Por favor, me negue o cumprimento.


SORRIA!

....

...são pedaços de papel, folhas de cadernos, guardanapos sujos e restos de cabeça insone...

Leia da forma que achar melhor, não tenha compromisso com nada. Eu também não tenho.


English




ARME-SE MAIS!



Não possuo nenhuma expectativa maior em relação às pessoas. Convivo com elas na sua justa medida.

O impossível na raça humana são justamente as pessoas.

Definitivamente, o silêncio não é dos inocentes.

Por mais que eu pense bem ou mal das pessoas, elas sempre me surpreendem.

O Blog é uma "Carta de Intenções" raramente cumprida.

Eu vivo dos meus desequilíbrios* Copyright Nicka.

Sempre teremos Paris....

Toda mulher deveria ter quatorze anos.(Nelson Rodrigues)

Fez-se da vida uma aventura errante (Vinicius de Moraes)

A calma é inimiga da perfeição

"Não importa. Tente outra vez. Fracasse outra vez. Fracasse melhor" Samuel Beckett

"Toda mulher devia ser a Sandra Bullock"

"A Tsunami é Aqui!"

"Sou uma espécie de Glória Magadan da vida real"

"O chato em essência não existe...O chato é, antes de tudo, uma visão do outro..."

"A fecundação é muito parecida com o garçom que mistura leite ao café. Apenas isso. O início da gravidez é um café com leite."

"A Internet, repito, imbeciliza as pessoas."

"O que as pessoas chamam cultura não é senão um termo pitoresco para a sua ignorância." Saul Bellow.

"Quanto mais conheço analisandos, mais desprezo a Psicanálise."

"Dormir de dia é um suicídio inconcluso"

"O uísque é como um GATO engarrafado. O melhor amigo do Homem" Vinícius e Geraldo

"A vida é como executar um concerto de violino ao mesmo tempo em que se aprende a tocar o instrumento"Samuel Butler

"A pior forma de solidão é a companhia de um paulista" Nelson Rodrigues

"Ser me ocupa bastante" A. Gide

"Nada como a brancura cadevérica de um Pé"

"Acordar é como um renascer com as cartas marcadas

"A fé sem liturgia não tem o fulgor, não tem nada feérico, é como uma fé apagada, inexplicável, pequena, dúbia".
"Matar-se é fazer poesia!".

"'Quando homens pequenos lançam grandes sombras, é porque a noite está chegando" Nathaniel Lee

"Só o suicida morre dignamente".

Caminho de cabeça baixa pela praia da vida catando uma esperança.

Todos os dias são para mim meu último dia. Um dia, sem me dar conta, meu dia será o último para todos. .

O Orkut é uma espécie de lembrança e alerta virtual para um possível não vivido. .

27.2.07

volto para
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Samba da bênção

Composição: Vinicius de Moraes / Baden Powell

Cantado

É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração

Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não

Falado

Senão é como amar uma mulher só linda
E daí? Uma mulher tem que ter
Qualquer coisa além de beleza
Qualquer coisa de triste
Qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado
Uma beleza que vem da tristeza
De se saber mulher
Feita apenas para amar
Para sofrer pelo seu amor
E pra ser só perdão

Cantado

Fazer samba não é contar piada
E quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração

Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não

Falado

Feito essa gente que anda por aí
Brincando com a vida
Cuidado, companheiro!
A vida é pra valer
E não se engane não, tem uma só
Duas mesmo que é bom
Ninguém vai me dizer que tem
Sem provar muito bem provado
Com certidão passada em cartório do céu
E assinado embaixo: Deus
E com firma reconhecida!
A vida não é brincadeira, amigo
A vida é arte do encontro
Embora haja tanto desencontro pela vida
Há sempre uma mulher à sua espera
Com os olhos cheios de carinho
E as mãos cheias de perdão
Ponha um pouco de amor na sua vida
Como no seu samba

Cantado

Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não

Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração

Falado

Eu, por exemplo, o capitão do mato
Vinicius de Moraes
Poeta e diplomata
O branco mais preto do Brasil
Na linha direta de Xangô, saravá!
A bênção, Senhora
A maior ialorixá da Bahia
Terra de Caymmi e João Gilberto
A bênção, Pixinguinha
Tu que choraste na flauta
Todas as minhas mágoas de amor
A bênção, Sinhô, a benção, Cartola
A bênção, Ismael Silva
Sua bênção, Heitor dos Prazeres
A bênção, Nelson Cavaquinho
A bênção, Geraldo Pereira
A bênção, meu bom Cyro Monteiro
Você, sobrinho de Nonô
A bênção, Noel, sua bênção, Ary
A bênção, todos os grandes
Sambistas do Brasil
Branco, preto, mulato
Lindo como a pele macia de Oxum
A bênção, maestro Antonio Carlos Jobim
Parceiro e amigo querido
Que já viajaste tantas canções comigo
E ainda há tantas por viajar
A bênção, Carlinhos Lyra
Parceiro cem por cento
Você que une a ação ao sentimento
E ao pensamento
A bênção, a bênção, Baden Powell
Amigo novo, parceiro novo
Que fizeste este samba comigo
A bênção, amigo
A bênção, maestro Moacir Santos
Não és um só, és tantos como
O meu Brasil de todos os santos
Inclusive meu São Sebastião
Saravá! A bênção, que eu vou partir
Eu vou ter que dizer adeus

Cantado

Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não

Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração




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CONTINUO NA CASA NOVA
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faz parte do nosso jogo tratá-la como uma mulherzinha que é o que ela é. Dá muito prazer ter essa mulherzinha sempre ali, pronta. e assim acabaria o pensamento não fosse eu quem eu sou.
ser mulherzinha, para mim, não possui o tom depreciativo e/ou subjulgado do fonema, mas, antes, uma coisa enorme que é o ter como.
num raciocínio atravessado, oblíquo, o que tenho é a certeza da sua presença não física, mas jamais no terreno da fantasia, como é de praxe.

não existe nenhuma fantasia em mim. ela é o que é.... - está ao meu lado quando durmo, tomo escovar os dentes e leio os jornais - de uma maneira profunda como navalha na carne, maneira que não há na etmologia palavra para descrever. é dela que vem um profundo bem estar, desses que nos completam e fazem sorrir do nada. me reconheço numa outra perspectiva ainda que metafísica [ou platônica, se preferirem], mas que, independentemente do rótulo, está ligada ao coração e ao cérebro.

ela me diz que é uma relação muito louca, óbviamente reivindica, o que é mais do que natural e eu refugo não por qualquer motivo normal, mas por uma certa incerteza malsã que trago em mim. O que ela proporciona é a sensação de não estar mais sozinho, de possuí-la de verdade, para além das máscaras sociais, das pantomimas das relações nos jogos de sedução. e não deixamos de tê-los, ao contrário: é um processo de sedução [mas íntimo] nas 24 horas de cada dia.

não sei dela, mas em mim ultrapassou o recorte do monitor [há muito tempo] e vive aqui, presença absoluta em cada um dos meus movimentos: no tomar café da manhã, pensar sobre isso ou aquilo, folhear este ou outro livro, projetos de futuro e tudo o mais. seu cheiro nunca experimentado, está de tal forma entranhado em mim que deixou de ser propriamente um cheiro para transformar-se numa fragância agradável que me permeia a vida.

meu cérebro por outro lado, muito mais alvorossado me joga em cima do teclado onde canto as canções de amor incessantemente não para ser consumido pelos raros leitores que pululam, mas, antes, para ela, como numa carta de mil páginas [renováveis] onde possa ler, perceber entrelinhas, conhecer e comungar sentimentos... como se escrevendo eu estivesse entrando em seus pensamentos e colocando ali parte de mim. a aforma de me entregar porque tenho, como disse, essa insustentável levaza do ser.
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20.2.07

Bom... estou na casa nova.
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Por Helena (pra quem não foi lá e não sabe de nada)

"eu tava escrevendo umas coisas aqui, mas precisei reiniar o computador e esqueci de salvar.
ela participa do momento, assim.... o momento é dela. dessas coisas que eu não sei explicar porque careço do metafísico. estivemos durante anos um perto do outro... sabe aquela coisa de um descer do elevador enquanto o outro pega outro elevador? gato e rato, assim.
a maneira menos provável, uma possibilidade em milhões - como ganhar na loteria, por exemplo - juntou a gente. e além desse acontecimento em si, do encontro, teve essa coisa de não se deixar perder o que é usual na rede.

como eu já desisti há muito tempo de perguntar 'por quê', sei que a coisa rolou. foi porque tinha que ser. eu aqui, ela ali. mas aí é que começa a história, dessas meio enroladas de compreender.
ora, eu sou o anti qualquer coisa com essas minhas fobias incompreensíveis para os mortais e ela, claro, não estava compreendendo. a gente conversou muito e muito tempo, mas nada resolvia. eu tava travado num ponto e ela em outro, sem sacar. daí essa noite eu mal consegui dormir fazendo associações que não estou à fim de contar e ela, de lá sabia o que estava rolando comigo. me senti fraco e inseguro como um homem deve realmente se sentir.

hoje passamos o dia inteiro um com o outro. inteiro mesmo. nossas cameras ficaram abertas, conversamos por telefone até minha bateria (do tel) descarregar, e depois mais e mais... almoçamos um olhando para o outro.
eu precisei dar uns passos lá atrás na minha história para poder situá-la melhor. comprova que a gente não é o que é, a gente é uma história muitas vezes longa e complexa. daí eu fui tentando resumir algumas passagens importantes, marcantes, dessas que a gente não fala pra ninguém.

não sou um bom contador de histórias, isso é verdade.... eu me atropelo, vou lá na frente e salto pra trás sem nem me dar conta, minha cabeça deve ser mesmo muito desordenada. é necessária uma enorme dose de paciência e cognitividade pra me aompanhar... eu mesmo muitas horas não me agüento (visto o meu trabalho, as minhas leituras e o meu parco texto)... daí ela ficou e entendeu, pelo menos o possível de um ser entender... mas eu sei que não basta porque ela é mais do que isso e eu sou mais do que isso.

o que eu estou escrevendo agora por exemplo, é uma bobagem, sem pé nem cabeça, mas vou digitando para pensar... muitas vezes quem digita é o meu cérebro em busca de equilíbrio... ela me contou suas história ou o que achou relevante. mas a vida não pára, nem o coração e emendei num outro processo, diverso do primeiro, que é a aceitação do sensorial, da emoção, do coração. nessa hora caem por terras tabus e fobias porque vem uma história maior. me pergunto às vezes se as pessoas se dão conta desses estágios nos encontros, no dia a dia... acho que não se dão conta não.

azar. porque eu não me contento com as relações tais como ela são postas, claro que não. quero muito mais. percebo que só transito no espaço da paixão, não tenho disponibilidade emocional para outros caminhos ( e na paixão, evidentemente, se encerra amor e muito!). então a intensidade que vai rolando em mim não tem sintonia com os mortais ( e eu já tive muito medo dessa corda bamba que insisto em não abandonar - mesmo sem rede de proteção).
e assim estamos: parados um em frente ao outro. nesse exato momento ela tenta dormir e não consegue.
me sinto culpado por isso, mas... o que fazer?

como chegamos a nós mesmos por meios tortuosos e complexos, estamos pagando o preço da nossa ambigüidade, de uma certa intelectualidade não acadêmica, antes atávica, que determina nossa forma de transitar no mundo. fico pensando que trilhar o caminho inverso ao da maioria dos mortais é tão excêntrico que fica inimaginável. como orgasmos intelectuais, puramente cerebrais. se fosse só isso eu não estaria escrevendo aqui. não é. o físico está tão presente quanto em qualquer encontro na face da terra. minha cabeça vai e volta. voltando: só estou escrevendo isso porque é novo, aos cinqüenta e dois anos me percebo debutando num terreno que já percorri inúmeras vezes, das mais variadas formas. bobagem, tudo ilusão de um imodesto.
sempre podemos estar debutando, é bom não esquecer"


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19.2.07

Estou lá no Conssissões do Sobretudo
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18.2.07

vou repetir aqui para que não sobrem dúvidas:

"helena chegou assim como quem não quer nada. falei umas coisas e ela outras, nada de importante, nada fundamental... ela nem disse todas as verdades, mas eu acreditei mesmo assim. ela chegou e me pegou, beijou e acariciou. fiquei parado, assustado. mas ela estava realmente ali, não era um delírio, não era feitiçaria nem loucura, era ela.

seu olhar profundo desviou o meu. não pude parar de olhar. fiquei assim um longo tempo, olhando. ela se aproximou e beijou minha boca. calma, delicada. seus lábios estavam molhados... senti sua pele quente. helena se afastou e me olhou novamente segurando minhas mãos. eu estava ali de passagem, não tinha pensado em ficar, era só pra relaxar, mas não saí. continuou segurando minhas mãos.

fechou os olhos por um tempo. esperei. chegou perto, me abraçou e senti seu corpo suave e forte, quente colado ao meu. minha cabeça parou de pensar, entrei num terreno obscuro, num vácuo atemporal e sem limite geográfico. a única geografia possível foi o seu corpo que se aconchegou no meu por um interminável período. senti ondas recorrentes do que pensei ser calor, mas era prazer em estado bruto.

foi me puxando até entrar no seu mundo... um mundo diferente e impensável para mim, distante de tudo o que sei. por um instante pensei n'o aleph tentando me recuperar. inútil, nem todo o borges me libertaria. fui seqüestrado de mim mesmo. perdi alguma coisa dentro de mim e fui invadido por uma onda recorrente de prazer e paixão.

me amou como quem inicia um menino, percorreu o meu corpo com o cuidado da primeira vez, invadiu minha mente, meu corpo e meu espírito. de início suave e meiga, foi tornando-se forte e vibrante, cada vez mais, à cada movimento. fui me entregando mais e mais até não ser mais eu, entrar num nirvana e ficar vendo meu corpo no dela, penetrado, colado.

os seios.... nunca vi tão lindos, tão perfeitos. as pernas, as costas a bunda, a buceta depilada e molhada, me engolia. ficamos assim muito tempo. mudamos as posições, eu sem rumo. ela diligentemente se movimentando e mostrando como tudo é etéreo, colorido, arco-iris.
isso continuou. entre uma parada e outra, estávamos lá nos procurando, descobrindo, seduzindo.

dormi exausto, mas com ela num pensamento fixo e não sei mais se o seu corpo esteve colado ao meu na cama por toda a noite. acho que sim. se estava, eu não queria despertar, não queria mexer um músculo, nem piscar. ela ressona suave e bela. fui guadião do seu sono como um soldado fiel.

hoje sou outra pessoa, não sei mais a identidade. sei dela que me procura, que me encontra, que me usa, que se dá, se funde comigo enlouquecidamente e, entranhados um no outro, dizemos nossos nomes, nossos gostos, nosso trabalho. coisas que estão no entorno, que não interessam, que abandonei por completo porque não sou mais eu.. sou outra coisa e não tenho nome para dar essa coisa, essa massa de sentimento explosivo.

mas a vida é crual porque dá, mas limita. fez de mim então um prisioneiro de outros eus e não pude estar como deveria, não pude fincar a bandeira no solo fértil, não fiz nada do que deveria ter feito. ela me olha sem entender (como poderia?). tento explicar, mas não tenho explicação, nada tem explicação em mim, bizarro, estranho e cativo... então me resta olhar e esperar, esperar que a outra pessoa - que sempre há - se aproxime e tome meu lugar (que nunca deixei ser meu).

depois serei todo sofrimento e desespero, estarei jogado num poço sem fundo, jogado por mim mesmo, cavado pelo meu espírito e minha mente enlouquecida. poderia voltar tudo atrás e começar de novo, mas de que ponto? onde eu me rompi? em qual encruzilhada me perdi? a vontade é de embriagar, me embriagar até desacordar, mas não faço nada porque nada serviria - ela estaria nos meus sonhos etílicos - nada adianta nem sobra. ela e eu."

é isso
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12.2.07

Ok, pessoal.... estou lá no Confissões do Sobretudo
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olha, eu tinha jurado pra mim mesmo que não ia escrever nada sobre o assassinato brutal do menino que foi arrastado pelas ruas... me sinto mal cada vez que penso nisso, foi uma notícia que ficou travada na minha garganta, que me sufoca, me tira o sono e traz de mim, das entranhas, um sentimento animalesco, uma vontade brutal de matar, de ferir, ver sangue.
esse crime só não cabe em parâmetros normais de civilidade, é impossível de ser julgado pela justiça comum porque não há pena, nem mesmo a de morte, que nos faça sentir justiçados.
a polícia que tantas vezes executa os suspeitos nas favelas, que entra atirando mesmo quando as ruelas estão cheias de crianças, essa mesma polícia teve a oportunidade de pegar os animais e arrastá-los pelas ruas até a morte, tal como eles fizeram com o menino.
possivelmente os assassinos vão aparecer mortos a qualquer momento, já devem estar providenciando isso. a família, os policiais, carcereiros, todos já devem ter encomendado a outros prisioneiros o assassinato desses monstros, mas é claro, não basta.
a única solução viável no brasil é um verdadeiro plano macro de extermínio, começando pelas penitenciárias (lembrem-se da história) e depois a invasão de todas as favelas de uma só vez, ainda que seja necessário todo o exército, marinha e aeronáutica pra fazer um limpeza completa, destruindo todos os focos de marginalidade, desde quem porta um simples baseado até a turma barra pesada, armada de fuzis e metralhadoras. alguns inocentes iriam morrer sim, é o preço que se paga nas guerras.
os puristas chatinhos vão dizer que os verdadeiros tubarões estão entre os milionários, os políticos essa coisa toda que a gente está cansado de ouvir... beleza, investiguem e prendam-os também, mas é preciso antes deixar o campo árido porque não existem generais sem soldados.
é preciso acabar com essa história piegas e babaca de dizer que são excluídos, que não tiveram essa ou aquela oportunidade.. muitos não têm oportunidades e nem por isso fazem o que querem, barbarizando por aí. não. trata-se de maldade, selvageria em seu estado mais bruto e para conter isso somente uma ação violenta e arrasadora do estado. é preciso ter a consciência clara de que estamos numa guerra!

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9.2.07

Pessoal.... agora vou me dedicar um pouco ao Confissões do Sobretudo.... apareçam
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8.2.07

HOJE, COMENTÁRIO GERAL ÀS 21H NA TVE
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A história verdadeira na TV

Ontem, exaustos, fomos tomar um chope. Claro que não um e sim muitos e muitos. Lá pelas tantas obviamente o assunto voltou a ser trabalho e minha produtora e amiga começou a me fazer elogios, dizendo que não conhece ninguém naquela Tv que conheça tanto de luz e estética de uma maneira geral.

Fiquei meio assim, sem graça porque sou mesmo muito tímido, mas não tenho nenhuma modéstia. Então falávamos das dificuldades, das barreiras que ultrapassei para a estréia de hoje. E daí o assunto continuou sendo eu o centro das atenções, embora eu tenha tentado mudar de assunto várias vezes.

Mais tarde apareceu um outro amigo, colega de trabalho, hoje gerente de programação que logo se juntou às especulações sobre meu trabalho. No meio da conversa, ele, bem intencionado, disse que eu não sou bom no trato com as pessoas e sim com o produto. Fiquei pensando sobre isso.

Na verdade, há quatro anos fui afastado da Gerência da área de Convergência de Mídias pela minha irascibilidade com minha equipe. Fiquei pensando nisso e lembrando de outros empreendimentos, como quando fui Diretor de Criação da Casa. Ora, naquela época de efervescência cultural e estética, éramos um grupo de amigos unidos e realmente mudamos os paradigmas bem como a estética da Emissora. De sobra, ainda criei a plataforma virtual inexistente na época, fazendo entre outras coisas, a transmissão via web dentro da programação da TV.

Fui afastado desse cargo por motivos políticos, porque eu não cederia à proposta visual no novo presidente que me agraciou com a Convergência de Mídias. Lá fiz um bom trabalho, criando um portal de utilidade pública do tamanho do que hoje tem a Globo.com (Isso há sete anos atrás).

Com uma nova mudança de presidência, já no governo Lula/Chavez, foram reformuladas as pastas e gerências colocando a internet subordinada a um sujeito que eu não sei quem é, mas sei que é inseguro. Em paralelo, um estagiário que eu havia contratado se mancomunou com uma mulher dessas que ficam à sombra do poder e daí começou o grande golpe, o tiro de misericórdia, alegando o cafajeste que minhas exigências o deixavam com a pressão alta e outras jekices afins. Ele é um incompetente.

Foi o momento em que me tiraram e deram meu cargo ao tal estagiário (medíocre) que alegava seus distúrbios de pressão ao meu processo de trabalho. Bobagem. Tudo politicagem rasteira e incompetente. Depois me deixaram uns meses na geladeira e me colocaram para dirigir o Comentário Geral. Agora diz\em que sou o melhor diretor e ficou essa fama tolinha de não saber lidar com pessoas. Não creio que seja verdade. Bete, minha criadora e artista de preferência, que fazia um trabalho revolucionário na estética, pediu demissão quando eu saí. Hoje o que se vê, é uma estética tosca e um site miserável, que mais parece um indicativo da grade de programação, nada mais.

Agora diante do trabalho à frente dos programas específicos e não no gerenciamento de grupos de criação, tentam suavizar a patifaria toda dizendo que sou muito bom com produtos. Sim, sou bom com produtos e/ou com a direção geral da tv, tanto faz. Apenas minha presença incomodava por saberem que eu não cederia à mediocridade. Normal.

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7.2.07

Casa

Ainda não rodei pelos arredores para ver essa parte do centro da cidade... Falam muito em revitalização e blá blá blá. Não sei se tem, não vejo nada de excepcional a não ser as boates na Lapa, lugares que não me interessam absolutamente.

Fico pensando sobre o perigo verdadeiro nas noites do Centro, mas aqui não tem morro, nesses quase dois meses não percebi nenhuma agitação, nenhum tiroteio. As pessoas que moram por aqui são de classe média bem baixa o que não é um problema.

Problema são os sábados em que essa gente resolve fazer churrasquinho e tocar funk o dia inteirinho no meio da rua, num som tão alto que parece estar na minha casa. Qual era o filme que, quando o metrô passava, a casa inteira tremia? Filme bom e famoso.... Minha pobre cabecinha não me serve de nada mesmo

Por enquanto me parece que Copacabana tinha mais zona, movimento e também marginalidade. Aqui, de noite vejo uns travestis pobrinhos, desses que inspiram antes de tudo pena. Bom lembrar que eles também estão em Copacabana e Ipanema. Ou seja, dá tudo no mesmo.

Parece que morar aqui não tem glamour, com certeza não tem. Por mim, é irrelevante, já passei dessa fase, de me preocupar com o que os outros dizem e pensam sobre mim. Estou muito mais preocupado com o meu bem estar aqui dentro e ainda faltam coisas para serem arrumadas. Cortinas, por exemplo....rs

Faz calor e vez por outra tenho o enorme prazer de ser visitado por uma barata. Na maioria dos meu protetor Artur entra em cena e resolve o problema. Espero que essas visitas não sejam assíduas. Não sei se a desorganização e essa mania de juntar coisas aqui dentro tem alguma coisa a ver, mas sou incapaz de viver num ambiente organizado. Me perco completamente.

Alguns pouquíssimos amigos vieram aqui rapidamente, meio que pra olhar a casa nova. Não perguntei a opinião de ninguém, não sei que impressões levaram. Eu mesmo ainda não tenho uma opinião formada, estou me adaptando, ainda não me sinto totalmente aterrisado. A conferir.

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Os dias têm sido longos e cansativos, porém muito gratificantes. Estou finalizando o programa e gravando, ao mesmo tempo, os próximos. O corre-corre continua, mas a turma está menos estressada. Desespero mesmo era preparar esse primeiro, onde tudo é novo desafiando a uma nova estética.

Ontem cheguei lá às sete e meia da manhã e saí à meia noite. Tudo voltado para a montagem... Logo de manhã as máquinas começaram a pifar, foi um nervosismo geral. Mexeram daqui, trocaram dali e, finalmente, começamos a trabalhar. Depois é aquele negócio todo que não quero ficar explicando aqui.

Hoje é a finalização e sonorização. Pronto. Findo o processo de criação e produção, nada mais resta do que entregar a obra ao público, porque esse sim, sabe o que é bom. Estréia amanhã, quinta, às 21 h um novo COMENTÁRIO GERAL, apresentado por Larissa Prado.
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6.2.07

Engraçadíssimo.... tal como um Dr. Fritz tupiniquim, a suposta meg agora escreve em vários idiomas e dialetos. Deixa eu me redimir: não tem nada de engraçado, parece que o surto foi profundo e não há retorno.
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5.2.07

Nada mole doce vida

Enfurnado num estúdio de gravações vendo a vida através de visores de câmeras. Toda a imagem tem um recorte, uma janela, é esse ou aquele plano que quero mostrar? por que não aquele outro ao invés deste? Não sei. Me perguntam qual eu desejo e escolho um, por intuição, sem certeza absoluta. Acaba me parecendo bom.

Os convidados estão espalhados. Alguns na maquiagem, outros na sala de corte, ao meu lado, esperando sua vez de entrarem. O iluminador vai trocando as tonalidades do fundo para que eu escolha. Não sei, não sei. Ele mostra tudo novamente e fica me olhando. De repente, tá todo mundo de olho em mim. Nenhuma das tonalidades me agradou. Mando tirar as gelatinas e deixo o fundo infinito branco. Pronto, é isso.

Já são perto de trinta fitas gravadas, trinta horas. O material bruto está pronto. Terça de manhã bem cedo começa a montagem, angústia do esse ou aquele e por que não aquele outro? O Assistente tem um calhamaço de papel onde anota cenas e números de fitas correspondentes, bem como em que minutagem está cada cena. Outra vez enclausurado olhando para vários monitores e os olhares de pergunta ao redor. A dança continua. Depois vem a sonorização. Quinta estará no ar e eu não vou ver, nem muito menos sair para festejar porque tem o outro programa, ao vivo**.

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Da loucura novamente

Não gosto de andar pelas ruas. Sinto-me inseguro, os lugares amplos me dão fobia, não sei explicar porquê exatamente. Não tem explicação. Sou impossibilitado de ir ao cinema, fazer visitas e mesmo ir ao mercado. Tudo bem, seria tranqüilo se eu tivesse as explicações, os motivos pra essa coisa toda. Procuro me lembrar se aconteceu alguma coisa, mas nada relevante me vem à cabeça. É simples assim.

Minha amiga tem crises de pânico e me pergunta se é a mesma coisa. Não é, é parecido. Para as crises de pânico o uso de antidepressivos resolvem. Essa fobia não. E aí sabe como é.... as pessoas não entendem e ficam julgando, cada uma achando uma coisa (acho que devem pensar que me falta uma boa tina de roupa para lavar rs) ...

Vou trabalhar novamente. Lá sinto-me seguro, nenhum medo, nenhuma preocupação. Com uma determinada quantidade de medicamentos eu até fico um pouco melhor, mas os efeitos colaterais são barra pesada demais, não sei o que é pior. Essa coisa vem rolando há cinco anos e só piora, não vejo nenhuma melhora, nunca. Chato pra caramba.
Converso em alguns grupos de discussão sobre o assunto e vejo que a agorafobia tem várias formas, cada um sente uma coisa diferente. Falei com um garoto que me disse que não saía porque achava que os outros estavam rindo dele na rua. Não tem nada a ver comigo. Não acho nada.

A psiquiatra, já frustrada com tantas tentativas de medicamentos fracassados, acha que uma psicanálise poderá ajudar, mas....putz, psicanálise é chato, demorado, custa caro e.... me leva para a rua. Além do mais não existe garantia de que dará certo.
Essas coisas eu talvez não devesse publicar, mas, azar, publico porque assim fica logo todo mundo sabendo. Talvez alguém sinta a mesma coisa e ache que está maluco (E ESTAMOS ! rs)

Tem que pedir farmácia, mercado....tudo em casa.... tem que disfarçar e em, tom de brincadeira pedir a um amigo que me faça esse ou aquele favor, indo ali, etc. Coisa de pequena monta que deve parecer abuso ou preguiça. Por outro lado tem que lutar contra eu sei ( há pouco tempo uma conhecida morreu, tamanha inanição, solidão, descuido com higiene e tal). Não é o meu caso. Mas sei lá...

A Ritalina, um medicamento controverso, pode dar um certo impulso, meio que jogar a gente pra frente, mas talvez precise de doses mais altas que não me atrevo a experimentar. Isso vai minando a vida de uma maneira geral, percebo o mundo através de janelas: não estou nele. Per-si não. A literatura especializada é claudicante, narra casos similares, sempre com finais mais ou menos bem sucedidos. A troca do médico já foi feita, bem como de várias medicações.

O tempo vai passando e vou buscando meios e desculpas para agir assim e assado, pedindo alguém para ir ao Correio porque estou muito ocupado, ou fazer compra disso ou daquilo porque não tenho tempo. Tudo mentira. Não sei bem como a coisa pode se desenrolar, sempre vi isso associado à depressão e parece que não é, parece que é uma fobia concomitante que os remédios específicos não amenizam. Enfim...

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4.2.07

Como ela, se encontrar alguém que não tome Rivotril, fico seriamente desconfiado....
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Existiu há muito anos num reino qualquer uma mulher casada que se apaixonou por um elfo de outra dimensão. O elfo vivia sozinho e visitava a mulher sempre que a mesma não estava com o marido, criando então uma espécie de triângulo mágico, já que ele, elfo, não fazia parte de um mundo palpável.

Mas elfos têm coração e se apaixonam e sentem atração e todas as coisas dos humanos. Mas não são humanos. Um paradoxo. A mulher, que era uma princesa (não de primeira casta) continuava cuidando de seu príncipe, servindo-o como é da natureza de algumas mulheres enquanto buscava uma forma de materializar seu elfo.

Dizia ela que trocaria todo o reinado e o príncipe pelo elfo desde que ele virasse humano e fosse viver com ela. Na verdade ela criava um dilema para o elfo que explicava como funciona o mundo da magia [sem sucesso] para a moça. Assim foi passando o tempo. Quando estava entregue ao marido, a princesa não procurava o elfo e esse era cortejado por outras criaturinhas de seu mundo em outra dimensão, criando assim outros triângulos, esses mais.... metafísicos.

Mas não se chegava a nenhum acordo porque a princesa casada queria a fidelidade do elfo por quem estava apaixonada. No mundo das dimensões várias o tempo é outro, a espacialidade é outra e as relações com os humanos, por isso mesmo, podem se tornar complicadas. O Deus do Olimpo local chamou o elfo e perguntou se ele queria perder seus dons e tornar-se humano para agradar a princesa.

O pobre pirilampo se isolou para pensar, dilema dos dilemas e acabou por não aceitar, por saber que seu mundo era aquele, a terra encantada e não um mundo árido e desconhecido (ou esquecido). Assim, corre a história, ainda sem um desfecho. O que fazer?

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Perdi as contas de quantas horas dormi, umas dezoito talvez. Estava realmente muito cansado, mais do que estava me dando conta. Dormi sem parar, de dia, de noite, direto. Parece que tirei uma pedra dos meus ombros (embora a história dos vídeos ainda não esteja finalizada, tem essa semana que entra também). Não interessa.... foi bom relaxar.

Com isso não estou lendo meus livros, só os jornais. Claro que já é alguma coisa, mas não me basta. Tudo bem, é um momento, uma fase de excessos de criação e produção e depois tudo entra num ritmo normal. Hoje tenho tempo de colocar alguma correspondência em dia e visitar ZEL), por exemplo. Ela fala do caso Meg, mais ou menos confirmando tudo o que eu acho. Mas esse assunto já foi.

Perdi um pouco o contato com Zel não sei se por desleixo meu (deve ter sido). Tivemos época de intensa troca de correspondência e depois isso deu uma parada por uma série de acontecimentos que, me lembro agora, envolviam terceiras pessoas e parará. Coisas desse nosso universo, que rolam com a naturalidade da vida.

Enfim a breve vida continua, breve como ane mostra. Lembra um texto que eu escrevi há mitos anos que falava mais ou menos que a vida é um jardim em forma de corredor por onde entramos, vamos vendo as flores, os insetos, a natureza, os monstros e, por fim, contra nossa vontade (na maioria das vezes), somos expulsos omo o Adão do Paraíso).

Hoje não vou sair de casa... converso com essa pessoa que vem se apossando e mais não posso dizer (porque para isso tenho meus cadernos). Tem essa coisa de ler o jornal de ponta a ponta, visitar os blogs amigos e,quem sabe, pegar o livrinho que tá ali, empacado? Nada de arrumar, casa, lavar louça, nada dessa coisas comezinhas, o dia é meu para fazer nada.

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3.2.07

Ufa!

Ontem fui dormir duas e meia e acordei hoje as seis da manhã. O amigo me ligando pra eu não perder a hora. Aí começa aquela coisa de querer ficar fazendo as coisas aqui e não podendo, tá lá a equipe e parará, a atriz tá nervosa, precisa de apoio e essa coisa toda.

Então chego no set e lá estão os olhares ávidos, a tensão no ar.... sabe como é, né? As equipes técnicas principalmente não gostam de trabalhar aos sábados, tem uma certa má vontade coletiva... chego mansinho, afagando a turma pra logo depois enquadrar um ou outro que resiste. A tensão da produção é porque a gravação TEM QUE ACONTECER, TEM QUE DAR CERTO, não existe a possibilidade de falha. Nenhuma. Então eu comecei a trabalhar e comecei a gravar logo pra desencantar essa agonia toda... Ufa! sai estresse!.

Para surpresa de todos resolvi começar a gravação pelo segundo vídeo... ninguém realmente esperava, muito menos a atriz. Claro que eu precisava fazer isso para que ele fosse pegando o tom certo da coisa e quando fôssemos filmar a primeira parte, ela estivesse completamente desinibida. Funcionou bem, mas em parte porque, por outro lado, mais para o final da gravação ela começou a desarmar de cansaço e tensão.

Mas quer saber? O bom é que cumprimos o plano, a coisa está feita e acabou o drama eterno de todos (principalmente meu) do cenário e das cores. Agora tá feito. Me pareceu bacana. Não o máximo, poderia ser bem melhor, mas diante das condições foi o possível. Almoço e chego em casa cansado, com meu fiel Artur me esperando. Um banho e um Lexotan, dupla perfeita.

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2.2.07

Em canais abertos de televisão (comerciais e públicas) existem determinadas prerrogativas de produção em massa que sufocam o processo criativo. Talvez a televisão crie profissionais híbridos que pensam e planejam coisas e, ao mesmo tempo, filtram o produto para adaptá-lo ao ritmo de produção lutando para perder o mínimo da estética.

Difícil por exemplo, trabalhar com o imaginário usando a cor quando essa mesma cor demanda o uso de equipamentos arcaicos, falta de matizes e profissionais despreparados e/ou mal remunerados. Por outro lado, não é possível compor um produto para consumo externo abdicando da cor (até mesmo no preto e branco).

Tornamo-nos então céleres, ágeis e brutos para manter o ritmo da programação proposta. Seria simples, não fosse o produto, resultado de uma experiência e proposta totalmente voltado para os conteúdos e a estética. Ou seja: um labirinto. No set de filmagens, tomo decisões como o caso de um único médico atendendo a quatro pacientes em estado grave que, sob estresse opta, pelo caso mais grave e/ou pelo que tem mais chances de sobrevida.

Não sei se medicina é arte, me parece que sim. Mas arte é arte, não existem subterfúgios nem explicações posteriores a quem paga, esperando um espetáculo completo, perfeito, rico. Estético.
É um erro imaginar que o telespectador não paga ou que ele é menos crítico do que uma certa casta que se acha a inteligência do povo.


O consumo fácil, a entrada nos lares através da televisão pressupõe uma platéia global e que, ao contrário da inteligência burguesa imagina, tem um público ávido de informação e cultura. O resto, o processo criativo, lúdico, estético é, no mínimo, a obrigação básica de quem produz de maneira geral o espetáculo para milhões. O criador de televisão precisa ter em mente sua responsabilidade de levar o que é esperado pelo povo embalado na estética que, por fim, acultura milhões de pessoas (a maioria ainda em formação intelectual).

retirado do caderno 37 C
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