Por favor, me negue o cumprimento.


SORRIA!

....

...são pedaços de papel, folhas de cadernos, guardanapos sujos e restos de cabeça insone...

Leia da forma que achar melhor, não tenha compromisso com nada. Eu também não tenho.


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ARME-SE MAIS!



Não possuo nenhuma expectativa maior em relação às pessoas. Convivo com elas na sua justa medida.

O impossível na raça humana são justamente as pessoas.

Definitivamente, o silêncio não é dos inocentes.

Por mais que eu pense bem ou mal das pessoas, elas sempre me surpreendem.

O Blog é uma "Carta de Intenções" raramente cumprida.

Eu vivo dos meus desequilíbrios* Copyright Nicka.

Sempre teremos Paris....

Toda mulher deveria ter quatorze anos.(Nelson Rodrigues)

Fez-se da vida uma aventura errante (Vinicius de Moraes)

A calma é inimiga da perfeição

"Não importa. Tente outra vez. Fracasse outra vez. Fracasse melhor" Samuel Beckett

"Toda mulher devia ser a Sandra Bullock"

"A Tsunami é Aqui!"

"Sou uma espécie de Glória Magadan da vida real"

"O chato em essência não existe...O chato é, antes de tudo, uma visão do outro..."

"A fecundação é muito parecida com o garçom que mistura leite ao café. Apenas isso. O início da gravidez é um café com leite."

"A Internet, repito, imbeciliza as pessoas."

"O que as pessoas chamam cultura não é senão um termo pitoresco para a sua ignorância." Saul Bellow.

"Quanto mais conheço analisandos, mais desprezo a Psicanálise."

"Dormir de dia é um suicídio inconcluso"

"O uísque é como um GATO engarrafado. O melhor amigo do Homem" Vinícius e Geraldo

"A vida é como executar um concerto de violino ao mesmo tempo em que se aprende a tocar o instrumento"Samuel Butler

"A pior forma de solidão é a companhia de um paulista" Nelson Rodrigues

"Ser me ocupa bastante" A. Gide

"Nada como a brancura cadevérica de um Pé"

"Acordar é como um renascer com as cartas marcadas

"A fé sem liturgia não tem o fulgor, não tem nada feérico, é como uma fé apagada, inexplicável, pequena, dúbia".
"Matar-se é fazer poesia!".

"'Quando homens pequenos lançam grandes sombras, é porque a noite está chegando" Nathaniel Lee

"Só o suicida morre dignamente".

Caminho de cabeça baixa pela praia da vida catando uma esperança.

Todos os dias são para mim meu último dia. Um dia, sem me dar conta, meu dia será o último para todos. .

O Orkut é uma espécie de lembrança e alerta virtual para um possível não vivido. .

22.3.06

Papelaria União

Vendo máquinas de escrever em funcionamento, pessoas datilografando... isso me dá uma saudade, um sentimento estranho... Saber que não terei mais as máquinas, será para sempre o teclado do computador. Me dizem que é besteira, que não posso andar contra o meu tempo [e é verdade], mas quem nunca datilografou não sabe mesmo do que estou falando. Quem não teve fichas de papel cartão, pastas de cartolina, arquivos de ferro... quem não amarrou cadernos com elásticos etc... enfim, é não saber nada de um mundo inteiro, uma memória e um material de escrita e arquivamento que existiu até ontem, que foi nossa memória....
Ou por outra... quem não teve a oportunidade de passar algumas tardes com a tia na Papelaria União, não sabe nada do que estou dizendo...
Tudo isso era pra falar de uma outra coisa, do filme Capote, mas não tem como juntar um pensamento com o outro. Melhor deixar para lá. Deixar cair nesse buraco negro do esquecimento. Ver o que posso fazer daqui pra frente (mesmo que não seja muito). Continuar me esforçando pra me recuperar (já quase totalmente). Lutar contra as dificuldades do dia a dia [mínimas quando se pensa no todo]. Enfim, me convencer que não tinha nada mesmo pra escrever agora... Só relembrar nossas tardes felizes na Papelaria União

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21.3.06

Tempo?

O que muda? Sempre disse a mim mesmo que não muda nada, que é uma bobagem, convenção. Mas não é verdade, sou forçado a reconhecer. Muda tudo, mudam os hábitos, a maneira de olhar para a vida. Sim... ainda continuo acgando que a vida é um jardim em que entramos por um lado, percorremos e saímos pelo outro. A vida está lá e não com cada um de nós. A vida existe independente dos vivos embora só por esses possa ser percebida. Releio e me parece uma bobagem. Acho que não é.
Quem está por trás de tudo isso? Ninguém, acredito. Talvez o que esteja nesse dito por trás seja o que chamamos de Mistério [por desconhecido] já que de misterioso tem nada. Sou porque sou. Como um dia não fui e outro deixarei de ser. Se assim pé, por que o espanto de ser nesse momento? Por que ver mistério do dia iluminado de sol?
Mas enfim, isso é matéria para pensadores, o que não sou, sendo quando tanto mais um vivente. O jovem me pergunta e tento mostrar as vantagens e desvantagens do simples anonimato, da vida sem glamour. Não. Não é isso. Não soube dizer bem. Esse é um problema recorrente nos blogs onde gente não qualificada dá pra escrever e publicar por aí sem saber muito bem como fazer [como é o meu caso].
Mas comecei por outro motivo. Não tem nada a ver com toda essa história [que parece novela curta]. Foi só para dizer que faz diferença sim que, se dá leveza por um lado, trás peso por outro. Se conhecimento por um, certeza da ignorância completa por outro...
E assim eu poderia ficar escrevendo horas, sempre [como até agora] sem dizer muita coisa. Mas não é nada. Foi simplesmente um desabafo, a vontade de poder dizer alguma coisa, poder escrever numa data em que, há muito e muito tempo atrás, era eu o nada e vim ao mundo não para ser algo especial, mas ingrediente de uma massa, de um caldo que transita pelo jardim da existência sejam quais flores [e ervas] por ele existam.
E o que mais? Assistir Capote.

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20.3.06

Sempre Viajante

Nesse finalzinho, nessa saideira dessa época, desse tempo, faltando apenas uma hora recebo um e.mail com uma frase: 'Gosto muito mais do aniversário dos outros do que do meu'.
Custo um pouco a entender até ler a assinatura do remetente. E aí fico feliz e penso nessa história de remetentes. Como o remetente é importante. Tudo tem seu devido valor não pelo tudo que é, pelo em si, mas antes, pelo remetente. Um remetente pode trazer a alegria ou a paz ou os dois, enviando apenas um ponto e vírgula. Pode mandar uma carta em branco, assinada simplesmente. Pode nem assinar, apondo apenas uma inicial. Tanto faz. Cabe a quem recebe entender, decifrar a mensagem e se comprazer de ter sido lembrado por uma determinada pessoa, numa determinada hora, de um determinado lugar. Os lugares são todos próximos. Não temos mais fronteiras, não precisamos mais de tempo nem de dinheiro para atravessas ruas, bairros, estados, países. Tudo é ali. Todos estão sempre ao alcance e a gente é que não se toca. A gente é que se deixa perder.

Porque isso a gente continua fazendo. Continuamos nos perdendo uns dos outros, mesmo que esses outros sejam tão caros, importantes, queridos. As vezes fico pensando que a tecnologia avança, mas nossa alma claudica, falha, não percebe, não sente. Dia desses tava lendo uma dessas bobagens que falam em sentir, na química e toda aquela baboseira de frases feitas. Não é nada disso: é muito pior! Continuamos a nos perder como se as fronteiras de um bairro, uma cidade ou um estado fossem realmente intransponíveis, como se andássemos de coche. Não. Positivamente não estamos ainda preparados para viver esse mundo em que o sentir e a química podem ser de zeros e uns sim senhor! O que eu tenho a dizer? Se Um Viajante Numa Noite de Inverno...

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Resguardo

Quando eu tinha 15, 20 anos dizia que a vida me era indiferente, que não temia a morte, etc. Não são todos os jovens que dizem isso, não é uma característica da juventude. O jovem pensa menos na morte, tem mais coragem para fazer as coisas e não se dá conta de perigos nem se preocupa com excessos porque a velhice [e a mote] se afiguram coisas distantes, coisas de uma outra geração.
Hoje, véspera dos 51 anos tudo mudou, devo confessar. Fiquei muito mais prudente, cuidadoso e reconheço mesmo, com muito medo da morte. É um medo diferente dos outros porque a natureza, sábia, nos faz não pensar na morte todo o tempo, já que é inevitável. Mas pensamos nas doenças que a preconizam, na possibilidade de ficar inválido ou todas essas tantas mazelas que envolvem os mais velhos.
Pode ainda ser uma outra coisa, pode ser um sintoma neurótico, desses que os remédios amenizam, mas não suprimem e, vira e mexe, estamos lá pensando em como vai ser se ficamos assim ou assado.
Porque esse é o verdadeiro problema. Não é a morte em si porque essa é certa e estamos atavicamente acostumados com sua possibilidade, ela nos é íntima. Não, não é a morte: é o que a precede. Como estaremos, em que condições? Haverá muito sofrimento? Daremos demasiado trabalho para terceiros? E quando sequer temos esses Terceiros?
Releio e me certifico de que é neurose, que as pessoas mais compensadas emocionalmente vivem a vida e não pensam nessas coisas, esperam que chegue o destino e imponha lá o que está traçado. Aliás, quando falo em destino me vem à cabeça uma série de considerações sobre ele. Já escrevi uma coisa ou outra sobre o destino, mas não disse tudo o que penso pelo simples motivos de mudar eventualmente de opinião e não haver uma regra clara: alguém que prove por A mais B que existe ou não o tal destino.
Mas aí já é divagação e tais pensamentos, acredito, ficam mais bem explicitados nos diários de papel, manual, desses que a gente tem e escreve, mas estão longe dos olhares alheios, não são públicos. Mais uma vez fico vendo que as novas tecnologias são ótimas, mas não substituem determinados conceitos milenarmente mais antigos.

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Volta

Quando abriu o jornal, surpreende-se com a matéria sobre blogs: cada vez mais pessoas escrevem seus textos e publica. Tem pra todo o gosto, todo sexo, pra qualquer pessoa que saiba ler ou enxergue uma fotografia.
Como estou mesmo sempre na contra mão (e o mal já tem cinco anos), fico me perguntando qual a vantagem de escrever alguma coisa por aqui, deixar impressões e relatos de um dia a dia sem maiores experiências, narrar fatos de uma vida comum (das mais comuns, dessas em que não acontece nada de diferente).
Me perguntam ainda, os mais ácidos, porque retomei a escrita se tenho essa opinião. Poderia responder várias coisas, inclusive que as pessoas não têm nada a ver com o que eu faço, no escurinho da minha sala, mas respondo que estou descontando os muitos meses parados, que estou avaliando uma possível volta (retorno) das atividades intelectuais, se é que se pode assim. Mais ou menos como a pessoa que ficou seis meses sem andar e, quando recupera a faculdade, começa a andar de um lado para o outro, não que seja realmente preciso, mas, antes, pelo próprio prazer de executar uma atitude banal que foi tabu nos últimos tempos.
Acho que comigo pode acontecer a mesma coisa. Não tenho certeza. Bem verdade que consigo escrever, mas nenhum assunto interessante me vem à mente (e como poderia vir se estive confinado por tanto tempo, seguindo essa rotina de acordar, ver televisão e dormir novamente?).
Poderia sim falar de atualidades, do mar de lama do governo petista, da cara de pau do Lula presidente ou ainda da minha nova terapeuta depois de um desenlace que durava trinta anos com meu antigo psiquiatra, mas o que teria isso de interessante? Realmente nada. Contento-me em olhar o editor de texto e fico feliz de ter produzido umas não sei quantas linhas, uma espécie de fisioterapia intelectual.
Bom, não acredito que nada disso tenha muito a ver. Portanto, não sei se vou continuar ou não (é mais provável que, mostrando a mim mesmo minha capacidade, eu pare por falta de assunto interessante, já que nunca fiz daqui um espaço patético de Meu Querido Diário). Realmente ainda não sei.

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18.3.06

Ia falar umas outras coisas, mas não adianta agora querer recuperar o tempo perdido. Nem perdido foi. Na verdade, dei férias às pessoas que puderam fazer coisas mais úteis parando em outros sítios que não este e agora muito pouco virão já que, como todo sumido, esquecido foi.

Teria mais fama se contasse histórias de beijos gregos e outras estripulias muito mais da imaginação do que na cama mesmo porque na cama faz-se muito menos coisas do que se fala e muito menos ainda do que se pensa, já que o ato sexual é um pálido e tênue reflexo da fantasia, esta sim, tão pulsante em nossos corações e mentes. Por isso muitas coisas se explicam, muitas práticas idem, se bem me entendem. Mas eu ia mesmo era falar de outra coisa, de um certo trânsito numa certa Ipanema que perde um pouco da beleza com suas ruas tingidas de amarelo, um amarelo triste e solitário das fileiras de táxis vazios que rondam o bairro como mortos vivos, mais mortos do que vivos.

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De novo

Tudo tem um antes e um depois, como aquele ditadinho que fala em Tempo de Viver, Tempo de Morrer. Nem uma coisa nem outra. Não vou viver mais nem morrer por agora. Queria apenas fazer um registro. Nesse estranho sábado de manhã tão ensolarada e tarde chuvosa descubro nas folhas literárias de meu jornal que sai por aqui mais um livro de Nick Hornby. A crítica fala mal (mas as críticas sempre falam mal). Vou comprar, portanto. Depois talvez até conte o que achei.
Tem O Jardineiro Fiel e Capote, títulos que eu devia ter lido, mas a doença me impediu. Quem sabe não leio tudo agora? Só espero não encontrar nada chato como As Intermitências da Morte de Saramago, dos livros mais chatos que já tentei ler na vida.
No mais? Nada... a impressão de que fazer 51 anos é mais ou menos como roubarem a azeitona do meu pastel.

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