Por favor, me negue o cumprimento.


SORRIA!

....

...são pedaços de papel, folhas de cadernos, guardanapos sujos e restos de cabeça insone...

Leia da forma que achar melhor, não tenha compromisso com nada. Eu também não tenho.


English




ARME-SE MAIS!



Não possuo nenhuma expectativa maior em relação às pessoas. Convivo com elas na sua justa medida.

O impossível na raça humana são justamente as pessoas.

Definitivamente, o silêncio não é dos inocentes.

Por mais que eu pense bem ou mal das pessoas, elas sempre me surpreendem.

O Blog é uma "Carta de Intenções" raramente cumprida.

Eu vivo dos meus desequilíbrios* Copyright Nicka.

Sempre teremos Paris....

Toda mulher deveria ter quatorze anos.(Nelson Rodrigues)

Fez-se da vida uma aventura errante (Vinicius de Moraes)

A calma é inimiga da perfeição

"Não importa. Tente outra vez. Fracasse outra vez. Fracasse melhor" Samuel Beckett

"Toda mulher devia ser a Sandra Bullock"

"A Tsunami é Aqui!"

"Sou uma espécie de Glória Magadan da vida real"

"O chato em essência não existe...O chato é, antes de tudo, uma visão do outro..."

"A fecundação é muito parecida com o garçom que mistura leite ao café. Apenas isso. O início da gravidez é um café com leite."

"A Internet, repito, imbeciliza as pessoas."

"O que as pessoas chamam cultura não é senão um termo pitoresco para a sua ignorância." Saul Bellow.

"Quanto mais conheço analisandos, mais desprezo a Psicanálise."

"Dormir de dia é um suicídio inconcluso"

"O uísque é como um GATO engarrafado. O melhor amigo do Homem" Vinícius e Geraldo

"A vida é como executar um concerto de violino ao mesmo tempo em que se aprende a tocar o instrumento"Samuel Butler

"A pior forma de solidão é a companhia de um paulista" Nelson Rodrigues

"Ser me ocupa bastante" A. Gide

"Nada como a brancura cadevérica de um Pé"

"Acordar é como um renascer com as cartas marcadas

"A fé sem liturgia não tem o fulgor, não tem nada feérico, é como uma fé apagada, inexplicável, pequena, dúbia".
"Matar-se é fazer poesia!".

"'Quando homens pequenos lançam grandes sombras, é porque a noite está chegando" Nathaniel Lee

"Só o suicida morre dignamente".

Caminho de cabeça baixa pela praia da vida catando uma esperança.

Todos os dias são para mim meu último dia. Um dia, sem me dar conta, meu dia será o último para todos. .

O Orkut é uma espécie de lembrança e alerta virtual para um possível não vivido. .

30.6.05

O Outro

Sou angustiado de nascença, mas não é esse o verdadeiro motivo e sim por ser abarrotado de informações que não processo. O mundo das informações me estressa e angustia. As coisas se acumulam e eu tento correr e não chego lá nunca, a relação de tempo e informação com a possibilidade humana me levará à loucura absoluta. Se já não levou

Temos pontos de equilíbrio, sempre temos, nem que seja a cocaína. Não me interesso pela cocaína, mas admito-a. Na verdade, quero admitir tudo o que possa ser levado como um ponto de equilíbrio porque embora seja bacana, não me sustento muito tempo, nos meus desequilíbrios [contumazes]

Li uma vez alguma coisa sobre os desequilíbrios e descobri como pode ser bom o desequilíbrio para nos fazer pensar livremente. Mas viver no desequilíbrio pode levar à compulsão e a fobia, que não me são gratos [e já os tenho em mim atávicamente].

Quero poder mostrar o que há em pensamento, o que predispõe a uma discussão maior, mas não dá certo quase nunca por causa do outro. Preciso de um outro [e tenho]. Ainda posso não me desesperar porque tenho o outro e outro me tem numa simbiose quase metafórica, mas além do virtual, como uma forma de suporte intelectual, psicológico e afetivo. Não importa o 'meio' que usamos para concretizar isso.

Diante disso começo a questionar o que, vulgarmente, chamamos de virtualidade. Claro que tem essa virtualidade rasa, ordinária que qualquer um percebe, mas não falo disso, falo da virtualidade em contraponto ao presencial, falo da possibilidade de, ainda que não descartada, absolutamente, o entendimento virtual complete toda a fluidez de anseios que carregamos e descarregamos em nós mesmos e que é impossível levar sozinhos.

Ainda que se possa pensar e rotular de relação no plano das idéias [que não precisa - nem é - ser necessariamente], ainda assim posso chamar de relação e ficar em paz por saber que existe um outro eu vivenciando-me. Acho que todos não deviam apenas vivenciar, mas ser vivenciados por outro para que a experiência seja completa [O ciclo].

Quero falar mais das relações, desde a que tenho com a chaleira, passando pelo gato, computador e pessoa. Quem garante o encontro da pessoa? Parece que ninguém, o que pode ser um forte indutor ao suicídio porque o inconsciente não provocado pode transbordar. Parece que o meu sempre transborda e eu não me matei. Talvez eu seja essa palavrinha chata, careta e da moda, um sobrevivente. Mas acho tudo isso 'quadrinho' demais, gibi demais, acho super herói e não os possuo mais.

Tenho a impressão que vago por um terreno árido, seco de tudo, areia e terra e pedra e argila e existe uma antena e um computador e dali ou da minha toca tenho o outro que compartilhar coisas que surgem, que acontecem ou que poderiam ter acontecido. O que pensei, pelo menos.

Não deixo de lado a importância da química como auxílio, suporte, no desenvolvimento das teorias, mas sou pequeno para escrevê-las e avaliá-las, sou raso, insuficiente e mais, tenho coisas a dizer, coisas que só outros entenderiam se houvessem outros. Acho que nunca houveram e por isso me guardei [do que não me arrependo]. Jamais perderei a condição de estar guardado porque sou isso. As pessoas podem me ter assim ou não, têm a liberdade de escolher. Talvez eu tenha muito pouco a oferecer. Não quero julgar. Quero dizer o que penso se tiver quem ouça. Não digo aqui, por exemplo. Aqui, digo o que penso em pensar e não o que penso conclusivamente.

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Estamos abarrotados de informações que não processamos. O mundo das informações me estressa e angustia. As coisas se acumulam e eu tento correr e não chego lá nunca, a relação de tempo e informação com a possibilidade humana nos levará à loucura absoluta. Se já não levou
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Angústia é a palavra. Química, a solução do agora.
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Rever

A relação difícil com o computador vai piorando e me fazendo pensar em que não poderei mesmo trocá-lo [apesar de minhas ameaças infundadas]. Relação difícil sempre tive, sempre fui difícil ou os outros foram, dependendo do ponto de vista de cada lado. Com os computadores não existem "lados". Existe o homem e a máquina num deserto errático.

Sou dependente da máquina e não a compreendo, sendo por ela massacrado diariamente num movimento eterno de idas e vindas, tentativas de acertos, irritação e estresse. Em todos os dias travo uma luta de descontentamento com o computador e perco sempre. Sou órfão da máquina e como ela é o mundo, estou perdido no meio do mundo.

Sempre estive perdido no meio do mundo porque não vim ao mundo à passeio e, muito menos sei [soube] lidar com as transações mundanas [me interessa mais o espírito e a metafísica]. Quis recriar as coisas de acordo com minha visão de momento e representação individual, visão crítica e posicionamento forte demais antes de que tudo me seja dado.

Sempre fui errando e passando de uma situação à outra, de uma pessoa à outra, até ficar completamente encastelado aqui, ermitão num mundo de solitários e sem a excentricidade que poderia despertar, mostrando esse monte de livrinhos sem compreender que eles não falam e que não se fazem representar [em conhecimento] a não ser pela minha fala sobre eles.

Não soube transmitir a literatura e apanho da modernidade, apanho da máquina, sou escravizado pelo computador. Sempre repito que gostaria de ter vivido numa época outra, que não tivesse de conviver com essas máquinas, mas não depende de mim e, além do mais, em outras épocas não haviam os antidepressivos, as pesquisas com célula tronco nem os soníferos que me permitem apagar uns tempos para não enlouquecer.

Sou um louco mascarado, andando no meio da multidão, desses que se misturam ao povo nas ruas [povo igualmente louco e igualmente compensado por isso ou aquilo. Agora não. Agora é uma descida violenta onde me escancaro para um mundo escancarado, que olha para si e busca soluções para o câncer e a AIDS do dia a dia, um povo famélico que se mata por um pedaço de carne em cada esquina, ainda que metaforicamente [em algumas situações]. No trabalho e na vida. Sou mais louco do que a vida porque impossibilitado de relacionar-me bem com ela. Sou uma farsa de gente, uma farsa de talento diluída num mundo abarrotado de informes [de talentos descartáveis - porque eles o são] que me encobrem.

Quanto tempo mais conseguirei seguir a trilha sem ser descoberto? Não muito, tenho certeza. Há um tempo atrás, já passei mais discretamente pelas coisas, já estive mais socializado e aceito [e aceitando mais também].

Preciso mudar e não tenho conseguido mesmo com as pesquisas e a sintetização das [de todas] drogas. Não estarei por muito tempo no meio dessas peças abandonadas, nesse ferro velho de almas e tentativas de relacionamentos.

O que me resta é o entendimento com o computador que me prende como um respirador artificial. Luto contra o respirador, mas quando ele se desliga quase morro asfixiado. Sou asfixiado desde o útero... não era para ter sido nada assim, houve um erro enorme desde os tempos do início, erro que foi se multiplicando e subdividindo [e repatindo] e que num momento melhor relatarei aqui mesmo. Nos meus cadernos já está repetidamente relatado, mas a linguagem é outra e, no grande incêndio universal, só a virtualidade se perpetuará [para que falo em perpetuação?]

Como muitos também, não quero deixar marcas, muito menos marcas desagradáveis, marcas que foram cunhadas não por mim apenas, mas por um ser em descompasso com o universo, que se move e transita por estar ancorado químicamente em soporíferos e virtualidades.

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Desdizendo minha análise pífia

Ontem me precipitei ao dizer que Baudrillard era chato e difícil. Não é. Talvez necessite ser lido com atenção, mas chato, em hipótese alguma. Precipitação minha. Quis deitar falação e falei só besteira.


Tem uma coleção de livros que reúnem alguns pensamentos de Baudrillard, Cool Memories, excelente. Fragmentos (como um blog) de pensamentos. Não uma construção sólida, que não se mexe, mas textos soltos que vão de um lado ao outro, que dançam em nossa consciência fazendo pensar e repensar, impondo uma racionalização do eu e do entorno moderno. Eu estava completamente errado, viciado na filosofia tradicional e Baudrillard quebra isso. Pelo menos essa série de livros deve ser lida e anotada, pra nos percebermos representados filosoficamente num mundo vazio e, ao mesmo tempo, super poluído de informações, ícones e mitos.

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29.6.05

Olha que bárbaro

"A eugenia e suas variações estariam talvez justificadas na perspectiva de uma raça superior [mas não existe raça superior ao homem - tal como é, ele está no horizonte absoluto da evolução, já que é o destruidor do ciclo]. Por outro lado, qualquer manipulação genética visando a aproximar a espécie de uma perfeição normal, isto é, de uma mediocridade estatística, é francamente abjeta. A menos que se trate de uma obscura vontade de anular a especificidade da espécie na confusão genética. Nesse caso, nada a dizer: o homem sempre quis mudar a regra do jogo com o risco de nele se perder. Até agora ele o fazia no nível simbólico, daqui em diante será no biológico" *
Jean Baudrillard*
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Ainda Baudrillard

Jean Baudrillard fala de um modo, de uma filosofia moderna. Tem um olhar aguçado, próprio à nossa necessidade de informação filosófica, globalizada e midiática. Os filósofos mais antigos são mais sábios, talvez tenham tido mais trabalho, mais observações a anotar e construíram mesmo a imensa pirâmide filosófica. Baudrillard não poderia dizer o que pensa sem visitar Platão. Bom, na verdade, o mundo não seria o mesmo sem Platão.

A filosofia de Baudrillard parece rala, mas não é. É moderna, está aqui nesse computador, na minha televisão e na maneira com que desejo me colocar diante da vida. Às vezes o não desejo também. Concluo então que Baudrillard é importante, deve ser lido com atenção porque tem alguns pensamentos interessantes e, como disse modernos.

Mas ele é chato. Baudrillard é muito chato. Platão não é chato, Sartre não é chato, Spinoza não é chato. Baudrillard cansa. E cansa exatamente porque pensa que precisa descrever a pós modernidade em que vive, dissecá-lo. E precisa mesmo. Para isso temos poetas e filósofos, acho. Entende-se que num mundo hiper informado, onde a mídia e a informação se misturam como necessidades fisiológicas, como o acalanto para dormir... num mundo desses em que nos perdemos porque ficamos esquizofrênicos...porque não sabemos o que somos agora embora já pensemos com clareza no que seremos amanhã, nesse mundo Baudrillard se sai bem...

Acontece que ele ao entender que somos bombardeados de informação, o que não deixa de gerar um certo conceito de cultura, [uma cultura imposta, global]... com isso ele entende que, de uma forma ou de outra estaríamos todos mais aculturados. Não acho que seja assim.... Não na cultura plena, universal. Ele fala dessa coisa pós moderna que somos e vivenciamos e vivenciamos mesmo....concordo ainda que somos pós modernos, mas não vejo nesse modelo uma forma de cultura individual.

Então, se Matrix bebeu em Baudrillard para gerar um novo produto, o filme e esse filme descortinou outras possibilidades... bem, vejo um desdobramento de informações filosóficas que transitam por meios novos [Platão não assistia filmes baseados nele]... mas é isso. E Baudrillard, entendendo que a cultura se difundiu escreve tortuosamente, herméticamente para um povo raso, ordinário, com uma 'cultura' que não é verdadeira....

Essa cultura é opinião dele, não uma realidade e assim, fica chato, difícil entender o que ele pretende com textos comprometidos com a pós modernidade....ou melhor... se estamos na pós modernidade [e estamos] ele quer se manifestar de uma forma pós moderna e bate na contextualização do povo, mantendo-se ele, como o foram todos os filósofos, distante das massas.

Assim ele perde a oportunidade de fundir-se e amalgamar-se com a sociedade, sugando dela inclusive essa modernidade e variedade de informações e formas de percepções... essa interatividade. Baudrillard apreendeu muito da pós modernidade, mas talvez peque na forma de escrever para essa sociedade...Repito: com um texto estritamente filosófico ele se perde no hermetismo antigo e deixa o leitor sem rumo, induzindo à sua leitura nos moldes da leitura de Platão. Ser moderno é fazer-se entender rapidamente por qualquer um.

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"É preciso não ser sério e aparentá-lo. Ou então ser sério e não o aparentar. Os que conjugam o aparentar e o ser sério, esses são insignificantes"
Baudrillard
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manhã

A sala e a mesa em particular têm tantos papéis e blocos e livros quanto minha cabeça tem idéias [que não se encaixam]
O que é melhor, sempre me pergunto, ter uma cabeça cheia de idéias não realizadas ou irrealizáveis ou um cabeça vazia? Os dois são muito ruins. A cabeça oca sequer tem consciência do seu esplêndido vazio e a 'cheia' é tomada por crises de culpa por não realizações fantásticas

Dirão os apressados que a cabeça oca tem mais paz de espírito, o que é verdade, mas não estamos tratando de espíritos com ou sem paz. Até porque eu acho que todo espírito que se preza tem uma angústia existencial atávica. Um espírito não angustiado é mais em engano, mais um nada que flutua em meio à fumaça, à poluição e ao caos. Um espírito razoável, enfim, tem que ser, no mínimo, caótico.

Posso falar de mim que tenho um espírito pesado e caótico e uma cabeça cheia de idéias não realizáveis o que me causa um prazer angustiante, uma alegria sinistra, uma depressão cava, um ser atribulado. Fico imaginando que todos são seres atribulados e que aqueles que vemos no dia a dia de bem com tudo, sem toda essa atribulação irracional, são não seres, essas pessoas que, como já escrevi aqui, constituem o fermento do mundo.

Para que exista um equilíbrio metafísico e para que os homens não cometam um colossal suicídio coletivo [que seria ideal na visão de muitos] ou matem uns aos outros até não ficar ninguém sobre a face da terra [em transe], é preciso esse equilíbrio desigual entre a maioria de bovinos e a minoria que assume esse desconforto, essa náusea, essa culpa transcendental de existir.

Ao contrário do que parece, fico pensando muitas vezes que carregamos uma culpa uterina, somos culpados sim, não importa do quê, existe uma culpa que é anterior ao nascimento, uma culpa coletiva [que deve estar muito mais relacionada a Adão e Eva}. Acredito mesmo no conceito, não como é contado, mas no conceito de estrito de Adão e Eva. O ser humano tem que ser culpado.

Quando Zola escreveu 'Eu Acuso!' Não se referia apenas àquele caso complicado jurídico e interminavelmente injusto, não, ele acusava o mundo, a vida, acusava o outro, mas se acusava também, acusava Deus pela vida desequilibrada que é concedida. Aliás, bem verdade, a vida é muito mais obra do do demônio e é bom que seja assim, porque a vida só pode ser concebida como tal com esse componente demoníaco que permeia tudo e todos, fazendo do mundo ser esse planeta pesado, carregado, deprimido e sangrando. Esse é o mundo que recebemos de herança, que gostamos, o mundo possível.

A lâmina da faca que, em seu fio, reflete a luz alaranjada dos ônibus que são incendiados em protestos, a faca suja de sangue, o homem sujo por dentro, o homem pecador é a essência da vida. A vida é titubeante, é claudicante, é insegura, a vida é psicótica porque o mundo é psicótico e porque uma parte do povo sobrevive apenas na psicose. Daí o mundo ser mundo e irmãos se odiarem veladamente [sempre] e chegarem muitas vazes a matar o outro. Caim e Abel não são um figura de referência, são parte do nosso inconsciente coletivo, parte do mundo perdido, do paraíso perdido.

Acho que o conceito, a palavra paraíso deve ser acompanhada sempre do conceito de 'Perdido' porque só o perdido se encontra, só o perdido se embriaga e goza, só o Perdido tem essa culpa brutal, carrasca, que nos retorce de sofrimento e ansiedade e que nos mostra todo o tempo que a vida não é céu azul apenas, a vida é asfalto com poças de sangue, é consultório de psicanalista, são farmácias cheias. Isso é ótimo. O retrato do mundo e seus homens são suas farmácias cada dia em maior quantidade, cada vez mais cheias vendendo mais e novas potentes drogas, espalhadas por todos os lugares, os laboratórios que não param, a pesquisa que não cessa em busca de algo que foi perdido antes de tudo [busca-se a droga do bem viver, mas não existe bem viver, existem outras formas de vida legal, mas não são bem viver!]. Uma anti corrida, um corrida de volta transcendental.
(continua)

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28.6.05

Schmidt

Repito: as pessoas não se tocam do que existe por aí. Só pensamos em Pedro Nava como memorialista. Tudo bem, mas devíamos visitar crônicas e diários outros. Os Diários de Josué Montello são deliciosos e uma aula de história. Qualquer hora falo um pouquinho de como Josué é grande, é enorme, transcende.
Mas ia mesmo era repetir o que já escrevi por aqui: Augusto Frederico Schmidt tem crônicas deliciosas. Dessas que a gente lê e relê pra vivenciar com ele aquela época, aquele momento, aquelas pessoas e lugares e modos. Como disse, perdemos muito tempo com bobagens.

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povo, polvo, pó, picles, pesetas, pedras

Helicópteros caem e explodem. Homens levantam e explodem também. Um mundo pirotécnico onde tudo explode multicolorido, bolas de fogo que encantam e apavoram as crianças que perderam a inocência logo depois de nascerem, ainda nas mãos dos médicos de verde. Vejo bem como é naquela sala com todos eles de máscaras e roupas verdes. Esse homens salvam a nossa vida, eu disse ontem

'Quem salva a nossa vida é Deus', respondeu a anciã e acrescentei: 'Não. Deus tira a vida, tanto que morremos todos'....... E fiquei pensando no meu carro fúnebre. Sim, ele é branco, mas é uma ilusão, meu carro é um carro fúnebre. Acho que vou morrer nele ou com ele, mas como sempre erro todos os prognósticos, pode não acontecer o que não o torrna menos fúnebre.

Nas salas e sets de gravação as meninas correm de um lado e de outro,Pranchetas coladas aos peitos, cumprindo o seu papel, embevecidas com a produção. Fico, cigarro na boca, quieto, observando-as. Lembro de Nelson Rodrigues com sua mensagem aos jovens: "Cresçam!" Nelson Rodrigues me lembra João do Rio e Lima Barreto. Não eram iguais, claro, mas podiam ter vivido na mesma época. Imagino-os como um grupo que sai, almoçam juntos, e passeiam ali pelo Jardim Botânico.

O Jardim Botânico é um lugar lindo. Não apenas o próprio Jardim como as ruelas do bairro são gostosas da gente andar. A Gávea é mais confusa, muito trânsito, mas também tem ruelas aprazíveis. Fico pensando nos camaradas que morreram ontem no desastre de helicóptero e dizendo para mim mesmo que aqueles dois morreram felizes. Pessoas que sobrevoam o Rio têm que ser felizes.

O Rio, pelo menos hoje, não é uma cidade apenas para se morar, para se viver. O Rio é, antes, um lugar para ser visto de cima, sobrevoado. Não o fosse, Ton não teria feito o Samba do Avião. O Rio visto de cima é como o Brasil visto de longe, conhecido somente pelas atrações mostradas nas fotos de casas de turismo. O mundo não é o que é [não deveria ser]. O mundo deveria ser o que imaginamos. Isso deveria ser mais pensado. O mundo não é o que é, ele é o que imaginamos.

Não vivo mais em cidade alguma, país nenhum, vivo num lugar que imagino, com florestas, cascatas, pessoas e animais, onde acontecem festas e eventos desagradáveis, mas todos frutos da minha imaginação. Por que deveria perder a oportunidade de criar eu mesmo um mundo melhor para mim? Minha cabeça é tudo. Aliás, dia desses eu falava que nós é que somos a nossa vida, mas estava imbecilmente errado: nossa cabeça, nosso cérebro é que é a vida.

Não precisávamos nascer e crescer como somos. Para quê? Unhas demais, dedos demais, membros demais, muito risco de doenças e mutilações. Bastariam nascer cérebros que se reproduziriam de forma mais inteligente e menos suada do que fazemos hoje. Os cérebros são a a vida. Uma pessoa sem cérebro não vive. Uma que tem o cérebro avariado tem uma visão distorcida da vida. Então o que somos? Cérebros. Quando eu tiver meu derrame, minha vida chegará ao fim, serei vegetativo ou mesmo uma pedra.

Poderíamos também ser pedras. Gosto das pedras e acho que não lhes damos o devido valor. A pedra é a coisa mais quieta desse planeta, não se mexe nem se altera, não interfere em nada quando não é mexida, provocada. Duas opções: ou um mundo não pensante de pedras [mundo esse com vidas muito mais longas, diminuindo a sobe e desce, o tráfego de almas] ou um mundo pensante, composto apenas de pegajosos e úmidos cérebros. O cérebro lembra um polvo. Somos macacos com um polvo em cima do pescoço.

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27.6.05

Não é isso

Vou sair e lembro da notícia do jornal que um senhor foi caminhar na praia... já tinha caminhado e estava entrando no carro para voltar para casa... um outro carro, na outra pista perdeu a direção, passou pra pista de cá e matou o pobre homem que tinha feito sua corrida na praia... quer dizer.. nada é nada.. já era um senhor e, com certeza, corria na praia por orientação médica, pra manter o corpo em ordem, o coração... e cai um jipe em sua cabeça!

Vou sair, mas pode cair um jipe na minha cabeça ou eu cair de cabeça num jipe ou, por não fazer o exercício que nem o falecido do acidente, posso ter um enfarte ou ser assaltado e levar um tiro mortal. Como se pode acreditar em alguma coisa assim? Não falo nem de acreditar em Deus, não, porque isso já é ir muito longe... se o médico mandar eu fazer caminhadas no calçadão eu vou lembrar do senhor que fazia as caminhadas e morreu exatamente porque as estava fazendo... se estivesse num bar tomando chope não aconteceria nada...

Vamos por um momento deixar de lado a 'Vontade Divina' e pensar um pouco aqui, na Terra, na real mesmo... não existe regra... é roleta russa, um jogo sem regras... O Lula passa a aposentadoria só para quem tem mais de 64 anos (embora ele tenha a dele desde cedo)...o senhor que caminha leva um jipe na cabeça... temos os juros mais altos do mundo e a África é uma guerra eterna regada à AIDS...

Eu sempre parto do princípio que tudo pode virar uma enorme caganeira porque o homem é muito próximo, é irmão da merda (sem o ventilador do Jefferson que aí o negócio é maior)...o homem, por ser como um canudo, se confunde um pouco com o cocô... um marciano não saberia nos diferenciar de um cocô como nós não diferenciamos um marciano de uma meleca (ela não me disse se meleca mole ou dura).. Então eu poderia dizer que não vou sair de casa pra não cair um ar condicionado na minha casa, mas pode me arrebentar um aneurisma e eu cair fulminado de cara nesse teclado...

Então... se é um jogo sem regras, entendo que não precise de ética porque ética está ligada às regras. Se não preciso de ética, entendo porque o jequinha incompetente de uma empresa pública pode mentir para angariar um cargo menor em nome de "conhecimentos" e simpatias partidárias. Se é assim eu acho justo que se pague mensalão e mensalinho e tudo o mais que se possa inventar. O mundo não é o que contaram pra gente, basta ler os jornais, basta ler o acidente que vitimou o senhor que caminhava no calçadão e estava entrando no carro para voltar para casa.

Fim dos exercícios, das caminhadas e da ética. Na próxima voto no Lula ou no Zé Dirceu....não.... Zé Dirceu é melhor porque não conhecemos sua verdadeira cara e nada mais legal do que votar em quem não sabemos quem é. Votar num homem que não tem rosto, num guerrilheiro (Terrorista, segundo o Bolsonaro) moscovita... Voto nele e vou à praia e fico na praia até não agüentar mais e depois leio meu livrinho, escrevo um diário e morro em paz, certo de que estarei à Direita de Deus Pai (eu, sempre à direita)
(e por causa disso, estorriquei, queimei os meus ovos. os meus não, os ovos)

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Talvez eu tenha brincado muito aqui, falado as coisas com esse modo destrambelhado que acaba levando à galhofa, ao risível. Sou mesmo risível e acho bom.

Mas a situação no Brasil está se torrnando insutentável, o Governo misturado com o PT mostram dia a dia mais sujeira e corrupção. O governo Lula foi o grande engodo que Ipanema vendeu ao Brasil. Ipanema, politicamente, morreu no ano de 2005. Lula também morreu. A "Carta ao Povo Brasileiro" foi o último engodo que Lula vendeu aos observadores internacionais. .

Mas tudo tem seu tempo e sua hora. Lula, conivente na lama, perdeu a moral e autoridade. Todos os esquemas, todas as transações ilegais, a roubalheira, que correm soltas no Planalto nesse simbiose ridícula e absurda de Partido e Governo chegaram ao fim.

O sonho acabou. A imprensa descobriu e não vai mais parar até o final. Revistas, jornais e televisões vão mostrando, dia a dia, hora a hora, todo o desmando e corrupção. Lula tem que abandonar o governo para que o País tenha a oportunidade de se reconstruir, despertar desse pesadelo. Não saindo, deve ser apeado do poder. Como Collor. Pior ainda do que Collor. Lula vendeu uma "bandeira" de honestidade, teve sua oportunidade.

Em cada esquina onde se reúnem pessoas há um desassossego, uma angústia, um travo amargo de decepção.... Era tudo mentira. Lula, como Zé Dirceu devem retornar às origens de Líderanças Sindicais à esquerda Festiva. As festas do PT em Santa Teresa, por exemplo, eram imbatíveis! A oposição irresponsável sempre foi o script que o PT desempenhou bem. Mais: por ser uma República das Bananas, a permanência de Lula põe em risco a recém conquistada democracia plena no Brasil

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Vida&Tempo

Não posso precisar o que acontecia naquela casa que dava de fundos para a minha. Mas sabia que algo não estava certo por ali, alguma coisa fora do habitual. Mistérios sempre me atraíram e achei que podia procurar entender mais o que acontecia. Essa casa veio revelar-se depois a casa em que eu nascera há tantos anos atrás e ainda era uma casa de cômodos como sempre fora e jamais deixaria de ser. Uma dor atravessa meu coração.

O que são as dores no coração? me pergunto em frente ao espelho. Muito antigamente, quando se achava que a terra tinha bordas, dizia-se que o coração não doía. O tempo e a ciência desmascararam essa bobagem. O coração dói de amor e dói de dor também. E o que é essa dor no coração? Já sei que há um longo percurso entre médicos especialistas exames complicados, doloridos, angustiantes e no final, na melhor das hipóteses, aqueles conselhos, regras impossíveis: dietas, exercícios, não fumar, enfim, um verme velho comendo alfaces!

O problema do homem não é o filosófico suicídio como quer Camus, o verdadeiro problema é que a vida não dá tempo. A vida não permite que a gente aprenda o que tem que aprender, que veja todos os filmes que deveria ver e quanto aos livros então! Porque a vida não mede, ela não raciocina. A vida é burra como um computador. Ela não "lê", não entende que as pessoas que trabalham precisam de mais tempo.

A vida não sabe mensurar que aculturar-se gasta tempo e dinheiro e se temos quase metade do nosso tempo gasto num trabalho inútil... resta dormir, comer e outras pequenas coisas...como viajar um mundo grande desses? Como destrinchar as bibliotecas que levaram dez mil anos para serem erigidas? O tempo é injusto e imbecil. Por isso, a única coisa que podemos fazer, a única reação que podemos ter é desconsiderar o tempo e tratar a vida como 'pacotes' a serem fechados, independente de qualquer coisa. Pacotes de dados como o 'tráfego na internet' para ser mais claro.

Não interessa o número de dias e horas que levarei para ler 'Guerra e Paz'. Tenho apenas que cumprir essa missão e ler 'Ulises' de Joyce e conversar com quem entende o que estamos falando... falar a mesma língua...um dia de conversa não é um dia perdido, é um 'pacote' que se fecha, que cumprimos, percebe? Claro que amanhã teremos outro pacote de conversa ou um livro ou um filme ou um passeio. Vamos somando, acumulando essas coisas. Só o trabalho é que muito raramente pode fazer parte desse todo... mesmo o trabalho artístico... não..... é encomendado. Não acho a arte encomendada relevante. E o trabalho sem arte estúpido!

Por isso o Brasil, por exemplo, não dá certo. Por causa da ridícula divisão de riquezas. Muita gente pobre, muita gente ignara, ( e ) muitos ignaros, o país não anda, não 'roda', 'trava'. Porque exatamente a vida não é dinâmica! É uma corrida... de qualquer maneira não chegaremos ao final porque é infinita e nós finitos. É uma gincana. A vida é uma gincana que alguns de nós resolvem participar.... Nem todos estão no jogo. Tem uns que estão no pagode. Esses não contam... e não é uma crítica... a vida não é para todos mesmo não... é necessário esse "fermento" que o povo dá à raça para conseguirmos esse conceito de 'humanidade'.

Mas o mundo é composto de alguns brasis... que são uma espécie de pequena troca de dados, algo inverso a alguma coisa como uma banda larga; não somos "banda larga", eis o nosso problema. Eu sei que ele é político, mas seja porque for, caímos na cultura. Na cultura do 'tráfego de pacotes' e aí dançamos e dançaremos sempre porque não somos "banda larga". Não adianta o desespero existencial [é verdade, eu sinto, não consigo controlar], mas tenho que ter consciência que não adianta porque a vida é feita de outra matéria do conceito tempo e não se somam bananas com laranjas.

Durante os dias trabalhamos e fazemos um pouco de tudo [nada útil porque o trabalho, em si, é inútil, é como o Mito de Sísifo]. Os finais de semana são para fazermos todo o resto, como se fosse possível "baixar" em dois dias os programas que levariam, no mínimo, sete para serem "baixados". É uma brincadeira que o homem inventou para prender o outro nas malhas do Mistério que gera a religião em violento atrito com a filosofia. E aí eu digo que se eu não conheço é porque não existe e todo mundo devia dizer a mesma coisa..... Ia facilitar porque iam existir menos besteiras no mundo. Se lemos jornais, revistas, vemos televisão, vamos ao cinema e à ópera, estraçalhamos livros e ainda não sabemos... é porque essa coisa não existe.

E se existe é leviano e ordinário, não devemos perder tempo tentando falar nem ouvir, nem entender nem nada. Deixemos essas coisas que não estão nessa órbita para o povo Royal, o fermento da nossa humanidade que corre tanto e não sabe que não está saindo do lugar. E como se poderia sair do lugar se a vida é um cercadinho de cercas brancas com um jardim no meio onde entramos por um lado e saímos, de qualquer maneira, pelo outro? Por favor, pensem bem antes de vir conversar comigo ou querer me patrulhar. Vai ter que falar dessas coisas, porque eu não faço por menos... Não por ser pedante apenas. Pedante (com razão) é o Caetano. Eu apenas tenho que fazer essas coisas... topei a gincana e preciso embrulhar, amarrar e despachar o maior número de pacotes. E são diversos tamanhos e formatos. Como se empacota uma ópera, como se empacota o suplício de Se Um Viajante numa Noite de Inverno? Como embrulho e amarro e despacho Bogard?

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26.6.05

Copacabana

Fico me perguntando o que todas essas pessoas estão fazendo dentro de suas casas. São casas simples, moro num lugar simples, pobre. Copacabana é como um pombal. Tem gente que se orgulha de morar em Copacabana e se comenta desse bairro até no exterior. Copacabana é um lixo. É suja, feia, com gente feia e velha. É um bairro pobre, mal tratado, primeira parada de quem vem dos subúrbios. É um bairro cheio de morros, tráficode drogas muito intenso e a orla da praia é um antro de turismo sexual infantil com seus correspondentes pedófilos, travestis, proxenetas e prostitutas.

Copacabana é o "cais do porto" onde não atracam navios. Tem aquela praia que foi famosa há séculos quando a cidade toda se concentrava onde hoje se chama centro da cidade. Copacabana tem excesso de carros, excesso de mendigos, de gente muito estranha, estrangeira, sobrevivente, muito pobre, muito velha. Gente que não tem como viver.... você está no carro vendo [sem querer] oa malabares, lendo o que está escrito no saco de balas que puseram no teu espelho e negando dinehiro a uma criança de três anos e vê na rua passar uma cabeça abaixo do seu vidro...são homens sem pernas que se arrastam em carrinhos de madeiras podre...Bombaim é luxo perto disso aqui...

Copacabana é podre como Itapoã. Copacabana é um retrato do Brasil que você olhando de longe acha legal, bacana e tal. Quando chega perto, não é nada. Te roubam desde celulares até moedinhas de cinco centavos... tem umas feirinhas chinfrins de "artesanato" (quá quá quá) que servem de cobertura para a venda de maconha e cocaína com o beneplácito da prefeitura através da guarda municipal

Não é falar mal, é dizer a verdade. É não mitificar o que não é. Ipanema por exemplo, embora tenha uma gente imbecil e essencialmente comunista, é melhorzinha. Mas Copacabana? Lixo. Dez vezes lixo. More em Vila Isabel, na Mangueira, na Glória, em Caxias, mas fuja de Copacabana. É um bairro de mentira. Nada em Copacabana é verdadeiro. Copacabana é o que restou a quem foi classe média há 80 anos atrás. Hoje é lembrança. Triste lembrança.

Até o nome Copacabana é feio. Coisa de índio (e para quê serve um índio?) Tem gente que não pode morar nem em Xerém, mas quer morar em Copacabana. Vem morar naqueles quitinetes ali da Barata Ribeiro...antro de travestis, gente que vive de forma ilegal no país, tudo o que há de ruim, promíscuo, sujo, podre. A escória da humanidade mora nos primeiros postos de Copacabana. E, quando estão no subúrbio de uma cidadezinha do interior do Piauí, enchem a boca e dizem que moram no Rio, em Copacabana. País de jecas ao cubo!

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Eu, cada dia mais idiota, apesar
da hora, já estava quase completamente vestido para ir à terapia. Não sei bem o porquê, me toquei que hoje é domingo e tive que me despir novamente [do sono inclusive]. Só não consegui tirar foi e anorrme dor de cabeça;
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25.6.05

Fugas & Terapias

Quando vou ao terapeuta fiz, antes, uma longa viagem dentro de mim. Quando o analista faz-se urgente, a viagem é mais curta. Mas sempre há uma viagem. Porque tudo está em mim. Já repeti milhões de vezes que a vida não seria vida sem mim e o terapeuta não seria terapeuta. Se eu não fosse, ele não teria a oportunidade de conviver comigo e meus questionamentos e conclusões.(Portanto, aprender muito comigo)

Acho que dou ao meu terapeuta mais do que ele a mim. Não só eu. Acho que todo mundo que faz algum tipo de análise ou terapia deveria receber e não pagar porque está municiando, está ensinando ao terapeuta. De que adianta o camarada estudar vinte anos se ele não sabe como posso transformar minhas emoções? Como me auto transformo e como volto atrás. Meu terapeuta nada sabe da possibilidade de ser contraditório sempre.

Os terapeutas não são contraditórios e não enlouquecem jamais, E de que adianta? O homem que não enlouquece não vai dentro de si, não descobre imagens, símbolos, verdades e inverdades, cenas de pavor e sangue, beatitude a amor. O homem são é um doente mental sem sombra de dúvida! O que se finge são é um doente e filho da puta.

Mas e o terapeuta? Ele tenta mostrar caminhos da realidade imposta pela sociedade, ele mostra maneiras e alternativas de viver bem [ou um pouco melhor] dentro do que temos. Quando temos uma desgraça, ele tenta minimizar [o que é um absurdo!] porque as desgraças são para serem vividas e choradas e gritadas. As desgraças devem nos dar as mãos e conduzir ao suicídio. É desesperador você ver um terapeuta minimizando problemas e desgraças. Se eu fosse terapeuta, choraria junto com o analisando, tomaria Prozac junto com ele.

A função do terapeuta pode ser a de colocar as coisas no tamanho real, quando estamos valorizando mais uma coisa, quando estamos vendo os problemas e as situações maiores do que elas são. No mais, não, no mais terapeuta tem que ser médico para nos medicar, pra não deixar ter insônia, ansiedade e depressão. E essas coisas são melhoradas ou acabam somente através da química simplesmente porque somos, essencialmente químicos.

Mas não estou falando mal, gosto dos terapeutas. Acho apenas que são errados, não deram certo, acham coisas que não são, vivem num mundo fantasioso, quase poético mesmo porque todos beberam na mesma fonte de Freud que era antes de tudo, poeta. A terapia me auxiliou, passei a ver as coisas na sua justa medida [ainda hoje, vez por outra dou uns escorregões, umas recaídas], mas não nego que tenham ajudado. Todavia, nunca tive sono por causa de uma descoberta na análise: tive sono porque tomava remédios para dormir. Nunca deixei de sentir depressão pelo que o terapeuta me dizia: deixei de ter porque tomava os remédios adequados.

Acho bom a gente saber das coisas certas na vida, a gente estar mais ou menos situado pra não se perder em devaneios. Conheço uma mulher que canta num coral, faz aulas de dança, lê para cegos, faz ginástica e dá plantões como voluntária em hospitais. O que acho dela? Uma idiota. Completa imbecil que não faz nada disso por vontade e sim porque não sabe viver consigo, tem medo de se olhar no espelho. Precisa estar ocupada fazendo alguma coisa o tempo todo. Se olhar para si mesmo, desmonta. Não é útil nem boa, é inúitil e lamentavelmente fraca.

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Como disse aí embaixo, quero agora ter uma visão mais consistente do sociólogo. De cara, gostaria de deixar aqui um pensamento bacana:

"Dizem - depois do mais belo livro, depois da mais bela mulher, do mais belo deserto que já se viu: Aqui começa o resto da vida.
De fato, outra coisa acontece - outro livro, outra mulher, outro deserto - e o resto da vida é a vida outra vez.Era apenas a ilusão do fim.
A esperança de um horizonte definitivo, que marcasse o anterior com uma qualidade irrevogável - nem isso parece possível. New Deal of Life. New Deal of Desire."
Jean Baudrillard

.... bem legal.
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Sono, falta de, pinga gotas & troca de idéias

Estão acontecendo alguns processos de desfragmentação neuronal em mim. Sei que muita gente sofre com isso, mas comigo é a primeira vez. E como, de resto, vai sim aqui no Meu Querido Diário porque as três pessoas que lêem aqui têm que saber não só porque é de seu direito, como para ficarem informadas e, de repente, interagirem aqui ou lá com quem passe por situação análoga.

Eu passei o dia inteiro de ontem dormindo e acordando. Dormi mais de quatro vezes. Porra isso é um saco, enlouquecedor. Os patrulheiros ignorantões e jecas que gostam de meter o pau em mim sem saberem de nada logo dirão: tranqüilizantes em excesso. Pois cagaram-se. Não tomei nenhum. Não tem nada a ver com ingestões químicas e sim com um descompasso qualquer. É claro: eu vou ver com o não menos evidente profissional: um médico.

E por que conto isso aqui? Pelo mesmo motivo que falei do quanto Dom Artur é genial e recebi várias cartas me falando dos seus gatos, das suas experiências, das coisas que achavam que só aconteciam com elas, que tinham vergonha de contar ou, ao contrário, já sabiam há muito tempo e vieram me ensinar. É para essas pessoas que escrevo e não para os formadores de opinião inteligentérrimos e de uma cultura vasta como vários universos em fila de Ipanema. Para esses, deixo o Lula...

Gosto de falar com gente igual a mim ou que esteja um pouquinho abaixo o à cima nas idéias e conhecimentos. Nem que seja para os internos do Pinel. Por que não? Por que um interno do Pró Cardíaco é normal, é aceito e do Pinel não? Me digam! Por que? Pois então é isso. Existe um distúrbio qualquer do sono que nem causa um excesso de dormir nem uma insônia severa. É esse pinga gotas de dorme e acorda. É muito chato. Quando eu tiver uma opinião profissional, contarei aqui. Se alguém sofre ou conhece quem têm e sabe o motivo, por favor, cartas ao editor ;)
(E Dom Artur ali, solidário, sem cara de TPM!)

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24.6.05

Vega e a Ameba

Não estou conseguindo juntar muito bem as pontas dessa história toda. Tem alguma coisa no ar, alguma coisa grande, algum movimento que não sei para que lado está pendendo. Como o submarino que estive noutro dia. Ele jogava, mas era diferente. Não me pergunte porquê, mas o jogar de um submarino não tem nada a ver com o de uma escuna, uma bóia, um bote ou um transatlântico.

Pois assim são as coisas e assim é a vida. Por estarem num mesmo ambiente [mar], por rodarem dentro de um certo espaço virtual, coisas, fatos e pessoas tendem a se misturar. Cabe a nós não permitir que isso aconteça. E por que falo disso? Simplesmente pela auto-observação. É fundamental que as pessoas se observem e percebam como estão jogando e o quanto e onde vai parar tudo isso.

Dizem que o Sol vai em direção à Vega o que, numa equação simples, me diz que eu estou indo em direção à Vega muito embora por uma questão aritmética e de probabilidades mil, dizem ao mesmo tempo que jamais chegarei à Vega. E se não chegarei lá, o que me interessa saber em que direção estou indo? Se me dizem que é em relação à morte eu compreendo porque sei que não sou eterno, mas dizerem que nosso arquipélago espacial vai em direção a tal estrela para daqui a bilhões de anos luz....por favor!

Meu mundo é agora. Na verdade ontem. Meu mundo foi isso que acabei de digitar, meu mundo é um findar eterno, sou um aplicado aglutinador de passados que fazem um eu que aparenta ser presente, vivo, atuante, quando não é nada disso. Até eu mesmo me engano quando falo dessas coisas. Todos nos enganamos e aí eu discordo da maioria porque responsabilizo a falta de arte, de estética que nos empurra para esse mundo utópico de considerações banais, coisas que desconsidero [simplesmente]. Nossa trajetória em busca de Vega assemelha-se a nossa trajetória pela vida. Não é importante, não tem valor, é irrelevante. O homem é irrelevante justamente por ser homem e estar vivo. A relevãncia humana só é completa com a sua morte, pensem bem! Vivo, faz parte de uma procissão de mortos que caminha pelo árido nordestino. O norte e o nordeste não existem. Fazem procissão por ignorância mesmo.

Meu mundo é uma cérebro avariado, mas ainda assim cheio de recordações. Recordações essas que concordo que não valem absolutamente nada. Concordo mesmo. Mas são o meu mundo, a minha vida. De que valem as coisas? Uma dia, por esses acasos, fui instado a apertar a mão dessa eminência parda, esse arremedo [ris´vel] de Golbery que é o Gushikem. Franzino, quase morto. Verde. A mão que saía do paletó parecia realmente muito com uma ameba (ver A Náusea) e era fria, lisa e sebosa como a bariga de uma rã.

E, diante dessas coisas todas, de que me adianta aprender que o Sol está indo em direção a Vega? Pouco me importa.

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Como não estou lendo direito, na velocidade certa, com rítmo e disciplina, os livros estão se amontoando ao meu lado... e eu quero falar deles e não posso.
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Discordo de muitas coisas de Baudrillard, inclusive essa bobagem dele ter influenciado tanto assim os autores de Matrix.Se precisaram tanto da sociologia de Baldrillard é porque são ignorantes. Deviam antes, ler Platão. Como não sou de todo burro, entendo o que querem dizer, como foram beber em Baudrillard sustentação sociológica/filosófica para o que Borges já falava a milhões de anos. Mas tudo bem, qua cada um busque suas referências onde bem entender. E não estou satanizando Baudrillard não. Ele é interessante, percebe muitas coisas bacanas do mundo que vivemos. Dei uma passadinha na livraria e me municiei de momentos vários do pensamento de Baudrillard... sinto-me melhor assim para falar bem ou mal..
Porque tem uma coisa muito séria por trás disso tudo. As pessoas incultas se fascinam muito com a maneira com que determinados autores, filósofos escrevem. São um deslumbradinhos de plantão! E isso é lixo. Não me interessa as formas de desenvolver um pensamento de Baudrilard por exemplo. Interessa o que ele está dizendo... filósofo [sociólogo] midiático? ... não sei não. Ainda. Volto a ele, podem deixar.
Só uma coisinha; A idéia e a feitura de Matrix são muito boas, excelentes mesmo, mas uma parte da juventude cultua Matrix como algo além do cinema, como uma possibilidade mística... aí é bobeira de adolescente imbecil;.Matrix não passa de um bom filme
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A Pandora, Dom Artur e Neruda (o poeta)

Fátima G. é uma das poucas pessoas que ainda conseguem ler essas coisas, esses 'espantos' que publico aqui. Mas é uma ótima leitora porque sabe do que estou falando e se corresponde comigo. Fico muito feliz e tenho aprendido coisas com ela.A última dica que ela me deu é que Dom Artur não é um ET nem eu estou louco: gatos são legais com pessoas sim. Gatos são mais verdadeiros do que os cãe que vivem se oferecendo para os donos.

Falou-me incluside de uma poema de Neruda chamado Ode ao Gato. Fui procurar o poema e três livros depois, estava com 'O Rio Invisível' nas mãos e na da Ode ao gato. Acanbei por encontrar quenaod já estava à beira de um ataque de nervos, na Antologia Poe´rtica de Neruda (no Original).

Começa assim:
"Los animales fueram
imperfectos, largos de cola, trsites de cabeza.
poco a povo se fueram componiendo
haciéndose paisaje,
adquiriendo, lunares, gracia, vuelo.
El gato,
sólo el gato
apareció completo
y orgulloso:"
E por aí vai, lindo, super bacana que não lembro se nunca li ou se tinha esquecido.
Valeu então ao Neruda, ao Dom Artur, a Pandora (gata de Fátima)e
especialmente à Fátima que vem aqui me 'recolocar nos trilhos'!
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Papiros


Venho reparando que escrevo pouco, que minha produção diminuiu muito aqui em todos os sentidos, principalmente na qualidade. Em compensação a textos mais elaborados tenho falado muito em cartas que recebo e esse é mais um desses casos. Não sei se errei mais quando deixava as cartas de lado e continuava como um autista ou se agora, que me prendo às correspondências. Realmente não sei. Talvez o tempo diga.

Mas o que é tudo isso? É uma tentativa de equilibrar as coisas, de fazer com que todos os pensamentos sejam colocados nos lugares corretos. Se escrevo menos aqui, estou escrevendo muito mais nos cadernos. E agora, além dos textos diários dos cadernos começo um outro com fragmentos, recortes da minha vida.

Poderia fazer aqui (e talvez faça), mas num blog fechado. Posso ter uma cópia da biografia original do caderno também aqui num blog indisponível. Será uma boa idéia? Dar a senha a uns poucos. Não sei. Não sei, principalmente se é justo porque tem um bocado de gente que vem acompanhando tudo o que o Sobretudo de Lona tem vivenciado e contado. Todas as loucuras e todas as bobagens.

Por que deixar de narrar tudo aqui, num espaço aberto? Não tem nada demais e tem tudo de proibitivo ao mesmo tempo. Porque eu sou mais do que o Sobretudo de Lona ou sou muito menos do que o Sobretudo de Lona, não importa. O Sobretudo é apenas um dos meus eus. Uma parte que é importante, mas não é o todo. O todo tem partes mais legais e partes muito piores. E entra minha individualidade, os segredos que humanamente todos temos.

Falo dessas coisas desinteressantes, em mais um não post porque vem mais um grupo de cartas reclamando que a produção diminuiu. Não dizem nem que piorou, falam muito mais na diminuição. Mas, deus!, eu não sou uma usina, não sou um escritor o tempo todo, tenho outras atividades e principalmente, escrevo coisas diversas em lugares diversos
.
Releio tudo o que escrevi e vejo que não estou sendo claro. Dá agonia, pânico quando a gente escreve numa boa, querendo explicar uma coisa e não consegue. Junta um monte de letras, depois um monte de palavras

Talvez seja um momento em que estou confuso ou talvez esteja seco, como já escrevi aqui. Ou talvez não seja nenhuma dessas coisas e sim porque sou assim e pronto. Realmente não sei. Não sei nem se esses blog é realmente um blog no sentido exato da palavra [e já questionei isso aqui]. Ora, eu não sei mesmo as coisas, vou apenas fazendo e é exatamente o que vou continuar: fazendo. Sendo. Sendo. Estando. Procuro estar. Se consigo ou não, realmente não faço a mínima idéia. E, pra ser sincero, não me preocupo não.

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23.6.05

Matar-se é fazer poesia!

Dias chuvosos são deprimentes e dias de sol despertam nossa vontade de viver! Esse é um comentário que se escuta muito, aqui e ali, mas não entendo o porquê. Tudo bem, já sei que numa determinada época fizeram uma estatística que comprovou que havia um número significativamente maior de suicídios nos dias chuvosos

Eu não acho. Acho que a pesquisa deve estar certa [afinal, para que servem as pesquisas?], mas acho que a coisa não é tão simples assim. Vejo pessoas atravessarem longos períodos de melancolia em dias chuvosos [inclusive Cantando na Chuva*]. E outras tantas estourarem os miolos em radiantes manhãs ensolaradas. Tem gosto pra tudo. Fico pensando que a questão não é o dia e sim a pessoa ser suicida ou não.

Ora, vamos e venhamos...um suicida que se preza, daqueles convictos, de carteirinha, que constataram ali, na ponta do lápis que viver não vale mais á pena vão esperar o tempo ficar nublado? O outro tipo, o que se mata de impulso, por causa um choque muito grande, ele vai esperar o tempo escurecer? Nada, ele pula na hora. Acho que suicídio digno, o planejado, não tem dia nem hora e muito menos clima.

Essa história toda vem que eu estava conversando com um amigo meu que dizia que ficava muito melancólico quando o tempo estava ruim. Isso sim! Melancolia. Realmente, você estando sem projetos, sozinho, triste, os dias cinzentos nos tornam mais melancólicos. [O Homem Púmbleo!] Até porque a melancolia é como a felicidade... se alterna e sempre temos alguma melancolia como sempre temos alguma felicidade.

O suicida não tem nada com isso, ele é um forte, é um camarada que racionaliza o mundo e a vida e não está aqui para ser pego pelos acasos, como fazem todos os outros "morrentes".... O suicida diz que para ele acabou, que cansou daquela vida e que agora não vai mais viver. Toma a atitude de se matar, a atitude de abandonar o barco da vida, de dizer chega. Sim, é um forte e, na maioria das vezes culto e sempre inteligente. Não existe suicida burro.

É porque a gente é preguiçoso e não pensa nas coisas que vê, ouve e fala. Ora, o suicídio é uma decisão mais importante do que o nascimento, transcende as obviedades dos humanos e nasce de uma longa reflexão filosófica. Matar-se, vejam, é fazer poesia! Me diga uma poesia mais forte do que o ser humano que filosofa e conclui que é melhor estar morto. Digam outra tese filosófica mais firme, mais embasada, mais lógica, de mais ação. Não existe.

Camus diz que a grande questão filosófica é o suicídio. Ele percebe isso e nos deixa uma frase meio solta, que passa desapercebida porque a gente lê Camus desapercebidamente. E isso aqui não é um estímulo, ao contrário, é uma ode à vida, ao não suicídio, a sequer pensarmos nele porque está distante de nós. O suicídio pode ser um mal necessário, mas reparem que está sempre ali na frente, chegamos sempre perto, mas ele está mais um pouquinho a frente. Até tentamos, mas raramente conseguimos. O suicídio pode ser um ato de bravura ou de uma estupidez tão imbecil que é até bom que o desgraçado morra mesmo, porque é menos um ignaro na face da Terra.

Bom, o suicídio existe, sempre existiu e duvido que alguém deixe de dar cabo da própria vida. Só não acho importante, relevante, não acho que tenhamos que ficar pensando nisso e naquilo, em dias chuvosos ou ensolarados nem em pacientes deprimidos. Suicídio é outra história. Não tem a ver com doença nem tristeza. Suicídio é atitude política.

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Ainda, novamente e sempre, Dom Artur

Nos meus cadernos eu me sinto muito mais à vontade e fico me repetindo à exaustão. Aqui eu me repito muito também, mas é sempre muito menos do que lá. Queria falar uma coisa do Dom Artur que pode parecer brincadeira ou Meu Querido Diário, mas não me interessa, acho que é importante relatar e insistir, ir mais fundo na descrição.

Eu sei que eu já falei tudo, mas ainda quero insistir porque nunca vi uma coisa igual [pode ser até comum], mas eu nunca vi igual. Além do Artur levantar comigo e ficar sentado perto de mim, me fazendo companhia e carinho [e pedindo carinho] ele vai muito mais além. Já disse aqui que para o canto que eu vou ele vai atrás. O que não me lembro é se contei que, quando sento na escrivaninha para escrever, ele se deita em cima dela, bem perto de mim, abraça um dos meus braços com as patinhas e deita a cabeça quase no meu punho e fica ronronando. Sempre.

Eu posso estar aqui embevecido com uma retumbante obviedade, os gatos (ou alguns) podem mesmo fazer isso em seus donos e não ser tão estranho assim. Mas tenho que falar porque nunca vi nada igual, nunca li nenhuma descrição assim e nunca ninguém me relatou isso. Porque é uma atitude maior do que ser solidário e ficar junto na insônia. Não. É um ato manifesto de amor, de carinho esse negócio que de se abraçar no meu braço. Nunca recebi uma manifestação assim de nenhuma mulher, nem de mãe nem dos filhos. Talvez por isso eu esteja tão impressionado.
(Se isso acontecer com mais alguém [especificamente com gatos], por favor me escrevam e me mostrem que meu gato não é um ET nem um santo).

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Sem Nome Título

(Esse texto não foi escrito originalmente para o blog, por isso não tem nada a ver)

"Ao contrário do que pensam, não gosto de falar de autores. Gosto deles e não de falar deles. Faço porque estão muito presentes em mim, fazem parte do meu dia a dia, da minha vida e por mais que tente não fazer, acabo por capitular. Conheço muita gente que tem enorme capacidade de decorar poemas, passagens de textos, frases, pensamentos etc. Morro de inveja de todos, mas sou incapaz.

Muitas vezes estou falando de uma coisa e me lembro de situação idêntica que li em algum lugar. Às vezes sei o lugar e às vezes não, às vezes lembro o nome da obra ou não, do autor ou não. Como já repeti milhões de vezes é a degenerescência do cérebro, o entrar em anos de um corpo muito surrado.

Seria injustiça dizer que nesses 50 anos meu corpo foi muito surrado pela vida. Não é verdade. O que meu corpo tem de acabado e surrado deve-se exclusivamente ao uso indevido, aos excessos que cometi. Usei e abusei de mim como se fosse um eterno super homem. Um dia iria diminuir minhas atividades e este dia está chegando.

Da mesma forma em que demorei a dar conta de como o corpo ia parando, ia cansando, ao contrário acontece agora quando dia a dia vejo mais e mais minhas limitações físicas e intelectuais. Limitações mostram-se e caminham céleres. Às vezes me causa um certo desconforto, mas não pânico nem mesmo medo.

Sempre lidei muito bem com a possibilidade da morte, sempre vi a morte como resultado máximo, último, uma espécie divinização da vida. Acho que a morte está sempre próxima e distante, como uma brincadeira, um jogo de esconder, um quebra cabeças místico onde uma deus daria as cartas ou embaralharia as peças. Não esse Deus com D maiúsculo, mas uma dos vários deuses menores que cuidam do dia a dia do destino,"

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Sonhos

As insônia estão ficando cada vez mais recorrentes. Durmo à meia noite e acordo às duas da manhã com um puta pesadelo que não quero contar aqui [anotei em outro lugar]. Tudo muito estranho. Por que estou dormindo tão pouco?

Por incrível que pareça estou realmente preocupado com o Artur, coitado, que acorda junto comigo, assustado. Ele está acostumado a dormir as noites inteiras e não deve estar entendendo nada do que está acontecendo. Acorda assustado e fica agitado. Levanto e coloco ele na cama pra ver se ele dorme de novo, mas não, ele vem pra sala me fazer companhia.

Que doideira isso!

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22.6.05

Os Cantores do Presidente

Rola uma piadinha chinfrin que Lula andou contando em Brasília e que virou manchete nos jornais. Diz assim: " Ninguém tem mais autoridade moral e ética do que eu para combater a corrupção". Será mesmo? Mesmo como piada?

Ora, ora: se tivesse, seu governo não seria esse mar de lama [ou Tsulama como escreveu magistralmente o Miguel Paiva], de lama, eu dizia, e de corrupção que estamos vendo por aí [ ainda não apareceu todo - vem muito mais!]. Só vi governo bandalho igual na época do Collor que, pelo menos falava sem me doerem os ouvidos.
Na piada Lula quer dizer que o governo Fernando Henrique era mais corrupto que o Governo de Lula? Fico perguntando tudo isso porque também quero rir da piada!

Como já disse, só não temos show de caras pintadas porque Ipanema não quer, a elite de Ipanema [que manda no Brasil] - não suporta um 'mea culpa' tão forte. E show por show andam preferindo as 'canjas' que o nosso Super Ministro da Cultura - o 'Domingo no Parque' - Gilberto Gil, oferece em cada aparição.

Parece que agora tem duas correntes: os que preferem ouvir Gil cantando ao invés de incentivar a Cultura e os que preferem ouvir Roberto Jefferson que, a meu ver [e de muita gente], canta melhor do que o Gil e não tem a pretensão de ser Ministro da Cultura (e ainda bota a boca no trombone mostrando a roubalheira, as maracutaias - para usar um termo caro ao Presidente - que não páram de pipocar!

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"A Sombra e o Vento" de Carlos Ruiz Zafón foi best seller na Espanha e na Alemanha. Estou lendo. É bom, mas nada de excepcional. Me aconchego mais com a "Antologia de Prosa" de Augusto Frederico Schmidt, crônicas que posso saborear com mais vagar [inclusive intercalando com as 'Confissões de Um Reacionário' do Nelson Rodrigues que leio com parcimônia para não acabar logo - sem falar na gracinha que eu fiz de comprar pela internet [para testar esses meios de compra na infovia] de "A Misteriosa Chama da Rainha Loana" de Umberto Eco [que, pelo cheiro, não me parece bom não].
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Separação de Corpos

Eu andei levantando tão cedo [tipo antes das três da madrugada] que Dom Artur, que não é bobo nem nada, parou de dormir naquela cama de rainha do século XVIII que eu tenho. Sim, a minha cama é de filme: enorme, com um puta colchão de molas que você deita e afunda. Uma belezura [principalmente pra quem tem hérnia de disco: o dia que o médico souber, vai querer me operar todo ano], mas nem ele vai saber nem eu vou operar nada porque sangue de Cristo de tem poder!

Pois é verdade, minha cama é a única coisa boa que eu tenho (agora esse tecladinho aqui é o segundo lugar dos meus bens!). pois então, aquela cama espetacular, aquele monte de travesseiros e edredons, tudo aquilo, todo esse luxo (não parece de casa de bichinha?), Dom Artur abandonou. Ele é gato, mas não é burro. Mudou-se de malas de bagagens para a [não menos confortável] poltrona da sala.

Com esse negócio de levantar de madrugada e não deixar o bicho dormir ele pensou: "o quê?! O cara aí ficou maluco e eu é que não durmo?!" - Pois assim foi e ele tá brigado, dormindo na sala. Mas continua fazendo a farra de sempre e agora, pra me sacanear, ainda está indo lá dentro me acordar. Como Vidas Secas*, ainda escreverei um livrinho que terá um gato [ao contrário da cadela Baleia] como personagem importante, mas sem aquela pobreza, aquela desgraceira tão bem contatada por Graciliano Ramos.

Aquela desgraceira toda eu vejo no Jornal Nacional, no Globo Repórter ou nos emocionantes e lacrimosos [como a novela O Direito de Nascer], dizia, nos relatos banhados em lágrimas do nosso Lula falando se sua triste infância.

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Vida

Nessas madrugadas boas e frias fico imaginando que talvez Vinícius não tenha tido a dimensão exata quando escreveu Por que Hoje é Sábado, a importância do verso A Vida vem em Ondas. Talvez soubesse, talvez falasse aquilo por um motivo, pensando em alguma coisa específica da sua poesia ou métrica ou rima. Talvez depois tenha se dado conta da importância desse verso, mas não tenho certeza, acho que ninguém jamais poderá ter.

Porque pensando bem, isso completa uma série de lacunas, de atropelos e pesadelos que temos e não sabemos como encarar. Todas as respostas da nossa vida, olhando com cuidado estão em A Vida vem em Ondas. Está dito. Não é como vivemos ou pensamos que vivemos. Não. Importa o que a vida não é, a vida está vindo. Sempre.

Ela [a vida] parece que não existe, está para vir, nasce entre o momento que penso e o que teclo. Teclada, [a vida] já é passada, não é mais original. Minha vida é um porvir que [se] aparenta infinita, mas pode findar-se a qualquer momento.

Sinto-me preso por uma linha tênue como uma aranha, ali, solto no espaço e essa linha é meu cordão umbilical com a vida. Pode durar mais vinte anos ou mais vinte minutos. Assim somos todos nós, mas nos enganamos: rimos disso, fingimos ter certeza de que não é assim exatamente para poder rir e gargalhar da precariedade de tudo.

Pois a mim podem rotular do que quiserem e bem entenderem porque continuo não vendo graça em nada. Podem me chamar de casmurro, chato, deprimente, niilista, pouco me importa. Mas não quero ter o riso fácil de quem está achando boa uma situação que não é [está.] Agora mesmo uma pessoa me deu esse exemplo. Ela ri, mas não está bem. Fachada? Por que eu tenho que fazer fachada para o mundo? Olho com a cara que me aprouver e quem não quiser que olhe para o outro lado ou me mande embora para casa.

Na boa, se realmente, como acredito cada vez mais, A Vida vem em Ondas, o que eu mais quero é que na próxima Onda me mandem para casa por completa incompatibilidade entre eu e o mundo [desse vagabundo aí]. Não sei se já tive [acho que não], mas agora não tenho nada a oferecer a não ser traumas e mazelas. E disso a vidinha já está cheia. Vantagem para ela e para mim.

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21.6.05

a saída

Os jornais se amontoam, todos sem serem abertos, sem serem lidos, como num sinal veemente a mim mesmo, um sinal que clama, que é mais que sinal, um aviso de perigo que se avizinha, que me diz que tenho que ler, tenho que saber quem nasceu e quem morreu, como vai a política, a economia e os esportes.

O jornal fechado com sua cara de novo e data de quatro dias atrás pergunta o que estou fazendo, para onde estou indo e se acho que isso tudo vai dar certo. Não sei o que responder e ele mesmo me responde que não adianta, que não vai dar certo porque só ele, jornais, e eu estamos vendo a desorganização que está aqui dentro, o clima de insanidade, que o mundo não vê isso, o mundo não quer saber.

O mundo é apenas mundo, massa amorfa sem pensar nem sentir. O que mais poderia ser?... e as pessoas todas correm lá embaixo atrás dos seus trens, vans e ônibus, todas com seus objetivos traçados e nenhuma delas pensando nem sentindo como eu porque elas têm mais o que fazer, querem resolver como curar a pneumonia da criança na fila do SUS e isso sim é um problema. Me olham e perguntam: ou não é?

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Noturna II

A madrugada fria e de grande temporal prenuncia que a coruja não se recolherá porque recolhida está, não saiu hora nenhuma, deixou a floresta órfã seu seu olhar atento, sem o cuidado de ontem nem o de amanhã. Porque hoje não será ontem, hoje é um dia diferente, solto no espaço onde a esfera Terra leva uma chuveirada, onde as ruas estão alagadas, o trânsito parado, os maníacos de olhos esbugalhados. Nos hospitais existe um desconforto que os enfermeiros não sabem como acalmar, existe um arrastar de pés [e correntes] em todos esses lugares onde apenas seres perambulam de nada para lugar nenhum, um tempo em que os enterros são adiados porque as carpideiras se negam a chorar com os ossos tão molhados, onde o padre não arrisca sua batina na lama, onde as mães têm pressentimentos ruins com seus filhos, os telefones emudecem, as canetas secam e os computadores páram. Tudo parado, numa expecativa metafísica, uma pergunta de olhos imensos que bóiam em órbitas sôfregas, dementes e perguntam se o dia realmente é hoje. E lá vem o coral de demônios com suas flautas e pandeiros a cantar que sim, que todos os dias são dias que hoje é um dia, o dia final [quem sabe?], mas sempre um dia. Cantam e seguem sorrindo [para a platéia] não percebendo que o céu não fica mais claro, que a madrugada insiste, clama em não partir, que as ossadas aparecem [reviradas e muitas vezes num abraço mórbido] nos cemitérios onde a terra é revolvida por tanta água e onde há apenas uma viúva, [muito] magra e molhada, com flores murchas na mão, olhando as tumbas, sem saber ainda o que perdeu exatamente.
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Madrugada

Dia estranho de grande temporal como a anunciar que a nova temporada será toda assim, de dilúvios e enchentes, de transbordamentos do espírito e do self. Vou, não sei para onde nem fazer o quê. Vou porque vou, nessa chuva inclemente, nesse ar de desgraça, nesse céu ameaçador que me diz "Não vá" enquanto os demônios, amontoados num grupo fétido, cantam num coral afinado que devo ir sim porque a redenção de tudo o que fazemos está em nos jogarmos na chuva para ver o que acontece, para entender todos os que passaram pelo purgatório [ao logo da eternidade] sem a consciência que depois de lá, só o inferno, meu amigo, só o inferno...
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20.6.05

Fantasmas

De umas semanas para cá, acho que minha casa está mal assombrada. Sério. Meu apartamento tem dois quartos e um deles ainda está vazio porque ainda não resolvi como vou arrumar. Então ele ta lá e pronto. Já serviu de pouso pros meus filhos João e Tadeu.

Algumas vezes ao passar por ele para ir ao banheiro ou ir ao meu quarto, me pareceu ver uma espécie de vulto que passava rápido sem que eu visse e é claro que atribuí á minha imaginação. Só que isso está virando uma constante. E mais.

Inúmeras vezes já me peguei fazendo silêncio ou tomando cuidado como que para não acordar quem estivesse ali. Não chega a ser uma alucinação, é um pensamento muito rápido, mas acontece.

Outras vezes é como se tivesse alguém que mora ali, mas não está ali naquele momento. São sempre lampejos e não um pensamento constante. Consultei um profissional que me afirmou que isso não acontece por questões psicológicas, o que me leva a crer que eu e Dom Artur moramos com uma ou várias criaturas do além. Enfim, podia ser um vivente chato, o que seria muito pior.

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Toupeirice nacional

Para onde ir? Acho que é a pergunta que as pessoas mais se fazem, mesmo inconscientemente. À cada passo, cada atitude, voltamos: para onde ir? Que rumo seguir? Vejo com muita irritação e desprezo mesmo gente que se pretende ter soluções e verdades.

Sou de uma cara de pau, de uma falsidade à toda prova quando converso com pessoas cheias de verdades, cheias de si. Faço aquela minha cara neutra (defaut) e fico olhando e rolando de rir por dentro. Pode ser um parente um amigo ou inimigo. Não dou nem bola. Na maioria das vezes fico conversando com essas pessoas no piloto automático: não sei o que estou falando e muito menos faço déia do que estou ouvindo. Como disse, simplesmente não estou ouvindo.

E diria mais. Isso é com a maioria das pessoas porque a maioria das pessoas é assim, cheias de verdades e de conhecimentos. Pode-se conversar com uma pessoa cheia de conhecimentos? Admitir que sabe muito é o sinal claro, a senha de quem não sabe nada. E como vomito em quem não sabe nada (agravado por achar que sabe tudo), fico ali com aquela cara de árvore e aquele sorrisinho que penduro na boca [falso que só mesmo o idiota/sábio não percebe]. (Aliás ler "O Idiota" de Dostoievski foi um choque de conhecimento na minha vida! Eu sou li porque trabalhava na novela O bem Amado e um dia o Lima Duarte me disse que compôs o seu excelente personagem Zeca Diabo, calcado n'O Idiota....)

Assim vou levando a vida, vou me esquivando desse tipo de gente, dessa maioria ordinária, amorfa, jeca. Dizem que é uma anormalidade viver assim distanciado das pessoas, no que concordo plenamente... queria saber se é normal conviver com a toupeirice nacional.

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meu estômago queima depois de tomar 15 xicaras de café
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CONFISSÃO

Sempre sacaneei a minha mãe por falar com os cachorros. Pois eu, agora velho, falo pra caramba com Dom Artur.
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A pergunta que não quer calar

POR QUE LULA AINDA NÃO RENUNCIOU?
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Agora Dom Artur

Agora que me instalei (com todosos meus ruídos e barulhos na sala), Dom Artur foi pra minha cama, ver se dorme na santa paz. Mas nada, cochila e volta para a sala, pra me fazer companhia. (Está com os olhos fechando de sono e umas olheiras de Sérgio Cabral e Fernanda Montenegro)

Eu sei que falo muito de Dom Artur, mas de quem eu falaria? da porta? E tem uma coisa importante, né? Além do seu ar 'garfield', Dom Artur tem uma certa nobreza, um elan, deve realmente ser de uma dinastia de gatos de faraó. Porque se eu, por exemplo, não pudesse ser Deus nem Cardeal, gostaria no mínimo de ser Faraó.

Dirão que é pedância minha... mas eu ia querer ser o quê? Eu mesmo? Mendigo ali da esquina? Aliás a mendiga da minha rua sumiu definitivamente. Se alguém encontrar uma mendiga jovem, bonita e limpa (para a categoria 'mendigos') por favor me avise porque pode ser a minha e vou até o local tentar convencê-la a voltar para cá.
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Não é pra ninguém ficar enchendo o meu saco não, mas já estou naquele estágio em que ao inspirar e expirar fica aquela chiadeira, própria do oxigênio quando passa pelas secreções [nojento, né?]. Não sei se isso é enfisema ou cãncer, mas não quero nem saber porque não vou parar de fumar. Fico tentando tirar o pigarro da garganta e não sai, é insuportável. Talvez valesse á pena os jovens lerem esse depoimento para saberem em que tipo de vício estão entrando ao começarem a fumar. Falando sério: vou tentar diminuir o cigarro.
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Deixa eu explicar uma coisa pra quem dorme muito pouco: depois de dormir uma hora e meia, você, na verdade, está bêbado como se não tivesse dormido e não tem cabeça para ler, por exemplo. Quero dizer, num caso assim, é melhor então não dormir nada.
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Dar Porrada

Olhar o local onde o jornal logo, logo estará debaixo da porta me dá desprazer. Não foi sempre assim. De uns tempos para cá tem sido, não temos mais o que ler, já escrevi aqui. Os exemplares de quase toda a semana estão ali amontoados porque ainda tenho a expectativa de que vou ler alguma coisa. Expectativa tola, é verdade. Dormi mal sim. E não é pra menos. Saber que vou à ferros servir a um sistema corrupto, um grupo inepto. Mas vou, não há alternativas.

O Brasil é um país sem alternativas, só uma viagem de ida [sem volta] para o exterior. Vou servir a quem deveria estar servindo, a quem deveria estar gritando lá fora e fazendo oposição. Vou ao lugar agora que dá cargos de confiança aos Legionários da Esquerda Imbecil, à todos os que promoveram a baderna e desestabilizaram a proposta original da rede.

Não adianta falar muito agora sobre nada disso porque a turma de ignaros que perambula por esses velhos e sujos corredores não sabem nada da sua história. Tem quem saiba mais, mas eu sei muito. E não tenho mais nada a perder.Tenho que sorrir porque isso é a disposição da manhã. O sonho [não foi pesadelo, foi sonho] me lembrou de uma conta que tenho que acertar.

Não sou brigão, mas já quebrei algumas caras vida afora. Como agora terei carteirinha de maluco chegou a hora esperada e acalentada por tanto tempo: finalmente vou poder partir a cara do salafrário. Carapuças? Não precisa. Só existe uma cara a ser quebrada por mim. Eu sei e o dono da cara também. Está chegando o momento oportuno. É só esperar a hora certa porque o tempo é senhor da razão

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Sim! Meu teclado preto e maravilhoso que mais parece um disco voador, com três anos de garantia já está ficando com o "A" apagado. Vou deixar dicar mais visível o defeito e cou lá trocar! Sinto muito pelo 'A' que realmente é muito mais usadao do que aqs outras letras, mas eu também não tenho culpa. É um problema do fabricante, não é não?
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Artur não drme

Porque deitar cedo e acordar bem cedo ainda, eu estou achando muito bacana e produtivo. Descubro que sou uma pessoas muito mais das manhãs, de ver o dia clarear do que das noites, das esticadas até tarde. Tudo isso é muito bom.

Agora, dormir a 1 hora da manhã e acordar as 3 h. Bom isso não é mais acordar cedo, é não dormir. Tenho uma amiga que é assim e eu reclamo dia e noite na orelha dela. O pior é que não posso nem mexer nisso agora porque estou alterando a medicação, fazendo umas coisas novas.

Sei que não era pra falar, mas não posso, deixar de comentar o Artur, meu gato-quase-psicótico: ora, vendo que eu acordava tão cedo, o infeliz parou de dormir na cama e veio dormir na sala, na esperança de não me ver levantar. Acontece que eu levanto da cama e venho justo para a sala. Ele me olha com um olhar de aonde eu posso, afinal, ficar?
Não sei, meu bicho não sei... acho que você vai ter que se acostumar...posso ver com o terapeuta, na relação tamanho/peso, quanto e que remédio eu posso te dar...

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Tentei fazer por onde, dizer que era coincidêencia e tal, mas agora não dá mais pra esconder não. Dormir à
uma hora da manhã e acorda duas e meia é quase a mesma coisa que não dormir. Insônia eu já era craque.....Não dormir: eis minha nova mazela!
Vou ver se faço um curzinho de 'cortar moldes' como existia antigamente para fazer moldes para vestidinhos durante a noite....
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19.6.05

Magia e Infovias

Resolvo dividir aqui uma coisa que já está bastante adiantada no caderno que é a questão da paranormalidade. Das imagens, das sensações, dos vultos que passam, de todas essas coisas que pertencem ao Mistério. Bom, existe um mistério. Em algum momento enfrentamos esse Mistério.

As pessoas crentes são mais facilmente libertas dessa coisa toda porque procuram lá suas religiões e, de uma maneira ou de outra, resolvem. Eu, prisioneiro à ferros, do meu ateísmo crônico sou um sofredor, prisioneiro da minha liberdade de acreditar ou não. Bem que Sartre avisava sempre que somos prisioneiros da nossa liberdade.

Todo mundo diz, que eu saiba, que a esquizofrenia nos traz desses males, mas a coisa não é tão simples assim. A maioria que vê e ouve coisas não tem diagnóstico de esquizofrenia. E não adianta a gente se encher de remédios que não vão adiantar de nada.
Isso me remete ao Matrix, a um universo criado, que convive com outro universo, mas não é ele. E podem haver fugas de ambos os lados.

Deixando um pouco Baudrillard (Matrix) e caminhando mais para a arte, encontramos muitos e falo aqui de Borges. Dos labirintos, dos mundos paralelos, das possibilidades de coisas inexplicáveis estarem acontecendo porque temos vários mundos dentro desse, nosso. Falar disso é difícil, difícil entender. Aliás eu vou abrir um parêntesis aqui para falar uma coisa que acho que nunca escrevi por aqui. Não falei completa e abertamente porque ainda não li tudo. Li bastante coisa, [não tudo], mas tenho minhas resistências e questionamentos a Baudrillard. Porque ele filosofa em cima do que existe e está para vir. Não sei, acho que tem muita certeza. Acho que o filósofo levanta questões e não afirmações tão definitivas. Sei que ele é respeitado no mundo todo. Fala das infovias e dos universos que mudam, deixam de ser reais e passam a virtuais.E leio e concordo em parte com ele. Sim, e daí?

Não vejo, sinceramente necessidade de tanta gente falando sobre o mundo digital, até porque ele já é realidade, já convivemos com ele, não vivemos mais sem o virtual, sem o computador. Estamos falando então de quê? Por que chamamos de novas tecnologias o que, na verdade, já são velhas tecnologias ou, pelo menos, tecnologias do presente. Baudrillard me parece mais um hippie, um Gerald Thomas, um ator excêntrico num palco todo seu. É uma pessoa que escreve legal, tem mídia e alardeia seus apocalipses. Eu iria ler suas conclusões com mais parcimônia, menos entusiasmo.

Em seu livro Tela Total, Baudrillard [nas páginas 24 a 27 por exemplo] fala quase que do fim dos tempos, faz uma salada entre novos meios de comunicação e infovias e o Big Bang, passando pela desertificação do real que mais me parece uma viagem de ácido. Ele falar de pequenas verdades, como um aumento grande da virtualidade cada vez mais presente, é uma coisa e estamos indo com calma, adaptando nossos meios de vida. O homem não perdeu sua identidade presencial. Não há uma confusão geográfica do real como ele insinua.. Mas não vejo a deblaque [humana] absoluta por conta de globalização e meios [cada vez mais avançados] tecnológicos. Sim, há uma mudança no mundo como aconteceu na revolução industrial. Claro que agora o processo é mais rápido porque a civilização evoluiu.

Talvez eu esteja completamente errado, mas prefiro não olhar pelo lado apocalíptico da coisa. Prefiro voltar a Borges e ver o mesmo mistério da holografia [ou mundo paralelos] do seu O Aleph, por exemplo. Durante uma fase fiquei me enfurnando nesses teóricos das novas maneiras do homem se comunicar, viver e tal. Tenho percebido que tudo pode acontecer sim, mas com mais calma, que o homem, por mais que se tente, não se desumaniza.

Acabei me perdendo e não falando da paranormalidade nem dos Mistérios. Mas não tem problema. Deixo duas opções: que se veja com calma aos teóricos das novas tecnologias (que pode ser uma explicação para visões sem sentido, como outra dimensões ou espaços virtuais). O problema é que hoje tudo é verdade. Tudo pode ser verdade á medida que vamos armazenando mais conhecimentos. Não nego nada que não seja a fé, mas acho que devíamos ainda manter a humanidade intacta. Livros ao lado de computadores. Espelhos ao lado de telas de plasma. Acho que devemos olhar para trás antes de olhar para a frente. E buscar a lógica sem desespero. E entre tudo, antes de qualquer coisa, a arte que é a expressão máxima do homem. Veja bem: arte, antes de tudo.

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Dando minhas consultas....

Tem uma outra cartinha aqui, tímida, mas muito simpática que fala de sua insônia mortal que ela atribui a alguma afecção mental. Já recebi muitas cartas falandon disso. Diria que o melhor primeiro é ir a um clínico geral e depois a um psiquiatra. Diz que não dorme quase nunca, passa semanas dormindo uma hora ou meia hora por noite. Quando dorme muito, dorme três horas. Deus, o que dizer?

Primeiro, que eu conheço uma pessoa que também é assim, mas está em tratamento e parece que está caminhando para melhorar. Mas o seu caso, que eu saiba, só com um médico mesmo porque imagino que precise medicação. Pergunta se é depressão ou ansiedade. Não sei. Pode ser um ou outro ou os dois. Tanto uma pessoa deprimida sofre de insônia como uma pessoa presa de ansiedade também não dorme. Às vezes as duas coisas caminham juntas (muitas vezes). Realmente, só com médico. O que posso dizer é que existem excelentes especialistas e uma medicação de última geração extremamente eficaz e que não traz praticamente feitos colaterais.

Deixa eu explicar uma coisa aqui, gente, eu tenho o maior prazer de receber, ler e responder as cartas, bem como fazer referência a elas nos meus posts e sei muito bem porque me escrevem, porque eu escancaro aqui todos os meus males, as minhas mazelas e meus sofrimentos. Falo dos males de outras pessoas também porque acho legal dividir a informação para que as pessoas não achem que só elas sofrem aquilo, que é o fim do mundo. Essa é a minha idéia ao falar abertamente e sem preconceitos dessas coisas aqui. Acho realmente bacana a gente saber que não está sozinho, que não sofre sozinho.

Mas, entendam bem, eu não sou médico nem psicólogo nem nada. Sou contador de casos e palpiteiro desavergonhado. Só isso. E esses casos todos requerem tratamento médico, com remédios e acompanhamento de gente especializada. Posso dizer o que me dizem como por exemplo, que você se ocupar bastante durante o dia e fazer exercícios físicos, diminui a insônia. Meu lado palpiteiro pode dizer para nunca entrarem nessa furada de homeopatia, acupuntura, florais, ervas, chazinhos e benzedeiras.

Já sei que vai ter uma grita geral, que ossadas vão se revirar em tumbas e tal porque a homeopatia é ciência comprovada, existem muitos médicos e tal e parece que a acupuntura também. Não estou dizendo que não, certo? Estou dando a minha visão, exercendo o meu direito de dizer que não acredito nessas coisas. Indicações orientais, ao meu ver podem ser muito boas para o oriente, mas estamos no ocidente. Homeopatia é muito bom pra quem não tem nada (só coisinhas tipo asma branda). Um louco que rói rodapé ou um enfartado não acredito que se beneficiem dos tais comprimidinhos.

Voltando a insônia, o que posso dizer? Eu sempre sofri de insônia desde criança e sempre ou fiquei sem dormir (o que muitas vezes é útil, embora faça mal) ou tomei medicamentos para dormir. Também não acredito em psicanálise. Ficar deitado num divã por quatro anos falando da relação com mamãe, da tara incosnciente que tinha por ela, não faz a gente dormir não. Psicanálise é como homeopatia, muito bom pra quem tem coisinhas leves.

Como vêem sou leigo absoluto. Mas como já disse, chegaram algumas cartas falando de insônia resolvi escrever alguma coisa aqui. É doença e, como tal, só um médico pode tratar. E ainda tem que ver se o médico está atento ou vai deixando a coisa rolar assim mesmo. Médico é um competente prestador de serviços, mas ainda assim um prestador de serviços. Se não nos atende a contento, podemos trocar.

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O inacreditável no povo brasileiro é sua incapacidade de ação. de reagir a qualquer, qualquer estímulo. Estão sendo feitas pesquisas antes, durante depois dos escândalos estarrecedores e o governo Lula continua popular, ele continua franco favorito para a reeleição. Lula, ao contrário de Collor é blindado pelos 'pensadores' de Ipanema
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Olavo e o Chinês

Em seu texto publicado no Globo de ontem, Olavo de Carvalho dá voltas e mais voltas na tentativa de que o leitor compreenda de fato o que está lendo, não se deixe levar por uma impressão rasa que uma primeira impressão pode causar. Eu entendo o articulista que muitas vezes, na maioria das vezes é incompreendido. Só não concordo em querer reeducar o mundo. O mundo é assim e cabe à quem escreve fazer-se o mais claro logo de cara, sendo menos complexo, mais simplista. Só um texto simples pode ser assimilado logo em sua primeira leitura.

Longe de ousar me comparar ao mestre Olavo, digo isso porque atravesso o mesmo problema nas coisas mais tolas que são escritas aqui. As pessoas passam por aqui e nem lêem, olham o texto, passam os olhos por ele, idiotas da objetividade que são, e tiram suas conclusões escrevendo depois para mim com opiniões diversas daquilo sobre o que escrevi.

Com tristeza concluo que isso não pode ser mudado com um artigo em jornal, mas muito vagarosamente na medida em que o povo vá se aculturando (Sim, temos ainda o Gil). Por exemplo, com um ou dois mandatos, esse fenômeno de melhora não acontecerá enquanto Lula não for apeado no governo. Não sendo, teremos que, bovinamente, expire seu período democrático, com reeleição inclusive. Não se pode querer que um povo leia bem se o Presidente não sabe ler.

Sinto muito Olavo, mas nessa eu tenho que discordar de você, embora o entenda perfeitamente. Mas não dá. Veja que o povo não sabe votar, as cabeças pensantes são os comunistas de Ipanema, Legionários da Esquerda Idiota que veneram Lula que mais parece... bom, que é pequeno e cabeçudo como um anão de Velásquez. Lula ainda por cima carrega à tiracolo a figura malévola, sinistra, pequena e frágil, com o sorriso do chinês que ri para nós enquanto nos esfaqueia que é o não explicado filhote de mandarim tropical, o inexplicável todo poderoso Gushiken.

Enquanto estivermos assim, não dá para fazer nada. As cabeças pensantes devem colocar-se hibernando ou anotar tudo em pequenas cadernetas para um futuro (sabe-se lá quando!)

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As cartas e a deprimente televisão

O fato de ser tão de manhã me traz para cá após o café por um motivo curioso: o programa Globo Repórter da TV Globo (de sexta passada) sobre depressão. Bom, eu escrevi que achei o programa muito ruim, que não dizia a verdade, mostrava todo mundo num final feliz, como se a doença fosse como um leve resfriado.

Depressão eu dizia, te joga no chão, te impede de levantar da cama, de comer, de tomar banho. Você toma meses a medicação até que ela muito lentamente vá fazendo efeito. Normalmente a depressão não vem sozinha, vem com a síndrome do pânico que é a descarga de ansiedade descabida, as fobias.

Então você fica jogado, as pessoas não entendem porque não vêem a depressão não sabem mensurar, muita gente (quase todo mundo) acha que é frescura, que é falta de uma tina de roupa pra lavar, são ignorantonas que só aprendem sobre as doenças que lhes interessam.

Em muitos casos, depressão acaba em suicídio sim, não adianta tapar o sol com a peneira. Não só o suicídio pela falta vontade de viver como também para a pessoa se livrar da pressão que a sociedade faz. Cada um tem uma receita: um diz que você tem que trabalhar, outro diz que tem que fazer exercícios, outro dizem que é preciso força de vontade. Essa gente poderia brindar o deprimido com a sua ausência que só atrapalha. Muita gente, veja bem, se mata para se livrar da pressão e mostrar que era verdade, que não estava agüentando mais.

Então, não vou me alongar mais na doença, nos medicamentos Zoloft, Welbutrim Prozac, Zyprexa, Rivotril, Lexotan (e uma centena de outras medicações, de variações, coquetéis, etc.), nos aleijantes efeitos colaterais, nas longas terapias com psiquiatras ao contrário do que o programa mostrou: clínicos diagnosticando prontamente a doença. Clínico pode desconfiar muito tempo depois, o que é bom porque já imaginou você chegar lá com apendicite e o cara achar que pode ser depressão?

As cartas, como eu ia dizendo foram muitas como a de uma pessoa que aqui chamarei de Marta. É isso gente. O que estamos fazendo afinal? Estamos falando não pela doença em si, não para ficarmos com pena de nós. Estamos exercendo nosso direito crítico. Se não formos críticos em relação à TV, quem será? A TV, como já escrevi, mostra só a felicidade no final (não conta por exemplo, que quando se está saindo do colapso é o momento mais perigoso para o suicídio), a TV enfatiza apenas o fim ideal, feliz da doença (informação falsa e perigosa). Não é verdade. Em muitos, muitos casos a doença se torna crônica e v. tem que tratar para o resto da vida para não ter um novo colapso.

Legal falar desse tema sim, como de outros (até o da ararinha azul), mas quando tratamos de seres humanos e de doenças como essas, doenças insidiosas, tabus mesmo, não aparentes e perigosas, devemos ter muito cuidado. Não adiantam imagens belas e um padrão Globo de qualidade se a informação não é completa, ao contrário, minimiza como se fosse uma coisa qualquer que ginástica e chazinho resolvesse. Não resolve! É só médico, remédio e acompanhamento! Depois disso pode tomar o chazinho...

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Inclemência

Por aqui se usa muito a expressão "Sol Inclemente" como se essa 'inclemência' fosse atributo apenas do sol. Acho que não. Sinto todas as coisas inclementes, diria que o ato de nascer e a própria vida muito inclemente, acho a vida em relação a mim inclemente [e eu em relação a ela.]

Acho, enfim, todas as relações humanas inclemente porque não gosto de gente, acho as pessoas inclementes, acho que o ser humano não tem grandeza, é inclemente, mesmo quando está de joelhos, terço na mão, rezando.

O homem é inclemente no útero, é inclemente quando se utiliza do líquido amniótico, é inclemente quando ao nascer berra, quando suga as tetas da mãe como se ela fosse uma vaca (que naquele momento não deixa de ser). E pensar também que o homem é o único a fazer guerras e a matar só por matar. Essa chuva que caiu agora, no final da madrugada, foi inclemente sim

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Prenda

"Noite escura, noite escura...."
Olho lá pra fora para, sob céu que ainda está lomge de amanhecer e lembro da irmã do Caetano com aquela maravilhosa voz em falsete (e ele também) cantando 'Prenda Minha'
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18.6.05

Fim

Estou constrangido porque o Artur veio para a sala comigo, para fazer companhia, deixando a cama quentinha. Ele é bicho e não posso explicar que ficaria eu melhor se ele continuasse na cama. Digo isso porque, acordado, mexo em livros, escrevo leio, tomo café e, à cada movimento meu ele abre um olho sonolento para ver o que estou fazendo.

Não hoje não vou falar de todas as qualidades do Artur não, quem leu, leu, quem não viu, deixa quieto. O fato dele se levantar da cama comigo às três e meia da manhã e ficar aqui na sala, como me acompanhando (ainda que entre um cochilo e outro) completa as coisas que eu contei sobre ele.

Na verdade falei isso porque ele abriu um olho de sono quando sentei aqui pela quarta vez hoje. O que eu ia dizer é que fico pensando na morte como qualquer homem de 50 anos que seja consciente. Não só pela idéia como pelo vício no cigarro. Nesses últimos meses estou fumando mais de dois maços por dia. Não tenho fôlego para mais nada e a falta de ar me toma.

Então, voltando à morte, se o cigarro realmente fizer tanto mal assim, acho que estou acelerando o processo de morte, o que também não me incomoda muito. O que me incomoda nem é a qualidade de vida, mas a qualidade do período anterior a morte. Espero ter uma morte rápida, sem aqueles dramas de CTI, monitores, entubações e toda aquela parafernália. Nem sei porquê digo isso aqui, talvez tenha já pensado em dizer e esquecido ou talvez já tenha falado e esquecido agora. Fica o depoimento: deus, enfarte fulminante, faça-me o favor.

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Diário

Como alguns já sabem, estou escrevendo as minhas memórias, que serão devidamente queimadas, com toda a certeza, quando eu morrer. Mas como sou um vagabundo endinheirado que quase não faço nada e tenho tempo de sobra nessa vida, vou escrevendo assim mesmo.

Mas conto isso porque quando releio pedaços desse blog vejo que coloquei muitas passagens de todos os meus dias por aqui. Nesse espaço, se eu fosse interessante, as pessoas me decifrariam facilmente. Enfim... adiante.

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Artur, pobre, não agüentou meu madrugar intenso. Levantou comigo por companhia, mas rendeu-se novamente a um sono profundo.
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Meus cadernos de 150 e 200 folhas estão durando apenas dois meses, dois meses e pouco. Escrever manos? Impossível. Gostaria de ser um mosquito e ver a cara de quem os encontrar (já avisei a uma pessoa onde estarão e em que ordem devem ser lidos) Estarei me torcendo de rir na tumba ao saber o que os viventes sentem ao se verem retratados com exatidão sob meu ponto de vista!
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Pausa em Bellow

Como já repeti antes por aqui, fiquei tão encantado com a obra de Saul Bellow que li toda a obra dele disponível em nosso ridículo mercado editorial. E é realmente fantástico. Quem não conhece Below não sabe o que é a moderna literatura americana, não sabe nada, aliás. É melhor voltar para o primário.

Entretanto, vejam que interessante: me sobrou para ler uma novela, Perfume de Mulher, dele. Esse, livro magro e simples, não me prende, como se avisasse para esperar, não é a sua hora ainda, Irei então para outro autor e voltarei depois a Bellow para concluir sua obra em português (os dois melhores livros dele estão esgotados mesmo nas editoras! (No Brasil de Gil na Cultura!)

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Recado

Fico pensando às vezes, eu que entre os homens tem que existir a mesma harmonia que há entre os planetas do sistema solar para que não se batam, não haja um grande desgaste cósmico.
Prenuncio em mim um abalo sísmico, sísmico não, cósmico. Para conter esses abalos á necessário mais do que medicação e mais do que a compreensão de Freud (que, repito, era um poeta).

O que precisa, então? Precisa o não desgaste. Precisa o equilíbrio do movimento, o equilíbrio entre todas as coisas e acho que assim como nosso sistema solar, os homens precisam estar num ritmo próprio, ajustado. Como um bom relógio suíço. É o que tenho procurado principalmente nos últimos tempos.

Não vou forçar muito também porque não tenho paciência de explicar muitas vezes as coisas para as pessoas. Estou dizendo: entremos num ritmo legal e tudo vai se sair bem. Em determminados aspectos (já disse) e não em todos (repito) precisamos buscar a experiência dos outros para aplicarmos em nós mesmos. É preciso que eu não esteja não quero estar bradando sozinho às quatro da matina.

Um parêntesis para contar que quando eu bebia, acontecia às vezes um fenômeno interessante: tendo bebido muito e até muito tarde na noite anterior, eu e um amigo meu, Bruno, acordávamos ainda bêbados . Pois acontece, 25 anos depois a mesma coisa: acordo entorpecido com os soporíferos da noite anterior.

Por que escrevi esse post? Realmente não precisava ter escrito. Mas ele tem destinatário certo. Pode ser [e acredito mesmo!] que sirva para mais alguém, que se pode tirar algumas informações dele. Mas, sinceramente, não foi escrito como mais um pensamento não. Foi um recado mesmo. Eu estou apenas sendo sincero. Não precisava contar esses detalhes. Entretanto gosto de jogar uma nuvem de fumaça no ar. Os detalhes, as explicações de rodapé e parêntesis são pequenas nuvens de fumaça que nos desnorteiam*. E o que há de melhor do que um homem desnorteado?

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Ainda a desconstrução

O processo violento de desconstrução de mim mesmo, ocorreu há muito tempo, numa época em que eu acreditava que as pessoas deveriam , eventualmente se desconstruir. E ainda acho mesmo. Acho que nosso corpo, principalmente a cabeça, tem que ser mexida, alterada, desfeitos e refeita como um quebra cabeças.

O que me assusta um pouco são relatos de pessoas que vão tendo desconstruções freqüentes, dessas independentes da sua vontade porque aí não é uma desconstrução como falo aqui e sim uma queda, uma perda com o seu eu. Falo isso baseado em correspondências que recebo de pessoas que às vezes se equivocam um ouço com o que estou tentando dizer. Realmente não é nada disso. Quando essa desconstrução é à parte da nossa vontade, aí é outra coisa.

Imagino que possam ter milhões de motivos para ver uma pessoa perdendo o chão, com coisas se partindo dentro de si. Talvez doenças, talvez não, talvez seja até um processo artístico, de criação mesmo. Já ouvi relatos de artistas que afirmam que quando estão criando, perdem a personalidade e tudo vai ladeira abaixo, até a obra estar concluída. Pode ser isso? Com certeza pode.

Então do que estou falando? Não estou falando de nada. Estou escrevendo sobre nossa desconstrução, baseado num e.mail que recebi de uma pessoa que compreendeu mal o que escrevi. Achei que devia esclarecer. Porque esse espaço aqui... aconteceu uma coisa interessante. Pelo que consigo perceber e pelo que me dizem também, é um lugar de continuidade. Sei que pouquíssimas pessoas vêem aqui, mas as que gostam freqüentam sempre e, mais ou menos já percebem o porquê de determinadas afirmações. Tenho muito medo de gente que vem pela primeira vez, interpreta errado, não vê os desdobramentos e vai embora com uma visão distorcida.

Está claro que não preciso ficar aqui sendo didático, explicando tudo de uma maneira tão simples, mas, por outro lado, acho legal falar com as pessoas... contar que isso aqui nem sempre é o que parece ser, nem sempre eu mesmo sei do que estou falando. Melhor: a maioria das coisas escritas aqui me são completamente desconhecidas. Escrevo aqui o que me vem à cabeça e não coisas que racionalizei, pensei, etc. Não, não é nada disso.

Eu por mim, dava uma espinafrado em geral nos blogs em que os autores revisam muito bem os seus textinhos e se pretendem quase que uma literatura on line. Não é nada disso. É coisa muito diferenciada. É coisa que sai e a gente coloca. Acho que o blog deveria ser muito mais um espaço da gente pensar juntos do que propriamente ficar mostrando seus dotes literários.

É uma opinião apenas. Fico mais contente quando recebo uma carta de um pessoa que está discordando ou concordando com uma coisa falada aqui, enfim, quando uma pessoa está participando da criação de um pensamento do que quando escrevem apenas para elogiar um texto ou denegrir. Quem quer texto bom, terá melhores oportunidades em Victor Hugo, não é verdade?

Se eu gostaria de ser Victor Hugo? Sim , gostaria muitíssimo, mas não sou, sou um boçal perto dele. Então fico aqui, nesse cantinho, escrevendo as coisas, pensando alto e recebendo a correspondência. Muita vezes refaço meu pensamento e digo aqui que refiz por causa da carta tal ou então digo que o remetente não entendeu ou eu não soube me explicar bem, são várias oportunidades diferentes. Acho que assim não estou fazendo literatura (até porque não tenho talento). Não acho sinceramente que eu seja o autor único do que vai nesse espaço. Talvez eu seja o instrumento, o que tecla e disponibiliza a informação. Mas os fatos, os pensamentos, as coisas, muitas vezes são tiradas de outros lugares, na maioria das vezes de outras pessoas (o que não quer dizer que sempre eu esteja aqui me referindo a alguém especificamente).

Bom, esse é um pensamento longo e acho que não preciso desenvolver inteiro agora, nesse exato momento, acho que dá pra ir falando com o decorrer do tempo. Na medida em que vou tentando me entender, as pessoas tentando me entender e eu a elas, acho que aqui, pode ficar um espaço melhor. Bom, acho que é isso [mas não tenho certeza].

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Muito antes ainda dos primeiros sinais da alvorada
os galos ainda dormem o sono dos que seriam justos
A terra continua giramdo (ao contrário, me parece)
Estou aqui para ver como tudo vai contecer
Como vai chegar a medrugadinha e a manhã
Sedenta de nova vida.
Vamos lá,
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Deprimente

Vi um pedaço do Globo Repórter sobre depressão. Achei péssimo. Péssimo roteiro, péssima condução, abordagem errada, enfim , um lixo. Quem não conhecia ou sentia alguma coisa e não sabia o que era, saiu bem menos informado depois do programa.

O que eles fizeram foi pegar um monte de exemplos de depressões suaves (menos a da moça no final) e dizer que a depressão é ruim, é uma doença e tal.

Não vi o programa todo. Não vi o programa inteiro porque era repetitivo, chato. Em nenhum momento se tratou de uma forma séria, com médicos especialistas, da importância da medicação, das recidivas, os motivos disparadores, etc. Até clínicos de emergência falando como se reconhecessem a doença. Não é verdade. Achei que para quem não tem, não serviu de nada. Para quem problemas na família foi pior ainda.

Fazer esse tipo de programa é perigoso... mostrar o camarada deprimido surfando ou o maluco tocando gaita ou a retardada dançando... por favor. Estamos mostrando para o país um programa sobre uma doença séria. Minimiza-la é, no mínimo, perigoso por informar mal, errada e levianamente. O Globo Repórter acerta muito mais quando fala de ararinha azul.

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17.6.05

Fico imaginando aqui as circunvoluções da cabeça daquela velha que senta na esquina da avenida. Ela olha para todos com olhar de pedinte, mas ao mesmo tempo, tem um ódio tão forte no seu olhar, um ódio de uma dignidade, que me deixa impressionado. Como eu admiro as pessoas que têm ódio por dignidade!

A gente perde a capacidade de odiar quando perde a dignidade. Acredito mesmo nisso. Não digo que o ódio devesse ser constante, não é isso. Mas o ódio é manifestação humana mais contrária a alguma coisa e não consigo imaginar uma pessoa que não use essa manifestação. Já ouvi pessoas dizendo que o ódio não leva á nada. Não acho. Acho que o ódio leva à tudo, leva a gente a estar absoluta, opostamente ao outro, totalmente, com ódio. Da mesma maneira que eu desperto ódio porque estou seguindo o caminho contrário de alguém. [e vice e versa] Por isso, quando digo que gosto que me odeiem, os ignaros acham que estou fazendo tipo. Azar !

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Falta de assunto e Ladeira abaixo

De vez em quando eu tenho períodos "Não" na minha vida. Sempre tive, desde pequeno e conheço várias pessoas que também já perceberam isso nas suas vidas. Então, essa introdução chata é para dizer que não tenho escrito aqui porque tenho andado seco por dentro.

Tudo bem, poderia estar falando da patifaria do Lula e seus asseclas, mas imagino que o pessoal já esteja cansado, né? É TV, Rádio, Jornal, Internet....tudo ....só se fala nisso no Brasil (e já começa a o mundo também tomar conhecimento e se acautelar, (lógico), sair de fininho. Se eu fosse empresário de multinacional com perna aqui, a essa hora estaria de cabelo em pé.

Então é um assunto a menos. Sempre falei do Brasil e dos políticos e dessas coisas todas, mas agora parece que, por excesso de informações, escândalos, maracutaias, esse governo enterrado em lama até o pescoço, não direi novidade nenhuma. Clamar para que haja uma corrente para o Lula renunciar? Sim, faço parte de todas, mas ele, como retirante nordestino, que chegou onde chegou, não vai sair por vontade própria. Resta ficar observando os acontecimentos e torcendo para que esse partido e esse governo rolem ladeira abaixo o mais rápido possível para o bem do país.

Talvez o leitor desse espaço esteja perdendo alguma informação num site de notícias sobre o efeito dominó que vai derrabar toda essa canalha jeca que está lá. Acho que existem momentos em nossas vidas que mais importante do que bradar, gritar, etc. mais importante é ficar quieto, deixando que as coisas aconteçam. Porque elas sempre acontecem

Tenho escrito umas coisas interessantes num outro espaço, mas como considero, meio barra pesada, não acho que aqui seja o fórum adequado para a discussão. Pelo menos por enquanto.



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16.6.05

Cora, Jefferson e o Blog

Na sua coluna de hoje no Globo, a 'blogueira de primeira hora' Cora Rónai diz que ficou emocionada por Jefferson, em seu depoimento citar como uma das fontes de referência o Blog Blig (blog da IG). Cora usa termos entusiasmados como, "chegamos lá'.

Entendo o entusiasmo da Cora ao ver num depoimento de tal seriedade um deputado, naquele momento já se referir a blogs como sendo ferramentas comuns, sem necessidade de explicar o que é um blog.

Entretanto, não vi assim não. Se a Cora pegar a fita e rever, perceberá que, quando se referiu ao Blig de Ricaroo Noblat, Roberto Jefferson derrapou, leu com a atenção e quase soletrou o B l i g. O que me passou foi exatamente o contrário do que à Cora. Pra mim, ele (Jeffeson) falou porque passaram a ele o papel, mas Jefferson mesmo não pareceu ter nenhuma intimidade, absolutamente conhecer, saber o que é um blog. Ao contrário.
Talvez eu esteja errado, talvez ela. Quem sabe, ao longo da CPI, isso não fica esclarecido também?

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15.6.05

Essa neve toda lá fora
É reflexo
Prenuncia, antes, o que vai dentro
Porque todo coração tem um lado [como os pólos]*,
Gelado
A chama do coração arde em harmonia com sua neve
O sol não nasce para todos
Nem a neve
Apenas o céu púmbleo
É comum a qualquer um.
O que desejamos todos?
O Sol? Não há.
O mundo é feito de flores lilazes (que não lhes tira a beleza)
O resto não é nada, é ilusão
É fingir que acredita no que não vê, não existe
Tampouco sabemos o que fazemos aqui... estamos por estar
Como o bico do bule está virado em determinada direção
Somos um exército maltrapilho e morfético que se arrasta na lama

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O Controle

Procuro entender esses meandros de zeros e uns e transmissões de pacotes de dados....tudo isso me é claro teoricamente, mas não humanisticamente.
Durmo e quando acordo tenho contato com essa máquina que vai se humanizando mais e mais, vai se tornando um braço meu que corre o mundo, que escreve, publica, compra, conversa...

Tenho medo. Já sei que parte da internet trabalha sozinha e não tenho dúvidas de que , em breve, estará trabalhando completamente sozinha. Então tenho uma máquina em minha casa que pensa por mim e, sendo assim, pode divergir de mim.... e o que meu pobre cérebro pode contra um computador? Nada.

Sempre digo que desconfio. Cada vez mais busco informações que estão aqui.... a internet é insidiosa e traiçoeira não pelo saber porque ela é burra, mas pela nossa preguiça, pela facilidade com que ela acessa informações para nós.... Realmente, ter que procurar em 3, 4 livros se o Google vai ali rapidinho e me diz tudo....

Isso é inegável, mas não podemos deixar de estar atentos, temos que não perder de vista as humanidades, nossos motivos maiores, nossa percepção de arte e de estética vindos do homem e não de ferramentas que podem tudo. Dirão que ao fazer uma escultura usa-se o martelo e o cinzel... sim, mas a mão do artista está ali... aqui está num teclado que dirige programas que fazem coisas...podem me dizer que mão do artista está aqui (e eu entendo), que não me convenço. É necessário frear a banalização de uma estética clean demais, digital demais.

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14.6.05

cargueiro

Falo tanto em velhos cargueiros e nunca vi coisa tão impressionante. Um navio cargueiro enorme (jamais vi uma cabine de comando tão distante da proa!).
Vermelho. Um navio pintado de vermelho, lindo, não um vermelho vulgar, mas aquele que se aproxima mais da telha, só que puxando mais para o vermelho.
Da cabine de comando, tão lá atrás, mal se via a proa, quase se precisava do uso de uns binóculos! E eu, convidado e domar aquele monstro dos mares, tive medo de manobrar. Não sabia em que momento deveria virar para a direita ou esquerda! Simplesmente não via onde estava a frente desse estranho cargueiro vermelho que me embalou a madrugada.
Que coisa ao mesmo tempo linda, estranha e misteriosa! Eu e meus cargueiros (sempre muito grandes, gigantescos. Se Freud vivesse, eu o visitaria...)

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13.6.05

EXTRA! LULA AINDA NÃO RENUNCIA!

Definitivamente eu não entendo nada de nada. Sou daqueles burros que antigamente ficavam com orelhas de cartolina num banco, lá na frete da sala, encarando a parede (eu adorava porque não me dava crise de pânico em ver a multidão de alunos!). Mas eu dizia que não entendo e não entendo mesmo de política. Quanto mais velho vou ficando e quanto mais governos vão passando, mais eu emburreço.
No governo Collor, quando se descobriu os desvios de dinheiro público, roubos e etc., o mar de lama, ele, presidente, por saber de tudo e ser conivente foi obrigado a deixar de ser o mandatário do País. Ele e não o P.C. Farias



No governo Lula temos situação análoga [embora mais pobre, feia, iletrada]. Existe um mar de lama, roubos e desvios de verba pública e o presidente sabendo é conivente (igualzinho a Collor).E por que vão tirar o não menos sinistro José Dirceu? O Mandatário da Nação continua sendo o conivente com o mar de lama?

Se a política não funciona, se não estão sendo tomadas as providências cabíveis, se os deputados, congressistas, não estão limpando a sujeira pelo menos, ele, presidente, deveria dar o exemplo.
A única coisa menos indigna que Lula poderia fazer hoje seria RENUNCIAR. Não?


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O caminho do rio

Em cada 50 anos podemos encontrar uma
Em cada 70 anos podemos não encontrar nenhuma
em cada vida inteira podemos, com sorte, encontrar duas
Quem saberá?

Não importa. Importa falar de encontros
Falar, falar e repetir
porque o mundo tem o direito de saber
as pessoas sozinhas têm o direito de ter esperanças

A vida, como eu sempre preguei
é feitas de duos, sempre
E, não adianta correr para buscar, não adianta desesperar
A vida vai amalgamando os caminhos

Como mercúrio e vamos e vêm correndo entre os impedimentos
Como córrego de rio novo. Um e outro
Sempre na mesma direção e sem pressa
Com a certeza dos que sabem

Dos que são levados por algo maior
Não é preciso chorar e rolar na cama porque a vida é dura
Porque a vida não é vida se não conto (e me dou) pra alguém
E não preciso ter o status do par!

Não, não. O que vale é o que transcende,
O que marca à distância
O que conforta e acalanta de longe
O que se dá em troco de nada, de nós, um pelo outro.
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Fim de Noite

Como um vampiro perdido {e arrependido]
vou me esgueirando , colados às paredes
sob marquises secas e sem valor
vou caminhando de lado, afastando a capa que atrapalha

Noite sem sorte
noite escura sem lua
nenhuma donzela nem varão
Nada no meu caminho de caçador solitário

Agora é tarde e o céu já se avernelha
Trato de sair de fininho e voltar de onde vim
e chorar de sede [de sangue] e abandono
Sou desprezado duas vezes

Sou descaminho
desacerto e busca desesperada
sou homem que não é
sou bicho que não fui

Vida triste a nossa
encostados nas paredes dessas ruas mal cheirosas
desse lugar lúgubre, pobre
dessa terra de gente seca, sem sangue

Vou voltar pra Curitiba
lá o povo é mais saudável, lá é minha Transilvânia tropical
Demora mais pra clarear
E já sou conhecido
Vou voltar como todos um dia, sempre voltam
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Post de dois

Os primeiros posts, de uns dias para cá, tenho feito num formato mais ou menos igual, meio que começando o dia mesmo. O eterno "Meu Querido Diário". Pouco se ma dá o que acham disso. Nesse momento tem sido importante para mim, portanto, assim será. Mas por que estou falando essas coisas? Elementar.

O sono e os sonhos. De manhã sempre falamos de sonho e de sono. Eu quero falar de uma coisinha um pouco anterior ao sono, mas que é fundamental. Porque todas as coisas você supera com ginásticas, remédios, cirurgias, etc. Só tem uma coisa que não se supera: a falta de compreensão. Meu amigo, se você não está sendo compreendido, eu sinto muito, mas você está perdido, ferrado mesmo.

No afeto, na parceria está toda a sua possibilidade de vida. A gente vê [basta olhar para o lado] como as pessoas vão caindo porque elas não tem suporte. E suporte não se reduz a remédios e dinheiro. Suporte é gente, não no sentido tolinho da palavra. É gente no sentido amplo, no sentido, como disse, de compreensão. É preciso você compreender e ser compreendido.

Não estou com isso dizendo que você deva sair martelando a cabeça dos seus pais ou maridos ou mulheres porque não estão compreendendo. Não. Isso é um processo longo, delicado e cultivado. E que pode te aparecer na vida ou não. Essa é a verdade. A gente pode morrer aos 90 anos sem encontrar o outro que você compreende e que te compreende. E pode encontrar isso aos 9 anos de idade.

Aí caímos um pouco na metafísica, nos mistérios. Nos possíveis. Acho que a gente deve estar sempre atento a essas coisas, a essas possibilidades. Eu estou falando de coisas tão íntimas, de revelações e estados e estágios que são tão particulares que me percebo egoísta já que estou escrevendo apara mim e uma outra pessoa apenas. Mas não tem problema, porque tem uma coisa que vale para todos: aprendam a não perder tempo e procurar as pessoas onde haja realmente a troca de compreensão porque sem isso não há nada. Desculpem o resto.

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12.6.05

da vida

Eu poderia dizer que hoje é terça ou quarta feira que não faria nenhuma diferença. Não é, hoje é domingo. Já escrevi antes por aqui que os domingos são dias chatos porque não são mais fins de semana, ao contrário, são ameaçadores na medida que prenunciam o início da semana.

Reconheço que pode haver um pouco de exagero nisso, o início da semana não tem nada demais, até porque a semana inicia e se finda em nosso cérebro e não no cosmos. O que Saturno tem a ver com o horário na Groenlândia ou em Brasília? Nada. Existe uma desprezo malévolo do universo em relação a nós, mais ou menos o que os países normais têm em relação ao Brasil. O planeta Terra, com seu sol de quinta, vejam, quinta grandeza, é no mínimo, terceiro mundo para o cosmos.

Talvez pareça uma atitude meio niilista, sei lá. Por outro lado, não deixa de ser a mesma coisa porque o conceito de niilismo está em nossa cabeça, na cabeça de quem observa as nossas idéias. Esse pensamento se, por um lado é assustador, por outro é de uma simplicidade, uma singeleza inacreditável.

Seguindo uma linha de raciocínio toda baseada nisso, logo chegaremos a conclusão de que a vida, os planetas e as cidades estão apenas contidos em nosso cérebro ou, a vida existe em nós e não como vida. Não existe uma vida que visitamos. Existe uma coisa criada em nossos cérebros que vêm se aperfeiçoando geração, após geração, graças ao avanço científico [cerebral].

É um assunto muito interessante, que permite que façamos uma série de conjecturas, que pensemos numa série de hipóteses. Em outro momento, eu mesmo desenvolveria isso por aqui, mas não estou com vontade. Deixo então, à cada um, a possibilidade de pensar...

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Martha

Recebo uma carta falando da colunista Martha Medeiros da Revista que vem encartada no jornal o Globo de domigo. Na carta o missivista esculhamba os textos da Martha, dizendo que são de auto ajuda, tipo um "consultório sentimental idiota".

Bom, claro que cada um pode [e deve] ter sua opinião, mas quero dizer que eu não acho nada disso. Acho, pelo contrário que Martha escreve muito bem, consegue a coisa rara de falar de coisas profundas do nosso dia a dia. Ela pega o que nos acontece a todos, de bom e de ruim, e transcreve ali, mostrando como podemos perceber como são as coisas. Acho muito bacana exatamente por ela conseguir ser singela em todos os assuntos. Tenho-a como uma grande colunista.

Martha me dá prazer. Acho que buscar erudição em tudo, profundidade em tudo, psicologia.... sei não. Acho que a vida deve ser mais simples, mais vivida mesmo. Como Martha faz e insinua 'descobrindo' como a vida é e como nós podemos nos beneficiar da do seu texto desprencioso e extramamente sério.
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Guarda Pretoriana

Se existe uma coisa na vida de que as pessoas não têm mais dúvidas é do quando sou independente. Financeiramente minha independência é extremamente cambiante, estou todo o tempo como um faquir louco caminhando sobre o fio de uma navalha afiada. Posso cair e morrer a qualquer momento, sem mais aquela. Por outro lado, tenho senso de equilíbrio.

Porque a vida é composta de um monte de coisinhas simples, de tolices, maneiras de falar e figuras de retórica e de linguagem como essa do fio na navalha ou beco sem saída, ou saia justa, ou de tantas outras tolices, sim , me desculpem , mas são tolices. Não importa, o mundo é cheio desses pirilampos tolos e quem sou eu pra mudar?

E, fico me perguntando sempre se todas as pessoas são independentes. Isso não quer dizer que não precisemos uns dos outros, claro que todos precisamos. Digo de uma maneira geral, com saúde, no dia a dia. Somos auto suficientes? Será que realmente secar a cueca no microondas é uma alternativa esperta? Pode parecer até cômica, mas funciona? Existe uma só maneira de fazer Miojo?

Pensando assim eu acho que somos sim independentes, que sabemos ir vivendo, ir levando de um dia para o outro.... quem nos olha na rua nem sabe a bagunça que pode, eventualmente ser o lugar que habitamos: a nossa casa. E aí eu queria chegar. Demonstramos uma coisa e nossa casa é outra, Andamos limpos e com a roupa passada, mas não sabemos [e ninguém imagina] em que condições aquela coisa aconteceu.

E, claro, não posso deixar de pensar na cabeça das pessoas. Vejo um casal, um homem e uma mulher, ele de terno e gravata e ela de vestido sóbrio. Parecem trabalhadores qualificados. Parecem estar bem, vai indo tudo bem por ali, não há nada de errado. São capazes de pedir informação sobre onde fica uma determinada rua e podem dar esmolas a um pedinte e ainda podem sorrir de um desses palhaços que ficam nas portas das lojas atraindo os passantes com a esperança de vender um mísero par de meias.

Na madrugada desse mesmo dia, o homem antes vistoso em seu terno no centro da cidade, está num quarto, não num lugar amplo, uma enfermaria cheia de camas e um enfermeiro aplica uma injeção em sua veia e, baixando o olhar, percebemos que seus pulsos estão atados às grades de ferro da cama. Não demora e nosso personagem adormece como outros tantos ali já adormeceram. Quando saímos da linha, somos internados e fazem com que adormeçamos sempre.

Existe uma guarda [mais ou menos pretoriana] que zela pelo bom andamento das coisas. Isso quer dizer o comportamento dos homens dentro de critérios de humanidade. Não é crime apenas roubar e matar. Não. É crime não saber para onde está indo nem de onde está vindo, é crime suar nas palmas das mãos, é crime babar na gravata. Se você matar ou roubar vem um tipo de polícia e te prende junto com outros bandidos, Se você tem um outro comportamento estranho, quando você começa a sair dos padrões....bom, aí você vai para uma instituição psiquiátrica. Preso do mesmo jeito, nas o motivo, o crime é outro. A solução, a pena aplicada a quem não é normal, é dormir. Dormir muito.

Essa história de instituições psiquiátricas hoje em dia praticamente não existem mais ou se existem são muito poucas. Pelo que contam e leio nas revistas, a orientação moderna é tratar as pessoas em ambulatório. Dizem os médicos mais modernos que internação só em casos excepcionais. Menos mal, que podemos ficar todos mais tranqüilos, partindo da premissa de que, de perto, ninguém é normal [repito: não acredito que essa frase seja originalmente do Caetano]

Pode ser estranho a gente amanhecer o dia pensando nessas coisas. Será o reflexo da noite e todos os seus terrores? Será que a noite realmente desperta todos os demônios [dentro e fora de nós?]? Talvez. Mas que temos uma relação de subordinação de cabresto com a vida, ah, isso temos! E ainda por cima, hoje é dia dos namorados!

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11.6.05

Putz

Não tenho nada com essa gente que finge que está caminhando de lá para cá e não sabe o que diz nem o que fala. Todos, dizem, têm direitos iguais, todo mundo pode falar tudo, escrever tudo. Eu tenho solução fácil porque não gosto de chatos. Simplesmente não vou. Ou melhor, estou numa página (internet e ou livro) e acho chata, não converso. Fecho e está muito bom. Saio lépido a fagueiro.

O mundo abriga um número maior de gente chata do que de gente não chata. E pior é que não dá para fazermos certas distinções: por exemplo: tem bêbado que chato e outro não. Tem maluco que é chato e outro não. Desses fica um pouco mais difícil da gente se tocar. A gente demora mais a perceber pra poder sair correndo.

Eu acho [com certeza por defeito de fabricação minha] que o mundo acoberta muito mais chatos do que gente legal. Parece implicância, mas pense bem nas pessoas que você conhece. Não, não pense nos queridos, nem nos amigos não. Pense em TODO mundo que conhece. Depois vá passando para um lado aqueles que são bacanas, não são chatos. Pronto! Faça uma contagem e veja o maior grupo.

Uma pessoa do bem, gracinha e tal que tinha ojeriza, pavor dos chatos era o Vinícius. Vinícius tremia à aproximação de um chato. E como sempre na vida acontece, atraía chatos. Eu não chego a atrair chatos. Apenas identifico-os em cada lugar que vou, em cada ambiente que estou. Se entro numa loja, parece que todos eles tem um grande X marcado bem na testa.

O chato é um sofredor na verdade pela única e exclusiva razão de que ele não sabe que é chato. Não sabe mesmo. Ao contrário, na maioria das vezes orgulha-se da sua personalidade, das suas brincadeiras ou mesmo do seu silêncio contrito. Ele vai andando e espalhando sua chatice como fumaça, ao redor, como um cheiro estranho, como uma aura. O chato não pode ser digno de pena. Se for, para não irmos diretos ao inferno, teremos de aturá-lo. Fico pensando que é chato ser chato e não ser chato.

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Inferno

Chegamos ao inferno quando o sol não tem mais brilho
Minto, quando o sol não tem mais luz
Quando o chão ameaça fugir
E o entorpecimento nos redime
Chegamos ao inferno quando não existem pessoas
Quando ficamos ilhados na vida
Quando a vida em si é uma ilha solta no espaço
Quando a mais humilde estrela ou lua estão distantes, indiferentes
Chegamos ao inferno porque ele existe e está próximo
Porque o outro olha e não nos vê
Porque no inferno não se entra de uma vez
Vai-se chegando sorrateiramente, sem saber o que é aquilo
E dentro, todos dizem que não há inferno
Chegamos ao inferno, por fim, quando descobrimos
Que ele habita em cada um de nós
Que não é visível a nada nem a ninguém
Que nos traga para seu interior lamacento e ignóbil
E morremos devagar, assistidos pela platéia do mundo

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os blogs não traduzem o que dizemos

Ontem eu escrevia e parei subitamente um post. Por que parei? Hoje, de alma lavada, acho que posso revelar, o medo já passou. É preciso dizer sempre a verdade. A relação com um blog é muitas vezes conflituosa e estranha. Um livro, por exemplo, você escreve uma história ou sua biografia, mas ela tem começo meio e final. Você diz se os atores que aparecem são puramente fictícios ou reais, ou ainda, os dois. Algumas pessoas podem se sentir retratadas ali ou não, mas está ali, é um volume. Depois de impresso o livro não tem alterações de humor. Não é vivo.

O blog não é nada disso, é a antítese. O blog é um Big Brother não é verdade? Cada dia, cada um de nós vem aqui e escreve uma coisa, e essa coisa muda ou não todos os dias. No meu caso, por exemplo, embora eu seja muito repetitivo, não deixa de ser cada dia uma coisa porque, de outro lado, eu mudo muito de opinião.
E o blog, por mais que eu diga que não [e, no meu caso, não é mesmo] tem esse formato de "diário", como se cada uma das coisas que eu escrevo seja um relato de como estou me sentindo. Isso é bom e ruim.

Porque quando eu quero falar da cleptomania e descrever como é o processo, como a gente sai, entra no magazine e rouba, mesmo que eu diga que eu não sou assim, parece que sou. Parece que estou usando a terceira pessoa como um disfarce vagabundo, porque sou eu sim. E o blog tem outro componente interessante, que é bom ser repensado e discutido. Quem não me conhece tem uma leitura, quem me conhece tem outro tipo de leitura, acham que ou estou escrevendo exclusivamente para elas ou estou mostrando um lado negro que não havia ainda lhes falado. Não é uma coisa nem outra.

O blog ainda apresenta outras falhas graves (mas é a tal coisa, é blog, não é home page) entre elas essa coisa fugaz de explicar eu uma coisa hoje e depois de um tempo essa coisa, essa nota, essa explicação está lá para baixo ou virou um arquivo. Meio que só vale o que estou escrevendo na hora. Não se sabe o porquê de uma coisa estar sendo dita. Então esses últimos posts, por explicarem tanto isso, ficaram chatos, ficaram com cara de meu querido diário.

E esse não é como nunca foi o tom desse blog. Aconteceu que fui entrando por tantos assuntos, falando de tantas coisas que tudo foi se encaminhando de forma que eu perdesse um pouco do controle do espaço. Percebo isso nas cartas que recebo e na reação dos conhecidos. Mais ou menos como se não se admitissem o ficcional ou quase absolutamente ficcional em tudo. Mas acho que vale tentar mais uma vez e pagar para ver. Como esse relato, de uma pessoa que tem um blog, me autorizou a transcrever sem identifcá-la:

"...por exemplo, agora estou no meio de um profundo colapso psicológico, grave, de conseqüências complicadas, extremamente perigosas para mim em ambientes outros como o trabalho e outros. E como descrever isso? Dizendo que não se trata absolutamente da loucura, entendida como clássica pelos leigos, quando uma pessoa perde o contato com a realidade, por exemplo? Absolutamente. Tenho perfeito contato com a realidade, sei exatamente o que está certo e errado, onde estou com a razão e onde não, e leio perfeitamente as entrelinhas do que estão me dizendo...."

Deixa em abrir um parêntesis no relato para dizer que acho, a humanidade terrivelmente preconceituosa e sórdida [e eu odeio a sordidez]. Olhando assim, não gosto de pessoas. Ou melhor: gosto de pessoas que estão abertas ao diálogo completo, indo fundo em todas as questões. Se expondo, abrindo o jogo como eu faço. Não é o que acontece em 99% dos casos. Vejo que as pessoas guardam para si seus defeitos ou sequer têm consciência que os possuem e escondem, anotam cada palavra do que eu digo, do que eu sinto pra me rotular de qualquer coisa e jogar na cara na primeira oportunidade. Isso pra mim é sordidez e estou fora. Já estou muito velho para essas coisas. Volto ao relato do blogueiro anônimo:

"...estou, eu dizia, no meio de um colapso. E o que isso quer dizer? Nada. Entende? Não quer dizer nada. Uma pessoa com problemas renais faz hemodiálise com freqüência e ninguém vê nada de mais. Algumas mulheres têm crises fortíssimas e longas nos seus períodos de TPM e somos obrigados a entender. Um epilético moderado pode ter convulsões dia sim dia não e também entendemos. Por que então eu não posso ter colapsos freqüentes, como uma TPM por exemplo? Porque é doença? Sim é doença. Minha doença é ruim? É, mas é também um fato consumado. Ou as pessoas gostam de mim pelo meu todo ou me deixem porque eu ultrapasso todas essas tempestades com ajuda especializada e sempre vem a bonança.

Realmente eu não quero compaixão, mas também não aceito a imbecil e abjeta não percepção, a sordidez. Sou honesto o bastante para dizer o que eu sou. E honesto também o bastante para dizer que percebo olhares e atitudes sórdidas, tenho-os comigo. Portanto, é uma espécie de hora da verdade. Eu conto tudo (que é só isso, já contei, tenho colapsos freqüentes) e as pessoas me aceitam, aceitam e me dão o seu carinho ou somem, me deixam trilhar sozinho, como também deixarei que trilhem. Isso serve para o mais distante conhecido de cumprimento até meus filhos e minha mãe..."

Mais uma vez interrompo a narrativa [que estava terminando mesmo] para acrescentar dados: vejam como é complicado o funcionamento de um blog: este que é modestíssimo, tem entre 30 e 110 acessos por dia. Nos finais de semana esse número, obviamente, diminui drásticamente.
Então imaginemos que hoje 25 pessoas leiam. Vou continuar escrevendo e ele (o post) baixando.... Digamos que algumas pessoas mais pacientes leiam bastante amanhã e cheguem, até aqui. O quê? Mais 15 ou vinte pessoas. Depois acaba. O que eu disse aqui cai num túnel, vazio como o projeto do governo para o Brasil. E tudo o que se escreva relacionado com o que está explicado aqui perde o sentidopara os menos favorecidos intelectaulmente. Por outro lado, não tem solução. Assim é o mecanismo dos blogs e tão cedo não vai mudar. Portanto, só os leitores fiéis terão uma visão um pouco mais completa da história, das muitas histórias que se passam aqui comigo e com outras pessoas. Eis toda a questão. É simples assim.

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Essa é umas das horas em que o sol ainda não deu as caras, que para nós ainda é como se fosse noite, não fossem os pássaros e o café que, da cafeteira, se prenuncia, soberbo, magnífico.
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Sonhei que estava sendo impedido de entrar na net. Simplesmente meu acesso era negado. No sonho a censura já esava instalada no país de uma forma ampla e irrestrita. A tal censura de imprensa que o Lula tentou criar, mas diante parou diante do clamor da sociedade. Essa mesma censura não impediu, entretanto, que ele proibisse o último livro de Fernando de Morais, tirando-o inclusive das livrarias. Pois bem, eu vivia num país assim, como de fato é Brasil e é essa coisa utópica do sonho nem tão distante é da relidade se temos livros de um escritor e excelente biógrafo como Fernando de Morais censurado. Qual foi, então, o sonho?A explicação é que eu não agira dentro das normas de ética da Internet. Que, sabe-se lá, não virão em breve?
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10.6.05

revisitando humanidades...

Escrevo o que penso e penso tanto sobre fotonovela quanto em Sabrina e até Keynes. Minha esperança é a de que me leiam com essa mesma possibilidade de distanciamento para que possamos pensar um pouco em cada uma dessas coisas que o mundo vem nos oferecer. O que o mundo não oferece também existe, temos apenas de ir buscar.

Temos o homem que nasce sem as duas pernas, existe o homem oriental e o ocidental, existe o homem viciado, o que tem o dom de ganhar muito dinheiro e tem o esforçado que não chega a parte alguma. Todos existimos debaixo desse mesmo sol. E por que eu falo de tudo isso? Porque estou num momento de profunda paz de espírito, racional, lúcido, situado no tempo e no espaço.

Esse prefácio é para dizer que devemos imaginar sempre que nem tudo é o que aparenta, que temos o sol e a sombra. Ambos ali, um fazendo margem com o outro, um ao lado do outro e os dois convivendo bem, sem se espantarem com o outro.

Imagino que com os homens seja a mesma coisa, haja essa possibilidade eterna de variações sobre o mesmo tema: o homem. Não podemos perder essa perspectiva, porque não vendo assim, de uma forma completamente aberta, tudo parecerá bizarro, louco mesmo.

Existem vários mundos dentro desse nosso mundo porque fazemos uma grande confusão entre a mente e o mundo exterior, ligando um ao outro quando não têm necessariamente que estar de acordo, ao contrário. Por exemplo: o mundo antigamente dizia que temos que ser racistas, mas minha mente pode achar que não existem seres inferiores.

A vida é cheia de um sol radiante, de tempestades incríveis e o que vemos pela rua é gente correndo, gente com pressa porque é sempre ali na frente que está a nossa solução. O que precisamos é morar e comer e consumir. E para isso temos que estudar e trabalhar. Uma equação bastante simples e lógica. Um bebê não exporia melhor. Temos simplesmente que resolver o rumo que desejamos. Desejamos estar nesse mercado competitivo? Desejamos estar de gravata e com o cartão de crédito sempre na iminência de estourar?

Vejamos uma outra pessoa que vá na contra mão de tudo, que resolva, por exemplo, recolher-se a um mosteiro e dedicar sua vida a Deus. Não me parece que duvidemos da sanidade de uma frade ou de um padre. Parece que está tudo certo, tecnicamente com ele, esse homem igual aos outros apenas escolheu um caminho que não é o da maioria, mas é perfeitamente aceito.

E assim vamos em tudo. Nas profissões por exemplo. Podemos ser confeiteiros, escritores, advogados, motoristas de ônibus, empresários, catadores de latas e por aí vai. Qual a diferença entre um catador de latas e um empresário bem sucedido? Parece que um ganha mais dinheiro do que o outro, tem mais posses, conforto. A vida impõe determinados caminhos, destinos, trilhas, atalhos....

[Vendo o caminho que esse pensamento vai tomar, por questões de fórum íntimo, resolvo abortar esse post aqui por considerar que não deve ser público. Continuarei o texto em outro local. Desculpem.]

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Ah....essas mulheres....

Leio nos jornais que uma pesquisa muito séria constatou que as mulheres de alta renda e alta formação casam muito menos, mas muito menos mesmo. Mais de 60% das mulheres de alta renda preferem viver sozinhas. Vejam só: 54% das mulheres que moram na Lagoa Rodrigo de Freitas (bairro nobilíssimo) vivem sozinhas.

Isso é a emancipação da mulher? Não creio. Pelo que entendo isso é a emancipação financeira de uma pessoa, qualquer uma, homem ou mulher. Ou seja, a maioria dos homens emancipados financeiramente se casam e as mulheres não, querem ficar sozinhas. Estou entendendo bem ou induzindo alguma coisa? Acho que não: estou falando de dados, pesquisa, percentuais.

Será então que, seguindo essa linha de raciocínio, as mulheres de alta classe são mais emancipadas do que as de renda menor? Eu achava que a emancipação da mulher não estava somente atrelada à renda e sim a uma série de outros comportamentos em relação ao homem e vice e versa. Era uma emancipação total, no sentido amplo da palavra.

Seguindo ainda, então as mulheres de renda média não são emancipadas? Emancipar é se manter financeiramente? É uma meia emancipação? Uma chamada emancipação de conveniência! Se ganho bem, moro só, se não, trato de casar. É isso ou estou entendendo errado? Parece que estou seguindo a lógica.

Seguindo essa mesma lógica, eu entendo que o casamento serve apenas como sustentação financeira. No mínimo, divisão de gastos. A mulher não precisando, se separa ou não casa. Então o homem não é o outro ser, ele é o outro provedor de dinheiro? É isso? Ainda partindo dessa premissa, seguindo essa pesquisa, quando a mulher é casada porque não tem renda própria ela faz valer sua emancipação só para algumas coisas.

Ou seja: está colocado aí de uma forma, clara, óbvia, que a mulher usa essa história de emancipação apenas para a bandalha. Quando a mulher não se sustenta, vejam que loucura! é liberta para dormir enquanto o macho troca a fralda do bebê, quando ela quer sair com um grupo de amigas, quando ela sair sem dizer onde vai ou mesmo se quiser experimentar outro homem. Pra tudo isso ela é emancipada. O patifão do homem deve ainda cozinhar e lavar roupa (por que só as mulheres?). Muito bem. Queimaram os sutiãs (e os peitos caíram), mas tudo bem.

Libertas, finalmente, as mulheres! Os homens ao contrário, devem ser mais atenciosos, menos grosseiros, mais gentis, devem deixar aflorar mais seu lado Feminino, devem ser compreensivos com a TPM e toda a sorte de sandices femininas. Ele, é o novo homem, moderno, o homem da era das mulheres emancipadas.!

Agora, se ela ganhar bem, fora homem! Ou seja. São umas patifas. Ordinárias! Atenção homens! Uni-vos! Cuidado, muito cuidado com as mulheres, grandes patifonas! Homens que se bastam, emancipados financeiramente: não se casem porque se fossem elas as emancipadas não casariam com vocês. Larguem o avental, as fraldas, e nada de lado Feminino. Já que é guerra, enquanto elas não se emancipam financeiramente não são verdadeiramente emancipadas. Linha dura com elas. Tolerância zero! Se possível, exijam que usem a bendita burca que nos redime!

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Loucura

Vocês já perceberam que não dá mais pra ler jornal? Não tem nenhuma notícia... são dezenas, centenas de páginas falando e analisando sob todos os ângulos o simplérrimo fato constatado que esse governo [juntamente com seu partido e os outros]. é um mar de corrupção e lama. O governo é corrupto e Ipanema pro PT não quer [dessa vez] os caras pintadas. Tão simples.... Por que analisam tanto o óbvio?
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ainda Dostoiévski

Eu sei que nessa vida cada um puxa a sardinha para o seu lado e acho isso demasiadamente humano. Quem não fizesse isso é que estaria na contra mão das atitudes, reações normais. Então o que eu quero dizer? Dia desses eu conversava com uma menina no trabalho. Tudo bem, estagiária de dedão e calcanhar sujo, mas o que fazer? Fazem parte [ainda que em formação] do mundo ou desse admirável mundo novo.

A moça [que fumava um cigarros atrás do outro] me jogou uma baforada de fumaça na cara [eles alem do calcanhar imundo não têm mais educação ou sou eu que estou ficando casmurro demais?] e disse que as pessoas que não gostam de Gláuber e não assistiram Terra em Transe, não conhecem cinema e, de certa forma, estão por fora do mundo. Eu cá com minhas esquisitices, acho o Glauber um chato, idiota, burro e incompetente que deu sorte e tinha mídia e virou uma espécie de moda [como as sandálias havaianas, por exemplo]. Não assistiria hoje um filme dele nem que me pagassem.

Mas é a tal coisa de cada um puxar a sardinha para o seu lado. Apesar de discordar radicalmente, não posso deixar de ouvir, mesmo que vomite logo depois no tapete do escritório. E daí veio o post aí em baixo, falando do Dostoiévski. Da mesma forma que a ignara acha Gláuber importante, fundamental, sei lá.... Bom eu acho Dostoiévski. Eu às vezes fico pensando que, pelo menos em sua fase adulta, depois do exílio, ele construiu uma literatura tão abrangente em psicologia, personagens, história, etc! Mais que Tolstoi, no meu modo de ver, Dostoiévski construiu um arcabouço literário social fundamental. Moderno, atual.

Por isso eu realmente me espanto, me assusto, me irrito de ver pessoas [esmagadora maioria das pessoas] não o conhecerem. E, ao mesmo tempo, sei que não é culpa delas [pessoas]. Quem não conhece Gilberto Braga? Quem nunca assistiu a uma das suas novelas? Ninguém. A cultura do Brasil é novelesca, ou melhor, tele-novelesca.

E o que resulta disso? Resulta na ignorância crassa, generalizada, na incapacidade cognitiva do brasileiro, nas oportunidades perdidas por causa da ignorância, na essência da tristeza atávica, inconsciente que se tem de ser brasileiro. Porque o Gil é Garota no Parque e fim de papo.

Eu escrevo essas coisas, deixa eu explicar logo antes que entendam mal. Eu escrevo essas coisas porque acho [nesse ponto sim] que, já que o governo tem têm um braço voltado para a cultura [até porque o mandatário é iletrado], o povo deve buscar seu próprio mecanismo [que são muitos, entre eles a internet].

Dostoiévski pois. A começar pelas profissões mais humildes. Edições populares. De que adianta aqui a gente fazer referências a José de Alencar, Machado de Assis....quem são eles? Tem que começar de Gilberto Freyre para cima. Lendo agora, acham pedantismo meu, depois que lerem um livro, dirão que eu estava coberto de razão. Aí sim, bem depois assistam Gláuber [e não esqueçam de levar um saquinho porta vômito].

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Dostoiéviski

Quando amanhece o dia fico imaginando que exista todo um movimento natural em que todas as coisas do lado iluminado da terra se enchem de radiosa luz. Os pássaros cantam, os animais diurnos que, imagino, sejam maioria, saem de suas tocas, os homens saem de suas camas e casas e tudo muda, como se o mundo estivesse começando. Talvez cada amanhecer deva ser considerado um no Novo Big Bang.

Sem querer ser de um otimismo idiota, eu diria então que se considerando um Big Bang a cada clarear, os homens deveriam estar purificados, como quem foi batizado num rio, como um novo momento, nova vida, tudo novo. A idéia parece estapafúrdia porque o ser humano é triste, sorumbático, tem contas a pagar e a mulher que incomoda ou o homem que falta.

Será que fazemos nossa vida ruim por que não nascemos à cada manhã? Será que, ao colocar a mão ao lado da cama e não sentir um corpo presente ou, ao contrário, sentir um indesejável corpo presente? Imaginar os problemas que estão se avizinhando com o avançar das horas, o estresse, os patrões, as contas, bancos, engarrafamentos, possibilidades de assalto.... tudo isso não é uma prévia do dia quando poderia ser exatamente o oposto?

Não há dúvida que estou rodando para chegar em algum lugar, mas não se assustem porque sou assim desde pequeno, começo como enceradeira, rodando sem sair do lugar e depois deslancho e.... não digo nada. E o que tem Dostoiévski com tudo isso? Tudo. Dostoiévski é um porto, um norte, um mastro para a humanidade. É como ver o mar. No Brasil (e em vários países) tem gente que leva 40, 50 anos para ver o mar e outros morrem sem saber o que é o mar). O que se pode esperar de um homem que não sabe o que é o mar, que não conhece o mar?

Acho, na minha sábia ignorância, que o homem precisa conhecer Dostoiévski. Eu sei que temos dificuldades de ensino, não temos o hábito da biblioteca, temos a cultura da incultura, temos o Lula e o Gil, mas ainda assim acredito que todas essas coisas podem ser mudadas. Dostoiévski é fundamental. Para qualquer um: rico, pobre, branco, negro, poeta, porteiro, gari e empresário. Ele é acessível a todos.

E se os livros são caros [o que não é verdade, o povo é que ganha muito mal porque o estado brasileiro gasta um estupidez em inutilidades fora os mensalões], bom que se editem livros de bolso, em papel vagabundo. Dostoiévski tem que ser vendido em banca de jornal e gari tem que ler depois do almoço ou no trem para casa.

Vejamos o McDonald essa potência do império americano. Quando é de seu interesse, não fazem aquelas toalhinhas para as bandejas com um monte de inutilidades? Por que não colocam trechos do autor, trechos que vão chamar a atenção das crianças, vão despertá-las para, sedentas, irem em busca dos livros. Falava então do amanhecer porque queria dizer que a manhã para mim é a melhor hora para ler.

Evidente que é um privilégio meu por causa do meu horário de trabalho. Mas será que os que não entram nos empregos muito cedo não podiam acordar meia hora antes e sorver 4 páginas de Dostoiévski? Quando o médico manda que levantem mais cedo para fazer um exercício, levantam. Então façam o mesmo com a leitura. Porque viver sem ler Dostoiévski não é viver, é não saber que existe mar e estrelas. Melhor enfartar com Os Demônios nas mãos do que uma pelanquinha a menos conseguida com horas de malhação. Bom, vou ser políticamente correto: façam esteira ou bicicleta ergométrica lendo Crime e Castigo.
[e acabei não falando o que eu queria, como sempre].

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9.6.05

Reminiscências

Estar nesse troca troca o tempo todo estressa a humanidade. Um estresse que não aparece que deve levar muitos anos para dar o seu sinal e quando vem deve ser retumbante, estúpido, inenarrável.
Trocamos de posição várias vezes num mesmo dia. Ora somos patrões, ora empregados, ora tranqüilos, ora duros e até mesmo agressivos, dóceis e impositivos, tristes e alegres e outras coisas mais que não acho conveniente falar aqui.É muita coisa para um ser humano só, eu acho.

E existem momentos piores, como o que relatou um amigo que estava aqui ontem comigo: é quando você sente que as coisas estão quebrando e desmoronando lá dentro, quando você se dá conta que, de repente, tudo aquilo que você foi não é mais, como se um novo "eu" estivesse entrando agora em seu corpo. Como se nesse corpo velho, uma alma nova estivesse habitando.

O que faz com que essa alma nova, completamente diferente, venha habitar o meu corpo? Como explicar que de um dia para o outro, ou ainda, de um ano para o outro e não sou mais aquele e sim uma outra pessoa, com outras vontades, outras capacidades e incapacidades que nada têm a ver com quem sempre esteve aqui? Posso ir buscar a resposta na metafísica, o que seria uma boçalidade porque está claro que a resposta está na psique, na psiquiatra. E, como é tabu, como podemos fazer e falar tudo menos em psiquiatria porque as pessoas te olham de lado e não têm paciência, se irritam maesmo!

Chegamos a um ponto tão absurdo, veja só, que a clonagem [humana ou não] é mais aceita do que uma doença qualquer na área psiquiátrica. Se aparecer uma pessoa de repente se apresentando e realmente sendo um clone de uma outra pessoa, teremos mais atenção, vamos considerar muito mais normal esse clone do que um neurótico. A doença mental, tenho lido e visto na prática, leva a coisas delirantes [e sóbrias]

Estava dizendo ontem também a uma amiga por telefone que percebi uma coisa que nunca tinha pensado antes: muitas pessoas devem ir ao suicídio não exatamente pela depressão, mas pelo sofrimento da depressão e a solidão, a incapacidade dos outros em te aceitarem deprimidos. E acho que isso é com todo problema psíquico: é mais fácil o camarada se matar do que conseguir se fazer entender para que tomem alguma providência para que o sofrimento dele diminua. O suicida é um 'assassinado' pela sociedade. Os amigos é que são homicidas.

Hoje mesmo cedo, quando abri minhas correspondências tinha uma carta interessante, de uma leitora que se dizia reconfortada de vir nesse espaço e ler a exposição dos 'males do espírito', colocados de uma maneira tão clara, verdadeira, sem medo de rótulos. Diz que, [pede para não ser identificada], que é neta e filha de pessoas com história de psicose, que ela já teve seis ou sete surtos e que seu filho, ainda pequeno (12 anos) demonstra já que....alguma coisa não vai muito bem com ele também.

Como muitos outros leitores ela achou, à princípio que esse fosse um espaço de discussão dessas coisas. Expliquei em minha resposta que não, que não era apenas isso, que falávamos de tudo aqui, embora esse assunto por uma série de motivos fosse recorrente aqui.

Disse ainda a ela que é um assunto a mais e interessante (a meu ver), como nas revistas semanais, nas conversas on line na internet e nos programas de entrevistas de televisão. Talvez eu, por ser meio louco também e não ter a menor vergonha [muito ao contrário, e sim honra porque não faço nada indigno que tantos fazem], não tenho a menor vergonha de debater, principalmente de relatar as coisas que acontecem, que sinto e etc. Quem sabe, não servirá para alguém esse relato? Se não servir, basta pular.

Mas tudo isso são apenas conversas, troca de idéias, teorias que podem ou não podem ser como são. Nada é definitivo, não tratamos com especialistas aqui. Tudo o que vai relatado não tem a menor chancela acadêmica, cátedra, nada. Mas eu dizia, sim, eu dizia que o que vejo[e me interessa e emploga] muito simplesmente são confissões, impressões e relatos de correspondência. Existe uma coisa interessante e bacana nesse espaço. Há uma quantidade de correspondência boa, de gente boa simpática, gente que está tentando ver e sempre rever o mundo. Por outro lado tem os idiotas que só sabem me chamar de reacionário. A conferir.


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Chatice II - Doméstica

A ida ao mercado é uma das coisas mais chatas, cacetes que eu conheço. É engraçado porque há cinco anos atrás ou seis, não me lembro, eu tinha prazer em fazer compras no super mercado. Com a velhice chegando, as fobias e todo esse lixo humano que a gente vai virando, tudo mudou.

Fico sofrendo, pensando no dia em que terei que ir ao mercado. Aí chega um dia que não tem solução: tem que ir. E se tem que ir.... não há jeito. É ir mesmo e pronto!. Tomo providências para agilizar o processo. Procuro fazer uma lista de compras necessárias e chegando lá, saio correndo com o carrinho. Não olho para os lados.

Vou direto em cada gôndola, pego rapidamente o que está lista e vou adiante. Não olho se existem marcas novas nem comparo preços. Pego tudo o que preciso e saio. Procuro comprar poucas variadade de coisas e muita quantidade do que realmente consumo.

Entro na insuportável fila do caixa, pago, boto no caro e venho embora. E quando chego, me sinto aliviado... penso que por muitos e muitos dias não terei que voltar lá, aquela coisa chata, cheia de gente indolente que fica, retardada, em frente às gôndolas, como se estivessem vendo um ET!

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Chatice I - a Imprensa

Não estou mais lendo o jornal. Os jornais são, todos, de cabo à rabo notícias sobre o escândalo do PT. Não tenho a menor paciência. O Lula é um ditador e o governo e o PT e os partidos aliados são corruptos. Pronto. É apenas isso. Esse fato. De que vale perder horas, lendo filigranas, vírgulas do como e porquê e em que circunstâncias se deram as maracutaias [para usar a palavra que aprendi com o Lula.

O resto não interessa. Quem nunca comeu melado...
O governo e os partidos são corruptos, sujos e estamos num mar de lama. Está resumida assim a situação política do Brasil. O mais são detalhes irrelevantes para o fato em si. Agora, esperemos as urnas. Ponto final.

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Acordar é um dormir ao contrário. Foi o meu primeiro pensamento ao despertar. Mas será realmente? Não sei. Sim e não. Sim porque um é o exato inverso do outro, mas acho que existem variações estilísticas. Como assim? Explico. O sono, vem manso, insidioso mesmo nos dopados de soporíferos, ele vem devagar, vem chegando mais ou menos, pé ante pé, enganando.... quando pensamos que foi, não fomos ainda, abre-se um olho e volta aquela coisa difusa, sonífera.

Meu despertar é ao contrário. Subitamente, sozinho ou ao comando do despertador, meus dois olhos se abrem rapidamente e, na mesma velocidade, levanto da cama como se estivesse acordado há muito tempo e passaram-se apenas segundos que estava eu ali, como um morto naquela cama de rainha velha. Tenho repetido, mas não custa. É a hora da solidão o início da manhã, esse momento que passa do escuro para o claro, de uma coisa para a outra, a mudança leve, quase imperceptível, vaga, diáfana como uma virgem de 12 anos.

Lembro da minha época de jovem, há tanto tempo num ônibus que vinha de Salvador para o Rio, lendo As Brumas de Avalon, grande sucesso de vendas na época. A imagem da deusa, sim, vejamos bem, era uma deusa que ia em pé em sua canoa rumo a Avalon, desvanecendo-se em meio às brumas. Esse é o momento do meu dormir, como já disse. Quando deito e me aconchego estou como aquela mulher mágica de pé em sua canoa que desliza silenciosa e mansamente em direção às brumas. E nelas adormeço.

Falo disso porque gosto de falar pela manhã do ato de acordar, como um renascer de cartas marcadas, É isso: acordar é um renascer com as cartas marcadas. Da mesma forma que fé sem liturgia não tem o fulgor, não tem nada feérico, é como uma fé apagada, inexplicável, pequena, dúbia.

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8.6.05

tristes especulações

O que eu estava escrevendo numa espécie de "ata de sentimentos para a posteridade'' é que entrei por um caminho errado. Sem má fé, acredite, publiquei aqui coisas impublicáveis e a meia dúzia de leitores dessa coisa tomaram isso ao pé da letra e quando vi, estava me explicando mais do que me agrada. Eu não gosto. Aliás, eu não me explico. Até porque, reconheçamos, eu sou inexplicável.

Acontecem confusões [minhas mesmo] e as pessoas têm percepção errada e imaginam que estão percebendo o que não há. Ao mesmo tempo passam ao largo do que acontece. Chega a ser engraçado [não fosse patético]. Adiante. Chego a rir sozinho feito um velho destrambelhado [que sou].

Eu repeti e estou repetindo um erro crasso que uma velha senhora cometeu há muito tempo atrás. Mostrou-se demais, de uma maneira hiper valorizada e tornou-se alvo de atenções. E não é bom ser alvo de atenções. É bom, como diz minha boa amiga, passar desapercebido.

Dia desses disse a ela o quanto lhe queria bem e o quanto estava aprendendo com ela. E não é um elogiozinho barato porque eu já estou muito além dessa fase. Levei 50 anos para descobrir numa conversa numa madrugada se não me engano, que a gente deve passar desapercebido. Não vou dar o nome dela não!

Porque os amigos ou conhecidos ou amigos de ocasião ou inimigos ou seja lá o raio que for começam a fazer especulações idiotas. Aliás, devia-se aprender de uma vez por todas uma coisa tão translúcida: toda especulação é idiota. É ridícula. Quando você especula você está dizendo aos outros [e a você mesmo] que não sabendo de coisíssima nenhuma , você não agüenta uns minutinhos de silêncio, você tem que ficar tagarelando. É como se você jogasse na loteria apostando no número 75. Aí o número sorteado é o setenta. E você diz: mas poderia ser o setenta e dois ou, olhando com mais cuidado, diria que seria o setenta e sete. E por aí vai feito um babão sem perceber que você não entendeu o óbvio: O número sorteado foi o setenta. Ponto final. Não tem argumentação, hipótese, especulação.

Ou ao contrário. A loteria ainda não correu e você tem que apostar. Não sabe em qual número e COMO NÃO SABE começa a especular. São dez milhões e quinhentos mil números e você pode especular sobre cada um deles. Todos são especuláveis. Você pode até saber [o que é um saber tolinho, inútil] qual o número que está fora de cogitação, de especulação, que seria, por exemplo o um milhão, quinhentos e cinqüenta mil. Tá. E daí? A questão é: porque especular sobre um e meio milhão de números?

Assim estão as coisas. É o que estou vendo. Existe uma especulação generalizada, da qual participa desde o presidente de uma empresa [medíocre] até o pipoqueiro [não medíocre] que fica ali na porta vendendo pipocas velhas. Todo mundo tem uma idéia, todo mundo tem uma verdade, todo mundo especula.

E não é nada disso. Sabe, de verdade, quem pode e tem que especular? A pessoa que você elege. Você [que, afinal, é o objeto] chega e diz que pelo que está percebendo em você as chances são mais para cá ou para lá. Você é que tem que especular. E pode, claro, eleger alguém que especule junto, que pense junto com você. O resto é lixo, são zeros e uns jogados fora aos bilhões, são neurônios queimados aos milhões, é fofoca, é nada.

Vamos tratar então de aprender essa lição [porque só os nobres, só os que possuem grandeza de espírito podem se dignar a aprender - porque os idiotas já sabem tudo]. Como ia dizendo, vamos todos juntos, que nem tabuada no primário, todo mundo falando alto e memorizando: Só especula o objeto e o seu eleito. O resto é falta de tanque.

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Breviário

Eu tinha muitas coisas para contar aqui, umas nada sérias e rever alguns assuntos que ficaram pelo meio, aí pra baixo, como eu tenho o hábito, esse péssimo hábito de fazer. Mas eu queria repetir quase literalmente um post que fiz há bem pouco tempo porque acho importante relembrar ou, pra quem não viu, falar. Queria marcar isso. Vai fazer bem a mim e a quem puder usufruir.

Eu dizia que na época que quando a minha tia morreu, a neta dela me disse pra ir na casa dela pegar uns livros, lá o que eu quisesse porque eles iam vender mesmo. Eu fui. Fui por vários motivos. O primeiríssimo é que seriam lembranças fortíssimas da minha tia que teria junto a mim e outro é que nós dois adorávamos livros e tínhamos gostos regularmente parecidos.

Bom fui lá, escolhi alguns volumes num chão tomado de montanhas de livros. Meu critério de seleção foi: primeiro o que eu imaginava que ela não gostaria que se desfizesse e segundo nossos gostos parecidos. Trouxe, com esses dois argumentos, dezenas de livros. Todos legais. Dei alguns ao meu irmão e guardei outros. Guardei comigo exclusivamente volumes que eu e ela adorávamos. E daí vem a história.

Tem um volume chamado Nelson Rodrigues, O REACIONÁRIO, Confissões e Memórias, da Editora Record/1977 que é um tesouro. É uma antologia como não lembro de ter visto antes. Bem verdade, como já escrevi também aqui, que a Cia. Das Letras está relançando toda a obra do Nelson, inclusive essas crônicas, mas em volumes menores, mais divididos (para vender mais, naturalmente). Não. Estou falando desse volume, guardem bem: O Reacionário, editora Record/1977, quem sabe com uma sorte absurda não encontram num sebo (onde esse, certamente ia parar?)

Como era inteligente, sensível, perspicaz, o Nelson. Como captava todos os sentidos de todas as coisas, da vida, da morte. Como é trágico e cômico ao mesmo tempo, fazendo com que nosso coração ora se aperte e em seguida uma gargalhada nos venha de dentro! Bom, quem quiser procure o outro post onde conto como eu e a Kakay ficávamos assistindo ele [Nelson] na mesa redonda aos domingos e como nos divertíamos. Esse volume, reconheço, anda comigo como um breviário com um santo bispo.

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Chame o Ladrão!

Vejam bem o que vou contar, como são impressionantes as coisas. Além da esbórnia, da mamata, maracutaia e tudo o mais em Brasília, acontecem por aqui coisas muito piores. Porque crime de rico, desvio de dinheiro do governo não dá em nada, vai ter uma CPI e acabar. Com pobre a barra é mais pesada. É bala, tiroteio, sangue mesmo e não a expressão 'cortar na carne'.

Como eu ia dizendo aqui é muito mais pesado, é sangue mesmo. E eu estou conversando com uma pessoa e ela de repente recebe o telefonema de um homem que diz que a está seguindo e vai seqüestrá-la. Isso mesmo o que leram: Seqüestro! Ela diz que é trote e o outro, do lado da linha descreve exatamente aonde ela está, a hora em que saiu ontem, o carro que pegou. Cor, inclusive. Ou seja. Estão seguindo mesmo, não é mentira.

E aí? O que a gente vai faz? Continua saindo e espera acontecer? Não sai mais de casa? Contrata uma companhia de segurança? Mas não é uma pessoa de posses, é pobre, normal, trabalhadora. Não há porquê seqüestrar. É porque o Brasil chegou a um desgoverno tal que se seqüestra até em troco de 50 reais! É assim! Então, a pobre, agora ameaçada, vai sair do trabalho mais cedo, rezando para despistar os seqüestradores e vai para casa. E amanhã? Bom, amanhã, não pode ir trabalhar. E depois de amanhã? Também não.

Seqüestrador não morre de enfarte [ao contrário, são saudabilíssimos!] portanto, esse vai ter muitos anos de vida e muitos seqüestros ainda a realizar. E a minha amiga faz o quê? Não trabalha mais? Bom, ela não trabalhando por 7 dias vai deixar de valer 50 reais, vai passar a valer 30. Se ficar mais uma semana em casa vai passar a valer 5 reais. Pouco? Não. No Brasil se seqüestra por relógio de camelô, de 2 reais.

Já sei que tem gente apoplética, babando, gritando que eu sou reacionário e que se existem roubos e seqüestros, é por causa da péssima divisão de renda, porque não existem empregos, porque os burgueses andam de carrão enquanto outros passam fome e tal e tal. A culpa, em suma, é da sociedade, ou seja, minha. Porque eu tenho meu carrão, esse Gol de dez anos atrás, moro de aluguel e como Miojo. Eu sou a sociedade! O Burguês! Eu produzo a desigualdade que gera os seqüestros. Mais simples: eu vou seqüestrar ou mandar seqüestrar a minha amiga. Eu!

Não pode chamar a polícia porque se tem medo da polícia, não pode chamar o ladrão porque não existe mais aquele ladrão romântico e comunista que o Chico cantava, então fico pensando no que fazer. Se minha amiga não for mais trabalhar, talvez não seja seqüestrada. Vai virar mendiga e um outro mendigo, o dono do pedaço que ela vai querer ocupar, vai estourar o crânio dela em dois mil e quinhentos pedaços.

E agora? O que será melhor pra ela? Crânio esfarinhado ou seqüestro [sabe-se lá o que virá depois]? Não me parecem duas boas opções, mas espere! Voltemos tudo e vamos dar mais atenção ao escrito!. Estou iludindo o leitor! Estou induzindo-o a seguir um raciocínio falacioso, porque a resposta à questão já foi dada lá atrás. O culpado do seqüestro de pobre pra cobrar 50 reais é da sociedade e quem é a sociedade? Várias pessoas inclusive eu. Se formos inteligentes e perspicazes, se deixarmos os panos quentes um pouco de lado, numa equação óbvia, digna do engraxate de Hercule Poirot, concluiremos o óbvio.

Quem está seqüestrando a minha amiga é a sociedade e a sociedade sou eu. Eu sou o burguês endinheirado de carrão [Gol 97! Uau!], que tiro sem dó nem piedade a comida da boca do pobre, eu levo o pobre ao desespero de fazer qualquer coisa para alimentar sua prole. Quem tem que ser punido, justiça seja feira, sou eu. Olhando por um ângulo mais apurado, digamos um "Ângulo VIVA RIO", pode-se muito bem afirmar, sem margem nenhuma de erro que quem telefonou fui eu e, se a polícia não me capturar, se não agir nos rigores da lei, por meu intermédio, graças a mim, uma inocente morrerá amanhã. Aguardo então, com os punhos já estendidos! Que venham as algemas redentoras!

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Rótulo & Patrulha

Porquê não escrevo. É simples. Está acontecendo um fenômeno comigo, o que não impede que seja um erro meu, uma coisa que tenho que 'acertar'. Eu quero falar de coisas que [para mim] são sérias, venho para o computador com a coisa toda pronta na cabeça e me distraio no meio do caminho.

Venho com a maior boa vontade contar coisas risíveis, coisas desesperadamente atrozes, dúvidas e questionamentos pavorosos ou engraçados e quando começo a escrever, minha atenção 'escorrega' para as fantásticas charges do Chico em relação ao mar de lama no governo, por exemplo e aí vem feito bola de neve, meu sangue sobe, minha sobriedade e isenção se partem em mil cacos e eu acabo por falar do noticiário.

Ora, esse não é um espaço [um blog] voltado para noticiários eu sempre falei aqui do comunismo, da "Ameaça Lula", do "risco PT", enfim, de coisas que são anteriores à política, essa de agora, comezinha, do dia a dia. Isso não me interessa. Só tenho saído das minhas pretensões de escrevinhador porque o governo Lula começou como desastre e agora é calamidade pública.

Mas voltemos então. Tem gente ainda querendo fazer o fórum de discussão sobre melancolia [7 mails ontem]. Eu preciso encontrar um meio "off blog", porque não poso ficar falando de depressão em todos os posts, entendam. Porque esse blog não tem o tema depressão. Esse, aliás, é um não blog, não me encontrei ainda, desde 2001 não me encontro, vou, ao sabor da maré, tenho me deixado levar.

Então, esse fórum está sendo encaminhado, ok? Os jornais, só pra encerrar o assunto, trazem um panorama nigérrimo em política. Acho que nem no Collor foi pior. Porque se houve aquela roubalheira toda naquele governo [e houve mesmo], em contrapartida, ele, Collor, deu um choque de modernidade ao país. O Lula tem o mesmo esquema corrupto (ainda que ele diga que é de uma candura ilibada), mas traz o retrocesso os 'Legionários da Esquerda Idiota', uma raça infindável e que não se consegue extinguir. É igual a barata.

Mas o que eu ia dizer? Ia falar da importância da informação nos blogs. Claro que eu falo dessa corrupção por exemplo [que outros também falam], mas posso fazer uma poesia, por mais canhestra que ela seja. Posso reproduzir, copiar para cá, uma bela página de um Neruda, posso falar da minha angústia em relação aos livros que somem e um dia explicar como livrarias "Mega" não prestam e como a Travessa presta. Posso falar, ainda da minha vizinha mendiga [uma agudíssima sábia, a meu ver]. Porque o sábio não é o que aparenta aos outros ser sábio e sim o que é essencialmente, para o seu 'eu', de encontro a tudo o que é convencional, se sente, ele próprio sábio e toma atitudes e leva uma vida sábia sob o SEU ponto de vista.

O amigo que me sai daqui, mochila nas costas e capacete à tiracolo sai combalido. Sai porque foge. Não de mim. Da vida. A vida dele está mal [se pensarmos bem, ainda que vá aí uma ponta de niilismo, as vidas vão mal grosso modo] Então esse amigo sai e vai pegar sua motocicleta porque andando de modo, segundo me diz, afasta um pouco da angústia que sente. É um paradoxo. Ele precisa estar sozinho e, diametralmente oposto a mim, tem medo da solidão. Digo que só a solidão, ao que eu chamei de Choque de Solidão, fará com ele pense e reavalie a vida, mas [ele] não consegue.

Algumas pessoas se fecham em si mesmas e são vistas pelo outro como excêntricas ou, digamos lá a verdade, doentes. A opção por estar só e quieto é considerada doença. Pra você não ser doente tem que fazer ginástica, caminhar no calçadão, rir muito e outras tantas coisas. Isso é o ponto de vista do outro. O ser humano, eu já disse, é um ser essencialmente social. Agora percebam BEM a sutileza e a importância da palavra ESSENCIALMENTE. Por quê?

Porque trata-se de humanidade, de tribos, grupos, formas convencionais. Mas, assim como existe o excepcional, o que não tem uma perna, o que é mudo, o que é em suma, especial seja lá pelo que for, ainda assim esse alguém pode ser normal dentro do SEU conceito de normalidade. Não se deve julgar à priori. O cego não vê. Está à margem porque, ainda que disponha de várias alternativas que não o incapacitem, não deixe de ser cego.É especial, diferente sim.

Então se, hipoteticamente eu digo que não quero sair muito de casa, que sou feliz arrumando minhas coisas, jogando paciência, lendo, escrevendo ou falando no telefone, não sou um doente nesse sentido mais agressivo do termo (se pensarmos bem, poucos o são). Tenho peculiaridades diversas, sou especial em relação ao outro, o que não me rotula porque, fique claro, a essa observação fundamentalíssima que é são as palavras "ESSESNCIALMENTE SOCIAL". Podemps não estar 'contidos' nos ESSENCIALMENTES, pode ser diferente, especial, que seja.

Estou falando porque quero, mas sei que estou respondendo com isso a dois mails. É preciso rever essas idéias, esses conceitos mofados de que não se pode fugir ao padrão.Um bêbado, por exemplo, é aceito porque não foge ao padrão. Pode até não ser bem visto, mas é aceito porque desde criancinhas sabemos que existem e sempre existirão bêbados. Ora, isso é uma retumbada, rútila estupidez! Um mongolóide pode porque está no padrão, pequenas neuroses que causam pânico ou um certo TOC não podem porque 'não' está no padrão? Que mundo é esse que estamos criando, escrevendo?

A meu ver, toda essa porcariada, todo esse entulho preconceituoso tem que ser jogado fora. Há que existir uma certa complacência e respeito mútuos, ISSO SIM, o que não acontece hoje. Se uma pessoa grita e eu não gosto de grito, tenho que ser complacente não me estressando e quem grita tem que se moderar pra me respeitar. Quem é ansioso merece a complacência do outro e tem que procurar se acalmar para respeitá-lo e assim é com a depressão e milhões de outras subdivisões das nossas ações, do nosso comportamento nesse dia a dia.

Tava conversando com meu amigo essa coisa de comportamento, caráter e doença. São coisas que têm fronteiras muito tênues e que devemos estar atentos para não misturar uma coisa com outra. Se uma pessoa está comigo e tem uma ausência eventual e volta depois e eu repito o que tinha dito e continuamos animadamente nossa conversa, essa pessoa não tem que ser rotulada. Se uma pessoa vem conversar comigo e me percebe quieto, triste, acabrunhado, da mesma forma pode levar a conversa até onde for possível e ir embora feliz, sem me rotular.

O rótulo é uma coisa legal, eu acho. Claro que temos que nominar e rotular todas as coisas, não fosse assim o mundo seria uma mixórdia inenarrável, seria um não mundo, colocaríamos o papel higiênico na cama, almoçáramos na privada, etc. O problema do rótulo é que ele é muito próximo da patrulha. As pessoas não qualificam bem o rótulo e passam a patrulhar. E eu digo isso de todas as pessoas, incluindo-me com louvor nesse grupo. Acho que o mundo seria melhor se conseguíssemos rotular com distanciamento e afeto e jamais com patrulha (respondo assim a mais um e. mail). E esse assunto se estende. Volto à ele depois.

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Decrépito

O jornal embaixo da porta me prenunciava coisas ruins hoje cedo quando eu fui preparar meu café e [tomar] meus quatorze comprimidos matinais... A maior manchete, pude ver com ele ainda no chão, falava em "cortar na própria carne". Não sei bem o porquê, mas a verdade é que eu tenho aversão a essa palavra, acho que sempre que alguém diz que "vai cortar na própria carne" está mentindo. E muito. Mas, vamos lá

Preparo meu café com a mente absolutamente embotada. Ontem devo ter me excedido na medicação (que estou tomando em esmero pra sair logo dessa. Talvez um eletro choque fosse mais simples, não?)

Sabe aqueles velhos que têm enfisema, que não estão mais situados no tempo e no espaço? Aqueles que acordam com dores nos quadris, artroses, tosses e todas as coisas que fazem parte da senilidade? Pois bem, sou eu.

Dou um giro em torno (tenho pânico dessa palavra, os psicanalistas entendem) do jornal sem me abaixar e, depois tomo meu copo cheio até a borda de café. Muito vagarosamente as coisas vão melhorando, o formigamento nas pernas, enfim, a velhice ampla e final, vai me deixando um pouco de lado, ou melhor finge que está me deixando em paz.

Todo velho quando acorda tem a visão meio turva, é necessário um tempo para que a coisa toda se focalize. Digo isso sem medo de errar, são depoimentos de outros velhinhos iguais a mim. Pois então.

Na verdade, como sempre, eu ia dizer outra coisa, mas vou deixar para daqui a pouco, contento-me em deixar registrada aqui apenas a degenerescência do corpo humanos aos 50 anos, embora a gente veja na rua muita gente de até muito mais esbanjando saúde. Não é isso. Não falo depois do pó de arroz, nem das dores e limpezas pulmonares, falo da hora profunda, inefável, a hora da verdade. Falo, eu digo, da hora em que se levanta da cama, se olha no espelho e se cospe (e tosse) na pia. Falo isso mais como um alerta para as jovens idiotas [toda jovem é idiota] que têm um sonho enervante e excêntrico em relação aos mais maduros. Não existe maduro, existe podre!

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7.6.05

Recortes

"Só que há uma enorme ilusão... não é a periferia q tem voz e lança o funk... é Ipanema que elege a periferia e o funk! Eles [periferia] são usados, são massa de manobra e não vêem!"
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"Sexta à noite v.não passa na Lapa de tanta gente.... e só carrão importado... Agora, vai lá agora de manhã e vê bem o que é a verdadeira Lapa!"
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"A garotada leva sua sujeira e suas drogas para longe de Ipanema, para longe das boas famílias. E esses lugares viram point!"

(tirado do chat)
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O Brasil de Ipanema

Fico pensando no momento podre (mais uma vez) por que passa o Brasil. Lula é o Collor 2 às avessas. Tudo bem, não há o que discutir, isso é uma democracia e não queremos voltar a uma ditadura militar [que, nesse caso, seria menos mal]. Isso tudo eu entendo.

O que me estarrece nessa história toda é ver como abjeta é a juventude desse país, como é omissa e anestesiada! Na época do Collor tiveram os 'caras pintadas' porque era um movimento chique, partiu de Ipanema para o resto do Brasil. Lutava-se, ainda ali para exaltar o Lula e seu socialismo (comunismo radical oculto) absurdo.

Os meninos e patricinhas de Ipanema foram para as ruas contra o Collor, mas, idiotas, não era contra o Collor. Era à favor de um mundo melhor, da implantação do socialismo do Lula. O Lula saiu do interior do nordeste e caiu no colo, entre os bem pensantes de Ipanema, virou grife, objeto do desejo, formador de opinião do que era politicamente correto.

Porque não tem como as pessoas continuarem se iludindo. Quem dita as regras da sociedade no Brasil É IPANEMA! O Brasil repercute, o que os intelectuais endinheirados de Ipanema e Leblon dizem. Sempre foi assim. Quem mora em Madureira não começa nada. Só tem voz quem for endinheirado de Ipanema. E agora? Como as famílias de classe média, os riquinhos vão besuntar a cara dos seus filhinhos de verde e amarelo e mandá-los para a rua se o que acontece foi promovido por eles mesmos?

O sonho acabou. E quem é formador de opinião está mudo, silenciado porque foi quem fomentou o ideal do "Sem Medo de Ser Feliz". E agora? Quem vai gritar que é lama? Quem vai gritar na rua que errou? Intelectual de Ipanema, morre mas não admite um mundo sem o Lula [ao contrário, vão cofiar a barba e tomar mais um chopinho]. Só que, no fim, morrem eles e toda a periferia. O Brasil é a periferia de Ipanema.
O Brasil repete o que o Viva Rio diz, o que o Basta!, diz. O Brasil não tem cara. Nem culpa. É um país de ignorantes, iletrados, um povo que não sabe o que é um telefone celular, nunca leu um livro, nunca foi ao cinema. Só conhece personagem de novela. O Brasil tem um povo politicamente orientado pela novela das oito e pelo que dizem os intelectuais de Ipanema e pela turma que abraça a árvore na Lagoa.

O Brasil tem vergonha de si. Todo brasileiro queria, no fundo, estar abraçando árvore na Lagoa e tomando chopinho à tarde em Ipanema. Não estão. Estão abarrotados em trens e vans e o diabo. Têm uma vida desgraçada! Mas sonham! O Brasil sonha com a zona sul do Rio. E politicamente, a zona sul do Rio é podre, abjeta, muito, mas muito pior do que qualquer lugar. Pior que a Bósnia, o Iraque. O Brasil que tem mídia, o Brasil zona sul, adora, venera o Bin Ladem!

O Brasi lprecisava acordar e ver que o Rio e sua inteligência é podre. Qualquer subúrbio de cidade do interior poderia ser melhor do que Ipanema!

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Alternativas

Pensar em alternativas para a vida. A gente pensa em alternativas para trabalho, para os amores, para as religiões, para as guerras, pra tudo.... Esquecemos, eu acho, de criar alternativas para a vida....

E, por mais incrível que pareça, é isso que é importante ver, a gente não cria alternativas para a coisa mais óbvia....O Nelson Rodrigues, coberto de razão, dizia que a gente não vê o óbvio [e como ele era sábio]... A vida precisa de alternativas porque o que mais acontece segundo a minha mendiga particular (que mora na minha esquina), como eu dizia, o que mais acontece é a vida nos encurralar... vejamos o PT por exemplo...

O PT sempre foi baderneiro, arruaceiro, antro de comunas treinados em Moscou, Cuba e China, sempre quis implantar a ditadura do proletariado aqui e sempre soube criar suas alternativas. Por exemplo, o Lula, pra comandar a arruaça, perdeu um dedo por incompetência e se aposentou, depois ganhou outra aposentadoria porque foi prejudicado pela ditadura... Claro que sua incompetência administrativa, como de resto, em tudo na vida, nunca deixou que ele fosse nada...

Sim, porque convenhamos nós aqui nesse cantinho, que o 'China' não nos ouça: ser Presidente de Honra do PT é não ser nada, é uma alternativa pra viver nababescamente, insuflar o povo ignorante e tentar desestabilizar todos os governos porque eles vencem assim, desestabilizando...uma espécie de tara, imagino. Mas em matéria de alternativas ele foi mais longe...

Se o Jefferson estava com o Collor, a alternativa para desestabilizar o Collor era bater no Jefferson.... se pra se eleger presidente, para os conchavos que o levariam à presidência a alternativa era dizer que era amigo do Jefferson ele o fez. Criou alternativas além do necessário. Sem ninguém perguntar disse 'confiar tanto a ponto de dar um cheque em branco ao Jefferson'....vejam só: é a alternativa para a alternativa!

Por fim, quando começa a aparecer o mar de lama do Lula, do Governo, do PT e dos aliados na mamata, nosso presidente (já não tanto de honra, ou sem tanta honra pelo que alardeiam as manchetes), dizia eu, nossa Presidente solta as burras do dinheiro público para tentar calar a CPI. Pagará (eu, você, nós, com nossos impostos), eu falava disso, ele pagará, subornará (quem sabe chama o mafioso Stédile para matar se for necessário?) a quem for, custe o que for como alternativa, sempre ela, a calar as Comissões Parlamentares de Inquérito. Ele ainda acredita na alternativa de não acabar como o Collor!

Só que o Jefferson também não é bobo (quem é amigo do Collor e depois do Lula, de bobo não tem nada). Já que pegaram ele com a boca na botija e o PT fingiu que nem conhecia... bom, aí nosso "multi" Jefferson sacou da sua potente e severa alternativa que foi falar tudo (ou quase tudo) como uma metralhadora giratória respingando lama e merda em todos os partidos com louvor para o PT. Acabou?

Não. Poderíamos dizer que a lama, o mar de lama do PT poderia afogar o seu presidente de honra e, mais uma vez, olhem a alternativa sempre na manga: ele não é mais presidente do PT e sim do Brasil. Só não há, infelizmente, alternativa para uma coisa: constatar que todos, inclusive os políticos são o caldo, a parte mais suja do mar de lama que é o próprio Brasil. E assim afoga-se o presidente, o partido e o país. Sem alternativas. Ou não.

Mais uma vez, acabei desviando um pouquinho do assunto que era mais agradável, mais puro, limpo. O assunto era (e será em breve), as alternativas que podemos criar para ter um mundo melhor. Esse era o ponto desse post que acabou sendo engolido por essa tsunami de lama que assola o Brasil.

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Na medida

Acordo de um sono estranho, embaçado, como quem estava anestesiado, algo que lembra éter. Lembro do carburador do meu carro. É preciso trocar o fluído, é preciso trocar o óleo. Tenho que seguir a decisão que tomei nesse sonho-vigília. Farei tudo o que tiver que ser feito.

Sem mais explicações, justificativas, exemplos, citações. Nada. Calo-me. Nego a mim mesmo o cumprimento. O que é para fazer? Sim senhor. Não? Pois não. Fazer novamente? Perfeitamente. Não tenho nada, não sinto nada, está tudo bem. Mais alguma coisa? Bom, então pego o bonde como Augusto Frederico Schidt e vou ao próximo lugar, próximo compromisso.

Espera, tem uma coisa que atentar. Tem que ter bastante comida e areia limpa para o Artur (porque ele é o único que está calado esse tempo todo). Vamos lá, comida, ração, areia limpa, tudo pra ele. Depois falar com quem eu tenho que falar. Depois me debruçar e escrever tudo o que tem que estar escrito. Como disse Vinícius "as Lapiseiras estão ali, a meu alcance" a aguardar (ou algo assim).

As "lapiseiras me aguardam" a (a frase), pra bom entendedor, para quem já teve a oportunidade de usar e abusar da lapiseira, meia palavra basta. Sabe muito bem como é bom ir, escrever e reescrever. O que é isso? Nada. Apenas uma manhã de atitude. Uma manhã sem explicações. Desnecessário explicar. Resta me calar e ver. Chegar ali na janela e ficar olhando o sol e vendo a vida. Os pássaros. O dia que se insinua manhosamente.

Muito bom ver o dia chegando. Gosto muito. É o momento de reflexão, do café forte, do 'bom dia' Do início de novas rodas para ver o que aconteceu, o que vai acontecer, como estão as coisas em relação a ontem e , pensando bem, até a amanhã mesmo. Por que não? Por que tem que ter essas regras escritas não sei por quem? Vamos mudar o que pudermos. Mudar não. Adaptar à nós mesmo. Certo? Bom Dia!

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6.6.05

Presente?

Sempre falamos no amanhã. Ou pensamos. O que virá, como será, porquê será de onde virá, para onde irá, de qual forma acontecerá. Tudo sempre assim. Uma esperança sem fim. Esperança boa pra todo mundo que está aqui, que não saltou na estação anterior. Quem lembra do meu velho trem envolto em vapores, apitos e muita fumaça?

Pois é. Quem não lembra disso não lembra de nada e, perceber o futuro, o passado é tão importante quanto. Afinal, já repeti aqui trezentas vezes e aqui vai mais uma. Nós somos passado. Nós somo tudo o que vivemos e fizemos. Amanhã é uma possibilidade. Amanhã não é História. Amanhã é uma esperança, um pensamento vago. Delirante até.

Somos passado, basta pensar bem. Passado. Passado, Passado. O que eu acabei de digitar o que é? Passado. O olhar que dei no monitor para ver se estava grafado corretamente é passado e o dia que aconteceu, o nome já diz: foi passado. Somos os viventes do passado. Somos os que estamos sempre esperando o amanhã e até esses pensamento, pensado, vira ele também, passado.

Pessimismo? Nenhum. Se há é má interpretação de quem lê. Aqui trata-se apenas de fatos, coisa que me interessa muito agora.Menos filosofia e mais concretude, mais ação, atitude. Atitude de não tomar uma atitude, mas ainda atitude. Atitude de olhar pra frente de cabeça em pé ou prostrar como um noviço idiota. Tanto faz. Basta fazer.

De vez em quando é legal a gente pensar assim, programar assim (futuro). Decidir que será (futuro) assim. Não importa todas as tentativas e desistências acertos e erros que aconteceram (passado e passado). Não importa de verdade. É chegar uma hora e dizer: agora vai ser assim (como acabei de pensar e digitar, passado). O amanhã logo chega (futuro que vai virar passado!)

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Os relatos

Lima Barreto e Dostoievski, entre tantos outros, relataram suas experiências em manicômios. Outros escritores também o fizeram, assim, como artistas plásticos, cantores, etc. Antes de escrever eu já vou me "contra argumentar": claro que essas pessoas relatam porque elas trabalham com a criação. Existem milhões de doentes que se internam e não relatam porque não têm o dom do relato. E é verdade.

Mas existem teorias outras. Um frade velho, num lugar um pouco distante do Rio, me contou que era isso mesmo, as pessoas mais sensíveis [e aí entravam os poetas e artistas de uma maneira geral], em maior ou menor grau, tinham o psiquismo 'alterado'. Uns mais e outros menos. Uns, diz ele, menos alterados, passavam por simplesmente excêntricos e outros, mais alterados, por loucos.

E falo, então, disso à propósito de uma cartinha muito bacana que eu recebi querendo dar continuidade na discussão sobre a melancolia, modernamente, depressão. Eu acho que não cabe isso aqui, agora (nem aqui, nem, por seu relato, a ela própria). Cabe mais ler as memórias tão bem narradas por Lima Barreto e Dostoievski. Encontramos ali, na urdidura das narrativas que acabam sendo romances....encontramos como eu dizia, muitas explicações, muitas verdades, muitas coisas que nos fazem pensar e nos ajudam. E muito.

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Desvendar...

Estranhei quando as oito horas da manhã, o jornal ainda não estava embaixo da minha porta. Fui até lá. O jornal fora obstruído por uma caixa, como uma caixa de sapatos que estava do lado de fora. Peguei a caixa e o jornal. A caixa era vagabunda, amarrada com barbante. Esquecendo o jornal tratei de abrir a caixa que, de tão bem amarrada era mais simples arrebentar logo o barbante. Em seu interior vinha uma peça estranha* e embaixo uma quantidade de folhas de papel.
Peguei o calhamaço (não, não era tanto) e folheei. Muitas páginas estavam datilografadas e outras tantas eram escritas à mão. Duas ou três folhas vinham com letras recortadas de jornal ou trechos de artigos de jornais e revistas. Procurei ler o que achei que era o começo.

Falava de misturas para chás, tipos de gostos e aromas, ervas que faziam bem aos rins e ao fígado. Mais adiante falava num certo protótipo de bomba caseira de grande poder explosivo e no verso vinha um rascunho do artefato. Tinha ainda uma folha manuscrita com uma receita de torta de chocolate. Em outra folha, essa mais amarelada, aparentemente muito antiga, falava do destino do menino Mateus, seu seqüestro e onde estaria em torno do ano 2005! Olhei mais algumas folhas e cada uma tratava de um assunto diferente.

Fiquei mexendo naquela papelada (as páginas datilografadas tinham adendos e correções feitas à caneta, setas que indicavam onde as frases deveriam estar, como fazemos hoje com o hiperlink), aquela papelada, eu dizia tinha algumas folhas numeradas à caneta, mas n~]ao havia ordem, faltavam as páginas número 3, 7, 8 e 11... De novo: fiquei mexendo naquela papelada em cima da minha escrivaninha até me dar conta que já escurecera. Eu queria um ponto de partida, um meio, mas a impressão que dava era a de que cada folha daquelas fora escrita por uma pessoa diferente e em épocas diferentes.
(continuar depois, quando tudo estiver mais claro)

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momentos

- Oi.
- Oi, tudo bom?
- Tudo e você?
- Também cara....
- Escura, posso ir pra aí?
- Pode. Mas já é tarde, eu agora durmo cedo....
- Não... não é isso. Preciso ficar uns dias aí, você se importa?
- Não, claro. Aconteceu alguma coisa séria?
- A gente conversa quando eu chegar aí...
- Ta legal, te espero, então...
- Ok, estou indo...

Desligo e olho para essa barafunda, essa mixórdia toda aqui. Bom, dou uma arrumada? Não. Acho que não precisa, ele deve estar tão louco quanto eu... O que faz a vida nos levar por esses (des)caminhos? Por que estamos, do nascimento à morte, indo, indo, sempre indo?


Isso me faz lembrar uma amiga que disse que se impressionou muito quando me conheceu. O que havia de errado? Perguntei.. Ela me olha, calma, e diz: Nada, é que você tinha um carro e cada hora estava num lugar... na mala do carro você levava livros e mudas de roupa. Você não tinha destino, poderia estar sempre em qualquer lugar.... e aquilo não me angustiava, propriamente, mas era diferente, estranho. Mudei. Hoje sou o contrário. Não saio nem para comprar cigarros.
E ela continua pasma, 'viver na rua' e 'não sair de casa', são duas faces da mesma moeda azinhavrada, podre...continuo estranho.

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Vou ligar a cafeteira e finjo não perceber. Ligo a cafeteira porque adoro tomar café quando acordo. Estou na cozinha. E agora? Tomo leite. E agora? Agora não tem mais nada pra fazer aqui. Tenho que voltar para a sala. Ou ficar nela ou passar por ela.

A minha sala é indescritível. Eu não sei como eu mesmo sobrevivo. Não são apenas sapatos jogados e sacolas e jornais velhos não.... É toda a sorte de coisas que se possa pensar: cinzeiros abarrotados, livros espalhados em cada espaço, em cada quina, em pequenas pilhas no chão. Revistas variadas abertas no meio de alguma matéria relevante, sacolas de livrarias, lupas, bússola, umas 90 canetas (27 espalhadas na mesa)... caderno aberto onde parei o manuscrito, folhas esparsas anotadas inteiras e outras só até a metade, folhas que viraram bola de papel, chaveiros, moedas e dinheiro miúdo e muito mais coisas que não vou descrever.
Existe uma poltrona e um pequeno lugar que (ainda sobrou desocupado) sobrou no sofá... num dos dois eu tenho que sentar para tomar café, fumar e ler o jornal. Um tormento porque o Artur, ora quer um, ora quer outro.

Aí começam coisas básicas, esvaziar cinzeiros, tomar remédios, dar comida e água pro Artur, ver o índice do jornal pra não perder tempo nem me aborrecer mais lendo novas patuscadas do Lula, ver os e.mails, olhar a agenda...dar telefonemas...

Tudo isso é normalíssimo se você está num ambiente razoavelmente, como dizer? Razoavelmente normal....Nas não, não estou um ambiente normal. Já fui à casa de poetas, loucos, drogados, distraídos, gente que não está nem aí, gente ocupada que trabalha vinte horas por dia. Definitivamente não! Não há a menor dúvida que qualquer dia sucumbirei e desaparecerei, sugado num monte de coisas inenarráveis que, como a mais virulenta área movediça, vai me levar ao inferno (que deve ser asséptico, clean).

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5.6.05

Aprendam aqui
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Livraria

A minha maneira de falar as coisas sempre me atrapalhou a vida. Não vou mudar por causa disso. Que se dane! O que importa é que tenho pessoas amigas que me conhecem de verdade e a elas eu me sinto obrigado a explicar ou justificar alguma coisa (eventualmente).

Quem sabe de mim, sabe da minha cabeça, sabe como as coisas vêm e como vão, têm que ir e tudo isso é num processo atabalhoado. Minhas refeições também são assim, se deixar... eu almoço em pé e fazendo uma palestra ao mesmo tempo. Loucura? Acho que não. Fazer o quê?

Uma vez fiz uma redação no admissão, [antigamente, o último ano do ensino primário chamava-se "admissão", hoje em dia não se ensina nada mesmo, não precisa 'admitir nada' então é tudo diferente] e a professorinha lá me deu um zero, dizendo que eu não sabia escrever. Só passei de ano porque vinha com boas notas na matéria. Uma professora idiota, dessas velhas que ficaram pra tias, que nenhum homem nunca olhou, magra, curva e encarquilhada. Que Deus a tenha!

Guardei a redação nos meus papéis porque eu achava bacana a tal da redação (e já juntava papéis). Não me lembro qual era o tema da redação, acho que era alguma coisa da Janis Joplin ou de rock.... enfim, não lembro.

No quarto ano ginasial [sim, isso existia também], não me lembro outra vez qual foi o motivo, o tema e numa redação eu copiei aquela que a patusca tascou um zero enorme com lápis de cera vermelha. E foi aí que o professor (nota dez, com louvor!) me chamou pra trabalhar e, logo em seguida "dirigir" o jornal do colégio. Fiquei confuso como a mesma redação tirava zero e depois dez e ainda me alçava à carreira "jornalística" (eu só escrevia os editoriais). Eu era muito inteligente, um gênio?

Nada disso. Ao contrário, eu era o mais perfeito dos idiotas, que escrevi atabalhoadamente uma coisa num estágio escolar que era para ser escrito 4 ou 5 anos depois. A velha encarquilhada que me deu zero com certeza estava certíssima e o professor que me deu dez provavelmente foi magnânimo. De qualquer forma, EU era o atabalhoado, o confuso.

Mas não é nada disso. Foi só um exemplo. O que acontece é o seguinte: eu venho há dias, semanas, meses, anos esculhambando com as livrarias, dizendo que não prestam para nada, que os atendentes seriam mais úteis como garis ou empacotadeiras das Casas Bahia. E continuo achando mesmo. Só pequei desbragadamente ao não explicitar que falava das 'Saraivas', 'Sicilianos', 'Sodiler' e outras da vida!

Teve um tempo que a 'Letras' era bacana. Tinha bastante coisa lá e o pessoal, sabia atender. Virou moda, enriqueceram e caíram a qualidade, devem estar perdendo feio (não perdem porque vendem muitas revistas, importadas inclusive). Minha livraria, nos últimos tempos tem sido a Travessa, principalmente a maior, chamada carinhosamente de Travessão em Ipanema.

De qualquer forma, tudo isso vai acontecendo, mudando, melhorando e só eu não me emendo, continuo atabalhoado, correndo esbaforido e falando de três assuntos diferentes com 3 pessoas ou comigo mesmo e os meus "eus". Então, nessa correria, vou na Travessa, peço meus livros e saio rápido porque invariavelmente deixo meu carro no meio da rua com o pisca alerta ligado.

E hoje....... depois de planejar umas dez vezes ir até lá, depois de ligar outras dez vezes para saber de livros etc. finalmente fui. Fui como gente normal, sem babar na gravata. E fiquei surpreso, encantado, felicíssimo... passei uma tarde agradabilíssima olhando, folheando, lendo livros e mais livros, com o delírio de poder levar uns 50 pra casa. Até aí nada.

Agora sim, vem a única coisa importante nessa história toda. Realmente não existem mais os livreiros de antigamente (que eu também mal peguei, falo mais de ouvir falar), mas eu dizia que aí veio a coisa importante: Como o pessoal da Travessa é bacana! Uma gente culta, informada, atilada com os lançamentos, conhecendo os clássicos, falando sobre os autores.

Uma equipe de jovens em sua maioria, mas gente de primeira. Uma atenção, um debate de idéias sobre literatura, um cuidado com o meu bem estar, de dar inveja a Nero! Todos leitores contumazes, gente honesta que quando não conhece diz que não leu e conta a opinião de quem leu...

Usam sim o computador (como não usar?), mas vão lá, sobem em escadas, procuram nos estoques, compreendem o momento de imbecilidade nacional (que vem só de 500 anos). Não falei de um autor que pelo menos uns três vendedores não conhecessem, não tivessem lido. Outros, que não leram, diziam o que tinham ouvido falar e perguntavam cheios de interesse. Falamos das editoras que fecharam, das novas e pequenas editoras, dos caminhos editoriais no Brasil. Eu sei que é de não acreditar!

Aconselhavam a "não levar esse porque tem mídia, mas dizem que é uma droga" e por aí vai. Foi uma tarde e tanto. Encomendei vários livros que estão esgotados porque eles admitem que só não pode faltar auto-ajuda, admitem mesmo, na boa. Um me contou que tinha lido outro livro análogo ao que eu procurava... foi ver pra mim: não, não tinha na livraria, era dos livros dele, da casa dele. Não é o máximo?

Como já disse e repito sim, foi uma tarde mais agradável do que dez cinemas e três óperas no Municipal! Rigolleto, inclusive!Repito que encomendei o que quis..... para os que estão completamente esgotados, me indicaram os melhores sebos e saí de lá carregado feito um Papai Noel tupiniquim. Amanhã de manhã preciso comprar uma imagem (e a oração) de N. S. que Desata os Nós pra ver como me livro das dívidas (estou ainda mais pobre que um Jó), mas valeu um caminhão de antidepressivos!

Atabalhoado eu, deixei de pegar o nome daquela turma, mas sei onde encontrá-los. Portando, alvíssaras! Existe vida inteligente nas livrarias. Procurem, com calma, a turma da Travessa, ou Travessão para os íntimos e façam a festa!

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Veja

A revista Veja n° 1908 datada de 8 de junho de 05, continua realizando um excelente trabalho jornalístico, principalmente na área de política onde, pouco a pouco, vão aparecendo todas as sujeiras do governo Lula. Basta ler as reportagens e as provas. Está tudo lá. Queiram ou não. Roberto Jefferson é para Lula exatamente o que PC Farias foi para Collor. Vale à pena acompanhar
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"O presidente Lula vai à África e diz que é para vender, mas não é, até porque não tem quem compre."
Fernando Henrique Cardoso

Bárbaro
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Rio...

Que me perdoem os que vivem em outras cidades nesse Brasil. Mas, vou te contar viu? O Rio de Janeiro é lindo demais. Todas as ruas são regiamente arborizadas, tem flor e planta em tudo que é lugar, o céu é mais azul e, atrás de cada edifício uma montanha se insinua.

Caminho pelas ruas do meu bairro ainda cedinho, enquanto o sol vem manso e vejo quanta gente passeia com seus cães e suas crianças... como existe uma espécie de alegria contida, reprimida em cada uma dessas pessoas...

Fico achando às vezes, que cada carioca sabe que deu sorte, que morar no Rio é presente pra ser aberto todos os dias, que a luminosidade do sol é pra ser percebida à cada momento, que existe um mistério (lindo!) atrás de cada esquina. O Brasil de verdade é a Zona Sul do Rio. O resto é periferia....sim, periferia....

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Não sei se foi sonho ou um farfalhar qualquer. Me pareceu que tinha um passarinho bem ali, na beirada da janela e só não entrou porque tentou no lugar que tem vidros. Será possível um passarinho aqui? Ou foi mais um desses meus delírios catastróficos, essas alucinações matinais tão a meu gosto?

Se ainda houverem passarinhos num apartamento de fundos no Bairro Peixoto, é sinal que ainda há vida inteligente sobre a face da Terra. Enquanto os beócios babam a cerveja da noite anterior, pássaros revoam.

Pode ter sido um sonho, vá lá saber! Mas sendo ou não sendo, é um despertar agradável, superado apenas pelo olhar carinhoso do meu escudeiro de todos os momentos, esse grão mestre que habita comigo, como um Menino Jesus, o Artur!

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4.6.05

Existem pés verdadeiramente deslumbrantes! Raras e perfeitas Obras de Arte! Pé, definitivamente, é fundamental!
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Pra repensar as tardes sem Sol....

O que esperamos afinal uns dos outros? Pra sermos bem sinceros, prazer e alegria! Mas....via de regra, vamos lá!, somos sorumbáticos, tristes. Em essência. Vejam bem: em essência!

Digo isso porque andamos pelas ruas, trabalhamos, damos boas risadas no trabalho, saímos para nos divertir, temos nosso grupo, gargalhamos nas rodas de chope, dançamos, freqüentamos academias de ginástica e mais um milhão de coisas.
Mas fico me perguntando o que fazer se, quando nos damos conta, estamos, tristes, deprimidos? Já falei tanto dessa melancolia... Mas o que fazer se temos, lá no fundo, uma profunda e inegável tristeza?

Deve existir um universo razoável de melancolia sob a lua. E sabemos, mas não falamos. O ser humano tem vergonha de ser deprimido. Tem medo. Essa melancolia nos tira da competição, nos aleija porque estaremos sujeitos a perder nossos amados. Sempre, mais à frente, os que nos são caros podem encontrar alguém aparentemente melhor, mais radiante.

Melhor então não falar nada. Se possível nem para nós mesmos. Não. Por fim, de tão doídos, acabamos capitulando e procurando ajuda e tomando as poções (quantas tentativas, acertos, erros e novas tentativas) que ajudam e atrapalham com efeitos outros que, insidiosamente, se misturam em nossas relações, na nossa mesa, na nossa cama.

Paracelso deve se revirar na tumba. Acertamos de um lado e nos espatifamos do outro, sempre, como um túnel sem luz ao fundo.
A vontade é de virar um eremita, abandonar tudo e todos e nos isolarmos. Mas não fazemos isso, não podemos fazer isso e, ainda bem, continuamos tentando sempre. Isso nos matem vivos.

Por isso eu perguntei: o que nós, humanidade queremos de verdade? Imagino que desejamos tudo de bom, mas as coisas não são assim, não é? Toda moeda tem seu reverso. E novamente olhamos a moeda que aguarda ser decifrada.

O homem não é solitário. O ser humano é duo. A solidão não é normal, não é natural. Precisamos ter alguém que nos traga antes a harmonia, a fugaz felicidade, a cumplicidade e o possível prazer.

Talvez o ser humano espere muito mais do seu semelhante. E, percebendo que o outro é incompleto, ao invés de desesperar, deveria examinar o universo, buscar no infinito a simples resposta.

Se existimos, temos muito. Se não temos a orgia orgástica do sol, ainda assim temos muito.
A lua, sob sua aparente aridez, que não tem brilho próprio, parece soturna, seca e silenciosa.. Ainda assim é capaz de nos revigorar. É linda quando, à distância, percebemos que morta, reflete o sol, seca, nos abençoa, gélida faz com que abracemos nossos parceiros e só é soturna enquanto espera a gente aprender a amar.

Tristes são os solitários cometas que não têm o ombro de uma lua para se aconchegarem!
Não preciso ser uma estrela para ser feliz.. Me contento, em paz, a seguir minha órbita, ora de luz, ora de sombra, calor e frio... Ali estará sempre o sol, parceiro, pronto a me proporcionar o calor possível para ser pleno.



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mail

Recebo cartinha:
- 0lho outros blogs e percebo que você escreve no Sobretudo muito, tem uma produção diária enorme, você escreve mais num dia do que os outros em um mês. Por que?
Respondo:
- Porque sou mortal. Posso ter um enfarte fulminante a qualquer momento. Quem gosta, pode copiar tudo e ler de vez em quando. Quem não gosta, pode festejar, deletar, ir embora (aliás pode ir sem eu morrer também).

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Meu deus!!! Tem uma vizinha aqui no prédio que ouve ( e canta junto!!! ) aqueles hinos desgraçados, insuportáveis e enlouquecedores dessas Igrejas Universais! Isso não! Isso eu realmente não mereço!
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Direitos Humanos

Eu disse ontem aqui o que iria acontecer por causa do "chute" que um PM deu num bandido dominado. O jornal O GLOBO (que publicou a foto) recebeu 108 mensagens eletrônicas apoiando os policiais além de cartas e telefonemas. Na edição de hoje temos uma outra foto em que claramente se percebe que não foi bem um chute "mas um chega pra lá com a botina" para que o marginal não ficasse de papo com um cúmplice também no chão. Não adianta forçarema barra porque é isso mesmo, a sociedade não agüenta mais!. Além disso temos o depoimento do advogado assaltado:" Fui direto para a 14° DP registrar queixa. Lá, vi os bandidos e não tinham marca de agressão ou arranhão". Ponto final. Não, não é ponto final. Sim, pasmem!

O presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputado Geraldo Moreira, já está lá, à postos para defender o bandido e segundo ele "A questão aqui é a agressão aos Direitos Humanos".
A Coordenadora do Grupo Tortura Nunca Mais, Cecília Coimbra também ficou extremamente chocada: "Nem um animal peçonhento merece esse tratamento" ...e outros tantos defendem os bandidos. Até mesmo o próprio jornal O Globo, que fez a matéria, tem hoje editorial dizendo entre outras coisas que "Nada contribui para conter a criminalidade, ou para melhorar a reputação da polícia fluminense" o ato do policial.

Enquanto isso as cartas da sociedade pedem mais, pedem para que se cortem, amputem as mãos desses facínoras. E não deu outra: ontem mesmo o cantor Lulu Santos quase foi vítima de um assalto ou seqüestro relâmpago quando bandidos armados de revórveres tentaram levá-lo. O cantor conseguiu fugir, mas teve o carro e pertences roubados.
Com menos sorte, ao tentar reagir ao assalto, um professor em Madureira foi assassinado com um tiro no pescoço!Vamos lá, mais Direitos Humanos para os criminosos!

P.S. Numa hora dessas não há movimentos por direitos humanos, contra tortura nem abraços à Lagoa. É a sociedade que não suporta mais. Vai chegar o momento em que a sociedade não suportando tanta violência acabrá por fazer justiça com as próprias mãos. Agora sim, acho que vale aquele bordão comunista: "O Povo Unido Jamais Será Vencido!"
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Domingo no Parque

Existe material para fazer um bom ensaio e não o faço por incapacidade e uma certa irritação de ficar falando sempre a mesma coisa, reclamando eternamente de uma coisa que, definitivamente, não temos no Brasil, que é Cultura. Nesse caso específico, falo dos Cadernos Literários.

E falo como o mais humilde dos leitores já que não sou um profissional da escrita. Meu Deus! Eu quero apenas abrir os jornais em determinado dia da semana e ler resenhas sobre lançamentos ou relançamentos, quero saber de estilo, quero crítica a esse tema ou àquele livro. Quero saber o pensamento de um autor.

Chegamos a um absurdo ululante. A revista Bravo! é (chega a ser risível se não fosse patético), é dizia eu, uma revista única e exclusivamente dedicada a cultura. Trata dos acontecimentos culturais daquele mês. Pois o que fazem? Tratam de colocar uma resenha mixuruca de um livro ou dois e lançam uma outra revista, a Bravo! Livros!

Depois vêm os editores, autores e simpatizantes pra ficarem na choradeira. Feito velhas carpideiras, ficam chorando que o mercado editorial tá fraco, que a vendagem caiu, que não se lê no Brasil e essa coisa toda. Mas onde estão os suplementos? Onde a gente fica sabendo das coisas? Onde a gente encontra livros que, simplesmente, desaparecem das livrarias? Como somos atendidos nas livrarias? As patuscas livrarias só têm livros de auto ajuda e best sellers!!! E por que os outros livros desaparecem? Se não vender feito Paulo Coelho, não vale? Sai pra lá!

Nessas horas eu não consigo, eu juro que tento, mas não consigo me furtar a lembrar que tem um camarada lá em Brasília, no meio das tetinhas e das tetonas, da mamata generalizada, com um salário que sai do seu, do meu, do nosso bolso, que se pretende Ministro da Cultura. Cadê? Que cultura? O que faz o Ministério da Cultura além de cantar 'Domingo no Parque'?

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irremediavelmente esquisito

Os amantes se divertem e são felizes porque não pensam. Se parassem e pensassem cairiam em copiosas lágrimas. O casamento, o namoro ou o simples, fugidio e passageiro amante é um alucinógeno necessário à nossa convivência com o mundo.

Acredito que não se possa viver só e em paz. A solidão mete medo, apavora. O homem é um carente que se não for acariciado como um gato cai em depressão profunda, cavernosa. Por isso o ser humano sempre se agrupou, constituiu família e não fez sexo apenas para se reproduzir ( como os animais).

E, por isso, diferente dos animais, o homem faz as guerras e toma Prozac. O homem ( a mulher ), como disse a Rita Lee, é um 'Bicho Esquisito'. Eu seria um pouco mais enfático do que ela. Diria que é irremediavelmente esquisitíssimo.

Pecamos ao nascer e continuamos pecando dia a dia, correndo pra cá e pra lá pra não ver o abismo que vai se avizinhando com o passar dos anos, como se rindo não fôssemos ter a lancinante dor fatal. Claro que não precisamos, ao contrário, ficar mitigando o óbvio.

Eu me daria por contente se o homem visse o óbvio. O que irrita é que ninguém (ou raríssimas pessoas) percebem o óbvio, aquele óbvio que está ali, se esfregando na tua cara como uma mulher em crise de furor uterino.

Não há mais o que fazer, a situação é irreversível. Por mim, eu pararia tudo e, como os hippies dos anos 60, iria para Ipanema todos os dias ver o pôr do Sol, acenar, dar adeus ao sol. Pareceria mais excêntrico talvez, mas seria mais verdadeiro. Somos uns irremediáveis caçadores do sofrimento ou, ao contrário, da falsa e malsã alegria pérfida. É isso.

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verborragia

Os acontecimentos recentes vêm desdobrando-se num manancial de expressões, de textos, de manifestações abundantes. Disse uma amiga que estou verborrágico, o que não concordo. Se há verborragia, não é de agora, é de sempre.

E como não haver verborragia quando há tanto para dizer? Porque isso, esse ponto, é necessário ser bem compreendido. O outro pode partilhar, mas não estou falando para leitores, estou falando para mim. É a mim que pergunto e respondo, quando consigo. Trata-se de um processo interior que apenas transborda em idéias manifestas por textos. Não mais do que isso.

Tenho a visão do fugidio, escondido e claustrofóbico teatro na Letônia. Está absolutamente presente no meu consciente, vejo cada uma das ações que aqueles personagens [o diretor inclusive]. Sei o que estão vivenciando, como e porquê. Eles sou eu. O que aparece aqui é o que transborda, nada além. E por isso faço recortes da ação contínua de lá e coloco nesse espaço, dou a quem quiser ver, a possibilidade de saber que existe uma história assim e assado sendo feita em outro "arquivo"

Não está bem explicado. Fico pensando se isso é metafísico ou, por outra, se existe um componente de desorganização mental doentia. Pode ser. Não tenho preconceito com as afecções, muito menos de dividir o que se passa, o que me importa realmente é perceber que movimentos estão ocorrendo, de onde partem e porquê.

O eterno mundo dos porquês e dos possíveis. É um discurso repetido à exaustão e continuará assim até o derradeiro suspiro. O eterno sentimento de busca não concretizada ou pelo menos não suficientemente. Porque aí existe uma coisa. Não bastam soluções nem respostas nem conclusões. Elas têm antes que ser conclusivas. O mundo dos porquês e dos possíveis caminha em linha tênue, beijando levemente o limite do lógico para o ilógico. Não me assusta que seja ilógico. Assusta não saber.

Essa, a meu ver, é a questão fundamental do homem que transcende: o saber por onde estão passando sentimentos, reações, sensações e arte. Às vezes brincamos com isso, e é sempre saudável brincar, mas é brincadeira. Há que perceber claramente o terreno limítrofe do lúdico para o real.

Buscar as explicações num exercício de escrita pode ser tarefa pantomímica, mas que não descarta o exercício da compreensão, do saber que se exacerba por um lado e falta por outro, do descontrole das reações que a informação chegada produz em nossa área uterina, ovular, de recebimento do que vem para tornar-se compreensão e arte.

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Valores Transcendentes

Mas a poesia me incita. É o sonho, a fantasia, o final absoluto, perene. Não é para agora [muito embora eu não saiba quando será o meu final]. Hoje eu tenho uma grande, enorme dívida com a literatura. Agora amargo dias (de estremíssimo prazer], mas amargo no sentido de tentar recuperar o tempo pedido com Bellow por exemplo. Alguns de seus livros mais importantes estão esgotados.

Quero ler Allan Bloom e simples e definitivamente, não consigo porque não existe edição brasileira nem portuguesa. Corro com as crônicas de Nelson Rodrigues vendo ali um material riquíssimo, genial. Francis tinha razão ao dizer que Nelson teria enorme fama internacional se tivesse nascido fora do Brasil.

Sei que em breve estarei atracado com um Umberto Eco de momento, leitura de viagem, mas estarei. Mais importante de Eco é o livrinho "Cinco escritos Morais'' que me prende pouco. Ou melhor, alguns trechos em que tenho interesse específico me agradam muito [embora eu não concorde com ele]. Quero reler o meu 'Sobre a Televisão' de Pierre Bourdieu e simplesmente não encontro o volume (vou ter mesmo que comprar outro).

O que é tudo isso? O que estou fazendo com os conhecimentos que estão aqui na minha cara, se oferecendo, quase pedindo para serem engolidos? O que escrevo nesse espaço não tem a qualidade que eu sei que poderia dar. Ou seja: estou no meio do caos. Completamente atrofiado no intelecto, um intelecto claudicante, muitas vezes paralítico.

Angústia. É só o que me vem. Muita angústia. Não pelo que os outros vão ver, pensar ou achar porque não faço nada por ninguém e sim por mim mesmo. Olho a quilométrica obra de Balzac me cobrando as anotações devidas e sinto meu coração doer. Para onde estou seguindo?

A quem estou enganando, afinal? Posso muito bem descer e caminhar no calçadão ou jogar ping pong no clube vizinho. Posso ir ao cinema ou tomar água de côco no Arpoador. Posso dar longos passeios de carro deixando a mente vagar tranqüila como é normal a todas as mentes. Posso sentar no Belmonte e tomar quinze chopes com uma amiga. Eu posso tudo, esse é meu grande desespero, minha inexpugnável prisão.

Parece que não sou dotado de alguma imperatividade de valores transcendentes ou princípios éticos e estéticos categóricos. E, no entanto, sou sim. Acontece uma descoordenação mental, cognitiva ou melhor, a falta de uma ordenação, um quadro de prioridades intelectuais. Olhar-me no espelho da alma leva a uma conclusão na terceira pessoa: "Trata-se, portanto, de uma alma conturbada, supõe-se".

Se for assim, o que faço com essa massa que tenho em mãos aguardando para ser amalgamada, transformada em algo que transcenda o ser? É um momento especial, uma hora em que se pára e olha para frente, atrás e para os lados. Um homem por um fio deve ficar atento ao que o seu espírito está mandando dizer.

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Como já estou debruçado em cima dos meus cadernos de diário, não queria, mas estaria faltando com a verdade se não contasse a triste descoberta! Como tenho usado muita caneta esferográfica nos últimos tempos, apesar do prazer inenarrável da pena, estou escrevendo mais devagar com elas...com as canetas tinteiro...

E, nos cadernos não posso me dar ao luxo de floreios de escrita porque pululam os pensamentos, têm que ser logo despejados no papel, correndo o risco de, demorando, a cabeça estourar como uma panela de pressão velha (como eu) espalhando gosma de meninicências pela casa toda como um defunto, assassinado a tiros de escopeta!
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Tenho que confessar com nobilíssimo impudor que minhas investidas no meio da madrugada são estranhas, são de arrepiar pêlo de javali do mato.

O pobre coitado do Artur que levantou comigo, fez uma gracinha ou outra (sem achar graça nenhuma) e já voltou pra cama e "desmaiou". Tá lá dormindo que ele não é maluco nem nada.

Eu, o "analisado", o crassamente realista, tô aqui babando em cima do teclado e tomando barris de café, num misto intranscendente de maníaca alegria por acordar cedo e pânico de ter, desta vez, perdido o juízo definitivamente, sem possibilidade de volta!
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Tomo o meu gostoso, mais do que delicioso café preto e me sinto desperto e bem. Venho pra cá e já começo a catarse. Mas vamos pensar bem... o que realmente está acontecendo comigo? Por que estou querendo acordar tão cedo e acabando por despertar cedo demais, praticamente não dormindo? Tem alguma coisa de estranho nessa história!

Eu entendo perfeitamente que esteja sendo legal eu levantar bem cedinho, meu dia fica maior e toda aquela história que eu já repeti um milhão de vezes aqui... agora, acordar as três horas da manhã!... no outro dia, as duas e meia?! Afinal eu não estou dormindo com as galinhas de tão cedo. Ontem (hoje) fui dormir já era mais de uma hora da manhã. Acaba que não estou dormindo nada (e todo remédios para dormir!)

Na verdade não estou acordando cedo. Estou levantando no meio da noite, isso sim! Tá, vou ter mais tempo pra mim, como também já repeti, mas assim é um pouco demais, um pouco [muito!] de exagero...


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Vamos e venhamos e convenhamos
Pobre do Artur. O bicho é meu companheiro, anda pra lá e pra cá o dia inteiro do meu lado, deita no meu colo, quando estamos andando ele dispara na frente e se joga no sofá ou na cama de barriga pra cima feito bichinho adestrado de circo para que eu faça festa no queixo dele...

Puxa, ele é super legal! Dorme comigo quietinho, num lugar da cama que não me incomode. Aí, eu doido de pedra, desses de roer rodapé, acordo no meio da madrugada e levanto feito um desesperado, acordando o bichinho. Ele não deve entender nada porque, afinal de contas, é noite ainda! O relógio biológico dele (gato tem essas coisas?) fica completamente destrambelhado. Mesmo assim, ele se mantém fiel e, de bom humor levanta, solidário comigo. O Artur é, de longe, o melhor!

Sei que "amar é dar razão a quem não tem", tudo certo, mas podia ser a ninfeta mais desvairada, mais apaixonada e deslumbrada por mim ou a Loba [essas sempre são tolerantes por causa do medo da idade - carência...] Não importa: iam reclamar, dizer que eu estou isso e aquilo, que não é possível ser acordada às três da manhã, que eu tenho que procurar um médico ou, na melhor das hipóteses, dormir em camas separadas. E aquele aborrecimento todo das inefáveis lamúrias e reclamações femininas. Ou seja, se pensar bem, eu caso é com o Artur!
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Antes que falem, deixa eu pensar uma coisa aqui. Acho que essa história de ficar acordando três e meia, quatro da madrugada, tá muito mais ligada no meu inconsciente do que propriamente uma insônia. O que acontece é que eu já vou dormir torcendo pra acordar bem cedo e aí, qualquer virada que eu dou na cama, qualquer mínimo 'despertar' que, em outra situação, eu voltaria a dormir, estou aproveitando para levantar de vez. Ou seja, estou ficando cada vez mais maluco. São essas coisas que não posso falar para o meu terapeuta.
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E não é que eu agora dei pra acordar e ficar morrendo de medo de "despertar a pessoa" que está "dormindo a meu lado!? Acabo acordando o pobre Artur que, a continuar assim, pára de dormir comigo
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3.6.05

Sobre a Poesia

Conversador compulsivo falo da percepção. Percepção é aquilo que esperamos do outro. Não consigo respirar se não for percebido. Como escolhi o caminho do ascetismo e nem sempre tenho perto as almas amigas que me ouvem, elegi a mim mesmo como ouvinte de mim, fórmula última de oxigenar a poesia.

Oxigenar a poesia? Engraçado. A poesia é mais do que oxigênio, ela é divina, é o que o ser humano conseguiu de mais próximo a um estado de virtude, de contemplação do belo ou simplesmente nirvana, para quem assim entende melhor.

Verdade que o mundo com seus hominídeos sobreviveu sem a poesia, mas é isso, sobreviveu num estado e estágio do crescimento, como num rito de passagem até tornar-se pessoa e sedenta do belo. O homem é tão sedento do belo como da água. Mais talvez.
Eu sempre falo aqui do trabalho do poeta que me parece o menos compreendido, o poeta ainda cheira à marginal, tolo, vagabundo mesmo, "a quem pode" no sentido pejorativo ou, na melhor hipótese, um excêntrico.

Por que? Porque a massa é burra. No mundo inteiro a massa é burra. No Brasil ela é apenas mais burra, por jeca, ignara. Eu sempre escrevo aqui sobre poetas. Sempre me espanta um exemplo que me deu Wally Salomão (como é bom poder dizer que privei do Wally) numa conversa entre gargalhadas, falando alto em sua boca enorme e cheia de dentes.

Pois me dizia Wally que ele comparava o poeta a uma antena que capta um certo amor, uma certa beleza, uma certa grandeza que paira sobre nós, o povo inteiro, a natureza e as estrelas e transforma esse sentimento inenarrável em poesia. Passei a usar essa idéia, essa metáfora do Wally que riu muito num dia que contei a ele que uso sua comparação sem lhe dar o devido crédito autoral. Ele, poeta transbordante, mas singelo, tinha a grandeza de olhar e rir.

Existem os (ricos) conhecedores de poesia. Pessoas que têm uma capacidade maior de perceberem a estética. Eu não tenho. Conheço pouco a poesia, conheço muito pouco, quase nada de Mallarmé, Fernando Pessoa, Rimbaud, Ana C., Bandeira, Vinícius, Hugo, Baudelaire, Florbela Espanca, Drummond, Cazuza (por que não?), Whitman, enfim pouco de cada um e muito poucos (me escapam poucos outros agora).

Ainda rapaz enveredei pela literatura, pela prosa e ali me enfronhei e me apaixonei e não saí mais. Quanto a poesia, são visitas que eu faço, como uma hora de recreio, em pleno Tolstoi, Cervantes, Bellow, G. Freyre, Borges, J. Montello, Proust, Balzac, F. Roth, Zola, Mann, Dostoievski e tantos e tantos outros. Como lembrar? Não é isso o que importa.

O que me importa é ter olhos... não! Ter todos os sentidos abertos, receptivos à poesia, à sua musicalidade implícita, sua força arrebatadoramente singela e guerreira, tudo ao mesmo tempo. Não tive técnica para estudar e, por autodidata, o tempo não coube numa vida só pois minha dívida com a prosa ainda é infinita. Se tivesse tempo, lutaria até a morte para ser, pelo menos, beijado pela poesia. Morreria melhor, mais pleno.

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História

Vamos esquecer então esse blog. Esse ou aquele. Vamos chamar de diários ou de espaços, como queiram. Parece que estou me promovendo ou querendo elogios? Absolutamente. Dou até uma risada e digo que o que quero mesmo é 'discutir a relação'.
Eu estou brincando com uma coisa séria, com uma coisa que transcende o homem. Ficamos todos nós pensando que só nós temos um blog ou um diário secreto que guardamos num lugar que ninguém vê (até num cofre fora de casa!). Mas não é verdade.

Vamos pensar: se cada um pensa que tem esse segredo, que só ele tem essa perversão tão bem escondida, que só se admitiria em moçoilas adolescentes, do que estamos falando? Explico: estamos falando que nos dois últimos séculos pelo menos, o ser humano tem a sua História TODA registrada, documentada nos seus mínimos detalhes, como nunca aconteceu em nenhuma outra época da humanidade..

Imaginemos só para distrair, que daqui a quinhentos anos os hábitos sejam absolutamente diferentes na face da terra, inclusive linguagem e escrita (como já aconteceu mais de uma vez nos últimos dez mil anos). Pois muito bem. Daqui a esses quinhentos anos também existirão historiadores ainda que sirvam-se muito mais da informática. Ainda existirão pessoas ou máquinas [o que vocês quiserem] que reconhecerão a nossa língua e a nossa escrita, assim como hoje ainda conhecemos o aramaico, por exemplo.

Agora vamos fazer contas leves, muito por alto. Hoje somos em torno de 7 bilhões de pessoas que habitam a terra. Vamos tirar crianças, pequenas velhas trêmulas e outros de doenças várias e pensar ainda que nos reste um universo são e ativo de 3,5 ou 4 bilhões de pessoas.

Desse número, oitenta por cento escreve, relata com pormenores as suas vidas, cada um individualmente sem saber que o vizinho também o faz: dos grandes banqueiros aos lixeiros mais humildes. Pra diminuir muito o nosso número, vamos dizer que hoje em dia, nesse momento, dois bilhões de pessoas descrevem detalhadamente duas vidas (em discos rígidos, na internet ou em cadernos, não importa).

São dois bilhões de relatos do que é o mundo! A História vista sob dois bilhões de ângulos e perspectivas! Dois bilhões (de idades, etnias e culturas diferentes) narrando uma mesma coisa! Fazendo-se um cruzamento simples dessa informação em computador teremos uma descrição histórica, sociológica, antropológica e psicológica dessa época, como nunca houve, nem de longe, em toda a vida na Terra!

E isso não começou agora. Vamos botar, miseravelmente, no barato duzentos anos. Ou seja nos últimos duzentos anos o homem escreveu a sua historia pormenorizadamente, detalhadamente, esmiuçada até a raiz! E com essa quantidade, qualidade e veracidade de informações, o ser humano estará pronto a adicionar ou suprimir leis e hábitos, permitindo a criação do que chamamos de um mundo ideal, uma sociedade perfeita.

Resumindo: sem saber, uns (muitos!) achando que estão fazendo uma coisa escondida, quase depravada, na realidade o homem está escrevendo o maior compêndio da história da humanidade. Mais uma vez terei que adiar o que ia falar sobre os blogs. Deixo para depois*.
(tudo isso porque acordei com um frase na cabeça que não consigo lembrar)
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Crise

Bom, vamos lá. Eu ia agora ler um ensaio do Gerald Thomas na Bravo que acaba de chegar as bancas, mas deixo para depois. Me deu vontade de vir até aqui porque essa história dos blogs não está saindo da minha cabeça.

Ou talvez seja a mídia que não deixa ele sair da minha cabeça. Ontem no Jô eu vi o Silviano Santiago dizendo que as pessoas lêem e escrevem mais e exemplificou com os blogs. Tá, mas eu acho que isso é uma meia verdade, ou melhor, uma verdade inteira, mas que tem algumas considerações.

Não tenho hábito de ler blogs. Nada contra. Se pudesse iria ler todos, diariamente. Depois selecionaria os que eu gostasse e continuaria lendo eternamente. Mas não tenho tempo porque estou fazendo outras coisas e, de mais a mais, tenho esse aqui, o Sobretudo de Lona, pra cuidar.

Mas de vez em quando dou uma rodada por aí, primeiro nos meus favoritos (que todo mundo sabe quais são) e depois em outros (o maior número possível. E fica essa discussão de escreve, não escreve, é legal e não é e eu, inseguro e contraditório como sou, fico sem saber o que dizer.

Porque é assim. Acho sinceramente um lixo esses blogs tipo: "Meu Querido Diário". Essas pessoas deveriam ir aprender corte e costura ou aulas de confeitaria. Tem outros que são vanguarda de uma certa maneira como o Catarro por exemplo. Eu respeito, não vou falar nada, mas não são a minha praia, só isso.

Existem outros que são muito bem escritos, é literatura em pixels, uma coisa assim de você ficar parado e pensando porque as pessoas estão se disponibilizando só ali. E aí as pessoas já pulam e dizem: Só??? Mas a internet é o mundo! Não, a internet não é o mundo coisíssima nenhuma!, a internet é um meio de comunicação. Uma coisa postada na internet não tem nada a ver com um livro, editado normalmente, com o bom e velho papel.

Então, como eu dizia, tem os blogs muito bem escritos, que a gente percebe de cara que ali por trás tem um artista, uma pessoa com muito talento. E é bom isso. Fico contente quando eu vejo coisas inteligentes na internet (como fico quando vejo em qualquer lugar). Da mesma forma que detesto toda manifestação imbecil (e chata).

Eu já tive uns oito blogs simultaneamente, fui diminuindo e terminei só com esse aqui. O mais bonito pra mim foi um que eu chamei de "Se Um Viajante Numa Noite de Inverno". O mais interessante foi um outro que não lembro o nome, acho que "Proposta Alternativa" em que eu escrevia como uma mulher e as mulheres interagiam muito, se identificavam muito.... acho que ele ainda existe... qualquer dia mudo o nome e o recoloco no ar.

Mas não é nada disso o que interessa aqui. O que eu escrevo aqui é sobre a importância dos blogs (realmente as pessoas lêem e escrevem mais), entretanto é mais transcendental do que isso. Acho que esses espaços servem para tantas coisas que a gente acaba se perdendo.

Eu, por exemplo, sou completamente perdido. O Sobretudo de Lona não tem a menor identidade, fala de um monte de coisas correndo o perigo de não ir fundo em nada (corre perigo, não, realmente não vai!). Escrevo como um diário (que é) e vou colocando as coisas, emoções que vão me passando pela cabeça.

Então, da mesma maneira que eu verbalizo (subo num banquinho e faço discurso pro louco que quiser me ouvir), que eu verbalizo as coisas como por exemplo que eu acho o Lula o fim do mundo, um ditador digno de país miserável do leste europeu quando comunista, como eu acho o PT os Legionários da Esquerda Idiota, eu acho outras coisas também. Vejamos:

Se me dá na telha pego um fragmento de um texto meu e boto lá. Ou comento uma notícia de jornal, ou invento personagens e coisas que só acontecem na minha desmiolada cabeça, ou transcrevo (dando créditos) poesias que eu acho bacanas, que devem se reproduzir por aí.... eu não sei bem.

Verdade que trabalho muito apoiado no meu verdadeiro diário que é o manuscrito nos meus cadernos. Como já disse aqui (repito sim!), tomo cuidado pra não trocar a bola e escrever o que é de um em outro, embora às vezes isso aconteça propositadamente. Gosto de falar de livros e autores. Falo muito porque gosto de literatura. Dizem que sou um literato, o que é um retumbante exagero, deboche até. Agora, realmente sou um leitor voraz.

As pessoas vão mandando correspondência pra mim, falando bem e mal, tenho uma visitação pequena (80, 100 pessoas por dia, às vezes muito menos) e procuro entender o que essas pessoas estão querendo me dizer por trás de suas cartas, o que e como são essas pessoas. A verdade é que escrevo achando que sou, de certa maneira, responsável por aquilo que aquele pequeno grupo está lendo.

A parte que envolve literatura é a mais difícil de lidar porque eu penso em tudo e busco citações, referências literárias e as vezes isso se esparrama no blog e as pessoas não gostam, engraçado, acham que estou sendo pedante. Eu já disse mil vezes que falo porque gosto de ler, como uma pessoa pode gostar de futebol e nos seus posts fazer referências a jogadores, clubes jogos e nem por isso eu vou achar essa pessoa pedante.

Porque eu não quero também, partindo do princípio que o povo é ignaro (e podem me meter nesse bolo aí!) ficar me restringindo, me patrulhando, tomando cuidado pra não fazer referência a coisas que.... bom coisas que fazem parte do meu dia a dia.
Bom, eu demorei a entrar no assunto e preciso fazer uma outra coisa. Acho que o Sobretudo de Lona está sofrendo uma crise de identidade (e todo mundo pode achar que sou eu que estou, é a mais límpida e pura verdade, o que não resolve a questão). Então fico por aqui, digo que eu e esse blog estão em crise e prometo voltar ao assunto (se alguém ainda vier aqui).

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veja aqui
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Violência

Veja só a que ponto chegamos nesse país. Acontecem coisas horríveis, abomináveis e a gente fica em cima do muro. No Globo de hoje tem uma denúncia contra PMs muito bem fundamentada: tem a foto clara, inequívoca de um PM chutando o rosto de um ladrão que já estava deitado no chão e algemado. Realmente, nossa polícia é muito violenta. O que aconteceu não foi um ato digno de um ser humano

Mas vejamos o outro lado. Esse ladrão tinha acabado de roubar um telefone celular valendo-se de um revólver 38. Bem sabemos que um bandido que porta um revólver não exita em usá-lo, podendo matar o assaltado. Não sei se quem lê isso aqui já foi assaltado por um bandido ARMADO. Se já foi, sabe do que estou falando, viu o ódio, a monstruosa maldade no olhar do assaltante. Não sei se já ouviram no que um assaltante diz para um cidadão durante o roubo, o que xinga e as ameaças que faz. E quando o ladrão, mesmo a gente entregando as coisas, bate, dá coronhadas nas pessoas?

O policial, técnicamente, estava errado. Sem dúvida, inequivocadamente estava errado. As ONGs e os políticamente corretos vão capitalizar, fazer um alarido danado desse fato. Eu, sinceramente, não vejo nada demais. No estágio de violência em que estamos é olho por olho mesmo. Sem dó nem piedade.
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Lula que prometeu e não fez é o responsável pelas mortes que estão acontecendo nas filas e pelo não atendimento aos doentes por causa da greve no INSS
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Com menos pressa, ainda falando dos blogs mais bem escritos, muito mais!, do que esse, eu fico pensando nas propostas. Será um espaço para a reflexão? Será um espaço para a gozação, para dar notícias ou simplesmente para dar conta de pensamentos alienados que vêm o dia inteiro, estabanadamente nas cabeças e precisam ser colocados para fora sob pena de um transbordamento mental e cerebral?

Ou tudo isso não é um jogo de palavras patusco e cínico para quem procura justificar um blog tão anárquico no mau sentido, tão sem conteúdo e sem linha editorial. Como sempre me achei meio canalha, essa última hipótese é a mais provável

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transcrevendo ...

Sem acordo, greve dos servidores federais continua por tempo indeterminado

Fabiana Futema
Ana Paula Ribeiro
da Folha Online, em SP e Brasília


Sem acordo com o governo federal, os servidores públicos federais entram na sexta-feira no segundo dia de paralisação. O movimento --iniciado nesta quinta e que segue por tempo indeterminado-- é um protesto contra a proposta de reajuste de 0,1% do governo federal para este ano.

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Agora perguntou eu, esse reacionário ignóbil: pode- se levar à sério um governo patusco que irrita, cospe na cara dos servidores públicos dando 0,01% de aumento? Quantos anos ainda vamos ter que agüentar esse Presidente que brinca de ser doidão?

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sobre os escritos insondáveis

Existem blogs que são uma miscelânea tal, como esse aqui, que acabam sendo blogs de nada. Mas tenho dado uma olhada por aí e visto vários tipos de sites. Muita gente fazendo poesia. Muita gente escrevendo pequenos textos muito bons, com uma envergadura, uma qualidade literária, uma urdidura séria... coisas interessantes. Eu não consigo ter um estilo no blog. Fico imaginando que precisaria antes ter EU MESMO um estilo eu próprio. (estou repetindo esse enorme parágrafo que já postei mais lá abaixo porque, na verdade, é um ensaio para um outro blog. Desculpem)

E é isso o que acontece. Eu fico mudando muito as coisas na minha vida, ou a vida vai mudando, sei lá, mas o fato é que dia a dia as coisas são diferentes, não necessariamente na minha vida (que é parada), mas na minha cabeça. Minha cabeça não pára, tem horas que até me irrita porque ficam essas coisas todas aqui fervilhando.

E do que adianta? Se, de uma maneira ou de outra, eu não tenho condições de mudar as coisas na mesma velocidade em que elas se passam em pensamento, repito, de que adianta? Volto a ser uma cabeça em uma estante. Como uma espécie de cérebro à parte ou um HD de reserva, de stand by.

Então lá. Vamos imaginar que ou tenho a cabeça na estante ou meu cérebro é um HD de stand by (me repito para organizar as coisas). Enquanto um HD normal, o que não conta, o óbvio faz as coisas corriqueiras, o outro é um HD fervilhante, multifacetado, uma mistura de esquizofrênico com gay. Um HD gay e esquizofrênico ou ainda gayquizofrênico, que me parece, no fim das contas, o nome mais acertado. Uma mistura, simbiose da alegria, (gay) com e desconexão (esquizofrenia).

Aliás ultimamente tenho falado muito e esquizofrenia, mas eu bem sei o motivo. Ainda não é a hora de escrever aqui. Porque tem isso também, doutor: Eu sou um madrugador, uma pessoa que fica acordada a noite inteira ou acorda as duas horas da manhã e começa a escrever. E tem coisas que eu escrevo no meu diário aqui (no HD), outras manuscritas (em liláz) nos cadernos e outras ainda nos blogs.

As vezes eu pego uma coisa de um lugar e coloco no outro. O único lugar perigoso é aqui porque é público. Aqui eu sempre dou uma passada de olhos antes de postar. Já imaginou se eu me distraio e publico nesse espaço uma coisa que escrevi em outro arquivo, essas coisas mais do que cabeludas que me passam pela cabeça ou me acontecem? Na verdade não tem nada demais.
Pode uma virgem e casta freira pegar minhas mais cabeludas idéias, ler e passar ao bispo que terá um sorriso santificado e abençoará o meu caderno. Quem garante que não? Sempre fico achando que o problema está em mim mesmo que sou muito conservador. Isso é pouco, sou um reacionário, um falso pudico.

Taí, esse podia muito bem ser o sub título do blog: As confissões de um Pudico. Ou de um Falso Pudico (melhor, né?) Quando eu acabar a campanha do Roberto Jefferson para a Presidência da República eu penso nisso. O importante agora é catalogar a cabeça (seja HD ou a cabeça na estante). Minha cabeça é cheia de escaninhos e por enquanto tem que ir tudo para o lugar certo.

Agora mesmo eu estava lendo um blog todo sério, cheio de frases perfeitas, de pequenos posts super bem escritos. Fico pensando se, além de mim, vem mais alguém aqui. Na vida presencial não, mas no virtual parece que as mulheres escrevem melhor.

Aliás isso me lembra uma coisa importantíssima, que eu estou a um tempão para contar e sempre (amnésia) me esqueço: eu tenho lido várias coisas da mais do que reverenciada mundialmente Virgínia Woolf e fico embatucado comigo porque eu leio, leio e acho aquilo tudo de uma chatice danada, de bater cabeça, como uma injeção de Lexotan nas veias da têmpora. Não vejo nada de genial em nada daquilo. Fico sempre pensando no quando sou insensível, capadócio mesmo. E...

Dia desses estou folheando O Diário da Corte, esse delicioso livro do Paulo Francis e vejo no verbete de Virgínia Woolf ele dizer: "A literatura parece diáfana, inconsistente e anêmica, de um bom gosto excessivo que sai do terreno literário para o chique." Pronto. Por isso eu babo mesmo o ovo do Francis. Ele consegue sintetizar uma coisa que eu senti durante 50 anos e não consegui verbalizar, além de ter uma insuperável vergonha de falar, é claro.

Voltando aos blogs: têm os escatológicos que só falam besteira, porcaria. Tem gente que acha aquilo interessante. Eu acho irrelevante, uma droga, não gasto minha força nem pra ir até eles. Agora eu acho que os piores são de quem escreve na imprensa. Deixa eu explicar melhor. Não é isso não. O que eu acho é que as pessoas que visitam blogs de pessoas que escrevem na imprensa vão lá numa atitude tão reverente, tã subserviente (nunca vi um Blog discordando de algo que a simpatissíssima Cora Rónai escreve no seu blog, por exemplo). Voltando: uma atitude, um olhar meio subserviente (repito) mesmo, babam com qualquer coisa que esses brilhantes articulistas de jornal publicam na internet. Acaba irritando.

Ao contrário, tem blogs de jornalistas que só escrevem na internet e são interessantíssimos (como o do Ricardo Noblat, por exemplo). Aliás é muito raro você ver uma pessoa se saindo bem em duas, três mídias diferentes. O colunista de jornal diário por exemplo, não é bom em televisão. O de televisão não se sai tão bem escrevendo Claro que têm as exceções, lógico, estou falando de uma maneira bem geral mesmo. Às vezes me irrita eu ter que falar as coisas tão explicadinhas.

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*Acordar e tomar a primeira dose de medicamentos, ainda zonzo de sono, é a glória dos neuróticos hipocondríacos como eu.
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Freud

Aliás, o terapeuta devia ter resposta para várias coisas que o meu intelecto rechaça. Ele me responde o óbvio e eu já sou um "Óbvio" sobre duas pernas. Agora mesmo estou aqui escrevendo não é para desenvolver nenhuma forma de escrita não, é porque esqueci mesmo do que ia falar (sonhos).

Um amigo querido me ligou dia desses todo entusiasmado porque tem comprado, nas bancas, uma revista interessante sobre psicanalistas. Ontem, quando eu estava no indefectível centro da cidade, entrei numa banca grande e olhei. Realmente são revistas interessantes e com uma excelente qualidade editorial.

Estive, então, com as revistas na mão, levo, não levo. Queria levar porque realmente as revistas eram interessantes e pareciam ter um conteúdo legal (uma era sobre Jung e outra sobre Lacan. Tinha mais uma que não me lembro agora). Pois bem... olhei bem pras revistas, quase lhes fiz uma discreta carícia e coloquei-as no lugar, deicxcando para trás, na banca, sua moradia.

E tem um motivo - políticamente incorreto - motivo que é (pode ser, digo) mesmo Ignorante, mas eu penso assim, fazer o quê? Eu não acredito na teoria desses psicanalistas, (ou melhor ou pior), eu realmente, sinceramente, do fundo do meu coração cansado, não acredito na psicanálise. Acho um blefe e, nesse aspecto, acho que Freud blefou, enganou todo mundo, principalmente a si próprio.(Bauer estava ao lado dele e via as coisas com menos poesia)

Como a bendita cabeça não pára, tava pensando sobre isso e imaginando que se Freud estivesse hoje em dia no início dos seus trabalhos e das suas descobertas com a Psicanálise ela não seria descrita por ele como foi há cem anos atrás. Se ele visse a quantidade, variedade de neurastenias e a possibilidades de medicação, acho sinceramente que ele construiria sua teoria psicanalítica de forma muito diferente. Ou ainda: talvez fizesse uma outra ciência análoga, mas não a psicanálise que temos hoje por aí.

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Preciso perguntar urgentemente ao analista (eu tenho muito o que falar sobre essa história de analista),preciso perguntar o que a gente está pensando, o que o inconsciente nos quer dizer quando estamos a noite inteira, em sonho, conversa,do, debatendo mesmo com outra pessoa sobre os mais variados (que lembre) tema e pior: acordo com cuidado para não virar depressão e acordar quem está dormindo comigo. À tudo isso, assiste Artur, meu gato fiel com um olhar um tanto desolado e um tanto de pena.
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Existem blogs que são uma miscelânea tal, como esse aqui, que acabam sendo blogs de nada. Mas tenho dado uma olhada por aí e visto vários tipos de sites. Muita gente fazendo poesia. Muita gente escrevendo pequenos textos muito bons, com uma envergadura, uma urdidura séria, coisas interessantes. Eu não consigo ter um estilo no blog. Fico imaginando que precisaria antes ter um estilo eu próprio. (ensaio para outro site)
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2.6.05

MAR DE LAMA NO GOVERNO FEDERAL

Não é necessário escrever nada aqui sobre as trapaças, a vigarice, a roubalheira a ditadura branca instalada no Brasil. Basta assistir telejornais, ler jornais, resvistas semanais. Está tudo lá. A capa da revista VEJA n°1907 de 1°de jungo estampa o rosto de Roberto Jefferson da mesma forma que fez com o irmão do Collor. Agora sim, está chegando a hora. Não deixem de ler. Não fiquem desinformados.
FORA LULA !
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"Você pega os jornais e não sobra pedra sobre pedra no cenário político, pinta um clima de fim de feira moral, de desesperança, de indignação, de salve-se-quem-puder, tudo ao mesmo tempo"
Ricardo Kotscho - ex Secretário de Imprensa da Presidência e amigo de Lula e
o Dr. Luis Gushikem propõe que todos os Ministros renunciem
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FABIANA FUTEMA
da Folha Online

Os servidores públicos federais deflagraram hoje uma greve geral por tempo indeterminado para protestar, principalmente, contra o reajuste de 0,1% proposto pelo governo para este ano.

Segundo a Condsef (Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal), a paralisação atinge diversas categorias: servidores dos ministérios da Agricultura, Cultura, Saúde e Fazenda, do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), da Funai (Fundação Nacional do Índio) e Funasa (Fundação Nacional de Saúde), do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis), da AGU (Advocacia-Geral da União) e DRTs (Delegacias Regionais do Trabalho).

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da política que começa em casa

Dia de faxineira é dia de política. É o dia da semana em que eu tenho que ser mais político. O dia em que tenho que fazer várias negociações. Porque ela (a faxineira) chega de manhã e vai à tarde e eu tenho duas alternativas: tem dias que estou em casa e dias que estou trabalhando.

Minha faxineira (ainda há pouco escrevi faxineira com CH!) é muito boa, limpa tudo muito bem e tal, normalzinha, não fossem suas mãos. Mãos não: tenazes. Ela esfrega o chão, lava roupas, esfrega tudo o que tem que esfregar. Tem uma força diluviana. Quando ela pega nas coisas leves, arrebenta simplesmente. E ainda se espanta, diz: nossa que coisa frágil.... Frágil? Ela é que é um tanque de guerra!

Então.... bom, eu não gosto de mudar de coisas, por isso não mudo de terapeuta nem de faxineira. Porque aí eles já me conhecem de muitos anos, sabem tudo o que eu gosto ou não gosto, todos os defeitos e sabem que não tenho qualidade nenhuma. Então tenho essa faxineira com o singelo e mitológico nome de Helena há mais de dez anos.

Eu lido muito com papéis, cadernos, blocos, canetas tinteiro, computador e livros. Quando ela começa a limpar essas coisas as palmas das minhas mãos começam a suar (já tentei todos e todas as dosagens de medicamentos nessas horas. Não adianta: as mãos suam) Então quando ela começava (hoje está melhor) eu explicava que ela tinha que limpar tudo sem tirar nada do lugar. Ela: e essa folha aqui? E eu: Pega a folha, espana, e coloca no mesmo lugar. Durante anos foi assim. O computador eu digo: senta no chão, fica bem calma, sem pressa nenhuma, fica atrás do computador e passa um paninho bem carinhoso (como se estivesse mexendo num recém nascido), e, pelo amor de Deus! não desata os fios, pode deixar embolado, etc. etc.

O que importa é que essa lavagem cerebral vem dando certo, ela não entende porquê mas pega uma folha de papel, espana e coloca no mesmo lugar. A questão mais grave são os livros. Ela tira todos para limpar e quando volta com eles para a estante... Deus! Como uma pessoa pode destruir em duas horas o trabalho de um homem em dois anos? Ela trocava todos os livros de lugar e quando ia embora eu ficava completamente perdido dentro de casa!

Com o passar do tempo fui negociando (politicamente sempre) com ela: Olha, você primeiro tira uma prateleira só, limpa os livros e coloca tudo na mesma prateleira. Depois vai em outra e faz a mesma coisa e assim sucessivamente. Depois de alguns meses ela se condicionou a isso. Eu é que não. Porque as prateleiras tinham sempre os livros todos trocados, Lima Barreto misturado com Dostoievski!

Hoje bolei um novo método: Não tira os livros da prateleita. Chega eles bem para a frente, limpa e enfia de novo. Como eu estava em casa ela fez e deu certo. Tenho que esperar pra ver daqui pra frente. E o pior é que ela me olha da cabeça aos sapatos como se eu tivesse saído naquele instante da Dr. Eiras!

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duplo fora de tempo,

Caminho pelas ruas molhadas porque choveu até ainda há pouco. Asfalto molhado me lembra Europa. Não Estados Unidos. Europa. E nessa breve caminhada me dou conta que os personagens no teatro no porão da Letônia (?)estão muito mais na minha cabeça do que eu imaginava antes. Explico:

Claro que a Europa está no meu imaginário. Mas, eu acho que de uma forma ainda mais vívida, os países do Leste, os que estiveram sob o jugo comunista. Sempre pensei naquelas pessoas sem dinheiro nem acesso a bens de consumo. Sempre imaginei a vida espartana, a tristeza, o medo que cada pessoa tinha de falar, de ser ouvida, de ser mal interpretada, de ser denunciada por uma vingancinha qualquer, boba.

Sempre imaginei casas lúgubres, com famílias ainda mais lúgubres, desgraçadas mesmo, vivendo ali, aquela vidinha de não viver, seguindo uma rotina enlouquecedora, além de todos os medos, medo até da sombra. Pessoas que virava e mexia eram vistoriadas da cabeça aos sapatos. Uma sordidez absoluta.

Esses países estão livres do comunismo, muito melhores, mas não consigo me desfazer dessa imagem deles, uma espécie de recorte no tempo, mostrando que não podemos esquecer aonde determinados caminhos nos levam.

Penso no ator sentado no banco com os livros no chão, ao lado. Quem será esse homem? Esse homem poderia ser eu ou você, esse homem pode ser um duplo de alguém em Nova York [cada vez se consolida mais a idéia de que, para cada ser humano, existe um duplo seu, rigorosamente igual, em alguma parte do mundo].

Imagino então que é um duplo meu vivendo numa época um pouquinho diferente, tipo vinte anos atrás. Quem sou eu há 20 anos atrás? Um sul americanozinho desses que mata um leão por dia. Sim, esse também sou eu como não deixa de ser o ator que está na Letônia, no palco do porão .

E porque não vivemos na mesma época como acontece sempre seguindo a lenda rigorosamente como ela é, que existe alguém igual vivendo em outra parte domundo? A lenda não fala em tempo. Porque se adaptamos a História ao nosso bel prazer, se alteramos os mapas geográficos, porque não se pode alterar uma lenda? Assim sendo um personagem meu, esse duplo de mim, cópia exata, vive na Letônia há vinte anos atrás. Eu, deixem-me contar, conheci um lituano, já avançado em idade. Era também um ator que veio para o Brasil fugindo da Guerra de 39 a 45.

Chegamos a trabalhar juntos, ele era muito boa praça. Pelo tempo já deve ter morrido. Eu penso em pessoas que eram velhas quando eu tinha trinta anos. Hoje, eu mesmo um velho de 50, titubeio em pensar se os daquela época estão mortos... pois está claro que estão mortos com certidão de óbito assinada por Deus.

Pois voltando ao teatro da Letônia comunista, sento ao lado do diretor e trocamos palavras para, não sei explicar muito bem o porquê, tratarmos no nosso futuro, já que também viríamos a trabalhar juntos. E isso é verdade, eu trabalhei com Ziembinski. Agora saio porque a faxineira me enxota como a um cão sarnento.

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velhice

Essa coisa de ficar desmemoriado é uma loucura mesmo! Não posso me furtar (se não esqueço) de contar que cada dia que passa mais esquecido estou. Existem, vocês sabem, várias maneiras de colocarmos à prova nossa memória.

Às vezes íamos falar uma coisa e, demorado um pouquinho, esquecemos da mesma, simplesmente não sabemos mais o que era pra falar. Como quando escrevemos e, de repente, some da cabeça a próxima frase, aquela que estava ali, quase transbordando boca afora.
Eu sou um desmemoriado nato. Sempre fui desde criancinha idiota (todas as criancinhas são idiotas ¿ e os pais também que não percebem). Pois muito bem. Fui crescendo e a amnésia junto. Importante dizer que é uma amnésia recente. Não sabem o que é isso? Explico.

Sei muito bem (e às vezes choro por isso - brincadeirinha) quem eu sou, lembro de coisas antigas, lembro de coisas quando era pouco mais do que um bebê, mas esqueço no meio da tarde o que almocei naquele dia, esqueço onde deixei as coisas (sou campeão), esqueço se tomei um remédio ou não. Esquecer se tomei o remédio é freqüente em mim. Agora vejam vocês que situação! Como já sou mesmo todo caquerado, preciso de remédios, não é verdade?

Agora, eu tomo remédios que não dá pra tomar em doses duplicadas. Hoje mesmo de manhã (bem mais cedo) deveria ter tomado um remédio. Não há meio de saber se tomei ou não. Vou tomar (novamente?), por via das dúvidas. Mas não é só isso.

Chego na rua e esqueço se fechei o gás (não é TOC não, é esquecer mesmo). Estou dirigindo e esqueço de entrar na minha própria rua, indo parar no cafundó do Judas, não lembro nenhuma data de aniversário (e muito menos números de telefones), vivo esquecendo as senhas (e hoje em dia, cá pra nós, é um inferno, tudo nessa vida tem uma senha, pra mijar o pinto pede a senha!).

E tem, antes de tudo ou melhor, depois de tudo, a história da velhice, né? Velho é uma merda. Velho só tem problemas: é surdo, trêmulo, tem uma morrinha sepulcral, respira mal, tem reumatismo, anda devagar, é ranzinza, tem pouca memória... Enfim, como é bom ter 25 anos!

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Serra Leoa é aqui

Como sempre, minhas antenas auditivas estão ligadas para ouvir quando o jornal é colocado embaixo da porta. Hoje me deixei dormir o bastante para, acordado, o jornal já estar lá. Já sei que na hora (de apanhar) irei até lá e olharei com cuidado, quase que desvendando aos poucos o que é a manchete principal.

O que o governo está aprontando pra mim nesse fugidio início de junho, saber qual a maracutaia do dia. Aliás, esqueci de contar ontem que o nobilíssimo secretário de Comunicação do Governo, Dr. Luiz Gushiken teve a genial, iluminada e ao mesmo tempo profana idéia de propor que todos os Ministros de Estado entregassem seus cargos ao Presidente. Coisas de um país que só perde em desgraças e miserabilidade para Serra Leoa!
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Dia NÃO

Tava falando (como sempre repito aqui, mas o que seria eu sem as minhas repetições?) que sempre temos um dia SIM e um dia Não. Ontem foi um dia não. Fiz coisas fúteis, ignóbeis mesmo, como a ir a bancos, imobiliárias, assinar uma ridícula folha de presença e tentar [mais uma vez!] arrumar um pouco os livros. Hoje será outro dia NÃO porque vou ficar com a faxineira o dia inteiro aqui (quase trepada em mim), não me deixando pensar. Dia NÃO quando você já sabe cedo é insuportável. Nada como a surpresa de um dia NÃO. Você ao fim e ao término concluir que foi um idiota gastando seus últimos suspiros! Agora saber de antemão é dose! Da mesma forma, imagino que amanhã existe uma boa possibilidade de ser um dia SIM.
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humor

Mal desperto e fico aqui pensando no que mesmo eu ia falar. Ah, sim!

Nem sempre me percebo dormindo. O mecanismo de esquecer sonhos dá blindagem para acordarmos à princípio bem. Por que estou falando isso? Claro que é besteira, mas não sou super herói e é barra pesada você já abrir os olhos, carregado de imagens ruins, pesadas ou mesmos lindamente delirantes de tão boas. Melhor acordar de um nada absoluto para eu mesmo me sentir naturalmente, eu mesmo ver para onde o humor caminha. Não tem essa coisa dos humores nos carregarem para lá e para cá? Quem não tem os seus bons e maus humores? A velha patusca ou o homem da fina flor, todos são igualmente sórdidos na hora de mostrar os humores. Ambos não pensam no outro, não querem nem saber.

Despertar é acordar da morte, do nada absoluto [não me venham repetir que a gente sonha todo dia, que eu já sei, deixa eu falar como eu quero] e se enfronhar, como que entrando na vida, pra ver o que vai ser dali em diante. É isso? Acho que me perdi....
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1.6.05

... das trevas

Ouço o músico alemão. Ele está na outra poltrona [de veludo roxo], transversa, quase em frente a mim. Falo do pesadelo de agora. O que foi, que monstro mais aterrador pode criar um ambiente assim, tanta angústia, dor, gritos, medo, fuga. Para onde está meu espírito se revirando buscando liberdade [um pouco] onde vai essa onda que me aprisiona?

Quem são então, me diga, os outros, quem me segura, por quê (não fiz nada!) o que vai acontecer se aquele purgatório se materializar? Ele já é o próprio inferno ou pior! É naquilo que meu espírito, nada, se mexe, aquela gosma grossa que me puxa não sei mais para onde...

Por que, me explique então, temos que passar por tanta atrocidade, tanto mal estar, a boca tão amarga e o espírito tão delirante se nada fizemos se estamos apenas buscando, mexendo e remexendo com a única e tão somente intenção de entrar e mostrar (ou de conhecer) esse desvão [porque devem existir outros]?

Ele, com sua mórbida palidez, me olha atento, cavo, com olheiras infinitas, com brilho rútilo apenas no olho esquerdo, no olho do monóculo que permanece ali, como experiente equilibrista, no olho, sem o esforço que normalmente vemos nas pessoas que usam esse estranho óculo. Aguardei o que ele tinha a me dizer, esperando mesmo uma análise sobre o que relatara.

Eu, começou ele, sou sempre como o filho do próprio demônio que é implacável em me dizer e mostrar todo o mal do universo, mesmo quando choro, imploro para não ver. E vejo todos os tipos de deformidades, todo o tipo de tortura, de humilhação e degradação humana. Os mais desgraçados, os amputados, os queimados, os monstros, todos me olham com lágrimas de sangue e me estendem as mãos em busca de uma ajuda que ninguém jamais dará. Sou presa de bichos, baleias com cabeças multiformes, seres abissais que não conhecem a luz e convulsionam-se à minha proximidade como se fosse eu o apocalipse em forma de gente, me expulsam, choram, gritam no desespero de suas grosas correntes enferrujadas.

Olho para ele. Ele, em si não existe. O que existe é aquele olho grande, azul, vestido com o monóculo armado em ouro. Sua barba é tratada com espero, como as tratam reis e sultões e penso que ele seja um sultão do âmago do meu espírito, morador no meu inconsciente mau e pecador. O que és, pergunto, quem expia a dor, quem aflige os que adormecem por exaustão? Ou apenas diverte-se em apavorar os que não conhecem esse mundo oculto, de mistérios? Vens das trevas, vês-se logo, continuo, mas não és a própria treva parecendo antes, um filho dela, filho indesejado talvez.

Que seja, acede ele, não sei o que esperam de mim por aquele pântano, querem que eu saia que eu venha ao homem mostrar sua dor, deu destino, dizer ao homem que seu destino é sofrer contínua e eternamente. Talvez me queiram um príncipe negro mensageiro da queda, uma visão do destino sofredor e alucinado de cada homem que hoje, tolo, se ajoelha na frente de um nada, em busca de uma salvação que foi perdida no tempo.

E, por assim estarmos de acordo, combinamos que nos encontraremos sempre que possível para que, apesar dessa dor que lacera, dessa impossibilidade que mora em nós, esses campos opostos que estamos sem escolha, esse império de pesadelos e estranhezas que vêm não sabemos mais de onde, quando perdemos os dois nossas personalidade, somos sim, mensageiros de forças que não conhecemos, que nos manipulam e ordenam e cumprimos, forças abjetas que se utilizam de nós para disseminar a dor em todos os homens sobre essa terra de noite eterna e pântanos traiçoeiros.

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texto perdido

Algum tempo atrás estive descrevendo mais ou menos um palco com dois atores e acho que cheguei a falar do diretor que, da platéia, bebia uísque. Esses pequenos textos, não sei bem porquê ficaram na minha cabeça, vira e mexe penso neles.
Imagino que aquela cena, aquele momento, tenha se dado numa pequena cidade da Letônia, no leste europeu. Por quê? Porque lá fora o céu era púmbleo, as pessoas usavam roupas de frio e bebiam de garrafinhas portáteis suas bebida alcoólicas.
O teatro era num porão e para ver, é preciso que o passante se agache na calçada para olhar por uma janela quebrada o que seria o pequeno teatro.

O diretor, acho, é Ziembinky, mas está totalmente atemporal ali porque naquele momento ele é um velho e quando esteve no leste, o diretor era moço. Acho que estamos em plena era comunista, era das rações e da censura. Por isso o teatro no porão.
Da janela que referi disponível a quem se agacha na calçada, não é propriamente o teatro que se vê, é uma sala, sala que, em épocas de espetáculo se transforma em camarim.

E não parece que as situações sejam tão teatrais assim, explico-me: me parece que o homem jogado no chão que vive na penumbra é realmente que vive pelo chão, dessas pessoas que vão descendo, progressivamente, até o chão.

O do banco talvez seja ainda mais singular, mais complicado de compreendermos porque aquele banquinho é uma representação de poder? De Moradia? Ou é simples e nada mais do que um banquinho? E os livros ao lado? Ele vende livros sebosos, é um erudito ou toda a erudição comunista está ali?

O mais difícil talvez seja reger o regente, o diretor com sua lâmpada fraca [que não atrapalha o palco] e seus scripts, seus roteiros, textos com todas as anotações que o diretor fez. O que ele quer? Mudar o texto, acrescentar ou suprimir? Ele é do partido, trabalha também como um censor ou é exatamente o contrário, ele é o velho resistente da democracia?
Precisamos talvez chegar mais perto, observar mais como correm as ações, como se tratam. Serão amigos ou colegas de ofício? E aquilo é um ofício (pelo menos naquelas circunstâncias)? No povo oprimido e censurado é normal aquele tipo de cena, de proposta. Ou aquilo não é o que parece ser?

O diretor remexe algumas folhas, baixa o óculos de tartaruga para a ponta do nariz e, com o rosto afogueado diz:
- K. ! Não está bom. Você não está tratando com um animal. Tem que dar mais atenção a C.
- Mas estou dando... De vez em quando olho pra ele... e respondo ao que me diz...

Não, vocifera o diretor, é preciso que você fale, grite, humilhe esse canalha que está rastejando na sombra, aos teus pés!
(E agora me perdoem, tenho que abrir esse parêntesis porque não estou achando no blog o post que falava do diretor. Será que escrevi e esqueci de postas? Porque, se é assim, fica complicado que se entenda o que quero dizer ¿ muito embora nem eu entenda)...................
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Algum tempo depois... dei uma olhada nos meus escritos e não encontro onde está a parte onde eu descrevi o diretor, cabeleira branca, já rareando na frente, sentado na platéia, atolado em papéis com muitas anotações.... porque isso não é um delírio, eu escrevi isso em algum lugar para dar continuidade ao diálogo que teriam agora o diretor, K. e C. Vou procurar, então.

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Bom Dia!

Só para alegrar o início desse dia, reproduzo a manchete em letras garrafais do Globo que me chega:
"ESCALADA DE JUROS DO BANCO CENTRAL PÁRA A ECONOMIA".
Em letras menores: "PIB cresceu só 0,3 % (quá quá), mas confusão de dados ainda pode revelar número diferente"
No corpo da notícia, confirma-se que a inflação não pára de crescer.
Acho melhor vocês deixarem o pão com manteiga e comprarem o jornal...
Bom Dia Brasil!
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Antiga Bósnia

Parece coisa de velho [e é], mas o primeiro dia útil é um caos bancário, principalmente no famigerado Banco do Brasil. Esse banco me parece uma espécie de Banco da Bósnia [quando o lugar estava em seus piores momentos históricos], onde milhares de pessoas humildes, miseráveis mesmo, dentre elas uma constelação de velhos, velhíssimos, fazem filas homéricas, retumbantes, desesperadoras.

Esse banco, como tudo que é Estatal [e o Brasil parece o leste europeu de anos atrás] esse banco, eu dizia, tomado dos "Legionários da Esquerda", essa turba idiota e fora do tempo, é um banco que se impõe rasgando nosso direito de escolha.

Por exemplo, todo o funcionalismo público federal tem que receber seus minguados, quase invisíveis proventos no Banco da Bósnia. Como nas filas para a ração diária moscovita, perambulam pelo salão sórdido do banco estatal, milhares de pessoas acabrunhadas (pelo trabalho que fazem e pela instituição em que são obrigadas a receber).

Como (de novo - repito para que vocês entendam bem a desgraça do governo estatizante) tudo que é estatal, o Banco da Bósnia, como o Banerj e a Caixa, é pródigo em filas, em funcionários irritantemente, desesperadoramente lerdos, que mais tomam cafezinhos e conversam entre si, num ritmo de tartarugas mancas, sabendo que têm emprego garantido e bons salários e que os clientes (?) dali jamais sairão, pobres coitados que são.

Existe ainda [Repito sim!] um exército que merecem se não respeito, pelo menos pena, de idosos, doentes, cadeiras de rodas, um mar lamacento de bengalas e tantas cabeças brancas que parece estar nevando lá fora, tal o número de velhos e aposentados que vão ali em busca das 'aposentadorias', 'pensões' , de sua infame ração de dinheiro que, pretende-se, passarão o mês. É tudo degradante demais para mim. Por que não privatizam o Banco da Bósnia, digo, do Brasil?

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desordem

Depois que eu falei alguma coisa aqui sobre um livro do Nelson Rodrigues comecei a me dar conta, a perceber que tenho vários deles, nas mais variadas edições, modelos e formatos.

Não é nada de estranhar não... é que depois que eu vim morar aqui (já ha dois anos), não dei atenção aos livros, não arrumei direito, deixei tudo descasado, minha vida ficou atribulada (pra pior), caí numa espécie de roldão de coisas que me afastaram do meu eixo.

Por outro lado tem um monte de livros que estão para serem anotados há anos e até hoje não fiz isso, entrei num processo de dispersão como nunca vi e essas coisas todas fazem uma desordem puxar a outra, como o folguedo da queda de dominós.
E eu olho pra tudo isso percebendo como um trabalho que deve ser feito, que espera por minha iniciativa, atitude. Um trabalho não remunerado, que não interessa a ninguém, mas que me dá prazer. Eu quero conseguir me achar pra realizar as coisas que me são naturais, que compensam, acho.

Pode parecer bobagem, mas, por exemplo, no caso do Nelson Rodrigues que eu falei agora [e antes]. Quero poder comparar as edições antigas e novas, vagabundas e melhores, ver se faltam ou se tem crônicas repetidas. Coisas que eu sei que não interessam a ninguém e que eu sempre gostei, que não tem nada a ver com a fase atual.

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Liturgia


Mesmo não sendo me parece ser. Parece que passarinhos cantam, talvez por influência do que estou lendo. E a manhã não deixa de ser rutilante. Estou começando a achar que meu despertar está tomando ares de liturgia.

Porque não é aquela alegriazinha tola de quem acorda feito uma libélula deslumbrada borboleteando pela casa ou cantando feito um canário de exposição. Não sou assim. Prefiro ser circunspeto, sério. Se eu fosse homossexual não seria gay, se me entendem.

Porque tem essa alegriazinha tola que eu nem acredito. Essas pessoas que acordam, abrem a janela e gritam: Bom Dia Sol! Nunca vi ninguém fazendo isso, talvez seja uma figura construída, algo do imaginário, não sei.

Temo a chegada do jornal porque sei o que virá estampado nas matérias e do que os editorialistas vão tratar. E isso corta qualquer barato. Nada pode ser bom ao ver aquelas fotografias de barbudinhos explicando o inexplicável ainda mais com a pesquisa de ontem (que até agora eu não consigo entender: como pode haver reeleição se os índices de popularidade não param de cair?).

Eu odeio os que trocam votos por cestas básicas. Minha vingança é que vivem e assim persistirão até o final dos tempos de cestas básicas tristes, feias, ordinárias. Mas nada disso vale a pena, porque estou no melhor momento, foi só um pensamento rápido.

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Noite

O dormir é um momento singular em nossa vida, eu acho. Um momento do não, um momento que os mais velhos parecem estar perdendo alguma coisa. Me lembro da juventude, quando dormia 12 horas seguidas, um sono pesado, que não admitia interrupções. Hoje durmo bem menos e acho que assim é com todos os entrado já em anos. No entanto, parece que estou exagerando na dose [de não dormir].
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Não sei se ando muito casmurro, sorumbático, mas me parece que, para quem não tem compromisso, isso é cedo demais. Não foi antes porque o pessoal da Blogger ainda estava dormindo. Não fosse o horário de sono deles (que também é inexplicável) e estaria publicando desde as 3h.
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