Por favor, me negue o cumprimento.


SORRIA!

....

...são pedaços de papel, folhas de cadernos, guardanapos sujos e restos de cabeça insone...

Leia da forma que achar melhor, não tenha compromisso com nada. Eu também não tenho.


English




ARME-SE MAIS!



Não possuo nenhuma expectativa maior em relação às pessoas. Convivo com elas na sua justa medida.

O impossível na raça humana são justamente as pessoas.

Definitivamente, o silêncio não é dos inocentes.

Por mais que eu pense bem ou mal das pessoas, elas sempre me surpreendem.

O Blog é uma "Carta de Intenções" raramente cumprida.

Eu vivo dos meus desequilíbrios* Copyright Nicka.

Sempre teremos Paris....

Toda mulher deveria ter quatorze anos.(Nelson Rodrigues)

Fez-se da vida uma aventura errante (Vinicius de Moraes)

A calma é inimiga da perfeição

"Não importa. Tente outra vez. Fracasse outra vez. Fracasse melhor" Samuel Beckett

"Toda mulher devia ser a Sandra Bullock"

"A Tsunami é Aqui!"

"Sou uma espécie de Glória Magadan da vida real"

"O chato em essência não existe...O chato é, antes de tudo, uma visão do outro..."

"A fecundação é muito parecida com o garçom que mistura leite ao café. Apenas isso. O início da gravidez é um café com leite."

"A Internet, repito, imbeciliza as pessoas."

"O que as pessoas chamam cultura não é senão um termo pitoresco para a sua ignorância." Saul Bellow.

"Quanto mais conheço analisandos, mais desprezo a Psicanálise."

"Dormir de dia é um suicídio inconcluso"

"O uísque é como um GATO engarrafado. O melhor amigo do Homem" Vinícius e Geraldo

"A vida é como executar um concerto de violino ao mesmo tempo em que se aprende a tocar o instrumento"Samuel Butler

"A pior forma de solidão é a companhia de um paulista" Nelson Rodrigues

"Ser me ocupa bastante" A. Gide

"Nada como a brancura cadevérica de um Pé"

"Acordar é como um renascer com as cartas marcadas

"A fé sem liturgia não tem o fulgor, não tem nada feérico, é como uma fé apagada, inexplicável, pequena, dúbia".
"Matar-se é fazer poesia!".

"'Quando homens pequenos lançam grandes sombras, é porque a noite está chegando" Nathaniel Lee

"Só o suicida morre dignamente".

Caminho de cabeça baixa pela praia da vida catando uma esperança.

Todos os dias são para mim meu último dia. Um dia, sem me dar conta, meu dia será o último para todos. .

O Orkut é uma espécie de lembrança e alerta virtual para um possível não vivido. .

31.1.07

ODEIO COMPUTADORES !!!!!!
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30.1.07

Pessoal,
pane à bordo. Vírus pra todo lado, CPU fervendo igual a minha cabeça, enfim, estamos no estaleiro.

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29.1.07

Todos os caminhos se cruzam, não tem escapatória. Mesmo dando a volta ao mundo acabarei no mesmo lugar e o universo é curvo o que me deixa a impressão de espaço- fim, de quebra-cabeças, pós labirinto. Caí a última expectativa de infinito recolocando-me nesse mundo materialista e finito como de resto, a vida. Não me surpreende.
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Concluo anotações no caderno reservado à crítica de blogs. Um dia, com paciência talvez eu publique por aqui, não sei se vale muito à pena. Meu caderno sobre o assunto trata dos temas que causam revolta aos tolinhos jekas da sociedade em rede, gente que está usando espaço importante para a irrelevância das suas inculturas.

Teve uma marola há pouco tempo, coisa de pequena monta, obra de loucura para uns e absoluta falta de caráter para outros. Isso já está superado. A discussão é maior, é sobre o que continua sendo falado, na ordenação da troca de informações. Nesse sábado estive com um grupo que estuda o assunto e constatei que existem muitos processos em andamento para a melhoria dos conteúdos. Muita gente aparentemente inocente, que só publica fotos de cândidas flores, é critica feroz da blogosfera e trabalha para uma revolução.

Os caminhos da revolução não estão totalmente traçados, vista a grandiosidade e rotatividade do que é escrito. São várias matizes, castas, culturas. Existem portanto inocentes ignorantões e ladinos medianos agarrados a um anonimato tosco achando que estão sendo vistos exatamente como o que não são, escritores da vida.

É consenso que não se espera aqui a cátedra, o hermetismo ou a erudição [para isso temos a literatura], mas uma certa boa vontade, uma certa compreensão da sociedade em rede, entendimento que o que é publicado está sendo absorvido por alguém, portanto existe a responsabilidade atávica de não disseminar o que induza a erro. A internet não tem volta, portanto, é preciso cuidar dela com atenção, a mesma atenção que se espera dos povos para com o meio ambiente. Afinal, a internet está e é feita por seres desse ambiente.

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Emocionante mesmo foi o especial TOM JOBIM, EU SEI QUE VOU TE AMAR. Tudo, absolutamente tudo de Tom Jobim é genial e saber que ele não está vivo causa uma sensação triste, estranha, a certeza do orfanato. Tinha escrito aqui umas coisas sobre ele, mas é tudo besteira. O que nos resta é ouvir todas as suas canções, assistir a todos os DVDs e ser grato por ele ter existido.
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28.1.07

Nossa conversa é sobre minha maneira de viver, sobre morar sozinho e me dedicar a coisas íntimas como ler e escrever, atividades intelectuais que não divido com ninguém. Explico que não é isso, podemos nos dedicar às mesmas atividades sendo casados ou tendo um harén, tanto faz. De qualquer forma estarei sozinho, comigo mesmo.

Ela me diz que não, que não tem capacidade emocional para viver sozinha e prefere ter um companheiro mesmo que não tenha amor, mas pela companhia, pela certeza de ter alguém a seu lado diariamente. Uma opinião, evidentemente, mas fiquei pensando um bocado nisso, lembrando de casais conhecidos e multiplicando-os por outros tantos que nunca ouvi falar.

Como deve existir gente acomodada em relações que não são boas nem más, frias, nem quentes, que são apenas relações, alguma coisa que lembra a sociedade, quando uma das partes não pode arcar sozinha com o peso da empresa. Essa pessoa me explicou ainda que não mantém sua relação por instabilidade financeira, mas para ter estabilidade emocional.

Eu sempre disse que o homem é essencialmente social e que ele precisa se acasalar, casar, prova está que temos hoje a Humanidade. Com seus núcleos em países cidades, etc. E agora eu vou de encontro a tudo isso e anuncio ao mundo que prefiro viver sozinho, na boa e fiel companhia do meu Artur, bem como das atividades introspectivas que escolhi.

Diante disso, virei eu o estranho, o ermitão, o excêntrico que cumpre com todas as suas obrigações, mas tem seu mundo próprio, indevassável, próprio para si mesmo, onde não existem obrigações e sim um certo relaxamento, uma certa desobrigação absoluta em relação a qualquer coisa que não seja o que meu espírito pede para o momento. Enfim, concluo que o mundo é habitado por seres estranhos mesmo, cada um com suas manias e necessidades e, certamente, todos carentes.

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27.1.07

G

E essa mulher se desnuda para mim, assim como abrem as flores e muitas vezes não percebemos. Não tenho como não perceber porque o faz dentro da minha casa, ao meu lado como a mostrar que a realidade se dilacerou, espatifou, coração mais assanhado nessa ânsia de querer.
Quero sim.

Quero sim e quero mais e ela sabe o porquê e está ali, desabrochada me esperando, provocando, chamando para compartilhar o que tem, o que é. Não é mais dela só, dividiu comigo, como é para se dividir porque não somos mais dois, mas um dessa maneira complexa que não se pode mesmo narrar. Coisas de nuvens e flores, coisas de gozo eterno que provoca a ira ao mesmo tempo da entrega.

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Minha janela para o mundo

Ela me apareceu assim, do nada, de quando e onde eu menos esperava. Pé ante pé. Conversamos um pouco e ela estava agressiva, ressabiada, querendo saber mais de mim. Acho que é normal, queremos mesmo saber mais dos outros. Aquela pessoa estava se aproximando e sua doçura me conquistava na medida em que se mostrava frágil, assustada com a vida. Acho que tentei mostrar que também sou assustado com a vida, que ela já me pregou das boas.

A verdade é que vamos nos aproximando porque sabemos que o encontro não foi por acaso ou se foi, dá no mesmo, importa é o ato de encontrar, descobrir, descortinar um ao outro, mostrando-nos. Foi logo uma explosão de prazer, desse irracionais como descargas elétricas e isso, muitas vezes, assusta também. Deve ser porque estamos vivos, porque vivemos carentes nesse mundo, porque a sociedade não aproxima como parece, mas, antes, afasta. Existe uma solidão crônica no mundo mesmo quando estamos cercados de pessoas, quando corremos de um lado para o outro, quando não temos tempo para nada. Tudo ilusão.

Estamos tremendamente sozinhos, o homem se aglutina, mas o EU está destacado, só, caminhante errante numa busca sem fim, numa corrida desabalada em busca da redenção que parece estar sempre logo ali, alguns metros adiante, mas que nos escapa eternamente. O mito de Sísifo se amplia de outras formas, não é só vertical, não só levar a pedra ao cume do morro, é horizontal também. Os que nascem aqui deveriam ser chamados Sísifos e não Terrestres.

Olho pela janela novamente e lá estão as centenas de janelas de apartamentos como a me provocar a curiosidade do que acontece no interior de cada um deles mesmo sabendo de antemão que, à grosso modo, são viventes como eu, com problemas análogos.
O que eu mudou foi a espacialidade da minha observação e olho o mundo também por aqui, janela de maior alcance com certeza ainda que por meios binários e, por enquanto, não naturais.

Quando a janela do meu monitor será tão natural quanto a janela da minha casinha, quando vou perder o preconceito? Melhor: quando vamos todos perder o preconceito? G. está do outro lado, debatendo-se na sua dúvida angustiante entre o real e o imaginário, considerando que aqui fosse imaginário, o que não é. Encontro então essa pessoa e nos mostramos um ao outro e vemos que temos nossas vidas, nossas necessidades, medos, angústias e buscas de certezas. Já repeti que há muito tempo deixei de perguntar POR QUE?

Caçadores somos todos nós, inconscientes dessa busca incessante, correndo contra o relógio cósmico, buscando o ombro, o calor do corpo que nos acolhe, da vida que pode ser dividida (porque vidas devem ser divididas) e, ao mesmo tempo, recuando quando nos aparecemos um para o outro. Temos essa pulsão, eu e G. que faz perdermos a consciência, essas descargas de energia e a que chamaremos isso?

Como definir tudo isso se nos falamos e vemos, se sabemos o que está acontecendo, mas a janela é outra, uma que não imaginávamos há 15 anos, uma ainda criança tecnológica que, de repente, se imiscui em nossa vida transformando-se numa realidade oblíqua, transversa? Parece então que não é verdadeiro, pode parecer num primeiro momento, mas nosso sentimento, coração e cérebro e corpo estão comprometidos... ou seja, é diferente, mas é verdadeiro. E daí a necessidade de saber o que virá depois, de definir antes as coisas, o mais rápido porque o tempo nos açoita, quando na verdade o tempo aqui pode ser outro, pode ser um baú infinito e sempre revisitado.

Vou em frente escrevendo, teclando como se diz, me mostrando e querendo mais, possessivo como todo ser humano, talvez querendo o que agora é impossível, mas sem certeza disso. O que vale é o que manda o coração, é a explosão elétrica, a descarga, o saber de que o outro está aqui e não ali como parece. A net nos ilude como uma casa de espelhos circenses, fazendo que a gente não saiba mais onde está, pra que lado olhar e o que realmente está sendo refletido, para que lado. Um mundo em que os cacos do espelho explodem em viramos centenas, mas somos sempre um. Talvez mais intenso.

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Cora Ronái revê sua opinião de que loucura não é para amadores e disserta sobre a loucura e de como devemos respeitá-la. Ok, concordo. O SubRosa hoje foi tirado do ar. Portanto, para mim, uma pá de cal, o assunto está definitivamente enterrado
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26.1.07

Sobre a farsa jeka da morte da Sub Meg, Cora Ronái se abstém dizendo que locura não é para amadores. Ela tem razão, mas muitos de nós não somos amadores. E patifaria da grossa pode ser desmascarado por amadores sim... ou por loucos, não importa como chamar.
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O Vermelho

Continuo interessado nas iluminuras do século XVI. Recebo correspondência de um leitor dizendo que algumas Casas de Cultura que têm catálogos sobre elas. Não sei. Vou checar, dar uma olhada, mas cada dia me convenço mais de que precisaria realmente ir a Istambul. Ontem recebi uma pista de um livreiro de lá que provavelmente arranha no português. Mandei uma carta ainda sem resposta.

Não consigo me adiantar no livro porque sempre vou atrás das referências e... sim, a net não tem quase nada. Tem que ser nos livros e museus mesmo. Nomes de personagens descritos como O Negro, O Vermelho, etc. Ele estava com o material nas mãos quando escreveu a grande obra. Já sei que tem gente que leu e passou batido. To fora, eu preciso conhecer essa história direito.

Como podem haver coisas no mundo que não conhecemos? Como assim? O mundo é meu e a vida é breve. É preciso investigar o bastante, o possível... morrer ainda na expectativa de encontrar mais algumas coisas. Claro que parece doideira, são milhões de anos com artistas produzindo coisas. Claro que não dá pra ver tudo. Mas o livro não me permite passear por um mundo que eu não faço nem idéia.

O Brasil não tem cultura, faz uma confusão danada e fala dessa nossa cultura do samba, por exemplo. Ora bolas! Isso não é cultura, isso é manifestação isolada de lazer (dos índios nativos, dos africanos com pinceladas de uma certa expressão italiana, nada mais). Com esses dois mandatos de Lulismo, vamos nos afundar muito mais!
Tinha um encontro marcado no mosteiro aqui no centro com Frei M. que sempre me acolhe com uma palavra de incentivo e me abre sua biblioteca. Não terei tempo de ir até lá hoje.

A invasão chinesa e européia destruíram a concentração dos livros produzidos milenarmente pelos árabes. A Torre de Babel é uma realidade absoluta hoje como o foi em suas descrições. Nesse aspecto a globalização e a sociedade em rede podem ter lá suas facilidades, mas existem sérios entraves porque não se tem catalogado onde estão cada uma das coleções. Fico me perguntando como fui me envolver com esse livro, mas agora é tarde e a angústia do Negro me corrói. Terei agora no final de semana dois dias para me envolver um pouco com tudo isso.

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Vésperas de show

Dia de reuniões, umas atrás das outras. Tentei um adiamento da estréia, mas foi impossível. O pessoal está tendo que se virar e acho que vão emendar trabalhando todos os dias até a hora das gravações. O grupo anda estressado, com calendários nas mãos, contando e recontando os dias que nos restam. Não tem jeito, só mobilização geral e botar pra quebrar. Eu..... ahaha, ando enfurnado nos estúdios e nas salas edição checando o que está sendo produzido. A atriz desiste da ponte aérea e se instala logo num hotel aqui... e tome de cobrir olheiras!
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25.1.07

O que é importante...

Momentos imperdíveis de criação para a retomada dos trabalhos. Formei pequenos grupos, cada um com incumbências específicas para que todos os detalhes sejam tratados. Ontem fizemos mais testes de luz [fantástica tenacidade dos Iluminadores em buscar o tom perfeito!].
O Produtor de Arte passa os dias em busca de figurinos específicos para a atriz que, nervosa, vai fazendo as provas num tira e bota de enlouquecer.

Estamos gravando os testes em dois VTs separados, para que os profissionais possam fazer suas próprias reuniões de criação e críticas. Os textos, por outro lado, continuam sendo escritos e reescritos com adaptações para a personalidade da atriz e para o todo que se desenha ao seu redor como pano de fundo. Os materiais para a construção do cenário vão chegando e sendo analisados um a um pelo cenógrafo que tem a idéia já estruturada em imagens de computador em três dimensões, mas sabe que a realidade é sempre angustiantemente outra.

As dificuldades são as de sempre, como se fosse uma nova produção [e é], movimentando os Produtores em buscas de tantas e tais coisas que são feitos mapas para que não se percam na profusão de tarefas criativas.
Aliás, esse processo de criação é feito individualmente, cada profissional da equipe faz e refaz seu trabalho procurando a perfeição e a união das pessoas em grupo não diminui o individual processo de cada um.

Sei que estamos trabalhando num processo que será assistido por milhões e tenho enorme peso sobre as costas, sensação alegre de saber que vou divertir e informar, fazer pensar e formar opiniões. Esse é mesmo o trabalho do artista, qualquer um, de qualquer área. Aprendi que será considerado arte se eu disser que é e o grupo que assiste assim o receber e concordar. Não preciso da aprovação de terceiros, de supostos críticos jekas que misturam tudo e opinam sobre o meu trabalho querendo na verdade, falar de mim [muitas vezes mal de mim, o que é engraçado].

Saímos do estúdio ontem todos mortos de cansaço, de alegrias e algumas decepções, com as certezas e dúvidas das coisas que ainda terão que ser mudadas e refeitas. Sucumbimos e a mesa de um agradável bar foi o porto seguro, regado a chope, para refazermos todo o processo, ou seja, continuando a discussão iniciada nos estúdios. Rá rá... Todo mundo querendo relaxar, mas o processo criativo e de muito trabalho foi conosco ao botequim. Não deixa a gente em paz rs.

Mais tarde o lugar vai se enchendo mais e vão se juntando mesas, uns sondando outros sobre isso aquilo até com os olhares. Sim, muitas perguntas. Metralhadoras de perguntas que esperam uma palavra definitiva, que esperam uma aprovação ou não, um sim que perdure ou um não que defina.
Infelizmente não é assim. O todo não está pronto na minha cabeça, o quadro está sendo pintado e não sei que traços ensaiarei hoje e muito menos se eu mesmo vou aprová-los.

A coisa continua hoje, mais em outra área, em determinadas atitudes práticas relevantes que, por vezes, acabam nos escapando diante do todo. Os livros de referências estão todos aqui em minha escrivaninha, mas nada encontro que facilite o caminho. Não há literatura especializada. Portanto, ok, já sei que estou sozinho [e tão bem acompanhado!], que vou levar adiante até o momento derradeiro e após este porque a estréia não é o fim e sim o começo de uma série de novas propostas, interrogações e tentativas de melhorias à cada apresentação. Enfim, fui eu que escolhi, eu que troquei a cátedra pela auto exposição, por propiciar aos outros a opção de prazer, análise e crítica.

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fiz um comentário do blog do suposto Paulo Cesar Miranda, mas não será publicado. Ele tem um sistema de censura. Tudo muito compatível.
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24.1.07

Uma pergunta que não quer calar....
Quem é na verdade Paulo José Miranda?
Qual o seu verdadeiro interesse na mórbida e burlesca farsa jeka da Sub Meg?

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A. é doce e usa palavras comedidas ao tratar do assunto. Não é bem assim. Há muitos anos uma possível MEG escreve um blog arrotando uma cultura duvidosa (e por isso discutimos tanto!) e uma formação acadêmica, bem como trabalhos duvidoses que nunca foram vistos. Os blogs, como eu disse antes são nosso meio de comunicação e expressão que, entre outras coisas, servem para informar, divertir, trazer carinho e aproximar pessoas. Uma ferramenta de nossa época globalizada, que permite a união de pessoas queridas em torno de idéias.
Pelo que me lembro, essa tal de MEG sempre acrescentou a isso sua "cátedra" e discorreu sobre personalidades como se fosse íntima de todas elas.
Nunca foi uma relação agradável e vejo agora gente falando em 'carinho' e 'apoio' de uma pessoa que apenas ditava regras e comportamentos. Agora, por causa de seu (TAMBÉM NÃO CERTO, MAS ALARDEADO CÂNCER) espalha a notícia da morte multiplicando em milhares o acesso a seu blog. As pessoas que eram de seu convívio virtual (eu não era mais) não se manifestaram em nenhum momento. Não há uma linha sobre ela entre as suas "queridas". Essas pessoas também estão sendo cúmplices no seu silêncio. Parece que todo mundo tem medo de mostrar a cara, de dizer que duvida desse falecimento jeka.
Então fica aqui o post, a dúvida e a lembrança de muita coisa ruim que também foi disseminada pela suposta autora daquele blog.
E não tem nada não... Se morreu... parará, morreu. Não me sinto culpado. Se não morreu, vai entrar na história não como quem deu um golpe de mestre, mas como quem capitulou diante da sua própria mediocridade. O Silêncio dos outros, repito, me incomoda, agride, o medo de falar, questionar, quando em outras épocas falavam tanto. Penso que, a continuar assim, não será o desmarcaramento de uma ignóbil patética, mas de metásteses virtuais que vão todas agora sere extirpadas do nosso convívio, da nossa comunidade de troca de carinhos e sinceridades. Parece que Meg não era sozinha. Tratava-se uma quadrilha virtual que nos fez perder tempo lendo tolice atrás de tolice, dia após dia. Vamos adiante, os que podem mostrar a cara.

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ATENÇÃO

Recebo essa importante corresnpodência de A. São perguntas que estão na cabeça de todos. Trata-se de mais um passo da comunidade em busca da verdade sobre a possível (E MUITO PROVÁVEL) FARSA PATÉTICA perpetuada no Blog Sub Rosa por uma dita MEG. Mais tarde eu digo porquê é importante nesse momento. Aí vai:


"Pessoas...
Eu creio que uma maneira honesta e límpida de lidar com esta situação chata seria encaminhar (a quem possa responder) algumas perguntas básicas sobre o acontecimento.
Sei que é extremamente chato, mas também suponho que as respostas (se chegarem) aliviariam bastante a angústia de amigos e pessoas que não estão entendendo o que está acontecendo.
Eu fiz uma listinha (minhas dúvidas são muitas). Talvez outras pessoas queiram incluir perguntas nesta lista. Então estou enviando isto aos que me parecem estar tão confusos quanto eu. Podemos pensar juntos sobre o assunto. Pela resposta do JPM ao Sergio, não me parece que ele esteja receptivo para respostas... mas, quem sabe, se houver uma "postagem coletiva", semelhante à proposta que ele mesmo fez, possa mudar de idéia.
As perguntas que eu faço são objetivas. Eu teria perguntas bem mais complexas a fazer (como a existência de blogs e comentários de Tereza Quetzal relacionados ao Paulo entre julho e outubro/2006), mas suponho que as perguntas simples podem ajudar primeiro. Não posso afirmar nada sobre o que ninguém me responde.

Perguntas importantes:

1) Qual foi exatamente a data, o horário e o local do falecimento de Meg?

2) Ela estava internada no Hospital Monte Sinai em N. York? Quem era o médico responsável?

4) Havia com ela, no hospital uma pessoa amiga chamada Tereza? Em tempo integral?

5) Tereza mora em N.York? Onde morava antes de cuidar de Meg?

6) Há em algum jornal algum tipo de aviso sobre o falecimento? Alguma notinha em obituários? Em quais jornais?

7} Não houve missa de sétimo dia porque Meg era agnóstica? Então qual a razão das duas missas anunciadas no dia em que faleceu? E por que razão não houve divulgação dos locais para que os amigos pudessem se unir em oração?

8) Meg foi cremada? Tal cremação ocorreu no Brasil ou em N.York? Quem era o familiar responsável pela autorização dos procedimentos, inclusive a doação de órgãos?

9) Quanto tempo depois do óbito foi necessário para o procedimento de cremação?

10) Quem recebeu a urna com o pó?

11) Meg tinha 37Kg ao falecer?

12) Pode-se considerar natural que alguém passe por 135 sessões de quimioterapia num período tão curto? Não seria o caso de abuso ou negligência médica?

13) Por que não há fotos de Meg divulgadas nesses tantos anos de atuação em Internet?

14) Meg era professora de Filosofia? Qual sua formação? Estava ligada a quais instituições?

13) Por que razão a maioria dos "amigos" de Meg são totalmente "virtuais" e nunca a viram? Meg não morava no Rio durante muito tempo?

15) Quem conheceu Meg? Quais as pessoas que lhe eram amigas de confiança?

16) Quem é Tereza Quetzal?

17) Onde mora Tereza Quetzal? Onde ela está agora? Paris? New York?

18) Quantos anos tinha Meg?

19) Quem fez e quando fez aquela "foto" de Meg publicada no blog do Paulo José Miranda?

20) Meg sempre se apresentou como Professora de Filosofia e Crítica Literária, tendo uma respeitável produção acadêmica sobre Filosofia da Ciência publicada no Brasil e França, publicações na Fundação Calouste-Gulbenkian traduzidas em vários países europeus, críticas literárias e artigos na NYU, UCLA, Rhode Island, FUNARTE, Folha de S. Paulo, O GLOBO, O Estado de São Paulo, o Estadão, ,O LIBERAL e O ESTADO DO PARÁ, revistas das Universidades Federal do Pará e Universidade da Amazônia. Como é possível que apesar de tudo isso, não se encontra uma única referência à ela que não seja em blogs?

21) Por que ela nunca deu uma referência concreta de nenhum desses dados?

22) Meg realmente se chamava Maria Elisa Guimarães?"

Divulguem!


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23.1.07

Do Patético

A história da morte anunciada me pareceria interessante se não fosse tola e ridícula em sua essência. A morte anunciada então, a morte forjada é a bobagem máxima que me reafirma a onipresença do homem em todas as manifestações que se espalham. Acho ainda que a melhor solução para esses deslizes do eu são o acompanhamento de um psiquiatra bem como suas modernas pílulas reguladoras. Venho tendo claros exemplos da falta que esses tratamentos fazem e o que pode ocorrer em cabeças doentias e sem charme, falsas e tolas. A brincadeira da morte foi ensaiada por escritores de talento, relevantes e que logo se mostravam, rindo e fazendo rir. Porque determinadas coisas estão legadas ao poeta, ao artista verdadeiro.

A net, como sempre digo, dissemina milhares de pessoas que antes não escreveriam uma linha num caderno de espiral de terceira qualidade. O blog pode ser motivos de alegria, de troca de idéias, até mesmo troca de sentimentos mais dolorosos, mas sempre tem a função de informar e de acrescentar, agregar. É a liberdade de expressão para todos. Pelo visto, fica explicada uma certa necessidade terrível de controle das mídias porque assim, como uma bobajada pueril que não interfere em nada, já nasce morta, pode-se espalhar coisas relevantes, causadoras de sérios problemas. Mas é muito pior quando pessoas sem escrúpulos e desequilibradas mentalmente encontram eco, apoio em outras, multiplicando em rede tolices, pequenas quadrilhas que, fracassadas individualmente, renegadas pela cultura e pela informação induzem a que escravamos duas ou três linhas sobre elas que são o nada, o patético.

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Em busca de Deus

Em seu Blog, Zel faz o relato de como tornou-se crente no após a morte. Tudo partiu de um sonho. Como ateu, fiquei curioso, perguntando-me se não deveria eu mesmo ter um sonho assim, tão revelador, que me trouxesse a paz da crença, a esperança da vida eterna. Isso porque há muitos anos peregrino em busca da fé, da esperança de não ser apenas um espermatozóide com sorte [ou azar]. Confesso então que busquei catedrais, mesquitas, centros e outros tantos, entregando-me às benesses do Divino. Acendi muitas velas e orei baixinho, do fundo do meu coração.

Caminhei pelas ruas, pelos campos olhando de perto as árvores, nuvens, céu, terra molhada, pequenos animais e flores lindas. Em cada elemento procurei a presença do Criador, firme na proposta de que seria impossível toda essa grandeza vir do nada. Há anos casei com uma interessante mulher, cheia de deliciosas controvérsias, mas mística, com uma inabalável fé e, juntos, no campo, observávamos o estupendo milagre da minúscula Via Láctea. Acendemos tochas nos quintais e convidamos os espíritos que estão na natureza para que compartilhassem conosco aquela espécie de festa pagã.

Minha mulher, nesses momentos, sentia a presença de pequenos espíritos brincalhões que mexiam em flores, saltitavam na pequena fonte artificial de água e voavam ao nosso redor mostrando-se, rindo e abençoando. Eu olhava para esses espaços com os olhos da mulher e imaginava todos aqueles seres etéreos ali, na minha casa, a provarem sua existência e convidando-me para dançar em torno do fogo junto com eles, tornar-me enfim, um ser cósmico. Olhei durante muitas noites com o espírito receptivo, pronto para aceitar esses emissários das forças que nos regem.

Nada disso aconteceu. Por mais força que fizesse, por mais que me sensibilizasse para alcançar a Graça, não me foi concedida. Via apenas mato, flores e uma galáxia medíocre, menor ainda por cima. Dias e noites sucedendo-se naturalmente pelo óbvio movimento de rotação da Terra. Os padres com quem conversei mostraram-se pessoas incultas, despropositadas, vazias ao falarem da religião e dos santos. Antes eu até achava que padres estudavam, mas não: são umas bestas de batina que mais parecem corvos que não sentaram nas carteiras do ginásio. E assim tenho seguindo, vivendo dia após dia, conhecendo pessoas que nascem e assinalando as que morrem como o que há de mais natural.

As pessoas à minha volta em sua grande maioria têm crenças, muitas vezes fortes, são devotas mesmo e isso independe de suas formações intelectuais. Pessoas que carregam consigo a leveza, a certeza de que nada é por acaso, que a vida é a passagem para outro estágio e sorriem ao me fazer a comparação de que por trás de um relógio tem que haver sempre um relojoeiro {Parece que Taiwan derruba essa metáfora].


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22.1.07

Dia cheio. Acertos no computador que está sempre mais pesado do que ele próprio se suporta. Deletei milhares de textos e alguns programas. Na produtora a equipe estava já esperando com as metérias propostas para discutirmos. Aí começa aquela confusão, todo mundo lê, opiniões pra lá e pra cá...um tiroteio intelectual. Falamos de alguns livros e nos propusemos a trabalhar durante a semana. De tarde me apareceu um tipo estranho dizendo que precisava de dois minutos do meu tempo. Achei muito, mas enfim...
Fomos até um canto e ele me falou das suspeitas que estão rolando e da correspondência que me trazia (um pacote embrulhado em papel pardo e amarrado com barbante. Pediu que eu abrisse mais tarde. Perguntei não era uma bomba [sabe-se lá?].

Falamos um tempo sobre o andamento das pesquisas que tenho feito em segredo na internet e acabei por reconhecer o homem como um interlocutor com quem tenho trocado muitas informações. Era um senhor simpático, mais para velho, com uma roupa meio amarfanhada e um estranho chapéu Panamá. Mostrei a ele os cartões dos Açores que estou recebendo e conversamos mais um tempo sobre outras coisas. Ele me falou muito do livro MEU NOME É VERMELHO de Orhan Pamuk, Nobel Literatura 2006. Curiosamente é o que estou lendo agora e falamos um bocado sobre a história das iluminuras da Turquia no século XVI. Tenho curiosidade de ver essas pequenas obras de arte, mas ta difícil pesquisar.

Tomamos um café expresso e falamos dos novos caminhos das relações na internet. Disse a ele o que acho, o fracasso que vai indo a coisa. Imagino que devam haver modificações nesse processo de comunicações [acho que deveria haver um sistema de castas como em Bombaim ou a coisa degringola]. Acabamos perdendo tempo com uns em detrimento de outros, ele me afirmou. Não sei se é isso. O sistemas de buscas estão começando a falhar não por falta, mas por excesso de informações. Uma Babel. A revolução ainda está sendo começando, a net ainda é muito recente, muita coisa para ser feita, aperfeiçoada.

Depois os meninos se juntaram a mim e planejamos melhor os ensaios, a produção de maquiagem, figurinos, luz, filtros, etc. para os ensaios que se aproximam embora hoje eu já tenha certeza de que tudo vai atrasar e muito e as previsões que o pessoal tem para a re-estréia do programa estão totalmente furadas. No mais foi isso. Lili voltou de férias cheia de histórias e fomos tomar um chope depois pra colocarmos os assuntos em dia. Agora, aqui na net, nada de novo, só o previsível

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21.1.07

Dois dias depois que perdi a consciência cheguei a um lugar que me parecia conhecido. Levei algumas horas para reconhecer a nova rua que habito, a frente do novo edifício de apartamentos. Eu estava aqui, saí, me perdi por dois dias [explico depois] e voltei. Nesses dias estive acompanhado de um velho de longas barbas brancas e sujas que me dizia algumas coisas ininteligíveis entre outras que não eram nada, eram ganidos, latidos, lágrimas, sortilégios. Ele habita as ruas há muito tempo e foi meu guia. Andamos um bocado por estas ruas que me são estranhas, por ruelas de casas aos pedaços, prostitutas velhas, doentes.

Estive completamente fora de mim agora ou agora estive são e o resto da vida fora de mim? Não sei. Depende do ponto de vista, do parâmetro, das expectativas dos outros e minhas. Volto ao meu apartamento e encontro cartas embaixo da porta. A mensagem que me chama mais a atenção é de que a velha não estaria realmente morta. Tem mesmo essas pessoas que anunciam ao mundo que morreram e vão fazer outras coisas, não creio que seja o caso dela. Recebo mensagem eletrônica de A. dizendo que não tem certeza, que não sabe o que está acontecendo.

Lembro blocos muito simétricos, de papel especial, cobertos de cima à baixo com letrinha firme, dessas que dão razão de ser à vida. Não tenho essas correspondências, minhas cartas se perderam. Dou uma volta, tomo uma Coca Cola e percebo que não foi a minha correspondência que se perdeu, fui eu mesmo, nos desvãos da vida que me jogam para lá e para cá, que me fazem conhecer outras coisas e, por isso mesmo, estar sempre preso ao que é meio. Tenho um baú que não mexo há muito tempo e sei que ali tem muita coisa, minha e de outros. Não abro o baú, deixo que ele fique embaixo do sofá velho da sala.

As mulheres são misteriosas. É ancestral, são as donas do mundo. Uma dessas mulheres me pergunta sobre o presente e eu repito que ele não existe, que escorre entre nossos dedos e vira passado, estando já o futuro ali na frente como um Sísifo a querer inventar um novo presente. Fico então preso entre futuro e presente, tendo apenas o passado. Sou um homem de passado. Todos o somos. O que temos para apresentar é uma coisa que foi, que achamos que seria presente, que seria eterna, mas logo se esvaiu em passado. Talvez por isso tenhamos mais mortos do que vivos.

Falava do mistério das mulheres, dessa mulher mãe da terra, senhora de todos os habitantes, mãe, esposa, amante. Mulher que me concebe, se dá a mim por toda a vida e depois cuida de minha mortalha. A mulher sabe da sua condição primordial e sua soberania ancestral. Ela está retratada em toda a literatura, música, artes plásticas, é reverenciada como grande deusa que é. Essa mulher me guia pela vida toda, mostra os caminhos e me empurra às encruzilhadas. Sou um amador das mulheres. Reverencio, beijo a ponta de seus mantos, peço conselhos e calor. Um dia estarei longe daqui, terei voltado ao nada e uma mulher lembrará de mim não necessariamente com carinho. As mulheres, como deusas, com todos os poderes que delas advém têm que ser duras com seus súditos para que o mundo não se torne novamente uma Babel.

Hoje acordei menino e fiquei na cama com o corpo dobrado, pensando no que será, no porquê me perdi e quando realmente estarei sendo eu mesmo, como o pássaro que ensaia seu primeiro vôo. Fico imaginando que a vida todas ensaiamos alguns vôos, uns mais longos, outros nem tanto. E muitos de nós caem em precipícios abissais perdendo-se para sempre. Porque é muito fácil perder-se desse mundo, muito fácil deixar de ser, é muito tênue a linha que demarca se estamos aqui ou não. Olho pela janela e o velho barbudo está sentado na portaria rabiscando alguma coisa. Talvez seja mais uma mensagem para mim. Fecho a cortina e tomo as drogas prescritas. Amanhã, serei um outro.

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19.1.07

Comentário Geral, Salada Geral

Minha janela é um recorte da vida urbana como todas as outras. Vejo os prédios em frente, as pessoas que caminham lá embaixo alheias à minha observação. Existe um mundo que pulsa, de homens e mulheres que chegam às suas casas e outros que saem dos trabalhos em busca de condução. De toda forma, o mundo se movimenta na maioria das vezes para finalizar esse dia. O dia findo é a missão cumprida, a realização daquilo que havia sido previsto ou não. A noite se aproxima, muitas luzes estão acesas.

Vejo as luzes nas janelas e imagino que em cada uma daquelas casas tem pessoas conversando, brincando, se amando, doentes, morrendo. Será que tem alguém escrevendo um blog ou um diário num caderno? É possível. Não, não deve ter. Devem ter pessoas se amando e outras planejando coisas. Muitos planos com certeza porque passamos a vida fazendo planos. Acho que até na hora de morrer estamos fazendo planos, imaginando um jeito de viver, de continuar. Daí o mistério e o dilema do suicídio na filosofia.

Estive reunido com meu grupo, ratamos dos preparativos para as filmagens. Semana que vem faremos todos os testes possíveis. Ensaio geral.Maquiadores, figurinistas, iluminadores, cada um experimentando lá suas coisas e me perguntando o que é melhor. Vou respondendo a cada um mesmo sabendo que na outra semana estarei pensando diferente. Os ensaios são assim.... Planejo as coisas, escrevo, desenho, a equipe se mexe , mas na hora mesmo nada sai igual. Normalmente sai melhor, nem sempre.

Venho fazendo isso há muitos anos e a expectativa é mais comedida, contida, sei exatamente de todas as margens de erro. Os meninos ficam mais entusiasmados, seus olhos brilham e todo mundo fica falando em como vai ser, isso e aquilo. Dou força porque eu gosto mesmo é de trabalhar com a garotada, de velho basta eu. Daqui a pouco estará no ar e estaremos trabalhando febrilmente para fazer um programa atrás do outro, cada um melhor que o outro (também nem sempre acontece..rs).

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18.1.07

Mudando de assunto..... uma coisa interessante é ler o Sub Rosa.... Tenho lido diariamente bons pedaços dos seus arquivos. Muita coisa rica ali. Hoje mesmo estava lendo sobre Primo Levi e outras tantas coisas. Eu lia quando a Meg estava viva, mas sua produção é imensa e nos deixa muita coisa boa pra ler.
Curiosidade: o que acontece com o blog quando uma pessoa morre?
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"Prezado Senhor

Estamos encaminhando os manuscritos por motivos que talvez ainda não tenha atentado. Pois vou revelá-lo: trata-se da descoberta da figura de asas negras desenhadas à lápis. Sabemos exatamente do que se trata. Esta figura esteve muitos anos em meu casarão aqui em Açores. Estamos em dúvida se é a mesma ou outra, a que o senhor vê aí. Adianto que a primeira referência que temos está num caderno de Goya pouco conhecido.

Repare o senhor que essa figura só aparece à noite e nem sempre é palpável (muitas vezes aparecendo sua figura desenhada em cadernos ou folhas de papel esparsas sem o que o senhor a tenha desenhado nem tenha notícia de que alguém o fez). Já passamos pelas interrogações a que o senhor agora se entrega. Fizemos várias pesquisas e só conseguimos a citada referência num caderno menor de Goya. Ele pode ter transcrito alguma visão ou a figura pode ter aparecido em seu caderno também. Não sabemos.

Meu tio não está escrevendo, dita-me agora as cartas que devo remeter, bem como as conclusões em seu centésimo sexto caderno de anotações avulsas. Dia desses apareceu por aqui um livreiro dizendo que ia se estabelecer no Brasil, que tinha interesse em editar os manuscritos ou mesmo comercializá-los, assim, in natura. Titio não disse nem sim nem não e achei melhor não negociar nada.

Entretanto, trabalhamos com um outro pesquisador que usa a internet. Ele imprimiu várias páginas do seu Sobretudo alertando para a coincidência de aparições (sim, ele também sabe do que estamos falando e tem colaborado na pesquisa. Ele é mudo de nascença e está conosco há 23 anos. Esse nosso pesquisador esteve internado aqui num hospital por causa de determinados distúrbios que afirmaram os doutores afirmaram serem psiquiátricos. Não dizemos que sim nem que não. De toda a forma ele reproduz os anjos de asas negras em alguns trabalhos. Não sabemos ainda que relação isso pode ter.

Achamos então que o senhor deve conhecer nosso material para analisá-lo também e corresponder-se conosco. Para finalizar, temos ainda notícia de uma tia distante, de duas gerações passadas, que também desenhava esses anjos. Morreu num asilo para dementes numa época em que não haviam drogas curativas. Apenas numa edição do Lello quatro volumes existe um verbete sobre essa figura ligando-a ao tal caderno de Goya. Não sabemos qual a sua edição do Lello.
Estamos encaminhando já um envelope selado e com o endereço para que o senhor nos encaminhe seus escritos não publicados pelo assunto.

Mui atenciosamente,

Dr. Ali Dhubar"

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17.1.07

Dos selos

A caminhada perpendicular do homenzinho de guarda-chuva prenuncia o que o frio na barriga já anunciara junto com o desaparecimento: coisas estranhas acontecem nesses dias de clima confuso. O clima interfere diretamente no que os crentes chamam de áurea, mas na verdade é a circunvolução de um pensamento passado em momentos de perigo. Confesso que nem medicamentos de última geração diminuem a segregação psíquica impostas a homens de castas mais baixas, desses, nos ônibus de Bombaim.

Imagino que o retrato em branco e preto que o homem de discreto capuz deixou na minha portaria não era uma ameaça, antes o bom augúrio de que estava para nascer uma pessoa (ou aparecer por aqui, quem sabe) que trouxesse lotes de livros raros dos sebos em Porto, Portugal. Tinha ele também uma coleção de gravuras dos Açores e dizia que pertenceram a um bruxo e que sabe-se lá o que ele fez com esses cartões.

É um material muito manuseado que veio acabar na minha casa, em cima da minha escrivaninha e que estudo com a lupa criteriosamente embora nem sempre chegue a conclusões satisfatórias. O homem da filatelia que me telefonou no meio da noite disse que estava com um volume destinado a mim, amarrado em papel pardo e, com certeza era um livro. Não consegui mais dormir e, de manhã bem cedo, fui à Filatelia buscar a encomenda trazendo também cá uns selos interessantes de anjos negros.

Esses anjos negros vêem me perseguindo há dias, já se mostraram na minha casa nova e até em verbetes de enciclopédias de além mar. Trato bem com eles e até desenho alguns com lápis grosso (pretendendo ainda grafitar um na parede do meu recente quarto). Claro que me passou a idéia de fazer uma tatuagem, mas recebi correspondência informando que os anjos devem ter vidas próprias, devem correr daqui para lá para mostrarem-se o mais possível.

Por enquanto aceito a proposta e me olho no espelho de soslaio na esperança de ver uma asa negra passar correndo por trás de mim, mas nada acontece. O silêncio é interrompido apenas pelo som ritmado da goteira na cozinha e o síndico do lugar, esse anão albino, me diz que os ratos não subirão até o meu andar que é alto, o que me diferencia do personagem macabro do filme O Inquilino, de Polansky, do homem que guardava o dente num buraco previamente feito na parede. Não tenho muita certeza não.

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16.1.07

Duas palavras sobre MEG

Escrevo blog há muitos anos e o Sub Rosa da Meg foi um dos meus inspiradores. Troquei várias correspondências com ela. Durante um tempo ela me deu muita força. Um tempo depois tivemos também alguns desencontros. Ela falou e escreveu coisas que eu não gostei. Acabamos brigando por um tempo e eu não fui nada gentil. Os anos passaram e voltei a falar com ela. Sempre soube que estava doente e fui implacável.
Agora ela morreu. Me sinto mal. Gostaria de ter sido mais legal com ela. Não fui. Ela não era uma santa, nada. Mas eu podia ter sido mais tolerante. Não fui. Ela morreu. Pra quem não conheceu, o SubRosa foi um blog muito importante, muito bom. Enfim, é isso.
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15.1.07

MEG do SUB ROSA morreu.
Eu, sinceramente, sinto muito.

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13.1.07

Durmo e acordo. Sem parar. Sonho muito. Meus sonhos estão todos errados, nada daquilo vai acontecer. Sou apenas o danadinho que se encaminha para o final. Aproveito o final de semana e consulto o Lello em quatro volumes. Encontrei finalmente a palavra que vinha buscando há tanto tempo. Essa palavra me aproxima da mulher misteriosa, enfermeira de CTI, que presencia tantas mortes e crê. Converso um tempo com ela, mas não conto nada sobre a pesquisa no Lello.

Sei que tenho que me dividir entre tantas atividades (que no fundo são nenhuma) porque não saí, não dividi, não levei a ninguém. Meu caderno atual está chegando ao final e minhas doenças continuam galopantes. Ela me diz que tem medo de sofrer [meu Deus, uma mulher que só vê a dor tem medo de sofrer!] e sofro eu enquanto transcrevo o verbete do grande livro. Fico olhando para a parede azul e pensando que a solidão tem que ser absoluta, você tem que vivê-la extremamente, tem que ser extremo o seu sentimento.

Paredes coloridas são mentiras que eu copiei, nada é verdadeiramente meu, nada partiu de mim, não criei nada como a Tabacaria. Penso em ir até lá embaixo, mas sei que terá gente, encontrarei pessoas e isso é tudo o que eu não quero. Quero pessoas mágicas que apareçam aqui dentro, que estejam aqui para o que der e vier, mas que eu não tenha que buscá-las. Quero perder o controle, quero me perder completamente e não conseguir mais unir fragmentos do que eu pensava serem pensamentos.

O dia se esvai e nessa parte da cidade nada acontece, pouca gente aparece, é como se existisse apenas na época de trabalhar, como se fosse uma metáfora a um tipo de vida que não existe diariamente. Estou abandonado como sempre quis, eu e meu verbete, minhas drogas, meus cigarros, meus filmes, minhas situações absurdas, daquelas que são apenas sonhadas.
Tudo ficou de cabeça para baixo e eu não consigo arrumar, não consigo fazer com que nada funcione, com que o pensamento seja encaminhado. Ao mesmo tempo, o terror é que não há nada definitivamente errado com aquele maldito verbete!

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10.1.07

Não me faço de rogado, sei tudo de mim, procuro um outro eu que encaminhe tudo melhor para a próxima vez. Se me entendem.
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Não está tudo pronto. Longe. Pouca coisa está pronta, mas conheci essa madrugada o fantasma da casa. De asas negras, rabiscadas como o desenho de um esquizofrênico. Inquieto, pulando aqui e ali e procurando assustar minha vida solitária. Acha ele que é fácil assustar os solitários [e é mesmo]. Sou um solitário acompanhado de um fantasma desenhado à lápis preto. Caderno sem pauta. Capa dura. Sonho acordado. Livro com iluminuras... da Turquia. Não consigo mais me afastar da Turquia e arrabaldes, consumo tudo o que se escreve sobre ali e Ali, entro pela noite sem saber exatamente o que fazer, que personagens seguir. Não foi assim sempre. Muito poucas vezes aconteceu. Não havia o incômodo no pulmão, não havia essa dor e esse desconforto, esse pensamento fixo no que poderá acontecer. Ora, rireis como o Sultão, o que vai acontecer no final de tudo sempre soubemos, mas não é assim, quando se aproxima, tudo muda. O peste riscado com asas negras muda os interruptores de lugar apenas para me incomodar, coloca coisas em meu caminho para que eu tropece e fique assim como um bêbado sonâmbulo que além de tudo não sabe onde está, desses que lê o livro de cabeça para baixo e tem o jornal diariamente colocado na porta do vizinho.
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9.1.07

Entre caixotes que se rasgam deixando escapulir pontas de cuecas e pensamentos de Virginia Wolff, entre um gato que mia desesperado perguntando o que estou fazendo com ele, entre garrafas de uísque quebradas e cigarros com cinzas enormes que caem como podem.... estou chegando... ainda não sei bem, mas estou chegando.... de um ponto ao outro....
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3.1.07

Tudo, de novo, outra vez...

Quando eu estou aqui
Eu vivo esse momento lindo
Olhando pra você
E as mesmas emoções sentindo

São tantas já vividas
São momentos que eu não me esqueci
Detalhes de uma vida
Histórias que eu contei aqui

Amigos eu ganhei
Saudades eu senti partindo
E às vezes eu deixei
Você me ver chorar sorrindo

Sei tudo que o amor é capaz de me dar
Eu sei já sofri, mas não deixo de amar
Se chorei ou se sorri
O importante é que emoções eu vivi

São tantas já vividas
São momentos que eu não me esqueci
Detalhes de uma vida
Histórias que eu contei aqui

Eu estou aqui
Vivendo esse momento lindo
De frente pra você
E as emoções se repetindo

Em paz com a vida e o que ela me traz
Na fé que me faz otimista demais
Se chorei ou se sorri
O importante é que emoções eu vivi


Mais?
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Último Porto

Tem essa coisa toda de que casa dia se morre um pouquinho e essas coisas todas que a gente fala às gargalhadas entre copos de uísque e Malboros em profusão. Tudo é uma grande pilhéria como a própria vida é. A gente vai rindo e se divertindo ou pensando que está, não sei mais. Agora não sei mais, não tenho mais nada a dizer. Estou fazendo minha mudança. Provavelmente a última porque para uma casa própria.

E tem um tom de sombrio brincante. De lá não saio mais vivo. De lá não saio mais para lugar nenhum. Vou ter que procurar meus vãos e desvãos (os cantos escuros me aparecerão logo todos). Pequenas reentrâncias em paredes e madeiras, pequenas ilusões de ótica aqui já tão familiares. Mas não são as ilusões DAQUI que me são familiares, são as ilusões em si, de per-si. Nos enganamos procurando outras ilusões quando elas estão todas em nós e apenas se imprimem nos lugares que vamos habitando.

Vou mais uma vez como sempre fui, como ela sempre disse que eu tinha uma mudinha de roupa na parte de trás da Variant. Chega de utilitários, chega de mudinhas de roupa. Porto definitivo apenas cercado por mar, fim dos marujos. De lá acontecerá tudo, todas as histórias, as não histórias os descaminhos, as lágrimas e gozos. Uns sabem outros não. Tudo isso é uma grande bobagem, vejo agora tardiamente

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MUDANÇA: CAOS
DO CAOS

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