Por favor, me negue o cumprimento.


SORRIA!

....

...são pedaços de papel, folhas de cadernos, guardanapos sujos e restos de cabeça insone...

Leia da forma que achar melhor, não tenha compromisso com nada. Eu também não tenho.


English




ARME-SE MAIS!



Não possuo nenhuma expectativa maior em relação às pessoas. Convivo com elas na sua justa medida.

O impossível na raça humana são justamente as pessoas.

Definitivamente, o silêncio não é dos inocentes.

Por mais que eu pense bem ou mal das pessoas, elas sempre me surpreendem.

O Blog é uma "Carta de Intenções" raramente cumprida.

Eu vivo dos meus desequilíbrios* Copyright Nicka.

Sempre teremos Paris....

Toda mulher deveria ter quatorze anos.(Nelson Rodrigues)

Fez-se da vida uma aventura errante (Vinicius de Moraes)

A calma é inimiga da perfeição

"Não importa. Tente outra vez. Fracasse outra vez. Fracasse melhor" Samuel Beckett

"Toda mulher devia ser a Sandra Bullock"

"A Tsunami é Aqui!"

"Sou uma espécie de Glória Magadan da vida real"

"O chato em essência não existe...O chato é, antes de tudo, uma visão do outro..."

"A fecundação é muito parecida com o garçom que mistura leite ao café. Apenas isso. O início da gravidez é um café com leite."

"A Internet, repito, imbeciliza as pessoas."

"O que as pessoas chamam cultura não é senão um termo pitoresco para a sua ignorância." Saul Bellow.

"Quanto mais conheço analisandos, mais desprezo a Psicanálise."

"Dormir de dia é um suicídio inconcluso"

"O uísque é como um GATO engarrafado. O melhor amigo do Homem" Vinícius e Geraldo

"A vida é como executar um concerto de violino ao mesmo tempo em que se aprende a tocar o instrumento"Samuel Butler

"A pior forma de solidão é a companhia de um paulista" Nelson Rodrigues

"Ser me ocupa bastante" A. Gide

"Nada como a brancura cadevérica de um Pé"

"Acordar é como um renascer com as cartas marcadas

"A fé sem liturgia não tem o fulgor, não tem nada feérico, é como uma fé apagada, inexplicável, pequena, dúbia".
"Matar-se é fazer poesia!".

"'Quando homens pequenos lançam grandes sombras, é porque a noite está chegando" Nathaniel Lee

"Só o suicida morre dignamente".

Caminho de cabeça baixa pela praia da vida catando uma esperança.

Todos os dias são para mim meu último dia. Um dia, sem me dar conta, meu dia será o último para todos. .

O Orkut é uma espécie de lembrança e alerta virtual para um possível não vivido. .

29.7.05

CESAR MAIA EXPLICA DIDATICAMENTE O GOLPE DO GOVERNO

Em defesa do PT

CESAR MAIA

A liderança do PFL na Câmara de Deputados criou grupo de assessoria, da qual faço parte na condição de pesquisador, para acompanhar, fora do calor dos embates, a crise política que atravessamos. O grupo tem convidados eventuais. Permanentemente, é formado por dois policiais " um civil e um federal " especializados em investigação, um ex-militar especializado em inteligência, um politólogo, uma psicóloga, um jornalista veterano, além do deputado e de mim. Há dias, o grupo avançou a primeira conclusão preliminar, que mudaria completamente o rumo das investigações e do noticiário. O PT, enquanto partido, nada tem a ver com a república do mensalão. Mas o Gabinete do Presidente, o GP, sim. A análise dos depoimentos na TV, inclusive expressões faciais e labiais, as linhas e entrelinhas do noticiário e as informações de bastidores, foram construindo esta convicção.

No último fim de semana, as matérias de uma revista e de um jornal fecharam esta hipótese e a transformaram em tese. Uma diz, em relação ao ministro Thomaz Bastos, o seguinte: "...ponderou sobre os perigos de a crise chegar ao governo e sutilmente falou sobre o crime eleitoral, que tinha a tremenda vantagem de circunscrever o problema ao Congresso e ao PT, deixando o governo de fora". Em outra, na qual Dirceu afirma que o PT precisa defender o governo, pode-se ler: "Dirceu alegou que o que está em jogo é o governo federal." E mais: "Dirceu afirmou que, no caso do governo federal, não há qualquer comprovação de contratos fechados de forma irregular, portanto não haveria motivos para se falar em impeachment de Lula." O raciocínio dos especialistas é que este esquema não poderia passar por um coletivo de mais de três ou quatro pessoas, pois vazaria certamente. E que elas deveriam ser da intimidade pessoal do presidente e não ter apenas ligações políticas com ele. E mais: que um processo continuado como este exigiria que a operação fosse centralizada em uma só pessoa, esta da maior confiança, para ter acesso sem agenda ao presidente e aos palácios, de modo a falar sem o uso de telefone.

O método decisório do PT impede que uma ação continuada como esta seja realizada sem o envolvimento de um grupo muito maior da direção partidária. Os recursos envolvidos exigem necessariamente que órgãos e empresas do governo sejam mobilizados. O nome do PT, como avalista, não seria crível para um empresário. O do gabinete do presidente, sim. As declarações públicas de Delúbio, Valério e do presidente, empurrando tudo liminarmente para o PT e para os partidos, daria cobertura de opinião ao esquema, pelo desgaste sistemático dos políticos. A reforma ministerial é, na verdade, a formação de uma bancada de 180 deputados (mais de um terço do total), para evitar o impedimento. Os discursos públicos e televisados do presidente cabem perfeitamente no perfil e nos argumentos dos culpados, numa primeira fase dos processos de investigação. Ou seja, a alegação de honestidade e de origem, a vitimização (querem acabar comigo...), e a transferência de responsabilidades são tipificáveis para os que investigam.

As tentativas de circunscrever as responsabilidades presidenciais nos atos formais do governo (ver Dirceu acima) são alegação pueril, pois o presidente, assim como governadores e prefeitos, não é ordenador de despesa. A assunção de responsabilidade por um e apenas um dos integrantes de um grupo investigado é um caminho indicado por advogados e usado extensamente nas máfias, em que um paga por todos e tem a garantia de proteção da família, advogados e prisão curta. Foram feitos testes a partir dos depoimentos citados, substituindo a sigla PT pela GP, que se encaixou perfeitamente. Por exemplo, no caso Delúbio: "Assumo inteiramente a responsabilidade. Ninguém do PT (GP) sabia." Quando Delúbio diz "ninguém do PT", na verdade é um inteligente recurso de advogados para incriminar o partido. "Ninguém do PT" quer dizer PT que ele estaria supostamente representando, criminalizando com isso o partido.

Além do mais, não se terá como comprovar pelo fato de o PT e sua direção - enquanto tal - nada terem a ver com isso. A tese é que as decisões sobre a distribuição de recursos eram tomadas no GP, por um grupo de três ou quatro pessoas, e que a operação era realizada pelo Delúbio. E que as garantias estão no próprio GP. Entregar recursos a deputados e diretórios do PT produzia uma dependência deles ao governo, enquanto entregar aos deputados em geral submetia o Legislativo, mantendo ministros e a aparência de um governo do PT. O objetivo único é conservar o poder num segundo mandato. Para isso, vale tudo. O PT está sendo dilacerado como forma de proteger o mandato do presidente. Em outras palavras, Lula entregou a cabeça do PT na bandeja, para livrar a dele.
CESAR MAIA é prefeito do Rio de Janeiro.

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26.7.05

Medo

As classes sociais mais baixas ainda não sabem o que acontece no governo. Na propaganda eleitoral vão saber e Lula vai sair corrido. Tudo está começando. Não é o show da CPI, é a náusea do governo. Muitas CPIs, muitos papéis, muita gente que fala e se esconde. Querem 'refundar' partidos, Querem que não dê tempo do povo saber. Não adianta. Já vejo pelos corredores o olhar de pânico (contido) dos canalhas. Calma. Tudo a seu tempo. Por enquanto estou apenas afiando a navalha.
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Quedas

A queda é sempre assustadora. Queria saber apenas se é perigosa. Antes de Camus tínhamos a noção exata da Queda. Sonhamos sempre com a queda. Eu sonho sempre e muita gente me conta que sonha. // Corta para um caco de espelho. Quebrado. Um corpo que cai. Quem não assistiu? O que é um corpo que cai? É melhor ter um novo pensamento sobre o estranho filme porque hoje devemos ver aquilo tudo apenas como metáfora que prenunciava o futuro.

Hoje não são corpos que caem. São mentes. É a mente, em sua psicologia, seus psicologismos, seus conceitos de humanismo que caem. A queda do corpo prenuncia apenas a doença e a morte (normais). A psiquê desse homem do século novo está caindo. Todas as mentes caem. Algumas levam o corpo, outras, o espírito. Fio de navalha. Há uma queda generalizada para as profundezas de Dante (Purgatório ou Inferno?)

Não suportamos as quedas constantes. Eu não suporto e digo, muita gente não suporta e esconde. Quem esconde começa a beber, se embriagar, se esquecer e as carreiras de cocaína parecem salvação. Não sei o que pode salvar mais. Estamos em queda ou não? A política, os povos, o mundo. O que é Londres? O que é o Brasil? O que é o Haiti? Não sei caminhar no mundo como querem porque não sou o equilibrista de sombrinha. Saudade de João com o violão [batida] e ressentimento porque Rita Lee não é mais aquela noivinha linda de coração pintado na bochecha. Não vi nada melhor depois disso, só uma desabrida queda.

Tudo para baixo, as carnes caindo, as mulheres, desesperadas, fazendo plástica emalhando, a gravidade, a tonteira, o desequilíbrio global que me chega pela TV (essa praga que me persegue) e pela internet com sua audácia prematura. Volto para Paris e para Argélia. Melhor reler A Queda de Camus, melhor ver o velho cineasta de Um Corpo de Cai. Melhor não olhar para o nosso abismo à frente. Melhor prevenir. Não correr. Se mancar. A faca cai no chão da cozinha. O que quer dizer uma faca que cai no assoalho da cozinha?

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24.7.05

Loucura & Soberba

- Por que a performance tola engana, parece moderna? -

Recebo uma cartinha perguntando porque a soberba! Acho que tenho mil explicações mas me contento com uma: para sobreviver. Gostaria de não precisar, gostaria muito que o povo fosse educado e percebesse as coisas à sua volta. Percebesse que o modelo político é furado, que não existe nenhum incentivo à Cultura. Se o povo estivesse ligado eu relaxaria e me entregaria nos braços de Thomas Mann ou de Gide para dar um tempo.

De vez em quando eu mudo de assunto, falo de outras coisas pra descansar a minha própria cabeça e não a de quem lê. Nessa mesma cartinha me perguntam ainda porquê essa fascinação com a loucura e novamente tenho mil respostas entre elas de que talvez eu seja louco mesmo e aí estaria encerrada a questão. Mas não está porque mesmo louco eu não perco contato com a realidade e a realidade é mil vezes pior do que a minha loucura. Minha loucura nem é loucura.

Fico deprimido toda hora, doença da moda. Todo mundo fica e não diz. 99% das pessoas que eu conheço estão muito deprimidas e não dizem nada. Afogam tudo no uísque e voltam no dia seguinte com a depressão e mais dor de cabeça. Prefiro então essa loucura que a depressão invoca, prefiro tentar me tratar pra poder bater mais nos outros. Pra poder ficar mais inconformado com a capacidade do povo de ser bovino e jeca. Melhor deprimido do que burro! Nunca se viu igual.

Claro que 90% da minha biblioteca é estrangeira! Dia desses me criticaram, mas tem que ser! Pouca gente escreve bem e quem escreve é desprezado, não é editado e se é, é mal distribuído. Por que perder tempo lendo as tolices que se escrevem por aqui?.... já li Guimarães Rosa, Gilberto Freyre e Roberto Campos. Dei uma olhada em Campos de Carvalho que quer ser vanguarda, mas não é. Ele é descoberta pobre dos performáticos chinfrins daqui, desses que acham bacana a gente ficar revirando esse entulho todo aqui. Eu não tenho tempo.

Clarice Lispector é uma, não podemos fazer todas de Clarice porque não são. Nem Ana C. É melhor então ler os Diários de Virgínia Woolf que são melhores do que sua prosa cansativa. Josué Montello é interessante mas, como Jorge Amado, repetitivo. Ou querem que eu fique lendo João Ubaldo eternamente e fingindo que ele é o máximo, que pose com livrinho de Chico Buarque que deveria se contentar com sua música ou do Veríssimo que deveria reler a obra do pai?

Talvez ninguém tenha culpa, todo mundo esteja tentando. Imagino que tenha muita gente legal por aí que vai se perdendo. Falta o tal incentivo á Cultura. Mas não posso me agarrar aos performáticos que se viram pra ter mídia e achar que são o máximo porque não são. Precisamos entender logo que nem tudo que é diferente e chama a atenção é bom. E tem o raio do povo que não ajuda em nada, bovino, jeca, passivo, que só lê seus livrinhos técnicos para fazer esses cursinhos que não levam à nada.

Claro que estou falando sozinho, que nada vai mudar. Não faço nada também deixo como está, deixo todo mundo se iludindo com empreguinhos e dinheirinhos. Me acomodo na minha loucura e fico vendo se descubro no Paraíso perdido alguma coisa que me diga mais ou então se Canetti ou Buzatti falaram de algo que eu não percebi. Tem muita gente, muita coisa pra estudar e procurar. Para isso tenho que me manter louco e o povo, de metrô, são. Eu, no metrô, enfio a cara em Rimbaud e meu vizinho no jornal Extra.



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Para prosseguir

A cabeça é o instrumento da viagem e viajo só, montado em rolos de papéis, cadernos tudo onde possa ir deixando marcas. Só, sempre só para não sofrer influências nem perder tempo explicando coisas que são minhas, que poucos podem perceber. Cada dia que passa, constato que tem menos gente percebendo, menos gente com quem posso falar. Porque falar pressupõe a expectativa de ouvir.

Não tenho mesmo paciência, isso é uma verdade. Quem tem 50, 60 anos não tem tempo, não é questão de paciência, é questão de tempo. Corro para lá e para cá e dou de cara com espelhos e mais espelhos que me refletem de maneiras variadas, muitas vezes deformadas (ou a deformidade é o natural?).... Paredes de espelhos eu dizia. Olho e vejo eu, eu e mais eu de frente para mim, sem ninguém atrás.

Não é o abuso da química, ela é salvadora porque, não fosse ela, estaria em outro mundo, num mundo à parte, um mundo que vê a vida sob uma ótica mais crítica. Acho que nos dopamos para não sermos críticos demais. Dopado ou não eu sou crítico demais. Vou cavando os buracos onde me afundo porque quero ir fundo mesmo, quero ver onde se chega e me ressinto que não tenha gente assim, não tenha gente que dê o pulo, que fique cavucando a cabeça pra buscar mais loucuras.

Não me interessa muito mais a opinião dos babacas que não percebem onde estou indo. Azar o de quem não vai. Eu vou porque chegou a hora, já passou da hora, na verdade. Serei aquele homem atrasado que descobre as verdadeiras razões do mundo (principalmente as estéticas) já com os cabelos brancos, com os dentes amarelados, já sem paciência.

Vou nesse caminho sem volta fazendo algumas concessões para não assustar, para que os outros me deixem seguir, para que não me aprisionem. Faço a minha parte do jogo. Jogo para a galera, deixo que pensem que estou direitinho, andando na rua, trabalhando e essa tralha toda que não me interessa a mínima. Goya me interessa um milhão de vezes mais do que o emprego. Me perco na obra de Goya e fico embriagado, vagando de uma pintura para a outra, sabendo que o fim se aproxima e não terei mais essas imagens. Por fora o cara arrumadinho que vive na Matrix. Por dentro.... nada disso.

Minha cabeça está querendo saber porque o homem não vive exclusivamente para a estética porque não faz arte e vive dela, porque é ignorante. Se existe a arte e a estética é porque algumas pessoas a viram. Mas a enorme maioria das pessoas não sabem de nada, não conhecem nada, estão anestesiadas nos seus mundinhos medíocres. Para viver bem tem que ser medíocre e eu prefiro ser louco a medíocre. Prefiro viver controlado aqui e ali, prefiro que me coordenem, mediquem, analisem, que me tratem. Enquanto me tratam eu vou em busca do belo. Porque meu tempo é breve para todo o belo que está à minha volta.

Auster manda um novo livro. Isso sim é importante. Claro que Lula morreu, mas a morte de Lula e do Brasil não interessa enquanto Goya for preservado e Auster produzir. Enquanto tenho olhos para reler Dom Quixote e Crime e castigo. Enquanto todos os anos releio a Trilogia de Nova York e Se Um Viajante Numa Noite de Inverno. Interessa a fala do poeta e não a do patrão. O patrão não existe, eu olho, mas não o vejo. O trabalho eu faço sem sentir, completamente dopado, voltado apenas para Hugo e Bellow. O resto vou fazendo como autômato, apenas apara a sociedade não me olhar, apenas para chamar pouco a atenção.

Me pergunto para que tantos bilhões de pessoas no mundo se tão poucas olham para o essencial? Para quê esse monte de gente consumindo cigarros e comida, gastando a Terra sem nenhum proveito verdadeiro. Tudo muito chato, entediante. Quero ficar fora de tudo isso, quero ter esse comportamento que chamam de louco ou otário [indiferente], mas quero guardar em minha cabeça as coisas importantes. Quero saber que 'Walden' é uma possibilidade e saber que ninguém sabe. Sigo em frente num mundo cheio de gente que é indiferente, não precisava estar viva. Olho em volta e sou obrigado a me destacar. Não sou só eu. Existe um grupo de pessoas que sabem e estão fazendo o mundo girar, gente que, como numa confraria, justifica a vida. O resto.....bom, é o resto. Quero apenas me salvar, estar longe, marginalizado, mas longe para não me contaminar.

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22.7.05

Ricardo Noblat

É fundamental reproduzir para que cada vez mais se reproduza essa pérola do jornalista Ricardo Noblat ao triste depoimento ao (ainda) Presidemte Lula:


"De Lula em visita hoje à refinaria do Reduc, no Rio de Janeiro:- Nesse país está para nascer alguém que queira discutir ética (comigo). Sou filho de pai e mãe analfabetos. O único legado que eles me deixaram é que andar de cabeça erguida é a coisa mais importante. E conquistei o direito de andar com a cabeça erguida com muito sacrifício. Não vai ser a elite que vai fazer eu abaixar a minha cabeça.

Vamos por partes.

* Nesse país está para nascer alguém que queira discutir ética (comigo).

Por que Lula imagina que é mais ético do que os demais brasileiros? Por que pensa que detém o monopólio da ética? Há gente tão ou muito mais ética do que ele. Que nunca morou de graça, por exemplo, em apartamento emprestado por empresário amigo. E que nunca interferiu, uma vez eleito para cargo de relevo, em favor de negócio que interessava a seu antigo hospedeiro.

* Sou filho de pai e mãe analfabetos.

O país está cansado de saber disso. E lamenta pelos pais dele. E lamenta também por ele ter sido filho de pais analfabetos. Ao mesmo tempo, admira a trajetória de um filho de pais analfabetos que chegou onde ele chegou.

* E conquistei o direito de andar com a cabeça erguida com muito sacrifício.

De fato conquistou. Mas tem muito filho de pais analfabetos que também conquistou o direito de andar com a cabeça erguida. E muito filho de pais alfabetizados que não conquistou.

O fato de ter nascido de pais analfabetos e de ter conquistado o direito de andar de cabeça erguida não é um feito raro nem digno de exaltação. Filho de pais analfabetos não está condenado necessariamente a andar de cabeça baixa.

* Não vai ser a elite que vai fazer eu abaixar a minha cabeça.

A frase trai duas coisas pelo menos: um certo complexo de inferioridade ao meu ver injustificável. E um sentimento contra a "elite" que ele não define qual seja, e da qual se exclui sem razão.

Se por elite entendermos, por exemplo, os mais abastados, sinto muito dizer, mas ela não quer nem precisa que Lula baixe a cabeça. Ele já baixou. Rendeu-se aos principais interesses dela. E a seus pontos de vista.

Se por elite Lula entende os intelectuais que sempre tratou com um certo desprezo, os mais politizados, aqueles, enfim, que em grande parte ofereceram apoio às pretensões dele e do partido dele, aí incorre em grave equívoco.

Essa fatia da elite está justamente decepcionada porque ele baixou a cabeça. Rendeu-se a práticas que condenou no passado - como a de se aliar a qualquer um para se manter no poder. E revelou-se despreparado para governar.

O trecho todo destacado lá no alto evidencia que Lula se vê tentado a enveredar por um caminho perigoso: o de atribuir à "elite" a crise política ora em curso. Ela na verdade foi parida pelo governo dele, e pelo partido dele. Por mais ninguém.

Com o que disse hoje, talvez tomado pela aflição de quem teme ser tragado pelo mar de lama que se espalha por aí, Lula retoma uma linha de discurso que testou em Goiânia há mais de 20 dias. E que foi julgado desastroso até por seus auxiliares mais próximos.

Se seguir por aí, Lula poderá radicalizar os espíritos, jogar no colo da oposição quem ainda evita sentar nele, e apressar o fim de sua temporada no Palácio do Planalto"

Enviada por: Ricardo Noblat.


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Quem manterá a ordem?

Converso com pessoas que se impressionam com as ações do governo, com a repressão do governo, com as tratativas de contra propaganda. Não quero falar muito sobre isso porque, como já disse, existem outros fóruns muito mais interessantes para que as pessoas interessadas se informem na internet. Essa não é a minha praia. Por mim o Lula seria deposto e pronto, opinião particular.

Não será assim. Vivemos numa democracia e todo o processo levará tempo. A oposição e o governo atacando-se cada vez mais ferozmente. Lula está morto. Falta enterrar. Mas não tem certidão de óbito ainda. Enquanto não tem, luta. Luta como um louco.

Não me interessa, imagino qual vá ser o final. Mais improvável era a derrubada do Muro de Berlim e ele caiu. Até lá, Lula vai jogar com tudo. Quem perde é o país e o povo. O país já está completamente desacreditado no exterior. O povo passa fome e não tem atendimento básico.

Não começou agora. Agora, o homem que há décadas promete sanear e purificar a desonestidade no país mostra-se o mais dúbio e correntes sociais o acusam de corrupção. Pode não ser. Fala-se apenas. As pesquisas são cambiantes... existem várias pesquisas em vários órgãos. Lula está caindo, mas isso não me interessa muito.

É importante observar-se a situação institucional do Brasil. Quando cair a economia, cai a República. Os investidores estrangeiros estão se retraindo... a verdade, à fórceps vai aparecendo. Temos um governo com tendências totalitárias. Quem vai reconduzir o país à ordem para que não prevaleça o processo anárquico que se avizinha?


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21.7.05

O Povo Insiste no Erro

Escrevi um bocado sobre isso, mas, por fim, deletei tudo por achar que não adianta, que as cabeças e a percepção das coisas por algumas pessoas não mudam de maneira nenhuma quando não querem ver. Primeiro a pesquisa Ibope que, apesar de tudo o que está sendo mostrado e provado, continua dando índices inacreditáveis de apoio do Presidente da República. Não importa se está igual ou caindo um pouco. Lula deveria estar com credibilidade zero e não está. Por isso o Brasil é o que é.

Cora Ronai em sua coluna do GLOBO de hoje fala de toda a sujeira, da lama dos partidos, mas, no final do artigo, ainda insiste em torcer para que o Presidente "ponha os pés no chão, tome uma atitude a comece a governar o país como prometeu fazer". Ora, qualquer pessoa pensante e informada sabe que Lula tem que ser apeado do poder, que é corrupto no mínimo por conivência, que deveríamos marcar eleições para já, para outubro e limpar o país.

Apesar do mar de lama, de todos os escândalos, do desmando presidencial, da cabal falta de capacidade em presidir o Brasil como tem sido fartamente provado ( e ainda será muito mais), uma formadora de opinião como Cora Ronai ainda insiste em acreditar que Lula "pode mudar", "pode voltar a fazer o que deveria ter feito". Ou seja, não é só o povo que é incapaz de ver o estrago institucional que esse Presidente trouxe ao país, o retrocesso, a vergonha diante de nós mesmos e do mundo. Não, Cora, ainda acredita no "remendo Lula".
Assim é a inteligência brasileira, assim ainda pensa a República de Ipanema, assim ainda escrevem os que formam opinião. Ou seja: tudo o que está acontecendo, todos os indícios que estão começando a ser provados não adiantam nada. Não desejam eleições, não desejam afastar esse inépto e possível corrpto Presidente. Querem que ele mude, que ele comece agora, quase no fim do primeiro mandato, querem "que ele deixe de ser o que realmente é e seja o que sempre prometeu". Deveria ser tirado do poder e deveríamos ter novas eleições imediatamente. Mas o povo e os intelectuais ainda acham pouco. Tomara então que ele seja reeleito em primeiro turno, que o Brasil tenha mais cinco anos de Lulismo pela frente. Tomara que o Brasil seja dizimado pela peste da corrupção. Quem sabe assim, em 2010, com o país dizimado nossos "intelectuais" pelo menos se calem?
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19.7.05

Não tendo mais como fugir, deixei-me interrogar de uma vez para acabar com tantas teorias que se faziam à respeito do meu alucinado comportamento. Não podemos sustentar durante muito tempo as duras verdades da existência sem enumerar e justificar intermináveis questões menores. O homem não consegue ver ou apenas ouvir e perceber aquilo que pareça diferente, que soe distante do óbvio. É a desgraça da obviedade humana. O homem só consegue viver, andar para a frente e construir suas coisas se for dentro de um padrão de obviedade ridículo, infantil.

Numa conversa regada à muita química, ela descobre que somos preparados para o mínimo, não temos formação para levantar a cabeça e olhar para mais longe. Os caminhos são circunscritos pela educação medíocre e por uma formação familiar atrasada, retrógrada, uma sociedade limitada intelectualmente. Essa limitação intelectual é ancestral, e prolifera exatamente no estímulo a que se mantenha um status baixo, raso, ordinário. O homem é ordinário, não voa mais alto, não entende a vida.

Não entender a existência é parte de uma cadeia de ações que empobrecem a perspectiva de possibilidades. Não pensando, não desejando ultrapassar sempre os limites banalmente expostos, ficamos para trás. Nesse ponto não é só o Brasil que é atrasado não. Os Estados Unidos, de outra forma, também são o fim. Existem algumas manifestações lá, mas eles também andam em círculos.

Porque é preciso ousar. É necessário estarmos sempre dando um passo adiante do que parece o limite justamente porque não há limite. A vida só vale se ousarmos tudo, sempre, se superarmos aquilo que já parece um avanço, uma superação. A vida não pode ser vidinha, não pode ter monotonia, não pode ser bovina, canhestra, previsível.

Não podemos ser subalternos, ao contrário, nós somos a vida e esta refletirá justamente a vanguarda humana. Vida, como já falei, não existe, o que existe é a passagem pelo 'elemento vida' do Mistério Homem. Esse homem que impulsiona coisas e fatos, que escreve uma história aparentemente alucinada, mas que é a essência da noite e do alvorecer dos tempos.

O que atravanca, o que cega e deprime o homem é não perceber à sua volta e no todo essa constante mutação, essa possibilidade de mutação constante, de novidade. Precisamos do cheiro do novo, vislumbrar o impossível, enterrar o óbvio, desbundar. O homem só existe verdadeiramente se consegue desbundar o estabelecido.

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18.7.05

A noite quente, a estafa mental e física, a química relaxante e a discussão que, sempre, traz a luz e as novas idéias, eventualmente pode deixar um certo gosto amargo. O rei da Dinamarca passou por isso um dia e sua frase lúcida imortalizou-se.
A liberdade é a possibilidade mais cara. E, paradoxalmente, jamais pode ser chamada liberdade. A liberdade absoluta, convenhamos, é a contradição da existência. À cada dia, cada conquista, cada etapa supostamente avançada, traz em si a busca pelo novo, pelo melhor, pelo mais completo. A completude encerra o aprisionamento. Para fugir dele, temos então, que partir em busca de.
O homem livre é contraditório e por isso, prisioneiro de uma idéia, além de sua própria contradição. Uma ampulheta, um conceito que se extingue em si mesmo, a cada passo. Se conquisto a maior idade, perco a liberdade da infância. Se me caso com uma mulher, torno-me prisioneiro do 'casamento'. Se me divorcio, estou livre daquela etapa, mas, para fugir da solidão, fico preso à busca de novas formas de 'vida'. E mais: sou agora um prisioneiro da solidão, não posso casar novamente, pois seria retroceder, sucumbir a uma experiência já, comprovadamente, frustrada. Se velejo, ganho o mar e perco o porto; se vôo, ganho o ar e perco o solo firme; se fico com quem desejo à cada momento, perco a tranqüilidade da companheira fiel; se digo o que penso de cada um, sou excluído do grupo e prisioneiro dos 'malditos'.
E assim o tempo passa. Corro sempre, cada vez mais livre, deixando para trás todas as 'impossibilidades' que, voltando, me prenderiam. No cassino, ganhando sem parar, continuo jogando, caso contrário seria prisioneiro dos meus bens. Velho então, livro-me definitivamente da corrida, da busca e manutenção da liberdade, das riquezas, do sexo, do culto ao corpo. Liberdade, penso então, é uma elegia, um verso triste. Agora, não preciso mais dela. As plásticas que fiz para, por liberdade, fugir às rugas, não se sustentam mais. Os amores que, por liberdade, tive fortuitos, foram-se (livres que também eram). Fiz de tudo, enfim. Tive juventude, casamentos, separações, dinheiro, amantes, pobreza, aventuras, discussões, insubordinações, heresias, blasfêmias, viagens, meia idade, infância e agora, a velhice. Mas ainda não parei. Posso morrer ou, livre sempre, procurar reviver tudo. Bem verdade que da morte não me livrarei, mas ainda assim terei a liberdade de não dar explicações, posto que estarei morto.
Em minha poltrona de veludo verde, olho, com dificuldade, o campo através da janela. Tenho a liberdade de estar só, de não ser subordinado a ninguém, a nada. Possuo o bem maior que é ter sempre impedido a quem quer que fosse, tolher minha liberdade. Não tenho e nunca tive que dar satisfações a ninguém.
Continuo livre para não ter certezas.
Conquistei algo que poucos alcançam: estar hoje aqui, absolutamente, definitivamente, conclusivamente livre!

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¿Deixa que minha mão errante adentre
Atrás, na frente, em cima, embaixo, entre
Minha América, minha terra à vista
Reino de paz, e um homem só conquista,
Minha mina preciosa, meu império,
Feliz de quem penetre o teu mistério
Liberto-me ficando teu escravo
Onde cai minha mão, meu selo gravo
Nudez total! Todo o prazer provém
Do corpo (como a alma sem corpo) sem
Vestes. Como encadernação vistosa, feita
Para iletrados, a mulher se enfeita,
Mas ela é um livro místico e somente
A alguns (a que tal graça se consente)
É dado lê-la.
Eu sou um que sabe¿
Péricles Cavalcanti

Tem a ver com tudo.

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17.7.05

Motivos e mais motivos & Soberba

Um amigo (da onça) diz que anda por aqui.... diz que lê ele, a mulher, a sogra. Diz que o pessoal lê e discute depois, uns dando razão, outros me desancando. Na maioria das vezes, me conta, o pessoal mete o pau. Normal. A maioria das 3 pessoas que passam por aqui saem descontentes o que não é nenhuma vantagem porque eu entro para escrever descontente e saio daqui mais descontente ainda.

De qualquer forma, pergunto a ele, o que deixa as pessoas tão iradas. Ele responde que, em primeiro lugar porque sou contraditório................ é a minha incongruência, minhas idas e vindas e em segundo lugar minha soberba. Fico olhando para a cara dele pensando no que responder e não tenho o que dizer. Lembro da Martha Medeiros que escreve muito direitinho na Revista dominical do Globo, todo mundo adora e me deixa profundamente irado. Nunca vi uma colunista mais Poliana na minha vida.

....... Nenhum psicotrópico de deixa cem por cento. Oitenta pó cento no máximo.

Mas eu sou assim, vivo assim há muito tempo e por isso tô aqui quietinho, dando a cara só quando é indispensável Esse espaço na internet, tenho anunciado, está diminuindo, cada vez mais me interesso menos por ele. Agora o que eu escrevo tem que ser fruto da minha mente (doentia ou não). Mas as coisas não são assim tão simples. Sempre acho que tem um componente de anormalidade mental em que fica moscando pela internet. O que esperam? Balzac? Um bom livro sempre é melhor. Quem vem muito aqui é meio anormal sim. E quer encontrar o quê? Anormalidades, ora, ora.

Não me interesso se consideram normal ou não, se acham que assim é legal ou não, mas procuro escrever aqui as coisas da maneira que as vejo (e estou abandonando esse barco porque estou cansado de ficar explicando essa coisa óbvia toda hora). Eu escrevo aqui umas bobagens, qualquer coisa que me vem na cabeça num determinado momento quase que só pra 'bater ponto' Não considero mais aqui o fórum ideal pra colocar idéias legais (ou que eu, petulantemente, ache legais).

E é chato ficar repetindo toda hora que quando esse blog começou eu tinha uma expectativa, eu acreditava nos textos na internet, acreditava na possibilidade de vida inteligente na internet. Hoje eu simplesmente não acredito mais. E ficar repetindo isso é chato, desagradável e agressivo.Em suma, é isso, sou contraditório sim, mas não sou burro nem ignaro. Não sei ainda se continuarei mais um tempo buscando a discussão inteligente on line. Quando me convencer que não há, não volto mais.
Vou catar papel
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Blogs Melhores

Dei uma rodada rápida pelos blogs (alguns poucos, os meus prediletos). Observei que são todos muito ilustrados e bem escritos. Falam muito de amenidades, contam casos interessantes ou engraçados do dia a dia. São agradáveis de ler não só pelos assuntos como pelas ilustrações. Olho para esse e vejo que é sério demais, repetitivo demais, tem texto demais e, principalmente, é confuso demais.

Não posso fazer nada porque blogs são feito por pessoas e justamente por serem blogs, refletem mais ou menos a personalidade, o espírito de seus autores. Por isso, um dia fiz parte da comunidade blogueira e hoje sou completamente alijado. Não é exatamente que eu goste, mas não posso deixar de entender a turma.

Não escrevo nada que possa ser citado, nada que tenha a ver com nenhum dos blogs que estão por aí. Meu blog tem um diferencial (o que não quer dizer, absolutamente, que seja uma qualidade), trata de assuntos introspectivos e repetitivos, ele é diferente (para pior) do que está colocado nos outros. Por isso os outros são muito acessados e aqui vêm três pessoas (por obrigação). Se eu fosse outra pessoa faria alguma coisa para mudar, ia tentar me entrosar nesse ambiente porque é legal mesmo o mundo dos blogs saudáveis. Mas não sou outra pessoa. Sou eu. Meu projeto é a repetição de minhas idéias fixas. Por isso sempre repito que quem leu um post leu o blog inteiro.

Poderia ao menos comentar as notícias, mas os jornais e revistas estão aí é para isso mesmo e, além do mais sou de direita e reacionário. Bandido bom, pra mim, é bandido morto e Lula foi a pior coisa que podia acontecer ao Brasil. Ninguém vai entrar nessa, nem me citar, nem compactuar. As pessoas por um estranho respeito (ou, mais provavelmente, pena) solenemente me ignoram. Eu não. Não ignoro os outros. Vou lá. Digo que são bons, que têm coisas boas e devem ser visitados.

Sempre pautei minha vida pela solidão. A internet não é propriamente uma vida ou é, mas de maneira diferente. Com um pouco de boa vontade não há solidão (aparente) na net. Pois eu consegui. Consegui, uma coisa rara que é manter-me solitário e desconsiderado e ignorado na própria internet. Sorte a de todo mundo. Sorte a minha também.

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Mais Brasil

Pelo que li o brasileiro lê menos de um livro por ano ou um vírgula alguma coisa ou dois vírgula alguma coisa. Os motivos são variados. Fala-se muito em livro caro o que é um distorção. Como o cigarro, o livro não é o caro, o povo é que ganha pouco. Basta ver nas livrarias internacionais que nos Estados Unidos e na Europa os livros custam mais caros e nem por isso se vêm alguém num metrô ou não fazendo nada que não esteja agarrado com um livro. Brasileiro não gosta de ler. Não é formado para ler. Vem de famílias de gente que não lê. Brasileiro gosta muito é de ir pra Faculdade principalmente de Direito e de Jornalismo que têm currículos fáceis. Entrou, formou.

O Brasil é a terra dos cartórios, doa advogados e dos jornalistas. Como os jornalistas não têm cultura trabalham como assessores de imprensa o que é quase nada. Se assessor de imprensa no Brasil é ter uma agenda onde se anotam compromissos, ser psicólogo é saber aplicar testes psicotécnicos em Setores de Recursos Humanos e ser Advogado é ter um empreguinho furreca ou, para ganhar dinheiro mesmo, trabalhar para o tráfico. Pra tudo o que eu disse existem sempre as famosas honrosas exceções.

Sempre que eu toco nesse assunto de profissões as pessoas me escrevem esculhambando, dizendo que eu sou um frustradão porque não sou nada. Não deixa de ser verdade. Meu capital não está num diploma que sempre abriu portas no país. Hoje não abre mais. Você tem que ter graduação, mestrado, Doutorado, falar 17 línguas. Tudo para ganhar três salários mínimos. Mais ou menos como em Cuba (mais uma coisa que nosso Brasil brasileiro tanto se assemelha a Cuba). Mas o que é do homem o bicho não come. A democracia mostrou que um ignaro pode ser Presidente da República, da mesma maneira que uma pessoa um pouco mais culta como o Collor. E que os dois podem se meter em sérias confusões.

O Brasil é um país triste, um país de gente suarenta, feia, mal tratada. Claro que todo mundo samba, ri e rebola. Na África também. Será que esse governo é corrupto? Não sei, tem que esperar o resultado das CPIs, o julgamento final da justiça. Como o povo está sambando, continua apoiando o Presidente. Recebi um e.mail se solidarizando comigo porque um dia desses eu falei que não tinha com quem conversar sobre literatura. Não tenho mesmo. Conheço uma mulher que é Doutora em Física e é uma besta. Minha estagiária sofre porque não tem R$ 58,00 para comprar Crime e Castigo (numa boa edição). Logo, logo ela vai parar de sofrer, vai entender que é assim mesmo e vai juntar dinheiro o ano todo pra comprar uma fantasia de escola de samba.

Tem gente sem talento escrevendo e gente com talento não escrevendo. Tem ótimos advogados e psicólogos desempregados enquanto outros trabalham para grandes empresas. Não existe direito igual para todos. É um país desigual, sempre foi e não vai deixar de ser. Bobagem dizer que está melhorando, não está. O Brasil não tem solução. A gente só ouve falar em desenvolvimento de corrupção. Só na fraude surfam os que estão bem. Livro no Brasil não é caro. Cada um tem um bom motivo para não ler. Conhecem algumas histórias por causa das adaptações para o cinema.

Memorial de Maria Moura é um seriado da TV Globo, Gabriela, uma novela de sucesso. Tudo é assim. O povo não sabe mesmo votar, não foi uma frase equivocada de Pelé. Equivocado ele está ao defender o filho. A conversa boa aqui na internet é sobre o choppinho tomado no sábado à tarde. A televisão é péssima e o cinema sofrível. O teatro e os atores medianos. Não existe política pública para a cultura e a eleição de Lula é um estímulo inquestionável para que não se pense em cultura. Não se percebe que cultura não é para papo esnobes não, é que sem cultura a informação não é apreendida e aí começa tudo de novo. Religião boa é a Umbanda que deixa a gente trapacear e estimula a embriaguez por cachaça barata.

O Presidente da República está preocupado e fala claramente com a corrupção no Haiti. Caetano tinha dito muito antes que o Haiti é aqui. Caetano e Gil, mas Gil, não é mais Gil, Gil é Ministro (da Cultura). O que tirar de tudo isso? Nada. Não deveria ter sido lido, mas já que foi, deve ser esquecido rapidamente. Mais tarde tem o resultado dos jogos de futebol, tem o Faustão e o Fantástico. Amanhã, todo mundo de roupinha cerzida indo para o trabalho. Quem não tem sempre pode vender umas balinhas no sinal. Afinal, esse é mesmo o nosso retrato para o mundo.

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16.7.05

carta

Algumas correspondências perguntando porque não tenho escrito. Com certeza gente que não leu o último post. Não tenho muito o que escrever aqui, não tenho muita coisa para dizer, pelo menos não publicamente. Talvez eu não tenha sido suficiente explícito no último escrito, mas estou voltado para coisas mais interiores, minhas, particulares. Poderia escrever aqui se não estivesse tão descontente com a internet. Talvez fosse interessante discutir meus questionamentos, mas, como disse, acho a internet e seus freqüentadores fúteis e rasos.

Não, não é uma agressão, desculpem se soa assim. Quero dizer outra coisa. Quero dizer que estou preocupado com coisas que não são preocupações dos usuários de internet. Pouco me importa a leitura leve, o conhecimento e o bate papo, bem como as pesquisas mágicas do Google. Tenho uma certa aversão por tudo isso e achei melhor, deixar tudo o que me vai nos meus cadernos. Pena que não possa dividir as idéias que vão por lá com as pessoas interessadas que passam por aqui, mas sempre temos que estar fazendo escolhas, não é?

Tenho passado regularmente na internet para ver os poucos e.mails interessantes que me enchem a caixa. Acho que vou levar um tempo para que as pessoas percebam que terão de se corresponder por carta comigo. Terei que ter muita paciência porque sou eu que estou saindo desse mundo dito 'normal'. Nem sei se alguém vai me acompanhar, mas não me interessa muito também. Sei que na internet as pessoas são muito ansiosas e fazem desse meio um trampolim para várias coisas ao mesmo tempo, principalmente na busca do conhecimento de outros, nessa desesperada fuga da solidão o que não é, absolutamente o meu caso.

De qualquer forma estou escrevendo aqui porque recebi uma carta agoniada de uma pessoa muito ansiosa e que não quer perder a possibilidade da discussão sobre as ansiedades, depressões, pânicos, etc. Ela diz que faz terapia com psiquiatra mas que gosta de ler e escrever aqui também. É complicado porque isso aqui não é uma espaço médico, tratava eu de vários assuntos, esse inclusive. De qualquer forma, imagino que essa pessoa esteja se sentindo órfã.

Ela pede que eu a identifique mas não o farei. Pede que coloque aqui um trecho da sua carta, mas também não vou colocar, não por egoísmo, mas porque é sofrida e sincera e nem todas as pessoas compreenderão. Respondi ao seu e.mail com calma e pedi a que passe a me escrever em papel. Vejo muita gente se descontrolando, perdendo o pé, com o chão fugindo, vejo um mundo doente e estou nele. Essa pessoa me disse que começou a escrever em um caderno também e está se sentindo mais aliviada. Bom, é isso. De mim não tenho nada a dizer aqui.

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14.7.05

Em busca de um mundo mais verdadeiro

Aproveito a oportunidade em que o espaço tem sido bem pouco visitado para deixar um aviso aos amigos que estiveram aqui esses anos todos acompanhando esses pensamentos loucos que procuro dividir aqui. Pensei muito ontem em deletar definitivamente esse blog, mas achei uma atitude radical e intempestiva. E não é isso.

Quero apenas dizer que não me interesso muito mais pela internet, repetir que odeio computadores e que se publico aqui é porque não tive a capacidade, talento para publicar em livro. Fingi, no fundo, que estava me enganando, mas não estava. Redireciono minhas observações para meus cadernos manuscritos que, se não forem incinerados, estarão à disposição quando eu não estiver por aqui.

De início, espero ainda deixar aqui alguma mensagem, algum bobo pensamento. Mas é certo que esse blog tem dias contados, deu o que tinha que dar. Como um velho cargueiro, passeou por lugares e idéias enquanto teve forças. Não mais. Sempre tive o carinho e a crítica construtiva dos que visitaram esse espaço e minha maior retribuição deve ser a confidência de que ele não me motiva, não me interessa mais.

Qualquer livro, qualquer publicação sempre será mais útil do que a leitura de pensamentos esparsos de uma pessoa que não teve o talento para escrever coisas mais importantes do que a gratuita possibilidade de publicar na internet. Acho que os homens devem deixar os computadores e se voltarem para os livros, para o cinema, o teatro, a dança. Como disse antes, a internet é apenas MAIS um meio de comunicação. Talvez o que mais agregue formatos (texto, imagens, sons), talvez seja o de mais rápida propagação, mas, sem dúvida o mais raso, mediocre.E para quê desejamos toda essa velocidade? Estamos correndo por quê?

O mundo, concluo, é muito maior do que esse monitor frio que concentra saberes sim, mas dispersa a humanidade, corrompe ou impede a cultura, ilude os que acreditam que isso aqui é um meio de distração, de conhecer pessoas. Pode ser, mas não é inteiro. O homem, acho, deve viver a vida por inteiro. Eu, pelo menos quero viver o que resta da minha. Não estou deletando nem parando. Estou tirando o pé do acelerador. Apenas fazendo uma reflexão. Vamos todos, em busca de mais, de algo maior.

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A Hilária da Corrupção no Haiti

Eu detesto política e prefiro mil vezes fazer disso aqui um espaço para "!Meu Querido Diário", do que um noticiário. O que acontece é que não estou conseguindo pensar e escrever em paz, não consigo me concentrar nas coisas que pretendo publicar e fico imaginando que nenhum brasileiro saudável hoje deve estar em paz.

Apesar do estranho resultado de uma pesquisa que diz que a credibilidade do presidente da República 'aumentou' após o sinistro escândalo envolvendo descalabros e corrupção no Partido dos Trabalhadores, respingando na Presidência, fatos que estão repercutindo no mundo inteiro, apesar de tudo isso, parece que a história ainda vai no início.

Não sabemos até onde vai chegar, não sabemos quem está mentindo mais, quem roubou mais, quem desviou, fez mais bandalhas. Temos apenas a pergunta que não quer calar: "Ele sabia?" Essa pergunta [parece] não terá resposta por hora.

Como cidadão cumpridor de deveres e pagador de impostos sinto-me impedido de escrever, não por decisão de uma CPI, mas porque qualquer brasileiro[medianamente normal]deve estar chocado. E sou um deles. Quero falar da individualidade, da possibilidade de outros mundos, quero pensar em Deus e os Mistérios, quero falar do frescor das belas manhãs, quero falar das minhas angústias e alegrias.

Quero que esse pesadelo acabe, quero que tudo venha logo à tona, que possamos novamente dormir em paz, quero que a sociedade novamente se mobilize e mais uma vez dê um exemplo de civilidade e democracia. O sonho para mim não acabou. Essa utopia tão prometida, esse Partido tão probo foi um blefe, mas para isso somos uma democracia. A sociedade saberá tentar novamente, procurar encontrar personalidades capazes de conduzir a Nação.

Como disse Diogo Mainardi, não há porquê temer a democracia, temer o voto. Isto posto e escândalos resolvidos quero voltar a escrever o que sempre escrevi, tratar do que sempre tratei (que me é muito mais agradável do que esse clima de suspeição, de revolta, de um certo nojo mesmo). Quero falar dos livros (que não estou conseguindo ler), quero falar das filosofias (que não consigo atinar), das doideiras (que não me permito enlouquecer).

Eu realmente tenho outros interesses na vida, interesses que estão muito distantes dessa política comezinha. Quero falar das coisas que regem a minha vida. A comunicação, a arte, os processos psicológicos porque passamos e tanta coisa que deve ser realmente debatida na internet. Mas como ter paz, concentração, se hoje, o Presidente da República sai daqui e vai à Sorbone na França para falar mal da corrupção... no Haiti? Tenho o direito de não querer ser achincalhado, chamado de otário por esse projeto de ditador de república das Bananas.

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13.7.05

A Internet é o mais vulgar... de todos, o menos nobre meio de comunicação
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Os computadores destruíram o humanismo.
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Odeio computadores
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Ainda vou me livrar deles
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Pesquisa

Pesquisa de opinião diz que Lula não caiu junto ao eleitorado! Que hoje, ainda seria reeleito. Ótimo! Hoje. Vamos aguardar como será a reação popular ao final das acareações, quando tudo estiver esclarecido, quando aquela pergunta que não quer calar (Ele sabia?)estiver finalmente respondida. Aliás, estranho momento para se fazer uma pesquisa sobre o Presidente. Por quem terá sido encomendada? Aguardemos.
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Pérola da coluna do Mestre Ancelmo Gois na edição de hoje do Globo:

" Para o PT ponderar, pensando em Roberto Jefferson, uma frase do dramaturgo inglês do século XVII Nathaniel Lee: 'Quando homens pequenos lançam grandes sombras, é porque a noite está chegando'"

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As Manchetes e o PT

Deus realmente é petista. Não podia acontecer nada melhor, nada mais na hora certa, nada que chamasse mais a atenção do que o tresloucado bispo carregando dez milhões feito um tarado entre uma cidade e outra. Afinal, o santo bispo é um deputado do PFL (era) e carregava dinheiro como a quadrilha do PT. E não era do PT!

É claro que uma coisa não tem nada a ver com a outra, são situações completamente diferentes, mas por um momento, os jornais mostraram que não só o PT faz a farra da grana. E Londres? E os benditos homens bomba? Lula deve orar todas as noites pelos terroristas. Bendita hora que explodiram e danem-se os inocentes que morreram! A imprensa teve que trabalhar com isso, mais espaço no jornal, mais horror e o povo, coitado, tolinho, desvia a atenção da quadrilha do planalto.

Mas não adianta. O dinheiro da Igreja que anda pra lá e pra cá, vai sumir do noticiário, o terrorismo também e voltaremos nossos santificados olhares pra cá, para nosso umbiguinho de estrela vermelha. Não esqueçamos que o Jefferson está aí, quieto, esperando que o noticiário se acalme. Ele tem a falar sobre os fundos de pensão. Temos o escândalo da Telemar com o primeiro filho, temos a confrontação na CPI dos acusados que negam tudo, que se bobear riem na nossa cara e dizem que não se conhecem.

A capa da revista Veja fez uma singela pergunta: Ele sabia? Essa é a pergunta que não quer calar e que o povo não se deixará iludir e não esquecerá. Ele sabia? Ele sabia? A resposta é óbvia, mas falta reconhecer e, não reconhecendo, cabe à CPI provar. Aguardemos, pois. O show, meu amigos, está apenas começando. Fiquemos aqui, na turma do gargarejo porque o espetáculo será impagável.
Como no Globo de hoje que já traz a manchete: "Delúbio: Valério intermediava reuniões do PT com Empresas"
Pìpoca não mão, nervos à flor da pele e vamos ao espetáculo!

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11.7.05

Os cuidados com o PT

Hoje é uma segunda feira, só pra todo mundo se situar. O final de semana, como se sabe, é quando saem as revistas semanais e quando aumentam os escândalos. Foi assim na época do Collor e está sendo assim na época do seu primo pobre (nem tão pobre assim, vê-se agora), o Lula.

Não vou dizer nada porque quem chega a entrar nesse mísero blog já viu televisão, leu jornais, revistas e sites de informação. E todo mundo tá sabendo o lamaçal que tá isso aqui, que está o PT e o Lula. Não sei nem o que eu preferia. Se ele deve mesmo ser apeado do poder agora e serem marcadas novas eleições para o próximo outubro ou deixar ele se arrebentar de vez nesse mais um ano que tem pela frente. O que me pergunto é se, diante de tanta sujeira, ele terá governabilidade por mais um ano.

Collor incomodou porque atingia as elites, os empresários, ameaçando abrir para o comércio exterior. Quem colocou Collor pra fora foi o empresariado, a burguesia, Ipanema, os cartéis. Com Lula, a coisa é política. Os empresários estão satisfeitos porque Lula cede sempre. Por isso, apesar de tudo, não vemos mais os caras pintadas, não vemos mais Ipanema se mexer. Mas até quando?

Os jornais já falam em reorganizar o PT como se o PT fosse o Presidente da República. É uma esquizofrenia só. Querem passar agora a imagem que vão fazer uma faxina no PT. Sim, muito bom, mas e daí? Eu quero saber é o quanto o Lula foi conivente com toda a roubalheira e não como vai a saúde dos partidos. E é capaz do povo se iludir novamente.

É preciso que haja um movimento da sociedade, é preciso cada cidadão ficar atento porque o PT vai tentar reverter o jogo, vai tentar blindar ainda mais o Lula. É necessário que as CPIs não diminuam nem arrefeçam para que se chegue à verdade e se possa escorraçar esse governo nefasto para sempre.

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10.7.05

Essa bagunça toda que me circunda deve refletir minha alma. Pena.
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Serei percador de calcas dorbradas até o joelho, consertando as redes danificadas na noite anterior. Mãos grossas e visão de mundo somente através do mar. Sou do mar.
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A revolução traz o fracasso em seu bojo. O mundo caminha vagarosamente, no mesmo rumo.
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As revistas de ontem prenunciam que o governo acabou. Resta o Presidente renunciar
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Os sonhos fraquejam diante da obviedade virulenta da vigília
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Nunca o fiz e não faria agora. Não negocio com o tempo porque, de antemão, sei que ele vence sempre.
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A caneta e o caderno me observam, esperando que eu coloque a dor do mundo e as experiências também. Se iludem, porque, ao final de um tempo, serão incinerados

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Dormir e acordar só é como entrar no quarto rosa de Marcelle, seu útero já que é ano de homenagem a Sartre
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Não há poesia nos aviões supersônicos que fazem exercícios sobre os telhados.
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Os medicamentos deveriam, como alerta, trazerem tarjas vermelhas em suas embalagens. A tarja preta deveria ser reservada aos vidros de formol e afins.
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Dom Artur levanta comigo e conversa, conta-me os seus sonhos. Escuto e penso nos meus.
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Entendo dizerem que somente o renascer [acordar] para o sol redime. Não estou certo.
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Sei que acordar é começar de novo. Bom? Não sei.
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Ainda não sei se o clarear do dia me entusiasma ou desanima
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Olhar

Fiz da minha vida um palco onde atuo e uma platéia de onde me assisto. Eu versus eu, eu admirando ou detestando eu. Eu como centro do mundo e eu como resto de um mundo onde todos têm vez, menos eu. Dizem que só olho para o meu umbigo e não sei se isso é verdade. Acho que não. Mas ainda que seja, não é o que importa. O que vale é dizer as coisas, acender algumas luzes, ainda que medíocres, para que outros, melhores, sigam em frente.

Já estive muito deprimido por não ter chegado lá, não ter chegado na frente. Poucas vezes fiz essa confissão. Agora não, agora não ligo a mínima para chegar, gostaria apenas de poder ajudar. Não quero mais nascer, resigno-me em ser a parteira. Quero ver o mundo caminhando para o azul do porvir ainda que esteja eu caído no chão como um combatente abatido.

Quis ser poeta e não pude. Erudito também não. Mas não virei um pobre coitado, ao contrário. Consegui muitas coisas, consegui descer no fundo de mim e voltar redivivo ciente de que o mundo tem todo esse azul que não deve ser desperdiçado, esse sol de uma tarde que vale pela chuva de cem dias. Não importa se estarei nesse meio, no centro dessa gente que canta e dança. Me basta olhar e ver que estão indo, em bloco, em direção á luz.

Fico para trás nessa praça de paralelepípedos, nessa praça de sol manso e casario de paredes caiadas de branco. Ali tem um bar, ali tem uma papelaria/livraria, ali tem uma loja que vende chapéus e bengalas. Minha pasta de couro ainda me serve, como me serve também a bota de couro cru que um dia fustigou os meus pés.

O que tinha a dizer, deixei na internet, na cidade que tinha computadores. Deixei tudo na internet porque os jovens vão ler e se entusiasmar. Digo a eles que a humanidade existe porque não havia erudição em Adão e Eva. Se eu fosse Adão, sem desmerecer Eva, olharia primeiro as borboletas, olharia se o lugar era uma ilha ou continente e quando nascesse nosso primeiro filho, contaria a ele histórias de sereias e de homens (faroleiros) que enlouqueciam sobre os penhascos.

Quando morrer sei que estarei levando a vida comigo, mas sei que deixarei uma mensagem na vida dos outros e queria que essa mensagem fosse edificante, de esperança, de atenção para com o mundo que nos cerca. Quero ver através do aço do espelho... quero ver um mundo de gente que ri e dança, de flores e amores.

Não importa se chamam de morbidez porque não é. Mesmo sabendo que depois vem o nada, não posso me furtar a dizer que estarei nascendo para o nada. Inverossímil? Sim. E o que não é? O importante é ver esses moços e moças indo de encontro a uma abstração de azul do sol, se posso dizer isso. Vão com flores, guirlandas, véus e pandeiros, vão como quem faz uma diáspora ao paraíso, trocando de posição comigo, eles entrando e eu saindo... e serei feliz por cada um deles.

E não se iludam, não é generosidade não porque generosidade se pratica quando ainda se pode interferir. Agora não interfiro em mais nada, apenas observo. Vejo a meninada dourada de mãos dadas na beira do mar, de frente para o sol. Esqueço e quero que esqueçam o que eu fui. Me basta ficar feliz por todos, saber que tudo segue como deve ser. Que anoitece para mim e amanhece para quem chega. Sempre como deve ser.

E que fechando esse bloco, venham animais: carneiros para que tenham a lã no frio, galinhas com seus ovos tão amarelinhos, vacas com enormes tetas para darem leite e queijo em profusão porque a vida é e devemos insistir sempre que seja linda como um anúncio de leite Parmalat.

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Definitivamente, esse sono intermitente é insuportável
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9.7.05

A Cura através da Vida

O mais difícil em pensar as alternativas para a vida é manter as pessoas longe desses pensamentos. A vida, digo sempre e repito: a vida é para ser vivida. Nada pode tirar o direito de se vivenciar tudo o que temos. O milagre do nascimento tem um caráter de fantástico e só a mais abjeta loucura pode impedir as realizações plenas [independente de felicidade]

É importante não misturar a felicidade com a vivência. Na vivência existirão lá as felicidades e infelicidades pouco me importa. Não quero estar por perto de quem está gargalhando nem de quem está chorando. O espírito tem que estar em mutação e interagindo com a vida e com as outras pessoas. A única coisa que pode ser pensada, é a atitude errada de nossos antepassados para não cairmos nas mesmas armadilhas. Só.

Numa sociedade moderna haverá um ou mais departamentos que estarão como que monitorando filosoficamente a vida. Isso não existe agora. Por enquanto quem faz esse serviço são os loucos e os poetas (não necessariamente nessa ordem). Deixemos então aos loucos e poetas. O que vale é viver. Aproveitar enquanto o ar ainda entra em nossos pulmões naturalmente.

Deve ser dar especial atenção aos relacionamentos, ao amor, ao sexo, ou a alguma dessas coisas. Deve-se prevenir males psicológicos que atrapalhem essa vivência. Não sei quanto tempo cada um terá. Quem poderia saber? Acho que até os livros de auto-ajuda (embora ridículos) podem ser válidos.

Temos que mandar cartas para programas de rádio em busca da cara metade, entrar em sites de par perfeito, andar pelas ruas com cara de quem está livre procurando relacionamentos, enfim, não importam os meios. Temos que ter maridos mulheres, filhos e netos. O câncer é certo, devemos produzir o que é incerto.

Não adianta nada ficar analisando a vida e se matando de ler para encontrar mais verdades, para ter cabeças mais abertas porque o mundo não se faz de eruditos, se faz de casais que procriam. Se Adão e Eva fossem eruditos deprimidos não haveria humanidade, é bom não esquecer. Muita maçã, folha de parreira e sacanagem. Foi o que Deus disse.

Muitas vezes fico teorizando e morro de medo de acabar influenciando alguém de uma maneira errada. Posso até influenciar um ou dois, mas que essa influência fique apenas no terreno do pensar de vez em quando. É bom lembrar que sou velho e tive uma vida super ativa, fiz o que pude, no que o tempo permitiu. Poderia continuar ainda por muito mais tempo, mas fiz uma escolha absolutamente pessoal e posso assegurar que não é nada agradável. Por que continuo? Leiam depois que eu morrer.

Não é nada disso. O papo é sério. O papo é sobre essa coisa das pessoas darem muito do seu tempo a uma ou outra coisa e não perceberem o tamanho da vida. Parece pequena, mas a vida é enorme, tem muita coisa para ser feita, temos muitas atitudes a tomar, muitos frutos a serem colhidos. Temos que escrever e amar, ter filhos e netos, temos que nadar e andar de jangada, temos que gargalhar tomando água de côco. Temos que conhecer a Bahia e Paris. O luxo e o lixo.

Blog é uma bobagem passageira na maioria das vezes escrita por gente que finge uma coisa que não é. A maioria das pessoas deixam passar no blog uma sabedoria e uma alegria que não existem na vida real. Pauto minha vida por não acreditar no que leio nos blogs (no meu, inclusive - principalmente!). As pessoas devem se servir da internet e não se entregarem a ela. A internet serve para quem não tem cumplicidade, não tem amor, não tem enciclopédia, para quem... bom deixa pra lá.

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Quando Nietzsche Chorou

Não é nenhuma novidade eu terminar um livro sem saber se gostei ou não. Acontece com a maioria deles. Devo ter uma angústia literária e uma fragilidade de opinião capaz de pensar no que li e não perceber o que tive nas mãos, que agora faz parte de mim. Assim é em "Quando Nietzsche Chorou". Tenho um grande romance nas mãos. Pura ficção que poderia ser realidade. Angústias atuais que são ficção no livro, mas as temos no dia a dia. A conclusão óbvia de que Freud não é o pai da "terapia da palavra" e sim Breuer. Freud apenas lapidou mais a questão do inconsciente. Sempre que li alguma coisa da época, reconheci em Breuer a primeira tentativa da hoje [ainda] moderna psicanálise. Entregaria, minha cabeça, meus sentimentos a Breuer e jamais a Freud, acho que já disse por aqui.
Quando Nietzsche Chorou é um bom livro, deve ser lido para que possamos compreender melhor as relações interpessoais e, principalmente, as dúvidas existenciais. *(Para quem admite que tem dúvidas existenciais). Irvin D. Yalom é um psiquiatra que sabe transmitir para o romance, sua vivência e angústia clínicas.E embarco com ele na angústia.

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do Lamento

"Por onde me perdi, onde deixei o convívio de tantos, quando fui abandonado sofrido e indefeso? Onde estão os que conviveram e riram e sorriram e me afagaram e me pegaram e me deram e me transformaram tantas vezes?

Onde eu me perdi e fiquei para trás, tão distante que virei fera e saí atacando a tudo e todos com o ódio que não é pra ninguém, não é para nada que sou todo amor? Onde ficaram os anos dourados, a doçura e o carinho, onde deixei o menino que sorria e cantava de mãos dadas?

Por onde andará o homem que sabia o que queria, sabia o que a vida tem de bom e acreditava nas pessoas e no amor, acreditava que sempre era possível recomeçar, sempre era possível tentar de novo, que não ficava só porque admitia que o homem não é só? Onde ficou o que buscava a companheira certa, o carinho, as mãos que afagam e o filho bendito?

Como saber de tudo agora e como explicar a mim ou a alguém que este não sou mais eu, que eu era um outro, que este é um resto, um fantasma, uma alma arredia que grita e morre chorando baixinho de pena do mundo, pena de si mesmo, pena de todo o projeto não ter dado certo?

Onde está o homem que luta, o que encontra e ri, o que sai abraçado olhando para frente, esperando do destino a continuação da felicidade do agora? Para quem estender a mão, quem me consola no meio desse pranto que toma, essa dor convulsa de ser nada e estar irremediavelmente só quando minto ao dizer que estamos sós?

Não posso mais dormir porque os pesadelos pulam em cima da minha alma solitária e mostram e relembram como foi, como poderia ter sido, como deveria ser e relaxo [meu espírito] acreditando que tudo voltou ao normal para me desesperar logo em seguida ao abrir os olhos e ver cama e lençóis, paredes nuas, silêncio em redor e a solidão que sufoca querendo matar?

Para onde me voltar, para quem, em que livro buscar a filosofia que aplaque o abandono se no fim tudo são lágrimas, se choro feito um coitado como o próprio Nietzsche chorou? Por que esse deus morto, decompondo-se na minha frente se a poesia é um lamento e não existem drogas que me restituam o que fui e não serei jamais?

Que caminhos segui, que mundos percorri para hoje ter apenas o sono induzido, ter apenas a distância de tudo, vendo no distanciamento a possibilidade de uma vida que não é, foi, uma filosofia que seria e uma perda diárias de entendimento? Esse aperto que me sufoca o peito e me faz suspirar que não diminui com nenhuma pílula, nenhum comprimido, nenhuma aguardente nem que faça de minha alma um oceano de cachaça?

Para quem e para quê eu vivo se nada se reverte, se não dou nada nem recebo nada, se é nada e mais nada sempre essa palavra [nada] que mostra o vazio do mundo, esse mundo solitário e silencioso e escuro que carrego em mim e projeto aqui e ali, fingindo ser uma coisa que nunca foi? Quem engana quem nessa vida desvairada, sofrida e dopada?

Canso de abrir o olho e ver que ainda estou vivo e que o dia é hoje e não amanhã, que nada se alterou, que cada um está fazendo o que lhe é caro, se cada um aproveita a vida da melhor maneira e sou repertório do cancioneiro da negação, do fracasso, do abandono. Canso e meus olhos inchados reclamam a falta de luz, meu corpo está cansado, minha vida sem volta, meu destino fingido porque destino é aquilo que a gente vivencia e experimenta e ri e chora, mas está lá, acontece de verdade. Quanto tempo mais sem acontecer de verdade? E até quando suporto?"

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(Em Andaluzia)
Me aninho e me encerro no colo da velha que acaricia meu rosto com sua mão nodosa e árida. Todo o meu sentimento está voltado para além mar, vejo as ondas, vejo o oceano para além dos muros brancos e me perco. Não sei o que é agora, sei que há tequila, da mesma forma que estou há dias com essa mulher velha que [me] acaricia como quem trata de uma criança desprotegida.

Não quero mais beber, não quero mais fumar, não quero mais olhar esse oceano que me provoca. Esse mar diz que o objeto está lá, está atrás da linha que une céu e mar, está para mim, está para quem chegar e eu não chegarei como nunca cheguei. Sim, essa é minha maldição: naveguei, mas nunca cheguei a lugar algum, nunca tive a gosto de vitória na boca [muito mais o travo da derrota].

Não sei para onde ir daqui em diante. Gregos à minha volta dançam e cantam e bebem. Não tenho nada de meu, nada que traga de volta a esperança perdida há tanto tempo. Agora não tenho mais alternativa nem desculpa para seguir em frente. Por isso deixei a embarcação partir e fiquei. Porque nós vamos a vida inteira, não percebemos a necessidade de ficar, a necessidade de guardar um pouco de energia para contar aos jovens.

Os jovens precisam ouvir, precisam conhecer a história das nossas vidas para que pautem as deles, para que saibam de ouvir dizer o que vai pelo mundo, o que vai pela cabeça dos homens. Cada cabeça é uma coisa, cada cabeça deve dizer o que é o seu dono, mas não é sempre assim. Nunca é assim.

Deixo ao personagem falar ao jovem, porque eu mesmo nada tenho a dizer ao jovem. Ao ver a menina e o rapaz, ambos com frescor e inocência, ao percebê-los me vem a repulsa, o ódio que esteve represado por todos esses anos. O jovem é o imbecil que revoluciona, que muda, que altera a ordem das coisas no mundo e do mundo nas coisas. O jovem tem o poder da juventude e, velho, saio de perto para não ser tragado num mar revolto com rodamoinhos que me levarão ao trágico final.

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Solidão programada

A caminhada matinal ativa uma série de coisas que estavam adormecidas, sentimentos aprisionados num inconsciente frágil. Meu inconsciente é frágil, grande vantagem para perceber coisas, pessoas e a mim mesmo. O inconsciente frágil facilita que as emoções venham logo para a consciência, facilitando a visão de mundo.

Ver o mundo é dorido, é experiência para ser feita eventualmente e não todos os dias, sob pena de perdermos de vez o contato com a realidade. Porque a realidade não é real, tangível, a realidade é um projeto introjetado em mentes tacanhas, num mundo que dá um passo para a frente e dois para trás. Esse é o mundo em que vivemos e que acreditamos estar levando a vida da melhor maneira. Não é.

Lembro do filósofo que me diz [é, tem que estudar sim!] que a melhor das vidas possível é a interior, é a que desenhamos e executamos para nós mesmos. Não deve haver nada de tão errado em quem fala sozinho.São seres diferentes, imaginamos. São pessoas vivendo em seus mundos e falando com as suas pessoas. O que nos diferencia? Quem disse que andar calado e cumprimentar eventualmente alguém com um sorriso tolo é mais normal, é são? O homem se perdeu no conceito de sanidade.

Buscam-se pessoas sãs, atitudes corretas e pensamentos saudáveis. Mas o que são? Para quem? As explosões e o terrorismo não diminuem, nosso povo é assassinado por ladrões humildes, nosso governo é um antro de corrupção, nossas mulheres e homens são infelizes porque não encontram as pessoas certas. Quem tem a seu lado a pessoa certa? Poucos? Tá, e para quê as têm, então? Ostentar uma namorada ou um namorado. Só assim serão aceitos socialmente e fingirão estar driblando o tempo?

Converso com minha amiga. Ela não sabe o que é pior. Não tem pior nem melhor, explico, tem o que é. Só conseguimos viver bem e juntar um pouco de felicidade olhando para dentro, dando voz aos sentimentos que estão aqui, bem no limiar do nosso inconsciente. Ela diz que vai sair com garotos de programa em último caso. Rimos muito. Talvez a coisa não seja tão risível assim. A prostituição sempre proporcionou, como os ouvidos, equilíbrio ao mundo.

Devemos mesmo nos valer da prostituição para conseguir ultrapassar as necessidades que não serão mais tranqüilas. Pior são os que desejam além de usar, desejam ostentar o troféu 'homem'. Esses estão perdidos. Quem precisa de um namoradinho (a) para transitar por aí está irremediavelmente perdido. Porque a gente morre só no asfalto, Morre só na UTI. A gente morre só. Não adianta querer a mão que nos confortará na morte. Não teremos.

A platéia mudou com o passar dos anos. Todo mundo agora sabe que as relações são efêmeras e que a homem está só. A única possibilidade de companhia, como pretendem, é o maldito casamento de que tanto tripudiam. Ora, ora, minha senhora! Chegar a um acordo não dói nem faz mal. Quer passear de mãos dadas? Compre uma mão de borracha, uma prótese e saia por aí dando a mão [ e dando vida ] ao seu fetiche. Encostar a cabeça no ombro? Recoste nos braços do sofá. Sofá não fala, não bebe, não fuma nem peida.

Principalmente as mulheres esperam uma relação de carinho e solidariedade, mas não querem dar nada em troca. Querem ser independentes e ter ali, aquela prótese viva, que chamam namorado. Não terão. Vão ficar trocando até que lhes caiam todas as pelancas (sim, as pelancas caem!), as muxibas escancarem. Aí nem uma coisa nem outra. Será prótese mais frustração.

Eu sempre achei [e acho] que o ser humano precisa de agrupar, acasalar, casar, para ser pleno, feliz. Os movimentos culturais e, principalmente o patético movimento feminista jogou tudo por terra. Todos estão sozinhos. Querem construir uma nova maneira de viver e o resultado é fracasso, desilusão, lágrimas inúteis. A Humanidade levou dez mil anos para se organizar. As mulheres levaram 50 anos para desfazer, derrubar tudo. Pior do que as mulheres são os homens que, passivamente, deixaram tudo acontecer. Agora ficam todos na internet delirando, achando que vão encontrar a felicidade, a companhia ideal. Não vão.

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8.7.05

Para trás

Fico imaginando as perdas, perdas que todos sofremos diariamente, hora a hora, principalmente perdas de vida. A vida vai à cada segundo e procuramos não pensar nisso como se adiantasse. Antes, acho que devíamos viver reverenciando a morte que se aproxima, não deixando de pensar nela nem um segundo. Devíamos viver a vida como uma longa despedida que começa com o nascimento. E vamos nos despedindo sempre. É mais ou menos como se soubéssemos apenas andar para trás, como se só para trás tudo funcionasse, relógios, nosso caminhar, automóveis e aviões. Aviões voando de ré.

Todo um mundo fantástico e arbitrário que anda para trás, os movimentos dos planetas, as ondas que da praia rolam para a rebentação e as costas que passam a ser o peito. Tudo ao contrário bem ao estilo da velha louca representada numa peça de...talvez Nelson Rodrigues. Mais interessante é ver as motocicletas andando de marcha a ré, com seus pilotos guiando pelo espelho retrovisor e os movimentos de rotação e translação ao contrário que fariam não sei o quê. Não sei nada dessas coisas e escrevo isso porque penso que muitos grandes autores escrevem seu Fausto, sua visão de Fausto e outros tantos escritores escrevem livros falando de "seus clássicos".

Parece que os 'clássicos' de uns não são os 'clássicos' de outros o que me leva a pensar que clássicos são como verdades, que cada um tem um, cada pessoa diz o que bem entende. Eu achava que os clássicos eram uma categoria apenas. E nada é uma categoria apenas, tudo é duo, trio, nada é apenas uma coisa e essa falta de singularidade, de certeza é que destrambelha o mundo ao invés de expressar mais liberdade, como dizem os arautos do apocalipse.

Sonho com um computador que tem um monitor escuro, que não tem luminância, que está completamente sem luz interna.Um monitor de computador que depende do nosso abajur, como a velha máquina de escrever. Não me lembro como o sonho, mas sei que é por causa das enxaquecas de Nietzsche. Nesse livro confirmo também que o verdadeiro pai da psicanálise foi Breuer e não Freud. Freud, sempre disse, foi um 'poeta', foi quem 'deu forma', catalogou e expôs de 'forma sistemática a psicanálise'. Freud também teve também um papel ativo na percepção do inconsciente. Mas Breuer fez todo o resto, experimentou e viu os primeiros passos da terapia através da conversa.

Imagino que ao aprender com Breuer, Freud estava andando para trás, estava saindo de seu destino de psicólogo famoso de Viena e andando até a mocidade, até quando, ainda estudante de medicina, via Breuer dando os primeiros passos na psicanálise. Breuer andava para frente e Freud para trás até colidirem, ficando o último com todos os louros dessa terapia que claudica até hoje.

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engrenagens


Quando eu paro me parece semelhante às engrenagens de uma máquina antiga, da revolução industrial que pára por falta de lenha na caldeira ou óleo diesel, não sei. Simplesmente há o engasgo e a parada se completa. Como que morta. Fico pensando quantas vezes morro por semana ou por dia.

Não sou dono de mim, meu cérebro corre na frente, derruba cadeiras e faz estragos que venho atrás tentando acertar. Sei perfeitamente que estou fora do meu espaço e do meu tempo. Sei ainda que sou estranho a todas as pessoas e que elas se acham certas porque não sabem olhar para dentro. Sou preconceituoso em relação a algumas coisas. Burrice e ignorância por exemplo.

Quando estou com boa vontade tento ser calmo com as pessoas ignorantes, tento conversar. Porque os ignorantes não são os mais pobres não. Os verdadeiros ignorantes, os boçais mesmo estão todos na classe média, todos têm discursos prontos, pensamentos e ações tão idiotas que me dão nojo.

Sou preconceituoso porque a ignorância me irrita. Já conversei que um monte de pessoas e, no decorrer da conversa sua ignorância vai surgindo, primeiro um pouco e depois, abundantemente. Conheço pessoas que são tão convictas de algumas coisas e se acham bacanas por aquelas convicções imbecis. Nesses momentos não chego a ter raiva, mas um olhar diferenciado. Olho as pessoas de cima para baixo. E não tenho vergonha de dizer isso porque é a verdade.

Imagino que o mundo só possa dar certo se as pessoas unirem suas vidas/caramujo num grande pacto. E não vejo assim. Apenas relações artificiais, fúteis e tolinhas. Abomino tudo isso e exatamente em razão dessas coisas tenho minhas reservas em relação aos homens. Talvez a raça mais inferior do planeta, seja a raça dos homens. Porque conquistam e desenvolvem, mas fracassam na hora de aplicar. Não me abalo porque tenho Dom Artur, sociólogo de boa cepa.

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Drogas

O amanhecer quase sempre de desdobra durante um período de distração minha. Ou estou lendo um livro ou o jornal, ou anotando alguma coisa que será desenvolvida no correr do dia. Quando me levanto, venho ocupado, prenhe de idéias e decisões ou impressões que ficaram a noite.

Hoje até que não tem nada demais a não ser uma gripe, chata, ranheta, insistente, que se acomoda em meu organismo debilitado pela idade e por fortes dores na coluna. Dizem que as doenças de coluna e as depressões são doenças modernas, que se espalharam à partir desse século XX que passou, mais precisamente, na metade do século

Bom, se é uma questão de moda, me saí muito bem porque as duas me atingem e derrubam de forma contundente, sem espaço de negociação. Não sei se dei sorte ou azar, mas a verdade é que os médicos que cuidam das duas coisas, não brincam em serviço: medicam pra valer.

Nem sempre o excesso de medicação dá resultado ou, pelo menos, resultado imediato, mas de certa forma, fico moderadamente drogado, narcotizado, o que me dá muito prazer. Meu organismo é presa fácil de coisas como alcoolismo e vício em narcóticos e drogas de uma maneira geral. Não faço uso de nada ilegal, mas não é por moral e sim por medo da polícia. Se fosse liberado eu viveria cheirando cocaína e bebendo de cair. O mundo é muito duro para enfrentar assim, na careta. Entendo os que se drogam, os que fogem na realidade.

Aliás, esse é um outro papo careta e irritante, essa coisa de que as pessoas têm que enfrentar a vida tal como ela se apresenta. Por que? Não vejo nada que justifique esse rigor. Acho que podíamos passar um tempo sóbrios e outro tempo drogados. Não custa nada anestesiar a alma para melhor resistir à dureza, aos dissabores da vida.

Afinal quem dança, faz ginástica, é fissurado em esportes etc. está procurando uma forma [dita sadia] de buscar um certo distanciamento da realidade, está varrendo para debaixo do tapete toda a sua angústia existencial. Um homem que não sofre de angústia existencial, que aceita simplesmente a vida, está mais para rato, para verme, do que para homem. Então, se sou doente, prefiro a doença à normalidade, não gostaria de ser como certas pessoas que vivem rindo, que são coerentes em tudo, que cumprem horários e metas e que tomam chope com churrasquinho ao final do expediente de sexta feira. Tenho repulsa por essa classe.

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7.7.05

A chuva pode ser uma queda d'água como um corpo que cai é tão metafísica quanto suas ascensão. Subir ou descer, rir ou chorar são sempre dois lados de uma mesma moeda finita. É bom lembrar
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Encontrei anteontem o poeta que me abraçou e conversou. No olhar do poeta genuíno vejo o sonho, vejo o homem que não é desse mundo, capaz até de não perceber a queda.
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O que a vida tem bom a oferecer é um par de óculos, cigarros, Coca Cola, pipoca e chocolates. O resto é apenas o caminho para a perda.
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Ninguém se engana verdadeiramente. Engana-se a uma parte, a uma fantasia. Engana-se uma parte do sonho que todos insistimos em sonhar para tornar mais leve a passagem. Ainda assim, brincamos com esses pequenos oásis de paz. Melhor não tê-los.
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Falo muito que me decepciono com as pessoas, mas não é verdade. É uma parte de mim, fantasiosa e que toma meu ser que se decepciona. Todos temos esse lado fantasioso. Eu mesmo não me decepciono porque imagino o que seja o real
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Quando meus cadernos forem encontrador traraão decepção, frustração. Por isso sempre deixo poucos, só os que estiou trabalhando no momento. Somos todos embusteiros. Meu embuste é escrito e publicado

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O que alguns chamam de felicidade, é uma das facetas do inconsciente, auele que imagina algo diferente, aquele que vê a possibilidade de alguma coisa irreal. Parece que existe uma área física no cérebro responsável por tais alucinações

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Não temos controle sobre nada, a vida é uma especécie de tobogã gigante e cheio de curvas que nos levam, nos fazem rir e sentir medo, gritar e calar, sempre terminando na queda, na vertigem do fim
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As medicações que nos empurram güela abaixo para um viver melhor são placebo de boa qualidade, placebo que engana, que induz ao delírio
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Talvez o mais correto seja não dormir mesmo, enfrentar apenas os sonhos que temos em vigília, os delírios.
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Queda

Dizem que não há nada mais característico do que as variações do sono para demonstrar nossos sentimentos, nossa visão de mundo. Alguma coisa assim. Não sei o que existe de verdade ou de crendice nessa coisa, mas passo, às vezes o dia inteiro dormindo e ainda consigo induzir o sono da noite.

O terreno do sono é sempre pantanoso, mesmo quando não aparenta num primeiro momento. Somos tragados por bocarras imensas que nos fazem afundar, dão vez ao inconsciente, aos delírios, fantasias e ao não dito. O sonho deve ser sempre entendido como um sonho mau, um pesadelo, mesmo quando sonhamos com coisas que nos parecem boas e agradáveis.

É pesadelo porque não é real, porque nos frustraremos ao acordarmos. Se for um sonho ruim mesmo, nos frustraremos em seu próprio desenrolar. Dizem que o sono induzido é mais tranqüilo. Não sei. Comigo é um sono como outro qualquer. O que ocorre é que no sonho todas as bruxas estão soltas, todos os demônios. Sonhar é como fazer um pacto com satanás para vivenciar o que não é possível.

Ora, na vida comum, diária, ordinária quase nada é possível. Existe o mundo de impossibilidades e ali repousamos a vida que trazemos às costas. Acampamos essa vida viajante e ficamos esperando dividir tudo, tornar nossa vida e a de outros uma coisa só, numa simbiose fantástica, sobrenatural... no final das contas sobra sempre a frustração.

O mundo é o espaço adequado para o sofrimento das almas, para a decepção vil, para a tristeza e o abandono, onde todos somos mendigos, todos somos nada, todos iludimos uns a outros e a nós mesmos fazendo projetos, projetando fantasias que são características não da vida nem do mundo, mas do sonho. Estamos eternamente em queda livre e por isso sonhamos tanto com a queda.

Fingimos acreditar que quando vamos a um ponto inimaginado, com pessoas inverossímeis, estamos conquistando um tipo de vida diferente, que estamos avançando na aventura de viver, mas não. Estamos apenas dando mais espaço à realização do sonho, apenas deixando que a fantasia tome as rédeas da vida e nos leve por caminhos que escapam da grande noite eterna a que estamos condenados, vendo um sol com tal brilho, um riacho tão belo e tamanhas alegrias que, ao voltarmos à realidade teremos sempre e sempre a queda. O homem é ator da queda. Seu maior papel é a grande e infindável queda para o nada de onde veio, seu desprendimento dos fios da fantasia.
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6.7.05

Uma certa anarquia

Penso num gavião que sobrevoa essa extensão árida, percursos longo que atravesso de motocicleta. Sem duvida é uma máquina velha, mas como poderia deixar de ser nesse episódio onírico/desperto que me joga na cama e faz com que cubra a cabeça com o travesseiro?

Não sou mais o mesmo homem de um ano atrás, nem 5 nem de 10 anos atrás. Não sei se isso deveria me preocupar. Estranha relação essa minha com o tempo e com o sono. Este me abandona dias seguidos e, outros, me deixa aprisionado, dormindo ou cochilando 6 a 7 vezes ao dia.

Uma força maior quer que eu não produza nada em determinados dias, incapacita me fazendo dormir e acordar, sempre. Mais uma vez e por motivo diverso a minha vontade. Em determinados momentos a vontade sai de mim. A vontade é assumida por um outro eu, entidade dominadora que altera todos os meus propósitos, decide que serei outra naquele período.

Já falei isso, mas não foi compreendido. Pode ser uma ramificação de uma outra afecção, sendo esta uma espécie de compulsão. Pensei em histeria, mas os sintomas não batem. Precisaria que eu fosse um místico, um adorador do sobrenatural para justificar. Como não sou, não justifico.

Quando falo em justificar, estou falando de justificar para mim mesmo porque faço questão de não me justificar nada para ninguém, muito ao contrário. Quanto mais não me entendem, mais me incomodam, mais certo eu fico que as relações deve ser entre poucos que se elegem mutuamente. Não tenho paciência com pessoas. Não gosto de gente, como já falei várias vezes.

Certa feita recebi uma carta super desaforada dizendo que eu não era humano, que era um bicho, um animal por não gostar de gente. Ora. Onde está escrito isso? Por que tenho que gostar de gente e detestar baratas e não o inverso? Por que devo seguir essas regrinhas que não foram feitas por mim? Por que temos que viver de acordo com regras criadas por outros? Se a vida fosse um espaço onde entramos e saímos eu entenderia, mas penso, como sempre repito, que a vida é um canteiro nosso, que vem a vai conosco. Acho que sou adepto de uma certa anarquia, uma anarquia vigiada, se entendem.

Não, não é isso, não sou anárquico. Quero uma outra coisa, uma vida de liberdades e regras, um sistema que não conheço, que eu saiba não existe e não pode ser aplicado a comunidades ou cidades ou países porque os homens deturpariam tudo. Não;... esse método só eu mesmo posso a aplicar e somente a mim. Posso falar com um ou com outro, mas as pessoas não percebem bem. E eu não tenho o menor interesse em ficar repetindo para que entenda,. Quanto menos, melhor.

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O PT e a Mentira

Nada se iguala ao café da manhã, àquele primeiro café que tomamos ao acordar porque ele vem fresco e suave, manso como uma carícia, vem aplacar o furor do sono, a mentuira do pesadelo, mostrar que tudo não passa de sonho mau, que a vida aqui é outra.

Vejo os telejornais, leio jornais e revistas diariamente e vai me dando um mal estar, uma náusea toda essa história da corrupção no PT, que acabo não entendendo todos os fatos direito. É muita mentira para uma cabeça apenas. Tenho uma relação conflitante com a mentira.

Sou obrigado a confessar que, mesmo eu, que abominava a subida do PT ao poder, não imaginei que o sistema de corrupção fosse alcançar essa proporção, que rolasse esse nível de enganação, de mentira.

Engraçado que ontem eu falava da minha aversão à mentira, da minha incapacidade de interagir com a mentira e foi apontada a contradição em oposição a mentira. Eu sou contraditório e não mentiroso. Ou será que um contraditório, na medida em que muda uma opinião, a visão sobre alguma coisa, é um mentiroso? Acho que não.

Fico pensando que a contradição é você ter determinada opinião sobre um fato e depois rever essa opinião e mudar, anunciar que está mudando. A mentira não é isso, pelo que entendo: a mentira é a deliberação antecipada, racionalizada de não dizer a verdade: é enganar, ludibriar.

Assim, não posso imaginar que ações e depoimentos dos membros do Governo/PT sejam contraditórios [muitos são sim], mas nesse caso específico de corrupção ativa, enorme, maior do que tudo, aí não há contradição. O corrupto não pensou a corrupção de um modo num dia e depois mudou de opinião. Ele o tempo todo teve uma opinião, ma estratégia e, para realizar seu plano se vale da enganação, da mentira. São, portanto, coisas absolutamente diferentes.

O governo Lula jamais foi contraditório. Já ouvi opiniões de que sim, que a bandeira do PT era uma, e diante da possibilidade de conseguir o governo, mudou. Contraditória, portanto. Não vejo assim. Percebo que, para se eleger, Lula precisava criar um esquema de alianças, precisava mentir ao povo, aos militares e ao empresariado para conquistar o poder. Lula e o PT não foram nem são contraditórios, ao contrário, fazem o que sempre pretenderam, são mentirosos.

Mentem quando dizem que governam para a população, que têm reais preocupações com o país, com esse enorme e desgraçado país miserável de gente ignorante e faminta. Não mudaram de idéia. Mentiram e o povo se iludiu e acreditou na mentira. Como sempre, tudo o que é baseado em mentira, termina por ruir, por vir à baila e não adianta agora uns se esconderem, outros chorarem e outros ficarem tristes. Não. Simplesmente foram pegos na mentira. Como cada um de nós sempre será pego nas suas mentiras.

Eu queria escrever uma coisa mais contundente sobre Lula, sobre o PT e sobre a população enganada, que perdeu as [últimas] esperanças. Mas o que eu posso escrever que já não tenha sido dito com muito mais propriedade e talento em todos os jornais e revistas? Quem sou eu? Esse espaço não é jornalístico. Apenas a triste constatação de que o povo foi enganado, acreditou na mentira. E, por ter acreditado, agora sofre [e paga]. Todos os que se iludem e acreditam em mentiras sentem-se enganados. Mesmo quando a mentira vem despudoradamente embalada em boas intenções e na imagem simpática de alguém que parece ser o que não é, como o Lulinha Paz e Amor.

Poderia dizer que mais uma mentira está sendo urdida e, insistindo em não aprender, o povo está caindo: a de que Lula não sabia de nada. Impossível que não soubesse. Mentem (e não são contraditórios) os que afirmam que Lula desconhecia [e, portanto, não apoiava] da mesma forma que mente Lula ao se dizer inocente e enganado. Como sempre digo, o homem perdeu a inocência, mentiu com a Adão e Eva. Agora, é uma questão de escolher posições, lados, posturas e seguir em frente. Sempre dizendo a mentira ou a verdade.Sabendo que, mais cedo ou mais tarde arcamos com nossa atitude , com nossa escolha. Lembro ainda que a liberdade para escolher tem um preço muito, muito caro.

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5.7.05

A Mentira, o PT e todos nós

As relações entre pessoas e instituições para se fortalecerem passam pelo conceito de confiança. Trabalhamos e negociamos e votamos e temos amigos que não são confiáveis. E sabemos disso e eles também. Fazemos um jogo de hipocrisia de todas as partes para que essa espécie de contrato entre humanos vá adiante.

Em raras oportunidades existe uma relação de confiança. Muito raras mesmo. E quando essa relação é abortada por um dos lados, não resta mais nada, sobra um travo na boca, uma sensação de perda, de engano, percebemos como somos fracos moral e intelectualmente [ainda que essa constatação se repita ao longo da vida].

Confiança quebrada, saímos procurando encontrar motivos, procuramos muitas vezes nos enganar achando que 'pode não ser bem aquilo'. Já tive oportunidades na minha vida de negar a mim mesmo a decepção, insistindo em acreditar no que era menos crível, numa tentativa patética de continuar acreditar no objeto que já provara não merecer nenhuma confiança.

Falo disso, dessa decepção, desse amargor porque estava exultando com o desmoronamento da mentirosa máquina e proposta petista quando uma amiga me lembrou o povo [mais uma grande decepção para o povo]. Estive cego por uns dias porque nunca confiei no PT, sempre soube que viria isso que aí está, talvez não exatamente dessa maneira, mas de alguma maneira, viria a sujeira.

Estava com gosto de sangue na boca e só queria tripudiar do povo, ridicularizar por ter eleito um governo corrupto, que foi corruptor com o meu dinheiro, sempre foi desonesto e perigoso [extremamente]. Agora temos aí toda a roubalheira, toda a enganação, toda a pusilanimidade de Lula e do PT [e suas mentiras] escancarados na nossa cara.

Era fato sabido [ a desonestidade e mentira petistas], imposto pelos intelectuais que não precisam melhorar suas vidas, que não dependem de políticas públicas saneadoras. Os intelectuais estão encastelados em Ipanema e nos Jardins, têm ainda a doença infantil do comunismo e, após muitas tentativas, convenceram o populacho a votar e eleger o Lula e seu corrupto PT ou o PT e seu corrupto Lula (sabe-se lá nessas alturas). Não se sabe e não vai se ficar sabendo.

Escarneci desse povo imbecil e ignaro que, com sua brincadeira socialista atrasou ainda um pouco mais esse país que é atrasado, tolo, corruptível, país e povo em que não se pode confiar. Como dizia, acabei sentindo mais revolta contra o povo (mais uma vez enganado) do que contra o Governo (enganador por excelência).

Mas a vida não perdoa. Não perdoa ninguém e muito menos a mim. Fico aqui escrevendo sobre moralidade, sobre ignorância popular ao se deixar ludibriar pelo PT e toda essa coisa e, novamente, mais uma vez, incorro eu mesmo no erro primário, meu erro de toda a vida. A cegueira para a a síndrome "d'O rabo de fora". Sem entrar em detalhes basta lembrar que não apenas o povo é enganado, não existe mentira que iluda apenas o povo. A mentira é uma instituição sólida porque tem sua raiz no caráter, antes do inconsciente, em área diversa da psicologia, mas na formação moral.

Enquanto estou aqui vociferando contra o povo, contra a bestialidade que cega e não deixa ver o óbvio, estou aqui dando uma de esperto.... esquecendo que não é um político, não é um profissional, não é uma classe. A possibilidade de iludir e ludibriar, de mentir e enganar está no cerne no homem e não podemos apenas atirar pedras se temos todos telhados de vidro. Quem é mais ignorante: o povo que se deixa iludir por uma cesta básica que mata a sua fome ou eu que não passo fome e trabalho todo o tempo com o intelecto, que sou um intelectual?

Esse governo passará como tantos já passaram. Sempre achei importante que o povo experimentasse uma vivência traumática ao extremo (como uma guerra, uma tsunami ou um governo do PT). Essa experiência depura, redime. Vai ajudar o futuro das pessoas, vai deixá-las um pouco mais atentas, mais críticas ao que é dito. Mas, e nós, burguesia, que, em tese, estaríamos acima do bem e do mal? Por quanto tempo mais vamos nos deixar enganar? Por quanto tempo mais aceitaremos a mentira em rica pele de cordeiro? Aceitaremos sempre, como disse antes porque a mentira está na raiz, no cerne humano, temos apenas de aprender a identificá-la ao primeiro olhar. E não sabemos identificar porque nos achamos imunes, nos achamos 'mais capacitados'. Com todos os nossos livros, todo o nosso dinheiro, toda a nossa cátedra, fazemos parte do Imbecil Coletivo.

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4.7.05

solo

Acho que existe um processo de queda diferente da social. Acho que está mais ligada ao existencial, talvez uma queda existencial ao percebermos que estamos sozinhos numa empreitada que não é clara aos outros porque não nos é clara também. Releio alguns manuscritos para entender melhor o que ando pensando e não encontro melhores palavras.

Digo isso para falar do debate de idéias. Sem ele, há uma queda existencial porque nos tornamos órfão com a velocidade de um acidente, não temos outra percepção que não a nossa e começamos uma corrida desenfreada na tentativa de guardar tudo, anotar tudo, não permitir que nada se perca porque só teremos aquilo [e o esquecimento sempre vem célere], não teremos outra opinião nem resposta [o que não é culpa de ninguém].

É um processo doloroso que alguns de nós se impõem ao partir num vôo solo. Uma carreira solo. A vida não é exatamente nada a não ser a interpretação [ator] de uma carreira. Pode ser uma banda, uma orquestra, uma troupe de palhaços ou uma tentativa vôo solo [por falta de opção]. Acontece assim (e tenho preguiça de explicar melhor, acho que deveriam perceber por si)

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A vantagem de sair antes é conhecer mais e [sim!] não chegar antes. Não é uma questão de corrida, mas de melhor aproveitamento. Só os velhos como eu pensam no tempo. Tive toda uma vida e não pensei uma única vez no tempo. Agora até sonho com o tempo, fico angustiado se um sonho está demorando, achando que não terei tempo de sonhar outro.

Sempre está escuro. Sempre assim. Gosto desse momento em que não há nada nem ninguém. Tenho prazer em dominar o outro, em saber que todos dormem sob minhas vistas. Uma coisa engraçada. Uma fantasia? Não, uma realidade. Sei que todos dormem e eu não. Uma constatação [que não leva à nada, é bem verdade]. Ums conspiração de pessoas que dormem sob uma espécie de domínio meu{?]

Gosto de constatar coisas. Constato que estou assim ou assado e que minha vida vai dessa ou daquela maneira. Constato diariamente como estou. Constato que dia a dia que estou de maneira diferente. Sou novo à cada dia por um lado e velho e repetitivo por outro. Continuo duo, continuo pensando mais de uma coisa e tendo opiniões opostas sobre as mesmas coisas.

Continuo não dizendo as coisas com coerência apesar de saber que já passou da hora, que não tem mais nada de experimental nessa vida, que a gente só pode experimentar até o ponto X. Mas o que fazer quando não encontramos o ponto X? Aliás, digo ao outro, por que necessáriamente temos todos que encontrar e fazer alguma coisa? Por que não deixar a vida passar conduzindo-se por si mesma enquanto a brindamos com nosso ostracismo?

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3.7.05

conversação arbitrária

Para quem eu realmente escrevo? Para mim, com certeza. Para mim porque preciso reler o que disse e ouvir de mim mesmo as coisas que me agoniaram, que me desesperaram nas noites e nos dias que passaram sem que eu tomasse conhecimento profundo. Só? Não. Escrevo porque preciso deixar registrado para que outro beba na mesma fonte e faça girar sua cabeça em busca de respostas assim como eu. Não sei se existem todas as respostas, mas existem todas as questões.

Penso se sou diferente. Evidente que não. Sou exatamente igual (diferente na forma). Escrevo o que penso ao invés de falar porque me abstive do mundo e descobri que não fui apenas eu. E quem ensina a quem? Não sei ainda. Acho que, por enquanto, eu ensino, mas é um momento passageiro, não há indicativo que deva continuar assim. Tanto faz que eu diga ou que ouça, tanto faz ser ativo ou passivo porque serei ativo sempre, mesmo numa atitude passiva.

Minha energia está voltada para a introspecção mas não embarco sozinho. Existe a necessidade natural da divisão de descobertas. Nenhuma descoberta é tola e todas as descobertas são absolutamente tolas e sem sentido porque não há nada a descobrir numa vida que foi criada exatamente por nós. Como se nos surpreendêssemos com um desenho que fizemos! Não! Não há surpresas. Constatações apenas de que o mundo é para ser ensaiado como uma peça de teatro. Preciso colocar elementos e falas e depois retirar o que ficou em excesso. Para quem? Para os que cruzarem vida com vida exclusivamente enquanto eu estiver ativo, produzindo, publicando.

Para a posteridade uso outros meios, meios menos confiáveis para dizer a verdade, na medida em que não tenho certeza de que caminho tomarão. O que eu desejo, afinal? Ter certezas de quê? E para quê? Qual a vantagem na certeza? Não posso pensar na dúvida porque a dúvida não sou eu, a dúvida é a interferência da certeza do outro. É preciso perceber isso com bastante atenção para não capitular na obviedade.

Escrevo tudo isso porque é o meio. O outro, de conversação é frágil porque não deixa que o pensamento se complete e porque podemos sair dele, podemos nos afastar e distrair com tolices como um almoço temporão por exemplo. Nada deve influenciar a liberdade de pensar e transmitir conceitos e descobertas ao outro. Sem isso, não chegamos a um ponto sequer de desacordo.

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Verdades & Mentiras

Tem essa coisa, como dizia de não poder falar.... mas a culpa não é das pessoas e sim minha mesmo. Fico imaginando um colecionador de selos que venha conversar comigo e comece a falar dos seus selos... ficarei ouvindo com minha cara de árvore até o infeliz se mancar que não estou entendendo nada, que aquilo é um mundo diferente do meu. - Pausa - Tudo bem que com livros deveria ser diferente, é uma questão cultural, mas o Brasil é inculto e não posso simplesmente parar de me relacionar.

É bem verdade que gostaria de conversar sobre os lançamentos ou relançamentos ou ainda sobre clássicos que gosto e tal. Gostaria de encontrar pessoas assim. Mas entrei no caminho da literatura de maneira confusa (adicionado depois: será vedrdade? serei culpado pela ignara?), desordenada e hoje sou problema até em salas virtuais de discussão de literatura porque as pessoas que estudam, meio que se especializam. Não me especializei em nada, sou um franco atirador que conhece de tudo um pouco, o que, no fim das contas, resulta em nada.(Mentira: é melhor do que a aridez intelectual das pessoas)

Espera aí. Não estou sendo verdadeiro... estou falando de uma maneira politicamente correta, como se resolvesse alguma coisa. - Não, já editei e comecei as correções lá em cima - Eu falo tão mal de mim, as pessoas me escrevem falando tão mal de mim e eu, quando escrevo devo mesmo aliviar? Estou errado. A verdade é que as pessoas têm a mania de não quererem conhecer nada. Mulher só gosta de dançar e viajar e homem, só gosta de beber e de trepar. Ninguém lê nada e todo mundo é burro [grande maioria, pelo menos]. Não tem gente preocupada, tendo prazer em conhecer as coisas. O máximo que fazem é ir a uma cineminha de vez em quando. Resultado: Um país de ignorantões

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Excesso

Estou completamente perdido. Mais uma vez perdi um livro, mas, em compensação, achei uma brochura de 'Os Possessos' que comprei mês passado na Travessa. Tinha lido Os Possessos numa edição de bolso há muito e muito tempo e agora tinha o romance na coleção da Nova Aguilar que é uma belezinha, mas insuportável de ser em seu papel bíblia e letras miudinhas. Aquele papel, aqueles livros seriam mais úteis pra enrolar baseado.

Tem os livros que são bons também pra embrulhar peixe e os que nem pra isso prestam, talvez para vender à kg. Os livros estão começando a me incomodar. Durante um bom período me agradou ter muitos livros, poder consultar, pesquisar, ler e reler... Mas agora a coisa está se tornando grande demais, os livros tomam o meu apartamento inteiro, me perco deles, quando quero um título não acho, quando não quero, vejo por ali, compro títulos repetidos porque não sei o que tenho.

Não sou nenhum professor erudito pra ficar aqui afundados nesse mar de livros... quero me mudar para um apartamento menor e fico pensando que não caberão em um lugar menor do que esse que eu moro. Como uma pessoa pode decidir onde deve morar por causa [em função] da quantidade de livros que sequer fazem parte do seu trabalho? Não é justo. Teve uma fase que achei legal, mas agora está me incomodando. Verdade que gosto de dar uma olhada num e outro de vez em quando, mas não posso viver numa biblioteca. Sou prisioneiro dos meus livros e não os uso na prática e [pior] não posso conversar com ninguém sobre eles.

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Parece que as cartas estão postas já. Lula e o PT são corruptos, não há mais o que esconder, já apareceu tudo e, certamente, irá aparecer mais. Se fosse honrado, Lula renunciaria já, mas ele não é honrado, é retirante. Não tem problema. Agora há espaço na mídia. Só não vê quem não quer. Aos poucos, até Ipanema, Lagoa e Gávea irão capitular. Esse governo devia ser rapidamente apeado do poder. Falta um ano para a campanha. Talvez Lula ouse se candidatar à reeleição mas não deve conseguir. Pronto: O Brasil já pôde ser comunista por quatro anos. A cota de Ipanema foi dada. O Partido não pode mais dizer que os problemas aconteciam por falta do PT no poder. Se o Lula fosse um homem digno ao invés de retirante chorão, nunca mais, veja: NUNCA MAIS usaria o termo Maracutaia para falar de outros governos. Se não sair agora, Lula sai no final do mandato com o rabo entre as pernas
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2.7.05

Golpe

Busco na literatura representações para mim. Parece que não me basto e esfacelo um sem número de personagens para encarnar um pouco de cada um deles. Não é isso. Isso seria fácil e minha mente sempre segue os caminhos mais tortuosos. Minha mente tripudia de mim, expõe uma carne vermelha, sanguinolenta.

Cortar na própria carne [que os políticos falam tanto] não representa o que eles querem dizer. Claro que não. Eles querem ter um aliado a menos ou uma participação menor na roubalheira. Cortar na própria carne é literal, é cortar-se mesmo. Pode não ser uma lâmina que rasgue minha veia, mas é esse olhar do interior, a cor do sangue e sua quantidade, caudalosa às vezes e mísera, pífia em outras. Corto em mim porque quero atenção.

Esse foi outro ponto da discussão a que se chegou a um acordo. Somos o centro da atenção. Não? E quem é então? Somos nós sim. Somos o centro até quando fazemos tudo para não ser, quando não aprecemos e muito menos falamos. Essa atitude simples e aparentemente tímida e despojada mostra a necessidade que temos de sentir que todos os holofotes convergem para nós.

Ando e tenho um holofote me seguindo, mantendo-me aceso, fora da sombra, no meio da tela. Meu choro é um berro, meu sorriso, uma demonstração pantomímica de toda a possibilidade de prazer que o homem pode ter, sentir. Essa a minha pele. Pele de cordeiro, pele de asno, pele que transmuta.

O que me bate é o sol nessas ruas vazias e silenciosas. Passo por pessoas que passeiam com seus cães e lembro que Dom Artur, o Casmurro, está em casa esperando meu retorno para reclamar de alguma coisa: ou do tempo em que me ausentei, ou da comida que era pouca, [ele é também o ator da vida, dentro da minha]. Seria coadjuvante, mas não é. Cortar na própria carne é ficar do avesso para essas críticas idiotas que fazem.

Não posso escrever muito porque estou acuado. Tenho medo que Lula dê um golpe de estado, instale a ditadura que tanto agrada a ele e a seus pares. Tenho medo da possibilidade, tenho medo da caneta que anda naquele bolso e sei que, mesmo com um dedo a menos, ele pode tirar meus dez dedos. A Inteligência de Ipanema não tinha pensado nisso e agora é tarde demais.

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Raiz Psicológica [do outro]

Não tenho controle sobre o corpo. Já não possuía sobre a mente e agora é o corpo que dá os sinais de intransigência. Desconsidero autoridade a corpo e mente que interfiram em nossas vidas. Sei que a mente [psicológica] busca seus caminhos como água para interagir, mas ela é tratada à parte. Durmo e acordo durante todo o tempo. Recebo o sinal do corpo que não agüenta mais, recebo o sinal da mente, não devo ultrapassar a barreira suportável e segura de uma certa sanidade.

Mas o que se pretende por sanidade? A minha sanidade não é a mesma sua, é diferente, é contrária, invertida. Não podemos insistir em acreditar que pode acontecer uma comunhão de idéias que formam uma espécie de banco de dados no inconsciente coletivo. Não, esse inconsciente coletivo serve muito pouco, tem pouca utilização no dia a dia. Poder é parte do nosso inconsciente, apenas do nosso. Aliás essa história de inconsciente coletivo é relativa, parece mais um licença poética de Jung do que uma verdade palpável, constatável.

Quero ver como me comporto diante do espelho, diante da observação estrita do outro [apenas dele} e não de um coletivo inconsciente que revelaria uma dose, quantidade de neuroses que, de certa forma são do mundo. Não. Se já escrevi que não há vida e sim pessoas que trazem a vida, não posso imaginar um mundo vazio, deserto que possua um inconsciente coletivo. Absolutamente não.

Não é [descubro tardiamente!] o corpo que não agüenta mais, absolutamente, é a cabeça que sinaliza todo o tempo que está transbordando, que o calor da caldeira já passou há muito pelo marcador vermelho e uma caldeira não pode trabalhar assim. Recebo os sinais. Preciso avaliar bem os sinais, entende? E não estou falando para mim, falo para todos que os sinais devem ser assimilados sob pena de não conseguirmos mais conviver, com explosões aqui e ali de caldeiras mentais. Nada a ver com inconscientes coletivos e sim com nosso inconsciente. Com o nosso caráter.

Sim, porque o caráter faz parte de jogo analítico. Perdi a virgindade de achar que tudo está em nossa proposta psicológica para o mundo. Não. Não acredito mais apenas nesse chamado psicologismo. Preciso ver o caráter das pessoas. O caráter é raiz, está atrás, encoberto pelo psicologismo.

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. Farol (abstração)

Não tenho controle sobre o dormir, ando no limar entre o sono e a vigília, não encontrando os pontos corretos. Sei da importância do sono e durmo, mas não de forma correta e não adianta apenas dormir, tem que ser da maneira certa. Meu corpo não descansa porque minha alma não repousa.

Durmo às 20 h. e acordo às 3 h. Deveria estar bem, mas nunca estou bem. Durmo um sono maldito, um sono de laboratório que não abranje as áreas que precisam ser contempladas. Não tenho a capacidade de contemplar plenamente a mim. Talvez até possa levar uma palavra a alguém e nunca a mim.

Percebo-me inconcluso no que poderia não ser, como pessoa que não foi plena. Sei muito bem que os plenos estão mentindo para os outros e si mesmos. Quero me arriscar na plenitude total e verdadeira, assumir o salto mortal onde alcançarei o outro extremo ou serei tragado pelas corredeiras. Me parece uma opção de vida razoável.

A velhice que me traz mais apreço a vida [sem temer a morte], trás mais vontade de concluir, de não passar ao largo das questões existenciais. Mas não se pode filosofar com sono! Não se pode criar sem descanso. O sono, esse mistério, essa possibilidade de experimentar a morte sem abraçá-la totalmente!

Passamos, na verdade, a vida num ensaio pré macabro para a morte, até o ensaio geral na CTI. Nada disso me importa de verdade. Me importa é dormir e não descansar, não dormir e sofrer de arrependimento. Me arrependo e não me arrependo sempre, sem deixar de fazê-lo uma única vez. Estou perdido porque a leitura não se fixa por causa do sono dormido. Como o sono dormido? Por que o relógio biológico que ser mais do que o 'eu' biológico. Não posso aceitar.

Preciso falar com o outro sempre para que ele não caminhe para trás como já fiz em minha vida por não ter alguém que me sirva de farol. Não devemos seguir os outros de maneira irrestrita. Isso é boçalidade. Importante apenas é a efêmera luz giratória do farol que permite um alternativa, um reforço de bússola.

Mais útil brincar com Dom Artur do que escrever bobagens, ocupar o tempo falando de insônias e relógios biológicos se ninguém sabe o que fazer. Nascemos sempre num tempo errado, a fecundação e a incorporação da alma divergem da psicologia. Não existem pessoas ajustadas porque não existem almas, épocas e selfs sincronizados. Falava da mesmo coisa no post anterior com outras palavras, era o meu outro eu tratando da mesma coisa.

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Sem Destino

Tenho que andar ainda por muitos caminhos e decidir em muitas encruzilhadas. A bússola é um céu tardio e vermelho/púpura da minha terra plena de névoa. Sou um homem máquina descontextualizado. Venho de um tempo que não é o de agora e vivo nesse pós que também não sou eu.

Pertenço a uma geração de andróides feitos de chips e molas que funcionavam mal e caio num mundo de clones que se debatem e morrem como na gripe espanhola, pior ainda, acossados por uma igreja fracassada, a católica. Tenho pena da Igreja Católica.

De que vale tanta teologia, tanto tempo dedicado aos estudos e a Deus se depois falarão ao léu? O Papa deveria roubar os bens do Vaticano e ir viver nas Ilhas Caymãs ou na Suíça, num paraíso fiscal e fazer a festa nas terras ditas emergentes criando um harém de meninas impúberes valendo do turismo sexual (que sou favorável), empregando as prostitutas com menos de treze anos do nosso nordeste e de Cuba.

Tenho em mãos o livro do psiquiatra que curou Nietzsche num tempo sem a Roche e os Genéricos. Num tempo em que a tarja preta significava outra coisa. Hoje é diferente; tomo todas as pílulas da felicidade e quero em mim todas as experiências de células tronco. Queria dormir por oito horas um único dia em casa mês, queria ler O Mundo Como Vontade de Representação e a Gaia Ciência sem o compromisso de explicar depois.

Quero pegar a minha motocicleta preta novamente e sair pela estrada, deixando para trás toda a convenção, toda a expectativa que permiti criarem, deixando por fim, o modelo de homem que não sou. E o que sou?

Não sei o que sou. Acho que uma espécie de andarilho, um 'procurador', 'buscador', 'amador', um híbrido de seres criados na moral vigente. Ilusão. Tenho apego apenas a Baudelaire, Rimbaud, Fernando Pessoa, Tureau e a Neruda, todo o resto é tolice, perda de tempo.

A maior perda de tempo talvez seja isso aqui, esse mundo paralelo que estamos criando, mundo para além do bem e do mal, mundo onde não sujamos as mãos, mundo pedófilo que não compromete. Passei pelas ervas e agora tenho as drogas sintéticas. Filho das provetas, sou eu também um sintético que toma sintéticos para ser feliz.

Não tenho expectativa para o futuro, não tenho esperança nenhuma, não acredito na vida eterna, não creio na cura do câncer por agora, sou um auto destruídor que grita no deserto como um padre de batina surrada. Eu sou a mídia. Quero vender meu rosto para propagandas como a americana que vendeu a cara para tatuarem anúncios. Quero que tatuem todo o meu corpo de anúncios, desde a Coca Cola até marcas de camisinhas, passando por sabonetes e ofertas das Casas Bahia.

Sou uma produto do tempo perdido. Tenho um pé em cada canoa e elas se afastam e me estico, me equilibro. Nada me tira a impressão de queda livre. Meu pensamento e minha moral são forjadas na química, as pílulas que me tragam alívio para a infelicidade que se abate sobre eu e o mundo.

Sou o nada de grife ou o grife de nada. Filho da psicanálise e da internet, da explosão da mídia, soterrado pela informação caótica, sou o sal de uma terra perdida, sou asfalto e fuligem, sou clean, sou lona remendada, Sobretudo de Lona que esvoaça ao vento da motocicleta que me leva para adiante, sempre. O mesmo 'Sem Destino' de tantos anos trás, só que agora comprometido com um mundo que Fonda escapou de ver.

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1.7.05

Uma revolução para restituir a ordem e a moralidade


Não tenho certeza porque não estou acompanhando muito de perto todo esse escândalo e corrupção em que o PT e o Governo Federal estão envolvidos (por náusea mesmo). De qualquer forma, ma parece, na época do Collor os empresários prejudicados por ele, ajudaram a derrubá-lo. Ipanema, a classe média que comanda o Brasil, colocou os filhos nas ruas, os 'caras pintadas'.

Ao tentar imprimir um choque de modernidade ao país, Collor desagradou o empresariado, desagradou os coministas formadores de opinião, mostrou que o Estado deveria ser menor e a governabilidade maior. Ele começou as privatizações que hoje nos permite ter acesso a inúmeros bens de consumo de qualidade.


Aqui, o escândalo é político. Quem colocou Lula no Planalto foi a mesma Ipanema que tirou Collor. Para não serem muito contraditórios, parece que não farão nada. O Governo/PT continua obstruindo toda a ação das investigações que mostraram claramente que Zé Dirceu é o PC e Lula, o Collor.

Se não haverá mesmo uma tomada de titude da sociedade, se, desta vez, a orientação de Ipanema, é que a sociedade seja bovina, me parece bastante plausível que se pense numa revolução. Os militares deveriam depor (via revolução) esse governo corrupto e daninho e, saneadas as averiguações, retomar a democracia promovendo novas e democráticas eleições. Realmente não acho que essa seja uma solução ideal acho que a sociedade civil é que devia apear Lula do poder, mas está engessada porque foi ela mesma, os formadores de opinião, esse mar de castristas que conduziram o PT ao planalto.
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A Terra é o contrário do útero. O adubo, o destino do homem. Me perco por falta de lógica.
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Caminho olhando para o chão, porque no chão vê-se mais do que olhando em frente. Em frente vejo outros 'eus' que correm para cá e para lá sem saberem porquê. O chão é a terra minha hospedeira, olho para ela como uma promessa. O que a terra quer de mim é a promessa. A terra ao me fazer adubo, encerra a possibilidade da vida.
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Morte, o show

Jogo com o não dito, o não experienciado, o não acontecido. Porque estou esperando acontecer. Não pode ser só isso. A fecundação e todo o processo posterior não podem levar apenas a isso. Não. Continuo me olhando no espelho e aguardando a surpresa. Imagino que a vida nos reserve uma surpresa. Não importa se boa ou má. Importa que aconteça o inusitado.

Porque eu, a minha vida, a forma como tudo se encaminhou para concluir nesse 'eu' é inusitado. Sim, a morte será um show, um momento pirotécnico quando cantarei Bye Bye Life para a platéia que me assiste a ovaciona [à luz de velas]. All Taht Jazz. Sim, isso eu sei e acho que a experiência de morrer vale o trabalho de fazer nascer e crescer. Realmente, o fim, é o começo visto de outro ângulo, de ponta cabeça ou vice e versa mas sempre show.

O sonho é o ensaio da morte. O sonho é o inconsciente dando os sinais, dizendo que somos transcendentes. O sono é a morte em vida. É a mímica da morte. A brincadeira de fim. Finitude. O desmanche da ovulação. A lição maior de um deus que joga dados. De uma terra que acolhe e engole. A terra vai me engolir. Sou propriedade da terra, ela será o meu ponto final. Do pó ao pó.

Levo comigo a memória da vida. Eu sou a memória da vida. A vida não tem memória porque não existe vida. A vida sou eu e a memória é tão somente minha. Vida é vácuo, é nada, inexplicável, intraduzível. O que existem são pessoas que têm vida. E trocam experiências entre si, do que sentem pensam ou vêem. Mas sempre partindo do eu, o que eu vi, vivi e senti. O que eu sinto por você e você por mim. Como você percebe aquela montanha, como percebe o maremoto. O que existe fora de nós é outra coisa, é natureza e não vida no sentido tratado aqui. Porque se não houver nem uma única pessoa na face da Terra não existirá vida porque nada é percebido.

A Terra desolada e desabitada é nada. Não há registro dela. Não sei nem se existirá [Terra]. Porque existirá para quê, para quem? Como se pensará o mundo se não há o elemento que pensa, se não existem cérebros? O que existe é o homem, nada mais. O resto é uma concepção ora poética, ora extremamente dramática. O drama é o recheio da vida e o drama está no homem. Tudo é assim, indiscutível, basta pensar. A não ser que a vida revele uma surpresa. Sem surpresa, não há vida, não há nada, o que há é o mesmo que existia antes do Big Bang. Eu sou pós moderno apenas porque sou pós Big Bang. O Big Bang trouxe a modernidade. Só.

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