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Não possuo nenhuma expectativa maior em relação às pessoas. Convivo com elas na sua justa medida. O impossível na raça humana são justamente as pessoas. Definitivamente, o silêncio não é dos inocentes. Por mais que eu pense bem ou mal das pessoas, elas sempre me surpreendem.O Blog é uma "Carta de Intenções" raramente cumprida. Eu vivo dos meus desequilíbrios* Copyright Nicka. Sempre teremos Paris.... Toda mulher deveria ter quatorze anos.(Nelson Rodrigues) Fez-se da vida uma aventura errante (Vinicius de Moraes) A calma é inimiga da perfeição "Não importa. Tente outra vez. Fracasse outra vez. Fracasse melhor" Samuel Beckett "Toda mulher devia ser a Sandra Bullock" "A Tsunami é Aqui!" "Sou uma espécie de Glória Magadan da vida real" "O chato em essência não existe...O chato é, antes de tudo, uma visão do outro..." "A fecundação é muito parecida com o garçom que mistura leite ao café. Apenas isso. O início da gravidez é um café com leite." "A Internet, repito, imbeciliza as pessoas." "O que as pessoas chamam cultura não é senão um termo pitoresco para a sua ignorância." Saul Bellow. "Quanto mais conheço analisandos, mais desprezo a Psicanálise." "Dormir de dia é um suicídio inconcluso" "O uísque é como um GATO engarrafado. O melhor amigo do Homem" Vinícius e Geraldo "A vida é como executar um concerto de violino ao mesmo tempo em que se aprende a tocar o instrumento"Samuel Butler "A pior forma de solidão é a companhia de um paulista" Nelson Rodrigues "Ser me ocupa bastante" A. Gide "Nada como a brancura cadevérica de um Pé" "Acordar é como um renascer com as cartas marcadas "A fé sem liturgia não tem o fulgor, não tem nada feérico, é como uma fé apagada, inexplicável, pequena, dúbia". "Matar-se é fazer poesia!". "'Quando homens pequenos lançam grandes sombras, é porque a noite está chegando" Nathaniel Lee "Só o suicida morre dignamente". Caminho de cabeça baixa pela praia da vida catando uma esperança. Todos os dias são para mim meu último dia. Um dia, sem me dar conta, meu dia será o último para todos. . O Orkut é uma espécie de lembrança e alerta virtual para um possível não vivido. . |
23.1.05
Púcaro sem Tampa II Engraçado essa coisa de eu passar a vida escrevendo a minha história.... descobri que eu não sou esse ente que umas poucas pessoas conhecem. Não, sou um personagem criado por uma abstração, por um lapso de deus, que me deixou nascer e chegar a quase decrepitude. Mentira. Cheguei à decrepitude ainda antes dos trinta anos, mas não tinha consciência exata. - - - - - - - - - - - - - - - - - - Era uma coisa vaga, um sentimento estranho, um frio na barriga e uma vontade de fugir para uma outra dimensão que não conseguia explicar nem ao papa. Depois a coisa foi piorando e os analistas faziam juntas médicas para tentarem compreender. Não adiantou nada. Nem poderia. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Quando você trata com uma não pessoa, com um ser que está sendo escrito por outro, quando você trata com uma alma fugida do Purgatório de Dante tem que estar atento para entender as reviravoltas que a história pode dar. Freud dançou feio nessa e seus seguidores até hoje rodam feito baratas tontas aplicando soporíferos aqui e ali sem conseguir um resultado palpável. Seria preciso uma conjunção de teóricos de várias vertentes com médicos, pais de santo, eruditos, prostitutos, padres e freiras lésbicas, todos juntos, estudando um personagem, seguindo os meandros da história e tentando captar-lhe a essência. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - O problema é que personagens mal escritos por espíritos impuros normalmente não têm essência o que acaba tornando tudo mais difícil. Acho que Guimarães Rosa poderia entender isso um pouco melhor, mas não existem mais "Guimarães Rosas" dando sopa por aí. Para esse caso seria necessária a entrada do pai de santo que faria uma consulta ao Senhor das Esferas e, em transe, tentaria contato com o escritor. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Ainda assim acho que não daria certo. A ala politicamente correta ia ser do contra e coisa ia acabar em nada, acabar num banho de banheira com hidromassagem e creolina. Tudo isso porque eu tentei explicar para outrem o verdadeiro motivo de eu ter revelado a estada de Nadja na minha casa, uma estada breve, diga-se de passagem, que acabou numa gritaria danada com vizinhos na janela e ameaças de chamarem a polícia. Por aqui existe a cultura de se ameaçar chamar a polícia (o que, de fato, nunca acontece porque todo mundo sabe que não adiantaria nada, que a desordem aumentaria). - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Me falta alguma coisa, tenho certeza. Vergonha na cara pode ser uma delas, mas me faltam outras coisas, coisas banais que todo mundo tem (e nem sabe!). À partir de amanhã vou sair em buscas dessas coisas, vou de loja em loja, de mafuá em mafuá, de bairro em bairro. Tudo isso porque tem uma voz renitente que não pára de gritar na minha cabeça insistindo sempre e em vários tons que sou um púcaro sem tampa, púcaro sem tampa! púcaro sem tampa Minhas mãos cansadas de escrever nos cadernos pedem um tempo, querem o conforto do teclado. Sei que aqui não sai nada, mas serve para contar minha estada com Nadja já há três dias. Essa mulher entrou pela porta do meu apartamento sem eu esperar, sem acreditar que ela viria assim, do nada, só porque eu chamei. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Na verdade não acredito que ela tenha vindo me ver mesmo,da maneira que foi, só porque eu convidei. Ela estava interessada numa determinada carta do tarô que saía insistentemente para ela. A Torre e todas as mudanças que prenunciam assustou a mulher que acabou se mostrando uma ocultista de grande estirpe embora no Brasil isso signifique intimidade com os mitos afro-brasileiros. Mas veio. Quando chegou chovia e relampejava, estava molhada dos pés à cabeça, deixando grandes poças por onde passava. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Algumas pessoas estão prontas para se apaixonarem, é uma coisa latente e sempre me pergunto se isso não é carência. Deve ser, mas não importa, não ligo para o que seja. Ela dormiu em baixo da cama (descobri de manhã) e não soube me explicar o porquê, lembrando-se apenas que faz isso há muito tempo. Imaginei uma neurose histérica, mas quem sou eu? - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Contou-me de um cruzeiro que fez há pouco e das grandes orgias que rolavam no navio, das bacanais sem fim, onde não havia dia nem noite, onde tudo era sexo, tudo era trepada. As pessoas gostam de se desgastar trepando, tem a coisa do suor e dos malabarismos.... uma espécie de ginástica com direito a eventuais orgasmos ou, senão, gritinhos e sussurros que servem para aquecer a garganta de barítonos. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Nadja carregava em sua bolsa (fez questão de me mostrar) uma faca. Não uma faca perigosa, feia, dessas que a gente vê no cinema e se treme todo. Não. Era uma faca de cozinha, dessas de serrinha que vendem na Casa&Vídeo nesses faqueiros populares para a classe D. Disse que não andava sem essa arma para se defender, que o mundo era perigoso e outras coisas mais que não ouvi porque parei de prestar atenção. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Ela é baixa e morena, nem bonita nem feia, com um corpo atraente e uma sexualidade transbordante. Usa uma guia azul, bonita e igual a minha, a que eu guardo na minha caixa de assuntos espirituais. Faz mapa astral e estuda cabala (todo mundo estuda cabala, ninguém conhece, ninguém sabe cabala. É engraçado, estudar a vida inteira uma coisa que você não aprenderá jamais. Diz que esteve há pouco tempo no Marrocos e me mostra um terço de mão que trouxe de lá. Achei bonito, minto, interessante. Pareceu coisa de pouca qualidade, dessas que se compram nessas feiras ao ar livre ou nos mafuás da vida. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Aliás, ela própria, Nadja, é um produto dos mafuás da vida. Tem gente que podia muito bem não estar transitando por aí, podia estar jogada num mafuá, esperando que algum maluco o comprasse. Eu sou um típico exemplo disso. Podia ser um boneco ou gente mesmo, podia pertencer a um vendedor de quinquilharias que ficaria me oferecendo a um e outro, inventando uma qualidade especial qualquer para mim. Sempre existem os incautos que compram essas porcarias sem serventia. Compram e perdem num baú do sótão das suas vidas vazias. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Se a gente pensar bem, se ficar atento a tudo o que acontece no entorno, percebe que a vida não é essa coisa toda que falam por aí, que a vida é baça, que o universo é um sótão e que o planeta é um baú.... Ficamos nos escalavrando para lá e para cá dentro desses baús que ora estão numa casa, ora se mudam para outras, mas estamos sempre ali, jogados no meio de fotos velhas, de bonecas sem olhos, e púcaros sem tampa. Eu e Nadja fomos jogados num mesmo baú, ela vindo do Marrocos e eu de Inhaúma e ficaremos assim até que... 21.1.05
Seja feliz! Escrever sobre o quê é o que eu sempre me pergunto. A resposta que me vem é também sempre a mesma: escrever pra quê? Não escrever é a solução (e a salvação). Mas quando a gente não serve pra mais nada na vida, acaba escrevendo porque escrever não dá trabalho e engana os incautos, ficam achando que você fez alguma coisa. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Pra mim escrever é nada, é a mesma coisa que fazer xixi ou tomar uma cerveja. Sempre começo sem um assunto antes determinado e vou colocando essas bobagens, essas opiniões sobre isso ou aquilo mesmo sabendo que não sou preparado para tantas opiniões. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Escrever deve ser um ofício vagabundo, reles e ordinário. Antigamente tinha um certo mito com as pessoas que se dispunham a escrever, mas eu acho que era mais porque sujavam as mãos de tinta e cansavam a vista com a luz de velas. Hoje, com os editores de texto a gente nem precisa saber o português (ou a língua que for). Os editores fazem todo o trabalho, sublinham as palavras grafadas erradamente de vermelho e de verde quando as frases são mal construídas e as histórias.... bem, as histórias já se sabe que estão todas contadas, a gente só muda uma coisa aqui e outra ali, mas sempre conta as mesmas histórias. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - O blog deve ser interessante para quem tem que estar mesmo com o computador ligado.... quando cansa do que está fazendo vai nesse ou naquele e vê as besteiras que cada um escreve. Tem gente também que leva blog a sério. Bom, nesse mundo tem gente até que leva internet a sério! Confesso que eu mesmo já levei internet à sério, fazia apologia, dizia que era o futuro disso e daquilo. Hoje acho a internet um blefe, talvez o blefe do século, muito melhor ir a um cinema ou ficar de papo para o ar pensando na vida. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Tenho tido várias experiências frustrantes com a internet.... Eu lembro que já escrevi um dia "que a internet era a revolução do saber, que o futuro não era dos que sabiam, mas dos que sabiam acessar o saber". Escrevia coisas assim e me achava o máximo. Pode coisa mais imbecil e ignorante? Eu tenho essa tendência a me afeiçoar às bobagens, às coisas rasteiras e, em nome delas sair por aí cantando de galo e enchendo o peito. Depois eu pago por isso, fico sempre com cara de bunda. Na internet, por exemplo, não tem saber nenhum, não tem nada que preste. Melhor assistir aos programas do ratinho (além da vantagem adicional de dar menos trabalho e ser mais barato). - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Quanto ao saber mesmo, porra, leia meia dúzia de livros bons, de clássicos e pronto, você já tem saber bastante para o resto dos seus levianos dias. Se quer ler mais, leia novamente esses livros e assim, seguidamente até o final dos tempos. Você será uma pessoa melhor. E se não tem mesmo o que fazer e tá com muito fogo no cú, vá assistir aos cultos da Igreja Universal que não levam a nada, é bem verdade, mas é um espetáculo tão curioso quanto esses teatros de hoje em dia, de um ou dois personagens e cenários caixa de sapato. Se preferir, assista a uma missa. Enfim, simplifique a vida e seja mais feliz! 20.1.05
indo para o céu Caminhar pela madrugada foi, antes de tudo, necessário. A chuva ameaçou, mas não caiu e parece que estava todo mundo na rua porque era véspera de feriado. As pessoas não são o que são nem fazem o que fazem porque querem, por terem vontade própria, mas porque praticam suas vidas de acordo com os desígnios do tempo. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Não percebem o tempo como a abstração que é, mas como algo tangível e poderoso que pode reger suas vontades e necessidades. Maria não é uma mulher assim, tornou-se diferente por sua liberação social, conquistada com a cocaína. Dizem que morreu de over dose, outros dizem que não, que continua por aí, mas completamente liberta de calendários e relógios. Dizem que só vai pra cama quando o objeto amado é uma paixão avassaladora e não um tesão momentâneo. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Acho que sou assim também, uma espécie de Glória Magadan na vida real. Disse isso a uma amiga que ficou me olhando com expressão de árvore. Mas não era disso que eu queria falar.... falava da chuva que não caiu e das ruas na Lapa cheias de bares da moda, porque agora está na mora uma mistura de classes de mentirinha.... a zona sul vai à Lapa confraternizar com malandros locais e com a turma da zona Norte. Claro que é tudo hipocrisia da burguesia.... depois todo mundo entra nos carrões e volta pra São Conrado, que não são malucos nem nada. Antigamente ensaio de escola de samba também era só para a comunidade e hoje vai até turista (turista é uma raça estranha, que adora apanhar e ser assaltada).... - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Fui pensando nessas coisas enquanto entrava num barzinho e outro e tomava umas cervejas.... procurei ver naquelas mulheres se identificava a minha Maria, a liberada pela cocaína, mas acho que não. Pode ter sido um delírio alcoólico meu. = = = = = > O filme do camarada que matou um negro no Mississipi dos anos 60 e foi absolvido foi engolido por sua vez pelas doses maciças e bem balanceadas de psicotrópicos indutores do sono.< = = = = = = = = - - - - - - - - - - - - - - - Sonhei que puxava uma mulher pela perna, que pedia que ela não se fosse e não sei se a perna ter ficado na minha mão como uma prótese de pastelão fez parte desse sonho ou de um pensamento tolinho no amanhecer. Também não é isso o que me interessa. Não quero ter coerência nos sonhos se não tenho na vida vivida, se até hoje (e provavelmente nunca) soube ou saberei de onde estou vindo nem para onde estou indo e muito menos com quem. Estou sozinho justamente para poder pensar em tudo, imaginar à vontade e dormir depois o sono dos que não têm paz. - - - - - - - - - - - - - - - - Sou um sem paz. Não acredito muito nas histórias que me contam das pessoas que vivem em paz, que são ungidas com essa benesse divina permitida a tão poucos. Por isso prefiro desdenhar de Deus. Sei que mais dia menos dia, as metástases correrão meu corpo e me levarão para o limbo, para o nada, a noite sem estrelas, sem uísques nem Lexotan. Quando for um nada, se deixarem, eu volto pra contar e confirmar. Se eu for parar no céu (sim , porque se houver, meu destino só pode ser o céu), aí não volto, deixo todo mundo aqui nessa expectativa de um nada, nessa vida tolinha (com cocaína ou não) correndo atrás das expectativas frustradas de antemão que ninguém quer enxergar. 15.1.05
A Tsunami é Aqui! ou se é para isso, eu é que digo: fora FHC! Minha dieta é composta de miojo, caixas de Lexotan 6 (porque não existem os de 12 mg.), garrafas de uísque, outras tantas de coca cola, café, cigarros e leite. Dizem que meu gato tratado à ProPlan, é mais bem nutrido. Faço parte da categoria dos obesos que o Lula não acredita existirem (porque ele não tem espelho). Bebo menos do que ele, mas não sou presidente de nada. Em contrapartida, ele seria mais engraçado se não fosse patético. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Sempre escrevi que FHC não tinha pulso, deixava a violência correr frouxa (responsabilidade federal sim!) e não dava um basta aos ataques da oposição ferrenha do PT, era mesmo um banana, deixando correrem soltas as invasões e a bandalha geral das quadrilhas do MST (deixou invadirem suas próprias terras, invadirem a fazendo do Presidente da República!). Dia desses li uma declaração, como sempre polida demais, educada demais do mesmo Fernando Henrique, falando que não se fazia oposição ao atual governo, que o seu PSDB deixava passar em branco os desmandos e a proposta fracassada do Lula e seus asseclas (claro que usando termos de um príncipe, um dândi dos trópicos). - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Quer dizer, ele não aprendeu. Enquanto o PT só o tratava de, no mínimo, fora FHC, ele vem cobrar oposição, mas fala de um jeito tão manso, tão fino e educado (parece uma madre superiora rezando) que mais parece um pedido de desculpas. Como se pode fazer oposição assim? Ele pensa que está na Suíça? Pensa que o Lula leu ( e, se leu, entendeu?), pensa que o pessoal do PSDB que continua encostado no governo vai falar alguma coisa? Doce ilusão, Fernando Henrique! A barra aqui é pesada, tem que falar grosso, tá tratando com metalúrgico, com ex guerrilheiros, com gente treinada em Moscou e em Cuba, tá tratando com quadrilhas, com os Stédiles da vida. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - A imprensa e os artistas formadores de opinião não vão falar nada, vão agüentar a entubada que estamos levando do Lula calados, porque esperam esse (des) governo há vinte anos, estão envergonhados e acuados, não sabem virar a mesa, intelectual brasileiro não tem tutano, não sabe dizer NÃO, sente vergonha de voltar atrás. Chico Buarque trocou Havana por Paris! Dão um mugidinho aqui e outro ali, quando a ditadura anunciada fica mais clara como no caso da Ancinav, mas não falam de verdade: miam, sussurram, vão reeleger o Lula, o Brasil (estatizado, salve, salve!) vai acabar (mais ainda!) no chão, lanterninha do planeta, país de quinto mundo! Esse governo é o nosso tsunami, pior , tsunami escolhido, acolhido, aplaudido por nossa tribo continental e pelo resto do mundo que vai voltar a importar pau-brasil! Pra fazer essa oposição rala, jeca, chinfrim... se é para isso, eu é que digo: fora FHC! 13.1.05
Gabriela velha Recebo correspondência de gente iletrada (como recebemos correspondência eletrônica de gente iletrada, que não consegue escrever uma frase sem erros primários!) reclamando porque eu falei do livro do Diogo Mainardi. Dizem que ele é um derrotista e que eu não sei o que quero porque um dia falo bem do Caetano e outro do Diogo, o que seria um disparate porque o Caetano só mete o malho no Diogo. Fiquei aparvalhado, sem saber o que pensar ( e se devia pensar). Como estava muito mal redigido, primeiro me certifiquei se era aquilo mesmo que leitor queria dizer, mas parece que era sim. - - - - - - - - - - - - - Claro que eu não tenho que ficar me explicando aqui, eu digo o que eu quero e quem não gosta não precisa voltar mais a essas paragens. O e.mail já foi devidamente deletado, nem lembro quem escreveu. Mas fiquei pensando nessa história, nessa patrulha que as pessoas fazem. Pegam uma coisa qualquer que você disse em algum momento da vida e querem comparar sempre com o que você está dizendo. Depois ainda dizem que sou reacionário. Não vejo nada de mais em gostar da obra de duas pessoas que não se gostam entre si, isso aqui não é programa do Raul Longras nem site de par perfeito. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Mas o idiota que me escreveu acabou ajudando porque me fez pensar um pouco no que tenho sentido e falado e já desanquei o Caetano um sem número de vezes. O Caetano só era poeta e formador de opinião quando era artista e só era artista até o seu quanto ou quinto álbum. A geração que pegou Leãozinho, Odara, Gente e mais meia dúzia de canções geniais sabe que Caetano decaiu, caiu, se esborrachou há muitos anos. Hoje é uma figura solitária e triste com fumaças ridículas de intelectualóide, tem um certo bolor de coisa que passou. Não é mais formador de opinião nem na Bahia, é um chato, um velho ranzinza que fala mal de tudo e de todos, que não compõe, não escreve, preso patético à sua eterna esquizofrenia sexual. Já disse muitas e muitas vezes que Caetano já era há muito tempo e seu ódio irascível a Paulo Francis e a Diogo Mainardi mostram que ele voltou (será que deixou de ser?) apenas um sobreviventezinho dos retirantes que aportaram o Rio e que, com o tempo, perdeu o viço... um arremedo de uma Gabriela velha, feia e gorda, por assim dizer Luiza Tom Jobim Rua, Espada nua Boia no céu imensa e amarela Tão redonda a lua Como flutua Vem navegando o azul do firmamento E no silêncio lento Um trovador, cheio de estrelas Escuta agora a canção que eu fiz Pra te esquecer Luiza Eu sou apenas um pobre amador Apaixonado Um aprendiz do teu amor Acorda amor Que eu sei que embaixo desta neve mora um coração Vem cá, Luiza Me dá tua mão O teu desejo é sempre o meu desejo Vem, me exorciza Dá-me tua boca E a rosa louca Vem me dar um beijo E um raio de sol Nos teus cabelos Como um brilhante que partindo a luz Explode em sete cores Revelando então os sete mil amores Que eu guardei somente pra te dar Luiza Luiza Luiza 11.1.05
DIOGO Mainardi ou A Naúsea Não sou muito chegado às pessoas, sempre tive, desde pequeno um pé atrás com a raça humana. No início achei que o problema era meu, procurei pais de santo e psicanalistas a rodo na esperança de resolverem o meu problema, fosse através de terapias alternativas, de vidas passadas, fosse através de remédios de última geração ou de garrafadas de benzedeiros do norte. Nada deu resultado e fiquei sendo eu esse ser estranho, avesso a muita conversa e bate papo, muita gente amiga em volta e amizades muito sinceras. - - - - - - - - - - - - - - - - Deixei o tempo passar. Ele, para minha surpresa, passou, preservando-me entre os eleitos que ficam nesse mundão e tornam-se necessariamente observadores da raça humana. O que antes era difícil, quero dizer, quando eu via um canalha sentia uma coisa estranha, o estômago se revirava e eu não sabia o que era, porque era. Quando eu via um político beijando criancinha, quando via um meganha batendo em gente humilde...Tudo me revoltava sem eu entender o porquê. O que antes era difícil, foi deixando de ser. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Cresci, passei minha adolescência em plena ditadura, mas estava distante, não pude me engajar contra ela porque era um garoto, ainda longe da faculdade. Hoje, em retrospecto, sofro quando penso que estava comemorando o tricampeonato brasileiro em 70 enquanto, ao mesmo tempo, tantos jovens estavam apanhando nos calabouços. Depois veio a abertura, veio a consciência e me juntei ao PT, acreditando piamente de forma quase sacra naquele homem barbudo, de voz rouca e vocabulário nulo. Falava ele de um mundo melhor, de divisão das riquezas de um país mais justo e eu era uma daquelas cabecinhas nos comícios, estrela no peito, que aplaudia e ia quase às lágrimas. Mas o tempo passou, o mundo girou e a História se fez. Comecei a ler, a ir ao cinema a olhar criticamente o mundo e vou pular essa parte que é longa e desinteressante. Descobri cedo que o PT era um engodo, que representava tudo de ruim, todo o atraso possível, a tentativa no Brasil de tudo o que não deu certo em parte nenhuma do mundo. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Ao mesmo tempo as coisas foram se apresentando freneticamente. Stálin matou muito, mas muito mais do que Hitler, aqui no Brasil, o justiçamento comunista era mais virulento que os porões da tortura, os políticos eram todos canalhas, mas nada, nada que se aproximasse do caos petista. O Brasil foi avançando desse jeito brasileiro, um passo pra frente, dois pra trás, mas foi. Escolhi o teatro, o cinema e a televisão como locais de trabalho, os únicos meios em que eu me sentia mais à vontade, em que podia me expressar, circular e tentar acrescentar algo, o mínimo que fosse à geléia geral. Transito nesses meios de expressão artística há trinta e quatro anos. Uma vida, pois. Nos últimos cinco anos me debrucei um pouco mais sobre a internet, primeiro com mais entusiasmo, agora mais ressabiado por uma certa pasteurização e vulgarização do bom e do belo. De qualquer forma levei minha curiosidade para a frente e fiz o que foi possível enquanto, por caminhos tortos, o governo permitiu. Agora, estamos nos afogando no petismo, o Brasil caminha a passos largos para uma falência ampla e irrestrita, para o caos. Quando o povo se der conta talvez só uma nova revolução, talvez só o impedimento e a prisão do presidente, enfim, sabe-se lá o que será necessário para recolocar o país no caminho de um mínimo de desenvolvimento (o que já é muito, porque o Brasil só se desenvolve minimamente mesmo). - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Eu começo a escrever o que eram para ser três linhas e acabo me perdendo em pensamentos que se misturam, vão e vem, se enroscam, fustigam aminha parca memória, mas no fim me vem a palavra primeira, a náusea, que era do que eu queria falar. A náusea me persegue desde que me dei por gente e a compreendi melhor quando li o livro homônimo de Sartre. Ninguém como ele, soube descrever esse sentimento. E por que falo de tudo isso? Porque sonhei andar por estranhos corredores sombrios onde não se ri mais, pensando em tudo o que já se fez no passado, imaginei cruzar com um ícone, uma sombra fraca, frágil, fugaz e idiota, de um mundo escuro e inseguro. Existe um mundo de tristes figuras, daquelas que não sabem para onde olhar, de caráter dúbio e claudicante, que trafegam no bolor, sabendo que não são, desses que se esgueiram pelas paredes úmidas como a fugir de si mesmos. Não é o primeiro nem será o último. Senti a mesma náusea que me persegue desde a infância, só que agora sei a causa dessa sensação. Mas não desanimem. E porque nem todos são iguais, comprem o livro de Diogo Mainardi, A Tapas e Pontapés, leitura inteligente e saborosa, dessas que não permitem que nenhum rancor, nenhuma náusea prevaleçam 8.1.05
Maremoto Tudo bem que foi uma desgraça, que foi muito triste, uma calamidade.... Mas, pra ser bem sincero em não agüento mais essa história de maremotos de tsunamis, de doação! Tá enchendo o saco, vamos reconhecer! Há dias e dias que não se pode abrir um jornal, uma revista, entrar na internet, ligar uma televisão sem rever as ondas, os corpos. Tá começando a irritar! Quantas semanas mais vamos ficar só falando disso e vendo essas imagens? |