem demônios noturnos!]... talvez eu esteja desejando muito, talvez não mereça essa tranqüilidade que só os justos podem gozar... não sei, jamais saberei. continuarei usando a calça de couro preto, continuarei com as velhas botas e com o chumbo pronto para ser disparado, não importando o que passou, a pessoa que fui e as pessoas que encontrei... hoje descubro [mais uma vez!] que tudo é passado. Tudo é passado."
S.L.
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não pude seguir em frente com os textos selecionados para a publicação porque esbarrei na questão do que deve sair da infovia, quer dizer, o livro seria a traição mais abjeta ao mundo virtual porque o texto, matéria prima, foi concebido para esse meio e não outro. mas fico me perguntando o que acontece quando eu morrer, quando eu parar de publicar? já pensei na possibilidade de passar para outra pessoa a responsabilidade de continuar abastecendo esse espaço, mas não terei certeza porque não existirei... então, se a pessoa designada não continuar, o que acontecerá? ao fim de um tempo todas essas palavras se apagarão automáticamente ou cairão num buraco negro do universo virtual e dificlmente serão achados? o que acontece com tudo o que não é atualizado no mundo virtual? existem várias respostas e especialistas dão explicaçõers diversas. parece que não existe ainda comprovação, experimento dada a falta de tempo desse modelo... eu, por exemplo não saberei. talvez o meu filho veja o que aconteceu, mas eu não. não saberei jamais. tudo o que faço em frente a esse computador, faço sem certeza, sem segurança - nem de que irá perpetuar-se nem de que irá extinguir-se - simplesmente não temos ainda experimentação suficiente para ver... fico pensando se o homem que passou sua vida praticamente toda escrevendo, abastecendo a internet de textos, idéias, poesias... se esse homem faz um trabalho que se perpetuará ou se é um sísifo binário que, após sua morte, será esmagado pela rocha que ainda, por sua vez, se esfacelará... não sei. deve existir um novo pensamento sobre a produção do início do século XXI, uma filosofia própria, regras próprias para entendermos o que irá acontecer... porque tem isso: a escrita disponibilizada nas infovias tem certas características de advinhação, são pequenos oráculos na medida em que tratam do desconhecido, do meio desconhecido... quem ousa colocar alguma coisa na internet tem um quê de xamã sem classe, despossuído da vestimenta ritual
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interessante o artigo de baudrillard sobre o 'afastamento' dos sexos, do feminino e do masculino... depois do feminismo, depois da independência feminina que, digo eu, não tem nada de independência e sim uma ilusão de.... bom, depois de tudo isso o que resta a um homem e uma mulher? quase nada... há ainda uma certa pulsão sexual, mas muito mais branda do que há cem anos atrás, por exemplo. - o que temos é uma sociedade estressada, trabalhando muito mais do que trabalhava - os computadores e as novas tecnologias diminuírem a carga de trabalho humano foi a maior mentira contada pelos teóricos da informática - vivenciando as coisas de uma maneira muito mais crua do que antes... hoje o crime está ali, o assassinado está em nossas portas, a mulher sai cedo para o trabalho e passa por cima do corpo (o do marido na cama e o do morto na calçada)... os homens, por sua vez, tentam manter um certo equilíbrio vital. o homem moderno é o ponto de equilíbrio social de maneira diversa do que era antes... o homem sempre foi o ponto de equilíbrio, mas hoje o homem é feminino, acho que os homens seguram as pilastras que ameaçam desabar, acalmam as mulheres que não sabem mais conviver com a TPM, que usam o período pré menstrual para quebrar tudo em nome da menstruação.... o que significa esse estouro da boiada feminino? parece significar o despreparo de anos de ócio.... a mulher sempre viveu no ócio, sempre à sombra do homem-provedor, do macho predador... essa posição sempre agradou a mulher de classe média e alta (quando somente as mulheres pobres trabalhavam) - agora a mulher tem essa herança maldita do feminismo e não tem como voltar atrás porque criou-se uma sociedade em que a mulher tem responsabilidades e obrigações... ela se desespera, estrebucha como uma feiticeira na fogueira da inquisição. o homem torna-se então mais calmo, apaziguador, o homem é a referência da raça humana, o mastro, o norte... a mulher é o desespero, a incapacidade de reagir às necessidades básicas sociais... a mulher, parece, perdeu seu mundo feminino, abandonou sua capacidade de aglutinas, de receber, de ser o cálice do mundo e não encontrou outra função... a mulher vive desgarrada, sem rumo nem utilidade, uma marginal do mundo moderno.
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A miséria do povo brasileiro, das pessoas que vemos nas nossas ruas, esquinas, cobertas com papelões, embriagadas de álcool barato ou cola de sapateiro é a nossa própria miséria espelhada no outro. Nós que temos um pouco mais, que estamos aqui em frente aos monitores dos computadores, que temos uma sobrevida, uma outra existência, online, não podemos nos afastar tanto assim da realidade da miséria. Vivemos num país desgovernado, onde o estado não transfere benefícios à sociedade nem na geração de empregos, nem na segurança, na saúde ou não educação. O resultado é um país de pessoas pobres, de indigentes que se arrastam pelas cidades grandes e pelos campos em busca de alguma coisa para aplacar a fome e a dor. O que minora esses sofrimentos é a cachaça, o álcool que além de dar a sensação de alimentação, promove também um estado próximo ao estupor, um estado de alienação que permite que o indigente continue vivendo. Deveria então existir uma espécie de vale pinga, ou vale crack para os que vivem abaixo da linha da miséria. Teríamos uma legião não mais de famintos cabisbaixos, mas de drogados, teríamos a maior população consumidora de crack e cachaça do mundo, mantendo assim, na ordem do dia, o exotismo do nosso brasil (salve, salve).
Porque sempre teve essa coisa muito falada no interior (dos países que nos conhecem, que nos reconhecem), do brasil ser um país exótico e tal, mas quando se chega aqui não é o que se vê: apenas miséria, fome e assaltos seguidos de morte. Perdemos a característica de exóticos. Somos apenas famintos e a não há charme para o faminto. O faminto é uma excrescência, uma bofetada na cara dos passantes, um soco em nossos estômagos mais ou menos cheios. O alcoólatra de rua é inchado, horroroso, mas não desperta pena e sim certo desprezo e é muito mais digno despertar desprezo do que pena. A proposta então é ter cinqüenta, sessenta milhões de bêbados, de dopados, de alienados e nenhum miserável sequer. Um miserável não pode ser ¿miserável apenas¿, tem que ter algum outro adjetivo, alguma outra coisa que nos chame a atenção, que nos desperte nojo e desprezo. É muito mais fácil para nós olharmos na rua pessoas que desprezamos, muito mais digno do que ter pena. Até porque os intelectuais e a classe média falam muito, escrevem muito, mas não fazem rigorosamente nada para ajudar, apenas têm pena. Peninha de galinha.

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11.8.04

Não vou lutar mais contra esses impulsos assassinos. Dá próxima vez, atiro e pronto, não importam mais as conseqüências. Na verdade, não há a conseqüência nesse sentido que usamos o que existe é uma série de transtornos que podem ocorrer após determinada ação. Podem ocorrer, leiam com atenção. Não ocorrem sempre, não há rigor na afirmativa. A conseqüência deixa de existir se não acontece nada com o atirador. Diriam que a conseqüência é o morto, mas morto não pode ser conseqüência porque não existe e estamos aqui tratando do ponto de vista do morto. Ele não é rigorosamente nada, não tem contas a prestar, não tem nome, tem apenas uma etiqueta no dedão do pé. Um homem morto não é um homem morto, é uma etiqueta com um nome e um número,é material de trabalho para legistas, seu ganha pão. O que seria dos legistas sem o homem morto. O homem morto é tão necessário quanto o homem vivo por ser exatamente sua antítese, por ser aquilo que será o que foi em vida, num corpo inanimado e um corpo inanimado pode não estar necessariamente morto da silva pode estar passando por uma fase difícil [lembrando sempre que a morte não é uma fase difícil, é uma fase fácil porque sequer é uma fase]. Portanto, meu amigo, não vou lutar contra nada dentro de mim que desdiga o que vem se mostrando cada dia de maneira mais clara e vou atirar, custe o que custar. Acho mesmo que não vai custar nada, quer dizer, vai custar sim, uma bala. Sei bem que essa vontade que tenho de matar não é minha, é universal, que todos têm vontade de matar, mas têm medo, pavor, não tem coragem para enfiar a bala no tambor, apontar e disparar. Não terão coragem depois para olhar o corpo ensangüentado no chão e muito menos terão coragem para suportar as agruras da penitenciária em que será encarcerado sofrendo todo tipo de vicissitude. Não é o meu caso. Não só tenho coragem para colocar a bala, atirar e ver o corpo ensangüentado (que me dará enorme prazer) como acredito em minha perspicácia em não ser alcançado, em não ser pego. Não estou me gabando de uma inteligência e argúcia superiores, absolutamente. Apenas acredito que os assassinos são capturados porque não são assassinos de verdade, não matam com a devida convicção, matam por matar, por acreditarem que não vão ser pegos se eliminarem um desafeto. Não têm o senso de arte na execução. Matar é a mesma coisa que dar a vida. Quando o obstetra ajuda uma criança a nascer, ele o faz com arte e convicção, sabendo que daquela sua atitude, ação, uma nova vida está no mundo, ele trás ao mundo. Matar é rigorosamente a mesma coisa e deve ser feito com a tranqüilidade, com a harmonia e a arte de quem sabe que está tomando uma atitude, que dessa atitude resultará uma nova configuração mundial ou seja, deixará de existir uma pessoa específica, sua morte terá sido resultante de uma ação também específica, o assassinato. Tão belo quanto dar a vida é dar a morte porque ambas são as duas faces de uma mesma moeda. E não esqueçamos ainda da opção pelo suicídio. (Ver maiores detalhes em Crime e Castigo)
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a seguir, a carta manuscrita que estava hoje no chão, colocada através da fresta da porta:
Não fui eu quem tirou a vida. Pelo menos acho que não fui. Acho que foi ela mesma, ainda que por meios nada ortodoxos, ainda ue apenas com a atitude não de apontar o revolver, mas de cravar um punhal em meu coração. Meu coração não suporta punhaladas, eu não suporto esse tipo de dor. Tenho sentido muita dor pela vida a fora e fiquei sensível a ela. Não me faça sentir dor, por favor, não me faça. Já sei que lá será o meu destino, dispenso as formalidades, os interrogatórios e até mesmo os advogados. Dispenso tudo em nome da paz, quero apenas ter um pouco de paz nesses breves momentos, poucas horas talvez, em que estarei entre uma prisão e a outra, momentos onde verei ainda o céu azul e saberei que existem pássaros que cantam e que a roseira da minha casa no campo está florida. Nunca tinha visto uma roseira tão de perto, jamais colhera rosas e essa experiência mudou a minha vida. Todos os cadernos escritos, todas as páginas avulsas onde falo da desgraça e da degradação humana, onde falo da loucura, da incapacidade de viver novamente entre os normais.... Nada disso pode ser equiparado aos dias em que reguei a roseira, em que colhi algumas flores, nada jamais será esquecido e acho mesmo que poderei viver dentro desse mundo só meu a que ninguém é dado entrar, a que ninguém é dado vislumbrar porque não se pode passar para o outro a percepção do prazer. Não pode. Posso falar do prazer, descreve-lo e fazer mais, fazer o que é possível a uma pessoa fazer que é contar, falar, escrever cartas onde descrevo toda a sensação, mas esta.... não, está é apenas minha, não existe igual, poderão haver análogas, mas nunca iguais porque eu sou um ser único, como todos os seres em sua unicidade e este estado de ser um só mostra que deus deve mesmo existir porque como poderíamos ser tantos, tantos bilhões vivendo nessa terra, vendo essas mesmas pradarias, esses mesmos oceanos, nos apaixonando por tantas mulheres e elas por nós e tantos filhos que nascem e tantos pássaros que cantam e tantos homens que dão fim à própria vida, como poderíamos, me explique, ser tantos e tão diferentes e tão perfeitos e tão completos sem nenhuma explicação sem nada que não seja algo maior, algo incompreensível, não importa como o vemos, mas vemos o todo poderoso deus em cada esquina, em cada rosto, em cada recém-nascido, em cada homem enforcado. Não, não se iludam comigo, não quero mesmo sair desse mundo, sei que vou sair como todos saem, mas não quero, vou contra a minha vontade, vou porque assim é a vida, assim são as leis divinas, assim deve ser como sempre foi e será. Quero ainda ver a arte, ver como estamos envolvidos em tanta beleza, como a natureza e bela e como nós somos capazes de produzir beleza, como somos capazes de produzir sem parar, produzir para que o outro se delicie, para que o outro sinta prazer, para que o outro sorria. Como somos capazes de levar o sorriso da esperança à cada um daqueles que lutam para estarem vivos como nós, como somos capazes de trazer o olhar que se espanta, o olhar que sorri e agradece mesmo nas situações mais comezinhas, mais inesperadas também. Não, talvez não o façamos sequer propositalmente, mas como um dom, como se alguém pegasse a nossa mão, como se alguém se apossasse do nosso espírito e da nossa língua e deixasse, indelével, a prova de amor e arte ao outro. E esse outro não se contenta em receber e gozar, não, esse outro passa adiante, tem prazer em difundir a bondade e a alegria, o sorriso, o amor.
Por que digo tudo isso? Talvez por nada, talvez por tudo. O tempo, muito brevemente trará as notícias que não estarão publicadas"

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9.8.04

a chuva cai aintervalos regulares, mas nem esse contratempo impede que o homem de terno surrado e chapéu prossiga seu caminho rumo ao escritório. ele já está perto da idade de se aposentar, mas não quer pensar nisso - o que faz um aposentado? é como morrer em vida! - não quer pensar nem falar. se a a aposentadoria vier de qualquer maneira ele dará um jeito, arranjará outra ocupação e continuará ativo até que não tenha mais forças para nada. Mas não é o caso de pensar nisso agora, ativo que ainda está. Entra no escritórios, bons dias, como vai? como está? que chuva desagradável, pois não?... vai cumprimentando a um e outro até chegar a sua escrivaninha, mesa que ocupa desde a última modificação nos móveis desta empresa, mesa essa que ocupa há exatos 27 anos. sobre essa mesa deixou muito de suas observações sobre apólices de seguros, sobre avaliações de sinistros, escreveu usando semprea caneta tinteiro que seu pai lhe deixou [para a máquina de escrever temuma mesinha apropriada ao lado]. tem um porta lápis e um porta retratos com fotografias de sua falecida esposa e dos seus falecidos filhos. Tudo como há vinte anos atrás. pendura o paletó no espaldar da cadeira e começa a trabalhar analisando o primeiro processo que pára à sua mão, o de morte por acidente. acidente de motocicleta. o morto tinha 37 anos e contratara o seguro há 12 anos... tem direito? sim, é uma morte por acidente, seguro dobrado.... entretanto, no espaço para o deferimento ele hesita... hesita porque o motociclista é um suicida, ele acredita, e suicídio não é coberto pela apólice. sim, o motociclista em geral é um suicida e esse, vejam como é a vida, ele conheceu bem, era um tresloucado que possuía uma enorme motocicleta negra, interessante é verdade, mas perigosa, com o cheiro da morte. . . se, por um lado, o motociclista é um suicida, aquele era um caso diferente, já que privara da amizade do defunto, tipinho estranho sempre enfiado num sobretudo, imaginem! de lona... o tal tipo suicida era seu conhecido, não devia ser tão duro com um quase amigo.... mas e a lei? e a ordem? acidente paga-se. suicídio não se paga e quem anda numa motocicleta daquelas, com aquele farolete azul atrás, com aquele cano de descarga barulhento, quem anda naquela velocidade...
não... não há o que decidir.... põe o processo de lado, vai passá-lo para um colega, não tem condições de fazer uma avaliação correta e justa, isenta....
debruça na mesa e chora... primeiro de mansinho, depois um choro convulso, por fim um pranto alto e escandaloso que faz todo o escritório parar.
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8.8.04

acho que os livros e, principalmente, os filmes de terror são uma arte maior por mais ridículos e mal realidos que sejam.... penso que temos que expurgar nossos fantasmas, nossos medos, nossas dúvidas e tudo isso rola nesses filmes... é verdade que a gente ri e ridiculariza, mas tá lá o cara levantando da sepultura, tá lá o vampiro sugando o sangue ou o lobisomem atacando... eu acredito que a gente lava a alma assistindo tudo isso, besteiras ou não, bem realizados ou não... é a materialização em pantomima [assim mesmo, pantomiMa) dos medos e monstros que enfrentamos no nosso dia a dia...
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olho para o céu com suas nuvens negras... a chuva cai sem parar como num aviso funesto, como uma premonição do mal, como o alerta de que os mortos-vivos podem se levantar a qualquer momento. vi isso num filme tipo C... quanto mais chovia, quanto mais o terreno do cemitérios ficava encharcado, mais levantavam aquelas pessoas em avançado estado de putrefação onde roupas e carnes se desprendiam dos ossos, mandíbulas caindo e excremento... quando essas pessoas que não morrem começam a se levantar, não sei, mais acho que isso é uma coisa meio de mudar o mundo, que os conceitos estão para serem mudados ou já mudaram e a gente não percebeu... e o que são as pessoas que morrem e levantam, pergunta o psicanalista on line. São aqueles, como o caso relatado no post abaixo, que vagueiam entre a realidade e o universo virtual, que não estão nem lá nem cá, que perderam a noção do que é a possibilidade de existir.... porque se existimos, existimos em qualquer lugar, na internet, presencialmente, nos charcos dos arrabaldes das cidade, nos cemitérios de índios, nas choupanas do Tibet... e se não existimos, não existimos em nenhum desses lugares, ficamos num eterno 'tentar ser', numa espécie de purgatório na terra, num limbo existencial que provoca cãncer de pulmão...
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estava caminhando na rua pela manhã, numa hora em que a chuva não caía tão pesada... pensava em como podemos encontrar pessoas na internet, como isso pode ser bom nos relacionamentos interpessoais num momento em que as pesssoas de uma maneira geral tendem a se isolar mais e tal.... mas pensava também numa experiência que me foi relatada de um cara que encontrou com uma mulher três vezes, não tiveram nada, e ela começou a persegui-lo seja através de correspondências, telefonemas, etc. ... ela ligava, mandava outras pessoas ligarem, fazia o diabo... esse meu conhecido não sabia muito como agir porque não tinha ainda tido experiências com pessoas de baixo nível na internet, mas fora puro acaso, afinal, as pessoas de baixo nível existem não é mesmo? E fico vendo que os homens são mais propensos a ataques desse tipo de mulher porque, como já disse baseado em milhares de estudos, as mulheres são mais desesperadas, têm menos formação e mais pavor da solidão... bom, nem sei porque estou escrevendo isso, acho que para contar um fato e alertar os homens que tomem muito cuidado com mulheres desconhecidas na internet... acho que é isso

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4.8.04

por que o Collor não se candidata novamente a presidente da república?
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é engraçado que a classe 'pensante' do país não fala do PT... como foram eles que fizeram a cabeça do povo - sempre o pobre povo! - como foram eles, agora tá todo mundo caladinho... onde se vê um intelectual, um artista, um jornalista fazendo oposição ao PT? não tem. além de comunistas são indignos, não reconhecem que erraram que colocaram o país de novo no rumo do atraso. a única voz que se levanta é a do famigerado gangster stédile... esse é comunista, mas é um atirador... ele só pensa em atirar, só pensa em desordem. pra ele não importa quem está no planalto, ele quer a desordem e pronto. pois esse desordeiro é mais honesto que a intelectualidade, do que os artistas brasileiros... é uma vergonha!
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o gato e o cachorro quase se mataram bem perto de mim, na esquina sombria. o gato levou vantagem e colocou o cachorro para correr... por que digo isso? porque o cachorro, no caso, teóricamente, o mais forte pode, eventualmente ser colocado para correr... isso tem a ver com uma historinha que eu ia contar sobre o governo, mas não vem bem ao caso. a maracutaia continua correndo solta no governo com o nosso presidente, salve, salve insistindo em não ver o que rola no banco do brasil e no banco central... ele diz que são futricas porque sabe que o negócio, seguindo adiante vai acabar no PT e o PT e o Governo se misturam..... há muito tempo que não aparecia um governo que usasse a máquina pública em benefício do seu partido de forma tão vergonhosa como o PT.... não existe o governo brasileiro, existe o PT que está governando... isso é uma vergonha, é ultrajante... mas por que não abrem CPIs para investigar tudo... aposto que lula ia ser apeado do governo mais rapidamente que o Collor... e por que não se iniciam as investigações pra valer?
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3.8.04

estive caminhando toda a tarde procurando uma coisa que não posso falar e não encontrei. não encontrei nem mesmo nada similar...podia ser um bomba,um artefado mortífero como poderia também ser uma ramo de flores um pouco diferentes... isso não importa. o que importa é que andei muito e não encontrei... de que vale morar no bairro mais populoso de uma cidade, que tem comércio se não encontro o chumbo grosso que preciso, nem a flor delicada? não me venham dizer que não procurei de direito... e falei com muita educação com todos os vendedores.... vendedores são chatos porque você pergunta se tem uma coisa, ele responde que não, mas que tem uma outra, outra, outra... e a gente fica insistindo que está interessado apenas no que pedimos e ele se faz de surdo e continua oferencendo um milhão de coisas que não te interessam a mínima... os vendedores são muito piores do que os camelôs... talvez uma coisa interessante fosse colocar todos os comerciantes e seus vendedores na rua e os camelôs dentro das lojas... a gente ia ficar menos chateado, ia ter menos aporrinhação e seria uma coisa diferente, ia sair nos jornais do mundo inteiro: presidente lula do brasil (aquele que apoiou o ditador sanguinário africano, sabem quem é? pois muito bem)... presidente lula retorna da áfrica onte foi apoiar o ditador e inova tirando comerciantes das suas lojas... com isso alivia o trabalho da guarda municipal que não precisa mais caçar camelôs, correr atrás deles... quando a polícia municipal quiser espancar os vendedores [antes autônomos], basta entrar numa loja e baixar a porrada em todo mundo... enquanto isso, comerciantes e comerciários ficam batendo palmas da calçada!... não seria impactante? claro que seria. são essas coisas que o governo deveria fazer para chamar a atenção para virar notícia... tudo bem, essa da áfrica foi muito boa, mas é pouco, tem que ter mais coisas acontecendo, o presidente tem que estar envolvido em muitas coisas que chamem a atenção... daqui a pouco teremos eleições municipais e logo, logo [da maneira que o tempo corre], presidenciais.... o presidente não quer ser reeleito? como brasileiro não sabe votar mesmo como já bem disse o pelé, como brasileiro não sabe votar quem sabe nosso lula não ganhe outra eleição...seria bom para o nosso país, para o nosso povo que agora, em seu governo, está vivendo bem, feliz e risonho como pinto no lixo.
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