Por favor, me negue o cumprimento.


SORRIA!

....

...são pedaços de papel, folhas de cadernos, guardanapos sujos e restos de cabeça insone...

Leia da forma que achar melhor, não tenha compromisso com nada. Eu também não tenho.


English




ARME-SE MAIS!



Não possuo nenhuma expectativa maior em relação às pessoas. Convivo com elas na sua justa medida.

O impossível na raça humana são justamente as pessoas.

Definitivamente, o silêncio não é dos inocentes.

Por mais que eu pense bem ou mal das pessoas, elas sempre me surpreendem.

O Blog é uma "Carta de Intenções" raramente cumprida.

Eu vivo dos meus desequilíbrios* Copyright Nicka.

Sempre teremos Paris....

Toda mulher deveria ter quatorze anos.(Nelson Rodrigues)

Fez-se da vida uma aventura errante (Vinicius de Moraes)

A calma é inimiga da perfeição

"Não importa. Tente outra vez. Fracasse outra vez. Fracasse melhor" Samuel Beckett

"Toda mulher devia ser a Sandra Bullock"

"A Tsunami é Aqui!"

"Sou uma espécie de Glória Magadan da vida real"

"O chato em essência não existe...O chato é, antes de tudo, uma visão do outro..."

"A fecundação é muito parecida com o garçom que mistura leite ao café. Apenas isso. O início da gravidez é um café com leite."

"A Internet, repito, imbeciliza as pessoas."

"O que as pessoas chamam cultura não é senão um termo pitoresco para a sua ignorância." Saul Bellow.

"Quanto mais conheço analisandos, mais desprezo a Psicanálise."

"Dormir de dia é um suicídio inconcluso"

"O uísque é como um GATO engarrafado. O melhor amigo do Homem" Vinícius e Geraldo

"A vida é como executar um concerto de violino ao mesmo tempo em que se aprende a tocar o instrumento"Samuel Butler

"A pior forma de solidão é a companhia de um paulista" Nelson Rodrigues

"Ser me ocupa bastante" A. Gide

"Nada como a brancura cadevérica de um Pé"

"Acordar é como um renascer com as cartas marcadas

"A fé sem liturgia não tem o fulgor, não tem nada feérico, é como uma fé apagada, inexplicável, pequena, dúbia".
"Matar-se é fazer poesia!".

"'Quando homens pequenos lançam grandes sombras, é porque a noite está chegando" Nathaniel Lee

"Só o suicida morre dignamente".

Caminho de cabeça baixa pela praia da vida catando uma esperança.

Todos os dias são para mim meu último dia. Um dia, sem me dar conta, meu dia será o último para todos. .

O Orkut é uma espécie de lembrança e alerta virtual para um possível não vivido. .

29.11.05

Os três textos abaixos são republicações..... originais de 2002
    |

A angústia em estado bruto me parece mais um reflexo do inconsciente, de algo que está em nós, mas não é claro. É diferente de estarmos tristes ou descontentes e nem sempre está relacionada a um acontecimento 'paupável'... a gente acorda angustiado... simplesmete já está angustiado seja lá o dia que for, faça chuva ou sol.... e essa sensação normalmente é aplacada com o álcool ou barbituricos...ou ainda revela-se num comportamento anormal...
na verdade, é pura angústia e é importante estar atento para ela, saber que, naquele momento, estamos angustiados...

é importante ainda dar o devido valor ao sentimento, não descartá-lo, jamais fingir que pode 'ser deixado de lado'....
a angústia é real, existe como a dor de cabeça...
culturalmente, não temos essa referência... não sabemos entender que estamos angustiados... até porque a palavra angústia, na maioria das vezes, é utilizada de forma errada... mistura-se angústia com tristeza ou mal estar ou tensão pré-menstrual...

existe uma relação da angústia com o sonho... não por ele propriamente, mas pela liberdade do inconsciente, mas são apenas teses, trabalhos e teorias que sempre estão em discussão e são 'provados' e, depois, 'negados'... coisas da medicina, da psicologia... se a medicina já tem lá suas instabilidades e áreas claudicantes, imagine-se a psicologia... essa trabalha numa área tão instável, tão próxima da metafísica que, invariavelmente, aproxima-se do sobrenatural [se me entendem]...

e a angústia?
me perdi
    |

ainda sobre o blog

o que ocorre é uma certa angústia com o (des) caminho da juventude.
bem verdade que não existe nenhuma novidade na afirmação [sempre foi assim]...
quando você encontra um velho caderno repleto de anotações, pensamentos, incorformismos e tal... bom, você tem uma sensação rigorosamente diversa de quando lê um blog...
eu tenho muitos problemas com a informática, com a digitalização do homem e sua obra. É preciso tentar compreender o que digo para não cairmos naquela besteirada toda de achar que sou um saudosista, um reacionário [aos novos meios] ou, simplesmente, alguém que não consegue 'enxergar o futuro'. Nada disso. Seria tolo e idiota renegar ou não ser feliz pelos meios que ora dispomos. São fantásticos. O mundo jamais será o mesmo depois... da internet, por exemplo.

O que incomoda de fato é a banalização, a 'facilidade' com que tudo é construído e desconstruído [principalmente desconstruído]...porque o homem não é efêmero como sua obra digital... o homem tem uma complexidade tal (ver neurologia) que não é possível entender o mundo mínimamente, sem perceber a essência humana e todo o seu mistério, toda a sua 'possibilidade'...
a coisa 'rasa' americana é, ao mesmo tempo, importante como possibilidade de difundir idéias, mas, absurda na sua capacidade de desconstrução...

o que eu encontro [na maioria das vezes] é uma garotada desbundada com a possibilidade de assistir pequenos clipes em seus computadores, com a possibilidade de criarem eles mesmos seus personagens e histórias....mas não conhecerem o que foi feito, ou melhor, as bases... não acho que Ovídio ou Sheakespeare ou Tolstói sejam importantes 'em si'. São os contadores de histórias de suas épocas... como Godard e Spielberg [claro]
a diferença é que a obra de Godard, por exemplo, implica, automáticamente, no conhecimento de um [certo] todo para sua absorção.
Na rubrica antropolia do Houaiss "Rubrica: antropologia.
assimilação de uma crença, uma cultura etc., pela fusão com outra mais ampla, forte ou influente"

quer dizer, a absorção implica na assimilação ampla, de um todo.... e isso não fica claro (nem de longe!) na cultura digital...
(continua)
    |

a mentira das mulheres

agora falando sério: não houve nenhuma liberação, nenhum movimento de mulheres, nenhuma conquista... é só ver a coisa do ponto de vista histórico e econômico... a mulher de classe média sempre foi acomodada, nunca quis nada com o trabalho nem com as atividades [que elas mesmas chamavam de 'masculinas']... o homem nunca foi esse 'chefe de família' que mandava e desmandava como tentam hoje dizer...

as mulheres das classes mais pobres sempre, sempre trabalham e muito... sempre tiveram jornada dupla... eram babás, cozinheiras, faxineiras, lavadeiras, etc... por que? porque as famílias pobres não podiam viver apenas com o salário do homem, precisavam trabalhar para compor a renda familiar (e o homem nunca foi machista, sempre deixou as mulheres trabalharem)
as dondocas, casadas com homens mais abastados ficavam em casa, na boa, sem fazer nada... essa é a verdade... o que mudou foi a economia, a revolução foi econômica e não feminista... o padrão de vida mudou, o consumo aumentou muito e os salários dos homens não bastavam mais para manter um determinado padrão social... aí, a mulher foi obrigada a trabalhar e aproveitou pra fingir que estava se 'liberando', se libertando do jugo do macho.... tudo mentira...
o movimento feminista é um engodo que não pode virar história. Se dependesse exclusivamete das mulheres, estavam todas em casa bordando de perninhas pro ar. A revolução foi econômica

    |
25.11.05

re - - - > fragmento [2002]


sentado à mesa, buscou as folhas na caixa ao lado. no copo, a pena. escreveu como se fosse pela última vez. - - - -> e poderia mesmo ser. escreveu por todos os dias e noites angustiados... por todos os dias em desassossego [ e como houveram dias assim ! ]
parou de escrever e percebeu-se chorando. Um chorar leve e manso. Poucas lágrimas grossas por toda aquela vida.
não. não era apenas pela sua vida, mas por muitas vidas.
possivelmente, por todas as vidas que existiram e existirão.
o que fazemos nós? que luta ingrata travamos contra o destino tão mais poderoso?
- - - - - -
quem somos que não vemos?
por que somos se não sabemos?
por quanto lutamos se nada levamos?
- - - -
texto barato? deixa então a pena de lado e roda pela casa. olha o álcool, o tabaco e os cadernos.
tudo em vão. tudo se perderá sempre. cabelos e barbas brancas.
vida de buscador, catador, apanhador, sonhador.
medo do sonho. medo [negado] do irreal, do não paupável [também negado]
- - - - -> quanto mais será necessário para perceber que nada se altera...? que o universo se expande inexorável, rumo ao nada eterno. e esse nada está dentro de si e do outro e dos outros e de todos...
que niilismo é esse que transforma homens em nadas?
não é isso o que deseja. Mas o que é, então?
a pena desliza pelo papel como o sonho corre e mostra ao doente, embriagado de morfina para aplacar a dor...
embriagado de morfina.
qual a diferença entre estar morrendo com morfina ou dormindo e saudável? quais os mistérios que diferenciam um do outro?
quem ousará discutir com o que não é ou não sabe ou não conhece?
- - - - - - -> melhor seria não dizer nada e ver televisão eternamente, como quem sublimou a última existência.
cândido é assistir televisão sem imaginar outra opção.
acreditou e fracassou <- - - > quando outros fracassaram por não acreditarem.
agora é um velho e o que se espera dos velhos? nada mais.
....
esse retrato sépia pode ser encontrado em cada quarteirão das grandes e pequenas cidades.
não sei o que quer dizer.
não sei de onde veio a inspiração [embora nada tenha de bom].
são apenas palavras, dessas que melhor seria não existirem. não sobre o papel.
mas não serei o primeiro nem o último
    |
22.11.05

E essa discussão agora por causa das grandes empresas que estão sendo processadas por estarem digitalizando bibliotecas inteiras? Claro que é um fato, que não tem volta, que, como a música e a imagem, os livros vão estar todos na internet mais cedo ou mais tarde. É um absurdo por vários motivos: como fica o direito autoral dos escritores, como fica a vida da gente? Acham que podemos ler livros e mais livros em frente a um computador [ou ainda que inventem um equipamento transportável]? Por enquanto não vai dar certo. Talvez para as futuras gerações. Mas perder o prazer táctil do livro, o cheiro do papel e da tinta? Claro que é possível, mas não será uma coisa fácil. O homem tem a cultura do livro. Não sei quantas gerações serão necessárias para tirar isso, para que o prazer de ler torne-se uma atividade on-line, numa tela iluminada e colorida. Bom, não estarei aqui pra ver essas coisas, tava só pensando.
    |

Fui mal compreendido quando falei da baderna na França. Disse que o povo brasileiro é bovino, mas não disse que os descendentes de imigrantes têm razão de implantar a anarquia. De maneira nenhuma. A França pode não gerar TODOS os empregos necessários, mas dá assistência completa a todos. Portanto, a anarquia deve ser [como está sendo] combatida e sufocada na porrada [como foi].
    |
19.11.05

Beijo Grego

Converso com um amigo sobre a entrevista na televisão. Ok, parece que temos uma briga ferrenha pelos números de acessos a blogs. Cada um usando a arma que tem, uma guerra declarada pra ver quem é mais lido. Não existem mais parâmetros e fico pensando no futuro da internet (que questiono sempre). Uma prostituta consegue publicar um livro porque fez um blog falando do seu trabalho de uma forma mais aberta, escandalosa e tal. Fala do Beijo Grego e todo mundo voa pro Google pra ver que diabos é isso. A mulher pára no programa do Jô e no dia seguinte não se consegue entrar no blog, tantos os acessos e é capaz do livro vender muito. O que as pessoas querem? Querem sacanagem, ler sobre sacanagem e aparece alguém profissional da sacanagem que resolve escrever.

Se eu estou com ciúmes? Não, claro que não. Aqui vem pouca gente, mas é um pessoal fiel que segue as desventuras do Sobretudo de Lona, [suas aventuras também], mas não posso deixar de tocar nesse assunto. Se eu contar toda a minha vida sexual, se contar que de noite me transformo num travesti famoso e que faço e aconteço, se eu inventar histórias mirabolantes vou ser muito lido? Se contar que cheiro cocaína em cima da Bíblia e me chamo Sabrina, que sou amante de um conhecido político casado e pai de quatro filhos, homem religioso, crente fervoroso... Bom se eu contar que estuprei e matei um menino quando era adolescente e que sou doente mental e que sei trepar embaixo da geladeira... Essas coisas farão com que meu blog seja mais lido?

Mas eu não sou neguinha, não sou Sabrina, sou heterossexual e minha aventura é toda filosófica, mesmo assim uma filosofia de almanaque, mas enfim, não importa. Sou todo uma interrogação só e fico pensando no futuro, na composição do tempo, se Eram os Deuses Astronautas e se Deus realmente existe e me guia [como eu torço para que sim e me designe um anjo que me proteja!].

Fico especulando quanto tempo isso tudo vai durar e onde vai terminar essa história. As prostitutas ganham mais dinheiro na internet do que com a própria prostituição e me pergunto se um dia dirão que escrever blogs é a mais velha profissão humana. Pode ser. Sem as regras voltamos ao questionamento de sempre: o que as pessoas querem ler na internet? Querem saber quem foi Napoleão ou saber o que é um Beijo Grego? A julgar pelo sucesso, querem saber sobre o Beijo, que não é nada. É uma fonte de prazer sexual, talvez notável porque pouco falada. Ora, façam-me o favor! Ah, Beijo Grego é um beijo no cú. Satisfeitos?
- - - - - - - - - -

P.S. Consegui entrar no blog da moça. Diz que está muito satisfeita por causa do sucesso, que não pára de dar entrevistas e quem escreve críticas é porque está se mordendo de inveja. Então tá.

    |
16.11.05

Sobre Sobretudo

É um assunto que eu ia guardar para o ano que vem, já que muitas coisas estão em jogo, mas duas correspondências em especial me fazem considerar algumas coisas desse Sobretudo de Lona. Não sou eu nem ele, talvez os dois ou ainda talvez uma dissidência minha por um lado e dele por outro. Porque é isso mesmo. O Sobretudo de Lona caminhou durante dez, quinze dias [para ficar num exemplo curto] pelas ruas da cidade, num processo de reconhecimento de si mesmo, uma procura incansável atrás desse eu ou desse nós, que constituímos uma entidade solitária andando debaixo d'água, de temporais e chuva fina.

Há sim, esse homem atravessando avenidas e vielas, zonas abastadas ou miseráveis, igrejas e prostíbulos. Existe ainda essa angustiante procura de respostas para os sentimentos mais íntimos e para as eternas dúvidas que não são dele, Sobretudo, mas, antes, humanas. Imagino que o que esse caminhante solitário [de motocicleta ou a pé] representa é a busca que começou já insana há não sei mais quantos milhares de anos. Milhares de anos. E agora o questionamento torna-se individual só porque resolvi publicá-lo?

Sou nada [apenas o meu tudo]. Sou o UM. Aquele que roda e olha, que conversa sobre Medéia e sobre o jornal mais popular. Dirá isso, se perguntado, o Sobretudo de Lona. Uma marca. Um meio de expressar a saudável ansiedade de mexer em alfarrábios e entender as super novas. O que transita na virtualidade, nos binários, mas se comove ao ouvir a festa de aniversário para a menina bonita. Porque a menina é o início... é 'lá na frente' enquanto todo esse edifício do pensamento é o agora com passado, é o agora que caminha para o fim, que não canta 'Parabéns' nem tem mais bolinho [nem nada, nem ninguém]. O que importa de verdade é a menina bonita, é a torcida por seu bom e sagrado futuro.

E quantas mais meninas [e meninos] estiverem agora festejando o passar dos seus aninhos, coisa mais importante não há. Sobretudo transita já em outra perspectiva, em outra esfera, no caminho dos que já viveram e perguntam como as crianças. Sobretudo conclui que continua se perguntando como a menina, como todas as crianças. Não importa se é no asfalto e na calada da noite, não importa se é solitário, debruçado no teclado com a tela de luz, se está sóbrio ou não. São dois momentos do TODO. E o TODO pergunta. O TODO vai narrando o que experimenta, constata, descobre, percebe [e tudo o mais que não viu ainda!]

Não confundir as coisas. Não se deixar confundir. Um homem e um símbolo ou vice e versa, uma experiência de vida e a narração dessa experiência e todas as dúvidas, todos os medos, toda a aventura que há nessa Terra. Experienciar [isso mesmo] cada estrada, cada arranha-céu e cada átomo. Cada velho e cada criança. Homem ou mulher. Emaranhado de circunstâncias, de vida rediviva, de morte que vem [virá], tudo é um experimento só. E esse experimento continua, essa miscelânea, sopa, gosma, marca, riso, dor... Tudo somos nós: Sobretudo e eu.

    |
12.11.05

Destino?

Me perdi na rua molhada de chuva, essa chuvinha agora miúda que foi quase tempestade..... pelo meio fio corre essa água suja com todo o tipo de objetos que possam vir, desde guimbas de cigarro até um barquinho de papel que o garoto fez mais lá pra cima.... a água corre inundando meu corpo e minha cabeça [como corre água na minha cabeça!].... sigo um pouco mais, rua abaixo deixando para trás as casas de paredes pichadas, a igreja com rachaduras na parede e o mendigo que sorri para mim, mostrando o que é a rua... não sei se entendo a rua. Algumas vezes acho que é passagem, meio de caminho, lugar nenhum onde corremos em direção a algum lugar.... quando não estou de ressaca acho que a rua é o ponto final, é a minha casa, é onde está a minha casa, meu fim. Nosso fim, nossa meta, nosso rumo e destino é uma casa numa rua. Apenas isso? Corremos por todo o dia, por todos os meses e anos sempre de uma rua para a outra, sempre na poeira, sol e chuva, andamos apressados e entramos no lotação, tropeçamos em pedras soltas, soltamos a imaginação e tudo sempre para chegar a um ponto, uma casa numa rua. E nas ruas andam todos, caminham de olhos baixos ou distantes, caminham apressados ou alheios, esbarram homens em velhos e crianças, cadeiras de rodas e atletas... no asfalto podemos terminar, ali, estatelados como um tomate podre ou podemos avançar ou retroceder ou ainda não sair do lugar, presos ao chão sem saber pra onde seguir... a rua é nosso apêndice, nossa continuação, nossa via que vem e que vai, nosso composto arterial, ilusão perdida, temporária despedida do amor ou palco para a partida final. Sigo em frente sempre pela chuva e pela noite, pelo dia e pelo sol [nesse emaranhado de cruzamentos afoitos ou espectralmente vazios]... meu destino é caminhar e buscar e me perder e me encontrar e voltar e voltar para, por fim, chegar na rua [minha].
    |
11.11.05

...por fim, penso que o melhor é ter sempre à mão um bloco e uma caneta.... aí a gente pode escrever coisas [mesmo esparsas] porque não tem crítica... blog é bacana, mas é escrever pensando no outro [pode ser bom] e não dá pra escrever pensando no outro sempre.... tudo isso dos 3 últimos posts ficariam muito melhor num bloco que eu fechasse e pronto..... É isso.
    |

porque é importante ficar quieto e [se der vontade] pensar...
*Tem coisas que a gente deve pensar muito, que são muito particulares..
(acho que serve usar isso aqui pra dizer que não se pode dizer tudo...)
    |

Tem dias [ou semanas/meses] que a gente não tem nada para dizer. Vejo textos na net que não dizem nada, pessoas que escrevem só pra escrever alguma coisa [de certa forma estou fazendo isso aqui, agora].... mas não.... escrevem como se fosse importante... existem períodos que é melhor ler do que escrever, ou olhar para a rachadura do teto e pensar na passagem do tempo [ou na finitude]...
    |
8.11.05

Não acho legal a baderna, a arruaça. Mas fico vendo como um povo pode reagir quando um governo não cumpre com suas mínimas obrigações nesse caso agora da França. Filhos e imigrantes, gente de origem diferente da européia, francesa, não tem os mesmos direitos, tem um índice grande de desemprego. O governo age de maneira errada, não cuida do que, de quem, afinal, é seu povo. E o que esse povo faz? Implanta o caos no país, desconstrói a França aos olhos do mundo.

O Brasil faz muito pior com o povo brasileiro. Não só com descendentes de estrangeiros como nativos. O povo brasileiro tem a pior distribuição de renda, sofre com os mais altos juros do mundo, é desempregado, não tem Saúde, Segurança, Educação, Moradia. O povo brasileiro come mal, vive mal. E como reagimos? Elegendo um ditador em potencial, andando pacatamente de cabeça baixa pelas ruas.

Nossos formadores de opinião são chinfrins, insistem num obsoleto comunismo. O Brasil é o único país do mundo que não tem Direita, não tem opção eleitoral. A anarquia por aqui é praticada pelos comunistas do MST que invadem propriedades em nome do social. A violência das cidades não é justa. São bandos de traficantes roubando, estuprando e matando trabalhadores inocentes diante de governos incapazes..

Vendo o movimento da França que, através da baderna, de incêndios, violência pra valer contra o governo, vai chamando a atenção do mundo para as mazelas de uma parte da população, percebemos a índole servil do povo brasileiro. Fica realçada a criminosa orientação dos intelectuais de esquerda, formadores de opinião de um povo que se ilude, acha que é bonito e feliz. Povo carnavalesco e fantasiado, mas que é miserável de verdade, o ano inteiro. Uma vergonha.

    |
7.11.05

É nesse

"Há sempre um ponto fora
um ponto além da tela
da moldura
da armação dos óculos
um ponto além da linha do horizonte
na quina alheia ao campo visual.
E é nesse ponto
nesse ponto ausente
que se atam os nós
e traçam os rumos das
coisas por narcer
ditas
destino."

Marina Colassanti
[Fino Sangue]
    |
6.11.05

O compromisso me traz rapidamente aqui porque tem um pequeno grupo de pessoas que vêem ler e eu de vez em quando não coloco nada. Ou nada de interessante. Não se iludam: tenho consciência disso. Ando escrevendo muito nos cadernos e tem umas coisas que virão para cá. Foi uma fase meio braba, dessas que a gente tem que dar uma sumida, uma saída do ar. Os motivos são vários, tem gente que percebe melhor, tem gente que insiste na cabeça dura. Não acho legal ficar repetindo determinadas coisas. Tenho feito certas viagens também, buscado caminhos, experiências muito íntimas que não teriam valor para ninguém que não eu mesmo. São essas coisas que fazem a gente se afastar um pouco, deixar quieto, em repouso. Procurei deixar todo mundo quieto. Talvez agora esteja voltando para falar de umas coisinhas. Enquanto isso, ganha-se tempo lendo COMPLÔ CONTRA A AMÉRICA DE Philip Roth, repetindo, meu autor moderno preferido. Tem o Caetano que está lançando um livro também, né? E o Saramago que está nos mais vendidos.... Leituras fáceis para mentes cansadas... Leitura menos fácil é POETAS QUE PENSARAM O MUNDO, organização de Adauto Novaes. Para esse, estou fora por enquanto.
    |
5.11.05

"Celulites não são apenas celulites, elas querem dizer ...
'Eu sou gostosa'. Só que em braile!!"
( Rita Cadilac ).

"O homem é um ser tão dependente, que até pra ser corno precisa
da ajuda da mulher. Pra ser viúvo também..."
( Dercy Gonçalves ).

"Por maior que seja o buraco em que você se encontra, pense que,
por enquanto, ainda não há terra em cima."
(Arafat ).

"Se um dia, a vida lhe der as costas. Passe a mão na bunda dela."
( Nelson Rodrigues )

"Passar a mulher para trás é fácil, difícil é passar adiante."
(Eduardo Suplicy ) .

    |

Recebo a carta dela, carta que estava esperando há duas semanas. Ela foi para o lugar, para a casa de recuperação, foi triste, mas com esperanças de se recuperar logo. Sua carta é triste e muito sofrida, detalha todos os sintomas do que está sentindo nesses primeiros dias de abstinência.

Pede que eu não divulgue detalhes, acha que isso pode desestimular outras pessoas, no que concordo. Diz apenas que é duro, muito duro, é um longo caminho que está começando. Reconhece que tem que seguir, ir até o final, tem que se livrar da dependência. Ela quer se libertar, quer ficar boa.

Diz que está sendo bem tratada, que as pessoas dão muita atenção e carinho, mas parece que nada é o bastante porque vem uma coisa de dentro para fora, algo que ninguém pode aplacar, um mal estar, angústia, incapacidade de fazer ou pensar em qualquer coisa. Uma obsessão. Não sabe até quando vai agüentar, mas está lutando.

Permite que sua correspondência seja divulgada apenas como uma alerta, como um sério alerta para que as pessoas não entrem, não iniciem o que pode parecer prazeroso no início, mas que se tornará, vício, dependência física e psíquica e um doloroso processo no fim para se libertar.

É o que eu posso contar por aqui. Cada um que tire sua lição, cada um entenda como bem entender e reflita o que está fazendo, o que está usando, cada um perceba que todas são estradas que, em algum momento terão um final.

    |
2.11.05

SÓ?

médico fecha o cortinado que separa a cama das demais. Tem ainda a papeleta na mão. Outra médica se aproxima e pergunta como está o paciente. Só, responde o médico. A médica ainda muito nova, uma residente recém admitida, não quis discutir com o veterano, assentiu e continuou o caminho.

O médico entrou no outro corredor ainda com o prontuário do paciente nas mãos. Parou, limpou os óculos na ponta do jaleco e perguntou-se o que era aquilo, que doença era aquela. Tomou o elevador e foi até a sua pequena, mas confortável sala. Buscou por um tempo na estante de canto e retirou um grosso volume. Afinal, o que era aquilo?

Três horas depois desceu novamente à enfermaria e novamente foi falar com o paciente. Este continuava acordado, olhando para o teto, pensando em alguma coisa certamente muito distante dali. Médico e paciente conversaram um pouco. O paciente reagiu bem aos exames e falaram ainda de algumas amenidades. O médico resolveu insistir e perguntou mais uma vez a quem devia avisar. O paciente sorriu e o médico fechou novamente o cortinado. Só.

    |
1.11.05

Azul

Desci do meu quarto no hotel e fui ao bar no outro lado da rua. Bar fechado e pequeno. Muita fumaça e gente falando. Clichê. Tomei dois uísques praticamente seguidos, no balcão. A angústia estava demorando mais a passar. A perda de dois conhecidos assim tão próximos e tão perto uma da outra. Morte. Não damos muito valor à vida porque a vida é chata.

A morte também é chata. A idéia da morte. Por isso não ficamos pensando nisso toda hora, embora seja nossa única certeza. É porque é chato pensar e admitir a morte. E ver os conhecidos morrendo é desagradável, é como se a morte quisesse lembrar a todos que existe, que está por ali, não se sabe onde nem quando.

Posso então fazer um estudo sobre a morte, minha curiosidade, meus medos e até uma certa sedução (entendam bem, por favor). A morte seduz como o maremoto e os raios, mas isso é outra história. Clichê também. Então não posso ficar teorizando sobre a morte, tenho que falar da vida, dos dias ensolarados e das lindas borboletas. Certo.

Mas em dois dias seguidos duas pessoas conhecidas morrem assim, horas depois de estarem comigo. Dou uma olhada na janela e o sol sumiu, só tem chuva. Bebo mais um uísque e começo a ficar mais calmo. Penso no que vou escrever hoje, o que vi nos jornais ou soube por gente que me conta coisas. Nada de especial. Tiroteios, mortes, fome.

Vejo isso nos jornais, na televisão, na internet e ouço no rádio. Saio andando do bar chutando pedras, sabendo que tenho que escrever sobre céu azul e belíssimas borboletas. Vem ao meu encontro uma gangue de pivetes. Enfio a mão no bolso numa atitude suspeita e eles acreditam que eu possa estar armado e passam, [atentos]. E o céu não fica azul.

    |